28/03/2017

Fátima: Centenário - Oração diária


Senhora de Fátima:

Neste ano do Centenário da tua vinda ao nosso País, cheios de confiança vimos pedir-te que continues a olhar com maternal cuidado por todos os portugueses.
No íntimo dos nossos corações instala-se alguma apreensão e incerteza em relação a este nosso País.

Sabes bem que nos referimos às diferenças de opinião que se transformam em desavenças, desunião e afastamento; aos casais desfeitos com todas as graves consequências; à falta de fé e de prática da fé; ao excessivo apego a coisas passageiras deixando de lado o essencial; aos respeitos humanos que se traduzem em indiferença e falta de coragem para arrepiar caminho; às doenças graves que se arrastam e causam tanto sofrimento.
Faz com que todos, sem excepção, nos comportemos como autênticos filhos teus e com a sinceridade, o espírito de compreensão e a humildade necessárias para, com respeito de uns pelos outros, sermos, de facto, unidos na Fé, santos e exemplo para o mundo.

Que nenhum de nós se perca para a salvação eterna.

Como Paulo VI, aqui mesmo em 1967, te repetimos:

Monstra te esse Matrem”, Mostra que és Mãe.

Isto te pedimos, invocando, uma vez mais, ao teu Dulcíssimo Coração, a tua protecção e amparo.


AMA, Fevereiro, 2017

Doutrina - 252

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ

SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

O CREDO

Símbolo dos Apóstolos

Creio em Deus, Pai todo-poderoso, Criador do Céu e da Terra;
E em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor que foi concebido pelo poder do Espírito Santo;
Nasceu da Virgem Maria;
Padeceu sob Pôncio Pilatos;
Foi crucificado, morto e sepultado;
Desceu à mansão dos mortos;
Ressuscitou ao terceiro dia;
Subiu aos Céus;
Está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso,
De onde há-de vir a julgar os vivos e os mortos.

Creio no Espírito Santo;
Na santa Igreja Católica;
Na comunhão dos Santos;
Na remissão dos pecados;
Na ressurreição da carne;

E na vida eterna. Ámen

Quaresma 2017 -prácticas básicas

Neste período que começou na Quarta-Feira de Cinzas e termina na Quarta-Feira da Semana Santa, somos convidados afazer o confronto especial entre as nossas vidas e a mensagem cristã expressa nos Evangelhos. Este confronto deve levar-nos a aprofundar a compreensão da Palavra de Deus e a intensificar a prática dos princípios essenciais da fé.
É um tempo de transformação, em que nos devemos exercitar espiritualmente para podermos melhorar. É um tempo de alegria, em que devemos estar atentos às oportunidades de mais amar.

Oração – para aprofundar e melhorar a minha relação com Deus. Trata-se de dar mais tempo e tempo de qualidade ao meu relacionamento com o Pai.
Esmola – para melhor amar e melhorar a minha relação com os outros. Estar atento aos que me rodeiam (Família, amigos, colegas de trabalho) e também aos que estão mais longe, mas que têm algum tipo de necessidades.
Jejum – para adquirir maior liberdade interior. Procurar as minhas dependências, aquelas que me limitam, afastam os outros, e tentar combatê-las.

Alguns exemplos destas três prácticas:

Oração
(como, quanto tempo, de que maneira)
Esmola
(ir ao encontro do outro de forma positiva)
Jejum
(libertar de manias, preconceitos, vícios)
Meditação
Ajudar financeiramente pessoas vítimas da actual crise
Abster-se de beber ou comer o que nos dá maior prazer.
Exame de consciência
Dar atenção a alguém
Televisão
Eucaristia
Ajudar instituições de cariz social
Determinado tipo de conversas
Reconciliação
Agradecer
Show off
Rezar o terço
Dizer coisas positivas
Comentar ou fazer juízos de valor sobre o próximo
Rezar pelos outros
Um sorriso
Evitar compras desnecessárias
Fazer silêncio no meu dia
Visitar um doente, um idoso.
Computador

E, no fim do dia, pensar em algo que fiz bem e em algo que poderia ter feito melhor.



(Síntese elaborada com base na Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma de 2017)

Epístolas de São Paulo – 28

1ª Epístola de São Paulo aos Coríntios

III. RESPOSTA A QUESTÕES CONCRETAS (7,1-11,1)

Capítulo 10

Perigo da idolatria

1Não quero que ignoreis, irmãos, que os nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem, todos passaram através do mar 2e todos foram baptizados em Moisés, na nuvem e no mar. 3Todos comeram do mesmo alimento espiritual 4e todos beberam da mesma bebida espiritual; pois bebiam de um rochedo espiritual que os seguia, e esse rochedo era Cristo. 5Apesar disso, a maior parte deles não agradou a Deus, pois foram exterminados no deserto.
6Ora isto aconteceu para nos servir de exemplo, a fim de não cobiçarmos coisas más, como eles cobiçaram. 7Não vos torneis idólatras, como alguns deles, conforme está escrito: O povo sentou-se para comer e beber; depois, levantaram-se para se divertir. 8Não nos entreguemos à imoralidade, como fizeram alguns deles e, num só dia, caíram mortos vinte e três mil. 9Nem tentemos o Senhor, como alguns deles tentaram e pereceram, mordidos pelas serpentes. 10Não murmureis, como murmuraram alguns deles, e pereceram às mãos do Exterminador.
11Estas coisas aconteceram-lhes para nosso exemplo e foram escritas para nos servir de aviso, a nós que chegámos ao fim dos tempos. 12Assim, pois, quem pensa estar de pé, tome cuidado para não cair.
13Não vos surpreendeu nenhuma tentação que tivesse ultrapassado a medida humana. Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados acima das vossas forças, mas, com a tentação, vos dará os meios de sair dela e a força para a suportar.

Decisões práticas

14Por isso, meus caros, fugi da idolatria. 15Falo-vos como a pessoas sensatas; julgai vós mesmos o que digo. 16O cálice de bênção, que abençoamos, não é comunhão com o sangue de Cristo? O pão que partimos não é comunhão com o corpo de Cristo? 17Uma vez que há um único pão, nós, embora muitos, somos um só corpo, porque todos participamos desse único pão.
18Vede o Israel segundo a carne: os que comem as vítimas não estão em comunhão com o altar? 19Que vos hei-de dizer, pois? Que a carne imolada aos ídolos tem algum valor, ou que o próprio ídolo é alguma coisa? 20Não! Mas aquilo que os pagãos sacrificam, sacrificam-no aos demónios e não a Deus. E eu não quero que estejais em comunhão com os demónios. 21Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demónios; não podeis participar da mesa do Senhor e da mesa dos demónios. 22Ou queremos provocar a ira do Senhor? Acaso somos mais fortes do que Ele?

Respeito pelos outros

23«Tudo é permitido» mas nem tudo é conveniente. «Tudo é permitido», mas nem tudo edifica. 24Ninguém procure o seu próprio interesse mas o dos outros.
25Comei de tudo o que se vende no mercado, sem nada indagar por motivo de consciência; 26porque do Senhor é a terra e tudo o que ela contém. 27Se algum pagão vos convidar e vós quiserdes ir, comei de tudo o que vos for servido, sem nada indagar por motivo de consciência. 28Mas se alguém vos disser: «Esta é carne imolada aos ídolos», não comais, por causa de quem vos avisou e por motivo de consciência. 29Refiro-me, não à vossa consciência, mas à dele. Por que motivo, de facto, a minha liberdade havia de ser julgada pela consciência alheia? 30Se eu tomo alimento, dando graças, porque hei-de ser censurado por aquilo de que dou graças?

31Portanto, quer comais, quer bebais, quer façais qualquer outra coisa, fazei tudo para glória de Deus. 32Não vos torneis ocasião de escândalo, nem para os judeus, nem para os gregos, nem para a Igreja de Deus. 33Fazei como eu, que me esforço por agradar a todos em tudo, não procurando o meu próprio interesse mas o do maior número, a fim de que eles sejam salvos.

Leitura espiritual

A Cidade Deus
A CIDADE DE DEUS


Vol. 2

LIVRO XI

CAPÍTULO IV

Criação do Mundo: ela não é intemporal nem foi estabelecida segundo um plano novo de Deus, com o se Deus tivesse querido depois o que antes não quisera.

De todos os seres visíveis o maior é o Mundo; de todos os invisíveis o maior é Deus. Mas que o Mundo exjste — vemo-lo nós; que Deus existe — cremo-lo. De que Deus fez o Mundo não temos mais segura garantia para o crer do que o próprio Deus. Onde o ouvimos? Em parte alguma melhor, com certeza, do que nas Santas Escrituras onde um seu profeta disse:

No princípio fez Deus o Céu e a Terra.
[i]

Então este profeta estava lá quando Deus criou o Céu e a Terra? Não. Mas esteve lá a Sabedoria de Deus pela qual se fizeram todas as coisas, que se transmite também às almas santas, faz delas os amigos e profetas de Deus, e, no seu íntimo, silenciosamente, lhes conta as suas obras.

Também lhes falam os anjos de Deus que vêem sempre a face do Pai e anunciam a sua vontade a quem é preciso. Era um deles o profeta que disse e escreveu:

No princípio fez Deus o Céu e a Terra.[ii]

é tal a autoridade que tem, como testemunho, para que acreditemos em Deus, que, pelo mesmo Espírito de Deus (que por revelação lhe deu a conhecer estas coisas) predisse com tanta antecedência a nossa fé.

E porque é que ao Deus eterno aprouve criar, então, o Céu e a Terra que antes não tinha criado? Se os que isto perguntam pretendem que o Mundo é eterno, sem princípio e, portanto, parece que não foi feito por Deus, estão muito afastados da verdade e deliram atingidos da enfermidade mortal de impiedade. Porque, além das vozes proféticas, o próprio Mundo pelas suas mudanças e revoluções tão bem ordenadas, com o pelo esplendor de todas as coisas visíveis, proclama silenciosamente, a bem dizer, não só que foi feito, mas também que não pôde ser feito senão por Deus inefável e invisivelmente grande, inefável e invisivelmente belo.

Outros há que confessam que o Mundo foi feito por Deus; todavia, não admitem que ele tenha tido começo no tempo, mas sim começo na sua criação: de uma maneira difícil de compreender, foi feito desde sempre. Julgam estes que, com tal maneira de dizer, defendem Deus de certa temeridade fortuita, não se vá crer que lhe veio de repente ao espírito a ideia, jamais antes concebida, de fazer o Mundo, e que foi determinado por uma vontade nova — Ele até então absolutamente imutável. Não vejo como, em outras questões, poderão sustentar esta opinião, sobretudo acerca da alma. Se pretendem que ela é co-etema com Deus, torna-se-lhes impossível explicar donde lhe adveio um a infelicidade nova, nunca antes por ela experimentada na eternidade. Se disserem que ela sofreu sempre alternativas de infelicidade e de felicidade, terão, então, de afirmar esta alternativa também para sempre — mas, então, seguir-se-ia o absurdo de, nos momentos em que se diz feliz, mesmo neles não poder sê-lo, se prevê a sua infelicidade e torpeza futura. E se não prevê, mas crê que será sempre feliz, e essa falsa crença a torna nesse caso feliz — nada se pode afirmar de mais insensato.

E, se se pensar que sempre, no decurso dos séculos infinitos, ela suportou alternativas de infelicidade e de felicidade, mas que agora, finalmente libertada, não voltará a cair na infelicidade, fica-se, pelo menos, obrigado a admitir que ela nunca foi verdadeiramente feliz, mas vai apenas começar a sê-lo de um a felicidade nova que não engana. Confessar-se-á, então, que qualquer coisa de novo lhe aconteceu, qualquer coisa de grande e de magnífico que ela jamais antes conhecera durante a sua eternidade. Se negarem que Deus, por um desígnio eterno, foi a causa desta novidade, terão também que negar que Ele é o autor da felicidade — o que é um a abominável impiedade. Se disserem que o próprio Deus, por um novo desígnio decidiu que a alma será doravante feliz para sempre — como é que o mostrarão então alheio à mutabilidade que nem mesmo eles querem admitir? Mas, se se confessar que a alma foi criada no tempo e que em nenhum momento do futuro ela perecerá, à maneira de um número que tem começo, mas não tem fim, de maneira que, depois de ter experimentado um a vez a infelicidade e desta se ter libertado, ela não voltará a conhecê-la, ninguém duvidará de que isso acontecerá sem prejuízo para a imutabilidade dos desígnios de Deus. Creia-se, pois, também que o Mundo pôde ser feito no tempo sem que, ao fazê-lo, Deus tenha mudado o seu desígnio e a sua vontade eterna.

(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)





[i] Gen., I, 1.
[ii] Gen., I, 1.

Evangelho e comentário

Tempo da Quaresma


Evangelho: Jo 5, 1-3. 5-16

1 Depois disto, houve uma festa dos judeus e Jesus subiu a Jerusalém. 2 Ora há em Jerusalém, junto da porta das Ovelhas, uma piscina, que em hebraico se chama Bezatha, a qual tem cinco galerias. 3 Nestas jazia uma multidão de enfermos, cegos, coxos, paralíticos, que esperavam o movimento da água. 5 Estava ali um homem que havia trinta e oito anos se encontrava enfermo. 6 Jesus, vendo-o deitado e sabendo que estava assim havia muito tempo, disse-lhe: «Queres ficar são?» 7 O enfermo respondeu-Lhe: «Senhor, não tenho ninguém que me lance na piscina quando a água é agitada; e, enquanto eu vou, outro desce primeiro do que eu». 8 Jesus disse-lhe: «Levanta-te, toma o teu leito e anda». 9 No mesmo instante, aquele homem ficou são, tomou o seu leito e começou a andar. Ora aquele dia era um sábado. 10 Por isso os judeus diziam ao que tinha sido curado: «Hoje não te é lícito levar o teu leito». 11 Ele respondeu-lhes: «Aquele que me curou, disse-me: Toma o teu leito, e anda». 12 Perguntaram-lhe então: «Quem é esse homem que te disse: Toma o teu leito e anda?». 13 Porém, o que tinha sido curado não sabia quem Ele era, porque Jesus havia desaparecido sem ser notado, devido à multidão que estava naquele lugar. 14 Depois disto, Jesus encontrou-o no templo e disse-lhe: «Eis que estás são; não peques mais, para que não te suceda coisa pior». 15 Foi aquele homem anunciar aos judeus que era Jesus quem o tinha curado. 16 Por isto os judeus perseguiam Jesus, porque fazia estas coisas ao sábado.

Comentário:

Também a nós o Senhor nos diz constantemente:

Levanta-te, sai desse torpor, desse comodismo em que estás mergu-lhado e anda, vem comigo.

Muitos estão à tua espera para que os assistas nas suas necessida-des, fales de salvação e de esperança, de amor e solidariedade, de fé e confiança.

Não fiques deitado quando podes andar, não te detenhas metido em ti mesmo e nos teus problemas.

Estão à tua espera para que os ajudes a resolver os deles.

Levanta-te! Anda!

(AMA, comentário sobre Jo 5, 1-16, 2016.03.08)

Temas para meditar - 695

Fica connosco


Fica-te connosco, porque nos rodeiam a alma as trevas e só Tu és luz, só Tu podes acalmar esta ânsia que nos consome. 

Porque entre todas as coisas formosas e honestas não ignoramos qual é a primeira: possuir-te sempre a Ti, Senhor. 




(S. Gregorio Nancianceno Epístola 212)

Senhor, não sei rezar!

Se desejas deveras ser alma penitente – penitente e alegre –, deves defender, acima de tudo, os teus tempos diários de oração, de oração íntima, generosa, prolongada, e hás-de procurar que esses tempos não sejam ao acaso, mas a hora fixa, sempre que te for possível. Sê escravo deste culto quotidiano a Deus, e garanto-te que te sentirás constantemente alegre. (Sulco, 994)

Quando vejo como algumas pessoas entendem a vida de piedade, o convívio de um cristão com o seu Senhor, e dela me apresentam uma imagem desagradável, teórica, feita de fórmulas, repleta de lengalengas sem alma, que mais favorecem o anonimato do que a conversa pessoal, de tu a tu, com o nosso Pai Deus – a autêntica oração vocal nunca admite o anonimato – recordo aquele conselho do Senhor: nas vossas orações, não useis muitas palavras, como os gentios, os quais julgam que serão ouvidos à força de palavras. Não os imiteis, porque o Vosso Pai sabe o que vos é necessário antes de que vós lho peçais. E comenta um Padre da Igreja: penso que Cristo manda que evitemos as orações longas; longas, porém, não quanto ao tempo, mas quanto à multiplicidade interminável de palavras... O próprio Senhor nos deu o exemplo da viúva que, à força de súplicas, venceu a renitência do juiz iníquo; e o daquele importuno que chegou a desoras, à noite, e pela sua teimosia, mais do que pela amizade, conseguiu que o amigo se levantasse da cama (cfr. Lc XI, 5–8; XVIII, 1–8). Com esses dois exemplos manda-nos que peçamos constantemente, não compondo orações intermináveis, mas antes contando-lhe com simplicidade as nossas necessidades.


De qualquer modo, se ao iniciar a vossa meditação não conseguis concentrar a atenção para conversar com Deus, se vos sentis secos e a cabeça parece que não é capaz de ter sequer uma ideia ou se os vossos afectos permanecem insensíveis, aconselho-vos o que tenho procurado praticar sempre nessas circunstâncias: ponde-vos na presença do vosso Pai e dizei-Lhe pelo menos: "Senhor, não sei rezar, não me lembro de nada para Te contar!"... e estai certos de que nesse mesmo instante começastes a fazer oração. (Amigos de Deus, 145)

Eutanásia: o que está em causa? Contributos para um diálogo sereno e humanizador

Nota Pastoral do Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa, 14 de Março de 2016

6. Por outro lado, nunca é absolutamente seguro que se respeita a vontade autêntica de uma pessoa que pede a eutanásia. Nunca pode haver a garantia absoluta de que o pedido de eutanásia é verdadeiramente livre, inequívoco e irreversível.

 Muitas vezes, traduz um estado de espírito momentâneo, que pode ser superado, ou é fruto de estados depressivos passíveis de tratamento, ou será expressão de uma vontade de viver de outro modo (sem o sofrimento, a solidão ou a falta de amor experimentados), ou um grito de desespero de quem se sente abandonado e quer chamar a atenção dos outros. Mas não será a manifestação de uma autêntica vontade de morrer. É, pois, uma linguagem alternativa de quem pede socorro e proximidade afectiva. A dúvida há de subsistir sempre, sendo que a decisão de suprimir uma vida é a mais absolutamente irreversível de qualquer das decisões.


(cont)

Pequena agenda do cristão

TeRÇa-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Aplicação no trabalho.

Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.

Lembrar-me:
Os que estão sem trabalho.

Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





27/03/2017

Fátima: Centenário - Oração jubilar de consagração


Salve, Mãe do Senhor,
Virgem Maria, Rainha do Rosário de Fátima!
Bendita entre todas as mulheres,
és a imagem da Igreja vestida da luz pascal,
és a honra do nosso povo,
és o triunfo sobre a marca do mal.

Profecia do Amor misericordioso do Pai,
Mestra do Anúncio da Boa-Nova do Filho,
Sinal do Fogo ardente do Espírito Santo,
ensina-nos, neste vale de alegrias e dores,
as verdades eternas que o Pai revela aos pequeninos.

Mostra-nos a força do teu manto protector.
No teu Imaculado Coração,
sê o refúgio dos pecadores
e o caminho que conduz até Deus.

Unido/a aos meus irmãos,
na Fé, na Esperança e no Amor,
a ti me entrego.
Unido/a aos meus irmãos, por ti, a Deus me consagro,
ó Virgem do Rosário de Fátima.

E, enfim, envolvido/a na Luz que das tuas mãos nos vem,
darei glória ao Senhor pelos séculos dos séculos.


Ámen.

Fátima: Centenário - Oração diária


Senhora de Fátima:

Neste ano do Centenário da tua vinda ao nosso País, cheios de confiança vimos pedir-te que continues a olhar com maternal cuidado por todos os portugueses.
No íntimo dos nossos corações instala-se alguma apreensão e incerteza em relação a este nosso País.

Sabes bem que nos referimos às diferenças de opinião que se transformam em desavenças, desunião e afastamento; aos casais desfeitos com todas as graves consequências; à falta de fé e de prática da fé; ao excessivo apego a coisas passageiras deixando de lado o essencial; aos respeitos humanos que se traduzem em indiferença e falta de coragem para arrepiar caminho; às doenças graves que se arrastam e causam tanto sofrimento.
Faz com que todos, sem excepção, nos comportemos como autênticos filhos teus e com a sinceridade, o espírito de compreensão e a humildade necessárias para, com respeito de uns pelos outros, sermos, de facto, unidos na Fé, santos e exemplo para o mundo.

Que nenhum de nós se perca para a salvação eterna.

Como Paulo VI, aqui mesmo em 1967, te repetimos:

Monstra te esse Matrem”, Mostra que és Mãe.

Isto te pedimos, invocando, uma vez mais, ao teu Dulcíssimo Coração, a tua protecção e amparo.


AMA, Fevereiro, 2017

Eutanásia: o que está em causa? Contributos para um diálogo sereno e humanizador

Nota Pastoral do Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa, 14 de Março de 2016

5. A vida humana é o pressuposto de todos os direitos e de todos os bens terrenos. É também o pressuposto da autonomia e da dignidade. Por isso, não pode justificar-se a morte de uma pessoa com o consentimento desta. O homicídio não deixa de ser homicídio por ser consentido pela vítima. A inviolabilidade da vida humana não cessa com o consentimento do seu titular.

O direito à vida é indisponível, como o são outros direitos humanos fundamentais, expressão do valor objectivo da dignidade da pessoa humana. Também não podem justificar-se, mesmo com o consentimento da vítima, a escravatura, o trabalho em condições desumanas ou um atentado à saúde, por exemplo.


(cont)

Leitura espiritual

A Cidade Deus
A CIDADE DE DEUS 


Vol. 2

LIVRO XI

Começa a segunda parte desta obra que trata da origem das duas Cidades — da Celeste e da Terrestre —, do seu desenvolvimento e dos seus fins.

Neste primeiro livro começa Agostinho por demonstrar que os primórdios das duas cidades tiveram um precedente na distinção entre anjos bons e anjos maus.

Por tal motivo trata da criação do Mundo de que as Sagradas Escrituras nos oferecem a descrição no principio do livro do Génesis.

CAPÍTULO I

Nesta parte da obra começa-se por se mostrar as origens e os fins das duas Cidades — da Celeste e da Terrestre.

Chamamos Cidade de Deus àquela de que dá testemunho a Escritura que, não devido a movimentos fortuitos dos ânimos, mas antes devido a uma disposição da Suma Providência, ultrapassando pela sua divina autoridade todas as literaturas de todos os povos, acabou por subjugar toda a espécie de humanos engenhos. É, realmente, nela que está escrito:

Disseram de ti coisas gloriosas, ó cidade de Deus.[i]

num outro salmo lê-se:

O Senhor é grande e digno dos maiores louvores na cidade do nosso Deus, na sua montanha santa, ele que aumenta o júbilo de toda a terra;[ii]

e um pouco mais à frente no mesmo salmo:
Como ouvimos assim vimos na Cidade do Senhor das virtudes, na cidade do nosso Deus; Deus fundou-a para a eternidade;[iii]

e da mesma forma noutro salmo:

Uma torrente de alegria inunda a cidade de Deus; o Altíssimo santificou o seu tabernáculo; Deus está no meio dela: ela não será abalada.[iv]

Com estes testemunhos e outros que tais, que seria longo citar, sabemos que há uma Cidade de Deus da qual aspiramos ser cidadãos movidos pelo amor que o seu fundador infundiu em nós. A este fundador da cidade santa preferem os cidadãos da Cidade Terrestre os seus próprios deuses, ignorando que Ele é o Deus dos deuses — não dos deuses falsos, isto é, ímpios e orgulhosos que, privados da luz imutável e a todos com um , reduzidos por isso a uma espécie de poder indigente, prosseguem o seu domínio a bem dizer pessoal ao reclamarem honras divinas daqueles que, por seus embustes, se lhes submeteram, — mas é o Deus dos deuses piedosos e santos que preferem pôr toda a sua alegria em só a Ele se submeterem a pô-la em que muitos outros a si se submetam e preferem adorar a Deus a serem adorados em lugar de Deus.

Nos dez livros precedentes respondemos, como nos foi possível com a ajuda de nosso Senhor e Rei, aos inimigos da Cidade Santa. Agora, — sabendo o que de mim esperam doravante e recordado do meu compromisso, sempre com confiança no auxílio do mesmo Senhor e Rei nosso —, vou tratar de expor a origem, o desenvolvimento e os fins destas duas cidades, a terrena e a celeste, que estão, como disse, interligadas e de certo modo misturadas um a na outra no século presente. Mas antes direi de que maneira a origem das duas cidades teve como precedente a diversidade dos anjos.


CAPÍTULO II

Ao conhecimento de Deus nenhum homem chega senão pelo Mediador entre Deus e os homens - o homem Jesus Cristo.

É grandioso, mas muito raro, que alguém se eleve, por um esforço da mente, acima de todas as criaturas corporais e incorpóreas, depois de ter observado e reconhecido a mutalibilidade, para atingir a imutável substância de Deus e aprender d ’Ele mesmo que toda a criatura d ’Ele distinta só a Ele tem por autor. De facto, Deus não fala ao homem por uma criatura corpórea — como se ferem os ouvidos do corpo fazendo vibrar o ar entre aquele que fala e aquele que ouve;

também se não serve dessas imagens espirituais que tomam a forma e a semelhança dos corpos — como se produz nos sonhos e tudo o que se lhes assemelha (nestes casos Ele fala por assim dizer aos ouvidos do corpo como se falasse por intermédio de um corpo, através do espaço corpóreo; realmente, muito se assemelham aos corpos estas vistas imaginárias);

mas fala pela própria verdade se alguém está apto a ouvir pelo espírito e não pelo corpo. Fala deste modo à parte mais excelente do homem, superior a todos os elementos que constituem o homem e à qual só Deus é superior.

Compreende muito bem o homem ou, se não chega a compreendê-lo, pelo menos crê que foi feito à semelhança de Deus. Certamente que está mais perto de Deus, seu superior pela parte superior de si mesmo, feita para dominar as partes inferiores que tem de comum com os animais. Mas como a própria parte mental, sede natural da razão e da inteligência, está muito debilitada pelos vícios inveterados que a obscurecem, necessitava, antes de tudo, de ser purificada pela fé para aderir à luz imutável e dela gozar, ou mesmo para lhe suportar o esplendor, até que, renovada e curada dia a dia, se tom e capaz duma tão grande felicidade.

E para caminhar mais confiadamente nessa fé para a verdade — a própria verdade, Deus Filho de Deus, assumindo o homem sem anular a Deus, fundou e estabeleceu essa mesma fé para que o homem tivesse um caminho para o Deus do homem por intermédio do homem-Deus.
Este é que é, realmente, o Mediador entre Deus e os homens — o homem Jesus Cristo: é Mediador por ser homem e como tal é caminho. Porque, se entre o que caminha e o lugar para onde se caminha há no meio um caminho, há esperança de lá chegar; se, porém, falta ou se desconhece por onde se deve seguir, que interessa que se saiba para onde se deve seguir? Só há, portanto, um caminho que exclui todo o erro: que o próprio Deus e o homem sejam o mesmo — Deus para onde se vai, homem por onde se vai.

CAPÍTULO III

Autoridade da Escritura canónica, obra do Espírito Santo.

Deus falou, primeiro, por intermédio dos profetas, depois, directamente, Ele próprio, e finalmente, na medida em que o julgou suficiente, pelos Apóstolos. Instituiu também a Escritura chamada canónica e investida da mais alta autoridade. Nela acreditamos a respeito de tudo o que convém não ignorar e que somos incapazes de conhecer por nós próprios. E certo que podemos saber — e disso somos nós próprios testemunhas — o que está ao alcance dos nossos sentidos, interiores ou mesmo exteriores, (daí que chamemos presente (praesentia) ao que se apresenta aos nossos sentidos (prae sensibus), como dizemos que está diante (prae) dos nossos olhos um objecto que aos olhos se apresenta). Todavia, para as coisas que não estão ao alcance dos sentidos, porque as não podemos conhecer pelo nosso próprio testemunho, procuram os outras testemunhas e depositamos nelas fé quando julgamos que essas coisas não estão ou não estiveram afastadas dos seus sentidos. Da mesma forma, portanto, que a respeito das coisas visíveis que não vemos, depositamos fé naqueles que as viram, como acreditamos nas outras coisas que dependem de cada um dos respectivos sentidos do corpo, — assim deve ser a respeito das coisas que são percebidas pela alma e pelo espírito (porque se pode muito bem falar de um sentido do espírito, donde vem o termo sententia (sentença — pensamento). Quer dizer: para as coisas invisíveis que escapam ao nosso sentido interior, devemos fiar-nos naqueles que as captaram tais quais elas se encontram na luz incorpórea ou naqueles que as contemplam na sua permanência (manentia = existência actual).


(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)





[i] Salmo LXXXVI, 3.
[ii] Salmo XLVII, 2-3.
[iii] Salmo XLVII, 9.
[iv] Salmo XLV, 5-6.