13/04/2011

O crocodilo e a vergonha (Afonso Cabral)


Navegando pela minha cidade

Para se encontrar com facilidade a especiaria culinária mais cara do mundo é preciso ir à Rua Cimo de Vila que desce, quase a pique como se fosse uma cascata, da Praça da Batalha até ao entroncamento das ruas do Cativo e Chã. Todos estes nomes são de uma ruralidade antiga; talvez a cidade ainda não chegasse completamente até ali há duzentos ou trezentos anos.

A especiaria mais cara do mundo é o açafrão. Trata-se de estigmas de flores e para se ter um quilo são necessárias mais de cem mil. Assim, um quilo de Spanish Saffron na Rua Cimo de Vila, é vendido por três mil e quinhentos euros. E foi lá que o fui comprar. Claro que é vendido em caixinhas de plástico com um grama por três euros e cinquenta cêntimos e comercializado por indianos que o compram à P.&B (FOODS) LTD – PLANETREES ROAD - BRADFORD – ENGLAND.
Um pouco mais abaixo desta lojeca de especiarias exóticas encontra-se a CASA CROCODILO – Há mais de meio século – vende solas e cabedais. Hoje as lojas comerciais vendem produtos com Certificados de Origem e de Qualidade que ninguém controla, como muito menos se controla a intensa e obscena exploração de crianças e adultos que em regime de escravatura manufacturam tais produtos na Índia, na China e em outros países asiáticos. Esta, que vende solas e cabedais há mais de meio século, tem um Certificado de Origem e de Qualidade genuíno e que não engana ninguém: um enorme crocodilo embalsamado com cinco metros de comprimento, de boca aberta e duas fileiras de terríveis dentes brancos, sobrevoa e impõe-se a qualquer cliente. Pendurado do tecto e vindo, há mais de cinquenta anos da Amazónia, atesta com a sua imponente presença a melhor qualidade das solas e dos cabedais.
Quase em frente o SUPER RÁPIDO – MANUEL SAPATEIRO – anuncia a sua qualidade em verso: 
                                 P’RA CALÇADO CONSERTAR
                                 CASACOS, CARTEIRAS,PINTAR
                                 ESTE RÁPIDO, É O PRIMEIRO
                                 NÃO DECIDA NO ESCURO!...
                                 QUER UM TRABALHO SEGURO?
                                 VENHA AO “MANEL SAPATEIRO”!!!

O que é extraordinário é a coincidência do último e recentíssimo Prémio Literário Correntes d’ Escritas (22 de Fevereiro 2011) ter sido atribuído a Pedro Tamen pela sua obra de poesia O Livro do Sapateiro[1]. Como o próprio disse é a metáfora do poeta que escreve para os outros, os outros que não conhece, com a obscura esperança de que aquilo sirva…como o sapato que vai encaixar num pé desconhecido[2].
Mais a menos a meio da rua, do lado esquerdo no sentido descendente ergue-se uma magnífica fachada rococó em granito da Igreja da Ordem do Terço (séc. XVIII). O enorme portão verde estava fechado. Porque vinha a pensar nos certificados de origem e no crocodilo gigantesco recordei, ao chegar aquele templo fechado, que “Deus não tem necessidade de pôr uma marca de origem nas coisas, porque todas elas têm uma só origem”[3]. Nas escadas de acesso à Igreja cerca de trinta homens e algumas mulheres conversavam e parecia que esperavam que a porta se abrisse. A enorme porta do templo não se abriu, mas às onze horas em ponto abriu-se uma pequena porta lateral em que ainda nem tinha reparado. Silenciosamente aquelas pessoas foram entrando e, por último, entrei eu atrás delas. Subi um lanço de escadas e encontrei-me numa sala com mesas e cadeiras onde já vários homens comiam uma sopa e um prato de arroz com carne. Atrás de um balcão uma senhora de bata branca ia dando os tabuleiros com esta refeição. A sala era branca. Um pequeno crucifixo pontuava uma das paredes. O silêncio, o respeito e atenção na refeição eram tais que me pareceu que ali havia algo de sagrado. E havia. Ali não se escrevia para os outros, ali servia-se e alimentava-se os outros. Ali fazia-se poesia sacra.
Por me sentir como que um ateu numa Igreja retirei-me devagarinho, para nada profanar com a minha presença. Já cá fora, na loja em frente perguntei ao dono que estava à porta: “Sabe-me dizer se ali também servem jantares? Qualquer pessoa pode ir ali almoçar?” O dono da loja olhou para mim serenamente e com enorme delicadeza respondeu: O senhor vá lá se precisa, olhe que não é vergonha; por estar limpo não tenha vergonha de lá ir; ninguém pergunta nada.

 Afonso Cabral


[1] Pedro Tamen – O Livro do Sapateiro – D. Quixote
[2] Público – 1 de Março de 2011 – Cartas à Directora – pág. 38
[3] Jacques Leclercq – Diálogo do Homem e de Deus – Colecção Éfeso – 1965 – pág. 45

Bento XVI e a religiosidade popular

Duc in altum
PAPA DESTACA IMPORTÂNCIA DE DIMENSÕES POPULARES DA RELIGIOSIDADE

Bento XVI afirmou hoje no Vaticano que as práticas populares de religiosidade cristã não podem ser consideradas como “algo secundário” na vida da Igreja Católica.

O Papa falava diante dos membros da Comissão Pontifícia para a América Latina (CPAL), no final da sua assembleia plenária, este ano dedicada ao tema «A incidência da piedade popular no processo de evangelização da América Latina».

Para Bento XVI esta é uma área que se constitui como “espaço de encontro com Jesus Cristo” e “uma forma de exprimir a fé da Igreja”.

“Para levar a cabo a nova evangelização na América Latina, dentro de um processo que impregne todo o ser e agir do cristão, não se podem deixar de lado as múltiplas demonstrações da piedade popular”, sublinhou o Papa.

Bento XVI disse mesmo que “todas” as demonstrações da religiosidade popular, se “bem canalizadas e devidamente acompanhadas, propiciam um frutífero encontro com Deus, uma intensa veneração do Santíssimo Sacramento, uma profunda devoção à Virgem Maria”.

“Que tudo isso sirva também para evangelizar, para comunicar a fé, para aproximar dos sacramentos os fiéis, para fortalecer os elos de amizade e de união familiar e comunitária, assim como para incrementar a solidariedade e o exercício da caridade”, desejou.

O Papa pediu ainda que a piedade popular “não se reduza a uma simples expressão cultural de uma determinada região”, pelo que “tem de estar em estreita relação com a sagrada liturgia, a qual não pode ser substituída por nenhuma outra expressão religiosa”.

“Não se pode negar que existem certas formas desviadas de religiosidade popular que, longe de fomentar uma participação activa na Igreja, pelo contrário, criam confusão e podem favorecer uma prática religiosa meramente exterior, desligada de uma fé bem enraizada e interiormente viva”, alertou.

O objectivo geral do encontro da CPAL foi reflectir sobre o significado e o alcance da piedade popular nos cinco séculos de cristianismo na América Latina, juntando cerca de quarenta participantes entre membros e consultores do organismo do Vaticano.


 INFORMAÇÕES MUITO BREVES    [De vez em quando] 12.04.2011

ORAÇÃO E MÚSICA

The Lord is My Shepherd (Psalm 23)  - bsanby29



Evangelho do dia e comentário

Quaresma - V Semana


Evangelho: Jo 8, 31-42

31 Jesus disse então aos judeus que creram n'Ele: «Se vós permanecerdes na Minha palavra sereis verdadeiramente Meus discípulos, 32 conhecereis a verdade e a verdade vos fará livres». 33 Eles responderam-Lhe: «Nós somos descendentes de Abraão e nunca fomos escravosde ninguém; como dizes Tu: Sereis livres?». 34 Jesus respondeu-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é escravo do pecado. 35 Ora o escravo não fica para sempre na casa, mas o filho é que fica nela para sempre. 36 Por isso, se o Filho vos livrar, sereis verdadeiramente livres. 37 Bem sei que sois descendentes de Abraão, mas procurais matar-Me porque a Minha palavra não penetra em vós.38 Eu digo o que vi em Meu Pai; e vós fazeis o que ouvistes do vosso pai». 39 Eles replicaram: «O nosso pai é Abraão». Jesus disse-lhes: «Se sois filhos de Abraão, fazei as obras de Abraão. 40 Mas agora procurais matar-Me, a Mim, que vos disse a verdade que ouvi de Deus. Abraão nunca fez isto.41 Vós fazeis as obras do vosso pai». Eles disseram-Lhe: «Nós não somos filhos da prostituição, temos um pai que é Deus». 42 Jesus disse-lhes: «Se Deus fosse vosso pai, certamente Me amaríeis porque Eu saí e vim de Deus. Não vim de Mim mesmo, mas foi Ele que Me enviou

Meditação:

Mas, que fez Ele?

Ele, a única coisa que fez foi dizer a verdade. Por isso O acusam, por ter dito a verdade.

Mas é que eles não sabem o que é a verdade. Nem o Pretor romano, homem culto, sabe o que é a verdade.

Para mim, a verdade, és Tu, Senhor, a única, a completa, a definitiva verdade.
Ouvindo-te oiço a Verdade; seguindo-te sigo a Verdade; mantendo-me junto de Ti, tendo-te na minha alma em graça, também eu, por Tua graça, estou com a Verdade.


Vale a pena estar do Teu lado.


É o lado vencedor e da verdadeira liberdade: a Verdade triunfará, a Verdade tornar-vos-á livres!


(ama, meditação sobre Jo 8, 31-42, 2010.03.25)

12/04/2011

Sobre a família 19

O direito dos pais à educação dos filhos (I)
continuação 
É a família o lugar natural no qual as relações de amor, de serviço, de doação mútua, que configuram o mais íntimo da pessoa, se descobrem, valorizam e aprendem. Daí que, salvo casos de impossibilidade, toda a pessoa deveria ser educada no seio de uma família por parte dos seus pais, com a colaboração – nos seus diversos papéis – de outras pessoas, irmãos, avós, tios...
À luz da fé, a geração e a educação adquirem uma dimensão nova: o filho está chamado à união com Deus e aparece diante dos pais como um presente que é, simultaneamente, manifestação do próprio amor conjugal.

J.A. Araña e C.J. Errázuriz

© 2011, Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet

Diálogos apostólicos

Diálogos



Claro que, a ti, te interessa...e muito!

Não faria nenhum sentido todo este caminho já andado se não te interessasse.

No fim e ao cabo o que pretendes é seres um "verdadeiro" filho de Deus em toda a plenitude e não apenas no nome.

E, com esta certeza podes, de facto, ter garantida a felicidade e, não só aqui na terra, mas também no Céu.

ama, 2011.04.12

LITURGIA DAS HORAS

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VI. LEITURA DA SAGRADA ESCRITURA

a) Leitura da Sagrada Escritura em geral

140. A leitura da Sagrada Escritura que, segundo a antiga tradição, é feita publicamente na Liturgia, quer na celebração eucarística quer no Ofício divino, deve ser tida na maior estima por todos os cristãos. Esta leitura não é escolhida segundo um critério individual nem para satisfazer tal ou tal inclinação do espírito; é proposta pela Igreja em ordem ao mistério que a Esposa de Cristo «vai desenrolando através do ciclo anual, desde a Encarnação e Nascimento até à Ascensão, dia do Pentecostes e expectação da feliz esperança e vinda do Senhor»6. Além disso, na celebração litúrgica, a leitura da Sagrada Escritura vem sempre acompanhada da oração, de modo que a leitura produza mais abundante fruto
e, por seu lado, a oração, mormente a dos salmos com a leitura se apreenda melhor e se torne mais fervorosa.

141. Na Liturgia das Horas, apresentam-se duas espécies de leituras da Sagrada Escritura: uma longa, outra breve.

142. Da leitura longa, facultativa em Laudes e Vésperas, já se falou acima, n. 46.


6 Conc. Vat. II, Const. Sacrosanctum Concilium, n. 102.


Retirado do site do Secretariado Nacional de Liturgia
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TEXTOS DE SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ

“Ele é bom..., e Ele ama-te”

Penas? Contradições por aquele acontecimento ou outro qualquer?... Não vês que é o que o teu Pai-Deus que o quer..., e Ele é bom..., e Ele ama-te – a ti só! – mais que todas as mães do mundo juntas podem amar os seus filhos? (Forja, 929)

Mas não esqueçamos que estar com Jesus é seguramente encontrar-se com a sua Cruz. Quando nos abandonamos nas mãos de Deus, é frequente que Ele permita que saboreemos a dor, a solidão, as contradições, as calúnias, as difamações, os escárnios, por dentro e por fora: porque quer conformar-nos à Sua imagem e semelhança e permite também que nos chamem loucos e que nos tomem por néscios.

É a altura de amar a mortificação passiva que vem – oculta, ou descarada e insolente – quando não a esperamos. Chegam a ferir as ovelhas com as pedras que deviam atirar-se aos lobos: quem segue Cristo experimenta na própria carne que aqueles que o deviam amar se comportam com ele de uma maneira que vai da desconfiança à hostilidade, da suspeita ao ódio. Olham-no com receio, como um mentiroso, porque não acreditam que possa haver relação pessoal com Deus, vida interior; em contrapartida, com o ateu e com o indiferente, geralmente rebeldes e desavergonhados, desfazem-se em amabilidades e compreensão.

E talvez Nosso Senhor permita que o Seu discípulo se veja atacado com a arma, que nunca é honrosa para aquele que a empunha, das injúrias pessoais; com lugares comuns, fruto tendencioso e delituoso de uma propaganda massificada e mentirosa... Porque o bom gosto e a cortesia não são coisas muito comuns.

Assim vai Jesus esculpindo as almas dos Seus, sem deixar de lhes dar interiormente serenidade e alegria, porque eles entendem muito bem que – com cem mentiras juntas – os demónios não são capazes de fazer uma verdade: e grava nas suas vidas a convicção de que só se sentirão bem quando renunciarem à comodidade.
(Amigos de Deus, 301)

© Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet

Temas para a Quaresma 35


Tempo de Quaresma


Continuação

Determinações relativas a outras penitências (cont.)

12. Os cristãos depositarão o seu contributo penitencial em lugar devidamente identificado em cada igreja ou capela, ou através da Cúria diocesana. Na Quaresma, todavia, em vez desta modalidade ou concomitantemente com ela, o contributo poderá ser entregue no ofertório da Missa dominical, em dia para o efeito fixado.

Cont./

snl, 2011.04.12

Medicina e Apostolado - Queres ser médico? 4

Medicina e Apostolado
Continuação
Donde vem, então, que tantos médicos sejam descrentes? A causa é que os seus estudos na Universidade estão totalmente vazios de idealismo. Os exercícios de dissecação anatómica prejudicam muito o surto das jovens almas para o ideal. Sem dúvida, os professores que conhecem o valor duma jovem alma poderiam facilmente contrabalançar essa influência pela sua própria fé e por um pouco de tacto; mas ai! Somos obrigados a dizer que, nas suas lições na Universidade, bom número de professores manifestaram eles próprios declarado desprezo à religião e à moral, o que acaba de arrefecer a vida religiosa da jovem geração de médicos. Se o digo, é para que redobres de piedade em face dessa corrente contrária, entre os estudantes de medicina. Não descures jamais os negócios de tua alma! Tanto mais quanto, no curso dos teus estudos, tiveres de ocupar-te exclusivamente do corpo. Uma pessoa que se familiariza com a morte torna-se facilmente cínica.

(tihamer toth, A profissão do Médico) [i]
Cont/


[i] Monsenhor Tihamer Toth nasceu em Szolnok (Hungria) em 1889. Estudou na Universidade de Pázmány, em Budapeste, e foi ordenado sacerdote em 1912.
Em 1916, começou um programa de rádio famoso que se tornou famoso no país. Em 1924, foi nomeado professor de Pedagogia na Universidade de Pázmány e, em 1931, foi escolhido para ser director do seminário de Budapeste. Foi sagrado bispo em 1938, mas faleceu pouco depois, em 1939. Em 1943, iniciou-se o processo para a sua beatificação.

Pensamentos inspirados

À procura de Deus



Jesus na Sua Paixão santificou a dor. Por isso a dor vivida na aceitação e na entrega é fonte de purificação e santificação.


jma, 2011.04.12

Dignidade da Mulher - A Mulher e a Igreja

Duc in altum
A mulher foi a primeira a ver o sepulcro vazio, a primeira a escutar dos anjos a notícia da Ressurreição, a primeira que divulgou a notícia do triunfo de Cristo. Jesus escolheu-a, preferindo-a aos homens, até aos próprios Apóstolos.
  
A importância que Jesus deu à mulher, em aspectos importantes da sua vida, foi imensa e, a sua Missão salvadora, uma vez que a constitui como discípula, como a samaritana, pecadora, que se converte em pregadora de Cristo : “este é um acontecimento insólito se tivermos em conta o modo usual como aqueles que ensinavam  em Israel tratavam as mulheres “ explica João Paulo II. Conhecer Jesus, admirar os seus prodígios, receber as suas confidências, desejar o seu triunfo nas pessoas, defender os interesses divinos, propagar a bondade de Jesus que anseia salvar a todos : são etapas da actuação da discípula de Jesus que pode ser a mais humilde e desprezada mulher.

NA IGREJA

João Paulo II destaca algumas funções  da mulher

1.    serem esposas fiéis e ardentes para o Divino Esposo Jesus;
2.    serem profetas que anunciem, nos seus ambientes, a Palavra;
3.    serem edificantes, construtoras da comunidade eclesial mediante os próprios carismas e com o seu serviço multiforme;
4.    serem transmissoras da fé aos seus filhos e netos, no sagrado templo do lar;
5.    serem santificadoras da Igreja e da sociedade, com a sua conduta exemplar e a sua ajuda aos apóstolos;
6.    serem modelos por serem encarnação do ideal feminino, exemplares para todos os cristãos,  um exemplo de como a Esposa há-de responder com amor ao amor do Esposo;
7.    serem fieis a Jesus suportando a cruz e na via dolorosa;
8.    serem testemunhas virgens numa sociedade corrompida pelo abuso da sensualidade;
9.    serem assíduas na oração, que é o alimento fundamental da Igreja e da santidade dos seus membros;
10.  serem repartidoras de si mesmas, já que a mulher não pode encontrar-se a si mesma se não dando amor aos demais.
São muitos os ministérios, imensas as possibilidades de uma acção persistente e eficiente da mulher no seio da Igreja.
É difícil conceber algum aspecto substancial de igreja no qual a mulher não encontre um posto eminente em que possa exercer a sua influência, ao estilo de Maria que não foi sacerdote mas que, mesmo assim, foi a pessoa que mais influxo positivo exerceu, a partir da sua casinha de Nazaré, na Encarnação, na evangelização, na Ressurreição e no definitivo triunfo de Jesus.

Somente uma mulher que, sem ser chamada a uma dignidade particular como o sacerdócio, se considere defraudada, fracassa na vocação plurivalente e determinante à qual Deus a chamou.
  
CONFIA-LHE O HOMEM
  
O homem nasce dependente da mulher.  Talvez chegue a ser, rapidamente, uma figura destacada na história da sociedade, mas durante algum tempo dependeu substancialmente da mulher; primeiro, enquanto permanecia no seio materno, e depois, na sua delicada infância, todos os homens dependeram plenamente do amor, da solicitude e das delicadezas de uma mulher.

“ A força moral da mulher, a sua força espiritual, une-se à consciência de que Deus lhe confia, de um modo especial, o homem, isto é, o ser humano. Naturalmente, cada homem é confiado por Deus a todos e a cada um de nós. No entanto, esta entrega refere-se especialmente à mulher – sobretudo em razão da sua feminilidade – e isso decide principalmente a sua vocação “

É preciso que nós, os católicos, aprendamos toda a ciência que a Igreja realça no valor da dignidade feminina. Nela há algo de invisível, mas cujos frutos externos são excelentes. Temos de confiar mais na mulher e nas suas possibilidades, tanto na direcção das actividades da Igreja quanto na participação na evangelização;
Fora do sacerdócio, há pouca actividade e dignidade pastoral que ela não possa ou não deva exercer.

Porque, por sua natureza, a mulher não amordaçada pelo egoísmo, é magnânima com os seus tesouros. “A mulher forte pela consciência desta entrega é forte pelo facto de que Deus lhe confia o homem sempre e em qualquer caso, inclusivamente nas condições de discriminação social em que possa encontrar-se. Esta consciência e esta vocação fundamental falam à mulher da dignidade que recebe da parte do próprio Deus, e tudo isso a faz forte e a reafirma na sua vocação. Deste modo, a mulher perfeita converte-se num apoio insubstituível e numa fonte de força espiritual para os demais, que recebem a grande energia do seu espírito. A estas “mulheres perfeitas” devem muito as suas famílias e, também as Nações“

O refrão universal afirma que junto a todos os grandes homens, há sempre uma mulher, talvez nos bastidores, mas que dirige o homem, anima-o, consola-o, leva-o até ao cume. Também dentro da Igreja.

Nada se pode acrescentar, de maior grandeza para a mulher, àquilo que foi confessado por João Paulo II na sua Mulieris dignitatem (15-8-1988). Tinha razão a Macchiocchi, no seu livro As mulheres de Wojtyla para esclarecer que nenhum Papa jamais falou tão alto a favor da mulher; acrescentamos que talvez tampouco nenhuma autoridade civil nem nenhum filósofo.

germán mazuelo-leyton,  Dignidad de la mujer VI.- La mujer en la Iglesia, trad als, 2011.04.11

Evangelho do dia e comentário



Quaresma - V Semana


Evangelho: Jo 8, 21-30

21 Jesus disse-lhes mais: «Eu retiro-Me: vós Me buscareis, e morrereis no vosso pecado. Para onde Eu vou, vós não podeis ir». 22 Diziam, pois, os judeus: «Será que Ele Se mate a Si mesmo, pois diz: Para onde Eu vou, vós não podeis ir?». 23 Ele disse-lhes: «Vós sois cá de baixo, Eu sou lá de cima. Vós sois deste mundo, Eu não sou deste mundo. 24 Por isso Eu vos disse que morreríeis nos vossos pecados; sim, se não crerdes que “Eu sou”, morrereis nos vossos pecados». 25 Disseram-Lhe então eles: «Quem és Tu?». Jesus respondeu-lhes: «É exactamente isso que Eu vos estou a dizer. 26 Muitas coisas tenho a dizer e a julgar a vosso respeito, mas O que Me enviou é verdadeiro e o que ouvi d'Ele é o que digo ao mundo». 27 Eles não compreenderam que Jesus lhes falava do Pai. 28 Jesus disse-lhes mais: «Quando tiverdes levantado o Filho do Homem, então conhecereis que “Eu sou” e que nada faço por Mim mesmo, mas que, como o Pai Me ensinou, assim falo. 29 O que Me enviou está comigo, não Me deixou só, porque Eu faço sempre aquilo que é do Seu agrado». 30 Dizendo estas coisas, muitos acreditaram n'Ele.

Meditação:

Tento, com todas as minhas forças, compreender o que dizes para o aplicar na minha vida. Fico aqui pensando na Tua paciência divina em explicar tudo mais uma vez. Não poderás ser acusado de reservado, enigmático ou pouco claro. Explicas, repetes, tornas a explicar. Nunca Te recusas a esclarecer seja quem for, os discípulos mais chegados e íntimos a quem, uma vez sozinhos em casa, explicas as parábolas, os que, na praça pública Te interpelam, os humildes e anónimos do povo, as pessoas de posição social de relevo que vêem, de noite, ter contigo para que os esclareças.


Verifico que não tenho de fazer grande esforço, basta-me ser humilde e ter o coração aberto.


Compreenderei e guardarei.

(ama, meditação sobre Jo 8, 21-30, 2010.03.23)