06/05/2011

Sobre a família 43

Como acertar com a minha vida

Continuação

Um dia, já velho e cansado, sentindo próxima a morte, decide por fim fazer algo valioso: afrontar aquele perigo, enfrentar-se com aquele animal que tinha visto muitas vezes, cada vez que se aproximava do mar, a certa distância da costa.
Uma noite colheu um arpão, subiu a uma pequena barca e entrou mar a dentro. Passado pouco tempo aquele focinho horrível assomou junto da barca.

"Aqui me tens, agora é assunto dos dois", disse o nosso homem; e levantou o arpão para o lançar contra o Colombre.

Mas então sucedeu algo extraordinário. O peixe começou a falar, com, com voz suplicante:
"Ah, que longo caminho para te encontrar. Também eu estou destroçado pela fadiga. Quanto me fizeste nadar! E tu fugias e fugias… porque nunca entendeste nada".

"A que te referes?", perguntou o homem, surpreendido.

"Ah! que não te segui para te devorar. O único encargo que o rei do mar me deu foi entregar-te isto". E o grande peixe tirou a língua, estendendo ao ancião uma esfera fosforescente. Ele colheu-a entre as mãos e a olhou-a. Era uma pérola de desmesurado tamanho.

Imediatamente reconheceu que aquela era a famosa pérola do mar, que dá fortuna poder, amor e paz de espírito a quem a possua.

juan manuel roca, in FLUVIUM, trad ama

Evangelho do dia e comentário

Páscoa - II Semana


Evangelho: Jo 6, 1-15

1 Depois disto, passou Jesus ao outro lado do mar da Galileia, isto é, de Tiberíades. 2 Seguia-O uma grande multidão porque via os milagres que fazia em favor dos doentes. 3 Jesus subiu a um monte e sentou-Se ali com os Seus discípulos. 4 Ora a Páscoa, a festa dos judeus, estava próxima. 5 Jesus, então, tendo levantado os olhos e visto que vinha ter com Ele uma grande multidão, disse a Filipe: «Onde compraremos pão para dar de comer a esta gente?». 6 Dizia isto para o experimentar, porque sabia o que havia de fazer. 7 Filipe respondeu-Lhe: «Duzentos denários de pão não bastam para que cada um receba um pequeno bocado». 8 Um de Seus discípulos, André, irmão de Simão Pedro, disse-Lhe: 9 «Está aqui um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixes, mas que é isso para tanta gente?». 10 Jesus, porém, disse: «Mandai sentar essa gente». Havia naquele lugar muita relva. Sentaram-se, pois; os homens em número de cerca de cinco mil. 11 Tomou, então, Jesus os pães e, tendo dado graças, distribuiu-os entre os que estavam sentados; e igualmente distribuiu os peixes, tanto quanto quiseram. 12 Estando saciados, disse aos Seus discípulos: «Recolhei os pedaços que sobraram para que nada se perca». 13 Eles os recolheram, e encheram doze cestos de pedaços dos cinco pães de cevada, que sobraram aos que tinham comido. 14 Vendo então aqueles homens o milagre que Jesus fizera, diziam: «Este é verdadeiramente o profeta que deve vir ao mundo». 15 Jesus, sabendo que O viriam arrebatar para O fazerem rei, retirou-Se de novo, Ele só, para o monte.

Meditação:

Neste trecho do Evangelho é para mim difícil fugir à tentação da ''contabilidade'' dos poucos números referenciados.
Será uma tentação boa porque me leva a assombrar-me mais e mais com a magnificência do milagre

Mas, depois, penso: o que interessa os cinco mil homens saciados, ou os doze cestos que sobraram? Acaso se o número de pessoas fosse outro - o dobro... O triplo - não teriam, igualmente, ficado saciados?

E, na verdade, Jesus não podia ter feito com que sobrassem bocados suficientes para encher cem cestos?

Claro que sim e, por se aperceberem do verdadeiro e absoluto poder de Cristo, é que, entusiasmados, o queriam fazer Rei.

(ama, Comentário sobre Jo 6, 1-15, 2010.04.15)

05/05/2011

Diálogos apostólicos

Diálogos



Evidentemente que qualquer ser humano pode invocar a Santíssima Virgem como sua Mãe!

É um direito adquirido, uma maternidade que o próprio Filho de Deus tornou real e concreta.





ama , 2011.05.05

Meu Senhor e meu Deus!






Comentário:


(Belíssima reflexão-meditação sobre um momento tão extraordinário como é o da Consagração do pão e do vinho no Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo!

Quando se interioriza a invocação de São Tomé vê-se bem a profundidade que atinge, a rendição que representa, a adoração que está inerente.

Quando assim acontece a alma fica abismada na imensidão do Mistério e o coração expande-se num acto de amor completo, total e sem condições.) (5/5/11 13:12)

TEXTOS DE SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ

“Mãe! – Chama-a bem alto”


Mãe! – Chama-a bem alto. – Ela, a tua Mãe Santa Maria, escuta-te, vê-te em perigo talvez, e oferece-te, com a graça do seu Filho, o consolo do seu regaço, a ternura das suas carícias. E encontrar-te-ás reconfortado para a nova luta. (Caminho, 516)

Intimidade com Maria
De uma maneira espontânea, natural, surge em nós o desejo de conviver com a Mãe de Deus, que é também nossa mãe; de conviver com Ela como se convive com uma pessoa viva, porque sobre Ela não triunfou a morte; está em corpo e alma junto a Deus Pai, junto a seu Filho, junto ao Espírito Santo.
Para compreendermos o papel que Maria desempenha na vida cristã, para nos sentirmos atraídos por Ela, para desejar a sua amável companhia com filial afecto, não são precisas grandes especulações, embora o mistério da Maternidade divina tenha uma riqueza de conteúdo sobre a qual nunca reflectiremos bastante.

Temos de amar a Deus com o mesmo coração com que amamos os nossos pais, os nossos irmãos, os outros membros da nossa família, os nossos amigos ou amigas. Não temos outro coração. E com esse mesmo coração havemos de querer a Maria.
Como se comporta um filho ou uma filha normal com a sua Mãe? De mil maneiras, mas sempre com carinho e confiança. Com um carinho que se manifestará em cada caso de determinadas formas, nascidas da própria vida, e que nunca são algo de frio, mas costumes muito íntimos de família, pequenos pormenores diários que o filho precisa de ter com a sua mãe e de que a mãe sente falta, se o filho alguma vez os esquece: um beijo ou uma carícia ao sair ou ao voltar a casa, uma pequena delicadeza, umas palavras expressivas... (Cristo que passa, 142)


© Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet

Príncipe William e Catherine Midleton

William and Catherine have returned to the monarchy’s Christian origins
Deus nosso Pai, nós Vos agradecemos pelas nossas famílias; pelo amor que partilhamos e pela alegria do nosso casamento.

No nosso dia-a-dia mantém os nossos olhos fixos no que é real e importante na vida e ajudai-nos a ser generosos com o nosso tempo e amor e energia.

Fortalecidos pela nossa união ajudai-nos a servir e a confortar os que sofrem. Isto vos pedimos no Espírito de Jesus Cristo. Ámen. [i]


[i] Oração composta pelo Príncipe William e Catherine Midleton para o seu casamento e  com a qual o Bispo de Londres finalizou a sua homilia no casamento.


Sentimentos de Maio

May Feelings I








Beirute - Ressurreição

Num centro comercial em Beirute - Líbano, A Ressurreição de Jesus



Sobre a família 42

Como acertar com a minha vida
Continuação

Pede-lhe, assim, que renuncie, em prol da segurança, a uma vida livre e audaz: o mar é símbolo dessa vida de amplos horizontes, que sabe de dificuldades, de perigos e mil emoções mas entusiasmante e cheio de grandeza. O resto do conto relata o êxito que este filho, ao crescer, conseguiu na sua vida em terra. Aos olhos de todos é um triunfador. 
Só ele sabe que a sua vida foi um fracasso, que no fundo da sua alma continua presente, como uma ferida aberta, a renúncia ao que deveria ter sido a sua própria vida, a que o teria feito feliz.

juan manuel roca, in FLUVIUM, trad ama

Evangelho do dia e comentário

Páscoa - II Semana


Evangelho: Jo 3, 31-36

31 «Aquele que vem lá de cima é superior a todos. Aquele que vem da terra, é da terra, e terrestre é a sua linguagem. Aquele que vem do céu, é superior a todos. 32 Ele testifica o que viu e ouviu, mas ninguém recebe o Seu testemunho. 33 Quem recebe o Seu testemunho certifica que Deus é verdadeiro. 34 Aquele a Quem Deus enviou fala palavras de Deus, porque Deus não Lhe dá o Espírito por medida. 35 O Pai ama o Filho e pôs todas as coisas na Sua mão. 36 Quem acredita no Filho tem a vida eterna; quem, porém, não acredita no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus permanece sobre ele».

Meditação:

Bem sei que as minhas palavras são terrenas e que tudo quanto digo ou escrevo, obedece a essa limitação. É vã a suposição que por mais belas sejam ou por mais bem construídas, alguma vez podem ser outra coisa.


Mas, Senhor, mandas-me falar e escrever sobre coisas que não são terrenas mas sim do Céu!


O pobre homem que sou, não alcança a real dimensão de tal encargo.


“Dom de línguas” é o que mais preciso para que o que escrevo ou digo tenha o verdadeiro valor e sentido que devem ter para que, quem me ler ou ouvir, compreenda e, compreendendo, aceite e, aceitando comece – agora – a fazer o que deve e como deve: a acreditar firmemente e sem dúvida nenhuma, que Tu és o Cristo, o Filho de Deus Vivo, o único Caminho, a absoluta Verdade, a verdadeira Vida.

(ama, meditação sobre Jo 3, 31-36, 2011.04.12)

04/05/2011

Diálogos apostólicos

Exactamente!

Na Cruz, Cristo deu-nos a Sua Mãe como Mãe de toda a humanidade ao dizer a João, que nos representava: 


Eis a tua Mãe!



ama , 2011.05.04

Diálogos apostólicos

Diálogos





Exactamente!

Na Cruz, Cristo deu-nos a Sua Mãe como Mãe de toda a humanidade ao dizer a João, que nos representava: 


Eis a tua Mãe!



ama , 2011.05.04

TEXTOS DE SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ

“Com Maria, que fácil!”


Antes, só, não podias... – Agora, recorreste à Senhora, e, com Ela, que fácil! (Caminho, 513)

Os filhos, especialmente quando são ainda pequenos, costumam pensar no que hão-de fazer por eles os seus pais, esquecendo-se das suas obrigações de piedade filial. Nós, os filhos, somos geralmente muito interesseiros, embora esta nossa conduta – já o fizemos notar – não pareça incomodar muito as mães, porque têm suficiente amor nos seus corações e querem com o melhor carinho: aquele que se dá sem esperar correspondência.

Assim acontece também com Santa Maria. (...) Hão-de doer-nos, se as encontrarmos, as nossas faltas de delicadeza com esta boa Mãe.
Pergunto-vos e pergunto-me a mim mesmo: como a honramos?

Voltemos mais uma vez à experiência de cada dia, ao modo de tratar com as nossas mães na terra. Acima de tudo, que desejam dos seus filhos, que são carne da sua carne e sangue do seu sangue? O seu maior desejo é tê-los perto. Quando os filhos crescem e não é possível continuarem a seu lado, aguardam com impaciência as suas notícias, emocionam-se com tudo o que lhes acontece, desde uma ligeira doença até aos acontecimentos mais importantes.

Olhai: para a nossa Mãe, Santa Maria, jamais deixamos de ser pequenos, porque Ela nos abre o caminho até ao Reino dos Céus, que será dado aos que se tornam meninos. De Nossa Senhora nunca nos devemos afastar. Como a honraremos? Tendo intimidade com Ela, falando com Ela, manifestando-lhe o nosso carinho, ponderando
no nosso coração os episódios da sua vida na terra, contando-lhes as nossas lutas, os nossos êxitos e os nossos fracassos. (Amigos de Deus, nn. 289–290)


© Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet

Porque hoje começa a Primavera (Afonso Cabral)


Navegando pela minha cidade

Porque hoje começa a Primavera [1] decidi ir à Rua das Flores. Esta rua, que antigamente se chamava Santa Catarina das Flores, é a rua onde nasceu a minha família.

Calcetada em 1542, passou a ser uma das principais ruas da cidade, a par da Rua Nova (actual Rua do Infante D. Henrique), sendo mesmo escolhida por nobres e burgueses para nela construírem luxuosos palacetes, nela se passando muitos dos factos que fizeram a história quinhentista e seiscentista do Porto. Ainda hoje é considerada a mais tripeira das ruas portuenses, com belas construções de vários séculos e as suas típicas varandas, as mais belas que o Porto tem[2].

Porque hoje começa a Primavera eu só queria escrever sobre aquilo que é sempre um maravilhoso e misterioso recomeço, um renascer radioso; uma explosão de flores, de verde e de luz.

E aquela rua que já foi conhecida por Rua do Ouro do Porto – pela quantidade de ourivesarias que lá havia - tem fechado lojas umas atrás das outras sendo substituídas por montras entaipadas ou por lojecas que vendem pedras e cristais semi-preciosos com um magnetismo próprio para cada tipo de pessoa ou por outras que vendem todo o género de incensos capazes de resolver qualquer problema, medo ou angústia da existência humana. E apesar de isto ser garantido e ser barato elas estavam completamente vazias. Porque hoje começa a Primavera.

Vão-se os anéis mas fiquem os dedos. Ou seja, já não se vende ouro, mas a Casa das Sementes M. J. Coelho encheu-se de clientes à procura de plantas, bolbos e toda a espécie de sementes. Porque hoje começa a Primavera.

 Cabaças penduradas nas paredes com girassóis de papel a saírem lá de dentro e grandes tabuleiros de esferovite com pequenos alvéolos cheios de húmus fresco donde brotam pequeninas alfaces, couves, meloas, beringelas, pimentos, tomate e cebolinho. Tudo exposto em diversos patamares feitos por umas escadas que não vão dar a sítio nenhum ou talvez aonde o Inverno acaba. Porque hoje começa a Primavera

Atrás do balcão um homem alto e velho aviava os fregueses com uma deferência antiga e compassiva solicitude.

Porque hoje começa a Primavera ela era ali vendida em pacotinhos de papel cheios de minúsculas sementes de nabo, de cebola, de cenoura ou de salsa que enchiam as prateleiras como se fossem livros de uma biblioteca botânica.

E em toda a loja havia paz e uma certeza de futuro que não sei se era a esperança ou o sol a bater nas vidraças das montras. Porque hoje começa a Primavera.

Porque hoje começa a Primavera a montra temática – sempre impecavelmente arranjada - do alfarrabista Chaminé da Mota parecia um jardim de livros: Cravos, Rosas e Crisântemos; Le Bom Jardinier; Bolbos e Raízes de Flores da Holanda; Botânica recreativa; A Popular Guide to Gardening; Catálogo geral para 1968-1969 de A Sementeira de Alípio Dias & Irmão; O Jardim – Manual do jardineiro amador.

Porque hoje começa a Primavera dei comigo a pensar se aquela pessoa que eu tinha ouvido num programa de televisão nessa manhã – enquanto tomava um café - a dizer que a Páscoa era uma tradição, também diria o mesmo da Primavera. Se também era uma tradição ou uma autêntica realidade.

Porque hoje começa a Primavera acho que ela é uma espécie de Páscoa da Natureza: uma ressurreição. E a Páscoa é uma Primavera da Humanidade.


Afonso Cabral






[1] Este texto foi escrito em 21 de Março de 2011
[2] Blog – O PORTO É UMA NAÇÃO – Manuel J. F. Santos