O problema do mal - insiste Fabro - não admite uma
solução puramente filosófica. Só a fé cristã é uma solução positiva. Para os
que amam a Deus, tudo coopera ao bem, escreveu São Paulo. Aí chega-se pela fé,
que passa pela humildade de saber-se incapaz de abarcar a grandeza infinita do
amor de Deus. Nós conhecemos e acreditamos o amor que Deus nos tem, escreve São
João. Ainda que nunca logremos captá-lo completamente, sabemos que sempre é
justo e misericordioso, que existe outra vida, explicação de muitos acontecimentos
que aqui não entendemos; que a existência terrena, ainda que com as suas
durezas, está envolta na esperança e o optimismo dos filhos de Deus; que o
homem não é uma paixão inútil nem um ser para a morte — como afirmou Sartre —,
mas para a vida; que a liberdade não é algo tão simples como gozar o imediato,
mas que consiste em buscar a verdade e o bem que nos tornam verdadeiros e bons,
tal como disse Bento XVI em Colónia; «unimo-nos ao Criador pelo exercício da
nossa liberdade: podemos render ou negar ao Senhor a glória que Lhe corresponde
como autor de tudo o que existe», lê-se em amigos de Deus . Por
certo essa glória consiste, como disse Santo Ireneu, não próprio homem que
vive; quer dizer, a liberdade engrandece-nos ao permitir que esse Deus se
manifeste em nós para fazer crescer a nossa dignidade. Assim, em palavras de
São Josemaria, afogaremos o mal na abundância de bem.Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
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09/05/2013
O mal e a suspeita sobre Deus (II) 5
O problema do mal - insiste Fabro - não admite uma
solução puramente filosófica. Só a fé cristã é uma solução positiva. Para os
que amam a Deus, tudo coopera ao bem, escreveu São Paulo. Aí chega-se pela fé,
que passa pela humildade de saber-se incapaz de abarcar a grandeza infinita do
amor de Deus. Nós conhecemos e acreditamos o amor que Deus nos tem, escreve São
João. Ainda que nunca logremos captá-lo completamente, sabemos que sempre é
justo e misericordioso, que existe outra vida, explicação de muitos acontecimentos
que aqui não entendemos; que a existência terrena, ainda que com as suas
durezas, está envolta na esperança e o optimismo dos filhos de Deus; que o
homem não é uma paixão inútil nem um ser para a morte — como afirmou Sartre —,
mas para a vida; que a liberdade não é algo tão simples como gozar o imediato,
mas que consiste em buscar a verdade e o bem que nos tornam verdadeiros e bons,
tal como disse Bento XVI em Colónia; «unimo-nos ao Criador pelo exercício da
nossa liberdade: podemos render ou negar ao Senhor a glória que Lhe corresponde
como autor de tudo o que existe», lê-se em amigos de Deus . Por
certo essa glória consiste, como disse Santo Ireneu, não próprio homem que
vive; quer dizer, a liberdade engrandece-nos ao permitir que esse Deus se
manifeste em nós para fazer crescer a nossa dignidade. Assim, em palavras de
São Josemaria, afogaremos o mal na abundância de bem.
Paulo cabellos llorente, [i] trad ama
08/05/2013
O mal e a suspeita sobre Deus (II) 4
Camus, que imputou ao cristianismo toda a reata de
males padecidos pela humanidade, só chega a concluir que o homem é um absurdo.
Para o marxismo era um ser explorado, mas resultava mais optimista porque ao
menos pensada na possibilidade de um paraíso na terra, ainda que tenha
resultado falso. Também é certo que Camus faz uma chamada para diminuir as
crianças torturadas e convida a os crentes ao diálogo.
De todos modos, não é aceitável a interpretação feita
à resposta cristã sobre o mal. É certo que houve, e há, homens da Igreja com
lacunas e erros, mas a sua pregação sobre a paternidade de Deus e o amor ao
próximo levou milhões de almas a socorrer de mil maneiras ao que sofre. O dom
de sim mesmo é um ponto ao que deve aspirar o crente em Cristo. Camus observa
uma situação de desorientação geral, de «contradição essencial». Tem o mérito,
quiçá como o marxismo, de tê-lo advertido, mas não nos tira do atoleiro.
Paulo cabellos llorente, [i] trad ama
07/05/2013
O mal e a suspeita sobre Deus (II) 3
Só Deus pode brindar-nos com a sua ajuda ante o mal.
Os que disseram que a religião era o ópio do povo - e continua-se afirmando de
outro modo - privaram esse povo, não de um consolo fácil, de tontos, mas do
fundamento da sua vida, da sua liberdade e do seu bem-fazer cidadão. Pense-se
sem preconceitos e observar-se-á que um homem sem Deus perde o sentido da sua
vida, porque é difícil que viva esta realidade afirmada por João Paulo II: é-se
homem quando se tem saber teórico e capacidade prática para responder a estas
três perguntas: porque é que estou aqui? Porque é que existo? O que devo fazer?
O ateísmo marxista só engendrou esterilidade, receio,
suspeita, má consciência. E, logo, na reacção contrária - pensamento débil,
relativismo, etc. -, uma liberdade desorientada que, privada do seu fundamento,
se converte em algo muito leve, incapaz do bem, aspirante unicamente a
consumir, a ter em vez de aspirar a ser, a dominar, o gozo imediato que se
desvanece.
Paulo cabellos llorente, [i] trad ama
06/05/2013
O mal e a suspeita sobre Deus (II) 2
Parece indiscutível que se nós cristãos fossemos
inteiramente coerentes com nossa fé, o mal do mundo diminuiria muito
consideravelmente. Ao invés, é muito duvidoso que o laicismo e o ateísmo pudessem
conseguir algo semelhante. Só esta ideia bastaria para nos decidir-mos a obrar
pensando que existe um Deus providente. Seria muito mais proveitoso que actuar
«etsi Deus non daretur» ('como se Deus não existisse').
Nenhum tipo de ateísmo tem nada com que afrontar a
guerra de todos contra todos, e mais, existiu e ainda existe, o ateísmo
marxista que, opondo somente a retórica do materialismo dialéctico e do
materialismo histórico, não fez mais que sancionar o domínio do mal e até a
legitimidade do ódio e a vingança.
Paulo cabellos llorente, [i] trad ama
05/05/2013
O mal e a suspeita sobre Deus (II) 1
O problema do mal anda à volta de dois grandes temas:
a liberdade humana e a existência de Deus. Porque Deus poderia destruir o mal,
mas não sem destruir a nossa liberdade. Mas, sem Deus não haveria criatura, não
haveria liberdade, porque sem esta não pode elevar-se acima da antítese do bem
e do mal — dizia o professor Fabro — e lutar por consolidar o primeiro e
diminuir o segundo, a vida humana fica abandonada — inclusive depois de Cristo
e contando com a fé em Deus — ao capricho da fatalidade, e não permaneceria
nenhum fundamento para distinguir o bem do mal. Sem essa base ficam as soluções
do pensamento moderno que, actuando como se Deus não existisse, são
desesperadas e ambíguas.
O mal é uma prova da liberdade defectível do homem. É
certo que tampouco constitui uma prova da existência de Deus, mas é preciso
admitir que o ateísmo fica sem fundamento para a liberdade e sem palavras para
aliviar afundo a dor, porque não admite mais o finito, nega ao homem a
possibilidade de uma justiça infinita final, rejeita a paternidade de Deus, a
redenção do Filho e a santificação e sanação do Espírito Santo.
Paulo cabellos llorente, [i] trad ama
04/05/2013
O mal e a suspeita sobre Deus (I) 4
O mal físico e o moral existem desde que o mundo é
mundo, sendo atribuível - como faz o professor Fabro - à desordem produzida na
natureza pelo pecado original. A liberdade é capaz de fazer o bem o mal, e
inclusive pode aliviar o mal alheio e suportar o próprio como uma purificação.
Esta faz mais livre porque tira os egoísmos que obscurecem a possibilidade de
abertura ao infinito. A existência do mal na sociedade - incluída a religiosa -
é um dado inevitável, o que quadra com a grandeza de um Deus que, além do ser,
deu ao homem seu dom mais alto: a liberdade e o amor. A experiência demonstra
que não existe, nem pode existir demonstração alguma contra Deus e a vida
futura; ao contrário: só um Deus bom, omnipotente e providente, que promete uma
vida futura, pode constituir a explicação ao mal. Quem, senão Ele? No 11-M Deus
estava dando a Sua vida na Cruz pelos mortos, exprimindo a Sua dor pelos
feridos, sofrendo pelos que tão atrozmente empregaram o dom da liberdade.03/05/2013
O mal e a suspeita sobre Deus (I) 3
Talvez o sofrimento das crianças seja o problema mais
perturbador para aceitar a existência de Deus. O aborto também? Em meu entender,
sim. A vinda de Deus à terra fazendo-se homem começa praticamente com o
horrível crime perpetrado por Herodes contra os inocentes de Belém e sua
comarca. Algum autor se serviu deste episódio para falar de «a crudelíssima
narração do sangue das vítimas inocentes que Deus se imola a se mesmo». O
comportamento irracional de Herodes é atribuído a Deus. São João Crisóstomo
conta que o crime tinha provocado sérias dúvidas sobre a justiça de Deus
porque, ainda que Herodes fosse sanguinário, porque é que Deus permitiu uma
injustiça tão brutal? Desde a fé, desde a crença numa vida melhor depois da
terrena, também existe resposta ao interrogante: talvez fosse melhor para eles
perecer que a possível vida que os esperava, ou o difícil de conseguir da que
conta verdadeiramente: a eterna. Ou, em qualquer caso, um respeito divino da
vontade humana, de que Deus obtém o melhor, ainda que se nos oculte. Mas, a
nossos olhos, a tragédia fica de pé, ao menos para os que seguem o seu próprio
juízo, para por sob suspeita um Deus, que declaram inexistente em vez de o
pensar inabarcável.02/05/2013
O mal e a suspeita sobre Deus (I) 2
Aqui o grande tema é a liberdade. Deus quis-nos
realmente livres face a Ele, mais livres que face ao resto dos homens, que hão-de
defender-se desses males através de leis. Deus assinalou-nos um caminho com a
lei natural, mas não coage, quer que a história de cada um seja uma história
verdadeira. Por certo, em muitas ocasiões, queixamo-nos de falta de liberdade
porque a Igreja, sem mais coacção que o amor, nos recorda os dez mandamentos.
Mas também deitamos a culpa a Deus quando a liberdade humana é capaz das tropelias
enunciadas previamente ao “saltar” a lei natural, inclusive e não poucas vezes,
de forma legal.
Não obstante, permanece o problema, sobretudo se se
pensa nas doenças das crianças dos débeis não originadas pela força do homem,
nas catástrofes naturais, mas também no mal moral. O mal físico e o mal moral
continuam perturbando muitos porque nenhuma filosofia está em condições de dar
razão a esse problema. E a teologia - afirma Fabro -, se não quer irritar, só
pode ajudar uma fé escorreita, ao abandono em Deus, que sabe mais. Mas nem
todos têm esse valor ao seu alcance. Este abandono é precisamente a prova do
nosso amor por Ele e o selo da fé. Para o cristão que deseja pertencer a Cristo
a receita é crer, amar e abandonar-se em Deus. Mas, insisto, nem toda a gente
tem essa atitude, nem todos utilizam tão amplamente a sua liberdade, porque
deixar-se levar por Deus exige o seu profundo e comprometido exercício.
Paulo cabellos llorente, [i] trad ama
01/05/2013
O mal e a suspeita sobre Deus (I)
A existência do mal foi sempre um grande problema para
os que creem em Deus, mas também, e pensa-se pouco nisto, para os que se dizem
ateus. Os teístas - por exemplo, Santo Agostinho ou Tomás d’Aquino - estudaram
em profundidade o tema desde o ponto de vista teológico com diversos enfoques e
argumentos variados. Um artigo publicado há anos por Cornélio Fabro, grande
filósofo, teólogo e professor universitário, recolhia o itinerário argumental
destes autores, que é impossível repetir aqui, ainda que se utilizem algumas
das suas ideias.
Parece óbvio que grande quantidade dos males
produzidos não mundo procede da liberdade humana: guerras, assassinatos,
terrorismo, abortos, crimes de Estado como os do nazismo ou o comunismo,
martírios por motivos religiosos, deslealdades, abusos contra o necessitado,
infidelidades matrimoniais, transmissão de determinadas doenças, mau emprego do
poder, arbitrariedades legais e não legais, desperdícios, comissões ilícitas,
etc., etc. Ora bem, está claro que um Deus omnipotente poderia impedir tudo
isso. Porque é que não o faz, se existe? Evidentemente, navegamos no mistério.
Se não fosse assim, Deus não seria tal, um Deus completamente inteligível por
um homem careceria da infinidade do Ser Supremo. Mas algo, sim, se pode
entrever.
Paulo cabellos llorente, [ii] trad ama
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