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13/05/2019

Leitura espiritual


A SOLIDARIEDADE

1.           O que é solidariedade?

Solidariedade ou caridade social expressa uma ideia de unidade, coesão, colaboração.
Está muito ligado ao amor e, ao admitir dois níveis de consideração:

Sentimento de solidariedade.

Tendência humana a associar-se na busca de bens comuns.
É a inclinação para se sentir conectado com os outros, seja por razões de similaridade, seja por causa de interesses comuns.
Inclui a tristeza quando essas pessoas que pensam da mesma maneira sofrem um mal.
Estes são bons sentimentos, mas às vezes instáveis ​​ou superficiais.

Virtude-solidariedade.

É a determinação firme e perseverante de se comprometer pelo bem comum.
Estamos diante de um hábito ou qualidade, antes de uma decisão estável de colaborar com os outros.
Com todos os homens, porque realmente existe um vínculo com todos, mesmo que não se sinta unido a alguns.
Essa virtude de solidariedade é mais forte e mais importante que a sentimental, e continuamos falando sobre isso.

2.           Sobre o que é a solidariedade?

A solidariedade baseia-se em várias razões que podemos reunir: em dois grupos:

a)          Razões humanas:

igualdade de natureza, necessidade de apoio, maior eficácia, ampliar o coração evitando o egoísmo.

b)          Razões espirituais:

Fraternidade humana, comum dignidade de filhos de Deus, a unidade destino eterno, redenção idêntico, comum união com Cristo e Maria.

3.           Existe uma diferença entre solidariedade e caridade?

Parecem-se muito.
Pode-se dizer que a solidariedade é dirigida aos grupos, enquanto a caridade pensa individualmente nos indivíduos.
Na verdade, é mais correcto afirmar que a solidariedade é uma parte da caridade.

4. Exemplos de solidariedade.

- Esta decisão de buscar o bem de todos pode ser aplicada em muitas áreas:

Solidariedade dos pobres entre si; dos ricos para os pobres e, curiosamente, dos pobres para os ricos.
Esses casos de solidariedade são exercidos de diferentes maneiras.
Por exemplo, os ricos procurarão uma maneira de ajudar o desenvolvimento dos pobres; os pobres serão gratos.
Solidariedade dos empregadores em relação aos seus empregados e dos empregados em relação aos seus empregadores.

Por exemplo, os primeiros pagam salários justos e os segundos trabalham com lealdade.

Solidariedade das mulheres entre si e em relação aos homens.

O mesmo se aplica aos homens entre si e com respeito a eles, evitando o machismo.

Solidariedade de regiões, raças e nações em relação aos outros, evitando o racismo e o nacionalismo.

5. Exemplos de falta de solidariedade:

É falta de solidariedade qualquer acção que busque interesse próprio ou afim, desprezando o bem de diferentes grupos sociais.

Exemplos:

Qualquer forma de luta de classes vai contra os princípios da solidariedade.
As diferentes formas de exploração humana seja de grupos ou nações, também se opõem à solidariedade.

Os nacionalismos e regionalismos.

Aqui é conveniente especificar que um amor especial é correcto para a sua própria cidade, região, região ou país.
A falta de solidariedade aparece com desprezo ou desinteresse em relação a outros povos, regiões ou países.

Em geral, qualquer egoísmo.
Por exemplo, os jovens que só pensam na sua diversão tendem a não apoiar os pais, professores, vizinhos e até as pessoas que limpam as ruas.

6. Como exercitar a solidariedade?

Os exemplos anteriores n.4 e 5, podem dar alguma orientação.

Outras ideias válidas podem ser:
Promover uma visão universal, superando os excessivos localismos.
Evitar atitudes combativas contra outros grupos: dispensar tribos e bandas.

Interesse em colaborar:

Voluntariado;
Visitas a lares de idosos;
Ajuda em tarefas familiares;
Deixar as coisas limpas e arrumadas aliviando o trabalho dos outros, etc.

7. Como promover nos outros essa qualidade?

Para encorajar os outros a exercerem a solidariedade, as razões apontadas nos pontos 2 e 6 podem ser expandidas, o que também ajudará a promover a caridade em geral.


ID, revisão versão portuguesa por AMA


29/12/2018

Temas para reflectir e meditar

Pobreza


(A pobreza que Jesus declarou bem-aventurada) está feita de desprendimento, de confiança em Deus, de sobriedade e disposição de partilhar com os outros, de sentido de justiça, de fome do reino dos céus, de disponibilidade para escutar a palavra de Deus e guardá-la no coração (cfr. Libertatis conscientia, 66)

Diferente é a pobreza que oprime a multidão de irmãos nossos no mundo e lhes impede o seu desenvolvimento integral como pessoas. Ante esta pobreza, que é carência e privação, a Igreja levanta a sua voz convocando e suscitando a solidariedade de todos para a debelar.

(são joão paulo iiHomília, México, 1999.05.07)


27/04/2017

Temas para meditar - 704

Solidariedade 


Uma expressão particularmente significativa de solidariedade entre as famílias é a disponibilidade para a adopção ou o acolhimento temporal de crianças abandonadas pelos seus pais ou em situações de grave dificuldade. 


O verdadeiro amor paterno e materno vai mais além dois vínculos da carne e do sangue acolhendo inclusive crianças de outras famílias, oferecendo-lhes tudo o necessário para a sua vida e pleno desenvolvimento. 

são joão paulo ii, Enc. Evangelium vitae 1995.03.25 nr. 93


27/04/2015

Cafés suspensos

Entramos num pequeno café na Bélgica com um amigo meu e fizemos o nosso pedido. Enquanto estamos a aproximar-nos da nossa mesa duas pessoas chegam e vão para o balcão:

- ‘Cinco cafés, por favor. Dois deles para nós e três suspensos.’

Eles pagaram a sua conta, pegaram em dois e saíram.

Perguntei ao meu amigo:
- ‘O que são esses cafés suspensos?’

O meu amigo respondeu-me:
- ‘Espera e vais ver.

Algumas pessoas mais entraram. Duas meninas pediram um café cada, pagaram e foram embora. A ordem seguinte foi para sete cafés e foi feita por três advogados - três para eles e quatro "suspensos". Enquanto eu ainda me pergunto qual é o significado dos "suspensos" eles saem. De repente, um homem vestido com roupas gastas que parece um mendigo chega na porta e pede cordialmente:

- ‘Você tem um café suspenso?

Resumindo, as pessoas pagam com antecedência um café que servirá para quem não pode pagar uma bebida quente. Esta tradição começou em Nápoles, mas espalhou-se por todo o mundo e em alguns lugares é possível encomendar não só cafés "suspensos" mas também um sanduíche ou refeição inteira.


Partilhem no sentido de divulgar esta linda ideia.


01/08/2012

MIlagres!!!

Há duas semanas, como é sabido, lavraram grandes incêndios na Ilha da Madeira e ao ver as imagens na televisão alguém se deu conta que uma determinada casa estava em perigo eminente.



Algumas pessoas puseram-se imediatamente a rezar a pagela a D. Álvaro del Portillo, pedindo a sua intervenção para que se salvasse a casa






No dia seguinte, viram-se as fotos – de satélite - que se juntam. Nelas se vê claramente que no meio da devastação a casa estava incólume! Um telefonema para a Madeira confirmou o facto:

nem uma única porta ou janela queimadas!

O local antes do incêndio.

Depois!

Incólume!!!


O único comentário possível que me ocorre é: 


Non est abbreviata manus Domini’

O que, em português corrente, se poderia dizer: 

‘O poder de Deus não diminuiu’, ou como o povo: ‘Deus não dorme’.


07/06/2012

Fazer o bem


Dois homens, ambos muito doentes, ocupavam o mesmo quarto de um hospital.
A um deles permitia-se-lhe sentar-se na sua cama cada tarde, durante uma hora, para o ajudar a drenar o líquido dos pulmões. A sua cama dava para a única janela do quarto.
O outro homem tinha que estar todo o tempo de boca para cima.
Os dois conversavam durante horas. Falavam das suas mulheres e das suas famílias, os seus lares, os seus trabalhos, a sua estada no serviço militar, onde tinham estado de férias.
E cada tarde, quando o homem da cama junto à janela podia sentar-se, passava o tempo descrevendo ao seu vizinho todas as coisas que podia ver pela janela.
O homem da outra cama começou a desejar que chegassem essas horas, em que o seu mundo se enchia e cobrava vida com todas as actividades, cores do mundo exterior.
A janela dava para um parque com um lago precioso.
Patos e cisnes brincavam na água, enquanto as crianças o o faziam com os seus papagaios de papel.
Os jovens enamorados passeavam de mão dada, entre flores de todas as cores do arco iris.
Grandes árvores adornavam a paisagem, e podia-se ver à distância, uma bela vista da linha da cidade.
O homem da janela descrevia tudo isto com um detalhe extraordinário, o do outro lado do quarto fechava os olhos e imaginava a idílica cena.
Una tarde de calor, o homem da janela descreveu um desfile que estava passando.
Ainda que o outro homem não pudesse ouvir a banda, podia ver o desfile, com os olhos da sua mente, exactamente como o descrevia o homem da janela com suas palavras mágicas.
Passaram dias e semanas. Uma manhã, a enfermeira de dia entrou com a agua para lhes dar banho, encontrando-se com o corpo sem vida do homem da janela, que tinha morrido placidamente enquanto dormia. Encheu-se de pesar e camou os ajudantes do hospital, para levarem o corpo.
Logo que o considerou apropriado, o outro homem pediu para ser trasladado para a cama ao lado da janela. A enfermeira, encantada, mudou-o e, depois de se assegurar de que estava cómodo, saiu do quarto.
Lentamente, e com dificuldade, o homem ergueu-se sobre o cotovelo, para lançar a seu primeiro olhar ao mundo exterior; por fim teria a alegria de ele próprio o ver. Esforçou-se para se volta devagar e olhar pela janela ao lado da cama... e encontrou-se com uma parede branca.
O homem perguntou à enfermeira que poderia ter levado o seu companheiro morto a descrever coisas tão maravilhosas através da janela.
A enfermeira disse-lhe que o homem era cego e que não teria podido ver nem a parede, e disse-lhe:

_ Talvez só o quisesse animar a si.

Epilogo: É uma felicidade enorme tornar felices os outros, seja qual for a própria situação. A dor partilhada é metade da pena, mas a felicidade, quando se partilha, é dupla.
Se quiser sentir-se rico, conte apenas todas as coisas que tem e que o dinheiro não pode comprar.
Hoje é uma dádiva por isso se chama presente.

Net 2006.04.04, trad AMA

18/10/2011

História de uma pergunta ao Papa na JMJ - 4

Um programa ambicioso

A Universidade de Strathmore através do Programa de Alcance Comunitário, conta-nos Roselyne, comprometeu-se a doar a mesma quantia que o conjunto de todos os estudantes: por cada xelim que entreguem, a Universidade entregará outro. Desde que se pôs em marcha a campanha, no passado 25 de Julho, arrecadaram-se cerca 300.000 xelins.

Os primeiros que se puseram em marcha para ajudar nesta situação de emergência em África foram os próprios africanos, mas não é suficiente, necessita-se a cooperação internacional para que se reduza o número de mortos pela fome.

Roselyne diz-nos que a ajuda estatal não chega à zona de Turkana na diocese de Lodwar, no norte do Quénia. E é a Igreja católica que consegue que a ajuda chegue às escolas, aos dispensários, aos hospitais, aos infantários, etc.

O programa de solidariedade da Universidade também atende a KOPLWA, (Organização Queniana de Pessoas Vivendo com Sida) e ao Centro de VIH, assim como à escola secundaria baptista de Soweto. Ambos se encontram nos bairros pobres de Kibera. Alguns estudantes de Strathmore têm um programa tutorial na escola, uma vez que reconhecem que a capacitação e formação dos jovens de zonas marginais é a melhor forma de alimentar o futuro do país.

Roselyne esteve com outras jovens quenianas na JMJ de Madrid e também aqui continuou trabalhando para recolher entre os jovens solidariedade com o norte do Quénia e Somália.

INFORMAÇÕES MUITO BREVES   [De vez em quando] 2011.09.14 (trad do castelhano, ama)

17/10/2011

História de uma pergunta ao Papa na JMJ - 3

"A gente vive com uma refeição comida cada dois dias"

O bispo falou da imensa tarefa de alimentar mais de 200.000 pessoas, que estão absolutamente desnutridas e desesperadas pela tragédia que estão padecendo nessa região do país.

"A matrícula escolar duplicou na região porque as crianças têm a garantia de uma refeição na escola. E alguns deles não tomam os alimentos que se servem, para leva-los para casa e partilhá-los com os demais membros das suas famílias".

Roselyne com algumas das raparigas quenianas que participaram na Jornada Mundial da Juventude

Os pais fazem jogos psicológicos com os filhos para enganar a fome. Vertem agua na frigideira e mantêm-na fervendo até que os filhos adormeçam.

O Bispo Kimengich saiu da sua diocese para fazer um apelo desesperado. “Não posso voltar para a minha diocese com os bolsos vazios ", disse preocupado. Desde que foi ordenado Bispo de Lodwar, em Maio de 2010, não choveu na sua diocese e as temperaturas oscilam entre os 40 e 45 graus centígrados. Citando um explorador que foi a Lodwar em 1860 assegura-nos que "Turkana está ao lado do inferno".

INFORMAÇÕES MUITO BREVES   [De vez em quando] 2011.09.14 (trad do castelhano, ama)

16/10/2011

História de uma pergunta ao Papa na JMJ -2

Uma campanha contra a fome

Roselyne Warau Mwangi finalizou a carreira de Ciências Económicas e Comercio na Universidade de Strathmore há um ano, e agora trabalha ali como professora ajudante, onde também é a promotora do programa de solidariedade COP (Programa de Alcance Comunitário).

“Os pais fazem jogos psicológicos com os filhos para enganar a fome. Vertem agua na frigideira e mantêm-na fervendo até que os filhos adormeçam"

 “Em 22 de Julho passado visitou-nos o Reverendíssimo Domingo Kimengich, bispo da Diocese Católica de Lodwar, uma das mais pobres de Quénia que está padecendo os efeitos devastadores da seca e lançou uma campanha contra a fome. O objectivo da campanha é recolher dinheiro, alimentos e orações pelas pessoas afectadas pela fome no norte do Quénia. A campanha está a ser coordenada pelo Programa de Alcance Comunitário (CAP) que promovemos na Strathmore”.

INFORMAÇÕES MUITO BREVES   [De vez em quando] 2011.09.14 (trad do castelhano, ama)

15/10/2011

História de uma pergunta ao Papa na JMJ

Roselyne Warau Mwangi pode perguntar a Bento XVI na Vigília de Cuatro Vientos sobre o sentido do sofrimento. Dirige um programa para paliar os efeitos da devastadora seca que assola o norte do Quénia, Etiópia e Somália.
  
"O meu nome é Roselyne Warau. Sou queniana e trabalho na Universidade de Strathmore. Passo a maior parte do meu tempo trabalhando no campo social, com marginalizados e pessoas muito pobres. Recentemente na minha Universidade, pusemos em marcha uma campanha especial para ajudar as vítimas da fome no Quénia, Etiópia e Somália.

Sua Santidade disse que nós os pobres podemos tocar a Cristo. Mas às vezes não é fácil, porque perante tanto sofrimento no mundo, especialmente nesta crise económica, perguntamo-nos pelo sentido da dor no plano de Deus. Quando as pessoas que sofrem, ou os estudantes da Universidade, me fazem este tipo de pergunta, não tenho uma resposta fácil. Como posso fazer-lhes entender que Cristo está vivo e sofredor nos pobres? Como dizer-lhes que muito importantes para Deus e que Deus não se esqueceu deles?".

Esta foi a pergunta que Roselyne Warau Mwangi fez ao Papa durante a Vigília de Cuatro Vientos, na Jornada Mundial da Juventude, e que por causa da chuva e do vento, o Papa no podo responder directamente.

INFORMAÇÕES MUITO BREVES   [De vez em quando] 2011.09.14 (trad do castelhano, ama)

11/10/2011

CHAGAS NA CIDADANIA

Construir uma sociedade mais solidária

– É grande a lista de chagas na cidadania: corrupção, dependência química, relativização de valores e de princípios, violência nas ruas e nas escolas. Uma lista quase interminável. É uma exigência cidadã prestar atenção nesta lista, e sentir-se interpelado para uma conduta que trabalhe e colabore, mais decisivamente, na reversão das dinâmicas geradoras dessa desfiguração, recuperando sensibilidades. Particularmente, revitalizar a sensibilidade social que gera reacção ante os desmandos e desrespeitos à dignidade humana.
   
As chagas na cidadania comprovam o quanto o princípio da solidariedade está sendo atingido. É preocupante e triste constatar que o natural fenómeno da interdependência está fragilizado em razão de desigualdades muito fortes, alimentadas pela corrupção corrosiva, por diversas formas de exploração e opressão. A injustiça, hoje, tem dimensões planetárias. Incide, até mesmo, nos países mais desenvolvidos. É preciso existir um compromisso com a solidariedade, que permitirá novas posturas no processo de modificação de leis, de regras de mercado e de ordenamentos.

Nesta perspectiva, a solidariedade deve ser entendida e vivida como uma virtude moral. Não se trata de um simples sentimento de compaixão. A responsabilidade de cada um por todos é uma exigência e um princípio fundamental no processo de cicatrização e superação das chagas na cidadania. Todo cidadão, à luz deste princípio da solidariedade, é intimado a assumir sua dívida com a sociedade. É uma sensibilidade social que precisa ser reavivada e mantida. Cada um deve contribuir, decisivamente, com a solidariedade que cura o mundo de suas patologias individualistas, por meio de um exercício pessoal. A solidariedade é vector determinante na construção de uma sociedade justa, que só será alcançada na medida em que a dignidade transcendente da pessoa humana é respeitada.

Nesse horizonte fica claro que a ordem social e o seu progresso devem buscar e garantir o bem de todas as pessoas. Esta meta, no entanto, revela a grande dívida imposta à cidadania quando, por exemplo, se considera os pobres. Cresce o número de excluídos, dos que moram nas ruas e dos que vivem em situação de risco, desprovidos de bens e direitos básicos. Esta realidade é um convite para se explicitar, avaliar as causas e, assim, impulsionar intervenções.

A sensibilidade social é uma exigência inegociável que permite ecoar na consciência cidadã os apelos dos mais pobres e sofredores. Isso significa compreender e respeitar cada pessoa humana, jamais admitir sua instrumentalização - seja económica, social e política. Ora, toda pessoa humana é, antes de tudo, uma singularidade que requer incondicional respeito. É centro de consciência e liberdade. Esta compreensão supõe, então, o primado da pessoa. Reconhecer este primado é precondição para que programas sociais, culturais, políticos, económicos e científicos possam ser indicados e definidos em função das necessidades básicas e transcendentes próprias da dignidade humana.

O preocupar-se com essa dignidade deve gerar uma terapêutica angústia, fruto da claridade racional e da compaixão e, ao mesmo tempo, da percepção de que milhares e milhões nas sociedades contemporâneas não são respeitados enquanto indivíduos. Diante das intoleráveis desigualdades sociais, ou do desafio da superação da miséria e da fome, na sociedade brasileira e pelo mundo afora, é preciso perceber os inúmeros desafios. Semear, em todos, o empenho rumo à construção de uma sociedade mais solidária.

É um longo caminho. Precisa ser percorrido permanentemente. E só o percorre de forma comprometida quem busca conhecer as necessidades dos pobres. É necessário trabalhar para fomentar a cultura da responsabilidade de todas as pessoas em todos os níveis, envolvendo especialmente os governos, empresas e demais instituições. Em tempos de crise, retoma-se o debate sobre a regulação da economia, das finanças e do comércio. Estas e outras medidas precisam contracenar com a vivência de valores, formando consciências que vão permitir a recomposição do fragilizado mundo da educação - particularmente da escola pública - da batalha cerrada contra o tráfico de drogas e a revitalização da cidadania.

D. alwmor oliveira de azevedo [1]

INFORMAÇÕES MUITO BREVES  [De vez em quando] 2011.10.10


[1] Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte – MG

12/08/2011

A matemática da vida em Fukushima

Central de Fukushima   
Há no Japão um grupo de 200 aposentados, em sua maioria engenheiros, que se oferece para substituir trabalhadores mais jovens num perigoso trabalho: a manutenção da estação nuclear de Fukushima, que foi seriamente afectada pelo grande terramoto de três meses atrás. Os reparos envolvem altos níveis de radioactividade cancerígena.

Em entrevista à BBC, o voluntário Yasuteru Yamada, que tem 72 anos e negocia com o reticente governo japonês e com a empresa, usa uma lógica tão simples quanto assombrosa: "Em média, devo viver mais uns 15 anos. Já um cancro vindo da radiaçãolevaria de 20 a 30 anos para surgir. Logo, nós que somos mais velhos temos menos risco de desenvolver cancro", afirma Yamada.

É arrepiante. Em contrapartida ao individualismo actual - e lidando de uma maneira absolutamente realista em relação à vida e à morte -sexagenários e septuagenários querem dar uma última contribuição: ser úteis nos seus últimos anos e permitir que alguns jovens possam chegar às idades deles com saúde e disposição semelhantes.

O que mais impressiona em toda a história é a matemática da vida. A morte não é para eles um problema a ser solucionado - ou talvez corrigido, pela hipótese mística da vida eterna que a medicina e a biologia tentam encapar e da qual as revistas de boa saúde nos tentam convencer; a morte é, de facto, a constante da equação.

Nada que o mundo ocidental não conheça. O filósofo alemão Georg Friedrich Hegel (1770-1831) certa vez definiu "mestre" como alguém desapegado da vida a ponto de enfrentar a morte, enquanto "servo" seria um escravo do desejo de continuar vivo - e que obedeceria mais às regras que lhe garantissem mais vida. Em consequência, o servo anula a sua vontade de transformar o mundo e a si mesmo.
Criados numa sociedade de consumo, corremos o risco de levar essa escravidão às últimas, defendendo a boa saúde e os confortos com muito mais afinco do que aquilo que podemos fazer por nós e pelos outros enquanto ainda gozamos dela.
Os senhores do Japão ensinam que a morte é a hora em que podemos continuar a existir na memória das pessoas.

Agrad  Amílcar Granjo

13/07/2011

Lição do Rato! Uma fábula para refletir...

Um rato, olhando pelo buraco na parede, vê o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote.
Pensou logo no tipo de comida que haveria ali.
Ao descobrir que era uma ratoeira ficou aterrorizado.
Correu ao pátio da fazenda advertindo a todos:

- Há ratoeira na casa, ratoeira na casa!!!

A galinha:
- Desculpe-me Sr. Rato, eu entendo que isso seja um grande problema para o senhor, mas não me prejudica em nada, não me incomoda.
O rato foi até o porco e:

- Há ratoeira na casa, ratoeira!!!
- Desculpe-me Sr. Rato, mas não há nada que eu possa fazer, de resto, a mim, não me apoquenta.
O rato dirigiu-se à vaca e:

- Há ratoeira na casa!!!

- O quê? Ratoeira? Por acaso estou em perigo? Acho que não!

Então o rato voltou para casa abatido.

Naquela noite, ouviu-se um barulho, como o da ratoeira pegando uma vítima. A mulher do fazendeiro correu para ver o que estava preso. No escuro, ela não percebeu que a ratoeira tinha apanhado a cauda de uma cobra venenosa. E a cobra picou a mulher...

O fazendeiro a levou imediatamente ao hospital.
Ela voltou com febre.
Todo mundo sabe que para alimentar alguém com febre, nada melhor que uma canja de galinha.
O fazendeiro pegou no seu cutelo e foi providenciar o ingrediente principal.

Como a doença da mulher continuava, os amigos e vizinhos vieram visitá-la.
Para alimentá-los, o fazendeiro matou o porco.

A mulher não melhorou e acabou morrendo.

Muita gente veio para o funeral. O fazendeiro então sacrificou a vaca, para alimentar todo aquele povo.

Moral da História:
Na próxima vez que você ouvir dizer que alguém está diante de um problema e acreditar que o problema não lhe diz respeito, lembre-se que quando há uma ratoeira na casa, toda fazenda corre risco.

O problema de um é problema de todos!

PS.: excelente fábula de uma pedagogia muito apropriada para os tempos actuais.

"Nós aprendemos a voar como os pássaros,
a nadar como os peixes, mas ainda não aprendemos a conviver como irmãos. "



agrad JMA