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31/08/2013

Cultivar a Fé 14

Fazer frutificar os talentos

Uma parte não pequena de uma vida com êxito consiste precisamente nisso, em desenvolver as capacidades recebidas.

Não foi por serdes mais numerosos que outros povos que o SENHOR se agradou de vós e vos escolheu; vós até éreis o mais pequeno de todos os povos. Porque o Senhor vos ama e é fiel ao juramento que fez a vossos pais 1. Cada homem foi fruto de um amor de predilecção; ao dar a vida às criaturas humanas, Deus quer que todas participem da Sua bondade e felicidade, quer ser amado livremente por elas.

Apesar dos homens o esquecerem ou desprezarem, Ele não cessa de os procurar, de andar à sua volta, de pedir a sua correspondência; o Seu desígnio não se altera, o Seu amor nunca acaba. Ele é o Deus fiel; pelo Seu amor infinito, não se arrepende dos Seus dons.

m. díez, j. morales, j. verdiá - 2012/02/27

(Cultivar a Fé © 2013, Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet)
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Notas:
1 Dt 7, 7-8

24/11/2012

CULTIVAR A FÉ 4


PERSEVERAR NO AMOR

O servo mau e preguiçoso [i] desdenhou da predilecção de que tinha sido objecto ao enterrar o talento; deixou passar o tempo sem descobrir as possibilidades que encerrava aquela fortuna. Não quis complicar a vida e, deste modo, nunca chegou a saber o que poderia ter feito, nem descobrir o motivo pelo qual o Senhor tinha tido tanta confiança nele.

É um perigo sempre presente, porque no caminho da chamada «é fácil um primeiro entusiasmo, mas depois vem a constância também nos caminhos monótonos do deserto que se hão-de atravessar ao longo da vida, a paciência de prosseguir sempre igual, mesmo quando diminui o romantismo da primeira hora e só fica o “sim” profundo e puro da fé» [ii].

Certamente, que se poderia enterrar o talento uma vez que se começou a negociar com ele. Mas o Senhor indica-nos qual é o meio para que isso não aconteça: se guardais os Meus mandamentos, permanecereis no Meu amor [iii]. «Se o fruto que devemos produzir é amor, uma condição prévia é precisamente este “permanecer”, que tem que ver profundamente com a fé que não se afasta do Senhor» [iv].

Manter-se no caminho que Deus mostrou implica, em si mesmo, uma demonstração de amor e de fé. E o segredo da fidelidade radica precisamente no amor: Qual é o segredo da perseverança? O Amor. – Enamora-te, e não “O” deixarás [v].

D. Álvaro, sucessor de São Josemaria, comentando este ponto de Caminho, dizia que também se podia afirmar: não “O” deixes, e enamorar-te-ás; sê leal e acabarás louco de amor a Deus [vi]. O Senhor recompensa a fé perseverante, levando a bom termo a Sua obra e atraindo cada um à Sua Pessoa [vii]. Assim, a lealdade é uma fonte de equilíbrio pessoal, pois quem é leal consolida um clima de paz à sua volta; comunica segurança e confiança, afasta o medo e as incertezas.

A parábola dos talentos mostra esta primazia do amor: o amo recompensa os servos fazendo-os participantes da sua alegria, da sua própria pessoa; não dá simplesmente algo que lhe pertence, mas dá-se a ele mesmo. A diligência que mostraram os servos fiéis é também sinal da proximidade que tinham com Ele; e é que a fidelidade cristã não é só a lealdade a uma doutrina, ou a um dogma: o cristão é fiel à pessoa viva de Cristo, com quem tem uma relação de amizade.

Por isso, a perseverança não pode entender-se como algo rígido, frio ou calculado; não produz uma vontade inamovível nem insensível às alterações de ânimo ou de circunstâncias; é, antes, o seu contrário: a fidelidade torna o homem flexível, para enfrentar o sopro de qualquer vento, pois nasce do amor e o amor é inventivo, como o é o Espírito.

Se permanecer fiel ao meu Deus, o Amor vivificar-me-á continuamente. A minha juventude renovar-se-á como a da águia [viii]. A santidade é a vida a que estamos chamados. O caminho é claro e está traçado, esculpido, com traços precisos. É este o caminho em que entrámos por mediação de Maria e que seguimos com a sua protecção  ser Obra de Deus, esforçar-nos por responder fielmente – com o coração! – às moções do Espírito Santo.

m. díez, j. morales, j. verdiá, 2012.02.27

Nota: Revisão gráfica por ama.



[i] Mt 25, 26.
[ii] Bento XVI – J. Ratzinger, Jesus de Nazaré, pp. 309-310.
[iii] Jo 15, 10.
[iv] Bento – J. Ratzinger, Jesus de Nazaré, p. 310.
[v] Caminho, n. 999.
[vi] D. Álvaro, Carta aos fiéis do Opus Dei, 19-III-1992.
[vii] Cfr. Fil 1, 6.
[viii] Amigos de Deus, n. 31

23/11/2012

CULTIVAR A FÉ 3


QUE O TALENTO RENDA

Desenvolver os talentos implica iniciativa. O Senhor não disse aos servos em que deviam investir; cada um tinha os meios para saber que negócios podia enfrentar e a segurança de que o dinheiro que se lhe tinha confiado era o necessário para os levar a cabo.

Por isso, responder à própria vocação requer descobrir as qualidades que cada um recebeu e pô-las em jogo, dando-lhes saída em múltiplas iniciativas. O essencial é procurar que o talento renda e nos empenhemos continuamente em produzir bom fruto [i], procurando ir ampliando, pouco a pouco, o impacto social, cultural ou político das nossas actividades, confiados na palavra do Senhor: ao que tem será dado e terá em abundância; mas, ao que não tem, até o que tem lhe será tirado [ii]. Frase que, na sua aparente dureza, nos faz recordar que é Deus que dá o incremento [iii].

Assim, os nossos talentos darão frutos, não tanto ou não só pelo esforço posto, mas pela benevolência de Deus, que olha com olhos de bondade as oferendas que lhe apresentamos [iv]. Quando se dedica tempo aos amigos, aos vizinhos, aos que trabalham connosco, aos condiscípulos da escola ou da universidade, quando se fomentam os interesses – culturais ou desportivos – dos filhos, o fruto apostólico chega; e além disso, abundará, sobretudo na própria alma; porque a primeira consequência será a alegria de ter servido, de ter ajudado os outros a crescer.

Algo parecido acontece com os instrumentos apostólicos que promovem os fiéis do Opus Dei em todo o mundo, com tantas pessoas que são ou não cristãs. Sem perder a sua própria natureza, são fermento que fecunda a sociedade a partir do seu interior, colaborando com outras instituições semelhantes na promoção humana, dando a conhecer nos meios de comunicação os seus projetos, etc. E pondo sempre em tudo o sinal mais.

A parábola continua. O Senhor regressa e pede contas e os que fizeram frutificar os talentos escutam o elogio da sua fidelidade: muito bem, servo bom e fiel, foste fiel em coisas de pouca monta, muito te confiarei. Entra no gozo do teu Senhor [v]. Chama a atenção que o amo considere pouco as imensas fortunas que tinha doado e que os seus servos multiplicaram; são nada e menos que nada, comparadas com o muito que Ele tinha previsto dar-lhes: participar da sua própria alegria.

Na passagem paralela do Evangelho segundo São Lucas [vi], o prémio consiste em dar aos servos o governo de cidades. Esta variante ajuda-nos a considerar que os servidores participam da potestade do seu Senhor, que corresponder aos dons implica participar no cuidado que o Rei tem para todos os homens.

Os talentos dos servos hão-de ser administrados para os outros: desenvolvem-se na sociedade e para a melhorar. Os servos que aproveitaram os seus dons, com a graça de Deus, estão em melhores condições para se interessarem pelo bem-estar dos seus concidadãos. Preocupam-se com a sua saúde física e moral; promovem propostas que envolvam muitas outras pessoas na evangelização da sociedade, começando pelo âmbito, talvez limitado ou um pouco restrito ao início, em que se desenvolvem.

O importante é mover-se e pôr o nosso ambiente cristã, alegre, primeiro aí onde estamos: se não o fazemos nós, quem o fará? O fundador do Opus Dei resumia tudo isto dizendo que nós, os cristãos, somos para o mundo. Quando servimos, a chamada de Deus atinge toda a sua pujança.

m. díez, j. morales, j. verdiá, 2012.02.27

Nota: Revisão gráfica por ama.



[i] Cfr. Amigos de Deus, n. 47.
[ii] Mt 25, 29.
[iii] Cfr. Mc 4, 26-29; 1 Cor 3, 7.
[iv] Cfr. Missal Romano, Oração eucarística III, Réspice, quæsumus...
[v] Mt 25, 21.23.
[vi] Cfr. Lc 19, 17.19.

25/05/2011

Sobre a família 62

A missão educativa da família

O "NEGÓCIO MAIS IMPORTANTE"
A missão educativa dos pais é uma tarefa apaixonante e uma grande responsabilidade. Os pais devem compreender a obra sobrenatural que implica a fundação de uma família, a educação dos filhos, a irradiação cristã na sociedade. Desta consciência da própria missão dependem, em grande parte, a eficácia e o êxito da sua vida, a sua felicidade [i]
Ser pais é a primeira ocupação. São Josemaria costumava dizer que os filhos são o melhor e o mais importante “negócio” dos pais: o negócio da sua felicidade, de que tanto espera a Igreja e a sociedade. E, da mesma forma que um bom profissional mantém sempre um afã nobre de aprender e de melhorar no seu trabalho, deve-se cultivar o desejo de aprender  a ser melhores esposos, melhores pais.
Para fomentar este desejo, São Josemaria impulsionou muitas iniciativas práticas que continuam a ajudar milhares de casais na sua tarefa: cursos de orientação familiar, clubes juvenis, colégios em que os pais são os primeiros protagonistas, etc.
Ser bons pais é todo um desafio. Não se deve esconder o esforço que implica mas, com a graça de Deus própria do sacramento do matrimónio e a entrega alegre e enamorada dos esposos, todos os sacrifícios se realizam com gosto. A educação dos filhos não é um ofício determinado pela sorte ou pelo ambiente, mas pelo amor. Com este amor, os pais podem dirigir-se com toda a confiança a Deus,  do Qual toma o nome toda a paternidade nos céus e na terra [ii], para que proteja o lar e cubra os filhos com as Suas bênçãos.
m. díez
© 2011, Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet



[i] Temas actuais do Cristianismo, n. 91.
Bento XVI, Mensagem à diocese de Roma sobre a tarefa urgente da educação, 21-I-2008.
[ii] Ef 3, 14.
.Conc. Vaticano II, Const. past. Gaudium et spes, n. 24.



24/05/2011

Sobre a família 61

A missão educativa da família

Reflectir com os filhos será sempre necessário. S. Josemaria concretizava-o dizendo que há que chegar a ser amigos dos filhos; amigos a quem se confiam as inquietações, a quem se consulta sobre os problemas, de quem se espera uma ajuda eficaz e amável. [i] Para o conseguir, é preciso passar tempo juntos, ouvi-los cada um a sós, adiantar-se para falar serenamente dos temas centrais das diferentes etapas da existência: a origem da vida, as crises da adolescência, o namoro e, sem dúvida alguma – porque é o mais importante – a vocação que Deus tem prevista para cada pessoa.  

Como assinala Bento XVI, «seria muito pobre uma educação que se limitasse a dar noções e informações, deixando de lado a grande pergunta acerca da verdade, sobretudo acerca da verdade que pode guiar a vida». [ii] Os pais não devem ter medo de falar de tudo com os seus filhos, nem de reconhecer que também se enganam, que têm erros e que foram jovens: longe de lhes retirar autoridade, esta confiança torna-os mais aptos para a sua missão educativa.

m. díez
© 2011, Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet



[i] Ibidem, n. 27.
[ii] Bento XVI, Mensagem à diocese de Roma sobre a tarefa urgente da educação, 21-I-2008..