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06/12/2020

Reflexão

 


Família

 

O casamento e a família não são unicamente uma construção humana e sociológica, ligada às condições imutáveis da vida, da cultura, da técnica.

O casamento e a família vêm de Deus.

Por intermédio do casamento e da família, Deus uniu, sabiamente, duas das maiores realidades humanas: a missão de transmitir a vida e amor do homem e da mulher.

 

(Diálogos com São Paulo VI, Jean Guiton)

14/02/2019

Temas para reflectir e meditar

Família cristã


Nós cristãos não nos sentimos melhores do que os outros, nem mais virtuosos. Mas – hoje, como sempre – estamos chamados pela graça de Deus a ser sal e luz do mundo, fermento da sociedade e, portanto, para revitalizar com o amor e a verdade de Cristo os ambientes culturais e sociais. O Senhor urge-nos dia a dia a sermos exemplo para muitos que vacilam, para lhes mostrar a beleza e o atractivo da nossa fé, no sentido divino do amor humano e, como consequência, do matrimónio fiel e indissolúvel, a grandeza da vocação matrimonial como caminho de santidade, a felicidade da maternidade e da paternidade como participação da paternidade e maternidade de Deus, mediante as quais Ele enriquece e faz crescer a família humana. E quando Deus não envia filhos a um casal que os deseja vivamente, este é outro modo de abençoar, para que estejam especialmente abertos a uma maternidade e a uma paternidade espiritual muito ampla.
Os pais, se interferirem em matérias que não são plena e exclusivamente da sua incumbência – como, por exemplo, a vida espiritual dos filhos – podem causar efeitos desastrosos. Assim, obrigar os filhos a frequentar os sacramentos, pode dar lugar a que se cometam sacrilégios; proibi-los de os receber, pode conduzir a que os filhos pequem opor falta de alimento interior e de energias; pode ser extremamente prejudicial impor um confessor ou proibir a confissão com determinado sacerdote. Não se pode ir mais longe que o que a Igreja determina. Os pais têm o dever de vigiar, fomentar e ajudar os filhos desenvolver a sua vida de piedade, sobretudo durante a infância, mas não devem ultrapassar o limiar da consciência; os filhos podem confiar-se livremente aos pais, mas estes não devem e esquecer que, nos assuntos da alma, quem tem graça de estado, é o sacerdote e, nesta zona, os filhos devem manter a sua independência, pois não dependem dos pais mas de Deus, que foi Quem criou as suas almas sem ajuda de ninguém.

(Federico Suarez, A Virgem Nossa Senhora, Éfeso, 1967, pg. 154 – 155)


30/05/2018

Temas para reflectir e meditar

Filhos

Não tenhais medo aos filhos. São sempre uma bênção de Deus. 
No momento da concepção, Deus cria a alma, que é imortal. 
Confia-a aos pais, para que eduquem essa pessoa humana de modo que cumpra a sua missão. 
E a principal missão dos homens e das mulheres é chegar ao Céu e gozar para sempre, para sempre, da companhia de Deus. 
Para que alcancem esse fim, o Senhor confia nos pais; põe nas suas mãos essas almas tenras, esses seres humanos recém nascidos, para que os vão moldando, como o escultor molda o barro ao realizar uma escultura. 
Os filhos hão-de ser como a escultura de Deus, têm de parecer-se com Ele.

(Beato Álvaro del Portillo, Tertúlia em Sidney, 1987)

26/05/2018

Temas para reflectir e meditar

Família

Os pais, se interferirem em matérias que não são plena e exclusivamente da sua incumbência – como, por exemplo, a vida espiritual dos filhos – podem causar efeitos desastrosos. 
Assim, obrigar os filhos a frequentar os sacramentos, pode dar lugar a que se cometam sacrilégios; proibi-los de os receber, pode conduzir a que os filhos pequem opor falta de alimento interior e de energias; pode ser extremamente prejudicial impor um confessor ou proibir a confissão com determinado sacerdote. 
Não se pode ir mais longe que o que a Igreja determina. 
Os pais têm o dever de vigiar, fomentar e ajudar os filhos desenvolver a sua vida de piedade, sobretudo durante a infância, mas não devem ultrapassar o limiar da consciência; os filhos podem confiar-se livremente aos pais, mas estes não devem e esquecer que, nos assuntos da alma, quem tem graça de estado, é o sacerdote e, nesta zona, os filhos devem manter a sua independência, pois não dependem dos pais mas de Deus, que foi Quem criou as suas almas sem ajuda de ninguém.

(Federico Suarez, A Virgem Nossa Senhora, Éfeso, 1967, pg. 154 – 155)  

27/04/2017

Temas para meditar - 704

Solidariedade 


Uma expressão particularmente significativa de solidariedade entre as famílias é a disponibilidade para a adopção ou o acolhimento temporal de crianças abandonadas pelos seus pais ou em situações de grave dificuldade. 


O verdadeiro amor paterno e materno vai mais além dois vínculos da carne e do sangue acolhendo inclusive crianças de outras famílias, oferecendo-lhes tudo o necessário para a sua vida e pleno desenvolvimento. 

são joão paulo ii, Enc. Evangelium vitae 1995.03.25 nr. 93


15/04/2016

Ano Jubilar da misericórdia - Reflexão

Qual é o papel da familia? | Blog Metanoia, Adailton BatistaFamília
Temos uma família onde gostam de nós sem condições, isto é, não temos de fazer nada para conquistar essa amizade que é incondicional.
Então, lembremos os que não têm família ou que por este ou aquele motivo andam de "candeias às avessas", sendo que, a maior parte das vezes, por motivos de escassa ou nenhuma importância, ou, então, e o que é muito pior, nem sequer se falam ou querem saber uns dos outros.

Rezemos por todas essas famílias onde não há nem paz, amor ou união.
E, como acreditamos decididamente que a família bem estruturada é a base e fundamento de uma sociedade que se quer perfeita, peçamos que o Chefe da Família de Nazaré abençoe e guie as famílias.

Há evidentemente muitos problemas que de uma forma ou outra nos preocupam e, até, condicionam as nossas vidas.
Muitos desses problemas e preocupações têm a sua origem nos que neste ou naquele lugar ou circunstância, podem com os seus actos, leis que promovem, práticas que seguem, influenciar de forma sensível a sociedade.

Pois rezemos também por todos esses que detêm um poder ou uma prerrogativa de mando ou, de algum modo, influenciar a vida social.
Sobretudo peçamos ao Senhor que sejam honestos no seu proceder não propondo nem de alguma forma influenciando comportamentos, regras ou leis por motivos meramente pessoais ou de defesa de ideias políticas que não têm em vista o bem comum.

Sim... rezar pelos outros pode ser - é seguramente - uma excelente obra de misericórdia.

Assim, o Ano Jubilar da Misericórdia poderá converter-se num "ano de oração" cujos frutos e consequências não pudermos sequer imaginar. [1]




[1] (ama, Reflexão, Ano Jubilar da Misericórdia, 2016.01.31)

08/10/2015

Temas para meditar - 517

Matrimónio



A verdade é que o casamento, como instituição natural, tem, por vontade do Criador, como fim primeiro e fundamental, não o aperfeiçoamento pessoal dos esposos, mas a procriação e educação dos filhos (...).
Aos esposos que usam o matrimónio como acto específico do seu estado, impõem a natureza e o Criador a função de promover à conservação do género humano. 


(pio XII, Alocução no Congresso da União Católica Italiana das parteiras, Roma, 1951.10.29)

07/10/2015

Temas para meditar - 516

Família


Segui a Cristo! Vós, esposos, tornai-vos participantes reciprocamente, do vosso amor e das vossas cargas, respeitai a dignidade humana do vosso cônjuge; aceitai com alegria a vida que Deus vos confia; tornai estável e seguro o vosso matrimónio por amor aos vossos filhos.
A finalidade do Sínodo é dar testemunho ao mundo de que a Igreja se apresenta como defensora da vida, que é a mensagem profética da “Humanae Vitae” e como defensora da família. A Igreja tem de dar testemunho unânime, sem deixar lugar a dúvidas ou confusões.
À luz do Novo Testamento é possível vislumbrar como o modelo ori­ginário da família deve ser procurado no próprio Deus, no mistério trinitá­rio da sua vida. O "Nós" divino constitui o modelo eterno do "nós" humano e, em primeiro lugar, daquele "nós" que é formado pelo homem e pela mulher, criados à imagem e semelhança de Deus. As palavras do livro do Génesis en­cerram em si aquela verdade sobre o homem que corresponde à própria expe­riência da humanidade. O ser humano é criado, desde «o princípio» como ho­mem e mulher: a vida da colectividade humana - tanto das pequenas como da sociedade inteira - está marcada por esta dualidade primordial. Dela derivam a «masculinidade» e «feminilidade» dos simples indivíduos, tal como daí re­cebe cada comunidade a própria riqueza característica, no recíproco complemento das pessoas. 


(são joão paulo ii, Carta às famílias, 1994.11.02, nr. 6)

30/09/2015

Temas para meditar - 513

Família



É um facto que tantos jovens carecem de uma imagem vivida do pai – ou por vezes da mãe - capaz de os orientar para assimilar a fundo a realidade da Filiação Divina.
Uma família desfeita priva os filhos dessa experiência de carinho e de segurança que só uma união indissolúvel entre o pai e a mãe permite alcançar com plenitude.
Também é evidente que muitos pais e mães, por diversos motivos, concedem escasso relevo à sua paternidade ou à sua maternidade. 


(javier echevarría, Itenerarios de vida Cristiana, Editorial Planeta SA, Barcelona, Feb. 2001, pg. 13., trad ama)

15/04/2015

Temas para meditar - 418


Família


Participais do poder criador de Deus e, por isso, o amor humano é santo, nobre e bom: uma alegria do coração, à qual o Senhor, na Sua providência amorosa, quer que outros livremente renunciemos.
Por isso vos convido, com João Paulo II, a não fechar as portas da vossa vida e do vosso lar. Abri-as de par em par! Deixai que entre nas vossas almas e nas vossas casas a Luz que dissipa todas as trevas. Secundai a “a luz da fé e do amor”, que nos habilita para dar testemunho cabal da verdade sobre o matrimónio e a família: sobre a unidade e indissolubilidade; sobre o autêntico amor dos esposos, aberto sempre à vida – não tenhais medo à chegada de outros filhos; sobre a mútua fidelidade nas tristezas e nas alegrias; sobre a generosidade e a delicadeza no trato; sobre o esquecimento de si, sobre a dedicação aos filhos e ao serviço da sociedade... Acolhei em vós a Luz divina, para que esse cúmulo de realidades – quase sempre vulgares e aparentemente sem esplendor – que configuram a vida matrimonial e familiar, brilhem no vosso lar com todo o seu relevo humano e sobrenatural e o convertam numa verdadeira “igreja doméstica”: em caminho de santidade e apostolado. [i]



[i] (javier echevarría, Homilia na XV Jornada Mariana da Família, Torre Ciudad, 2005.09.04)

06/04/2015

Temas para meditar - 410

A finalidade do Sínodo é dar testemunho ao mundo de que a Igreja se apresenta como defensora da vida, que é a mensagem profética da “Humanae Vitae” e como defensora da família. A Igreja tem de dar testemunho unânime, sem deixar lugar a dúvidas ou confusões.

A mensagem da Igreja é profética e não há que temer que ela vá contra o que pensa no mundo quem caminha no desprezo da vida.
Com humildade e firmeza, a Igreja deve declarar a sua fé no homem, ainda que seja como um desafio aos que sustentam e praticam o contrário. Esta atitude da Igreja acarretar-lhe-á sofrimentos, como os que sofreu Paulo VI quando lançou ao mundo a sua “Humanae Vitae”, porque o mundo hoje, está contra a vida. 

card. benelli, Arcebispo de Florença, VI Sínodo dos Bispos

18/11/2014

Família

famiglia.vaPapa confirmou participação no Encontro Mundial das Famílias de 2015, que vai decorrer na cidade norte-americana de Filadélfia

O Papa Francisco disse hoje no Vaticano que a Igreja Católica rejeita uma família construída com base em ideologias que ignoram a “complementaridade” de um pai e de uma mãe na educação dos filhos.

“As crianças têm o direito de crescer numa família, com um pai e uma mãe, capazes de criar um ambiente idóneo para o seu desenvolvimento e o seu amadurecimento afetivo”, declarou, perante os participantes num colóquio inter-religioso sobre a complementaridade homem-mulher, promovido pela Congregação para a Doutrina da Fé (Santa Sé).

Francisco aproveitou esta ocasião para confirmar a participação no 8.º Encontro Mundial das Famílias que vai decorrer em setembro de 2015, na cidade norte-americana de Filadélfia.

A intervenção alertou para a “armadilha” de se qualificar a família a partir de conceitos de natureza ideológica, com um valor limitado do ponto de vista histórico e antropológico.

“Não se pode falar hoje de família conservadora ou de família progressista: a família é família. Não a deixemos qualificar assim com este ou outros conceitos, de natureza ideológica. A Família é por si mesma, tem uma força própria”, precisou o Papa.

Francisco elogiou a escolha do tema da “complementaridade” para este colóquio internacional, considerando que o conceito está “na base do matrimónio e da família”.

Neste contexto, o Papa alertou para a “crise” provocado por uma “cultura do provisório”, que leva cada vez mais pessoas a evitarem o compromisso do casamento.

“Esta revolução dos costumes e da moral içou, por muitas vezes, a bandeira da ‘liberdade’, mas na verdade trouxe devastação espiritual e material a muitíssimos seres humanos, especialmente aos mais vulneráveis” lamentou.

Francisco disse ser claro que o declínio da cultura do matrimónio está associado a uma série de problemas sociais, que atingem em particular as crianças e os idosos, sublinhando que “a família continua a ser o fundamento da convivência e a garantia contra a desintegração social”.

“O compromisso definitivo para a solidariedade, a fidelidade e o amor fecundo responde aos anseios mais profundos do coração humano”, referiu.

O Papa concluiu com votos de que este encontro possa servir como inspiração para “todos os que procuram apoiar e reforçar a união do homem e da mulher no matrimónio como um bem único, NATURAL, fundamental e belo para as pessoas, as famílias, as comunidades e a sociedade”.

Cidade do Vaticano, 17 Nov 2014 (Ecclesia)

21/10/2014

Família



A protecção efectiva dos bens fundamentais da pessoa, o direito à vida desde a própria concepção, a protecção do matrimónio e da família, a igualdade de oportunidades na educação e no trabalho, a liberdade de ensino e de expressão, a liberdade religiosa, a segurança dos cidadãos, a contribuição para a paz internacional, etc., formam parte do bem comum, pelo qual os cristãos devem lutar. [i]



[i] (Conferência Episcopal Espanhola, Los católicos en la vida pública, 1986.04.22, nr. 119-121., trad ama)

24/08/2014

Temas para meditar 215


Igreja doméstica

Por isso vos convido, com João Paulo II, a não fechar as portas da vossa vida e do vosso lar. Abri-as de par em par! Deixai que entre nas vossas almas e nas vossas casas a Luz que dissipa todas as trevas. Secundai a “a luz da fé e do amor”, que nos habilita para dar testemunho cabal da verdade sobre o matrimónio e a família: sobre a unidade e indissolubilidade; sobre o autêntico amor dos esposos, aberto sempre à vida – não tenhais medo à chegada de outros filhos; sobre a mútua fidelidade nas tristezas e nas alegrias; sobre a generosidade e a delicadeza no trato; sobre o esquecimento de si, sobre a dedicação aos filhos e ao serviço da sociedade... Acolhei em vós a Luz divina, para que esse cúmulo de realidades – quase sempre vulgares e aparentemente sem esplendor – que configuram a vida matrimonial e familiar, brilhem no vosso lar com todo o seu relevo humano e sobrenatural e o convertam numa verdadeira “igreja doméstica”: em caminho de santidade e apostolado.

(javier echevarría Homilia XV Jornada Mariana da Família Torre Ciudad 2005.09.04)

06/12/2012

CULTIVAR A FÉ 16


Uma pedagogia da fé na família - a propósito de alguns ensinamentos de S. Josemaria …/11

Educação para a santidade.

As virtudes humanas.

Outro aspecto central da orientação que Josemaria dá à formação cristã é a importância atribuída às virtudes humanas. Gostava de empregar o adjectivo humanas para sublinhar que se tratam de hábitos que honram a pessoa que os tem, que estão na base do comportamento livre e que “alguns têm, mesmo sem conhecer Cristo”
[i].

Neste mundo, muitos não privam com Deus; são criaturas que talvez não tenham tido ocasião de ouvir a palavra divina ou que a esqueceram. Mas as suas disposições são humanamente sinceras, leais, compassivas, honradas. Atrevo-me a afirmar que quem reúne essas condições está a ponto de ser generoso com Deus, porque as virtudes humanas constituem o fundamento das sobrenaturais
[ii].

Consequentemente, para a actuação cristã as virtudes humanas e as sobrenaturais exigem-se reciprocamente, sendo as primeiras a base das segundas. É difícil exercitar, por exemplo, a fortaleza sobrenatural se humanamente faltam os hábitos de domínio de si próprio, ou a prudência cristã se naturalmente se é leviano.

Por outro lado, as virtudes humanas, num cristão, convertem-se em sobrenaturais quando são vivificadas pela caridade e podem ser desenvolvidas com a ajuda da graça divina
[iii]. Para a formação das virtudes na vida familiar há que ter presente que, como adverte o Romano Pontífice, “por uma espécie de osmose, os filhos incorporam às suas vidas e à sua personalidade aquilo que respiram no ambiente do lar, como fruto das virtudes que os pais cultivaram nas suas próprias vidas. O melhor modo de esculpir as virtudes no coração dos filhos é oferecer-lhas gravadas na vida dos pais. Virtudes humanas e virtudes cristãs, em harmoniosa e forte unidade, tornam amável o ideal contemplado nos pais, e estimulam os filhos a empreender a sua conquista” [iv].

Uma vida virtuosa é atraente. Mas S. Josemaria reconhecia que entre os cristãos nem sempre é assim.

“Talvez tenhais observado (…) tantos e tantos que se dizem cristãos – porque foram baptizados e recebem outros Sacramentos –, mas que se mostram desleais, mentirosos, insinceros, orgulhosos... E caem de repente. Parecem estrelas que brilham durante alguns momentos no céu e, de súbito, despenham-se irremediavelmente. Se aceitarmos a nossa responsabilidade de filhos de Deus, saberemos que Ele quer que sejamos muito humanos. A cabeça pode tocar o céu, mas os pés assentam na terra, com segurança. O preço de se viver cristãmente não é nem deixar de ser homem nem abdicar do esforço por adquirir essas virtudes que alguns têm, mesmo sem conhecerem Cristo. O preço de todo o cristão é o Sangue redentor de Nosso Senhor, que nos quer – insisto – muito humanos e muito divinos, com o empenho diário de O imitar, pois é perfectus Deus, perfectus homo”
[v].

michele dolz, publicado em Romana, n. 32 (2001), 2011.09.12

Nota: Revisão gráfica por ama.



[i] S. Josemaria Escrivá, Amigos de Deus, n. 75.
[ii] S. Josemaria Escrivá, Amigos de Deus, n. 74.
[iii] “Não basta essa capacidade pessoal: ninguém se salva sem a graça de Cristo” (S. Josemaria Escrivá, Amigos de Deus, n. 75).
[iv] João Paulo II, Discurso aos participantes na IV Assembleia geral do Conselho Pontifício para a Família, sobre o tema: O sacramento do matrimónio e a missão educativa, 10-X-1986, n. 5; AAS 79 (1987) 286-290.
[v] S. Josemaria Escrivá, Amigos de Deus, n. 75.

05/12/2012

CULTIVAR A FÉ 15


Uma pedagogia da fé na família - a propósito de alguns ensinamentos de S. Josemaria …/10

Educação para a santidade.

O primado da graça.

E chegamos assim ao verdadeiro fundamento da formação cristã segundo S. Josemaria Escrivá: a filiação divina. Deus criou-nos para nos dar gratuitamente uma dignidade superior, estritamente sobrenatural: ser filhos adoptivos, filhos no Filho, membros da família do Pai, Filho e Espírito Santo: domestici Dei [i]]. “O modo em que Deus nos constitui membros da sua família – escreve F. Ocáriz comentando os ensinamentos de S. Josemaria – é pois um muito concreto: a filiação. Esta familiaridade divina não é, em nós, uma simples questão moral, um simples comportamento, mas, antes, fundamenta-se numa real transformação –e levação, adopção –, pois «a fé diz-nos que o homem, em estado de graça, está endeusado» (Cristo que passa, n. 103), quer dizer, metido verdadeiramente em Deus, introduzido a participar da vida divina; dessa Vida que são as Processões eternas da Santíssima Trindade (…). Não só Deus, num esbanjamento de bondade, quer que o tratemos como um pai, mas num esbanjamento incomparavelmente maior do seu amor, adopta-nos como seus filhos” [ii].
Assim escreve S. João: “Vede que amor por nós teve o Pai, querendo que nos chamemos filhos de Deus e o sejamos de verdade” [iii]. S. Josemaria fez da filiação divina o fundamento da vida espiritual. Nos seus ensinamentos este não é um aspecto mais, mas, sim, o enquadramento transversal e omni-compreensivo.

“A piedade que nasce da filiação divina é uma atitude profunda da alma, que acaba por informar toda a existência: está presente em todos os pensamentos, em todos os desejos, em todos os afectos. Não tendes visto como, nas famílias, os filhos, mesmo sem repararem, imitam os pais: repetem os seus gestos, seguem os seus costumes, se parecem com eles em tantos modos de comportar-se?

Pois o mesmo acontece na conduta de um bom filho de Deus. Chega-se também, sem se saber como nem por que caminho, a esse endeusamento maravilhoso que nos ajuda a olhar os acontecimentos com o relevo sobrenatural da fé; amam-se todos os homens como o nosso Pai do Céu os ama e – isto é o que mais importa – consegue-se um brio novo no esforço quotidiano para nos aproximarmos do Senhor. As misérias não têm importância, insisto, porque estão ao nosso lado os braços amorosos do nosso Pai Deus para nos levantar”
[iv].

Falando aos pais dizia que o ponto principal da formação cristã dada aos seus filhos era o conhecimento de Deus como Pai. E não deveria ser difícil aos pais que são amados pelos seus filhos a transposição do modelo filial, do natural ao sobrenatural.

michele dolz, publicado em Romana, n. 32 (2001), 2011.09.12

Nota: Revisão gráfica por ama.



[i] Ef 2, 19.
[ii] F. Ocáriz, Naturaleza, Gracia y Gloria, Eunsa, Pamplona 2000, pp. 183-184 (capítulo La filiación divina, realidad central en la vida y en la enseñanza de Mons. Escrivá de Balaguer). «A nossa relação com as três pessoas divinas é uma relação baseada na nossa participação na filiação de Cristo por iniciativa de Pai, que quer fazer-nos filhos no Filho, e pela infusão do Espírito, o qual nos assimila a Cristo enquanto Filho» (J. A. Sayés, La gracia de Cristo, BAC, Madrid 1993, p. 283).
[iii] 1 Jo 3, 1.
[iv] S. Josemaria Escrivá, Amigos de Deus, n. 146.

04/12/2012

CULTIVAR A FÉ 14


Uma pedagogia da fé na família - a propósito de alguns ensinamentos de S. Josemaria …/9

Educação para a santidade.

O primado da graça.

Ao longo da sua vida e, de modo particular, entre 1970 e 1975, ano da sua morte, levou a cabo uma amplíssima catequese sobre os sacramentos. Doía-lhe a “moda”, difundida naquela época, de retardar o baptismo das crianças com o pretexto de uma escolha mais consciente por parte dos baptizados. É oportuno recordar aqui a doutrina sobre os efeitos do baptismo, que “não somente purifica de todos os pecados, mas que também faz do neófito “uma nova criação” (2 Cor 5, 17), um filho adoptivo de Deus, que foi feito “participante da natureza divina” (2 Pe 1, 4), membro de Cristo, co-herdeiro com Ele e templo do Espírito Santo. A Santíssima Trindade dá ao baptizado a graça santificante, a graça da justificação que o torna capaz de crer em Deus, de esperar n’Ele e de o amar através das virtudes teologais; concede-lhe poder viver e actuar sob a moção do Espírito Santo mediante os dons do Espírito Santo; permite-lhe crescer no bem através das virtudes morais” [i].

Baseado nesta forte convicção, S. Josemaria lamentava: “Não faltam os que parece que esquecem, e que chegam a desprezar, esta corrente redentora da graça de Cristo (…). Decidem sem o menor escrúpulo retardar o baptismo dos recém-nascidos, privando-os – e cometendo assim um grave atentado contra a justiça e contra a caridade – da graça da fé, do tesouro incalculável da inabitação da Santíssima Trindade na alma, que vem ao mundo manchada pelo pecado original. Pretendem também desvirtuar a natureza própria do Sacramento da Confirmação, no qual a Tradição viu sempre unanimemente um robustecimento da vida espiritual, uma efusão calada e fecunda do Espírito Santo, para que, fortalecida sobrenaturalmente, a alma possa lutar – miles Christi, como soldado de Cristo – nessa batalha interior contra o egoísmo e a concupiscência”
[ii].

Com frequência referia-se também à confissão das crianças, animando os pais a levar os seus filhos, sem adiamentos, a esse sacramento.

“Que alegria ir confessar-se! Eu confessei milhares e milhares de crianças. Não se perde o tempo: aproveita-se, aprende-se com aquelas almas nas quais o Espírito Santo está a actuar. Como as mães dais à pequenada o vosso sangue e, depois, o néctar do vosso peito; assim o Espírito Santo, metido na alma dessas criaturas, que talvez não se dêem conta de nada, actua, actua, actua. E o sacerdote colabora com Ele, com o Espírito Santo. Além disso, a graça do sacramento, que é também o Espírito Santo em acção”
[iii].

michele dolz, publicado em Romana, n. 32 (2001), 2011.09.12

Nota: Revisão gráfica por ama.



[i] Catecismo da Igreja Católica, nn. 1265-1266.
[ii] S. Josemaria Escrivá, Cristo que passa, n. 78.
[iii] Notas de uma tertúlia em Santiago do Chile, 2-VII-1974; AGP, P11, p. 106.