PLANO DE VIDA: (Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito: Contenção; alguma privação; ser humilde.
Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por
pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o
meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que
não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo,
daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à
minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e
evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não
sou absolutamente nada.
Lembrar-me:
Filiação divina.
Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade
tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai
misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como
filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com
todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que
me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás
nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja
eu a afastar-me de Ti.
PEQUENO
EXAME: Cumpri o propósito que me propus ontem?
Leitura
espiritual
Evangelho
Lc
XXI, 1-19
O óbulo da viúva
1
Levantando os olhos, Jesus viu os ricos deitarem no cofre do tesouro as suas ofertas.
2 Viu também uma viúva pobre deitar lá duas moedinhas 3 e disse: «Em verdade
vos digo que esta viúva pobre deitou mais do que todos os outros; 4 pois eles
deitaram no tesouro do que lhes sobejava, enquanto ela, da sua indigência,
deitou tudo o que tinha para viver.» 5 Como alguns falassem do templo,
dizendo que estava adornado de belas pedras e de ofertas votivas, respondeu: 6
«Virá o dia em que, de tudo isto que estais a contemplar, não ficará pedra
sobre pedra. Tudo será destruído.» 7 Perguntaram-lhe, então: «Mestre, quando
sucederá isso? E qual será o sinal de que estas coisas estão para acontecer?» 8
Ele respondeu: «Tende cuidado em não vos deixardes enganar, pois muitos virão
em meu nome, dizendo: ‘Sou eu’; e ainda: ‘O tempo está próximo.’ Não os sigais.
9 Quando ouvirdes falar de guerras e revoltas, não vos alarmeis; é necessário
que estas coisas sucedam primeiro, mas não será logo o fim.» 10 Disse-lhes
depois: «Há-de erguer-se povo contra povo e reino contra reino. 11 Haverá
grandes terramotos e, em vários lugares, fomes e epidemias; haverá fenómenos
apavorantes e grandes sinais no céu.» 12 «Mas, antes de tudo, vão deitar-vos
as mãos e perseguir-vos, entregando-vos às sinagogas e metendo-vos nas prisões;
hão-de conduzir-vos perante reis e governadores, por causa do meu nome. 13
Assim, tereis ocasião de dar testemunho. 14 Gravai, pois, no vosso coração, que
não vos deveis preocupar com a vossa defesa, 15 porque Eu próprio vos darei
palavras de sabedoria, a que não poderão resistir ou contradizer os vossos
adversários. 16 Sereis entregues até pelos pais, irmãos, parentes e amigos.
Hão-de causar a morte a alguns de vós 17 e sereis odiados por todos, por causa
do meu nome. 18 Mas não se perderá um só cabelo da vossa cabeça. 19 Pela vossa
constância é que sereis salvos.»
Considerações
Temos todos os homens - sobretudo os cristãos -
obrigação de dar algo para ajudar outros sejam quem forem, quer através de
instituições credíveis, ou pessoal e directamente. Qual a medida que devemos
usar? Aquela que corresponde a um são e esclarecido critério. Temos um exemplo:
Jesus Cristo que deu quanto tinha, inclusive a Sua própria vida e por todos,
não excluindo ninguém. Em "troca" quer amor, que tentemos imitá-Lo
como nos for possível.
Possuir muito ou pouco não pode condicionar
a esmola! A esmola – neste caso o que se dá na Igreja – é uma obrigação de
todos os cristãos que devem contribuir para o sustento do clero e manutenção
dos templos. Parece que quem é capaz a gastar algum dinheiro com o objectivo de
ganhar mais algum – caso das lotarias, “raspadinhas”, etc., etc., não lhe
ocorra que, o que – nestes casos - não passa de uma mera hipótese, o dinheiro
dado na Igreja tem “retorno” garantido, seguro.
Muitas vezes – talvez – nos ocorra o
pensamento se e quanto devemos dar de esmola na Santa Missa. Olhamos de soslaio
para a bandeja que passa e vemos algumas – muitas – moedas e, também notas de
valor significativo. E ficamo-nos pensando o que devemos fazer. Ocorre-nos que
já damos esmola para muitas coisas, organizações ou obras da Igreja e que,
portanto, o nosso contributo, nesse momento, pouco ou nada a acrescentará às
reais necessidades da Igreja. Não me parece que este deva ser o critério. O que
damos – decidimos dar – não tem que ver com “contabilidades” nem cálculos, mas
apenas com a generosidade solidária. Desde que nos sintamos em paz connosco
próprios, não pensamos mais nisso, não se trata nem de uma falta nem de uma
omissão. O que pomos na bandeja é – tem de ser – o fruto de uma decisão íntima
que nos leva a julgar o que será mais acertado fazer.
Dar esmola na Igreja, de facto não é
propriamente uma dádiva, mas antes como que uma devolução ou
"amortização" do muito que recebemos de Deus. Sim, pode ser fruto do
nosso trabalho mas… quem nos proporciona esse trabalho? Na
"contabilidade" divina somos eternos devedores e Ele nunca reclama
que devolvamos como deveríamos. Mas convém muito que, pelo menos demos provas
de que desejamos fazê-lo.
De facto, dar do que nos sobra ou, de
alguma forma, não nos faz falta não deixa de ser uma esmola meritória. Mas é,
também, mais que isso porque, de certa forma, ajuda a não cometer um pecado
muito grave. Sim! Para que queremos e guardamos para nós o que nos sobra seja
em bens ou no que for? Não estará aqui um pecado de avareza?
Desde sempre o homem suporta como que um
“peso” coberto de trevas e angústia com o chamado “fim do mundo”. Jesus Cristo,
de facto, fala em fenómenos espantosos…
grandes sinais no céu, mas não
confirma que esses são prenúncios do fim. Podemos, no entanto, considerando uma
Sua afirmação: «Então, hão-de ver o Filho
do Homem vir numa nuvem com grande poder e glória.» (Cfr Lc 21, 27),
que este será de facto, algo espantoso preenchendo quanto existir no mundo.
O Senhor faz um presságio sobre o fim do
mundo? Julgo que não, descreve apenas o que virá a acontecer e, fá-lo por três
motivos: O primeiro para pôr de sobreaviso os que O escutam; O segundo para
demonstrar a precaridade das obras humanas por mais grandiosas e espectaculares
que possam ser; O terceiro para que os que O ouvem e os que se seguirão, tenham
bem presente que, Ele é o Senhor, com todo o poder sobre o mundo e os homens e,
portanto, o refúgio seguro onde procurar abrigo e auxílio.
Há como que um
sentimento generalizado que, o chamado “fim do mundo” será uma enorme
catástrofe na qual desaparecerão todas as coisas criadas incluindo, obviamente,
a humanidade. Mas, de facto, não há absolutamente nada dito pelo Senhor donde
se possa inferir tal coisa. Quando Jesus Cristo fala em guerras, lutas,
terremotos, cataclismos tremendos não os coloca como “sinais”, marcos,
prenúncios do fim do mundo, mas apenas de eventos que virão a acontecer – e
algumas já acontecerem – pelo que convém ao homem estar preparado para elas.
Nada nos diz que esse “fim do mundo” não seja como que um suave apagar de uma
luz que se estingue voltando tudo ao estado anterior da criação. De resto,
poder-se-ia considerar que esse “fim do mundo apocalíptico” seria como uma
espécie de castigo divino brutal e definitivo. Não nos esqueçamos – nunca – que
Deus nos criou para a eternidade e não para uma vida terrena mais ou menos
longa.
Cristo já tinha, por várias vezes,
“avisado” os Seus discípulos sobre as dificuldades e perigos de toda a ordem
que teriam de enfrentar por O seguirem. E, também uma vez mais, lhes dá
garantia que, Ele, nunca lhes faltará com a Sua assistência. Mas há, de facto,
uma condição importante: a perseverança! Por outras palavras: quem perseverar
será salvo!
A perseverança
é uma virtude absolutamente necessária para atingir um objectivo que nos
propomos, chegar onde queremos ir. Quem desiste por causa das dificuldades, dos
escolhos, obstáculos e toda a sorte de contrariedades, não conseguirá dar um
passo em frente, antes retrocede no já andado. Por nós próprios, que podemos
nada, não conseguiremos a perseverança sem uma luta continua travada contra o
comodismo, o "deixar andar", a inércia. O cristão sabe muito bem que
nunca pode abrandar nesta luta pedindo as ajudas necessárias para a travar sem
descanso.
Parece impossível – sobretudo nos dias de hoje – que
tal Pastor, com este programa, possa ter seguidores fieis e indefectíveis. Mas,
a verdade, é que sempre teve e, cada dia, cresce essa multidão ávida de seguir
Jesus depois de ouvir as Suas palavras de vida eterna. Falávamos “nos dias de
hoje”, mas, de facto, sempre houve pessoas para quem o sacrifício ou renúncia
são algo obsoleto e disparatado “impróprio” de pessoas inteligentes e
“modernas”. A nós, cristãos, causam-nos pena porque ouvem e não entendem e veem
e não compreendem e, assim vão pela vida sem se preocuparem com o objectivo
grandioso e extraordinário da salvação eterna. Rezemos por eles.
DOUTRINA (Perguntas e respostas)
2. Para os agnósticos, Deus existe?
O agnosticismo não se pronuncia sobre a existência de
Deus.
Não diz que existe ou que não existe.
No entanto, na prática, os agnósticos vivem como se
Deus não existisse.
REFLEXÃO
Sobre
a oração:
Como é
que um filho fala com o seu Pai?
Diria:
com grande intimidade e enorme respeito.
Se
rezar é falar com Deus e sendo Ele nosso Pai, penso que se aplica a intimidade
como o respeito.
Quando
falamos com o nosso Pai nem a intimidade deve ferir o respeito nem este deve
limitar a intimidade, ou seja, falamos com alguém que está incondicionalmente
disposto a ouvir-nos e compreender o que dizemos.
Por
isso devemos fazer o possível por ser claros e consistentes, sem nos enredarmos
nas palavras, sem "dourar a pílula" preocupados com as palavras mas ,
com a claríssima certeza que Ele entenderá o que Lhe queremos dizer.
As
"orações compostas" são, portanto, úteis porque nos dão oportunidade
de, ao longo dos dias, ir "afinando" no sentido de dizermos o que
realmente nos vai na alma e o coração nos dita.
E é
isto que Nosso Senhor quer: Uma conversa íntima, sem reservas nem artifícios
onde dizemos claramente o que queremos: Senhor quero isto quero aquilo; Senhor
agradeço isto; Senhor ajuda-me neste assunto...
AMA,
Fev 2021