02/05/2013

O mal e a suspeita sobre Deus (I) 2


Aqui o grande tema é a liberdade. Deus quis-nos realmente livres face a Ele, mais livres que face ao resto dos homens, que hão-de defender-se desses males através de leis. Deus assinalou-nos um caminho com a lei natural, mas não coage, quer que a história de cada um seja uma história verdadeira. Por certo, em muitas ocasiões, queixamo-nos de falta de liberdade porque a Igreja, sem mais coacção que o amor, nos recorda os dez mandamentos. Mas também deitamos a culpa a Deus quando a liberdade humana é capaz das tropelias enunciadas previamente ao “saltar” a lei natural, inclusive e não poucas vezes, de forma legal.
Não obstante, permanece o problema, sobretudo se se pensa nas doenças das crianças dos débeis não originadas pela força do homem, nas catástrofes naturais, mas também no mal moral. O mal físico e o mal moral continuam perturbando muitos porque nenhuma filosofia está em condições de dar razão a esse problema. E a teologia - afirma Fabro -, se não quer irritar, só pode ajudar uma fé escorreita, ao abandono em Deus, que sabe mais. Mas nem todos têm esse valor ao seu alcance. Este abandono é precisamente a prova do nosso amor por Ele e o selo da fé. Para o cristão que deseja pertencer a Cristo a receita é crer, amar e abandonar-se em Deus. Mas, insisto, nem toda a gente tem essa atitude, nem todos utilizam tão amplamente a sua liberdade, porque deixar-se levar por Deus exige o seu profundo e comprometido exercício.

Paulo cabellos llorente, [i] trad ama



[i] Doutor em Direito Canónico, e Ciências da Educação

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