04/12/2012

CULTIVAR A FÉ 14


Uma pedagogia da fé na família - a propósito de alguns ensinamentos de S. Josemaria …/9

Educação para a santidade.

O primado da graça.

Ao longo da sua vida e, de modo particular, entre 1970 e 1975, ano da sua morte, levou a cabo uma amplíssima catequese sobre os sacramentos. Doía-lhe a “moda”, difundida naquela época, de retardar o baptismo das crianças com o pretexto de uma escolha mais consciente por parte dos baptizados. É oportuno recordar aqui a doutrina sobre os efeitos do baptismo, que “não somente purifica de todos os pecados, mas que também faz do neófito “uma nova criação” (2 Cor 5, 17), um filho adoptivo de Deus, que foi feito “participante da natureza divina” (2 Pe 1, 4), membro de Cristo, co-herdeiro com Ele e templo do Espírito Santo. A Santíssima Trindade dá ao baptizado a graça santificante, a graça da justificação que o torna capaz de crer em Deus, de esperar n’Ele e de o amar através das virtudes teologais; concede-lhe poder viver e actuar sob a moção do Espírito Santo mediante os dons do Espírito Santo; permite-lhe crescer no bem através das virtudes morais” [i].

Baseado nesta forte convicção, S. Josemaria lamentava: “Não faltam os que parece que esquecem, e que chegam a desprezar, esta corrente redentora da graça de Cristo (…). Decidem sem o menor escrúpulo retardar o baptismo dos recém-nascidos, privando-os – e cometendo assim um grave atentado contra a justiça e contra a caridade – da graça da fé, do tesouro incalculável da inabitação da Santíssima Trindade na alma, que vem ao mundo manchada pelo pecado original. Pretendem também desvirtuar a natureza própria do Sacramento da Confirmação, no qual a Tradição viu sempre unanimemente um robustecimento da vida espiritual, uma efusão calada e fecunda do Espírito Santo, para que, fortalecida sobrenaturalmente, a alma possa lutar – miles Christi, como soldado de Cristo – nessa batalha interior contra o egoísmo e a concupiscência”
[ii].

Com frequência referia-se também à confissão das crianças, animando os pais a levar os seus filhos, sem adiamentos, a esse sacramento.

“Que alegria ir confessar-se! Eu confessei milhares e milhares de crianças. Não se perde o tempo: aproveita-se, aprende-se com aquelas almas nas quais o Espírito Santo está a actuar. Como as mães dais à pequenada o vosso sangue e, depois, o néctar do vosso peito; assim o Espírito Santo, metido na alma dessas criaturas, que talvez não se dêem conta de nada, actua, actua, actua. E o sacerdote colabora com Ele, com o Espírito Santo. Além disso, a graça do sacramento, que é também o Espírito Santo em acção”
[iii].

michele dolz, publicado em Romana, n. 32 (2001), 2011.09.12

Nota: Revisão gráfica por ama.



[i] Catecismo da Igreja Católica, nn. 1265-1266.
[ii] S. Josemaria Escrivá, Cristo que passa, n. 78.
[iii] Notas de uma tertúlia em Santiago do Chile, 2-VII-1974; AGP, P11, p. 106.

A experiência da dor 2


A interacção mútua entre a dor e o amor

«Não esqueças que a Dor é a pedra de toque do Amor» [i]. 
Esta afirmação incisiva e profunda de São Josemaria Escrivá está relacionada com as diferentes reacções perante a dor.

Existe uma relação entre a maneira como cada pessoa vive a dor e a sua forma de amar, porque somente se aceita a dor quando se capta que o seu sentido é o amor. Só assim se pode chegar a exclamar: Bendita seja a dor. – Amada seja a dor. Santificada seja a dor... – Glorificada seja a dor!» [ii].

Nos escritos de S. Josemaria, o mistério da dor é uma constante pedra de toque; converte-se em ocasião para um encontro cara a cara com Deus, que se fez Homem para nos ensinar a viver como homens.

Ao escolher a Encarnação, Jesus Cristo quis experimentar todo o sofrimento humanamente possível para nos ensinar que o amor pode superar qualquer tipo de dor. Numa das passagens de Caminho, S. Josemaria expressa: Todo um programa para frequentar com aproveitamento a cadeira da dor, é-nos dado pelo Apóstolo: "spe gaudentes" – na esperança, alegres; "in tribulatione patientes" – pacientes, na tribulação; "orationi instantes" – na oração, perseverantes.» [iii].

A dor é um ponto de encontro entre a alegria da esperança e a necessidade da oração. Os cristãos aceitam a dor com a esperança de um gozo futuro. Estão plenamente conscientes dos seus limites e confiam na ajuda que se implora a Deus na oração.

Não se trata do convencimento da capacidade própria para enfrentar as dificuldades por si mesmo, nem de adoptar a posição pessimista de quem pensa que o sofrimento é a última e inevitável estação no caminho da vida, «Se sabes que essas dores — físicas ou morais — são purificação e merecimento, bendi-las» [iv].

p. binetti, 2012.09.07



[i] Caminho, 439.
[ii] Caminho, 208.
[iii] Caminho, 209.
[iv] Caminho, 219.

03/12/2012

Evangelho do dia e comentário


ADVENTO SEMANA I

S. Francisco Xavier
EVANGELHO: Mt 8, 5-11


5 Tendo entrado em Cafarnaum, aproximou-se d'Ele um centurião, e fez-Lhe uma súplica, 6 dizendo: «Senhor, o meu servo jaz em casa paralítico e sofre muito». 7 Jesus disse-lhe: «Eu irei e o curarei». 8 Mas o centurião, respondeu: «Senhor, eu não sou digno de que entres na minha casa; diz, porém, uma só palavra, e o meu servo será curado. 9 Pois também eu sou um homem sujeito a outro, mas tenho soldados às minhas ordens, e digo a um: “Vai”, e ele vai; e a outro: “Vem”, e ele vem; e ao meu servo: “Faz isto”, e ele o faz». 10 Jesus, ouvindo estas palavras, admirou-Se, e disse para os que O seguiam: «Em verdade vos digo: Não achei fé tão grande em Israel. 11 Digo-vos, pois, que virão muitos do Oriente e do Ocidente, e se sentarão com Abraão, Isaac e Jacob no Reino dos Céus.

Comentário:

Não são os filhos dignos de receber em sua casa o seu Pai que os visita?
Evidentemente, sim e é normal esmerarem-se para o receber bem, o melhor que podem, talvez preparando um refeição algo especial...
Porém, quando o Pai é o Criador e Senhor de todas as coisas estas "atenções" ganham especial relevo e, por mais que procuremos não encontraremos nada suficientemente digno de tão ilustre hóspede.
Esta constatação, real, verdadeira, serve a muitos de desculpa para não receberem com frequência a Sagrada Comunhão.
Não nos deixemos levar por falsas razões ou escrúpulos desmedidos, preparemo-nos com uma boa e recta confissão e, depois, vamos receber Jesus sabendo que è, verdadeiramente, o que Ele mais deseja: vir à nossa alma em graça e, aí, estabelecer morada.

(ama, comentário sobre Mt 8, 5-11, 2011.11.28

Leitura espiritual para 03 Dez 2012


Não abandones a tua leitura espiritual.
A leitura tem feito muitos santos.
(S. josemaria, Caminho 116)


Está aconselhada a leitura espiritual diária de mais ou menos 15 minutos. Além da leitura do novo testamento, (seguiu-se o esquema usado por P. M. Martinez em “NOVO TESTAMENTO” Editorial A. O. - Braga) devem usar-se textos devidamente aprovados. Não deve ser leitura apressada, para “cumprir horário”, mas com vagar, meditando, para que o que lemos seja alimento para a nossa alma.


Para ver, clicar SFF.

Tratado sobre a conservação e o governo das coisas 72


Questão 119: Da propagação do homem quanto ao corpo.



Em seguida, deve-se tratar da propagação do homem, quanto ao corpo.


E sobre esta questão, dois artigos se discute:
Art. 1 — Se algo do alimento se transforma realmente em natureza humana.
Art. 2 — Se o sémen é um alimento supérfluo ou faz parte da substância do gerador.

Art. 1 — Se algo do alimento se transforma realmente em natureza humana.

Queremos ver com olhos limpos


Que formosa é a santa pureza! Mas não é santa, nem agradável a Deus, se a separarmos da caridade. A caridade é a semente que crescerá e dará frutos saborosíssimos com a rega que é a pureza. Sem caridade, a pureza é infecunda, e as suas águas estéreis convertem as almas num lodaçal, num charco imundo, donde saem baforadas de soberba. (Caminho, 119)

É verdade que a caridade teologal é a virtude mais alta, mas a castidade é a exigência sine qua non, condição imprescindível para chegar ao diálogo íntimo com Deus. Quem não a guarda, se não luta, acaba por ficar cego. Não vê nada, porque o homem animal não pode perceber as coisas que são do Espírito de Deus .

Animados pela pregação do Mestre, nós queremos ver com olhos limpos: bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.

A Igreja sempre apresentou estas palavras como um convite à castidade. Guardam um coração sadio, escreve S. João Crisóstomo, os que possuem uma consciência completamente limpa ou os que amam a castidade. Nenhuma virtude é tão necessária como esta para ver a Deus. (Amigos de Deus, 175)

PENSAMENTOS INSPIRADOS À PROCURA DE DEUS 287


O Autor das Escrituras Sagradas é o Espírito Santo.
Recorre a Ele para as poderes entender.

CULTIVAR A FÉ 13


Uma pedagogia da fé na família - a propósito de alguns ensinamentos de S. Josemaria …/8

Educação para a santidade.

O primado da graça.


Como era um óptimo teólogo, S. Josemaria não caiu nunca no engano mais clássico do educador cristão: tentar obter do educando com meios humanos o que só pode ser alcançado com a ajuda da graça de Deus. Pelo contrário, desenvolveu uma constante catequese sobre a necessidade de recorrer sempre às fontes da graça, aos sacramentos, e propôs a luta ascética pessoal como correspondência à graça.

Utilizando a terminologia de muitos Padres
[i], falava de divinização do cristão, como uma realidade de facto e como um objectivo. Levava absolutamente a sério, como pertencentes à vida cristã, as expressões de S. João sobre a comunhão (koinonía) entre Cristo e o fiel, que tem como protótipo a comunhão entre Cristo e o Pai. Por exemplo, ensinava a recitar frequentemente e a meditar as palavras de Jesus: “que todos sejam um, como Tu, Pai, em mim e eu em Ti, que assim eles estejam em nós” [ii]. E também: “Se algum me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará e viremos a ele e faremos morada nele” [iii]. Frase que comentava assim: “o coração sente então a necessidade de distinguir e adorar cada uma das pessoas divinas. De certo modo, é uma descoberta que a alma faz na vida sobrenatural, como as de uma criancinha que vai abrindo os olhos à existência. E entretém-se amorosamente com o Pai e com o Filho e com o Espírito Santo; e submete-se facilmente à actividade do Paráclito vivificador, que se nos entrega sem o merecermos; os dons e as virtudes sobrenaturais!” [iv].

Basta um olhar aos escritos de S. Josemaria Escrivá para dar-se conta da profusão com que volta ao tema da inabitação da Santíssima Trindade na alma, do qual faz derivar o programa prático da vida cristã: vida de “filhos no Filho”
[v], quer dizer filhos de Deus in Christo, segundo a expressão recorrente em S. Paulo, pelo envio do Espírito Santo [vi]. S. Paulo, com efeito, desenvolveu o conceito da presença do Espírito na alma, de algum modo pré-anunciada, como foi dito [vii]], por la shekinah de Deus no Templo: “Não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? (…). O templo de Deus é santo, e esse templo sois vós” [viii].

S. Josemaria formula toda a formação cristã como uma ajuda para que a inabitação e a divinização – e, portanto, a consciência de ser filhos de Deus em Cristo – se traduzam na oração e no recurso oportuno e consciente aos sacramentos. Para ele, conduzir à oração e aos sacramentos era realmente educar.

“Se abandonarmos os Sacramentos, desaparece a verdadeira vida cristã. Contudo, não se nos oculta que particularmente nesta época não falta quem pareça esquecer, e até chegue a desprezar, esta corrente redentora da graça de Cristo. É doloroso falar desta chaga da sociedade que se chama cristã, mas torna-se necessário, para que nas nossas almas se afinque o desejo de recorrermos com mais gratidão e amor a essas fontes de santificação”
[ix].

michele dolz, publicado em Romana, n. 32 (2001), 2011.09.12

Nota: Revisão gráfica por ama.



[i] Cfr., por exemplo, J. Grosso, La divinisation du chrétien d’après les Pères Grecs, Gabalda, Paris 1938; cfr. também o artigo Divinisation, no Dictionnaire de Spiritualité, Beauchesne, Paris.
[ii] Jo 17, 21.
[iii] Jo 14, 23.
[iv] S. Josemaria Escrivá, Amigos de Deus, n. 306.
[v] Concílio Vaticano II, Decl. Gaudium et spes, n. 22.
[vi] Cfr. Gal 4, 6.
[vii] Cfr. L. Bouyer, La Bible et l’Évangile, Du Cerf, Paris 1952; Idem,Mysterion. Du mystère à la mystique, Oeil, Paris 1986.
[viii] 1 Cor 3, 16-17.
[ix] S. Josemaria Escrivá, Cristo que passa, n. 78.

A experiência da dor 1


Ninguém pode considerar-se “perito” na dor; tem sempre uma dimensão de originalidade: na forma como se manifesta, nas suas causas e nas diversas reacções que desencadeia. Muitas vezes encontramo-nos a sofrer profundamente por motivos e razões que nunca esperamos.

O Santo Padre João Paulo II escreve: «O sofrimento humano suscita compaixão; suscita também respeito e, à sua maneira, atemoriza. Com efeito, nele está contida a grandeza de um mistério específico [...] o homem, no seu sofrimento, é um mistério intangível» [i].

S. Josemaria con Isidoro Zorzano
A principal peculiaridade da dor humana é que coloca uma questão existencial. «Dentro de cada sofrimento experimentado pelo homem, e também na profundidade do mundo do sofrimento, aparece inevitavelmente a pergunta: porquê? É uma pergunta acerca da causa, da razão; uma pergunta acerca da finalidade (para quê); enfim, acerca do sentido» [ii]

Com efeito, quando se empreende a busca do sentido da dor, o ser humano questiona-se sobre o sentido da sua própria existência e procura aclarar o alcance e o significado da sua própria liberdade. «Posso recusar a dor? Posso, porventura, fixar uma distância da dor, eliminá-la? A dor imprime à vida o seu sentido efémero» [iii].

Esta experiência humana move-nos a procurar a ajuda de outras pessoas e a oferecer, ao mesmo tempo, a nossa assistência. A experiência da dor ensina-nos a prestar mais atenção às outras pessoas [iv]. A dor marca a diferença entre uma pessoa madura e equilibrada, que é capaz de enfrentar obstáculos e situações difíceis, e uma pessoa que se deixa levar e absorver pelas suas próprias emoções e sensações.

p. binetti, 2012.09.07



[i] JOÃO PAULO II, Carta Apostólica, Salvifici doloris, 4.
[ii] Ibidem, 9.
[iii] C.S. LEWIS, Diario di un dolore, Milano 1990, p. 40.
[iv] Cfr. Forja, 987.

02/12/2012

Evangelho do dia e comentário



 
 
 
ADVENTO SEMANA I
EVANGELHO: Lc 21, 25-28. 34-36

25 «Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra haverá consternação dos povos pela confusão do bramido do mar e das ondas,26 morrendo os homens de susto, na expectativa do que virá sobre toda a terra, porque as próprias forças celestes serão abaladas.27 Então verão o Filho do Homem vir sobre uma nuvem com grande poder e majestade.28 Quando começarem, pois, a suceder estas coisas, erguei-vos e levantai as vossas cabeças, porque está próxima a vossa libertação».
34 «Velai, pois, sobre vós, para que não suceda que os vossos corações se tornem pesados com o excesso do comer e do beber e com os cuidados desta vida, e para que aquele dia não vos apanhe de improviso;35 porque ele virá como uma armadilha sobre todos os que habitam a superfície de toda a terra.36 Vigiai, pois, orando sem cessar, a fim de que vos torneis dignos de evitar todos estes males que devem suceder, e de aparecer com confiança diante do Filho do Homem».

Comentário:

Começou o Advento, começou o tempo de preparação para a vinda do Redentor. Com a Sua vinda à terra, assumindo a nossa humanidade, igual em tudo a nós, excepto no pecado, Jesus Cristo vem como o Salvador, o que, redimindo-nos com a Sua Morte e Ressurreição, nos restitui os direitos perdidos como consequência do pecado. Há que estar preparado e, por isso, a Igreja estabeleceu este tempo do Advento – de preparação para O que há-de vir – para que reentremos em nós mesmos e, seguindo os avisos de João Baptista, endireitemos os nossos caminhos e aplanemos as dificuldades para que, o Senhor, quando vier, encontre os nossos corações dispostos para O receber.
Ele tem muito a dizer-nos e só com o coração limpo e despido de atavios e coisas que não interessam, que fomos acumulando ao longo do ano, poderemos receber e entender a Sua mensagem de salvação.


(ama, comentário sobre Lc 21, 25-28. 34-36, 2009.07.14)

Leitura espiritual para 02 Dez 2012


Não abandones a tua leitura espiritual.
A leitura tem feito muitos santos.
(S. josemaria, Caminho 116)


Está aconselhada a leitura espiritual diária de mais ou menos 15 minutos. Além da leitura do novo testamento, (seguiu-se o esquema usado por P. M. Martinez em “NOVO TESTAMENTO” Editorial A. O. - Braga) devem usar-se textos devidamente aprovados. Não deve ser leitura apressada, para “cumprir horário”, mas com vagar, meditando, para que o que lemos seja alimento para a nossa alma.


Para ver, clicar SFF.

Tratado sobre a conservação e o governo das coisas 71


Questão 118: Da geração da alma humana.


Art. 3 — Se as almas humanas foram criadas simultaneamente, no princípio do mundo.

(Supra, q. 90, a. 4, I Sant., dist. VIII. q. 5. a. 2, ad 6, II Sent., dist. III, q. I, a. 4, ad I, dist. XVII, q. 2, a. 2,· II Cont. Gent., cap.LXXXIII, LXXIV, De Pot., q.3, a. 10, De Malo, q. 5, a. 4, ad Hebr., cap. I, lect. IV).

O terceiro discute-se assim. — Parece que as almas humanas foram criadas simultaneamente, no princípio do mundo.


Um só coração e uma só alma


Hás-de ser, como filho de Deus e com a sua graça, varão ou mulher forte, de desejos e de realidades. Não somos plantas de estufa. Vivemos no meio do mundo e temos de estar a todos os ventos, ao calor e ao frio, à chuva e aos ciclones..., mas fiéis a Deus e à sua Igreja. (Forja, 792)

O trabalho da Igreja, cada dia, é como um grande tecido que oferecemos a Nosso Senhor, porque todos os baptizados somos Igreja.

Se cumprirmos – fiéis e entregues –, este grande tecido será formoso e sem defeito. Mas, se se solta um fio aqui, outro ali e outro pelo outro lado..., em vez de um bonito tecido, teremos um farrapo feito em tiras. (Forja, 640)

Pede a Deus que na Santa Igreja, nossa Mãe, os corações de todos, como na primitiva cristandade, sejam um só coração, para que até ao fim dos séculos se cumpram de verdade as palavras da Escritura: "multitudinis autem credentium erat cor unum et anima una", a multidão dos fiéis tinha um só coração e uma só alma.

– Falo-te muito seriamente: que por tua causa não se lese esta unidade santa. Leva isto à tua oração! (Forja, 632)

Oferece a oração, a expiação e a acção por esta finalidade: "ut sint unum!", para que todos os cristãos tenham uma mesma vontade, um mesmo coração, um mesmo espírito: para que "omnes cum Petro ad Iesum per Mariam!", todos, bem unidos ao Papa, vamos a Jesus, por Maria. (Forja, 647)

CULTIVAR A FÉ 12


Uma pedagogia da fé na família - a propósito de alguns ensinamentos de S. Josemaria …/7

Educação para a santidade.

 “Convém que não se percam essas tradições maravilhosas de rezar em família, mas sem os obrigar. Que vos vejam conservá-las com afecto, que saibam a que horas se reza o Terço, e acabarão por se juntar a vós. Mas sem os forçar! Se se põem a jeito – o que acontecerá se fazes o possível por ser amigo deles – explicai-lhes a sós: olha, este costume que temos é uma coisa de séculos, e devemos continuá-lo porque agrada muito a Nossa Senhora, porque é grato a Deus, e assim Ele nos abençoa. Mas fá-lo quanto tu quiseres, com toda a liberdade. E voltarão” [i].

A margem de liberdade será pouco a pouco mais ampla, na medida do seu crescimento e desenvolvimento. Também este é um traço destacado da pedagogia de S. Josemaria Escrivá: não temer a liberdade, porque sem ela não há verdadeiro amadurecimento. O próprio Cristo quis correr o risco da nossa liberdade, gostava de dizer. E convidava ao mesmo tempo à paciência (“porque Deus tem muita paciência connosco”), a não ter pressa com as almas, precisamente porque se tem urgência de as formar bem.

“Não podes obrigar os teus filhos mais velhos a cumprir à força as obrigações religiosas. Não deves puxar-lhes as orelhas e dizer-lhes: vais comigo à Missa. Porque, ainda que materialmente os leves à igreja, se não querem ouvir a Santa Missa, não a ouvem.

Que saibam que fazem mal e que ofendem a Deus; e que o ofendem gravemente, se não cumprem as suas obrigações em matéria grave. Mas tu, fica tranquila, e reza. Recorda-te de Santa Mónica a rezar pelo seu filho Agostinho. Se rezares por eles, depois de ter-lhes explicado os seus deveres, está certa de que Deus acabará por mover os seus corações, e o Espírito Santo arrastará aquelas almas. Aqueles corações, até à contrição e à boa conduta”
[ii].
 
michele dolz, publicado em Romana, n. 32 (2001), 2011.09.12

Nota: Revisão gráfica por ama.



[i] Notas de uma tertúlia em Madrid (Espanha), 28-X-1972: AGP, P11, p. 109.
[ii] Notas de uma tertúlia em S. Paulo (Brasil), 2-VI-1974; AGP, P11, p. 111.

Música - 2006

agrad ALS