21/12/2012

Evangelho do dia e comentário



Advento Semana III



S. Pedro Canísio – Doutor da Igreja





Evangelho: Lc 1, 39-45

39 Naqueles dias, levantando-se Maria, foi com pressa às montanhas, a uma cidade de Judá. 40 Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. 41 Aconteceu que, logo que Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino saltou-lhe no ventre, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo; 42 e exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre. 43 Donde a mim esta dita, que venha ter comigo a mãe do meu Senhor? 44 Porque, logo que a voz da tua saudação chegou aos meus ouvidos, o menino saltou de alegria no meu ventre. 45 Bem-aventurada a que acreditou, porque se hão-de cumprir as coisas que lhe foram ditas da parte do Senhor».

Comentário:

O que acontece quando Jesus se aproxima de nós?

Uma alegria, mal contida, de termos ali o nosso Salvador.

E, o facto é, que Ele se encontra connosco a cada instante.

Esse pobre a quem demos uma esmola, o amigo que visitámos no hospital, aqueloutro que ouvimos com paciência porque não tinha mais ninguém com quem conversar, este colega de trabalho que continuamos a saudar todas as manhãs apesar de nunca nos responder, o acolhimento que demos ao nosso filho mais novo que nos quer explicar algo de informática que, a nós, não nos interessa para nada...

Todos esses, todos os seres humanos, são outros Cristos a requerer a nossa atenção, o nosso interesse.

Aí, sim... aí nesses encontros deparamo-nos com uma alegria que nos fará estremecer de júbilo:

A alegria cristã.

(ama, comentário sobre, Lc 1, 39-45, 2011.12.21)

Leitura espiritual para 21 Dez 2012


Não abandones a tua leitura espiritual.
A leitura tem feito muitos santos.
(S. josemariaCaminho 116)


Está aconselhada a leitura espiritual diária de mais ou menos 15 minutos. Além da leitura do novo testamento, (seguiu-se o esquema usado por P. M. Martinez em “NOVO TESTAMENTO” Editorial A. O. - Braga) devem usar-se textos devidamente aprovados. Não deve ser leitura apressada, para “cumprir horário”, mas com vagar, meditando, para que o que lemos seja alimento para a nossa alma.

Para ver, clicar SFF.

Carta do Prelado do Opus Dei por ocasião do Ano da Fé. 1




Queridíssimos: que Jesus vos guarde!

1. Todos tivemos uma grande alegria com a Carta Apostólica Porta fídei, em que o Papa nos anunciou o Ano da Fé. Bento XVI não poupou esforços para apresentar os conteúdos fundamentais do Evangelho, numa linguagem acessível aos homens do século XXI. E nesta linha, por ocasião do quinquagésimo aniversário do início do Concílio Vaticano II, convocou em 11 de Outubro de 2011, um Ano da Fé, que terá início no próximo 11 de outubro e terminará na solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo, em 24 de novembro de 2013. O início deste ano coincide ainda com o vigésimo aniversário da Constituição Apostólica Fídei depósitum com a qual o beato João Paulo II ordenou a publicação do Catecismo da Igreja Católica, um texto de extraordinário valor para a formação pessoal e para a catequese que havemos de levar a cabo incessantemente em todos os ambientes.

O Ano da Fé apresenta-se, portanto, como uma nova chamada a cada um dos filhos da Igreja, para tomarmos consciência viva da fé, para nos esforçarmos por conhecê-la melhor e por pô-la fielmente em prática e, ao mesmo tempo, para nos esforçarmos por divulgá-la, comunicando o seu conteúdo, com o testemunho do exemplo e da palavra, às inúmeras pessoas que não conhecem Jesus Cristo ou não Lhe falam.

O Santo Padre lamenta que um grande número de cristãos, também entre aqueles que se consideram católicos, «sinta maior preocupação com as consequências sociais, culturais e políticas da fé do que com a própria fé, considerando esta como um pressuposto óbvio da sua vida diária. Ora um tal pressuposto não só deixou de existir, mas frequentemente acaba até negado. Enquanto, no passado, era possível reconhecer um tecido cultural unitário, amplamente compartilhado no seu apelo aos conteúdos da fé e aos valores por ela inspirados, hoje parece que já não é assim em grandes setores da sociedade devido a uma profunda crise de fé que atingiu muitas pessoas» [1].

Copyright © Prælatura Sanctæ Crucis et Operis Dei
Nota: Publicação devidamente autorizada

____________________
Notas:

[1] Bento XVI, Carta Apost. Porta fídei, 11-X-2011, n. 2.

Tratado da bem-aventurança 17


Questão 3: Que é a bem-aventurança.


Em seguida devemos tratar da bem-aventurança e o que ela exige.

Sobre o primeiro ponto oito artigos se discutem:

Art. 1 — Se a bem-aventurança é algo de incriado.
Art. 2 — Se a bem-aventurança é operação.
Art. 3 — Se a bem-aventurança consiste também na actividade dos sentidos.
Art. 4 — Se a bem-aventurança consiste no acto da vontade.
Art. 5 — Se a bem-aventurança consiste na actividade do intelecto prático.
Art. 6 — Se a bem-aventurança do homem consiste na consideração das ciências especulativas.
Art. 7 — Se a bem-aventurança do homem consiste no conhecimento das substâncias separadas, i. é, dos anjos.
Art. 8 — Se a bem-aventurança do homem consiste na visão da essência divina em si mesma.

Art. 1 — Se a bem-aventurança é algo de incriado.


O teu trabalho deve ser oração


Antes de começar a trabalhar, põe sobre a tua mesa, ou junto dos utensílios do teu trabalho, um crucifixo. De vez em quando, lança-Lhe um olhar... Quando a fadiga chegar, fugir-te-ão os olhos para Jesus, e encontrarás nova força para prosseguir no teu empenho. Porque esse crucifixo é mais do que o retrato de uma pessoa querida – os pais, os filhos, a mulher, a noiva... – ; Ele é tudo: o teu Pai, teu Irmão, teu Amigo, teu Deus e o Amor dos teus amores. (Via Sacra, Estação XI. n. 5)

Costumo dizer com frequência que, nestes momentos de conversa com Jesus, que nos vê e nos ouve do sacrário, não podemos cair numa oração impessoal. E observo também que, para meditar de modo a que se inicie imediatamente um diálogo com o Senhor, não é preciso pronunciar palavras. Precisamos, sim, de sair do anonimato e de nos pôr na sua presença tal como somos, sem nos escondermos na multidão que enche a igreja, nem nos diluirmos num palavreado oco, que não brota do coração mas de um costume desprovido de conteúdo.
Posto isto, acrescento agora que também o teu trabalho deve ser oração pessoal e há-de converter-se numa grande conversa com o Nosso Pai do Céu. Se procuras a santificação na tua actividade profissional e através dela, terás necessariamente de te esforçar para que ela se converta numa oração sem anonimato. E nem sequer estes teus afãs podem cair na obscuridade anódina de uma tarefa rotineira, impessoal, porque nesse mesmo instante teria morrido o aliciante divino que anima o teu trabalho quotidiano. (Amigos de Deus, n. 64)

Música de Natal 2


20/12/2012

Evangelho do dia e comentário

Advento Semana III

Evangelho: Lc 1, 26-38

26 Estando Isabel no sexto mês, foi enviado por Deus o anjo Gabriel a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, 27 a uma virgem desposada com um varão chamado José, da casa de David; o nome da virgem era Maria. 28 Entrando o anjo onde ela estava, disse-lhe: «Salve, ó cheia de graça; o Senhor é contigo». 29 Ela, ao ouvir estas palavras, perturbou-se e discorria pensativa que saudação seria esta. 30 O anjo disse-lhe: «Não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus; 31 eis que conceberás no teu ventre, e darás à luz um filho, a Quem porás o nome de Jesus. 32 Será grande e será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus Lhe dará o trono de Seu pai David; 33 reinará sobre a casa de Jacob eternamente e o Seu reino não terá fim». 34 Maria disse ao anjo: «Como se fará isso, pois eu não conheço homem?». 35 O anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo descerá sobre ti e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a Sua sombra; por isso mesmo o Santo que há-de nascer de ti será chamado Filho de Deus. 36 Eis que também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na sua velhice; e este é o sexto mês da que se dizia estéril; 37 porque a Deus nada é impossível». 38 Então Maria disse: «Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra». E o anjo afastou-se dela.

Comentário:

Naturalmente que neste tempo de Advento, a Liturgia há-de proclamar repetidamente este relato da Anunciação mas, não só porque estamos em tempo de Advento, portanto de expectativa, de espera de um Nascimento próximo.
Não!
O que vai celebrar-se a 25 de Dezembro é algo tão importante e transcendente que se impõe uma preparação atenta e cuidada.
E fazemo-lo com esta alegria verdadeira por a Virgem ter dito "fiat mihi secundum verbum tuum"!

Sim!

A ela devemos o Natal do Salvador, Jesus Cristo nosso Senhor!

(ama, comentário sobre Lc 1, 26-38, 2011.12.20

Leitura espiritual para 20 Dez 2012


Não abandones a tua leitura espiritual.
A leitura tem feito muitos santos.
(S. josemariaCaminho 116)


Está aconselhada a leitura espiritual diária de mais ou menos 15 minutos. Além da leitura do novo testamento, (seguiu-se o esquema usado por P. M. Martinez em “NOVO TESTAMENTO” Editorial A. O. - Braga) devem usar-se textos devidamente aprovados. Não deve ser leitura apressada, para “cumprir horário”, mas com vagar, meditando, para que o que lemos seja alimento para a nossa alma.


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PENSAMENTOS INSPIRADOS À PROCURA DE DEUS 295



Dás testemunho do que fazes,
ou dás testemunho do que Deus faz em ti?

Música de Nata 1


CULTIVAR A FÉ 30


Confiar em Deus
…6

RECOMEÇAR

Simão e os seus companheiros seguiram o conselho do Senhor e apanharam tão grande quantidade de peixes, que as redes se rompiam. Do fruto dessa audácia beneficiaram outros que os vieram ajudar e as duas barcas encheram-se tanto que quase se afundavam. Abundância tão extraordinária levou Pedro a aperceber-se da proximidade de Deus e a sentir-se indigno de tal familiaridade: Afasta-Te de mim, Senhor, pois eu sou um homem pecador. No entanto, poucos minutos depois, deixadas todas as coisas, seguiram-n’O. E foram fiéis até à morte.

Pedro descobriu o Senhor naquela pesca extraordinária. Teria reagido da mesma maneira se na noite anterior lhe tivesse corrido bem o seu trabalho? Talvez não. Talvez num fruto especialmente generoso tivesse reconhecido uma ajuda de Jesus Cristo, mas não se teria apercebido até que ponto Deus estava perto e tudo se devia a Ele. Para que o milagre movesse a alma de Simão, convinha que a noite anterior lhe tivesse corrido muito mal apesar do seu empenho sincero.

O Senhor serve-Se dos nossos defeitos para nos atrair para Ele, sempre que nos esforcemos sinceramente por vencê-los. Por isso, lutando, temos de gostar de nós como somos, com os nossos defeitos. Ao fazer-Se homem, o Verbo assumiu limitações, as próprias da condição humana, essas diante das quais nós por vezes nos revoltamos. No caminho de identificação com Cristo é decisivo aceitar os próprios limites.

Tantas vezes, é precisamente a consciência serena da nossa indigni-dade que nos faz descobrir Cristo ao nosso lado, porque vemos com clareza que os peixes que há nas nossas redes não foi a nossa perícia que os lá pôs, mas Deus. E essa experiência enche-nos de alegria e convence-nos uma vez mais que é a contrição que nos faz avançar na vida interior. 

Então, como Pedro, lançamo-nos aos pés de Jesus Cristo; e, também como ele, acabamos por deixar tudo – inclusive essa pesca extraordinária! – para O seguir, porque só Ele nos interessa.

A prontidão para a contrição marca o caminho da alegria. Precisamente a tua vida interior deve ser isso: começar... e recomeçar . Que profunda alegria experimenta a alma quando descobre, na prática, o significado destas palavras! Não se cansar de recomeçar, eis aqui um segredo para a eficácia e para a paz. Porque quem tem essa atitude deixa trabalhar o Espírito Santo na sua alma, colabora com Ele sem pretender substitui-l’O, luta com toda a energia e com plena confiança em Deus.

j. diéguez, 2011.12.20

Nota: Revisão da tradução portuguesa por AMA.

Tratado da bem-aventurança 16


Questão 2: Em que consiste a bem-aventurança do homem.

Art. 8 — Se a bem-aventurança do homem consiste em algum bem criado.


(I. q. 12, a . 1, IV Cont. Gent., cap. LIV, Compend. Theol., part. I cap. CVIII, part. II. cap. IX, De Regim. Princip., lib. I cap. VIII, In Psalm., XXXII)

O oitavo discute-se assim. — Parece que a bem-aventurança do homem consiste em algum bem criado.


Que idade têm os teus filhos?


19/12/2012

CONTO DE NATAL 2012

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A tarde chegava rapidamente ao fim.
Era Inverno, e por isso mesmo, muito cedo o Sol baixava por entre as árvores.
Estava cansada, muito cansada!
Tinha passado todo o dia à beira da estrada, à espera, numa vida em que se tinha embrenhado e a envergonhava, mas da qual não arranjava forças para sair.
E diziam que a prostituição era uma vida fácil!
Pior ainda, pois tinha que à noite ir para aquele bar, fazer de conta que estava bem-disposta e gostava daquela vida!
 
Reconhecia que o enorme cansaço que sentia era muito mais psíquico, do que físico.
Há tempos que a ideia de sair daquela vida, era um constante pensamento, que em todos os momentos lhe tirava o descanso e o pouco bem-estar que ainda pudesse sentir.
 
Lembrava-se bem do namoro com aquele rapaz, que parecia ter tudo o necessário para acabar num feliz casamento. Depois engravidou, e começaram as complicações.
Ele apresentou-lhe aquele “amigo” e quando deu por si estava num bar a beber taças de suposto “champagne”, com homens que não conhecia. Daí até ao sexo pago foi um instante!
Vá lá, tinha resistido ao aborto, e aquela filha que estava em casa, era agora a sua única razão de viver.
 
Ao princípio tudo pareceu fácil, e até se convenceu que não fazia mal nenhum a ninguém, nem a ela própria. Já que tinha aquele corpo, aproveitava-o para ganhar dinheiro e depois …
Depois haveria de sair daquela vida.
 
Tantas promessas daquele patife!
Era preciso agora ganhar dinheiro, dizia ele, e depois quando tivessem um “pé-de-meia”, partiriam para outras paragens onde não os conhecessem, e haviam de viver felizes.
Mas não era possível fazer nenhuma poupança, porque ele tirava-lhe tudo o que trazia para casa, para gastar com os amigos. E quando o que trazia deixou de chegar para tudo o que ele queria, começou a obriga-la a ir para a estrada, onde ainda se sentia mais aviltada e destruída.
Há já há algum tempo que sentia vergonha de si própria e agora que os anos iam passando preocupava-se muito mais com o futuro da sua filha, e com o facto de um dia ela poder saber o que era a sua vida.
 
Veio-lhe à memória a casa dos seus pais.
Não era gente com dinheiro, mas era gente de amor e lembrava-se bem do carinho com que a tratavam, (era filha única), e dos exaustivos conselhos do seu pai acerca daquele namorado que, dizia ele, não prestava para nada. Mas a juventude que julga tudo saber, tinha-a levado a sair de casa para seguir o seu grande amor!
 
Grande amor???
Se pudesse agora ver-se livre dele, seria o melhor presente de Natal que alguém lhe podia dar, porque, lembrou-se, era dia 24 de Dezembro, véspera de Natal, a noite dos presentes em casa dos seus pais.
 
Uma tristeza profunda estremeceu-a!
Não, não iria passar mais esta noite de Natal naquele bar, vivendo aquela vida!
Tomou uma decisão e disse para si mesma: Vou passar por casa à hora que ele não está, (deixo um recado com uma desculpa qualquer), pego na menina, e vou passar a noite de Natal a casa dos meus pais, pois tenho a certeza de que me hão-de receber.
 
Tomada a decisão, pareceu-lhe sentir um alívio imenso no cansaço que a assolava.
Chegou a casa, tomou um banho rápido, desejando que mais do que o corpo, lhe fosse lavada a “alma” para se poder encontrar com os seus pais. Escreveu uma qualquer desculpa num papel, pegou na filha e saiu rapidamente para a casa da sua infância, que ficava numa terra muito próxima.
 
Passado pouco tempo já batia à porta da casa onde tinha crescido e brincado com tanta felicidade. A porta abriu-se, e, ao espanto inicial, sucederam-se quatro braços que a apertavam e esmagavam de amor!
Já na sala começou a ensaiar um discurso de desculpas, de justificação, mas os seus pais disseram-lhe com carinho para se calar, sentar no sofá, pôr os pés em cima da mesa pequena e descansar, porque se tinham apercebido do seu enorme cansaço.
Pegaram na neta e foram para o quarto ao lado.
 
Ela sentiu-se num casulo de amor!
Um calor inexplicável fazia-se sentir no seu coração e ela fechou os olhos desejando que aquele momento nunca mais acabasse.
Sem saber como, viu-se de repente no meio da praça da sua terra e muita gente à sua volta, gesticulando e gritando.
Percebeu que a insultavam, lhe chamavam prostituta e que a queriam expulsar da sua terra.
Cheia de medo e vergonha, as lágrimas corriam-lhe pela cara abaixo.
Viu então um homem que se destacou do meio de toda aquela gente, e com uma voz cheia de força, mas de carinho também, disse: Aquele que de vocês que nunca errou ou cometeu nenhum mal, pegue no braço dela e leve-a até aos limites aqui da terra.
 
E ao dizer isto, aquele homem olhava-os nos olhos, firmemente.
Lentamente deixaram de se ouvir gritos, todos aqueles homens e mulheres baixaram as cabeças e começaram a sair da praça, em silêncio.
Então o homem aproximou-se dela, enxugou-lhe as lágrimas com os seus dedos e disse-lhe:
Pelos vistos ninguém te expulsou! Também eu não te expulso, antes te abraço! Vai à tua vida, mas muda-a enquanto podes!
 
Pareceu-lhe que o homem lhe pegava no braço, mas quando acordou percebeu que era o seu pai que delicadamente lhe dizia: Anda, vem comer, a ceia de Natal está na mesa!
 
Lembrou-se da catequese em criança e da passagem bíblica em que queriam apedrejar a mulher adúltera, e percebeu que num sonho Deus lhe tinha “falado”, e dado uma nova oportunidade para a sua vida.
Tinha finalmente a força de que necessitava para pôr fim àquela vida!
 
Soube naquele momento que tudo tinha mudado e que não voltaria a fazer da sua vida a desgraça que até então vivia.
E alegrou-se, por ela, pela sua filha, pelos seus pais.
Feliz aproximou-se da mesa e a sua mãe disse-lhe: Como estavas a dormir, foi a tua filha que colocou o Menino Jesus no presépio.
 
Olhou para os seus pais com todo o carinho de que era capaz, pegou na sua filha ao colo e disse:
O Menino Jesus já não está no presépio. Está no meu coração!
 
 
 
Marinha Grande 10 de Dezembro de 2012
Joaquim Mexia Alves 
 
 
 
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Evangelho do dia e comentário

Advento Semana III

Evangelho: Lc 1, 5-25

5 Houve no tempo de Herodes, rei da Judeia, um sacerdote chamado Zacarias, da turma de Abias; a sua mulher era da descendência de Aarão e chamava-se Isabel. 6 Ambos eram justos diante de Deus, caminhando irrepreensivelmente em todos os mandamentos e preceitos do Senhor. 7 Não tinham filhos, porque Isabel era estéril e ambos se achavam em idade avançada. 8 Sucedeu que, exercendo Zacarias as funções de sacerdote diante de Deus na ordem do seu turno, 9 segundo o costume sacerdotal, tocou-lhe por sorte entrar no templo do Senhor a oferecer o incenso. 10 Toda a multidão do povo estava a fazer oração da parte de fora, à hora do incenso. 11 Apareceu-lhe um anjo do Senhor, de pé ao lado direito do altar do incenso. 12 Zacarias, ao vê-lo, ficou perturbado e o temor o assaltou. 13 Mas o anjo disse-lhe: «Não temas, Zacarias, porque foi ouvida a tua oração; tua mulher Isabel dar-te-á um filho, ao qual porás o nome de João. 14 Será para ti motivo de júbilo e de alegria, e muitos se alegrarão no seu nascimento; 15 porque ele será grande diante do Senhor; não beberá vinho nem outra bebida inebriante; será cheio do Espírito Santo desde o ventre da sua mãe; 16 e converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus. 17 Irá adiante de Deus com o espírito e a fortaleza de Elias, “a fim de reconduzir os corações dos pais para os filhos”, e os rebeldes à prudência dos justos, para preparar ao Senhor um povo bem disposto». 18 Zacarias disse ao anjo: «Como hei-de verificar isso? Porque eu sou velho e a minha mulher está avançada em anos». 19 O anjo respondeu-lhe: «Eu sou Gabriel que estou diante de Deus; fui enviado para te falar e te dar esta boa nova. 20 Eis que ficarás mudo e não poderás falar até ao dia em que estas coisas sucedam, visto que não acreditaste nas minhas palavras, que se hão-de cumprir a seu tempo». 21 Entretanto, o povo esperava Zacarias e admirava-se de ver que ele se demorava tanto no templo. 22 Quando saiu, não lhes podia falar, e compreenderam que tinha tido alguma visão no templo, o que lhes dava a entender por acenos; e ficou mudo. 23 Aconteceu que, depois de terem acabado os dias do seu ministério, retirou-se para a sua casa. 24 Alguns dias depois, Isabel, sua mulher, concebeu, e durante cinco meses esteve escondida, dizendo: 25 «Isto é uma graça que me fez o Senhor nos dias em que me olhou para tirar o meu opróbrio de entre os homens».

Comentário:

Considerando as duas ‘anunciações’ evidenciam-se grandes diferenças:

Maria é uma jovem virgem inocente.
Zacarias um idoso sacerdote.

A pergunta de Maria é de ordem espiritual.
A questão de Zacarias é meramente física.

A ambos é dada uma resposta mas, a ele, acrescenta-se ‘uma penalidade’.

A Virgem deseja remover os obstáculos para compreender.

O Sacerdote levanta-os para acreditar.

(ama, comentário sobre Lc 1, 5-25, 2011.12.19)

Leitura espiritual para 19 Dez 2012


Não abandones a tua leitura espiritual.
A leitura tem feito muitos santos.
(S. josemariaCaminho 116)


Está aconselhada a leitura espiritual diária de mais ou menos 15 minutos. Além da leitura do novo testamento, (seguiu-se o esquema usado por P. M. Martinez em “NOVO TESTAMENTO” Editorial A. O. - Braga) devem usar-se textos devidamente aprovados. Não deve ser leitura apressada, para “cumprir horário”, mas com vagar, meditando, para que o que lemos seja alimento para a nossa alma.

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Nunca amarás bastante


Os verdadeiros obstáculos que te separam de Cristo – a soberba, a sensualidade... – superam-se com oração e penitência. E rezar e mortificar-se é também ocupar-se dos outros e esquecer-se de si próprio. Se viveres assim, verás como a maior parte dos contratempos que tens, desaparecem. (Via Sacra, Estação X. n. 4).
Falas e não te escutam. E, se te escutam, não te entendem. És um incompreendido!... De acordo. De qualquer forma para que a tua cruz tenha todo o relevo da Cruz de Cristo, é preciso que trabalhes agora assim, sem te ligarem importância. Outros te entenderão. (Via Sacra, Estação III. n. 4).

Quantos, com a soberba e a imaginação, se metem nuns calvários que não são de Cristo!

A Cruz que deves levar é divina. Não queiras levar nenhuma cruz humana. Se alguma vez caíres nessa armadilha, rectifica imediatamente: bastar-se-á pensar que Ele sofreu infinitamente mais por nosso amor. (Via Sacra, Estação III. n. 5).

Por muito que ames, nunca amarás bastante.

O coração humano tem um coeficiente de dilatação enorme. Quando ama, dilata-se num crescendo de carinho que supera todas as barreiras.

Se amas o Senhor, não haverá criatura que não encontre lugar no teu coração. (Via Sacra, Estação VIII. n. 5)

Música - 1999


CULTIVAR A FÉ 29


Confiar em Deus
…5

ABANDONO

O crescimento na vida interior não depende de que estejamos seguros de qual é a Vontade de Deus. O afã desmesurado de segurança é o ponto onde o voluntarismo se encontra com o sentimentalismo. Por vezes, o Senhor permite uma insegurança que, bem orientada, nos ajuda a crescer em rectidão de intenção. O que importa é abandonar-se nas Suas mãos e neste confiar n’Ele encontra-se a paz.

Com a nossa luta não procuramos conseguir sentimentos agradáveis. Muitas vezes os teremos; outras, não. Um pouco de exame talvez nos faça descobrir que os procuramos com maior frequência do que imaginamos, se não em si mesmos, ao menos como sinal de que a nossa luta é eficaz. 

Apercebemo-nos disso, por exemplo, ao experimentar desânimo perante uma tentação a que não cedemos, mas que persiste; ao sentir aborrecimento porque algo nos custa e – assim raciocinamos – não nos deveria custar; ao notar desconforto porque a entrega não nos atrai do modo sensivelmente impetuoso de que gostaríamos...

Temos que lutar no que podemos lutar, sem nos preocuparmos com o que não está na nossa mão dominar; os sentimentos não estão totalmente submetidos à nossa vontade e não podemos pretender que estejam.

Temos que aprender a abandonar-nos, deixando nas mãos de Deus o resultado da nossa luta, porque só a confiança n’Ele vence essas inquietações. Se queremos ser pescadores de águas profundas, temos que levar a barca in altum, onde não temos pé; temos que superar o desejo de procurar referências, de sentir que vamos para a frente. Mas para o conseguir é decisivo apoiar-se na contrição.

j. diéguez, 2011.12.20

Nota: Revisão da tradução portuguesa por AMA.