05/04/2013

Comunhão Eucaristica



Nota de AMA: 

Estas “confidências” têm, obviamente, um autor, que não se revela; foram feitas em tempo indeterminado, por isso não se lhes atribui a data. O estilo discursivo revela, obviamente, que se tratam de meditações escritas ao correr da pena. A sua publicação deve-se a ter considerado que, nelas se encontram muitas situações e ocorrências que fazem parte do quotidiano que, qualquer um, pode viver.

Acabo de comungar!Regressado ao meu lugar, ajoelho-me, de cabeça levantada, com um sorriso calmo no rosto, porque o meu Deus é libertador e n’Ele reside toda a minha confiança, toda a minha esperança.

Sei que dentro em pouco não vai ser assim, porque vou novamente “mergulhar” no mundo, e fraco como sou, vou-me deixar envolver nas tristezas, nas provações, embora Ele continue comigo, dentro de mim, (não por meu mérito, mas pelo seu infinito amor), assim como no Sacrário, (pobre de mim), como dizia o Beato Francisco: «O Jesus escondido!», ou serei eu que O escondo, fraca testemunha que sou.

Mas nestes momentos, após a comunhão, a paz, a serenidade, a ternura, verdadeiramente a beleza, tomam conta de mim, e por esses momentos deixo-me sair de mim e gozo a sua presença real em mim, desejando que todos os outros sintam, vivam, os momentos que estou a viver.

Sinto a cara molhada e percebo que há lágrimas que choram dos meus olhos, mas são lágrimas de uma alegria indizível, de uma paz inebriante, de uma ternura incontrolável, porque o seu amor por mim, não tem dimensão, é maior do que tudo o que é maior que a minha humanidade conheça.

Perdoa-me, Senhor, mas neste momento não consigo pensar sequer nos que estão ao meu lado, nos que comigo são Igreja, porque, Senhor, talvez seja egoísta, mas quero gozar este momento em que Te dás inteiramente, e em que por tua graça, eu me abandono a Ti e em Ti.

Amor, beleza, paz, ternura, carinho, imensidão, totalidade, são palavras humanas e não podem descrever este momento divino, porque é um momento teu, que Tu concedes ao que de Ti se aproximou, pois Lhe foi dado por Ti, reconhecer-Te ao «partir do Pão».

Calmamente, mansamente, desço do Tabor, e regresso à minha condição de pecador!

Sou pecador, mas incomparavelmente maior do que o meu pecado, é o teu amor!

Nota:
Vivido na Missa de Quinta Feira Santa de 2013

O espírito de mortificação


O espírito de mortificação, mais do que manifestação de Amor, brota como uma das suas consequências. Se falhas nessas pequenas provas, reconhece-o, fraqueja o teu amor ao Amor. (Sulco, 981)

Penitência, para os pais e, em geral, para os que têm uma missão de dirigir ou de educar é corrigir quando é necessário fazê-lo, de acordo com a natureza do erro e com as condições de quem necessita dessa ajuda, superando subjectivismos néscios e sentimentais.

O espírito de penitência leva a não nos apegarmos desordenadamente a esse esboço monumental dos projectos futuros, no qual já previmos quais serão os nossos traços e pinceladas mestras. Que alegria damos a Deus quando sabemos renunciar aos nossos gatafunhos e pinceladas, e permitimos que seja Ele a acrescentar os traços e cores que mais lhe agradam! (Amigos de Deus, 138). 

SOBRE RESUMOS DA FÉ CRISTÃ


1. A comunhão dos Santos 2


1.1. A Igreja é comunhão e sociedade. Os fiéis: hierarquia, leigos e vida consagrada.

A Igreja na terra é, simultaneamente, comunhão e sociedade estruturada pelo Espírito Santo através da Palavra de Deus, dos sacramentos e dos carismas. Portanto, a sua estrutura não se pode separar da sua realidade de comunhão, não se pode sobrepor a ela nem pode entender-se como um modo de se auto-manter e auto-dirigir, depois de um primeiro período de fervor “carismático”. Os próprios sacramentos que fazem a Igreja são os que a estruturam para que, na terra, seja o sacramento universal de salvação. Concretamente, pelos sacramentos do Baptismo, Confirmação e Ordem, os fiéis participam – de formas diferentes – da missão sacerdotal de Cristo e, portanto, do seu sacerdócio. Da acção do Espírito Santo nos sacramentos, e através dos carismas, provêm as três grandes posições históricas que se encontram na Igreja: os fiéis leigos, os ministros sagrados (que receberam o sacramento da Ordem e formam a hierarquia da Igreja) e os religiosos (cf. Compêndio, 178). Todos eles têm em comum a condição de fiéis, isto é, ao serem «incorporados em Cristo pelo Baptismo, são constituídos membros do Povo de Deus. Tornados participantes, segundo a sua condição, da função sacerdotal, profética e real de Cristo, são chamados a exercer a missão confiada por Deus à Igreja. Entre eles subsiste uma verdadeira igualdade, na sua dignidade de filhos de Deus» (Compêndio, 177).

Cristo instituiu a hierarquia eclesiástica com a missão de fazer presente Cristo a todos os fiéis por meio dos sacramentos e através da pregação da Palavra de Deus com autoridade, em virtude do mandato d’Ele recebido. Os membros da hierarquia receberam também a missão de guiar o Povo de Deus (cf. Mt 28, 18-20). A hierarquia é formada pelos ministros sagrados, bispos, presbíteros e diáconos. O ministério da Igreja tem uma dimensão colegial, quer dizer, a união dos membros da hierarquia eclesiástica está ao serviço da comunhão dos fiéis. Cada bispo exerce o seu ministério como membro do colégio episcopal – que sucede ao colégio apostólico – e em união com a cabeça, que é o Papa, tornando-se participante, com ele e os outros bispos, da solicitude pela Igreja universal. Além disso, se lhe foi confiada uma igreja particular, governa-a em nome de Cristo com a autoridade que recebeu, com potestade ordinária, própria e imediata, em comunhão com toda a Igreja e sob o poder do Santo Padre. O ministério episcopal também tem um carácter pessoal, porque cada um é responsável diante de Cristo, que o chamou pessoalmente e lhe conferiu a missão ao receber o sacramento da Ordem em plenitude.

miguel de salis amaral

Bibliografia básica
Catecismo da Igreja Católica, 976-987.
Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, 200-201.

(Resumos da Fé cristã: © 2013, Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet)

Tratado dos actos humanos 81



Questão 19: Da bondade do acto interior da vontade.


Art. 6 ― Se a vontade concorde com a razão errónea é boa.

(De Verit., q. 17, a . 3, ad 4, Quodl.III, q. 12, a . 2, VIII, 1. 6, a . 3, 5, IX, q. 7, a . 2).

O sexto discute-se assim. ― Parece que a vontade concorde com a razão errónea é boa.


04/04/2013

Evangelho do dia e comentário






Tempo de Páscoa











Santo Isidoro – Doutor da Igreja




Evangelho: Lc 24, 35-48

35 E eles contaram também o que lhes tinha acontecido no caminho, e como O tinham reconhecido ao partir o pão. 36 Enquanto falavam nisto, apresentou-Se Jesus no meio deles e disse-lhes: «A paz seja convosco!». 37 Mas eles, turbados e espantados, julgavam ver algum espírito.38 Jesus disse-lhes: «Porque estais turbados, e porque se levantaram dúvidas nos vossos corações? 39 Olhai para as Minhas mãos e os Meus pés, porque sou Eu mesmo; apalpai e vede, porque um espírito não tem carne, nem ossos, como vós vedes que Eu tenho». 40 Dito isto, mostrou-lhes as mãos e os pés. 41 Mas, estando eles, por causa da alegria, ainda sem querer acreditar e estupefactos, disse-lhes: «Tendes aqui alguma coisa que se coma?». 42 Eles apresentaram-Lhe uma posta de peixe assado.43 Tendo-o tomado comeu-o à vista deles. 44 Depois disse-lhes: «Isto é o que Eu vos dizia quando ainda estava convosco; que era necessário que se cumprisse tudo o que de Mim estava escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos». 45 Então abriu-lhes o entendimento, para compreenderem as Escrituras, 46 e disse-lhes: «Assim está escrito que o Cristo devia padecer e ressuscitar dos mortos ao terceiro dia, 47 e que em Seu nome havia de ser pregado o arrependimento e a remissão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. 48 Vós sois as testemunhas destas coisas.

Comentário:

Sem o entendimento 'aberto' pelo Espírito Santo não nos é possível compreender as Escrituras, as verdades da Nossa fé.

As extraordinárias inteligências de um S. Boaventura ou um S. Tomás de Aquino, nada descortinariam sem essa luz divina que permite não só ver mas, sobretudo, compreender a subtileza e grandiosidade da criatura e do Criador e da íntima relação daquela com Aquele.

A humilde confiança em que o Espírito Santo nos iluminará é fundamental para que tenhamos ‘acesso’ a essas verdades.

(ama, comentário sobre Lc 24, 35-48, 2012.04.12)

Leitura espiritual para 04 Abr

Não abandones a tua leitura espiritual.
A leitura tem feito muitos santos.
(S. josemaria, Caminho 116)


Está aconselhada a leitura espiritual diária de mais ou menos 15 minutos. Além da leitura do novo testamento, (seguiu-se o esquema usado por P. M. Martinez em “NOVO TESTAMENTO” Editorial A. O. - Braga) devem usar-se textos devidamente aprovados. Não deve ser leitura apressada, para “cumprir horário”, mas com vagar, meditando, para que o que lemos seja alimento para a nossa alma.

Para ver, clicar SFF.

Os frutos saborosos da alma mortificada


Estes são os saborosos frutos da alma mortificada: compreensão e transigência para as misérias alheias; intransigência para as próprias. (Caminho 198)

Penitência é tratar sempre os outros com a maior caridade, começando pelos teus. É atender com a maior delicadeza os que sofrem, os doentes e os que padecem. É responder com paciência aos maçadores e inoportunos. É interromper ou modificar os nossos programas, quando as circunstâncias – sobretudo os interesses bons e justos dos outros – assim o requerem.

A penitência consiste em suportar com bom humor as mil pequenas contrariedades do dia; em não abandonar o trabalho, mesmo que no momento te tenha passado o entusiasmo com que o começaste; em comer com agradecimento o que nos servem, sem caprichos importunos. (Amigos de Deus, 138).

SOBRE RESUMOS DA FÉ CRISTÃ


1. A comunhão dos Santos


A Igreja é communio sanctorum, comunhão dos santos, ou seja, comunidade de todos os que receberam a graça regeneradora do Espírito, pela qual são filhos de Deus, unidos a Cristo e chamados santos. Uns caminham ainda nesta terra, outros morreram e purificam-se também com a ajuda das nossas preces. Outros gozam já da visão de Deus e intercedem por nós. A comunhão dos santos também significa que todos os cristãos têm em comum os dons santos, em cujo centro está a Eucaristia, todos os outros sacramentos que a ela se ordenam e todos os outros dons e carismas (cf. Catecismo, 950).

Pela comunhão dos santos, os méritos de Cristo e de todos os santos que nos precederam na terra ajudam-nos na missão que o próprio Senhor nos pede para realizar na Igreja. Os santos que estão no Céu não assistem com indiferença à vida da Igreja peregrina; impulsionam-nos com a sua intercessão diante do Trono de Deus, e aguardam que a plenitude da comunhão dos santos se realize com a segunda vinda do Senhor, o juízo e a ressurreição dos corpos. A vida concreta da Igreja peregrina e de cada um dos seus membros, a fidelidade de cada baptizado tem grande importância para a realização da missão da Igreja, para a purificação de muitas almas e para a conversão de outras 1.

A comunhão dos santos está organicamente estruturada na terra, porque Cristo e o Espírito a fizeram, e fazem, sacramento da Salvação, quer dizer, meio e sinal pelo qual Deus oferece a Salvação à humanidade. No seu caminhar terreno, a Igreja também se estrutura externamente na comunhão das Igrejas particulares, formadas à imagem da Igreja universal e presididas, cada uma pelo seu próprio bispo; nessas igrejas particulares dá-se uma comunhão peculiar entre os fiéis, com os seus padroeiros, os seus fundadores e os seus santos principais. De modo idêntico se dá esta comunhão noutras realidades eclesiais.
Também estamos em certa comunhão de orações e outros benefícios espirituais com os cristãos que não pertencem à Igreja Católica, há inclusive certa união no Espírito Santo 2.

miguel de salis amaral
Bibliografia básica
Catecismo da Igreja Católica, 976-987.
Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, 200-201.

(Resumos da Fé cristã: © 2013, Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet)
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Notas:
[1] «Não te esqueças: muitas coisas grandes dependem de que tu e eu nos portemos como Deus quer» (São Josemaria, Caminho, 755).
[2] Cf. Concílio Vaticano II, Const. Lumen Gentium, 15.

Tratado dos actos humanos 80



Questão 19: Da bondade do acto interior da vontade.

Art. 5 ― Se a vontade discordante da razão errónea é má.


(II Sent., dist. XXXIX., q. 3, a . 3, De Verit., q. 17, a . 4, Quodl. III, q. 12 a . 2, VIII, q. 6, a . 3, IX, q. 7, a . 2, Rom., cap XIV, lect. II, Galat., cap. V, lect. I).

O quinto discute-se assim. ― Parece que a vontade discordante da razão errónea não é má.


03/04/2013

Evangelho do dia e comentário





Tempo de Páscoa

















Evangelho: Lc 24, 13-35

13 No mesmo dia, caminhavam dois deles para uma aldeia, chamada Emaús, distante de Jerusalém sessenta estádios. 14 Iam falando sobre tudo o que se tinha passado. 15 Sucedeu que, quando eles iam conversando e discorrendo entre si, aproximou-Se deles o próprio Jesus e caminhou com eles.16 Os seus olhos, porém, estavam como que fechados, de modo que não O reconheceram. 17 Ele disse-lhes: «Que palavras são essas que trocais entre vós pelo caminho?». Eles pararam cheios de tristeza.18 Um deles, chamado Cléofas, respondeu: «Serás tu o único forasteiro em Jerusalém que não sabe o que ali se passou nestes dias?». 19 Ele disse-lhes: «Que foi?». Responderam: «Sobre Jesus Nazareno, que foi um profeta, poderoso em obras e em palavras diante de Deus e de todo o povo; 20 e de que maneira os príncipes dos sacerdotes e os nossos chefes O entregaram para ser condenado à morte, e O crucificaram. 21 Ora nós esperávamos que Ele fosse o que havia de libertar Israel; depois de tudo isto, é já hoje o terceiro dia, depois que estas coisas sucederam. 22 É verdade que algumas mulheres, das que estavam entre nós, nos sobressaltaram porque, ao amanhecer, foram ao sepulcro 23 e, não tendo encontrado o Seu corpo, voltaram dizendo que tinham tido a aparição de anjos que disseram que Ele está vivo. 24 Alguns dos nossos foram ao sepulcro e acharam que era assim como as mulheres tinham dito; mas a Ele não O encontraram». 25 Então Jesus disse-lhes: «Ó estultos e lentos do coração para crer tudo o que anunciaram os profetas! 26 Porventura não era necessário que o Cristo sofresse tais coisas, para entrar na Sua glória?». 27 Em seguida, começando por Moisés e discorrendo por todos os profetas, explicava-lhes o que d'Ele se encontrava dito em todas as Escrituras. 28 Aproximaram-se da aldeia para onde caminhavam. Jesus fez menção de ir para mais longe. 29 Mas os outros insistiram com Ele, dizendo: «Fica connosco, porque faz-se tarde e o dia já declina». Entrou para ficar com eles. 30 Estando com eles à mesa, tomou o pão, abençoou-o, partiu-o, e lho deu. 31 Abriram-se os seus olhos e reconheceram-n'O; mas Ele desapareceu da vista deles. 32 Disseram então um para o outro: «Não é verdade que nós sentíamos abrasar-se-nos o coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?». 33 Levantando-se no mesmo instante, voltaram para Jerusalém. Encontraram juntos os onze e os que estavam com eles, 34 que diziam: «Na verdade o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão». 35 E eles contaram também o que lhes tinha acontecido no caminho, e como O tinham reconhecido ao partir o pão.

Comentário:

A tristeza põe como que uma névoa opaca sobre os olhos da alma impedindo-os de ver as realidades mais evidentes. O futuro apresenta-se incerto, o desânimo apodera-se de nós, a vontade de progredir e os desejos de melhoria atrofiam-se.
Nem sequer a expectativa de dias mais risonhos nos anima e impele para a frente.
E, frequentemente, paramos como que aturdidos.

Como diz, sabiamente, Stº Agostinho, "paraste já estás morto".

É o que nos espera se não sacudirmos para longe, decididamente, a tristeza do nosso coração: morrer inapelavelmente!

(ama, comentário sobre Lc 24, 13-35, Lisboa, 2011.05.08)

Leitura espiritual para 03 Abr

Não abandones a tua leitura espiritual.
A leitura tem feito muitos santos.
(S. josemaria, Caminho 116)


Está aconselhada a leitura espiritual diária de mais ou menos 15 minutos. Além da leitura do novo testamento, (seguiu-se o esquema usado por P. M. Martinez em “NOVO TESTAMENTO” Editorial A. O. - Braga) devem usar-se textos devidamente aprovados. Não deve ser leitura apressada, para “cumprir horário”, mas com vagar, meditando, para que o que lemos seja alimento para a nossa alma.

Para ver, clicar SFF.

SER IGREJA

.
.
 

 
Ser Igreja
é ser de Cristo,
é ser de todos e de cada um,
como «Ele e o Pai são Um».
 
Ser Igreja
é ser amor,
é levar a esperança,
e a confiança,
onde alguém sofre uma dor.
 
Ser Igreja,
é ser alegria,
por viver sempre a certeza,
de que Ele está connosco
em cada momento,
em cada dia.
 
Ser Igreja
é ser audaz,
combater o bom combate
e ser defensor da paz.
 
Ser Igreja
é ser coerente,
dar testemunho activo,
não ser frio nem ser morno,
mas ser homem de fé quente.
 
Ser Igreja
é celebrar,
em cada dia o Senhor,
e amar, sempre amar,
na alegria e na dor!
 
 
 
Monte Real, 2 de Abril de 2013
Joaquim Mexia Alves
.
.

Penitência é atender os que sofrem


Esta é a receita para o teu caminho de cristão: oração, penitência, trabalho sem descanso, com um cumprimento amoroso do dever. (Forja, 65).


E se agora não te ocorre como responder concretamente aos apelos divinos que se fazem ouvir no teu coração, ouve-me bem.

Penitência é o cumprimento exacto do horário que te fixaste, mesmo que o corpo resista ou a mente pretenda evadir-se com sonhos quiméricos. Penitência é levantares-te pontualmente. E também, não deixar para mais tarde, sem motivo justificado, essa tarefa que te é mais difícil ou custosa.

A penitência está em saber compaginar as tuas obrigações relativas a Deus, aos outros e a ti próprio, exigindo-te, de modo que consigas encontrar o tempo necessário para cada coisa. És penitente quando te submetes amorosamente ao teu plano de oração, apesar de estares cansado, sem vontade ou frio. (Amigos de Deus, 138).

Tratado dos actos humanos 79


Questão 19: Da bondade do acto interior da vontade.

Art. 4 ― Se a bondade da vontade humana depende da lei eterna.







O quarto discute-se assim. ― Parece que a bondade da vontade humana não depende da lei eterna.


Resumos sobre a Fé cristã 71


2. Creio na Santa Igreja Católica 3

2.3. As propriedades da Igreja: una, santa, católica, apostólica

Chamamos propriedades aos elementos que caracterizam a Igreja. Encontramo-los em muitos dos Símbolos da fé desde épocas muito remotas da Igreja. Todas as propriedades são um dom de Deus que implica uma tarefa a cumprir por parte dos cristãos.

A Igreja é Una porque a sua origem e modelo é a Santíssima Trindade; porque Cristo – seu fundador – restabelece a unidade de todos num só corpo; porque o Espírito Santo une os fiéis à Cabeça, que é Cristo. Esta unidade manifesta-se em que os fiéis professam uma mesma fé, celebram uns mesmos sacramentos, estão unidos numa mesma hierarquia, têm uma esperança comum e a mesma caridade. A Igreja subsiste como sociedade constituída e organizada no mundo na Igreja católica, governada pelo sucessor de Pedro e pelos bispos em comunhão com ele 8. Só nela se pode obter a plenitude dos meios de salvação, posto que o Senhor confiou os bens da Nova Aliança ao Colégio apostólico, cuja cabeça é Pedro. Nas igrejas e comunidades cristãs não católicas há muitos bens de santificação e de verdade que procedem de Cristo e impulsionam a unidade católica; o Espírito Santo serve-se delas como meios de salvação, cuja força vem da plenitude da graça e da verdade que Cristo confiou à Igreja Católica (cf. Catecismo, 819). Os membros dessas igrejas e comunidades incorporam-se a Cristo no Baptismo e, por isso, reconhecemo-los como irmãos. Pode-se crescer na unidade: aproximando-nos mais a Cristo e ajudando os outros cristãos a estar mais perto d’Ele; fomentando a unidade no essencial, a liberdade no acidental e a caridade em tudo 9; tornando mais habitável a casa de Deus aos outros; crescendo na veneração e respeito pelo Papa e pela Hierarquia, ajudando-os e seguindo os seus ensinamentos.

O movimento ecuménico é uma tarefa eclesial pela qual se procura restaurar a unidade entre os cristãos na única Igreja fundada por Cristo. É um desejo do Senhor (cf. Jo 17, 21). Realiza-se com a oração, com a conversão do coração, o recíproco conhecimento fraterno e o diálogo teológico.

A Igreja é Santa porque Deus é o seu autor, porque Cristo se entregou por ela para a santificar e a fazer santificante, porque o Espírito Santo a vivifica com a caridade. Por ter a plenitude dos meios salvíficos, a santidade é a vocação de cada um dos seus membros e o fim de toda a sua actividade. É santa porque dá constantemente frutos de santidade na terra, porque a sua santidade é fonte de santificação dos seus filhos – embora nesta terra se reconheçam todos pecadores e necessitados de conversão e purificação. A Igreja é também santa devido à santidade alcançada pelos seus membros que já estão no Céu, de modo eminente a santíssima Virgem Maria, que são seus modelos e intercessores (cf. Catecismo, 823-829). A Igreja pode ser mais santa, através da tarefa de santidade realizada pelos seus fiéis: a conversão pessoal, a luta ascética por se parecerem mais a Cristo, a reforma que ajuda a cumprir melhor a missão e a fugir da rotina, a purificação da memória que remove os falsos preconceitos sobre os outros, e o cumprimento concreto da vontade de Deus na caridade.

A Igreja é Católica – quer dizer, universal – porque nela está Cristo, porque conserva e administra todos os meios de salvação dados por Cristo, porque a sua missão abarca todo o género humano, porque recebeu e transmite na sua integridade todo o tesouro da Salvação e porque tem a capacidade de se inculturar, elevando e melhorando qualquer cultura. A catolicidade cresce extensiva e intensivamente através de um maior desenvolvimento da missão da Igreja. Toda a igreja particular, ou seja, toda a porção do povo de Deus que está em comunhão na fé, nos sacramentos, com o seu bispo – através da sucessão apostólica – formada à imagem da Igreja universal e em comunhão com toda a Igreja (que a precede ontológica e cronologicamente), é católica.

Como a sua missão abarca toda a humanidade, todos os homens, pertencem ou estão ordenados, de diferentes modos, à unidade católica do Povo de Deus. Estão plenamente incorporados na Igreja católica aqueles que, tendo o Espírito de Cristo, se encontram unidos a ela pelos vínculos da profissão de fé, dos sacramentos, do governo eclesiástico e da comunhão. Os baptizados que não perseverem na caridade, embora incorporados na Igreja, pertencem-lhe com o corpo mas não com o coração. Os baptizados que não se encontram plenamente nesta unidade católica estão numa certa comunhão, ainda que imperfeita, com a Igreja Católica (cf. Compêndio, 168).

 A Igreja é Apostólica porque Cristo a edificou sobre os Apóstolos, testemunhas escolhidas da sua Ressurreição e fundamento da sua Igreja; porque com a assistência do Espírito Santo, ensina, guarda e transmite fielmente o depósito da fé recebido dos Apóstolos. Também é apostólica pela sua estrutura, enquanto é instruída, santificada e governada, até ao regresso de Cristo, pelos Apóstolos e seus sucessores, os bispos, em comunhão com o sucessor de Pedro. A sucessão apostólica é a transmissão, mediante o sacramento da Ordem, da missão e potestade dos Apóstolos aos seus sucessores. Graças a esta transmissão, a Igreja mantém-se em comunhão de fé e de vida com a sua origem, enquanto ao longo dos séculos ordena a sua missão apostólica à difusão do Reino de Cristo sobre a terra. Todos os membros da Igreja participam, segundo as distintas funções, da missão recebida pelos Apóstolos de levar o Evangelho ao mundo inteiro. A vocação cristã é, pela sua própria natureza, vocação ao apostolado (cf. Catecismo, 863).

Miguel de Salis Amaral

Bibliografia:

Catecismo da Igreja Católica, 683-688; 731-741.
Compêndio do Catecismo de la Igreja Católica, 136-146.
João Paulo II, Enc. Dominum et Vivificantem, 18-V-1986, 3-26.
João Paulo II, Catequese sobre o Espírito Santo, 8-XII-1989.
São Josemaria, Homilia «O Grande Desconhecido», em Cristo que Passa, 127-138.

Leituras recomendadas:

Catecismo da Igreja Católica, 748-945.
Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, 147-193.
São Josemaria, Homilia «Lealdade à Igreja», em Amar a Igreja, Rei dos Livros, Lisboa 1986.

_________________________
Notas:
8 Cf. Ibidem, 8.
9 Cf. Concílio Vaticano II, Const. Gaudium et Spes, 92.