02/09/2011

Evangelho do dia e comentário













T. Comum– XXII Semana




Evangelho: Lc 5, 33-39

33 Eles disseram-Lhe: «Os discípulos de João e os dos fariseus jejuam muitas vezes e fazem orações, e os Teus comem e bebem». 34 Jesus respondeu-lhes: «Porventura podeis fazer jejuar os amigos do esposo, enquanto o esposo está com eles? 35 Mas virão dias em que lhes será tirado o esposo; então, nesses dias, jejuarão». 36 Também lhes disse esta comparação: «Ninguém deita um retalho de pano novo em vestido velho; doutro modo o novo rompe o velho e o retalho do novo não condiz com o velho. 37 Também ninguém deita vinho novo em odres velhos; doutro modo o vinho novo fará rebentar os odres, e derramar-se-á o vinho, e perder-se-ão os odres. 38 Mas o vinho novo deve deitar-se em odres novos. 39 Ninguém depois de ter bebido vinho velho quer do novo, porque diz: O velho é melhor!».

Comentário:

Uma aparente contradição?
Não me parece.
Quem não quer beber o vinho novo porque o ‘velho é que é bom’ não está disposto a mudar de vida, mantém-se fechado ás insinuações do Espírito, conforma-se com o que tem, acomoda-se com o que faz.
É o aburguesamento, o estado terrível dos que se consideram muito bem naquilo que fazem e sabem e se recusam a tentar fazer outra coisa melhor e a saber mais detalhadamente as verdades da Fé.
É o comodismo dos que não querem “incomodar-se” com novos desafios, ou outras hipóteses de vida: mudar o quê e para quê?
Cumprem os “mínimos” vão á Missa ao Domingo, procurando uma que seja breve e pouco exigente, rezam “alguma coisa” só porque, enfim, não custa muito e sempre é melhor prevenir…

São os que, nas aflições que a vida traz, pedem, às vezes com fervor mas, raramente se lembram de dar graças por tantos benefícios que o Senhor dá, nomeadamente, o dom da vida.

(ama, comentário sobre Lc 5, 33-39, 2109.05.4)

01/09/2011

Deus é totalmente simples?

Deus Pai
Rafael Sanzio
Parece que Deus não é totalmente simples:
1. Com efeito, as coisas que procedem de Deus se parecem com Ele, daí que do primeiro ente derivam todos os entes, e do primeiro bem, todos os bens. Ora, entre as obras de Deus, nada há de totalmente simples. Logo, Deus não é totalmente simples.
2. Além disso, tudo o que há de melhor há-de ser atribuído a Deus. Ora, entre nós, as coisas compostas são melhores que as simples; como os corpos mistos com respeito aos elementos, e os elementos às suas partes. Logo, não se deve dizer de Deus que seja totalmente simples.
EM SENTIDO CONTRÁRIO, Agostinho afirma: “que Deus é verdadeira e sumamente simples”.






Que Deus seja totalmente simples se pode provar de várias maneiras:
1. Pelo que precede. Como em Deus não há composição nem de partes quantitativas, pois não é um corpo; nem de forma e de matéria, nem distinção de natureza e supósito; nem de essência e ser; nem composição de género e diferença, nem de sujeito e de acidente, fica claro que Deus não é composto de nenhuma maneira, mas totalmente simples.
2. Porque todo composto é posterior a seus componentes e dependente deles. Ora, Deus é o primeiro ente, como já foi demonstrado (q.2 a.3).
3. Porque todo composto tem uma causa. Assim as coisas que por si são diversas não conformam uma unidade, a não ser por uma causa que as unifique. Ora, Deus não tem causa, como foi demonstrado (q.2 a.3), sendo a primeira causa eficiente.
4. Porque em todo composto, há de existir potência e ato, o que não há em Deus, porque, ou uma das partes é ato em relação à outra, ou pelo menos as partes se encontram todas em potência com respeito ao todo.
5. Porque todo composto é algo que não coincide com qualquer de suas partes. Isto é manifesto nas totalidades formadas de partes dessemelhantes: parte nenhuma do homem é o homem, e nenhuma parte do pé é o pé. Por outro lado, nas totalidades de partes semelhantes, embora algo que se diz do todo, se diga da parte, por exemplo: uma parte do ar é ar, uma parte da água é água, no entanto, algo diz do todo que não convém a alguma das partes; assim se toda água mede dois côvados, não se segue que cada parte também o meça. Por conseguinte, em todo composto existe algo que com ele não se identifica. Embora isso se possa dizer do que tem forma, a saber, que nele existe algo que não é ela (como em algo branco existe algo que não é da razão de branco), contudo, na forma nada existe de estranho. Daí que, como Deus é forma, melhor dizendo, é o mesmo ser, de maneira nenhuma pode ser composto. Hilário assinala essa razão em seu livro A Trindade quando diz: “Deus, que é poder, não comporta fraquezas; sendo luz, não admite obscuridade”.

Suma Teológica I, q.3 a.7

Quanto às objecções iniciais, portanto, deve-se dizer que:
1. O que procede de Deus a Ele se assemelha, como os efeitos da causa primeira a ela se assemelham. Ora, pertence à razão de ser causado ser composto de alguma maneira, porque pelo menos seu ser é distinto de sua essência, como se verá (q. 50 a.2).
2. Para nós, os compostos são melhores do que os simples, porque a perfeição da bondade da criatura não se encontra em um único simples, mas em muitos; ao passo que a perfeição da bondade divina se encontra em um único simples, como se verá (q. 4, a.2).


Sobre a família

Debate planetário sobre o matrimónio

O balanço final é que dos 192 países reconhecidos pela ONU (mais 10 de facto, não integrados oficialmente na dita organização) somente reconhecem o matrimónio entre pessoas do mesmo sexo um total de 10 países, mais alguns estados isolados do México e Estados Unidos. Entre eles, não se conta nenhum país asiático e nenhum africano (salvo a África do Sul), e somente um latino-americano, e parte de outro. Comparando a demografia desse pequeno grupo de países com a de todo o planeta que rejeita o modelo de matrimónio entre pessoas do mesmo sexo, a anomalia jurídica está todavia localizada. Desde logo é uma localização com tendência para a expansão, mas parece que a maioria da corrente sanguínea do organismo jurídico tende a defender-se, procurando outras fórmulas que equilibrem a concessão de alguns efeitos às uniões entre pessoas do mesmo sexo com o direito de manter na sua real configuração as instituições jurídicas, entre elas o matrimónio como união entre homem e mulher.
Desde logo, a prevalência do sentido comum e jurídico nesta importante matéria exige – em especial aos juristas – essa qualidade tão própria dos homens dedicados a defesa da justiça que consiste em manter a firmeza de uma rocha nas convicções, moderando-a com a flexibilidade de um junco nas suas aplicações.

rafael navarro-valls [i], trad ama




[i] rafael navarro-valls, catedrático de a Facultad de Derecho de a Universidad Complutense de Madrid, e secretario general de a Real Academia de Jurisprudencia e Legislación de España.

Perguntas e respostas sobre Jesus de Nazaré. 35

Jesus de NazaréO que se pede aos cristãos, como atitude de fundo?

“Pede-se-lhes vigilância. Esta vigilância significa, por um lado, que o homem não se encerre no momento presente, abandonando-se às coisas tangíveis, mas que levante o olhar mais para além do momentâneo e as suas urgências. Do que se trata é de ter o olhar posto em Deus para receber dele o critério e a capacidade de obrar de forma justa. Por outro lado, vigilância significa sobretudo abertura ao bem, à verdade, a Deus, no meio de um mundo a amiúde inexplicável e acossado pelo poder do mal. Significa que o homem procure com todas as suas forças e com grande sobriedade fazer o que é justo, não vivendo segundo os seus próprios desejos, mas segundo a orientação da fé”

55 Preguntas e respuestas sobre Jesús de Nazaret, extraídas del libro de Joseph Ratzinger-Benedicto XVI: “Jesús de Nazaret. Desde la Entrada en Jerusalén hasta la Resurrección”, Madrid 2011, Ediciones Encuentro. Página 81-82, marc argemí, trad. ama

Música e oração

Taizé Song - The Kingdom of God




Tema para breve reflexão

Fidelidade




Fidelidade é o devotamento voluntário prático e completo de uma pessoa a uma causa.



(josiah royce, Filosofia de la Fidelidad, Hachette, Buenos Aires, 1949, nr. 34, trad ama)

Evolucionismo

Do Céu à Terra
A evolução do evolucionismo

Existe azar na evolução?

Ao lançar uma moeda ao ar, não sai cara ou cruz por azar, mas sim devido ao movimento que se deu à moeda, pela resistência do ar e o tipo de superfície sobre que cai: factores que são impossíveis de medir com exactidão. Por isso se fala de jogos de azar. Aristóteles expressou-o de forma insuperável quando disse que "o azar é uma etiqueta para a nossa ignorância". Pode falar-se de azar na linguagem coloquial, mas não na científica, porque a ciência define-o precisamente como "conhecimento por causas", e apelar ao azar é uma forma acientífica de prescindir das causas. Talvez, por excepção, poderia surgir, por azar, um órgão de um ser vivo, mas não se pode converter a excepção em lei, como pretendem muitos darwinistas. O azar, na realidade, tem a mesma capacidade explicativa que a geração espontânea. Hoje torna-se risível a ingenuidade que suporia acreditar na geração espontânea, mas é igualmente ingénuo crer no azar.

jose ramón ayllón, trad. ama


Princípios filosóficos do Cristianismo

Caminho e Luz

Princípio de substância (I)

A estrutura do juízo
Ponhamos outro exemplo. Eu posso afirmar «Deus existe. Deus é uma realidade». Neste caso sei perfeitamente o que é a essência de Deus (ser criador, infinito, etc.). O que me falta é saber se o que conhecemos com o nome de Deus é ou não uma realidade. Quando afirmo que Deus existe, o que então faço é dizer que o que conhecemos por Deus (essência de Deus) é uma realidade. Proclamo de novo uma realidade de uma essência.
Em nenhum dos juízos referidos cometemos qualquer tautologia, uma vez que o que fazemos é proclamar não uma realidade de uma realidade, mas uma essência de uma realidade ou uma realidade de uma essência. Mas vejamos outro exemplo mais difícil. Como entendemos o juízo existencial «Pedro existe»? O que é que fazemos neste juízo?
Indubitavelmente, no juízo «Pedro existe» afirmamos a existência de Pedro, ou, o que é o mesmo, dizemos que Pedro é uma realidade. Mas, o que é Pedro como sujeito do juízo? Quando respondemos a isto, dizemos que Pedro é um homem, que tem portanto a essência de homem, incluso que tem a essência de homem determinada por algumas notas ulteriores como as de alto, interessante, etc. É dizer, conheço algumas das notas determinantes deste homem, mas todavia não sei se existe. Imaginemos que vi a pintura de um homem, debaixo da qual estava escrito: «retrato de Pedro». Todavia posso perguntar-me: mas, este Pedro da pintura é uma realidade ou uma ficção do pintor? O mesmo ocorre se ouvi falar de Pedro ou escutei descrições dele. Posso então perguntar-me: o tal Pedro existe ou não na realidade? é um personagem lendário? Portanto, também no juízo «Pedro existe». «Pedro é uma realidade». Atribuo uma realidade a uma essência, neste caso particularizada por certas notas ulteriores. Estamos, por consequência, num caso particular do juízo «o homem existe».

josé antonio sayés, [i], trad ama,



[i] Sacerdote, doutor em teologia pela Universidade Gregoriana e professor de Teologia fundamental na Faculdade de Teologia do Norte de Espanha.
Escreveu mais de quarenta obras de teologia e filosofia e é um dos Teólogos vivos mais importantes da Igreja Católica. Destacou-se pelas suas prolíferas conferências, a publicação de livros quase anualmente e pelos seus artigos incisivos em defesa da fé verdadeira.

Reanimação dos neonatos

Medicina e Apostolado

Nos últimos anos assistimos a um florescimento dos protocolos clínicos destinados a regular a suspensão dos tratamentos nos recém-nascidos. Os protocolos mais em voga nos países ocidentais baseiam-se na não reanimação abaixo de uma certa idade gestacional, pelos quais se deixariam sem reanimação recém-nascidos que teriam a possibilidade de sobreviver. Esta decisão"justifica-se" por se acreditar que abaixo de uma certa idade gestacional o risco de surgir alguma deficiência é tão grande que faz pensar não ser a sobrevivência o melhor para a criança. Por outro lado, segundo investigações recentes, muitos médicos não só têm em conta o interesse do recém-nascido como também dos seus pais, especialmente quando se trata de um recém-nascido grande prematuro.
Quer dizer, existem critérios diferentes quanto ao tratamento a administrar a um recém-nascido ou a um adulto. Os critérios médicos para suspender o tratamento a um adulto fundamentam-se em: certeza do diagnóstico e do prognóstico; consentimento informado; prognóstico de morte certa; inutilidade do tratamento e, em casos particulares, intolerabilidade do tratamento, segundo se depreende do protocolo clínico da "American Lung Association ", o documento mais citado quanto ao que diz respeito à reanimação do paciente adulto.
Mas, quando se trata de recém-nascidos, introduzem-se dois critérios que não se têm em conta em relação aos adultos: os interesses de terceiros e a probabilidade prognóstica.

carlo bellini, A reanimação dos neonatos,[i] trad als


[i] Comunicação apresentada na XVII Assembleia da Academia Pontifícia para a Vida, Roma, 24-26 de Fevereiro de 2011

TEXTOS DE SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ

“Tens de pensar na tua vida e pedir perdão”

Com serenidade, sem escrúpulos, tens de pensar na tua vida e pedir perdão e fazer o propósito firme, concreto e bem determinado, de melhorar neste aspecto e naquele outro: nesse pormenor que te custa e naquele que habitualmente não cumpres como deves, e bem o sabes. (Forja, 115)


Enche-te de bons desejos, que são uma coisa santa e que Deus louva. Mas não fiques apenas nisso! Tens que ser uma alma – homem, mulher – de realidades. Para levar a cabo esses bons desejos, precisas de formular propósitos claros, precisos.

– E, depois, meu filho, luta para pô-los em prática, com a ajuda de Deus! (Forja, 116)

Repara na tua conduta com vagar. Verás que estás cheio de erros, que te prejudicam a ti e talvez também aos que te rodeiam.
– Lembra-te, filho, que não são menos importantes os micróbios do que as feras. E tu cultivas esses erros, esses enganos – como se cultivam os micróbios no laboratório –, com a tua falta de humildade, com a tua falta de oração, com a tua falta de cumprimento do dever, com a tua falta de conhecimento próprio... E, depois, esses focos infectam o ambiente.
Precisas de um bom exame diário de consciência, que te conduza a propósitos concretos de melhora, por sentires verdadeira dor das tuas faltas, das tuas omissões e pecados. (Forja, 481) 

© Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet