05/01/2012

Leitura Espiritual para 05 Jan 2012

Não abandones a tua leitura espiritual.
A leitura tem feito muitos santos.
(S. josemaria, Caminho 116)



Está aconselhada a leitura espiritual diária de mais ou menos 15 minutos. Além da leitura do novo testamento, (seguiu-se o esquema usado por P. M. Martinez em “NOVO TESTAMENTO” Editorial A. O. - Braga) devem usar-se textos devidamente aprovados. Não deve ser leitura apressada, para “cumprir horário”, mas com vagar, meditando, para que o que lemos seja alimento para a nossa alma.




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Livres para construir o futuro 3

Observa-se também em muitos dos nossos contemporâneos uma renúncia do uso da liberdade pessoal na tarefa de construir a sociedade; é um tipo de despersonalização que leva a renunciar ao exercício da liberdade, cedendo-a quase inconscientemente a outras instâncias.

O Estado assume com frequência a tarefa de prover a todas as necessidades dos cidadãos, adormecendo a sua liberdade responsável. Muitos homens – com uma ampla gama de possíveis escolhas sobre temas menores – são escassamente livres, no sentido de que parece como se tivessem renunciado a pensar sobre as decisões fundamentais que configuram os distintos estilos de vida; ou porque o seu direito a uma informação adequada é violado através de diversos mecanismos que passam despercebidos. 

Diante da força de certas estruturas de poder, de mercado, de comunicação, as pessoas vêem-se reduzidas ao anonimato, inconscientemente mantidas no âmbito privado, a ponto de perder a sua condição de sujeitos activos na construção da sociedade, no mundo do trabalho, no progresso humano. 

© 2011, Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet 2011.07.06

Tratado De Deo Trino 51

Art. 3 – Se os nomes essenciais, como o de Deus, se predicam das três Pessoas no singular ou plural.
(I Sent., dist. IX, q. 1, art. 2).

Ora, as três Pessoas têm todas as três a divindade. Logo, as três Pessoas são três Deuses.O terceiro discute-se assim. – Parece que os nomes essenciais, como o de Deus, não se pre­dicam das três Pessoas, no singular, mas no plural.

1. – Pois, assim como homem significa o que tem humanidade, assim Deus, o que tem a divindade. 
2. Demais. – Diz a Escritura (Gn 1, 1): No princípio criou Deus o céu e a terra, estando no texto hebraico Elohim, que se pode interpretar como deuses ou juízes. O que é dito assim, por causa da pluralidade das Pessoas. Logo, as três Pessoas são vários deuses e não um só Deus.

3. Demais. – O vocábulo coisa, empregue em sentido absoluto, parece significar a substância. Ora, esse vocábulo predica-se no plural, das três Pessoas. Assim, diz Agostinho: As coisas de que devemos gozar são o Pai, o Filho e o Espírito Santo [1]. Logo, também os outros nomes essenciais podem predicar-se no plural, das três Pessoas.

4. Demais. – Assim como Deus significa o que tem a divindade, assim Pessoa significa que subsiste em alguma natureza intelectual. Ora, dizemos três Pessoas. Logo, pela mesma razão, podemos dizer três Deuses.

Mas, em contrário, a Escritura (Dt 6, 4): Ouve Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor.

Dos nomes essenciais, uns exprimem a essência, substantivamente, outros, porém, adjectivamente. Os primeiros predicam-se das três Pessoas só no singular e não no plural; porém os segundos dos três se predicam no plural.

E a razão é que os nomes substantivos significam a substância de uma coisa; porém os adjectivos, o acidente, inerente ao sujeito. Ora, a substância, tendo o ser por si, também por si tem a unidade ou a multiplicidade; e por isso, a singularidade ou a pluralidade do nome substantivo é considerada em relação à forma significada pelo nome. Os acidentes, porém, existindo num sujeito, também deste recebem a unidade ou a multiplicidade. Por isso, nos adjectivos, consideram-se a singularidade e a pluralidade relativamente aos supostos.

Ora, nas criaturas, uma mesma forma não tem vários supostos senão pela unidade da ordem; assim, a forma da multidão ordenada. Por onde, os nomes que significam essa forma, sendo substantivos e empregues no singular, predicam-se de vários; não, porém, se fossem adjectivos. Assim, dizemos que muitos homens são um colégio, um exército ou um povo; mas dizemos que vários homens são colegiados. Ora, em Deus, a essência divina é expressa, como se disse [2], em sentido formal; pois, é simples e soberanamente una, como demonstramos [3]. Por onde, os nomes que significam substantivamente a essência divina, predicam-se das três Pessoas no singular e não no plural. E é a razão de dizermos, que Sócrates, Platão e Cícero são três homens; e não que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são três deuses, senão um só. Porque nos três supostos da natureza humana há três humanidades; ao contrário, nas três Pessoas só há uma essência divina. Mas os nomes, que significam a essência, como adjectivos, predicam-se das três Pessoas no plural, por causa da pluralidade dos supostos. Pois, adjectivamente, dizemos três existentes, três sábios, ou três eternos, incriados e imensos. Substantivamente, porém, dizemos, como Atanásio diz no Símbolo, um incriado, imenso e eterno [4].

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. – Embora signifique o que tem a divindade, contudo o nome de Deus também tem outra significação, pois é empregado substantivamente, ao passo que a expressão – tem a divindade – o é adjectivamente. Por onde, embora sejam três os que têm a divindade, daí não se segue a existência de três deuses.

RESPOSTA À SEGUNDA. – Línguas diversas têm modo diverso de falar. Por isso, onde os Gregos dizem três hipóstases, por causa da pluralidade dos supostos, os Hebreus dizem Elohim no plural. Nós, porém, não dizemos, no plural, nem deuses nem substâncias, para não referirmos a pluralidade à substância.

RESPOSTA À TERCEIRA. – O nome de coisa pertence aos transcendentais. Por isso, enquanto implica relação, predica-se de Deus no plural; mas, quando significa substância, no singular, Por isso, diz Agostinho, no mesmo lugar, que a mesma Trindade é uma realidade suma.

RESPOSTA À QUARTA. – A forma significada pelo nome de pessoa não é a essência ou a natureza, mas a personalidade. Por onde, sendo três as personalidades, i. e, três propriedades pessoais, no Pai, no Filho e no Espírito Santo, dos três se predicam não no singular mas, no plural.

SÃO TOMÁS DE AQUINO, Suma Teológica,




[1] De doctr. Christ., L. I, c. 5.
[2] a. 2
[3] Q. 3, a. 7; q. 11, a. 4
[4] In Symbolo Quicumque

Evangelho do dia e comentário


Natal II Semana



05 de Janeiro

Evangelho: Jo 1, 43-51

43 No dia seguinte, Jesus resolveu ir à Galileia. Encontrou Filipe e disse-lhe: «Segue-Me». 44 Filipe era de Betsaida, pátria de André e de Pedro 45 Filipe encontrou Natanael e disse-lhe: «Encontrámos Aquele de Quem escreveu Moisés na Lei, e os profetas: Jesus de Nazaré, filho de José». 46 Natanael disse-lhe: «De Nazaré pode porventura sair coisa que seja boa?». Filipe disse-lhe: «Vem ver». 47 Jesus viu Natanael, que vinha ter com Ele, e disse dele: «Eis um verdadeiro israelita em quem não há fingimento». 48 Natanael disse-lhe: «Donde me conheces?». Jesus respondeu-lhe: «Antes que Filipe te chamasse, Eu te vi, quando estavas debaixo da figueira». 49 Natanael respondeu: «Mestre, Tu és o Filho de Deus, Tu és o Rei de Israel». 50 Jesus respondeu-lhe: «Porque te disse que te vi debaixo da figueira, acreditas?; verás coisas maiores que esta». 51 E acrescentou: «Em verdade, em verdade vos digo, vereis o céu aberto e os anjos de Deus subir e descer sobre o Filho do Homem».
Comentário:

Deus vê-nos sempre!

Esta a primeira lição deste Evangelho. Onde quer que estejamos, façamos o que fizermos.

Esta certeza deve consolar-nos porque o Senhor não age como um "polícia" dos nossos actos, mas como um amigo íntimo pronto a ajudar-nos, a sugerir-nos que o que fazemos é mal e que devemos corrigir ou, então, que podemos fazer melhor aquilo que fazemos bem.

(ama, comentário sobre Jo 1, 43-51, V Moura, 2011.09.29)

Confidências de alguém

Nota de AMA: 

Estas “confidências” têm, obviamente, um autor, que não se revela; foram feitas em tempo indeterminado, por isso não se lhes atribui a data. O estilo discursivo revela, obviamente, que se tratam de meditações escritas ao correr da pena. A sua publicação deve-se a ter considerado que, nelas se encontram muitas situações e ocorrências que fazem parte do quotidiano que, qualquer um, pode viver.






Esperança e confiança

Hoje, o Senhor atendeu as minhas preces e foi para além do que eu poderia esperar.
De facto, para alem do que eu teria o direito de esperar.
A esperança num futuro melhor, renasceu e eu encaro agora o futuro com novo ânimo.
Deus sabe, muito melhor que eu, o que me convém e o que é melhor para mim e com a Sua sabedoria e a Sua misericórdia permite que as coisas sucedam.
Ao mesmo tempo, com infinita benevolência, vai permitindo que as coisas boas aconteçam, vai doseando e temperando tudo quanto acontece para que seja para meu bem e não para minha perdição.
Faça-se sempre a amabilíssima e santíssima vontade de Deus!
Este é o meu lema, que gravo em letras bem destacadas no meu coração.
Tem de ser esta a minha atitude, permanente, perante os actos do Senhor.
Não uma atitude passiva, mas, sim, colaborante e activa.
Quer dizer, aceito o que o Senhor me dá e permite que aconteça, mas aceito com alegria e, ao fazê-lo, estou disposto a dar seguimento e continuidade ás coisas para que se desenvolvam e frutifiquem.
Peço ao Divino Espírito Santo que desenvolva em mim esta virtude da disponibilidade e aceitação, para que eu me torne um filho autêntico, interessado e submisso.
O Evangelho relata mais um grande milagre de Jesus.
A segunda multiplicação de peixes e pães.
Novamente Jesus, opera a maravilha incrível de transformar trás pães e cinco peixes em alimento para cinco mil homens, fora as mulheres.
E ainda sobraram sete cestos cheios! [i]
Porque o Senhor dá sempre mais que a medida.
Porque o Senhor não quer que se perca nada.
Jesus não é mesquinho, é pródigo na Sua dádiva.
Preocupa-se com os outros.
Deveriam estar com fome ... que se poderia dar de comer?
Jesus poderia ter feito um milagre, talvez, mais simples: fazer com que ninguém sentisse fome. Mas não.
O Senhor quer que as coisas sejam naturais, humanas.
Não quer ser Ele a fazer tudo, por isso, pergunta a Filipe: Que hei-de fazer? [ii]
O Senhor quer ideias, colaboração activa.
Há estes poucos peixes e pães.
É quanto basta para o Senhor.
Com este pouco opera a maravilha e todos ficam saciados.
Mais tarde há que recolher os cestos.
Para que nada se perca, obviamente que não sobra nunca nada da mesa do Senhor, servirá para saciar outros, que em número sempre crescente, se aproximam esfomeados da mesa do Banquete Divino.


[i] Mc. 8, 8
[ii] cfr. Jo. 6, 7

Porquê Deus se esconde? 5

No primeiro capítulo do Evangelho de João conta-se que dois discípulos do Baptista seguiram Jesus. Ele volta-se e pergunta-lhes: “Que procurais?”. Antes, o Baptista tinha assinalado Jesus como o Cordeiro de Deus. Pois bem, à pergunta de Jesus os discípulos respondem-lhe: “Onde vives?”, ao que o Senhor os convida a segui-lo: “vinde e vereis”. Atrevo-me a sugerir que, esta passajem, descreve a estrutura básica da relação entre nosso Senhor e os seus seguidores. Nesta passajem, parece-me, podemos encontrar luz para a pergunta sobre um Deus que se oculta. Vejamo-lo.
Em primeiro lugar, os discípulos do Baptista seguem a Jesus porque o seu mestre o assinalou como o Cordeiro de Deus. Basta esta observação para que os discípulos sigam Jesus. Seguem-no sem O conhecer talvez com curiosidade, porque o seu mestre o tinha identificado com o Cordeiro. É uma notícia extraordinária, mas todavia estranha para eles. Provavelmente o que procuram é comprovar a verdade das palavras de João Baptista.
Com efeito, na nossa vida  Jesus costuma tornar-se presente através de outros que no-lo assinalaram como o Deus vivo, salvador. Outros falaram-nos dele. Padres, catequistas, sacerdotes, amigos. A noticia do Deus feito carne ouvimo-la como uma estranha informação de alguém que fez o bem, milagres, prodígios. A importância pessoal  da notícia de Deus é variável: uns ouvem-na e ignoram-na, outros pelo contrário sentem curiosidade suficiente para saber algo mais  dele. Os discípulos do Baptista, deixando o seu mestre por umas horas, seguem o Messias.
Em segundo lugar, quando o Senhor comprova que alguém se interessa por Ele, volta-se e interpela pessoalmente (“o que procurais?”). É a pergunta que também nos dirige a nós. Não pergunta “o que queres?”, “porque me segues?”. É uma pergunta indefinida quanto ao objecto, mas que supõe que quem o segue busca “algo”. O que buscamos quando nos interessamos pelo Senhor?   É possível que nós próprios não possamos responder com clareza. Num primeiro encontro só sabemos que sentimos uma certa curiosidade por Ele; talvez noutros casos admiração ou inclusive uma pitada de sedução misturada com  desconfiança.

(carlos jariod borrego [1], trad  ama)


[1] Professor de filosofia num Instituto de Toledo e professor convidado de teoria educativa num instituto de ciências religiosas da mesma cidade. Interessado pela educação, presidiu à Federação toledana de CONCAPA durante quatro anos e é co-fundador e presidente da associação toledana de professores Educação e Pessoa.

A tarefa dos pais de família é importantíssima

Textos de São Josemaria Escrivá

Admira a bondade do nosso Pai Deus: não te enche de alegria a certeza de que o teu lar, a tua família, o teu país, que amas com loucura, são matéria de santidade? (Forja, 689)

Comove-me que o Apóstolo qualifique o matrimónio cristão como "sacramentum magnum", sacramento grande. Também daqui deduzo que o trabalho dos pais de família é importantíssimo.

– Participais do poder criador de Deus e, por isso, o amor humano é santo, nobre e bom: uma alegria do coração, à qual Nosso Senhor, na sua providência amorosa, quer que outros livremente renunciemos.
Cada filho que Deus vos concede é uma grande bênção divina: não tenhais medo aos filhos! (Forja, 691)

Nas minhas conversas com tantos casais, insisto em que, enquanto eles viverem e os filhos também viverem, devem ajudá-los a ser santos, sabendo que na terra ninguém será santo. Não faremos mais que lutar, lutar e lutar.
E acrescento: – Vós, mães e pais cristãos, sois um grande motor espiritual, que manda aos vossos filhos fortaleza de Deus para essa luta, para vencer, para que sejam santos. Não os defraudeis! (Forja, 692)

Não tenhas medo de querer bem às almas, por Ele; e não te importes de amar ainda mais aos teus, sempre que, querendo-lhes muito, o ames a Ele milhões de vezes mais. (Sulco, 693)

Pela tua intimidade com Cristo, estás obrigado a dar fruto: Fruto que sacie a fome das almas, quando se aproximarem de ti, no trabalho, no convívio, no ambiente familiar... (Forja, 981)

© Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet

A evolução do evolucionismo 5

O que se deduz da anatomia comparada?

É, sem dúvida, o argumento mais visível. Os paleontólogos costumam referir-se aos tetrápodes – animais de quatro extremidades: anfíbios, repteis, pássaros e mamíferos – que evoluíram a partir de um grupo particular de peixes daletas lobuladas. É um dos muitos exemplos que mostram a evolução a partir da comparação anatómica das espécies. Nos tetrápodes observa-se que os esqueletos das tartarugas, dos cavalos, dos humanos, dos pássaros, das baleias e dos morcegos são surpreendentemente similares, apessar da diversidade dos seus ambientes e modos de vida. Nos casos mencionados, dos membros dianteiros, armados sobre os mesmos ossos, servem a uma tartaruga e a uma balela para nadar, a um cavalo para correr, a um pássaro para voar, e a uma pessoa para escrever. Pelo que parece, as ditas espécies herdaram as suas estruturas ósseas de um antepassado comum, antes de passarem por diversas adaptações.

(jose ramón ayllón, trad. ama)


Música e entretenimento

Maria Callas - La mamma morta


Selecção JMA

04/01/2012

Música e repouso

14 year old plays Liszt's Hungarian Rhapsody No.2








selecção JMA



Leitura Espiritual para 04 Jan 2012

Não abandones a tua leitura espiritual.
A leitura tem feito muitos santos.
(S. josemaria, Caminho 116)



Está aconselhada a leitura espiritual diária de mais ou menos 15 minutos. Além da leitura do novo testamento, (seguiu-se o esquema usado por P. M. Martinez em “NOVO TESTAMENTO” Editorial A. O. - Braga) devem usar-se textos devidamente aprovados. Não deve ser leitura apressada, para “cumprir horário”, mas com vagar, meditando, para que o que lemos seja alimento para a nossa alma.





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Pensamentos inspirados à procura de Deus

À procura de Deus



Se crês em Deus,


crês em ti próprio.



jma

Implosão

Navegando pela minha cidade
Apesar de saber que a implosão ia dar em directo num canal da televisão tinha 

que ir ver. Pela televisão não é mesma coisa. Nunca é. Mas no dia anterior fui fazer o necessário reconhecimento do terreno. Ou seja, dos limites do perímetro de segurança.

Entrei no bairro do Aleixo pela Rua Diogo Botelho em direcção à Rua do Progresso onde encontrei dois ou três sexagenários à conversa no passeio (esta maneira de caracterizar seres humanos pela idade é quase zoológica ou botânica) e parei para perguntar onde era exactamente a Torre 5.

“Tenho aqui um croquis e o senhor vê já”. Dizendo isto um deles mete-me pela janela do carro uma folha A4 com a planta do bairro onde estão sinalizadas as torres com um circulo a marcador amarelo. É esta aqui? Perguntei apontando para a Torre 3. Um... não! essa é onde eu vivo! Indignado e escandalizado foi a resposta do homem arrancando-me o croquis das mãos. “É aquela mesmo à sua frente.”
De facto, a poucos metros de distância, a Torre 5 erguia-se nos seus treze andares de altura, igualzinha a todas as outras. Desci pela Rua da Mocidade até à Rua do Ouro que faz a marginal do rio Douro em frente à Afurada, junto à Cantareira.

Foi esse o sítio que escolhi e em que, no dia seguinte pelas nove da manhã – manhã fria e cinzenta - já lá estava para ver a implosão da Torre 5.
Se sempre que um homem se eleva, eleva toda a humanidade e se sempre que um homem se avilta e degrada, avilta e degrada toda a humanidade o mesmo se pode dizer dos edifícios numa cidade. Ou seja, quando aquelas Torres foram levantadas, levantaram a cidade e os seus habitantes de uma situação inferior.
E agora que uma delas ia ser implodida? Iria também implodir qualquer coisa na cidade ou já tinha sido implodido no coração de tantos e tantos toxicodependentes que usavam aquele bairro e, em particular, aquela torre, como inesgotável fonte de abastecimento da sua dependência degradante?

Essa é a chaga social visível do Aleixo. E tudo o resto? E as dezenas e dezenas de famílias honradas e honestas que contra toda a adversidade do meio ambiente lá vivem, sonham, amam e têm ilusões e esperanças justas e dignas?

E todos opinam. E eu tenho direito a não ter opinião. Porque ter opinião é formular um juízo para o qual não estou qualificado. Foi mais ou menos isto que disse a uma jornalista do Público que pelas dez e meia da manhã me abordou. Mas antes disse-lhe que estava ali para ver a implosão fora de mim, porque as dentro de mim já as conhecia. “Pois, mas isso é outra coisa”, disse-me a jornalista.

E há a polícia, e há pequenos helicópteros comandados por controlo remoto com uma câmara da RTP; e há as ambulâncias do INEM; e há carros de bombeiros e jipes da Protecção Civil e peritos em catástrofes e camiões e retroescavadoras alinhados para atacarem o entulho; e há Sua Excelência o Sr. Presidente da Câmara que, com o nosso dinheiro alugou um enorme barco da Douro Azul para assistir do meio do rio, porque se estivesse na Rua do Ouro teria ouvido o que alguns lhe gritavam: “bandido! ladrão! traficante!”; e há muita gente com máquinas de filmar e fotográficas para registar o momento da implosão como se fosse possível registar o impossível.

E há ex-moradores da Torre 5 e doutras torres que irão talvez para as Antas. Para longe do rio que há dezenas e dezenas de gerações lhes corre perto da vida. Para quanto mais longe melhor, porque aquele espaço agora já vale 15 milhões de euros e eles estragam a vista para a foz do condomínio de luxo que lá se fará.

Quatro ou cinco estoiros e em dois segundos a Torre 5 de treze andares e muitas vidas veio abaixo.  

Afonso Cabral                              


Livres para construir o futuro 2

Durante a sua vida, São Josemaria pôde observar com dor vários fenómenos culturais e sociais que causaram uma forte despersonalização: massificação, diversos tipos de alienações, totalitarismos e ditaduras, deformações devidas ao clericalismo... Perante esses ataques à pessoa e à sua liberdade, São Josemaria reagiu com sensibilidade cristã, saindo em defesa da dignidade de cada ser humano.

Um exemplo da sua valentia na defesa da liberdade de todos os homens e mulheres é o artigo «As riquezas da fé», publicado num jornal diário de Madrid em 1969.

A ele – como a nós – tocou-lhe viver numa situação cultural paradoxal, onde uma forte percepção da liberdade se unia à consciência de que esta se malograva, com frequência, de diversos modos. Entre estes encontra-se a visão parcial da liberdade como pura capacidade de escolha, desligada da perfeição que a pessoa está chamada a conquistar.

© 2011, Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet 2011.07.06

Tratado De Deo Trino 50

Art. 2 – Se devemos dizer que as três Pessoas são de uma só essência.

(I Sent., dist. XXV, exposit. text.; dist. XXXIV, q. 1, a. 2).

O segundo discute-se assim. – Parece que não devemos dizer serem as três Pessoas de uma só essência.

1. – Pois, diz Hilário: O Pai, o Filho e o Espírito Santo são três certamente pela substância, porém um pela consonância [1]. Ora, a substância é a essência de Deus. Logo, não são as três Pessoas de uma só essência.

2. Demais. – Nada devemos afirmar de Deus que não esteja expresso pela autoridade da Sagrada Escritura, como está claro em Dionísio [2]. Ora, nunca a Sagrada Escritura diz, que o Pai, o Filho e o Espírito Santo sejam de uma só essência. Logo, tal não devemos afirmar.

3. Demais. – A natureza divina é o mesmo que a essência divina. Bastaria, pois, dizer, segundo parece, que as três Pessoas têm a mesma natureza.

4. Demais. – Não se costuma dizer, que a pessoa é da essência, mas antes, que esta é daquela. Logo, não parece conveniente dizer, que as três Pessoas são de uma só essência.

5. Demais. – Segundo Agostinho, não dizemos que as três Pessoas provêm de uma só essência, para que se não pense que, em Deus, uma coisa é a essência e outra, a pessoa [3]. Mas como as preposições, também os casos oblíquos encerram a ideia de transição. Donde, pela mesma razão não devemos dizer, que as três Pessoas são de uma só essência.

6. Demais. – O que pode ser ocasião de erro não se deve dizer de Deus. Ora, dizer que as três Pessoas são de uma só essência ou substância dá ocasião a erro. Assim, diz Hilário: A substância una predicada do Pai e do Filho significa ou um ser subsistente, em dois sentidos diversos; ou uma substância dividida em duas substâncias imperfeitas; ou uma terceira substância primária apropriada e assumida pelas duas outras [4]. Por onde, não se deve dizer, que as três Pessoas sejam de uma só substância.

Mas, em contrário, diz Agostinho, que o nome homoousion firmado no Concílio Niceno, contra os Arianos, significa o mesmo que dizer serem as três Pessoas de uma só essência [5].


Como dissemoso nosso intelecto nomeia as coisas divinas, não ao modo delas, pois assim não nas pode conhecer; mas ao modo das coisas criadas. Ora, nas coisas sensíveis, das quais o nosso intelecto tira a sua ciência, a natureza de uma espécie individualiza-se pela matéria, fazendo a natureza a função de forma e o indivíduo, de suposto da forma. Por isso, também em Deus, pelo seu modo de significar, a essência é como a forma em relação às três Pessoas. Assim, na ordem das coisas criadas, dizemos que uma forma pertence ao ser do qual ela é; como a saúde ou a beleza, a um certo homem. Porém não dizemos que um ser, que tem uma forma, pertença a essa forma, senão acrescentando um adjectivo designativo de tal forma; assim, dizemos: que esta mulher é de egrégia forma, este homem é de perfeita virtude. E semelhantemente, como, em Deus, a multiplicidade de pessoas não implica a da essência, dizemos que uma só é a essência das três Pessoas; e que as três Pessoas são de uma só essência, entendendo-se, que esses genitivos são empregados para designarem a forma.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. – Substância, no caso, toma-se como hipóstase e não como essência.

RESPOSTA À SEGUNDA. – Embora não se encontre textualmente dito na Escritura que as três Pessoas são de uma só essência, encontra-se, todavia, esse sentido. Como nos lugares: Eu e o Pai somos uma mesma coisa (Jo 10, 30); O Pai está em mim, e eu no Pai (Jo 38; 14, 10). E o mesmo se conclui de muitos outros lugares.

RESPOSTA À TERCEIRA. – Designando a natureza o princípio do acto, e derivando, porém, a essência do verbo ser, podem considerar-se da mesma natureza os seres que convêm em algum acto, como, p. ex., todos os que aquecem; mas da mesma essência se não podem chamar senão os que têm o mesmo ser. Donde, seja melhor exprimimos a unidade divina dizendo que as três Pessoas são de uma só essência, do que dizendo que são de uma só natureza.

RESPOSTA À QUARTA. – A forma, falando absolutamente, é de ordinário expressa como pertencendo ao ser do qual é; p. ex. a virtude de Pedro. Porém, inversamente, não costumamos dizer, que pertence à forma o ser que a tem, senão quando queremos determiná-la ou designá-la. E então se requerem dois genitivos, significando um a forma e o outro, a determinação dela; como se disséssemos: Pedro é de grande virtude. Ou então requer-se um genitivo com a força de dois, como se disséssemos: Este é homem de sangue, i. e, derramador de muito sangue. Ora, a essência divina, considerada forma em relação à pessoa, convenientemente se chama essência da pessoa. Porém não, inversamente; salvo se se fizer um acréscimo à designação da essência; p. ex., dizendo, que o Pai é uma pessoa de essência divina, ou que as três Pessoas são de uma só essência.

RESPOSTA À QUINTA. – A preposição de (por e de) não designa relação de causa formal, mas antes, de causa eficiente ou material. Ora, estas causas distinguem-se sempre dos seres dos quais o são; pois, nenhum ser é a sua própria matéria ou o seu princípio activo. Porém, há seres, que são a sua própria forma como o demonstram todos os seres imateriais. Logo, quando dizemos que as três Pessoas são de uma só essência, significando essência, forma, não queremos dizer que uma coisa seja a essência e outra, a pessoa, o que assim seria se disséssemos, que as três Pessoas são provenientes da mesma, essência.

RESPOSTA À SEXTA. – Diz Hilário: Muito prejudicadas ficariam as coisas santas se deixassem de o ser porque muitos assim não as reputam. Assim, se entendem mal a expressão homoousion, que isso me importa a mim, que bem a entendo? [7] E antes: Pois, é uma substância pela mesma propriedade de geração e não resul­tante de porções, de uma união ou comunhão [8].

SÃO TOMÁS DE AQUINO, Suma Teológica,



[1] De Synod., in exposit., Fidei Antioch.
[2] I cap. De div. nom.
[3] De Trin., l. VII, c. 6.
[4] De Synod., num. 68.
[5] II Contra Maximum, c. 14 (al. Lib. III).
[6] Q. 13, a. 1, ad 2; a. 3
[7] De Synod., num. 85, 86.
[8] Ibid., num. 71.

Evangelho do dia e comentário


Natal II Semana



04 de Janeiro

Evangelho: Jo 1, 35-42

35 No dia seguinte, João lá estava novamente com dois dos seus discípulos. 36 Vendo Jesus que passava, disse: «Eis o Cordeiro de Deus». 37 Ouvindo as suas palavras, os dois discípulos seguiram Jesus. 38 Jesus, voltando-Se para trás, e vendo que O seguiam, disse-lhes: «Que buscais?». Eles disseram-Lhe: «Rabi (que quer dizer Mestre), onde habitas?». 39 Jesus disse-lhes: «Vinde ver». Foram, viram onde habitava e ficaram com Ele aquele dia. Era então quase a hora décima. 40 André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois que tinham ouvido o que João dissera e que tinham seguido Jesus. 41 Encontrou ele primeiro seu irmão Simão e disse-lhe: «Encontrámos o Messias», que quer dizer Cristo. 42 Levou-o a Jesus. Jesus, fixando nele o olhar, disse: «Tu és Simão, filho de João, tu serás chamado Cefas», que quer dizer Pedra.
Comentário:

João tem uma atitude decisiva no seguimento de Jesus por parte dos dois discípulos: Indica quem é o que passa com um nome que o identifica plenamente.
Quando O aponta como o “Cordeiro de Deus”, sabem muito bem os dois homens a quem João se refere ao empregar este termo das Escrituras.

O Cordeiro de Deus é Aquele que Deus envia para ser sacrificado pelo Seu povo e, desta forma, redimi-lo do pecado e reatar as relações interrompidas com a queda de Adão e Eva.

Indicar o Senhor que passa nas nossa vidas, na vida de cada homem e de cada mulher, é um “trabalho” de apostolado que deve “obrigar” qualquer cristão porque, muitas pessoas, não se dão conta desse Jesus que passa tão perto e disponível… mais… tão desejoso que O sigamos.

Algumas vezes, muitas vezes… Jesus é essa pessoa que se cruza connosco e volve para nós o olhar pedindo ajuda porque tem fome, frio ou qualquer outra carência que, talvez, nós possamos remediar.

Jesus é aquele idoso que permanece na cama do hospital dias e dias sem uma visita de um familiar, um amigo alguém que troque com ele uma palavra, que manifeste algum interesse pela sua pessoa ou que, simplesmente, lhe sorria.

Tal como a de João, o Baptista, a nossa atitude pode também ser decisiva para que esse nosso amigo, parente ou simples conhecido reconheça o Senhor que passa, se sinta atraído pela Sua figura amabilíssima e se decida a segui-lo.

(ama, comentário sobre Jo 1, 35-42, 2011.12.06)