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01/04/2018
05/04/2015
Evangelho, comentário, Leitura Espiritual
Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor
Evangelho:
Jo
20 1-9
1 No primeiro dia da semana, Maria
Madalena foi ao sepulcro, de manhã, sendo ainda escuro, e viu a pedra retirada
do sepulcro. 2 Correu então, e foi ter com Simão Pedro e com o outro
discípulo a quem Jesus amava, e disse-lhes: «Levaram o Senhor do sepulcro e não
sabemos onde O puseram». 3 Partiu, pois, Pedro com o outro discípulo
e foram ao sepulcro. 4 Corriam ambos juntos, mas o outro discípulo
corria mais do que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro. 5 Tendo-se
inclinado, viu os lençóis no chão, mas não entrou. 6 Chegou depois
Simão Pedro, que o seguia, entrou no sepulcro e viu os lençóis postos no chão, 7
e o sudário que estivera sobre a cabeça de Jesus, que não estava com os
lençóis, mas enrolado num lugar à parte. 8 Entrou também, então, o
outro discípulo que tinha chegado primeiro ao sepulcro. Viu e acreditou. 9
Com efeito, ainda não entendiam a Escritura, segundo a qual Ele devia ressuscitar
dos mortos.
Comentário:
Pedro e João, juntamente
com Madalena, são as primeiras testemunhas do túmulo vazio, naquela manhã de
Páscoa. Não foi, porém, muito facilmente que eles chegaram à conclusão de que
Jesus estava vivo. A sua fé será progressiva, caminhará entre incredulidade e
dúvidas. Só perante as ligaduras e o lençol, cuidadosamente dobrados, o que
excluía a hipótese de roubo, se lhes começam a abrir os olhos para a realidade.
No seu amor intuitivo,
João é o primeiro a compreender os sinais da Ressurreição. Mas bem depressa
Pedro, que, não por acaso mas intencionalmente, ocupa o primeiro lugar e nos
aparece já nesta manhã como Chefe do Colégio Apostólico, descobre a verdade,
anunciada tão claramente pela Escritura e pelo mesmo Jesus. Depois, em contacto
pessoal com o Ressuscitado, a sua fé tornar-se-á firme como «rocha» inabalável.
Leitura espiritual
DOMINGO DE PÁSCOA
Homilia:
-
E o Sol de Justiça rebrilha nos céus!
1ª) Deus Pai ressuscitou
Jesus e permitiu que se manifestasse a algumas testemunhas. A vida do
Ressuscitado não é como a que levara antes da sua morte. É Ele sim e
exactamente Ele, mas na plena glória de Deus, tão universal como inabarcável
pela nossa restrita capacidade de ver. Nas palavras dum exegeta clássico, “devemos
concluir que, segundo a tradição evangélica […], Jesus ressuscitado é, de por
si, invisível aos olhos dos mortais; se ‘aparece’ não é senão em virtude duma
intervenção do poder de Deus que
[1]
torna perceptível aos homens”
Pois bem, essas testemunhas
somos também nós, que quando ouvimos a sua Palavra, a reconhecemos como
“Palavra da salvação”. Somos também nós, que, quando nos apresentam o Corpo de
Cristo, dizemos “Amen!”. Somos ainda nós, que O reconhecemos nos irmãos, todos
membros do seu único corpo. Em todos estes sinais, o Espírito de Deus nos
ilumina os olhos e abre o coração, para entrevermos realmente o Ressuscitado.
2ª) Testemunhas da
ressurreição foram aqueles que “comeram e beberam com Ele, depois de ter
ressuscitado dos mortos”. Foram certamente, como ouviremos nos dias seguintes,
sobre as “refeições” do Ressuscitado. Mas somos ainda nós, que com Ele
continuamos a comunhão que essas refeições significam. Somos nós, que na refeição
eucarística somos assimilados pelo alimento, em vez de o assimilarmos a ele.
Lembrou-o muito
sugestivamente o Papa Bento XVI: “De facto, comungando o corpo e o sangue de
Jesus Cristo, vamo-nos tornando participantes da vida divina de modo sempre
mais adulto e consciente. Vale aqui o mesmo que Santo Agostinho afirma a
propósito do verbo (Logos) eterno, alimento da alma, quando, pondo em evidência
o carácter paradoxal deste alimento, o santo doutor imagina ouvi-Lo dizer: ‘Sou
o pão dos fortes; cresce e comer-Me-ás. Não Me transformarás em ti como ao
alimento da tua carne, mas mudar-te-ás em Mim’ [2].
Com efeito, não é o alimento eucarístico que se transforma em nós, mas somos
nós que acabamos misteriosamente mudados por ele” [3].
- Pois não é verdade que,
precisamente na celebração eucarística – Comunidade, Palavra e Pão -,
experimentamos e dizemos que “Ele está no meio de nós”?! - Pois não é verdade
que, a partir da Eucaristia e de quanto mais correcta e responsavelmente
participarmos nela, somos enviados a alargar no mundo a comunhão com o
Ressuscitado: “- Ide em paz e o Senhor vos acompanhe!”?!
Oiçamos esta voz que nos
chega das primeiras gerações cristãs, cheia de vigor pascal, tão intenso como
expansivo: “O que existia desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os
nossos olhos, o que contemplámos e as nossas mãos tocaram relativamente ao
Verbo da Vida, […] isso vos anunciamos, para que também vós estejais em
comunhão connosco. E nós estamos em comunhão com o Pai e com seu Filho, Jesus
Cristo. Escrevemo-vos isto para que a nossa alegria seja completa”[4].
Tudo importante neste
trecho, da alegria de receber à alegria de comunicar a vida ressuscitada e
ressuscitadora de Cristo. Decerto a nossa alegria também, encargo sumamente
pascal.
3ª) Jesus mandou-os
anunciar que fora constituído por Deus Pai juiz dos vivos e dos mortos, assim
atestando a sua condição divina, pois só a Deus tal pertence.
A eles e agora a nós se
dirige o mesmo mandato, caríssimos irmãos e irmãs. E não vos pareça estranha a
injunção, pois é também disso que se trata, a saber, que o critério definitivo
do que seja viver ou morrer é n’Ele mesmo que se estabelece e encontra. Em
Cristo, a justiça e a misericórdia coincidem perfeitamente, pois não se limita
a julgar-nos, antes nos faz justos para nos salvarmos pela sua graça. Na sua
Igreja agora, semelhante tem de ser a atitude, propondo sempre a verdade na
caridade. E também na humildade com que comunicamos aos outros aquilo mesmo que
a graça de Cristo nos oferece a nós, que tão sofrivelmente a recebemos, por
vezes.
Tem isto muita importância
hoje, caríssimos irmãos e irmãs, no modo de nos apresentarmos, cristãos e
pascais, diante dos outros. Em Jesus tudo era conforme, pois a verdade que
propunha, Ele próprio a era e demonstrava. Não chegou isto para convencer a
todos, mas chegou para sobreviver à própria morte, indesmentível.
A mentalidade e
especialmente a sensibilidade actuais são muito ciosas da chamada liberdade
individual e reagem quase instintivamente a qualquer afirmação que pareça
limitá-la. Se, além disso, há alguma má consciência ou remorso, a rejeição é
maior e mais violenta, e tenta destruir a fonte da interpelação.
Se o próprio Cristo,
coerência absoluta que era, se viu acusado e condenado injustamente por quem
não recebia a luz que irradiava, quanto mais não seremos rejeitados hoje, se,
mesmo falando d’Ele, O encobrirmos com as nossas sombras?!
Daqui irmãos a urgência de
nos abrirmos inteiramente à luz do Ressuscitado, para que nos ressuscite
também. Cinquenta dias pascais, para que a alegria que celebramos hoje
permaneça e irradie em muita acção de graças a Deus e em muita presença pascal
na sociedade, alargando as fronteiras da justiça, da solidariedade e da paz.
O Inverno longo e rigoroso
que passámos dará lugar agora à Primavera mais luminosa. - Com a condição
imprescindível e constante de nos convertermos de vez ao “Sol de Justiça que
rebrilha nos céus”!
+
manuel clemente, Sé do Porto, 4 de
Abril de 2010
07/05/2011
Evangelho do dia e comentário
16 Quando chegou a tarde, os Seus discípulos desceram para junto do mar 17 e, tendo subido para uma barca, atravessaram o mar em direcção a Cafarnaum. Era já escuro, e Jesus ainda não tinha ido ter com eles. 18 Entretanto, o mar começava a encrespar-se, por causa do vento forte que soprava. 19 Tendo remado cerca de vinte e cinco ou trinta estádios, viram Jesus caminhando sobre o mar, em direcção à barca, e ficaram atemorizados. 20 Mas Ele disse-lhes: «Sou Eu, não temais». 21 Quiseram então recebê-l'O na barca e logo a barca chegou à terra para onde iam.
Meditação:
Andar sobre as águas?
O que tem de extraordinário?
Não me sinto, eu próprio, tantas vezes, caminhando por entre as nuvens do céu?
Sim, quando me entrego a Vós, totalmente, de espírito e corpo, sinto-me como que fora de mim, agarro o meu coração com as mãos e ofereço-to juntamente com as minhas misérias e coisas sem importância nenhuma mas que guardo como tesouro de grande valor.
Ando na terra, é certo mas, o meu grande desejo é caminhar no Céu.
(ama, meditação sobre Jo,6, 16-21, 2010.04.18 )
06/05/2011
Evangelho do dia e comentário
1 Depois disto, passou Jesus ao outro lado do mar da Galileia, isto é, de Tiberíades. 2 Seguia-O uma grande multidão porque via os milagres que fazia em favor dos doentes. 3 Jesus subiu a um monte e sentou-Se ali com os Seus discípulos. 4 Ora a Páscoa, a festa dos judeus, estava próxima. 5 Jesus, então, tendo levantado os olhos e visto que vinha ter com Ele uma grande multidão, disse a Filipe: «Onde compraremos pão para dar de comer a esta gente?». 6 Dizia isto para o experimentar, porque sabia o que havia de fazer. 7 Filipe respondeu-Lhe: «Duzentos denários de pão não bastam para que cada um receba um pequeno bocado». 8 Um de Seus discípulos, André, irmão de Simão Pedro, disse-Lhe: 9 «Está aqui um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixes, mas que é isso para tanta gente?». 10 Jesus, porém, disse: «Mandai sentar essa gente». Havia naquele lugar muita relva. Sentaram-se, pois; os homens em número de cerca de cinco mil. 11 Tomou, então, Jesus os pães e, tendo dado graças, distribuiu-os entre os que estavam sentados; e igualmente distribuiu os peixes, tanto quanto quiseram. 12 Estando saciados, disse aos Seus discípulos: «Recolhei os pedaços que sobraram para que nada se perca». 13 Eles os recolheram, e encheram doze cestos de pedaços dos cinco pães de cevada, que sobraram aos que tinham comido. 14 Vendo então aqueles homens o milagre que Jesus fizera, diziam: «Este é verdadeiramente o profeta que deve vir ao mundo». 15 Jesus, sabendo que O viriam arrebatar para O fazerem rei, retirou-Se de novo, Ele só, para o monte.
Meditação:
Neste trecho do Evangelho é para mim difícil fugir à tentação da ''contabilidade'' dos poucos números referenciados.
Será uma tentação boa porque me leva a assombrar-me mais e mais com a magnificência do milagre
Mas, depois, penso: o que interessa os cinco mil homens saciados, ou os doze cestos que sobraram? Acaso se o número de pessoas fosse outro - o dobro... O triplo - não teriam, igualmente, ficado saciados?
E, na verdade, Jesus não podia ter feito com que sobrassem bocados suficientes para encher cem cestos?
Claro que sim e, por se aperceberem do verdadeiro e absoluto poder de Cristo, é que, entusiasmados, o queriam fazer Rei.
(ama, Comentário sobre Jo 6, 1-15, 2010.04.15)
05/05/2011
Evangelho do dia e comentário
31 «Aquele que vem lá de cima é superior a todos. Aquele que vem da terra, é da terra, e terrestre é a sua linguagem. Aquele que vem do céu, é superior a todos. 32 Ele testifica o que viu e ouviu, mas ninguém recebe o Seu testemunho. 33 Quem recebe o Seu testemunho certifica que Deus é verdadeiro. 34 Aquele a Quem Deus enviou fala palavras de Deus, porque Deus não Lhe dá o Espírito por medida. 35 O Pai ama o Filho e pôs todas as coisas na Sua mão. 36 Quem acredita no Filho tem a vida eterna; quem, porém, não acredita no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus permanece sobre ele».
Meditação:
Bem sei que as minhas palavras são terrenas e que tudo quanto digo ou escrevo, obedece a essa limitação. É vã a suposição que por mais belas sejam ou por mais bem construídas, alguma vez podem ser outra coisa.
Mas, Senhor, mandas-me falar e escrever sobre coisas que não são terrenas mas sim do Céu!
O pobre homem que sou, não alcança a real dimensão de tal encargo.
“Dom de línguas” é o que mais preciso para que o que escrevo ou digo tenha o verdadeiro valor e sentido que devem ter para que, quem me ler ou ouvir, compreenda e, compreendendo, aceite e, aceitando comece – agora – a fazer o que deve e como deve: a acreditar firmemente e sem dúvida nenhuma, que Tu és o Cristo, o Filho de Deus Vivo, o único Caminho, a absoluta Verdade, a verdadeira Vida.
(ama, meditação sobre Jo 3, 31-36, 2011.04.12)
04/05/2011
Evangelho do dia e comentário
16 «Porque Deus amou de tal modo o mundo, que lhe deu Seu Filho Unigénito, para que todo aquele que crê n'Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. 17 Porque Deus não enviou Seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. 18 Quem n'Ele acredita, não é condenado, mas quem não acredita, já está condenado, porque não acredita no nome do Filho Unigénito de Deus. 19 A condenação é por isto: A luz veio ao mundo e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más. 20 Porque todo aquele que faz o mal aborrece a luz e não se chega para a luz, a fim de que não sejam reprovadas as suas obras; 21 mas aquele que procede segundo a verdade, chega-se para a luz, a fim de que seja manifesto que as suas obras são feitas segundo Deus».
Meditação:
Ai! Senhor!
Para ser visto?
É o que mandas?!
Mas, Senhor, esse é, talvez, o meu defeito principal: os desejos de protagonismo, a vontade de me evidenciar, a vaidade do que escrevo, do que digo, um engrandecimento próprio tristemente ridículo!
Como podes mandar-me uma coisa destas quando o que realmente preciso é a Tua ajuda para ser discreto nas minhas acções, contido nas palavras, humilíssimo na postura?
Volto a dizer-te, Senhor: Manda o que quiseres mas dá-me o que ordenares.
(ama, meditação sobre Jo 3, 16-21, 2010.04.15)
03/05/2011
Evangelho do dia e comentário
6 Jesus disse-lhe: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vai ao Pai senão por Mim. 7 Se Me conhecesseis, também certamente conheceríeis Meu Pai; mas desde agora O conheceis e já O vistes». 8 Filipe disse-Lhe: «Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta». 9 Jesus disse-lhe: «Há tanto tempo que estou convosco, e ainda não Me conheces, Filipe? Quem Me viu, viu também o Pai. Como dizes, pois: Mostra-nos o Pai? 10 Não acreditais que Eu estou no Pai e que o Pai está em Mim? As palavras que vos digo, não as digo por Mim mesmo. O Pai, que está em Mim, Esse é que faz as obras. 11 Crede em Mim: Eu estou no Pai e o Pai está em Mim. 12 Crede-o ao menos por causa das mesmas obras. «Em verdade, em verdade vos digo, que aquele que crê em Mim fará também as obras que Eu faço. Fará outras ainda maiores, porque Eu vou para o Pai. 13 Tudo o que pedirdes em Meu nome, Eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. 14 Se Me pedirdes alguma coisa em Meu nome, Eu a farei.
Meditação:
Não podes enganar-te nem enganar-me e posso constatá-lo - se precisasse - exactamente com as 'grandes coisas' que tenho feito.
Grandes, não por elas mesmas mas por serem feitas por mim - corrijo-me - através de mim.
Sim, porque pasmo ante a maravilha que de facto é o Senhor querer servir-se de mim como Seu instrumento para chegar às almas.
(ama, meditação sobre Jo 14, 6-14, 2010.05.03)
02/05/2011
Evangelho do dia e comentário
1 Havia entre os fariseus um homem chamado Nicodemos, um dos principais entre os judeus. 2 Este foi ter com Jesus, de noite, e disse-Lhe: «Rabi, sabemos que foste enviado por Deus como mestre, porque ninguém pode fazer estes milagres que Tu fazes, se Deus não estiver com ele». 3 Jesus respondeu-lhe: «Em verdade, em verdade te digo que não pode ver o reino de Deus, senão aquele que nascer de novo». 4 Nicodemos disse-Lhe: «Como pode um homem nascer, sendo velho? Porventura pode tornar a entrar no seio de sua mãe e renascer?». 5 Jesus respondeu-lhe: «Em verdade, em verdade te digo que quem não renascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.6 Aquilo que nasceu da carne, é carne, aquilo que nasceu do Espírito, é espírito. 7 Não te maravilhes de Eu te dizer: É preciso que nasçais de novo. 8 O vento sopra onde quer, e tu ouves a sua voz, mas não sabes donde ele vem nem para onde vai; assim é todo aquele que nasceu do Espírito».
Comentário:
Com Jesus vai-se ter a qualquer hora, em qualquer circunstância porque, Ele, está sempre disponível e, mais, à nossa espera.
Jesus não tem “horários” para nos receber nem momentos específicos reservados para tal.
Não!
Não temos a menor desculpa para não nos encontrar-mos com Ele, falar-lhe, perguntar-lhe, pedir-lhe sempre e quando necessitemos.
E, a verdade é que, precisamos sempre.
16/04/2011
A Páscoa e a Ordem
Duc in altum |
É, sem dúvida, um aspecto muito secundário da Páscoa, mas que vale a pena considerar: a paz e a ordem são atributos divinos e humanos, que fazem parte da imitação de Cristo.
Dizia com sentido prático S. Josemaria que o homem possui quatro faculdades: inteligência, memória, vontade… e agenda. Esta é, de facto, indispensável para conseguirmos a devida ordem no dia-a-dia. Não apenas como auxiliar da memória, mas inclusive como ordenadora das nossas ocupações.
Na verdade, cometemos com frequência o erro de tentar «organizar» a nossa vida, como se esta consentisse ser dominada a nosso bel-prazer. E daí vêm muitas ilusões e desilusões: porque julgamos que o trabalho nos deve obedecer, quando são os afazeres profissionais e familiares que nos condicionam implacavelmente.
A agenda tem uma função muito mais humilde: recordar-nos as nossas obrigações, prever o que teremos de fazer hoje, amanhã, depois, daqui a quinze dias, um mês mais tarde… e humildemente cingir-nos ao horário que a vida nos impõe. E descobrir então o tempo que realmente é «nosso», ou seja, que podemos aproveitar livremente.
No fundo, a ordem consiste sobretudo na previsão; e menos na organização. Mas a previsão faz-nos efectivamente «dominar» o tempo: nada nos «cai em cima» de supetão; já o espero. Já estou preparado. Não me apanha desprevenido. Nada é urgente…
Bom, reconheçamos que a mais cuidadosa previsão não evita o imprevisto; simplesmente, como dizia outro grande trabalhador, se nos preparamos para o que é previsível, estamos preparados para o imprevisto. E reconheçamos que sempre acaba por haver coisas urgentes… Mas também para esses casos S. Josemaria nos dava um bom conselho: «O que é urgente pode esperar; o que é muito urgente deve esperar».
A agenda enche-se, quase nos assusta; mas - é curioso - afinal, entre os rabiscos ou os lembretes que se acumulam, sempre se abrem clareiras, às vezes de largo espectro - aquelas horas que costumamos gastar em declarações de cansaço e queixas de não termos tempo para nada…
P. Hugo de Azevedo
INFORMAÇÕES MUITO BREVES [De vez em quando] 2011.04.13
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