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08/04/2013

SOBRE RESUMOS DA FÉ CRISTÃ


1. A comunhão dos Santos 4


1.1. A Igreja é comunhão e sociedade. Os fiéis: hierarquia, leigos e vida consagrada. 3

Os leigos são aqueles fiéis cuja missão é procurar o Reino de Deus, iluminando e ordenando as realidades temporais segundo Deus. Respondem assim à chamada à santidade e ao apostolado, que se dirige a todos os baptizados. Como participam do sacerdócio de Cristo, os leigos associam-se, também, à sua missão santificadora, profética e real (cf. Compêndio, 189-191). Participam na missão sacerdotal de Cristo, quando oferecem como sacrifício espiritual, sobretudo na Eucaristia, a própria vida com todas as suas obras. Participam na missão profética, quando acolhem na fé a Palavra de Cristo e a anunciam ao mundo com o testemunho da vida e da palavra. Participam na missão real, porque recebem d’Ele o poder de vencer o pecado em si mesmos e no mundo, por meio da abnegação e da santidade da própria vida, e impregnam de valores morais as actividades temporais do homem e das instituições da sociedade.

Dos fiéis leigos e da hierarquia provêm fiéis que se consagram de modo especial a Deus pela profissão dos conselhos evangélicos, castidade (no celibato ou virgindade), pobreza e obediência. A vida consagrada é um estado de vida, reconhecido pela Igreja, que participa na sua missão mediante uma plena entrega a Cristo e aos irmãos, testemunhando a esperança do Reino celeste (cf. Compêndio, 192 e seg.).

miguel de salis amaral

Bibliografia básica
Catecismo da Igreja Católica, 976-987.
Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, 200-201.

(Resumos da Fé cristã: © 2013, Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet)

07/04/2013

SOBRE RESUMOS DA FÉ CRISTÃ


1. A comunhão dos Santos 3


1.1. A Igreja é comunhão e sociedade. Os fiéis: hierarquia, leigos e vida consagrada. 2

O Papa é o Bispo de Roma e sucessor de São Pedro; é o perpétuo e visível princípio e fundamento da unidade da Igreja. É o Vigário de Cristo, cabeça do colégio dos bispos e pastor de toda a Igreja, sobre a qual tem, por instituição divina, a potestade plena, suprema, imediata e universal. O colégio dos bispos, em comunhão com o Papa, e nunca sem ele, exerce também a potestade suprema e plena sobre a Igreja. Os bispos receberam a missão de ensinar como testemunhas autênticas da fé apostólica; de santificar, dispensando a graça de Cristo no ministério da Palavra e dos sacramentos, em particular da Eucaristia; e governar o povo de Deus na terra (cf. Compêndio, 184, 186 e seg.).
O Senhor prometeu que a sua Igreja permanecerá sempre na fé (cf. Mt 16, 19) e garante-a com a Sua presença em virtude do Espírito Santo. Esta propriedade é possuída pela Igreja na sua totalidade (não em cada membro). Por isso, os fiéis, no seu conjunto, não se enganam ao aderir indefectivelmente à fé, guiados pelo magistério vivo da Igreja, sob a acção do Espírito Santo que guia uns e outros. A assistência do Espírito Santo a toda a Igreja para que não se equivoque ao crer dá-se também ao magistério para que ensine fiel e autenticamente a Palavra de Deus. Nalguns casos específicos, essa assistência do Espírito garante que as intervenções do magistério não contêm erro; por isso, se costuma dizer que em tais casos o magistério participa da mesma infalibilidade que o Senhor prometeu à sua Igreja. «A infalibilidade exerce-se quando o Romano Pontífice, em virtude da sua autoridade de Supremo Pastor da Igreja, ou o Colégio Episcopal em comunhão com o Papa, reunido sobretudo num Concílio Ecuménico, proclamam com um acto definitivo uma doutrina respeitante à fé ou à moral; e também quando o Papa e os bispos, no seu Magistério ordinário, concordam em propor uma doutrina como definitiva. A tais ensinamentos cada fiel deve aderir com o obséquio da fé» (Compêndio, 185).
miguel de salis amaral

Bibliografia básica
Catecismo da Igreja Católica, 976-987.
Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, 200-201.

(Resumos da Fé cristã: © 2013, Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet)

06/04/2013

SOBRE RESUMOS DA FÉ CRISTÃ


2. Creio no perdão dos pecados


Cristo tinha o poder de perdoar os pecados (cf. Mc 2, 6-12). Deu-o aos seus discípulos, quando lhes entregou o Espírito Santo, lhes deu «o poder das chaves» e os enviou a baptizar e a perdoar os pecados a todos: «Recebei o Espírito Santo, a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados, a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos» (Jo 20, 22-23). São Pedro conclui o seu primeiro discurso depois do Pentecostes animando os judeus à penitência, «e que cada um seja baptizado em nome de Jesus Cristo, para a remissão dos vossos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo» (Act 2, 38).

A Igreja conhece dois modos de perdoar os pecados. O Baptismo é o primeiro e principal sacramento pelo qual se nos perdoam os pecados. Para os pecados cometidos depois do Baptismo, Cristo instituiu o sacramento da Penitência, em que o baptizado se reconcilia com Deus e com a Igreja.

Quando se perdoam os pecados, é Cristo e o Espírito que actuam na e através da Igreja. Não há nenhuma falta que a Igreja não possa perdoar, porque Deus pode perdoar sempre e sempre o quis fazer se o homem se converte e pede perdão (cf. Catecismo, 982). A Igreja é instrumento de santidade e santificação, actua para que todos estejamos mais perto de Cristo. O cristão, com a sua luta por viver santamente e com a sua palavra, pode fazer com que os outros estejam mais perto de Cristo e se convertam.

miguel de salis amaral

Bibliografia básica

Catecismo da Igreja Católica, 976-987.

Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, 200-201.

(Resumos da Fé cristã: © 2013, Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet)

05/04/2013

SOBRE RESUMOS DA FÉ CRISTÃ


1. A comunhão dos Santos 2


1.1. A Igreja é comunhão e sociedade. Os fiéis: hierarquia, leigos e vida consagrada.

A Igreja na terra é, simultaneamente, comunhão e sociedade estruturada pelo Espírito Santo através da Palavra de Deus, dos sacramentos e dos carismas. Portanto, a sua estrutura não se pode separar da sua realidade de comunhão, não se pode sobrepor a ela nem pode entender-se como um modo de se auto-manter e auto-dirigir, depois de um primeiro período de fervor “carismático”. Os próprios sacramentos que fazem a Igreja são os que a estruturam para que, na terra, seja o sacramento universal de salvação. Concretamente, pelos sacramentos do Baptismo, Confirmação e Ordem, os fiéis participam – de formas diferentes – da missão sacerdotal de Cristo e, portanto, do seu sacerdócio. Da acção do Espírito Santo nos sacramentos, e através dos carismas, provêm as três grandes posições históricas que se encontram na Igreja: os fiéis leigos, os ministros sagrados (que receberam o sacramento da Ordem e formam a hierarquia da Igreja) e os religiosos (cf. Compêndio, 178). Todos eles têm em comum a condição de fiéis, isto é, ao serem «incorporados em Cristo pelo Baptismo, são constituídos membros do Povo de Deus. Tornados participantes, segundo a sua condição, da função sacerdotal, profética e real de Cristo, são chamados a exercer a missão confiada por Deus à Igreja. Entre eles subsiste uma verdadeira igualdade, na sua dignidade de filhos de Deus» (Compêndio, 177).

Cristo instituiu a hierarquia eclesiástica com a missão de fazer presente Cristo a todos os fiéis por meio dos sacramentos e através da pregação da Palavra de Deus com autoridade, em virtude do mandato d’Ele recebido. Os membros da hierarquia receberam também a missão de guiar o Povo de Deus (cf. Mt 28, 18-20). A hierarquia é formada pelos ministros sagrados, bispos, presbíteros e diáconos. O ministério da Igreja tem uma dimensão colegial, quer dizer, a união dos membros da hierarquia eclesiástica está ao serviço da comunhão dos fiéis. Cada bispo exerce o seu ministério como membro do colégio episcopal – que sucede ao colégio apostólico – e em união com a cabeça, que é o Papa, tornando-se participante, com ele e os outros bispos, da solicitude pela Igreja universal. Além disso, se lhe foi confiada uma igreja particular, governa-a em nome de Cristo com a autoridade que recebeu, com potestade ordinária, própria e imediata, em comunhão com toda a Igreja e sob o poder do Santo Padre. O ministério episcopal também tem um carácter pessoal, porque cada um é responsável diante de Cristo, que o chamou pessoalmente e lhe conferiu a missão ao receber o sacramento da Ordem em plenitude.

miguel de salis amaral

Bibliografia básica
Catecismo da Igreja Católica, 976-987.
Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, 200-201.

(Resumos da Fé cristã: © 2013, Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet)

04/04/2013

SOBRE RESUMOS DA FÉ CRISTÃ


1. A comunhão dos Santos


A Igreja é communio sanctorum, comunhão dos santos, ou seja, comunidade de todos os que receberam a graça regeneradora do Espírito, pela qual são filhos de Deus, unidos a Cristo e chamados santos. Uns caminham ainda nesta terra, outros morreram e purificam-se também com a ajuda das nossas preces. Outros gozam já da visão de Deus e intercedem por nós. A comunhão dos santos também significa que todos os cristãos têm em comum os dons santos, em cujo centro está a Eucaristia, todos os outros sacramentos que a ela se ordenam e todos os outros dons e carismas (cf. Catecismo, 950).

Pela comunhão dos santos, os méritos de Cristo e de todos os santos que nos precederam na terra ajudam-nos na missão que o próprio Senhor nos pede para realizar na Igreja. Os santos que estão no Céu não assistem com indiferença à vida da Igreja peregrina; impulsionam-nos com a sua intercessão diante do Trono de Deus, e aguardam que a plenitude da comunhão dos santos se realize com a segunda vinda do Senhor, o juízo e a ressurreição dos corpos. A vida concreta da Igreja peregrina e de cada um dos seus membros, a fidelidade de cada baptizado tem grande importância para a realização da missão da Igreja, para a purificação de muitas almas e para a conversão de outras 1.

A comunhão dos santos está organicamente estruturada na terra, porque Cristo e o Espírito a fizeram, e fazem, sacramento da Salvação, quer dizer, meio e sinal pelo qual Deus oferece a Salvação à humanidade. No seu caminhar terreno, a Igreja também se estrutura externamente na comunhão das Igrejas particulares, formadas à imagem da Igreja universal e presididas, cada uma pelo seu próprio bispo; nessas igrejas particulares dá-se uma comunhão peculiar entre os fiéis, com os seus padroeiros, os seus fundadores e os seus santos principais. De modo idêntico se dá esta comunhão noutras realidades eclesiais.
Também estamos em certa comunhão de orações e outros benefícios espirituais com os cristãos que não pertencem à Igreja Católica, há inclusive certa união no Espírito Santo 2.

miguel de salis amaral
Bibliografia básica
Catecismo da Igreja Católica, 976-987.
Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, 200-201.

(Resumos da Fé cristã: © 2013, Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet)
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Notas:
[1] «Não te esqueças: muitas coisas grandes dependem de que tu e eu nos portemos como Deus quer» (São Josemaria, Caminho, 755).
[2] Cf. Concílio Vaticano II, Const. Lumen Gentium, 15.

03/04/2013

Resumos sobre a Fé cristã 71


2. Creio na Santa Igreja Católica 3

2.3. As propriedades da Igreja: una, santa, católica, apostólica

Chamamos propriedades aos elementos que caracterizam a Igreja. Encontramo-los em muitos dos Símbolos da fé desde épocas muito remotas da Igreja. Todas as propriedades são um dom de Deus que implica uma tarefa a cumprir por parte dos cristãos.

A Igreja é Una porque a sua origem e modelo é a Santíssima Trindade; porque Cristo – seu fundador – restabelece a unidade de todos num só corpo; porque o Espírito Santo une os fiéis à Cabeça, que é Cristo. Esta unidade manifesta-se em que os fiéis professam uma mesma fé, celebram uns mesmos sacramentos, estão unidos numa mesma hierarquia, têm uma esperança comum e a mesma caridade. A Igreja subsiste como sociedade constituída e organizada no mundo na Igreja católica, governada pelo sucessor de Pedro e pelos bispos em comunhão com ele 8. Só nela se pode obter a plenitude dos meios de salvação, posto que o Senhor confiou os bens da Nova Aliança ao Colégio apostólico, cuja cabeça é Pedro. Nas igrejas e comunidades cristãs não católicas há muitos bens de santificação e de verdade que procedem de Cristo e impulsionam a unidade católica; o Espírito Santo serve-se delas como meios de salvação, cuja força vem da plenitude da graça e da verdade que Cristo confiou à Igreja Católica (cf. Catecismo, 819). Os membros dessas igrejas e comunidades incorporam-se a Cristo no Baptismo e, por isso, reconhecemo-los como irmãos. Pode-se crescer na unidade: aproximando-nos mais a Cristo e ajudando os outros cristãos a estar mais perto d’Ele; fomentando a unidade no essencial, a liberdade no acidental e a caridade em tudo 9; tornando mais habitável a casa de Deus aos outros; crescendo na veneração e respeito pelo Papa e pela Hierarquia, ajudando-os e seguindo os seus ensinamentos.

O movimento ecuménico é uma tarefa eclesial pela qual se procura restaurar a unidade entre os cristãos na única Igreja fundada por Cristo. É um desejo do Senhor (cf. Jo 17, 21). Realiza-se com a oração, com a conversão do coração, o recíproco conhecimento fraterno e o diálogo teológico.

A Igreja é Santa porque Deus é o seu autor, porque Cristo se entregou por ela para a santificar e a fazer santificante, porque o Espírito Santo a vivifica com a caridade. Por ter a plenitude dos meios salvíficos, a santidade é a vocação de cada um dos seus membros e o fim de toda a sua actividade. É santa porque dá constantemente frutos de santidade na terra, porque a sua santidade é fonte de santificação dos seus filhos – embora nesta terra se reconheçam todos pecadores e necessitados de conversão e purificação. A Igreja é também santa devido à santidade alcançada pelos seus membros que já estão no Céu, de modo eminente a santíssima Virgem Maria, que são seus modelos e intercessores (cf. Catecismo, 823-829). A Igreja pode ser mais santa, através da tarefa de santidade realizada pelos seus fiéis: a conversão pessoal, a luta ascética por se parecerem mais a Cristo, a reforma que ajuda a cumprir melhor a missão e a fugir da rotina, a purificação da memória que remove os falsos preconceitos sobre os outros, e o cumprimento concreto da vontade de Deus na caridade.

A Igreja é Católica – quer dizer, universal – porque nela está Cristo, porque conserva e administra todos os meios de salvação dados por Cristo, porque a sua missão abarca todo o género humano, porque recebeu e transmite na sua integridade todo o tesouro da Salvação e porque tem a capacidade de se inculturar, elevando e melhorando qualquer cultura. A catolicidade cresce extensiva e intensivamente através de um maior desenvolvimento da missão da Igreja. Toda a igreja particular, ou seja, toda a porção do povo de Deus que está em comunhão na fé, nos sacramentos, com o seu bispo – através da sucessão apostólica – formada à imagem da Igreja universal e em comunhão com toda a Igreja (que a precede ontológica e cronologicamente), é católica.

Como a sua missão abarca toda a humanidade, todos os homens, pertencem ou estão ordenados, de diferentes modos, à unidade católica do Povo de Deus. Estão plenamente incorporados na Igreja católica aqueles que, tendo o Espírito de Cristo, se encontram unidos a ela pelos vínculos da profissão de fé, dos sacramentos, do governo eclesiástico e da comunhão. Os baptizados que não perseverem na caridade, embora incorporados na Igreja, pertencem-lhe com o corpo mas não com o coração. Os baptizados que não se encontram plenamente nesta unidade católica estão numa certa comunhão, ainda que imperfeita, com a Igreja Católica (cf. Compêndio, 168).

 A Igreja é Apostólica porque Cristo a edificou sobre os Apóstolos, testemunhas escolhidas da sua Ressurreição e fundamento da sua Igreja; porque com a assistência do Espírito Santo, ensina, guarda e transmite fielmente o depósito da fé recebido dos Apóstolos. Também é apostólica pela sua estrutura, enquanto é instruída, santificada e governada, até ao regresso de Cristo, pelos Apóstolos e seus sucessores, os bispos, em comunhão com o sucessor de Pedro. A sucessão apostólica é a transmissão, mediante o sacramento da Ordem, da missão e potestade dos Apóstolos aos seus sucessores. Graças a esta transmissão, a Igreja mantém-se em comunhão de fé e de vida com a sua origem, enquanto ao longo dos séculos ordena a sua missão apostólica à difusão do Reino de Cristo sobre a terra. Todos os membros da Igreja participam, segundo as distintas funções, da missão recebida pelos Apóstolos de levar o Evangelho ao mundo inteiro. A vocação cristã é, pela sua própria natureza, vocação ao apostolado (cf. Catecismo, 863).

Miguel de Salis Amaral

Bibliografia:

Catecismo da Igreja Católica, 683-688; 731-741.
Compêndio do Catecismo de la Igreja Católica, 136-146.
João Paulo II, Enc. Dominum et Vivificantem, 18-V-1986, 3-26.
João Paulo II, Catequese sobre o Espírito Santo, 8-XII-1989.
São Josemaria, Homilia «O Grande Desconhecido», em Cristo que Passa, 127-138.

Leituras recomendadas:

Catecismo da Igreja Católica, 748-945.
Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, 147-193.
São Josemaria, Homilia «Lealdade à Igreja», em Amar a Igreja, Rei dos Livros, Lisboa 1986.

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Notas:
8 Cf. Ibidem, 8.
9 Cf. Concílio Vaticano II, Const. Gaudium et Spes, 92.

02/04/2013

Resumos sobre a Fé cristã 70


2. Creio na Santa Igreja Católica 2

2.2. A missão da Igreja

A Igreja tem que anunciar e instaurar o Reino de Deus, inaugurado por Cristo, entre todos os povos. Na terra é o gérmen e início deste Reino. Depois da sua Ressurreição, o Senhor enviou os Apóstolos a pregar o Evangelho, a baptizar e a ensinar a cumprir o que Ele tinha mandado (cf. Mt 28, 18ss). O Senhor entregou à sua Igreja a mesma missão que o Pai lhe tinha confiado (cf. Jo 20, 21). Desde o início da Igreja, esta missão foi realizada por todos os cristãos (cf. Act 8, 4; 11, 19), que muitas vezes chegaram ao sacrifício da própria vida para a cumprir. O mandato missionário do Senhor tem a sua fonte no amor eterno de Deus, que enviou o seu Filho e o seu Espírito porque «quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade» (1 Tm 2, 4).

Nesse envio missionário estão contidas as três funções da Igreja na terra: o munus profeticum (anunciar a boa notícia da salvação em Cristo), o munus sacerdotale (tornar efectivamente presente e transmitir a vida de Cristo que salva pelos sacramentos) e o munus regale (ajudar os cristãos a cumprir a missão e a crescer em santidade). Embora todos os fiéis partilhem a mesma missão, nem todos desempenham o mesmo papel. Alguns deles foram eleitos pelo Senhor para exercer determinadas funções, como os Apóstolos e os seus sucessores, que são conformados com Cristo, cabeça da Igreja, de uma forma específica, diferente dos outros, pelo sacramento da Ordem.

Porque a Igreja recebeu de Deus uma missão salvífica na terra para os homens, e foi disposta por Deus para a realizar, diz-se que a Igreja é o sacramento universal de Salvação, pois tem como fim a glória de Deus e a salvação dos homens (cf. Catecismo, 775). É sacramento universal de salvação porque é sinal e instrumento da reconciliação e da comunhão da humanidade com Deus, e da unidade de todo o género humano 7. Também se diz que a Igreja é um mistério porque na sua realidade visível se faz presente e actua uma realidade espiritual e divina que só se percebe mediante a fé.

A afirmação «fora da Igreja não há salvação» significa que toda a salvação vem de Cristo Cabeça por meio da Igreja, que é o seu Corpo. Portanto não poderiam ser salvos os que, conhecendo a Igreja como fundada por Cristo e necessária à salvação dos homens, nela não entrassem e nela não perseverassem. Ao mesmo tempo, graças a Cristo e à sua Igreja, podem conseguir a salvação eterna todos os que, sem culpa própria, ignoram o Evangelho de Cristo e a sua Igreja, mas procuram sinceramente Deus e, sob o influxo da graça, se esforçam por cumprir a sua vontade, conhecida através do que a consciência lhes dita. Tudo quanto de bom e de verdadeiro existe nas outras religiões vem de Deus, pode preparar para acolher o Evangelho e mover em direcção à unidade da humanidade na Igreja de Cristo (cf. Compêndio, 170 e seg.).

Miguel de Salis Amaral

Bibliografia:

Catecismo da Igreja Católica, 683-688; 731-741.
Compêndio do Catecismo de la Igreja Católica, 136-146.
João Paulo II, Enc. Dominum et Vivificantem, 18-V-1986, 3-26.
João Paulo II, Catequese sobre o Espírito Santo, 8-XII-1989.
São Josemaria, Homilia «O Grande Desconhecido», em Cristo que Passa, 127-138.

Leituras recomendadas:

Catecismo da Igreja Católica, 748-945.
Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, 147-193.
São Josemaria, Homilia «Lealdade à Igreja», em Amar a Igreja, Rei dos Livros, Lisboa 1986.

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Notas:
7 Cf. Concílio Vaticano II, Const. Lumen Gentium, 1.

01/04/2013

Resumos sobre a Fé cristã 69


2. Creio na Santa Igreja Católica

2.1. A revelação da Igreja

A Igreja é um mistério (cf., p. ex., Rm 16,25-27), quer dizer, uma realidade em que entram em contacto e comunhão Deus e os homens. Igreja vem do grego ekklesia, que significa assembleia dos convocados. No Antigo Testamento foi utilizada para traduzir o quahal Yahweh, ou assembleia reunida por Deus para O honrar com o culto devido. São exemplos disso a assembleia do Sinai, e a que se reuniu nos tempos do rei Josías a fim de louvar a Deus e voltar à pureza da Lei (reforma). No Novo Testamento há várias acepções, em continuidade com o Antigo, mas designa especialmente o povo que Deus convoca e reúne de todos os confins da terra, para constituir a assembleia daqueles que, pela fé e pelo Baptismo, se tornam filhos de Deus, membros de Cristo e templo do Espírito Santo (cf. Catecismo, 777; Compêndio, 147).

Na Sagrada Escritura, a Igreja recebe diversos nomes, cada um dos quais sublinha especialmente alguns aspectos do mistério da comunhão de Deus com os homens. “Povo de Deus” é um título que Israel recebeu. Quando se aplica à Igreja, novo Israel, quer dizer que Deus não quis salvar os homens isoladamente, mas constituindo-os num único povo reunido pela unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo, que O conhecesse na verdade e O servisse santamente 3. Também significa que ela foi eleita por Deus, que é uma comunidade visível que está a caminho – entre as nações – da sua pátria definitiva. Nesse povo, todos têm a comum dignidade dos filhos de Deus, uma missão comum, ser sal da terra e um fim comum, que é o Reino de Deus. Todos participam das três funções de Cristo, real, profética e sacerdotal (cf. Catecismo, 782-786).

Quando dizemos que a Igreja é o “corpo de Cristo” queremos sublinhar que, através do envio do Espírito Santo, Cristo une intimamente consigo os fiéis, sobretudo na Eucaristia, incorpora-os à sua Pessoa pelo Espírito Santo, mantendo-se e crescendo unidos entre si na caridade, formando um só corpo na diversidade dos membros e funções. Também se indica que a saúde ou a doença de um membro se repercute em todo o corpo (cf. 1 Cor 12, 1-24), e que os fiéis, como membros de Cristo, são seus instrumentos para agir no mundo (cf. Catecismo, 787-795). A Igreja é também chamada “Esposa de Cristo” (cf. Ef 5, 26 seg.), o que acentua, na união que a Igreja tem com Cristo, a distinção de ambos os sujeitos. Também assinala que a Aliança de Deus com os homens é definitiva, porque Deus é fiel às suas promessas, e que a Igreja também corresponde fielmente, sendo Mãe fecunda de todos os filhos de Deus.

A Igreja é também “templo do Espírito Santo”, porque Ele vive no corpo da Igreja, edifica-a na caridade com a Palavra de Deus, com os sacramentos, com as virtudes e os carismas 4. Como Cristo foi o verdadeiro templo do Espírito Santo (cf. Jo 2, 19-22), esta imagem assinala também que cada cristão é Igreja e templo do Espírito Santo. Os carismas são dons que o Espírito concede a cada pessoa para o bem dos homens, para as necessidades do mundo e particularmente para a edificação da Igreja. Corresponde aos pastores discernir e avaliar os carismas (cf. 1 Ts 5, 20-22; Compêndio, 160).

«A Igreja encontra sua origem e a sua realização plena no eterno desígnio de Deus. Foi preparada na Antiga Aliança com a eleição de Israel, sinal da reunião futura de todas as nações. Fundada pelas palavras e as acções de Jesus Cristo, foi realizada, sobretudo, mediante a sua Morte redentora e a sua Ressurreição. Foi depois, manifestada como mistério de salvação mediante a efusão do Espírito Santo no Pentecostes. Terá a sua realização plena no final dos tempos, como assembleia celeste de todos os redimidos» (Compêndio, 149; cf. Catecismo, 778).

Quando Deus revela o seu desígnio de salvação, que é permanente, manifesta também como o deseja realizar. Esse desígnio não o levou a cabo com um único acto, mas primeiro foi preparando a humanidade para acolher a Salvação; só mais tarde se revelou plenamente em Cristo. Esse oferecimento de Salvação, na comunhão divina e na unidade da humanidade, foi definitivamente outorgado aos homens através do dom do Espírito Santo, que foi derramado nos corações dos crentes pondo-nos em contacto pessoal e permanente com Cristo. Ao ser filhos de Deus em Cristo, reconhecemo-nos irmãos dos outros filhos de Deus. Não há uma fraternidade, ou unidade do género humano, que não se baseie na comum filiação divina que nos foi oferecida pelo Pai em Cristo; não há uma fraternidade sem um Pai comum, a quem chegamos pelo Espírito Santo.

Não foram os homens que fundaram a Igreja; nem sequer é uma resposta humana nobre a uma experiência de salvação realizada por Deus em Cristo. Nos mistérios da vida de Cristo, o ungido pelo Espírito, cumpriram-se as promessas anunciadas na Lei e nos profetas. Também se pode dizer que a fundação da Igreja coincide com a vida de Jesus Cristo; a Igreja vai tomando forma em relação à missão de Cristo entre os homens, e para os homens. Não há um momento em que Cristo tenha fundado a Igreja, mas fundou-a em toda a sua vida: desde a Encarnação até à Morte, Ressurreição, Ascensão e com o envio do Paráclito. Ao longo da vida, Cristo – em quem habitava o Espírito – foi manifestando como devia ser a sua Igreja, dispondo primeiro umas coisas e depois outras. Depois da Ascensão, o Espírito foi enviado à Igreja e nela permanece unindo-a à missão de Cristo, recordando-lhe o que o Senhor revelou, e guiando-a ao longo da história até à sua plenitude. Ele é a causa da presença de Cristo na Igreja pelos sacramentos e pela Palavra, e adorna-a continuamente com diversos dons hierárquicos e carismáticos 5. Pela sua presença cumpre-se a promessa do Senhor de estar sempre com os seus até ao fim dos tempos (cf. Mt 28, 20).

O Concílio Vaticano II retomou uma antiga expressão para designar a Igreja: “comunhão”. Com isso indica-se que a Igreja é a expansão da comunhão íntima da Santíssima Trindade aos homens; e que nesta terra ela é já comunhão com a Trindade divina, embora não se tenha consumado ainda na sua plenitude. Além de comunhão, a Igreja é sinal e instrumento dessa comunhão para todos os homens. Por ela participamos na vida íntima de Deus e pertencemos à família de Deus como filhos no Filho pelo Espírito 6. Isto realiza-se de forma específica nos sacramentos, principalmente na Eucaristia, também chamada muitas vezes comunhão (cf. 1 Cor 10, 16). Por último, chama-se também comunhão porque a Igreja configura e determina o espaço da oração cristã (cf. Catecismo, 2655, 2672, 2790).

Miguel de Salis Amaral

Bibliografia:

Catecismo da Igreja Católica, 683-688; 731-741.
Compêndio do Catecismo de la Igreja Católica, 136-146.
João Paulo II, Enc. Dominum et Vivificantem, 18-V-1986, 3-26.
João Paulo II, Catequese sobre o Espírito Santo, 8-XII-1989.
São Josemaria, Homilia «O Grande Desconhecido», em Cristo que Passa, 127-138.

Leituras recomendadas:

Catecismo da Igreja Católica, 748-945.
Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, 147-193.
São Josemaria, Homilia «Lealdade à Igreja», em Amar a Igreja, Rei dos Livros, Lisboa 1986.

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Notas:
3 Cf. Concílio Vaticano II, Lumen Gentium, 4 e 9; São Cipriano, De Orat Dom, 23 (CSEL 3, 285).
4 «Quando invocares, pois, Deus Pai, recorda-te de que foi o Espírito quem, ao mover a tua alma, te deu essa oração. Se não existisse o Espírito Santo, não haveria na Igreja qualquer palavra de sabedoria ou de ciência, porque está escrito: é dada pelo Espírito a palavra de sabedoria (I Cor XII, 8)... Se o Espírito Santo não estivesse presente, a Igreja não existiria. Mas, se a Igreja existe, é certo que o Espírito Santo não falta» (São João Crisóstomo, Sermones panegyrici in solemnitates D. N. Iesu Christi, hom. 1, De Sancta Pentecostes, n. 3-4, PG 50, 457).
5 Cf. Concílio Vaticano II, Const. Lumen Gentium, 4 e 12.
6 Cf. Concílio Vaticano II, Const. Gaudium et Spes, 22.

31/03/2013

Resumos sobre a Fé cristã 68


1. Creio no Espírito Santo 3

1.3. Como agem Cristo e o Espírito Santo na Igreja?

Por meio dos sacramentos, Cristo comunica o seu Espírito aos membros do seu Corpo, e oferece-lhes a graça de Deus, que dá frutos de vida nova, segundo o Espírito. O Espírito Santo também actua concedendo graças especiais a alguns cristãos para o bem de toda a Igreja, e é o Mestre que recorda a todos os cristãos o que Cristo revelou (cf. Jo 14, 25s).

«O Espírito edifica, anima e santifica a Igreja; Espírito de Amor, Ele torna a dar aos baptizados a semelhança divina, perdida por causa do pecado, e fá-los viver em Cristo da própria Vida da Santíssima Trindade. Envia-os a testemunhar a Verdade de Cristo e organiza-os nas suas mútuas funções, para que todos dêem “o fruto do Espírito” (Gl 5, 22)» (Compêndio, 145).

Miguel de Salis Amaral

Bibliografia:

Catecismo da Igreja Católica, 683-688; 731-741.
Compêndio do Catecismo de la Igreja Católica, 136-146.
João Paulo II, Enc. Dominum et Vivificantem, 18-V-1986, 3-26.
João Paulo II, Catequese sobre o Espírito Santo, 8-XII-1989.
São Josemaria, Homilia «O Grande Desconhecido», em Cristo que Passa, 127-138.

Leituras recomendadas:

Catecismo da Igreja Católica, 748-945.
Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, 147-193.
São Josemaria, Homilia «Lealdade à Igreja», em Amar a Igreja, Rei dos Livros, Lisboa 1986.

30/03/2013

Resumos sobre a Fé cristã 67

1. Creio no Espírito Santo 2

1.2. A Missão do Espírito Santo

A Terceira Pessoa da Santíssima Trindade age juntamente com o Pai e Filho, desde o princípio até à consumação do desígnio da nossa salvação; mas nos “últimos tempos”, inaugurados com a Encarnação redentora do Filho, na qual que Ele é revelado e dado, reconhecido e acolhido como Pessoa (cf. Catecismo, 686). Por obra do Espírito, o Filho de Deus tomou carne nas entranhas puríssimas da Virgem Maria. O Espírito ungiu-o desde o início; por isso Jesus Cristo é o Messias desde o início da sua humanidade, quer dizer, desde a própria Encarnação (cf. Lc 1, 35). Jesus Cristo revela o Espírito no seu ensino, cumprindo a promessa feita aos antepassados (cf. Lc 4, 18s), e comunica-O à Igreja nascente, soprando sobre os Apóstolos depois da Ressurreição (cf. Compêndio, 143). No Pentecostes, o Espírito foi enviado para permanecer desde então na Igreja, Corpo místico de Cristo, vivificando-a e guiando-a com os seus dons e com a sua presença. Por isso, também se diz que a Igreja é Templo do Espírito Santo, e que o Espírito Santo é como que a alma da Igreja.

No dia de Pentecostes, o Espírito desceu sobre os Apóstolos e os primeiros discípulos, mostrando com sinais externos a vivificação da Igreja fundada por Cristo. «A Missão de Cristo e do Espírito torna-se a Missão da Igreja, enviada a anunciar e a difundir o mistério da comunhão trinitária» (Compêndio, 144). O Espírito faz entrar o mundo nos “últimos tempos”, no tempo da Igreja.

A animação da Igreja pelo Espírito Santo garante que se aprofunde, se conserve sempre vivo e sem perda tudo o que Cristo disse e ensinou nos dias que viveu na terra até à Ascensão [1; além disso, pela celebração e administração dos sacramentos, o Espírito santifica a Igreja e os fiéis, fazendo com que ela continue sempre a levar as almas para Deus 2.

«Na Trindade indivisível, o Filho e o Espírito são distintos mas inseparáveis porque. De facto, desde o princípio até ao final dos tempos, quando o Pai envia o seu Filho, envia também o Seu Espírito que nos une a Cristo na fé, para, como filhos adoptivos, podermos chamar Deus “Pai” (Rm 8, 15). O Espírito é invisível, mas nós conhecemo-lo através da sua acção quando nos revela o Verbo e quando age na Igreja» (Compêndio, 137).

Miguel de Salis Amaral

Bibliografia:

Catecismo da Igreja Católica, 683-688; 731-741.
Compêndio do Catecismo de la Igreja Católica, 136-146.
João Palo II, Enc. Dominum et Vivificantem, 18-V-1986, 3-26.
João Paulo II, Catequese sobre o Espírito Santo, 8-XII-1989.
São Josemaria, Homilia «O Grande Desconhecido», em Cristo que Passa, 127-138.

Leituras recomendadas:

Catecismo da Igreja Católica, 748-945.
Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, 147-193.
São Josemaria, Homilia «Lealdade à Igreja», em Amar a Igreja, Rei dos Livros, Lisboa 1986.

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Notas:
1 Cf. Concílio Vaticano II, Const. Dei Verbum, 8.
2 «A vinda solene do Espírito no dia de Pentecostes não foi um acontecimento isolado.

29/03/2013

Resumos sobre a Fé cristã 66


1. Creio no Espírito Santo

1.1. A Terceira Pessoa da Santíssima Trindade

Na Sagrada Escritura, o Espírito Santo é chamado com diversos nomes: Dom, Senhor, Espírito de Deus, Espírito de Verdade e Paráclito, entre outros. Cada uma destas palavras indica-nos alguma coisa da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade. É “Dom”, porque o Pai e o Filho no-lo envia gratuitamente: o Espírito veio habitar nos nossos corações (cf. Gl 4,6); Ele veio para ficar sempre com os homens. Além disso, d’Ele procedem todas as graças e dons, dos quais o maior é a vida eterna, juntamente com as outras Pessoas divinas: n’Ele temos acesso ao Pai pelo Filho.

O Espírito é “Senhor” e “Espírito de Deus”, que na Sagrada Escritura são nomes que se atribuem apenas a Deus, porque é Deus com o Pai e o Filho. É “Espírito de Verdade” porque nos ensina de modo completo tudo o que Cristo nos revelou, e guia e mantém a Igreja na verdade (cf. Jo 15, 26; 16, 13-14). É o “outro” Paráclito (Consolador, Advogado) prometido por Cristo, que é o primeiro Paráclito (o texto grego fala de “outro” Paráclito e não de um paráclito “distinto” para assinalar a comunhão e continuidade entre Cristo e o Espírito).

No Símbolo Niceno-Constantinopolitano rezamos «Et in Spiritum Sanctum, Dominum et vivificantem: qui ex Patre [Filioque] procedit. Qui cum Patre et Filio simul adoratur, et conglorificatur: qui locutus est per Prophetas». (Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai e do Filho; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado: Ele que falou pelos Profetas.) Nesta frase, os Padres do Concílio de Constantinopla (ano 381) quiseram utilizar algumas das expressões bíblicas com que se nomeava o Espírito. Ao dizer que é “dador de vida” referiam-se ao dom da vida divina dado ao homem. Por ser Senhor e dador de vida, é Deus com o Pai e o Filho, e recebe, portanto, a mesma adoração que as outras duas Pessoas divinas. Finalmente, também quiseram assinalar a missão que o Espírito realiza entre os homens: falou pelos Profetas. Os Profetas são aqueles que falaram em nome de Deus, movidos pelo Espírito para mover à conversão do seu povo. A obra reveladora do Espírito nas profecias do Antigo Testamento encontra a sua plenitude no mistério de Jesus Cristo, a Palavra definitiva de Deus.

São numerosos os símbolos com que se representa o Espírito Santo: «a água viva, que brota do coração trespassado de Cristo e dessedenta os baptizados; a unção com o óleo, que é sinal sacramental da Confirmação; o fogo, que transforma o que toca; a nuvem, obscura e luminosa, na qual se revela a glória divina; a imposição de mãos, mediante a qual é dado o Espírito; a pomba, que desce sobre Cristo e permanece sobre Ele no baptismo» (Compêndio, 139).

Miguel de Salis Amaral

Bibliografia:

Catecismo da Igreja Católica, 683-688; 731-741.
Compêndio do Catecismo de la Igreja Católica, 136-146.
João Palo II, Enc. Dominum et Vivificantem, 18-V-1986, 3-26.
João Paulo II, Catequese sobre o Espírito Santo, 8-XII-1989.
São Josemaria, Homilia «O Grande Desconhecido», em Cristo que Passa, 127-138.

Leituras recomendadas:

Catecismo da Igreja Católica, 748-945.
Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, 147-193.
São Josemaria, Homilia «Lealdade à Igreja», em Amar a Igreja, Rei dos Livros, Lisboa 1986.