10/05/2013

Evangelho do dia e comentário

Tempo de Páscoa

VI Semana 


Evangelho: Jo 16, 20-23

20 Em verdade, em verdade vos digo que haveis de chorar e gemer, e o mundo se há-de alegrar; haveis de estar tristes, mas a vossa tristeza há-de converter-se em alegria. 21 A mulher, quando dá à luz, está em sofrimento, porque chegou a sua hora, mas, depois que deu à luz a criança, já não se lembra da sua aflição, pela alegria que sente de ter nascido um homem para o mundo. 22 Vós, pois, também estais agora tristes, mas hei-de ver-vos de novo e o vosso coração se alegrará, e ninguém vos tirará a vossa alegria. 23 Naquele dia, não Me interrogareis sobre nada. «Em verdade, em verdade vos digo que, se pedirdes a Meu Pai alguma coisa em Meu nome, Ele vo-la dará.

Comentário:

Pode, talvez, afirmar-se que esta parte do discurso do Senhor é como que o anúncio de uma das principais virtudes que devem ter os Seus Filhos:

A alegria cristã!

Sendo a alegria exactamente o contrário da tristeza, o mesmo será dizer que, os cristãos, não têm motivo algum para estar tristes.

Porquê?

Que maior alegria poderá haver que saber-se Filho de Deus?

(ama, comentário sobre Jo 16, 20-23, 2013.04.10)

Leitura espiritual para 10 Maio


Não abandones a tua leitura espiritual.
A leitura tem feito muitos santos.
(S. josemariaCaminho 116)


Está aconselhada a leitura espiritual diária de mais ou menos 15 minutos. Além da leitura do novo testamento, (seguiu-se o esquema usado por P. M. Martinez em “NOVO TESTAMENTO” Editorial A. O. - Braga) devem usar-se textos devidamente aprovados. Não deve ser leitura apressada, para “cumprir horário”, mas com vagar, meditando, para que o que lemos seja alimento para a nossa alma.

Para ver, clicar SFF.

Resumos da Fé cristã



TEMA 17. A liturgia e os sacramentos em geral
A liturgia cristã é essencialmente actio Dei que nos une a Jesus através do Espírito (cf. Ex. ap. Sacramentum Caritatis, n. 37).

1. O Mistério pascal: mistério vivo e vivificante

As palavras e as acções de Jesus durante a sua vida oculta em Nazaré e no seu ministério público eram salvíficas e antecipavam a força do seu ministério pascal. «Uma vez chegada a sua “Hora” (cf. Jo 13, 1; 17, 1.), Jesus vive o único acontecimento da história que não passa jamais: morre, é sepultado, ressuscita de entre os mortos e senta-Se à direita do Pai “uma vez por todas” (Rm 6, 10; Heb 7, 27; 9, 12). É um acontecimento real, ocorrido na nossa história, mas único; todos os outros acontecimentos da história acontecem uma vez e passam, devorados pelo passado. Pelo contrário, o mistério pascal de Cristo não pode ficar somente no passado, já que pela sua morte, Ele destruiu a morte; e tudo o que Cristo é, tudo o que fez e sofreu por todos os homens, participa da eternidade divina, e assim transcende todos os tempos e em todos se torna presente. O acontecimento da cruz e da ressurreição permanece e atrai tudo para a vida» (Catecismo, 1085).

Como sabemos, «no início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo» 1 Daí que «a fonte da nossa fé e da liturgia eucarística é o mesmo acontecimento: a doação que Cristo fez de Si próprio no mistério pascal» 2.

juan josé silvestre

Bibliografia básica:

Catecismo da Igreja Católica, 1066-1098; 1113-1143; 1200-1211 e 1667-1671.

Leituras recomendadas:

S. Josemaria, Homilia «A Eucaristia, mistério de fé e de amor», em Cristo que Passa, 83-94; também os n. 70 e 80. Temas Actuais do Cristianismo, 115.
J. Ratzinger, Introdução ao Espírito da Liturgia, Edições Paulinas, 2002.
J.L. Gutiérrez-Martín, Belleza y misterio. La liturgia, vida de la Iglesia, EUNSA (Astrolabio), Pamplona 2006, pp. 53-84, 13-126.

__________________
Notas:
1 Bento XVI, Enc. Deus Caritas Est, 25-XII-2005, 1.
2 Bento XVI, Ex. ap. Sacramentum Caritatis, 22-II-2007, 34.

Tratado das paixões da alma 22



Questão 27: Da causa do amor


Art. 3 ― Se a semelhança é causa do amor.

(III Sent., dist. XXVII, q. 1, a . 1, ad 3, De hebdom., lect. I, In Ioann., cap. XV, lect. IV, VIII Ethic., lect. I).


O terceiro discute-se assim. ― Parece que a semelhança não é a causa do amor.



Se alguém não luta...


A alegria é um bem cristão, que possuímos enquanto lutarmos, porque é consequência da paz. A paz é fruto de ter vencido a guerra, e a vida do homem sobre a terra, lemos na Escritura Santa, é luta. (Forja, 105)

A tradição da Igreja sempre se referiu aos cristãos como milites Christi, soldados de Cristo; soldados que dão serenidade aos outros enquanto combatem continuamente contra as suas próprias más inclinações. Às vezes, por falta de sentido sobrenatural, por uma descrença prática, não querem compreender de forma alguma como milícia a vida na Terra. Insinuam maliciosamente que, se nos consideramos milites Christi, há o perigo de utilizarmos a fé para fins temporais de violência, de sedições. Esse modo de pensar é um triste e pouco lógico simplismo, que costuma andar unido ao comodismo e à cobardia.

Nada há de mais estranho à fé católica do que o fanatismo. Este conduz a estranhas confusões, com os mais diversos matizes, entre o que é profano e o que é espiritual. Tal perigo não existe, se a luta se entende como Cristo no-la ensinou, isto é, como guerra de cada um consigo mesmo, como esforço sempre renovado por amar mais a Deus, por desterrar o egoísmo, por servir todos os homens. Renunciar a esta contenda, seja com que desculpa for, é declarar-se de antemão derrotado, aniquilado, sem fé, com a alma caída e dissipada em complacências mesquinhas.

Para o cristão, o combate espiritual diante de Deus e de todos os irmãos na fé é uma necessidade, uma consequência da sua condição. Por isso, se alguém não luta, está a trair Jesus Cristo e todo o Corpo Místico, que é a Igreja. (Cristo que passa, 74)

09/05/2013

Pequena agenda do cristão



Quinta-Feira

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)

Propósito: Participar na Santa Missa.

Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse.Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.

Lembrar-me: Comunhões espirituais.

Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos

Pequeno exame: Cumpri o propósito e lembrei-me do que me propus ontem?


Leitura espiritual para 09 Maio


Não abandones a tua leitura espiritual.
A leitura tem feito muitos santos.
(S. josemariaCaminho 116)


Está aconselhada a leitura espiritual diária de mais ou menos 15 minutos. Além da leitura do novo testamento, (seguiu-se o esquema usado por P. M. Martinez em “NOVO TESTAMENTO” Editorial A. O. - Braga) devem usar-se textos devidamente aprovados. Não deve ser leitura apressada, para “cumprir horário”, mas com vagar, meditando, para que o que lemos seja alimento para a nossa alma.

Para ver, clicar SFF.

Tratado das paixões da alma 21



Questão 27: Da causa do amor


Art. 2 ― Se o conhecimento é causa do amor.

(IIª IIªe, q. 26, a . 2, ad 1, I Sent., dist. XV, q. 4, a . 1, a . 3).



O segundo discute-se assim. ― Parece que o conhecimento não é causa do amor.



RESUMOS DA FÉ CRISTÃ



TEMA 16. Creio na ressurreição da carne e na vida eterna 6

6. As crianças que morrem sem o Baptismo

A Igreja confia à misericórdia de Deus as crianças que morreram sem terem recebido o Baptismo. Há motivos para pensar que Deus, de algum modo, as acolhe, quer pelo grande carinho que Jesus manifestou pelas crianças (cf. Mc 10,14), quer porque enviou o seu Filho com o desejo de que todos os homens se salvem (cf. 1 Tm 2,4). Ao mesmo tempo, o facto de confiar na misericórdia divina não é motivo para diferir a administração do Sacramento do Baptismo às crianças recém-nascidas (CIC 867), que confere uma particular configuração com Cristo: «significa e realiza a morte para o pecado e a entrada na vida da Santíssima Trindade através da configuração com o Mistério pascal de Cristo» (Catecismo, 1239).

paul o’callaghan

Bibliografia básica:

Catecismo da Igreja Católica, 988-1050.

Leituras recomendadas:

João Paulo II, Catequese sobre o Credo IV: Credo en la vida eterna, Palabra, Madrid 2000 (audiências de 25-V-1999 a 4-VIII-1999).
Bento XVI, Enc. Spe Salvi, 30-XI-2007.
São Josemaria, Homilia «A esperança do cristão», em Amigos de Deus, 205-221.


(Resumos da Fé cristã: © 2013, Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet)

O Senhor procura o meu pobre coração


Quantos anos a comungar diariamente! – Outro seria santo – disseste-me – e eu, sempre na mesma! – Filho – respondi-te – continua com a Comunhão diária, e pensa: que seria de mim, se não tivesse comungado? (Caminho, 534)

Recordai – saboreando, na intimidade da alma, a infinita bondade divina – que, pelas palavras da Consagração, Cristo vai tornar-se realmente presente na Hóstia, com o seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade. Adorai-O com reverência e devoção; renovai na sua presença o oferecimento sincero do vosso amor; dizei-lhe sem medo que Lhe quereis; agradecei-lhe esta prova diária de misericórdia tão cheia de ternura, e fomentai o desejo de vos aproximardes da comunhão com confiança. Eu surpreendo-me perante este mistério de Amor: o Senhor procura como trono o meu pobre coração, para não me abandonar, se eu não me afastar d'Ele.

Reconfortados pela presença de Cristo, alimentados pelo seu Corpo, seremos fiéis durante esta vida terrena, e mais tarde no Céu, junto de Jesus e de Sua Mãe, chamar-nos-emos vencedores. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Demos graças a Deus que nos trouxe a vitória, pela virtude de Nosso Senhor Jesus Cristo. (Cristo que passa, 161)

Um antigo papiro de interpretação incerta


A “mulher” de Jesus.


O fragmento de papiro que menciona Jesus dizendo "minha esposa" tem tão poucas linhas que não admite uma interpretação segura e, em qualquer caso, não prova nada sobre factos históricos, como adverte a própria descobridora.
Entre 17 e 22 de Setembro passados teve lugar em Roma o X Congresso Internacional de Estudos Coptas. Entre as mais de duzentas propostas e comunicações só uma foi difundida na imprensa: a apresentação de um novo fragmento de papiro de carácter evangélico no qual Jesus fala de "minha esposa". A autora da nova descoberta é a professora da Universidade de Harvard Karen L. King, reconhecida pelos seus estudos em história do cristianismo antigo. Ainda que não tenha formação estritamente papirológica, King contou com a ajuda de especialistas na matéria para a edição deste fragmento. O texto provisório da futura publicação está disponível na Net.
O fragmento chegou às mãos da professora King através de um colecionador privado que quis manter o anonimato. É de dimensões muito reduzidas (4 cm de altura, por 8 de largura) e está escrito em copta. Contém restos de oito linhas de um lado e seis muito danificadas e mal legíveis pelo outro lado. Como não se conserva nenhuma das margens, não sabemos quanto texto se perdeu entre uma linha e outra. A data proposta por King segundo critérios paleográficos é a de finais do século IV. Assinala também que a fotografia do papiro levantou certas dúvidas quanto à autenticidade em alguns especialistas que tiveram oportunidade de a ver. Outros, pelo contrário, mostraram-se a favor dela. À espera de alguns estudos técnicos por fazer, a professora de Harvard admite que a questão da autenticidade "não está absolutamente resolvida para lá de toda a dúvida".
Um texto gnóstico de carácter não histórico.

O mal e a suspeita sobre Deus (II) 5


O problema do mal - insiste Fabro - não admite uma solução puramente filosófica. Só a fé cristã é uma solução positiva. Para os que amam a Deus, tudo coopera ao bem, escreveu São Paulo. Aí chega-se pela fé, que passa pela humildade de saber-se incapaz de abarcar a grandeza infinita do amor de Deus. Nós conhecemos e acreditamos o amor que Deus nos tem, escreve São João. Ainda que nunca logremos captá-lo completamente, sabemos que sempre é justo e misericordioso, que existe outra vida, explicação de muitos acontecimentos que aqui não entendemos; que a existência terrena, ainda que com as suas durezas, está envolta na esperança e o optimismo dos filhos de Deus; que o homem não é uma paixão inútil nem um ser para a morte — como afirmou Sartre —, mas para a vida; que a liberdade não é algo tão simples como gozar o imediato, mas que consiste em buscar a verdade e o bem que nos tornam verdadeiros e bons, tal como disse Bento XVI em Colónia; «unimo-nos ao Criador pelo exercício da nossa liberdade: podemos render ou negar ao Senhor a glória que Lhe corresponde como autor de tudo o que existe», lê-se em amigos de Deus . Por certo essa glória consiste, como disse Santo Ireneu, não próprio homem que vive; quer dizer, a liberdade engrandece-nos ao permitir que esse Deus se manifeste em nós para fazer crescer a nossa dignidade. Assim, em palavras de São Josemaria, afogaremos o mal na abundância de bem.

 

Paulo cabellos llorente, [i] trad ama



[i] Doutor em Direito Canónico, e Ciências da Educação

08/05/2013

Evangelho do dia e comentário


Tempo de Páscoa

VI Semana 

Evangelho: Jo 16, 16-20

16 «Um pouco, e já não Me vereis; outra vez um pouco, e ver-Me-eis, porque vou para o Pai». 17 Disseram então entre si alguns dos Seus discípulos: «Que é isto que Ele nos diz: Um pouco, e já não Me vereis, e outra vez um pouco, e ver-Me-eis? Que significa também: Porque vou para o Pai?». 18 Diziam pois: «Que é isto que Ele diz: Um pouco? Não sabemos o que Ele quer dizer». 19 Jesus, conhecendo que queriam interrogá-l'O, disse-lhes: «Vós perguntais uns aos outros porque é que Eu disse: Um pouco, e já não Me vereis, e outra vez um pouco, e ver-Me-eis. 20 Em verdade, em verdade vos digo que haveis de chorar e gemer, e o mundo se há-de alegrar; haveis de estar tristes, mas a vossa tristeza há-de converter-se em alegria.

Comentário:

Uma outra vez, Jesus repete, quase com as mesmas palavras, o que se irá passar daí a poucas horas.

É, também, o estilo oriental de discursar da época, mas, de facto, Cristo quer que fique bem gravado na mente dos discípulos, tudo quanto diz que irá acontecer para que, quando acontecer, eles se lembrem que lho dissera de antemão e assim se reforce a sua Fé e Confiança em Si, como o Messias Salvador.

(ama, comentário sobre Jo 16, 16-20, 2012.05.18)

Pequena agenda do cristão



Quarta-Feira

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)

Propósito: Simplicidade e modéstia.

Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha ‘importância’, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.

Lembrar-me: Do meu Anjo da Guarda.

Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.
Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.

Pequeno exame: Cumpri o propósito e lembrei-me do que me propus ontem?


Leitura espiritual para 08 Maio


Não abandones a tua leitura espiritual.
A leitura tem feito muitos santos.
(S. josemariaCaminho 116)


Está aconselhada a leitura espiritual diária de mais ou menos 15 minutos. Além da leitura do novo testamento, (seguiu-se o esquema usado por P. M. Martinez em “NOVO TESTAMENTO” Editorial A. O. - Braga) devem usar-se textos devidamente aprovados. Não deve ser leitura apressada, para “cumprir horário”, mas com vagar, meditando, para que o que lemos seja alimento para a nossa alma.

Para ver, clicar SFF.

Tratado das paixões da alma 20





Questão 27: Da causa do amor

Em seguida devemos tratar da causa do amor.

E sobre esta questão quatro artigos se discutem:
Art. 1 ― Se o bem é a causa única do amor.
Art. 2 ― Se o conhecimento é causa do amor.
Art. 3 ― Se a semelhança é causa do amor.
Art. 4 ― Se as outras paixões podem ser causa do amor.



Art. 1 ― Se o bem é a causa única do amor.

(Infra, q. 29, a . 1).

O primeiro discute-se assim. ― Parece que o bem não é a causa única do amor.


RESUMOS DA FÉ CRISTÃ



TEMA 16. Creio na ressurreição da carne e na vida eterna 5

5. A purificação necessária para o encontro com Deus

«Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não de todo purificados, embora seguros da sua salvação eterna, sofrem depois da morte uma purificação, a fim de obterem a santidade necessária para entrar na alegria do céu» (Catecismo, 1030). Pode pensar-se que muitos homens, mesmo que não tenham vivido uma vida santa na terra, não se manterão definitivamente no pecado. A possibilidade de serem limpos das impurezas e imperfeições da vida, mais ou menos malograda, depois da morte apresenta-se, então, como una nova bondade de Deus, como uma oportunidade para se preparar para entrar na comunhão íntima com a santidade de Deus. «O purgatório é uma misericórdia de Deus, para limpar os defeitos dos que desejam identificar-se com Ele» 13.

O Antigo Testamento fala da purificação ultra-terrena (cf. 2 Mt 12,40-45). São Paulo na primeira Carta aos Coríntios (1 Cor 3,10-15) apresenta a purificação cristã, nesta vida e na futura, através da imagem do fogo; fogo que, de algum modo, emana de Jesus Cristo, Salvador, Juiz e Fundamento da vida cristã 14. Embora a doutrina do Purgatório não tenha sido definida formalmente até à Idade Média 15, a antiquíssima e unânime prática de oferecer sufrágios pelos defuntos, especialmente mediante e santo Sacrifício eucarístico, é indício claro da fé da Igreja na purificação ultra-terrena. Com efeito, não teria sentido rezar pelos defuntos se estivessem, ou já salvos no céu ou, então, condenados no inferno. Os protestantes, na sua maioria, negam a existência do purgatório, já que lhes parece uma confiança excessiva nas obras humanas e na capacidade da Igreja de interceder pelos que deixaram este mundo.

Mais do que um lugar, o purgatório deve ser considerado como um estado de temporário e doloroso afastamento de Deus, em que se perdoam os pecados veniais, se purifica a inclinação para o mal, que o pecado deixa na alma, e se supera a “pena temporal” devida ao pecado. O pecado não só ofende a Deus, e causa dano ao próprio pecador mas, através da comunhão dos Santos, causa dano à Igreja, ao mundo, à humanidade. A oração da Igreja pelos defuntos restabelece, de algum modo, a ordem e a justiça: principalmente por meio da Santa Missa, das esmolas, das indulgências e das obras de penitência (cf. Catecismo, 1032).

Os teólogos ensinam que no purgatório se sofre muito, de acordo com a situação de cada um. No entanto, trata-se de uma dor com significado, «uma dor feliz» 16. Por isso, convidam-se os cristãos a procurar a purificação dos pecados na vida presente mediante a contrição, a mortificação, a reparação e a vida santa.

paul o’callaghan

Bibliografia básica:

Catecismo da Igreja Católica, 988-1050.

Leituras recomendadas:

João Paulo II, Catequese sobre o Credo IV: Credo en la vida eterna, Palabra, Madrid 2000 (audiências de 25-V-1999 a 4-VIII-1999).
Bento XVI, Enc. Spe Salvi, 30-XI-2007.
São Josemaria, Homilia «A esperança do cristão», em Amigos de Deus, 205-221.


(Resumos da Fé cristã: © 2013, Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet)
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Notas

13 São Josemaria, Sulco, 889.

Tantos anos a lutar...


Surgiram nuvens negras de falta de vontade, de perda de entusiasmo. Caíram aguaceiros de tristeza, com a clara sensação de te encontrares atado. E, como remate, vieram os desânimos, que nascem de uma realidade mais ou menos objectiva: tantos anos a lutar... e ainda estás tão atrasado, tão longe! Tudo isso é necessário, e Deus conta com isso. Para conseguirmos o "gaudium cum pace" – a paz e a alegria verdadeiras – havemos de acrescentar à certeza da nossa filiação divina, que nos enche de optimismo, o reconhecimento da nossa própria fraqueza pessoal. (Sulco, 78)

Mesmo nos momentos em que percebemos mais profundamente a nossa limitação, podemos e devemos olhar para Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo, sabendo-nos participantes da vida divina. Nunca existe razão suficiente para voltarmos atrás: o Senhor está ao nosso lado. Temos que ser fiéis, leais, encarar as nossas obrigações, encontrando em Jesus o amor e o estímulo para compreender os erros dos outros e superar os nossos próprios erros. Assim, todos esses desalentos – os teus, os meus, os de todos os homens – servem também de suporte ao reino de Cristo.

Reconheçamos as nossas fraquezas, mas confessemos o poder de Deus. O optimismo, a alegria, a convicção firme de que o Senhor quer servir-se de nós têm de informar a vida cristã. Se nos sentirmos parte dessa Igreja Santa, se nos considerarmos sustentados pela rocha firme de Pedro e pela acção do Espírito Santo, decidir-nos-emos a cumprir o pequeno dever de cada instante: semear todos os dias um pouco. E a colheita fará transbordar os celeiros. (Cristo que passa, 160)

O quadro


O mal e a suspeita sobre Deus (II) 4


Camus, que imputou ao cristianismo toda a reata de males padecidos pela humanidade, só chega a concluir que o homem é um absurdo. Para o marxismo era um ser explorado, mas resultava mais optimista porque ao menos pensada na possibilidade de um paraíso na terra, ainda que tenha resultado falso. Também é certo que Camus faz uma chamada para diminuir as crianças torturadas e convida a os crentes ao diálogo.
De todos modos, não é aceitável a interpretação feita à resposta cristã sobre o mal. É certo que houve, e há, homens da Igreja com lacunas e erros, mas a sua pregação sobre a paternidade de Deus e o amor ao próximo levou milhões de almas a socorrer de mil maneiras ao que sofre. O dom de sim mesmo é um ponto ao que deve aspirar o crente em Cristo. Camus observa uma situação de desorientação geral, de «contradição essencial». Tem o mérito, quiçá como o marxismo, de tê-lo advertido, mas não nos tira do atoleiro.

 

Paulo cabellos llorente, [i] trad ama



[i] Doutor em Direito Canónico, e Ciências da Educação