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16/02/2013

Carta do Prelado do Opus Dei por ocasião do Ano da Fé. 58


59. Após a Ascensão de Jesus Cristo ao Céu, os primeiros discípulos aguardaram a vinda do Espírito Santo, no Cenáculo em Jerusalém, reunidos à volta de Maria. Rezar com Nossa Senhora e por meio de Nossa Senhora é a mais firme garantia de que seremos prontamente ouvidos. Por isso havemos de recorrer à Mãe de Deus e nossa Mãe em todas as tarefas apostólicas. Renovamo-lo agora com palavras de S. Josemaria:

«Santa Maria, Regina Apostolorum, rainha de todos aqueles que desejam dar a conhecer o amor de teu filho: tu, que compreendes tão bem as nossas misérias, pede perdão pela nossa vida, pelo que em nós poderia ter sido fogo e não passou de cinzas, pela luz que deixou de iluminar, pelo sal que se tomou insípido. Mãe de Deus, omnipotência suplicante: dá-nos juntamente com o perdão, a força de vivermos verdadeiramente de fé e de amor, para podermos levar aos outros a fé de Cristo» 103.

Com todo o afecto, abençoa-vos

o vosso

 Padre

 + Javier

Roma, 29 de Setembro de 2012

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Notas:
103 S. Josemaria, Cristo que passa, n. 175.




15/02/2013

Carta do Prelado do Opus Dei por ocasião do Ano da Fé. 57


58. Examinemos até que ponto nos comprometemos, cada uma, cada um, diariamente, para converter em realidade estes desejos. Sejamos sinceros connosco próprios para ponderar como tiramos partido das várias circunstâncias no âmbito habitual das relações sociais, também nos fins de semana, no tempo de férias, nos momentos necessários de descanso, para chegar mais longe, para conhecer e servir mais pessoas; como enchemos as ruas e outros lugares, de oração apostólica, proselitista.
A Santíssima Virgem é Mestra de fé. «Do mesmo modo que o patriarca do Povo de Deus, também Maria, ao longo do caminho do seu fiat filial e materno, “esperando contra toda a esperança, acreditou”. Especialmente ao longo dalgumas fases deste seu caminhar, a bênção concedida “àquela que acreditou” tornar-se-á manifesta com particular evidência» 101

Este período da história da Igreja, que estamos a percorrer, há de caracterizar-se profundamente pela vigorosa presença maternal de Nossa Senhora. «A sua excecional peregrinação da fé representa um ponto de referência constante para a Igreja, para as pessoas singulares e para as comunidades, para os povos e para as nações e, em certo sentido, para toda a humanidade» 102.

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Notas:
101 Beato João Paulo II, Carta Enc. Redemptóris Mater, 25-III-1987, n. 14.
102 Beato João Paulo II, Carta Enc. Redemptóris Mater, 25-III-1987, n. 6

14/02/2013

Carta do Prelado do Opus Dei por ocasião do Ano da Fé. 56


57. Comentando o cântico da Virgem Maria, o Magníficat, Bento XVI afirmava que «Maria deseja que Deus seja grande no mundo, seja grande na sua vida, esteja presente entre todos nós. Não teme que Deus possa ser um “concorrente” na nossa vida, que nos possa tirar algo da nossa liberdade, do nosso espaço vital com a sua grandeza. Ela sabe que, se Deus é grande, também nós somos grandes. A nossa vida não é oprimida, mas elevada e alargada: justamente então torna-se grande no esplendor de Deus» 100.

Ao recorrer à segura intercessão da Omnipotência suplicante, insistamos perseverantemente ao Senhor para que torne eficazes os nossos esforços, e os de todos os católicos, na nova evangelização da sociedade. Para isso nos há de conduzir este ano, beáta María intercedénte, por intercessão da Virgem Maria: para despertar muitas pessoas da sua fé adormecida ou deteriorada e para suscitar noutras a fé inexistente. Não deixemos de aproveitar todas as ocasiões para dar a conhecer Cristo e a sua doutrina, e para espalhar, ao serviço da Igreja, o espírito do Opus Dei mediante um apostolado de amizade e confidência mais decidido; de modo que muitos mais homens e mulheres, de todas as condições, se incorporem ao trabalho apostólico.

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Notas:
100 Bento XVI, Homilia na Solenidade da Assunção, 15-VIII-2005.

13/02/2013

Carta do Prelado do Opus Dei por ocasião do Ano da Fé. 55


A devoção mariana


56. A Santíssima Virgem é o cume de todas as grandes figuras da Sagrada Escritura. Maria destaca-se como o modelo de que, para amar a Deus e identificar-se com Ele, é preciso abandonar-se livremente à sua Vontade e crer sempre com mais profundidade. A Igreja no-la propõe especialmente no Ano da Fé: «No decorrer deste Ano será útil convidar os fiéis a dirigirem-se com devoção especial a Maria, figura da Igreja, que “reúne em si e reflete os imperativos mais altos da nossa fé” (Lumen géntium, 65). Assim pois deve-se encorajar qualquer iniciativa que ajude os fiéis a reconhecer o papel especial de Maria no mistério da salvação, a amá-la filialmente e a seguir a sua fé e as suas virtudes. A tal fim será muito conveniente organizar romarias, celebrações e encontros junto dos maiores Santuários» 99.

Em primeiro lugar procuremos, com profundo empenho durante este tempo, alegrar-nos cada vez mais com a celebração das memórias litúrgicas de Nossa Senhora, que o calendário assinala; rogo-vos que as vivamos verdadeiramente como festas de família, em que os filhos se enchem de alegria com os aniversários da Mãe e a honram com delicado carinho.

Demos de presente a Santa Maria, com especial esmero, o nosso eu, e o dos outros e outras, nas visitas a santuários ou ermidas marianas, quando aí formos em companhia dos nossos familiares, amigos ou colegas, estreitamente unidos ao Santo Padre e aos seus colaboradores, e também a todos os outros Pastores da Igreja, para que se cumpram as intenções que levaram Bento XVI a convocar este Ano da Fé. Que melhor modo de manifestar esses desejos a Deus, senão recorrendo à intercessão de Nossa Senhora, intimamente associada a Cristo na Redenção?

Confiantes na sua mediação poderosa, pedir-lhe-emos que nos alcance da Santíssima Trindade a graça do regresso do mundo e da sociedade a Deus. Recordo-vos que, também com este fim, o nosso Padre insistiu sempre na urgência de cultivar a contrição, convencido de que esta maneira de rezar se acomoda às limitações e faltas de generosidade das almas, em primeiro lugar das nossas. Repararemos pelas ofensas e omissões pessoais, pelas do povo cristão, pelas de toda a humanidade.

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Notas:
99 Congregação para a Doutrina da Fé, Nota pastoral, 6-I-2012, I, 3.

12/02/2013

Carta do Prelado do Opus Dei por ocasião do Ano da Fé. 54


55. O Senhor também prometeu que o Espírito convenceria o mundo do pecado de não crer em Cristo (cfr. Jo 16, 8-9). Nós precisamos também desta persuasão, isto é, que ainda devemos crer mais no Senhor, confiar mais plenamente n’Ele, pôr n’Ele a nossa segurança, a nossa alegria, e não em nós mesmos, nas nossas capacidades ou nos nossos recursos.


Peçamos ao Santificador que nos faça entender essa necessidade, evitando o risco de cair no pecado de não acreditar totalmente em Jesus, e roguemos também ao Paráclito que, com a sua luz e o seu fogo, nos vá libertando dessa limitação, de modo que a nossa fé e o nosso amor a Cristo cresçam cada vez mais. Talvez possamos meditar e saborear com frequência, diria diária, aquelas palavras que, nos anos 30 do século passado, o nosso Padre compôs como oração: «Vem, ó Santo Espírito!: ilumina o meu entendimento, para conhecer os teus mandatos; fortalece o meu coração contra as insídias do inimigo; inflama a minha vontade...

Ouvi a tua voz, e não quero endurecer-me e resistir, dizendo: depois..., amanhã. Nunc cœpi! Agora!, não vá a ser que o manhã me falte.

Oh, Espírito de verdade e de sabedoria, Espírito de entendimento e de conselho, Espírito de gozo e da paz!: quero o que quiseres, quero porque queres, quero como quiseres, quero quando quiseres...» 97.

Se aprofundarmos nestas petições, enriquecer-nos-emos cada vez mais com a amizade íntima com o Paráclito, e teremos, como escreveu S. Josemaria, necessidade de conversar com cada Pessoa da Trindade, distinguindo-As 98.

Roguemos também ao Santificador que ponha nas nossas palavras e nas nossas ações esse seu fogo, capaz de transformar as almas. Desejemos seriamente que nos acenda com a sua chama, para fazer apostolado em todos os lugares. Rezemos com a fé de S. Josemaria: «Ure igne Sancti Spiritus!»; queima Senhor, com o fogo do Espírito Santo.

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Notas:
97 S. Josemaria, oração manuscrita, 1934.
98 Cfr. S. Josemaria, Amigos de Deus, n. 306.

11/02/2013

Carta do Prelado do Opus Dei por ocasião do Ano da Fé. 53


Veni, Sancte Spíritus!


54. Invoquemos com fé e esperança o Paráclito, para que se renovem, na Igreja dos nossos dias, os prodígios do primeiro Pentecostes. Penso que sempre ficamos admirados com a profunda mudança operada pelo Espírito Santo nos Doze. Depois de lançarem fora os seus temores, foram para a rua com segura ousadia, para falar de Cristo a todos os que encontravam. Quando surgiram maiores dificuldades, recorreram à oração, firmemente apoiados nas palavras do Senhor, que tinha prometido uma assistência especial do Consolador nesses momentos (cfr. Jo 14, 15-18, Lc 21, 12-15). E assim, o livro dos Atos relata que, mal acabavam de rezar, tremeu o lugar onde estavam reunidos. E todos ficaram cheios do Espírito Santo e anunciaram com intrepidez a palavra de Deus (Act 4, 31).

O Mestre disse aos Apóstolos: quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade (Jo 16, 13). O Paráclito inspirou os apóstolos, até a Revelação operada por Jesus Cristo ter ficado concluída com a morte do último deles. Além disso, essas palavras de Jesus dizem-nos que a assistência do Espírito de verdade não faltou nem faltará à Igreja de todos os tempos, duma maneira especial ao Magistério autêntico; e, se recorrermos a Ele, o mesmo Consolador conduz cada um de nós a um conhecimento cada vez mais profundo do mistério do Salvador. Um conhecimento que é também amor, pois a caridade difunde-se nos nossos corações pelo mesmo Espírito Santo (cfr. Rm 5, 5).

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10/02/2013

Carta do Prelado do Opus Dei por ocasião do Ano da Fé. 52


53. Convido-vos a que nestes meses se multipliquem os vossos actos de fé na Presença real de Jesus Cristo na Eucaristia. Com que amor e com que profundidade se referia o nosso Padre ao Santíssimo Sacramento! Sempre que, no decurso das suas viagens de catequese, falava deste tesouro da Igreja, aproveitava a oportunidade para fazer um profundo ato de fé. «O Senhor não está apenas no altar. Quando o sacerdote guarda as espécies sacramentais do Pão no Sacrário, ali fica Jesus Cristo, o Filho de Santa Maria sempre Virgem, O que nasceu do seu ventre, O que trabalhou em Nazaré caladamente depois de nascer em Belém; O que pregou, O que padeceu a Paixão e Morte na Cruz, O que ressuscitou e subiu aos Céus» 95.

Animei-vos, no início de 2012, a repetir a profissão de fé do apóstolo Tomé: Dóminus meus et Deus meus! (Jo 20, 28). Sugiro-vos também que, ao contemplar o Senhor escondido na Sagrada Eucaristia, Lhe dirijamos essas ou outras palavras, como S. Josemaria: «Senhor, creio que és Tu, Jesus, o Filho de Deus e de Maria sempre Virgem, que estás realmente presente: com o teu Corpo, com o teu Sangue, com a tua Alma e com a tua Divindade. Adoro-Te. Quero ser teu amigo, porque Tu és O que me redimiste. Quero ser o teu amor, porque Tu o és para mim» 96.

Minhas filhas e filhos, é de bons filhos assemelhar-se a tão bom pai, a S. Josemaria, com o esforço de percorrer cuidadosamente o caminho que nos traçou. Esforcemo-nos por cultivar o desejo santo de ser cada dia mais delicados na piedade eucarística. Ofereçamos todo o amor e atenção quando saudamos Jesus Sacramentado, ao entrar e sair das igrejas ou dos oratórios dos nossos Centros. Não seria lógico que Lhe manifestássemos com frequência palavras de carinho, com o coração? Assim havemos de agir, desde o local de trabalho, saboreando jaculatórias e comunhões espirituais. E desagravemos quando virmos ou ouvirmos algo que suponha uma ofensa ou descuido. Consideremos se as nossas genuflexões são verdadeira adoração.

São pinceladas – há muitas mais – desse amor eucarístico próprio de quem quer ser Opus Dei e fazer o Opus Dei.

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Notas:
95 S. Josemaria, Notas de uma reunião familiar, 11-XI-1972.
96 S. Josemaria, Notas de uma reunião familiar, 22-XI-1972.

09/02/2013

Carta do Prelado do Opus Dei por ocasião do Ano da Fé. 51


A MODO DE CONCLUSÃO


51. Antes de concluir, sugiro-vos três metas para fortalecer nos próximos meses a vossa vida de fé: piedade eucarística, trato com o Espírito Santo, devoção à Santíssima Virgem. Cada um, cada uma, com a ajuda da direcção espiritual poderá adaptá-las às suas circunstâncias pessoais.

Piedade eucarística

52. Bento XVI, na sua Carta Apostólica Porta fídei, expõe o seu desejo de que o Ano da Fé «suscite, em cada crente, o anseio de confessar a fé plenamente e com renovada convicção, com confiança e esperança». E especifica: «será uma ocasião propícia também para intensificar a celebração da fé na liturgia, particularmente na Eucaristia, que é “a meta para a qual se encaminha a acção da Igreja e a fonte de onde promana toda a sua força” (Sacrosánctum Concílium, 10). Simultaneamente esperamos que o testemunho de vida dos crentes cresça na sua credibilidade. Descobrir novamente os conteúdos da fé professada, celebrada, vivida e rezada e reflectir sobre o próprio ato com que se crê, é um compromisso que cada crente deve assumir, sobretudo neste Ano» 93.

Durante 2012 tiveram ou terão lugar alguns aniversários particularmente significativos na história do Opus Dei. Penso no centenário da primeira Comunhão de S. Josemaria, a 23 de Abril  no vigésimo aniversário da sua beatificação (17 de maio) e no décimo da sua canonização (6 de Outubro , no trigésimo da erecção pontifícia da Prelatura (28 de Novembro ... Estes e outros momentos da nossa história, no contexto da preparação e desenvolvimento do Ano da Fé, hão de se converter em ocasiões bem aproveitadas para renovar a nossa gratidão e o nosso louvor à Santíssima Trindade. E que melhor maneira de o conseguir senão através do Sacrifício de Cristo, sacramental­mente presente na Santa Missa?

Ao longo do Ano da Fé, portanto, havemos de dar um novo impulso às manifestações de piedade, vigorosa, firme, à Sagrada Eucaristia, mistério «que reúne em si todos os mistérios do Cristianismo» 94. Vamos tentar melhorar ainda mais, com consciência pessoal, nos dons que nos foram entregues com a nossa participação no único sacerdócio de Cristo: todos recebemos no Baptismo o sacerdócio comum dos fiéis e outros, além disso, ao ser ordenados sacerdotes, o sacerdócio ministerial. Convido-vos a dar mais realce ao exercício da alma sacerdotal quando assistis à Santa Missa ou a celebrais; apresentai cada dia sobre o altar o vosso trabalho, as vossas esperanças, as vossas dificuldades, as vossas penas e as vossas alegrias. Jesus Cristo uni-las-á ao seu Sacrifício e oferecerá tudo ao Pai, convertendo numa oblação agradável a Deus os momentos e circunstâncias do nosso caminhar terreno, de modo que seja um verdadeiro sacrifício de louvor, de ação de graças, de reparação pelos pecados. Tornar-se-à realidade a aspiração que S. Josemaria alentava no mais profundo do seu coração: que toda a nossa existência, as vinte e quatro horas do dia se convertam numa missa, pela sua íntima união com o Sacrifício do Altar.

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Notas:
92 S. Ambrósio, Exposição do Evangelho segundo S. Lucas, II, 32 (CCL 14, 45).
93 Bento XVI, Carta Apost. Porta fídei, 11-X-2011, n. 9.
94 S. Josemaria, Temas Actuais do Cristianismo, n. 113.

08/02/2013

Carta do Prelado do Opus Dei por ocasião do Ano da Fé. 50


Utilizar todos os meios

50. A condição indispensável e primária para recolher frutos apostólicos é, insisto, cultivar a vida de fé, que se traduz em recorrer aos meios sobrenaturais. Se fomentarmos a amizade com Jesus na oração pessoal, se formos aos sacramentos da Confissão e da Eucaristia, se falarmos com Nossa Senhora, com os anjos e com os santos, nossos intercessores diante de Deus, ajudaremos como colaboradores eficazes nessa pesca divina, na qual o Senhor Jesus nos quer meter. Para isso, seguindo o exemplo do Mestre, devemos amar sinceramente os amigos, colegas, todas as almas, vivendo o mandátum novum, o mandamento novo através do qual o Salvador anuncia que as pessoas conhecerão que somos seus discípulos (cf. Jo 13, 34-35).

Além disso, o Senhor deseja também que ponhamos ao seu serviço os meios materiais ao nosso alcance. Podemos deduzi-lo do ensinamento da primeira leitura da Missa de S. Josemaria. Depois de ter criado o mundo com a sua omnipotência, e com particular amor o primeiro homem e primeira mulher, o Senhor Deus tinha plantado um jardim no Éden, do lado do oriente, e colocou nele o homem que havia criado (…), para cultivá-lo e guardá-lo (Gn 2, 8-15).

Esta passagem da Sagrada Escritura tinha ficado profundamente gravada na mente do Fundador do Opus Dei. Desde o momento em que o Senhor lhe fez ver a sua Vontade, percebeu que nestas palavras do livro do Génesis se encontrava uma das chaves para levar a cabo a obrigação de santificar o trabalho e de se santificar através do trabalho. Mostra-se-nos decisivo o exemplo de Jesus que durante trinta anos se ocupou duma tarefa profissional na oficina de Nazaré, evidenciando o dever de utilizar também os meios humanos para a instauração do Reino de Deus.

Em qualquer atividade apostólica requer-se que confiemos, sobretudo, na ajuda de Deus e, ao mesmo tempo, que utilizemos para essa finalidade os meios materiais. As iniciativas do Opus Dei, por exemplo, necessitam das orações e da ajuda de muitas pessoas. E assim, com a graça de Deus e a contribuição generosa dessa piedade, de sacrifício, de esmola, de tantas pessoas de condição social muito diferente, ao serviço da Igreja em todo o mundo, leva-se a cabo um trabalho evangelizador cada vez mais amplo.

S. Josemaria sugeria que nos perguntássemos todos os dias: que fiz eu hoje para aproximar de Nosso Senhor alguns conhecidos? Em diferentes ocasiões, essa urgência será concretizada com uma conversa orientadora; com um convite para se acercar do sacramento da Penitência; com um conselho que ajuda a compreender melhor algum aspecto da vida cristã. S. Ambrósio, comentando a recuperação da fala por Zacarias, pai de João Baptista (cfr. Lc 1, 64), escreveu: «com toda a razão se desprendeu em seguida a sua língua, porque a fé desatou o que a incredulidade tinha atado» 92. A fé, se é viva, desata-nos a língua para dar testemunho de Cristo com o apostolado de amizade e confidência. E sempre preciso o oferecimento generoso da oração e da penitência pessoais, do trabalho bem terminado; aqui se nos apresentam os instrumentos mais importantes que temos de usar, para alcançar os objetivos apostólicos.

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Notas:
91 Bento XVI, Homilia no início do Pontificado, 24-IV-2005.

07/02/2013

Carta do Prelado do Opus Dei por ocasião do Ano da Fé. 49


49. Este foi o convite que o beato João Paulo II dirigiu aos católicos ao terminar o ano de 2000. «No início do novo milénio (…) um novo percurso de estrada se abre para a Igreja, ressoam no nosso coração as palavras com que um dia Jesus, depois de ter falado às multidões a partir da barca de Simão, convidou o Apóstolo a “fazer-se ao largo” para a pesca: “Duc in altum” (Lc 5, 4). Pedro e os primeiros companheiros confiaram na palavra de Cristo e lançaram as redes. “Assim fizeram e apanharam uma grande quantidade de peixe” (Lc 5, 6)» 89.


Esta cena, que o nosso Padre considerou e pregou frequentemente ao longo de toda a sua vida, contemplamo-la de modo muito imediato na leitura do Evangelho da Missa na festa de S. Josemaria. Convido-vos a meditar, uma vez mais, com cuidado, cada versículo, porque também agora, como nos tempos de Jesus, a multidão tem fome de ouvir a palavra de Deus.

O Senhor subiu à barca de Pedro para que a sua palavra chegasse à multidão; e pede logo a colaboração material de Simão e dos outros discípulos: nessa ocasião para remarem para o alto mar e em tantas outras para que a sua mensagem se estendesse cada vez mais. Concretiza-se, por um lado, esse primeiro modo de participar na missão evangelizadora: proporcionar à Igreja, como Pedro com a sua pobre barca, os recursos materiais oportunos para trabalhar com maior eficácia pelo bem das almas. Mas esse esforço não é suficiente. O Senhor chama-nos, além disso, a contribuir pessoalmente no apostolado, cada um segundo a sua própria situação pessoal, aproveitando as suas possibilidades com generosidade completa. Existe uma grande urgência de mulheres e homens seriamente empenhados no trabalho fascinante de levar as almas aos pés de Cristo, como os primeiros discípulos.

A pesca milagrosa aparece-nos como um sinal da eficácia apostólica com raiz na obediência à palavra do Mestre. Depois de ter doutrinado a multidão, Jesus volta-se para Pedro e para os outros, dizendo-lhes: faz-te ao largo, e lançai as vossas redes para pescar (Lc 5, 4). Simão obedece à ordem do Senhor, apesar da sua recente experiência negativa em obter resultados, e então, por esta docilidade, realiza-se o milagre: apanharam peixes em muita quantidade (Lc 5, 6).

«Duc in altum! Estas palavras ressoam, também hoje, para nós e convidam-nos a recordar com gratidão o passado, a viver com paixão o presente e abrir-se para o futuro com confiança: “Jesus Cristo é sempre o mesmo: ontem, hoje e por toda a eternidade” (Heb 13, 8)» 90.

Trago também à vossa mente, pela sua actualidade, o que Bento XVI pregou no início solene do seu serviço pastoral na Sé de Pedro:

«Também hoje é dito à Igreja e aos sucessores dos apóstolos que se façam ao largo no mar da história e que lancem as redes, para conquistar os homens para o Evangelho, para Deus, para Cristo, para a vida (…) Nós homens vivemos alienados, nas águas salgadas do sofrimento e da morte; num mar de obscuridade sem luz. A rede do Evangelho tira-nos para fora das águas da morte e conduz-nos ao esplendor da luz de Deus, na verdadeira vida. É precisamente assim: na missão de pescador de homens, no seguimento de Cristo, é necessário conduzir os homens para fora do mar salgado de todas as alienações rumo à terra da vida, rumo à luz de Deus. É precisamente assim: nós existimos para mostrar Deus aos homens. E só onde se vê Deus, começa verdadeiramente a vida. Só quando encontramos em Cristo o Deus vivo, conhecemos o que é a vida» 91.

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Notas:
89 Beato João Paulo II, Carta Apost. Novo millénnio ineúnte, 6-I-2001, n. 1.
90 Beato João Paulo II, Carta Apost. Novo millénnio ineúnte, 6-I-2001, n. 1.

06/02/2013

Carta do Prelado do Opus Dei por ocasião do Ano da Fé. 48


Ao largo!

48. Desde os começos do Opus Dei, o apostolado dos fiéis da Prelatura, dos Cooperadores e amigos, surgiu no seio da Igreja como um instrumento nas mãos do Senhor, para prestar grandes serviços em todo o mundo, apesar de nossa pequenez pessoal. Grátias tibi, Deus!, havemos de exclamar constantemente. E, ao mesmo tempo, devemos fazer mais. Duc in altum! (Lc 5, 4), ao largo, ir mais longe, sem medo e sem vacilar, apoiados sempre no firme alicerce do mandato do Mestre, cheios de segura fé n’Ele. Que panoramas apostólicos nos abre o Ano da Fé! Corresponde a cada um o empenho de aproveitá-los e esse trabalho de almas deve levar-se a cabo em qualquer situação em que nos encontremos: cuidando, acima de tudo, a petição a Deus por pessoas e intenções concretas.

Detenhamo-nos nas áreas prioritárias da nova evangelização que acima mencionei; e, perante o Ano da Fé, examinemos a nossa atuação individual para transmitir mais sabor cristão à própria família, ao ambiente profissional em que estamos inseridos, ao círculo cultural, social ou recreativo que frequentamos. Detenhamo-nos corajosamente neste exame, e tiremos consequências para a situação pessoal, sem ceder a inquietações vãs mas, quando for necessário, com dor de amor. Então a soma será, nalgumas ocasiões, a convicção de que ficámos aquém; podíamos ter rezado com mais intensidade, confiança e perseverança; ou que, talvez, nos faltou mais generosidade no oferecimento de sacrifícios, ou que temos de atuar com maior exigência nas conversas apostólicas ao serviço dos outros; ou que estamos a descuidar a formação doutrinal. Noutras ocasiões, daremos graças porque o Senhor quis servir-se de nós para a sua colheita de almas.

Admitir esta realidade, longe de levar ao desânimo, deve converter-se num novo impulso para pedir ao Céu uma fé mais viva e recomeçar! Nunc cœpi!, repetia S. Josemaria com palavras do Salmo: agora começo; esta mudança é efeito da mão direita do Altíssimo (cfr. Sl 76, 11, Vg). Assim temos de reagir, quando verificamos que os resultados são mais curtos que os desejos, e inclusive quando se veja com evidência a realidade da nossa pequenez pessoal ou a aparente ineficácia dos nossos esforços. Então, com mais urgência, a solução consiste em começar de novo: eúntes docéte! (Mt 28, 19), fiados na palavra do Senhor, como para a expansão a que Jesus Cristo enviou os discípulos.

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05/02/2013

Carta do Prelado do Opus Dei por ocasião do Ano da Fé. 47


Como o fermento na massa


47. Quando, nalguma ocasião, noteis com especial força o peso do ambiente adverso, no local de trabalho, entre os próprios parentes, no círculo de amigos e conhecidos, pensai com profunda responsabilidade que o Senhor chama os cristãos para ser fermento no meio da massa. O Reino dos céus é comparado ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha e que faz fermentar toda a massa (Mt 13, 33). E S. João Crisóstomo explica: «Como o fermento comunica a sua própria virtude a uma grande massa, assim vós haveis de transformar o mundo inteiro» 86.

Assim atuou e actua Deus na história do mundo. Nas suas mãos está a possibilidade de que todos caiam rendidos a seus pés, porque nenhuma criatura pode resistir ao seu poder; mas então não respeitaria a liberdade que Ele mesmo nos concedeu. Deus não quer vencer pela força, mas convencer pelo amor, contando com a colaboração livre e entusiasta doutras criaturas, sem ignorar que ao Mestre interessam as multidões, as pessoas, os desorientados como ovelhas sem dono. Não quer impor despoticamente a sua Verdade, mas também não fica indiferente ante a ignorância das pessoas ou os desvios morais; e por isso, da boca do bom pai de família que convida para o banquete, brota a indicação: Sai pelos caminhos e atalhos e obriga todos a entrar, para que se encha a minha casa (Lc 14, 23): compélle intráre!

«Mesmo que, permanecendo no mesmo lugar, Cristo tivesse podido atrair a Si as pessoas para ouvirem a sua pregação, não atuou desse modo; dando-nos exemplo, para que percorramos também nós os caminhos, buscando aqueles que se perdem como o pastor procura a ovelha perdida, como o médico socorre o doente» 87.

Por este trabalho constante produziram-se inúmeras conversões ao longo do caminho que a Igreja foi abrindo no mundo. Raramente surgiram como resultado da ação duma personalidade excecional, ou como resultado duma estratégia pensada até aos menores detalhes. Surgiram como efeito do bom exemplo de homens e mulheres, de famílias inteiras, que com a ajuda da graça praticaram a sua fé com naturalidade e souberam dar com continuidade razão da esperança que neles habitava (cfr. 1 Pd 3 15).

Que grande é a responsabilidade dos cristãos, de cada um de nós! Do nosso comportamento, do zelo pelas almas, dependem tantas tarefas grandes, altamente eficazes e atraentes. Se as pessoas se tornam insípidas, vós podeis devolver-lhes o seu sabor; mas se isso vos acontecer a vós, com a vossa perda arrastaríeis também os outros. Por isso, quanto maiores encargos tendes, mais necessitais de maior fervor e zelo 88.

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Notas:
86 S. João Crisóstomo, Homilias sobre o Evangelho de S. Mateus, 46, 2 (PG 58, 478).
87 S. João Crisóstomo, cit. por S. Tomás de Aquino, Suma Teológica, III, q. 40, a. 1 ad 2.
88 S. João Crisóstomo, Homilias sobre o Evangelho de S. Mateus, 15, 7 (PG 57, 231).

04/02/2013

Carta do Prelado do Opus Dei por ocasião do Ano da Fé. 46


Cada um no seu lugar

46. Ao fortalecer, com fé firme e perseverante, os fundamentos do nosso diálogo com a Trindade, as ações apostólicas concretas serão eficazes: aproveitemos todas as oportunidades que nos aparecerem, para servir as almas e caminhemos com o grande incentivo de criar outras novas. Procuremos acabar os nossos trabalhos, quaisquer que sejam, com total retidão de intenção, vigiando sobre nós próprios, para que não se infiltre nessas tarefas nenhuma vanglória. A retidão de intenção não se há-de desvanecer nem estar ausente no nosso trabalho diário. Assim, qualquer atividade, bem acabada e oferecida ao Céu, converter-se-á em identificação com Jesus Cristo, e contribuirá poderosamente para a própria unidade de vida.

No coração da nova evangelização da sociedade, cada pessoa tem um lugar preciso, atribuído pela Providência. Mas não devemos comportar-nos passivamente nem contentar-nos com o esforço por sermos fiéis: saiamos ao encontro das almas, para as servir, ali onde estão, nas mil encruzilhadas da organização social, na universidade e nas escolas, nos ambientes de trabalho e de descanso, nas famílias, a fim de lhes oferecer a formação cristã que necessitam. Sintamos a urgência santa de contribuir para o trabalho da Igreja no mundo, imitando os primeiros cristãos. Às vezes os obstáculos aparecerão diante dos nossos olhos, com evidente crueza; e chega então a hora de aplicarmos a nós próprios os parágrafos de uma carta de S. Josemaria, dirigida a todos, sem excepção:

«É lógico, meus filhos, que, algumas vezes, (...) sintais a vossa pequenez e penseis: comigo, todo esse trabalho?, comigo, que sou tão pouca coisa?, comigo, tão cheio de misérias e erros ?

Eu digo-vos que abrais, nesses momentos, o Evangelho de S. João e mediteis devagar aquela passagem que narra a cura do cego de nascença. Vede como Jesus faz lodo, com pó da terra e saliva, e aplica esse lodo nos olhos do cego, para lhe dar luz (cfr. Jo 9, 6). O Senhor usa como colírio um pouco de lodo (...). Com o conhecimento próprio da nossa fraqueza, do nosso nenhum valor, mas com a graça do Senhor e a boa vontade, somos medicina, para dar luz; somos, experimentando a nossa pequenez humana, fortaleza divina para os outros» 85.

Algumas e alguns estareis em condições de colaborar de modo mais imediato na instauração dessa nova cultura, dessa nova legislação, dessa nova moda – a que já me referi várias vezes, que, informadas pelo espírito evangélico, se hão-de promover sem desfalecimentos. Mas a todos, insisto, se nos atribui uma posição concreta nesta «guerra de amor e de paz». Cada uma, cada um, na linha de frente ou na retaguarda, estamos em condições de efetuar um apostolado diretíssimo que, em comunhão com toda a Igreja, incidirá eficazmente na consecução desses objectivos.

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Notas:
85 S. Josemaria, Carta 29-IX-1957, n. 16.

03/02/2013

Carta do Prelado do Opus Dei por ocasião do Ano da Fé. 45


A TAREFA APOSTÓLICA


45. A “missão”, a tarefa apostólica que o Senhor nos confiou só é possível a partir da “vida de fé” que temos vindo a descrever: deve ser como a “epifania” da fé. É a fé, doutrina e vida, que dá solidez e eficácia à existência cristã e a torna especialmente atraente, como prova a realidade de que muitas pessoas que não têm fé, desejam, talvez sem levar à prática esses desejos, alcançar a felicidade e a segurança, a paz, que veem nos que acreditam em Deus.

Ocupemo-nos do apostolado, desde a virtude da fé, como acabo de vos assinalar. Não deve diminuir, portanto, a nossa confiança diária no Senhor. É preciso reparar muito pelas ofensas a Deus e pelo dano que se causa às almas. Minhas filhas e filhos, precatemo-nos da urgência e continuidade desse desagravo, precisamente pelo apostolado pessoal que realizemos: essa reparação é como o termómetro que indica, sem qualquer dúvida, a profundidade dos sentimentos da nossa alma cristã, a autenticidade de nossa dor pela situação da sociedade. Procedamos assim, sabendo-nos, como dizia o nosso Padre, capazes de cometer os erros e horrores da criatura mais pecadora, se nos desprendermos da mão de Deus. Rejeitemos qualquer possibilidade de permanecer inactivos. Cada um pessoalmente, cada uma, em união de objetivos apostólicas, rezemos ao Senhor pelas pessoas que compartilham duma forma ou doutra os mesmos ideais; participemos sem medo nesta sementeira de paz, utilizando todos os meios lícitos para que os toques dos sinos do gáudium cum pace cheguem até ao último recanto da terra.

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02/02/2013

Carta do Prelado do Opus Dei por ocasião do Ano da Fé. 44


44. Essas palavras de S. Josemaria ajudam-nos a enfrentar com generosidade as mortificações habituais. Todos necessitamos de nos purificar sem vacilações: só assim estaremos em condições de sanear, com o júbilo próprio dos filhos de Deus, o ambiente em que estamos inseridos. «Expiação e, além da expiação, o Amor. – Um amor que seja cautério: que abrase a imundície da nossa alma, e fogo que incendeie, com chamas divinas, a miséria do nosso coração» 83. Sugiro-vos também que, se nalgum momento, nos sentirmos cobardes, contemplemos Jesus nas horas da sua Paixão por nosso amor. «Depois... serás capaz de ter medo à expiação?» 84


Através destas coordenadas da conduta cristã, fomentemos nos outros a urgência duma ação apostólica concreta e constante com os jovens e os mais velhos, com os sãos e os doentes, ou com aqueles de quem nos aproximamos por motivos do trabalho profissional ou pelas relações de amizade, parentesco, gostos, etc., que compõem o tecido da nossa participação no ambiente em que habitualmente estamos inseridos. Peçamos à Santíssima Virgem que nos aumente o zelo apostólico nos próximos meses, para sermos propagadores do júbilo da fé em Deus, e que actuemos sempre assim; roguemos-lhe também que envie abundantes graças do seu Filho, para que muitos homens e mulheres abram os corações à graça de Deus, sem hermetismos, e se decidam a caminhar com Cristo pela senda que conduz à felicidade plena, que Ele mesmo preparou para cada um, desde toda a eternidade.


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Notas:
83 S. Josemaria, Santo Rosário, IV Mistério gozoso.
84 S. Josemaria, Santo Rosário, II Mistério doloroso.

01/02/2013

Carta do Prelado do Opus Dei por ocasião do Ano da Fé. 43


O sal da mortificação


43. Inseparavelmente do trato com o Senhor, necessitamos da mortificação, que se eleva a Deus como «a oração dos sentidos». Há pessoas que se assustam com a palavra “expiação”, imaginando sabe-se lá que penas insuportáveis. Nada mais distante da realidade. Normalmente Deus pede-nos um espírito de penitência, que se manifesta no cumprimento bem acabado dos próprios deveres de estado e das circunstâncias de cada um; realizado perseverantemente com alegria, ainda que custe, mas sem descon­tinuidade, com fidelidade heróica nas pequenas coisas.

S. Josemaria, que foi tão generoso nas grandes penitências a que o Senhor o convidava, pois faziam parte da sua missão fundacional, atribuía também extraordinária importância à expiação pequena, mas repleta de amor. Assim o expõe numas breves notas de 1930, sobre o modo de fazer o exame de consciência. «Expiação: como recebi, neste dia, as contradições vindas da mão de Deus? As que me proporcionaram, com seu caráter, os meus companheiros? As da minha miséria? Soube oferecer ao Senhor, como expiação, a mesma dor, que sinto, por tê-lo ofendido tantas vezes!? Ofereci-Lhe a vergonha dos meus rubores e humilhações interiores, ao considerar o pouco que avanço no caminho das virtudes?» 81

O mundo tem hoje especial necessidade, e tê-la-á sempre, de almas que amem o sacrifício abraçado voluntariamente por amor de Deus. Em qualquer momento, também se ergue como arma capaz de vencer a luta contra o hedonismo, que tantas vítimas causa entre os cristãos e entre os não cristãos: contra o excessivo comodismo do corpo e dos sentidos. Consideremos que, para espezinhar o apego desordenado ao próprio eu, o remédio está no oferecimento submisso, verdadeiro holocausto, dos nossos sentidos internos e externos, das nossas potências, da nossa alma e do nosso corpo, realizado em estreita união com Jesus Cristo.

Havemos de «oferecer a nossa vida, a nossa dedicação sem reservas e sem regateios, em expiação pelos nossos pecados, pelos pecados de todos os homens, nossos irmãos; pelos pecados cometidos em todos os tempos, e pelos que se cometerão até ao fim dos séculos: sobretudo pelos católicos, pelos escolhidos de Deus, que não sabem corresponder, que atraiçoaram o amor de predileção que o Senhor lhes teve» 82; acrescentando uma faceta que o nosso Padre cuidou sempre: ganhar essa luta com esperançoso otimismo, com a segurança de que o Senhor nos fará vencedores, pela fé, pela confiança n’Ele, e pela caridade com Deus e com as almas.

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Notas:
81 S. Josemaria, 28-VII-1930, Apuntes íntimos, n. 75.
82 S. Josemaria, Carta 9-I-1932, n. 83.

31/01/2013

Carta do Prelado do Opus Dei por ocasião do Ano da Fé. 42


A arma da oração

42. Voltemos a ler umas palavras do beato João Paulo II, no dia da canonização do fundador do Opus Dei: «para desempenhar uma missão tão comprometedora, é necessário um incessante crescimento interior, alimentado pela oração. S. Josemaria Escrivá foi um mestre no exercício da oração, que ele considerava como uma ‘arma’ extraordinária para redimir o mundo. Assim, recomendava sempre: “Em primeiro lugar, a oração; depois, a expiação; e em terceiro lugar, mas somente ‘em terceiro lugar’, a ação” (Caminho, n. 82). Não se trata dum paradoxo, prosseguia o Papa, mas duma verdade perene: a fecundidade do apostolado depende sobretudo da oração e duma vida sacramental intensa e constante. Em última análise, este é o segredo da santidade e do verdadeiro êxito dos Santos» 79.

É uma atitude espiritual que este santo sacerdote, o nosso Padre, pôs em prática desde que o Senhor passou pela sua alma, e se reflete de modo diáfano nos primeiros anos do Opus Dei, quando tudo estava por fazer. Em 1930, o Opus Dei era então como uma criatura recém-nascida, S. Josemaria escrevia a Isidoro Zorzano, o único fiel da Obra naqueles momentos, umas palavras que mantêm validade perene. «Se queremos ser o que o Senhor e nós desejamos, anotava, havemos de fundamentar-nos bem, antes de tudo na oração e na expiação (sacrifício). Orar: nunca, repito, deixes a meditação ao levantar; e oferece em cada dia, como expiação, todas as dificuldades e sacrifícios da jornada» 80.

Sigamos este padrão de conduta, imprescindível para aumentar a nossa vida de fé e cumprir a missão sobrenatural que o Mestre confia aos cristãos. Por isso, em primeiro lugar havemos de crescer diariamente no relacionamento pessoal com Jesus Cristo. Tanto no meio do trabalho profissional mais exigente, como na quietude de uma capela ou igreja, ou no trânsito das ruas, também nos momentos de diversão ou descanso e, naturalmente, nas ocupações familiares, na doença e nas contrariedades, em todo o momento!, havemos de falar a Deus com a alma, com o coração, com os sentidos, com os lábios, esforçando-nos por converter tudo o que fazemos em oração grata a Deus, muitas vezes sem palavras. Mas, insisto, a oração é fruto da vida de fé. É preciso muita fé para pedir realmente, com convicção, como fez S. Josemaria: Jesus, diz-me algo, diz-me algo, Jesus.

Não esqueçamos que a pessoa que reza a sério avança na virtude da humildade; tem a alegria da filiação divina; sente a urgência do apostolado diário; atua sempre com amabilidade e cordialidade; sabe servir; procura desaparecer e é dócil na direção espiritual.

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Notas:
79 Beato João Paulo II, Homilia na Missa de canonização de S. Josemaria, 6-X-2002.
80 S. Josemaria, Carta a Isidoro Zorzano, 23-XI-1930.

30/01/2013

Carta do Prelado do Opus Dei por ocasião do Ano da Fé. 41


Recorrer ao Espírito Santo

41. Assim como Jesus Cristo pregou a boa nova sob o impulso do Espírito Santo (cfr. Lc 4, 14), assim os cristãos têm de recorrer cheios de confiança ao Paráclito, como recomendava o beato João Paulo II, quando se aproximava o Jubileu do ano 2000. «Nos compromissos primários (…), escreveu numa Carta apostólica, inclui-se, portanto a redescoberta da presença e ação do Espírito que age na Igreja quer sacramentalmente, sobretudo mediante a Confirmação, quer através de múltiplos carismas, cargos e ministérios por Ele suscitados para o bem dela» 76.

Nada mais lógico, portanto, que no apostolado pessoal e em qualquer trabalho apostólico contemos acima de tudo com a consoladora realidade de que o Espírito Santo actua sem cessar, a fim de santificar as almas, embora geralmente leve a cabo a sua acção em silêncio. Ele é, «também, na nossa época, o agente principal da nova evangelização (…), Aquele que constrói o Reino de Deus no curso da história e prepara a sua plena manifestação em Jesus Cristo, animando os homens no mais íntimo deles mesmos e fazendo germinar dentro da existência humana os gérmenes da salvação definitiva que acontecerá no fim dos tempos» 77. Não duvidemos: se recorrermos com fé ao Consolador, Ele porá nas nossas bocas a palavra acertada, a sugestão oportuna, a correção amável e humilde ante condutas erradas, que ajudarão essas pessoas a reagir.

Cultivemos seriamente, portanto, o trato com o Espírito Santo, porque, como também ensinava S. Josemaria, falando da catuação do Senhor nos filhos fiéis, «Deus não só passa, mas permanece em nós. Para dizê-lo de alguma maneira, está no centro da nossa alma em graça, dando sentido sobrenatural às nossas ações, desde que não nos oponhamos e O expulsemos dali pelo pecado. Deus está escondido em vós e em mim, em cada um» 78.

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Notas:
76 Beato João Paulo II, Carta Apost. Tértio millénnio adveniénte, 10-XI-1994, n. 45.
77 Beato João Paulo II, Carta Apost. Tértio millénnio adveniénte, 10-XI-1994, n. 45.
78 S. Josemaria, Notas de uma reunião familiar, 8-XII-1971.