Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
27/12/2020
Pequena agenda do cristão
26/12/2020
Fim do ano
A passos largos aproxima-se o final do Ano.
Será a ocasião ideal para um exame.
O cristão deve estar sempre disponível para se
examinar, mas, nesta circunstância em particular, o exame de um ano que acaba.
Será difícil?
Não... se tivermos por hábito escrever um diário.
O diário pessoal é - afirmo sem receio - de uma
utilidade extraordinária porque nos permite ir acompanhando a par e passo o
nosso comportamento e reacções perante as diferentes circunstâncias do
dia-a-dia.
Excesso de zelo?
Não! Medida sábia e prudente.
Dez 2020
São José
DO
PAPA FRANCISCO
POR OCASIÃO DO 150º
ANIVERSÁRIO DA DECLARAÇÃO DE SÃO JOSÉ COMO PADROEIRO UNIVERSAL DA IGREJA
3. Pai na obediência
De forma análoga a quanto
fez Deus com Maria, manifestando-Lhe o seu plano de salvação, também revelou a
José os seus desígnios por meio de sonhos, que na Bíblia, como em todos os
povos antigos, eram considerados um dos meios pelos quais Deus manifesta a sua
vontade.[13]
José sente uma angústia
imensa com a gravidez incompreensível de Maria: mas não quer «difamá-la»,[14] e
decide «deixá-la secretamente» (Mt 1, 19). No primeiro sonho, o anjo ajuda-o a
resolver o seu grave dilema: «Não temas receber Maria, tua esposa, pois o que
Ela concebeu é obra do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, ao qual darás o
nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados» (Mt 1, 20-21). A sua
resposta foi imediata: «Despertando do sono, José fez como lhe ordenou o anjo»
(Mt 1, 24). Com a obediência, superou o seu drama e salvou Maria.
No segundo sonho, o anjo dá
esta ordem a José: «Levanta-te, toma o menino e sua mãe, foge para o Egito e
fica lá até que eu te avise, pois Herodes procurará o menino para o matar» (Mt
2, 13). José não hesitou em obedecer, sem se questionar sobre as dificuldades
que encontraria: «E ele levantou-se de noite, tomou o menino e sua mãe e partiu
para o Egito, permanecendo ali até à morte de Herodes» (Mt 2, 14-15).
No Egito, com confiança e
paciência, José esperou do anjo o aviso prometido para voltar ao seu país. Logo
que o mensageiro divino, num terceiro sonho – depois de o informar que tinham
morrido aqueles que procuravam matar o menino –, lhe ordena que se levante,
tome consigo o menino e sua mãe e regresse à terra de Israel (cf. Mt 2, 19-20),
de novo obedece sem hesitar: «Levantando-se, ele tomou o menino e sua mãe e
voltou para a terra de Israel» (Mt 2, 21).
Durante a viagem de
regresso, porém, «tendo ouvido dizer que Arquelau reinava na Judeia, em lugar
de Herodes, seu pai, teve medo de ir para lá. Então advertido em sonhos – e é a
quarta vez que acontece – retirou-se para a região da Galileia e foi morar numa
cidade chamada Nazaré» (Mt 2, 22-23).
Por sua vez, o evangelista
Lucas refere que José enfrentou a longa e incómoda viagem de Nazaré a Belém,
devido à lei do imperador César Augusto relativa ao recenseamento, que impunha
a cada um registar-se na própria cidade de origem. E foi precisamente nesta
circunstância que nasceu Jesus (cf. 2, 1-7), sendo inscrito no registo do
Império, como todos os outros meninos.
São Lucas, de modo
particular, tem o cuidado de assinalar que os pais de Jesus observavam todas as
prescrições da Lei: os ritos da circuncisão de Jesus, da purificação de Maria
depois do parto, da oferta do primogénito a Deus (cf. 2, 21-24).[15]
Em todas as circunstâncias
da sua vida, José soube pronunciar o seu «fiat», como Maria na Anunciação e
Jesus no Getsémani.
Na sua função de chefe de
família, José ensinou Jesus a ser submisso aos pais (cf. Lc 2, 51), segundo o
mandamento de Deus (cf. Ex 20, 12).
Ao longo da vida oculta em
Nazaré, na escola de José, Ele aprendeu a fazer a vontade do Pai. Tal vontade
torna-se o seu alimento diário (cf. Jo 4, 34). Mesmo no momento mais difícil da
sua vida, vivido no Getsémani, preferiu que se cumprisse a vontade do Pai, e
não a sua,[16] fazendo-Se «obediente até à morte (…) de cruz» (Flp 2, 8). Por
isso, o autor da Carta aos Hebreus conclui que Jesus «aprendeu a obediência por
aquilo que sofreu» (5, 8).
Vê-se, a partir de todas
estas vicissitudes, que «José foi chamado por Deus para servir diretamente a
Pessoa e a missão de Jesus, mediante o exercício da sua paternidade: desse
modo, precisamente, ele coopera no grande mistério da Redenção, quando chega a
plenitude dos tempos, e é verdadeiramente ministro da salvação».[17]
Francisco
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[11] Cf. Deuteronómio4, 31;
Salmo 69, 17; 78, 38; 86, 5; 111, 4; 116, 5; Jeremias 31, 20.
[12] Cf. Francisco, Exort.
ap. Evangelii gaudium (24 de novembro de 2013), 88; 288: AAS 105 (2013) 1057;
1136-1137.
[13] Cf. Génesis 20, 3; 28,
12; 31, 11.24; 40, 8; 41, 1-32; Números 12, 6; I Samuel 3, 3-10; Daniel 2; 4;
Job 33, 15.
[14] Também nestes casos,
estava prevista a lapidação (cf. Deuteronómio 22, 20-21).
[15] Cf. Levítico 12, 1-8;
Êxodo 13, 2.
[16] Cf. Mateus 26, 39;
Marcos 14, 36; Lucas 22, 42.
[17] São João Paulo II,
Exort. ap.Redemptoris custos (15 de agosto de 1989), 8: AAS 82 (1990), 14.
LEITURA ESPIRITUAL Dez 26
Mt
XV 21 – 39
A cananeia
21
Jesus partiu dali e retirou-se para os lados de Tiro e de Sídon. 22 Então, uma
cananeia, que viera daquela região, começou a gritar: «Senhor, Filho de David,
tem misericórdia de mim! Minha filha está cruelmente atormentada por um
demónio.» 23 Mas Ele não lhe respondeu nem uma palavra. Os discípulos
aproximaram-se e pediram-lhe com insistência: «Despacha-a, porque ela
persegue-nos com os seus gritos.» 24 Jesus replicou: «Não fui enviado senão às
ovelhas perdidas da casa de Israel.» 25 Mas a mulher veio prostrar-se diante
dele, dizendo: «Socorre-me, Senhor.» 26 Ele respondeu-lhe: «Não é justo que se
tome o pão dos filhos para o lançar aos cachorros.» 27 Retorquiu ela: «É
verdade, Senhor, mas até os cachorros comem as migalhas que caem da mesa de
seus donos.» 28 Então, Jesus respondeu-lhe: «Ó mulher, grande é a tua fé!
Faça-se como desejas.» E, a partir desse instante, a filha dela achou-se
curada.
Cura de muitos enfermos
29 Partindo dali, Jesus foi para junto
do mar da Galileia. Subiu ao monte e sentou-se. 30 Vieram ter com Ele numerosas
multidões, transportando coxos, cegos, aleijados, mudos e muitos outros, que
lançavam a seus pés. Ele curou-os, 31 de modo que as multidões ficaram
maravilhadas ao ver os mudos a falar, os aleijados escorreitos, os coxos a
andar e os cegos com vista. E davam glória ao Deus de Israel.
Segunda multiplicação dos pães
32 Jesus, chamando os discípulos,
disse-lhes: «Tenho compaixão desta gente, porque há já três dias que está
comigo e não tem que comer. Não quero despedi-los em jejum, pois receio que
desfaleçam pelo caminho.» 33 Os discípulos disseram-lhe: «Onde iremos buscar,
num deserto, pães suficientes para saciar tão grande multidão?» 34 Jesus
perguntou-lhes: «Quantos pães tendes?» Responderam: «Sete, e alguns peixinhos.»
35 Ordenou à multidão que se sentasse. 36 Tomou os sete pães e os peixes, deu
graças, partiu-os e dava-os aos discípulos, e estes, à multidão. 37 Todos
comeram e ficaram saciados; e, com os bocados que sobejaram, encheram sete
cestos. 38
Ora, os que comeram eram quatro mil homens, sem contar mulheres e crianças. 39
Depois de ter despedido a multidão, Jesus subiu para o barco e veio para a
região de Magadan.
Não
se trata de dar muito ou dar pouco.
Não interessa se o que se dá, nos sobra, ou
nos faz falta.
No
primeiro caso, de facto dá-se, no segundo, reparte-se.
Aqui reside a grande diferença da
solidariedade: Dar e repartir são duas coisas bastante diferentes.
Ambas são, evidentemente, dádiva, só que uma
é um pouco mais que isso, traduz uma preocupação real, efectiva, pelos outros
e, sobretudo, um saudável conceito que, de facto, nada é propriamente nosso.
No hospital, na cabana, no palácio, na paz e
na guerra, todos nascemos nus e, aquilo que nos põem em cima, ou que nos
vestem, não depende absolutamente da nossa vontade ou querer.
Durante
muito tempo, alguns anos pelo menos, ninguém nos perguntará o que queremos
fazer, o que desejaríamos tomar como alimento. Não temos qualquer capacidade
de escolha ou eleição do quer que seja.
Somos,
efectivamente, seres humanos, com direitos e garantias mas, esses direitos e
garantias, que são efectivamente nossos, tal como a nossa identidade única e
irrepetível, não depende de nós, não os podemos exigir.
Somos
inteiramente dependentes dos outros, da sociedade em geral e de alguns em
particular.
Durante algum tempo – talvez muitos anos –
teremos uma ilusão de independência porque podemos escolher, optar por fazer
isto em vez daquilo, gostar desta pessoa e não daquela, pretendendo comandar a
nossa própria vida diária.
Isto é uma ilusão.
Todo o conhecimento que adquirimos foi-nos
proporcionado por alguém que no-lo transmitiu, ou partilhou connosco.
O
que ficamos a saber não nos valerá de coisa nenhuma senão houver alguém que
nos proporcione pô-lo em prática, desenvolvendo e aumentando a panóplia de
serviços que se podem colocar à disposição da sociedade.
Nem
mesmo quando atingimos o topo de uma carreira profissional deixamos de depender
de outros que irão pondo em prática o que lhes vamos transmitindo.
Há, portanto, uma igualdade e interdependência
intrínseca real e consistente entre os seres humanos.
Esta não é uma conclusão apressada ou de mera
retórica, é uma constatação.
A vida humana encerra em si mesma, muitos
aspectos de contradição e, tal, custa-nos aceitar de bom grado.
(AMA,
Migalhas para o caminho, ISBN 978-989-20.4856-7)
Reflexão
Tentações "teológicas".
4
Inspirações
Temos de ter bem claro o que é uma
inspiração. Penso que se trata de
algo que Deus ou o Anjo da nossa Guarda ou algum Santo no Céu - no Céu todos
são Santos - instila no nosso espírito.
Mas, quando
nos atemos ás inspirações para
fazer o que devemos fazer e quando deve ser feito devemos ter plena consciência
de onde nos vem.
Porquê?
Porque
o demónio também se serve da inspiração que, neste caso é uma tentação, sendo a
única forma de comunicar connosco.
A
sua capacidade de enganar é "especializada" masca-rando como bom o
que é intrinsecamente mau, aliás, ele não quer nem pode fazer ou sugerir algo
bom.
Virtudes
A alegria cristã 4
O seu oposto
A paixão oposta à alegria é a tristeza,
causada por não se possuir o bem-amado. Se a origem da alegria é o amor –
digamos que é o efeito e o ato da caridade -, a da tristeza será, portanto, o
egoísmo. São Tomás salienta que a tristeza «tem a sua origem no amor
desordenado de si mesmo, que não é um vício especial, mas sim a raiz comum de
todos os vícios» São Tomás de Aquino, Suma Teológica, II-II, q. 28, a. 4.. Não são, pois, a
dor ou as dificuldades que se opõem à alegria, mas a tristeza que pode nascer
da falta de fé e esperança perante essas situações. Por isso, a tristeza é
vista como uma doença da alma, que pode proceder de uma causa fisiológica
(doença ou cansaço) ou de uma causa moral: o pecado cometido e a falta de
correspondência à graça, que poderá conduzir à acédia ou tibieza espiritual.
São Josemaria prevenia ante a presença da
tristeza, à qual considerava uma “aliada do inimigo”: «Não há alegria? - Então
pensa: há um obstáculo entre Deus e eu. - Quase sempre acertarás» (Caminho, n.
662). Por outro lado, o que se sabe filho de Deus não pode permitir que os
pecados pessoais o conduzam à tristeza, pois encontra o amor misericordioso do
Pai e a “força” de conhecer e reconhecer a sua debilidade: «Quando te afligirem
as tuas misérias, não fiques triste. - Glorifica-te nas tuas fraquezas com São
Paulo» (Caminho n. 879); «A tristeza é a escória do egoísmo. Se queremos viver
para Nosso Senhor, não nos faltará a alegria, mesmo que descubramos os nossos
erros e as nossas misérias» (Amigos de Deus, n. 92).
O Papa Francisco adverte sobre um perigo que
pode causar a falta de alegria: «O grande risco do mundo atual, com sua
múltipla e avassaladora oferta de consumo, é uma tristeza individualista que
brota do coração comodista e mesquinho, da busca desordenada de prazeres
superficiais, da consciência isolada. Quando a vida interior se fecha nos
próprios interesses, deixa de haver espaço para os outros, já não entram os
pobres, já não se ouve a voz de Deus, já não se goza da doce alegria do seu
amor, nem fervilha o entusiasmo de fazer o bem» Francisco,
Evangelii gaudium, n. 2.
(Vicente Bosch)
Filosofia e Religião
Anjos
A
acção dos anjos sobre os homens (IV)
O anjo pode agir sobre os sentidos
humanos?
Parece
que o anjo não pode agir sobre os sentidos humanos:
1. Com efeito, a operação dos sentidos é
vital, e tal operação não provém de um princípio extrínseco. Logo, não pode ser
causada por um anjo.
2. Além disso, a potência sensitiva é mais nobre
que a nutritiva. Ora, parece que o anjo não pode agir sobre a potência
nutritiva, nem sobre outras formas naturais. Logo, nem pode agir sobre a
potência sensitiva.
3. Ademais, os sentidos movem-se
naturalmente pelas coisas sensíveis. Ora, o anjo não pode agir sobre a ordem da
natureza, como acima foi dito (q. 110, a. 4). Logo, não pode agir sobre os
sentidos, pois é o sensível que sempre age sobre os sentidos.
EM SENTIDO CONTRÁRIO, os anjos que
destruíram Sodoma “infligiram cegueira aos sodomitas (ou trevas) de modo que
não pudessem achar a entrada da casa” (Gn 19, 11). Algo parecido se lê no livro
dos Reis a respeito dos sírios conduzidos por Eliseu a Samaria (II Re 6, 18).
De duas maneiras se age sobre os sentidos: ou pelo exterior, como quando as coisas sensíveis agem sobre eles; ou pelo interior. Vemos de fato neste último caso que, espíritos e humores perturbados agem sobre os sentidos. Assim a língua do doente, cheia de bílis, tudo sente como amargo, e o mesmo acontece com os outros sentidos. O anjo pode agir sobre os sentidos do homem dessas duas maneiras, por sua potência natural. Com efeito, pode ele apresentar aos sentidos desde o exterior um objeto sensível já constituído pela natureza ou formando-o de novo, como quando assume um corpo, como acima foi dito (q. 51, a. 2). Pode também mover interiormente os espíritos e humores, como acima foi dito, provocando assim de diferentes maneiras alterações nos sentidos.
Quanto às objecções iniciais, portanto,
deve-se dizer que:
1. O princípio da operação dos sentidos não
pode ser sem o princípio interior que é a potência sensitiva. Contudo, esse
princípio interior pode ser movido de diferentes maneiras pelo exterior, como
se disse.
2. Movendo interiormente os espíritos e
humores, o anjo pode operar alguma coisa para agir sobre o ato da potência
nutritiva e, igualmente, da potência apetitiva e sensitiva, e de qualquer outra
potência corporal que se serve de um órgão.
3. O anjo nada pode fazer fora da ordem
total das criaturas, mas pode fazer fora da ordem de uma natureza particular,
pois não está sujeito a essa ordem. E assim, pode ele, de maneira peculiar,
agir sobre os sentidos fora do modo ordinário.
(São
Tomás de Aquino, Summa Theologica, I, 111, 4)
Pequena agenda do cristão
25/12/2020
Uma oração contínua
Padre - comentaste-me - eu cometo muitos enganos, muitos erros. - Já sei, respondi-te. Mas Deus Nosso Senhor, que também o sabe e conta com isso, só te pede a humildade de o reconheceres e a luta para rectificares, para O servires cada vez melhor, com mais vida interior, com uma oração contínua, com a piedade e com o emprego dos meios adequados para santificares o teu trabalho. (Forja, 379)
Vida interior, em primeiro lugar. Há ainda tão pouca gente que entenda isto! Ao ouvir falar de vida interior, pensa-se logo na obscuridade do templo, quando não no ambiente abafado de algumas sacristias. Estou há mais de um quarto de século a dizer que não se trata disso. Eu falo da vida interior de cristãos normais e correntes, que habitualmente se encontram em plena rua, ao ar livre; e que na rua, no trabalho, na família e nos momentos de diversão estão unidos a Jesus todo o dia. E o que é isto senão vida de oração contínua? Não é verdade que compreendeste a necessidade de ser alma de oração, numa intimidade com Deus que te leva a endeusar-te? Esta é a fé cristã e assim o compreenderam sempre as almas de oração. Torna-se Deus aquele homem, escreve Clemente de Alexandria, porque quer o mesmo que Deus quer. A princípio custará. É preciso esforçarmo-nos por nos dirigir ao Senhor, por lhe agradecermos a sua piedade paternal e concreta para connosco. A pouco e pouco o amor de Deus torna-se palpável - embora isto não seja coisa de sentimentos - como uma estocada na alma. É Cristo que nos persegue amorosamente: Eis que estou à porta e chamo. (Cristo que passa, 8)
LEITURA ESPIRITUAL Dez 25
Evangelho
Mt
XV 1 – 20
Tradições
dos fariseus
1 Aproximaram-se,
então, de Jesus alguns fariseus e doutores da Lei, vindos de Jerusalém e
disseram-lhe: 2 «Porque transgridem os teus discípulos a tradição dos antigos?
Pois não lavam as mãos antes das refeições.» 3 Replicou-lhes: «E vós, porque
transgredis o mandamento de Deus, por causa da vossa tradição? 4 Deus, com
efeito, disse: Honra teu pai e tua mãe. E ainda: Quem amaldiçoar o pai ou a mãe
seja punido de morte. 5 Mas vós dizeis: ‘Seja quem for que diga a seu pai ou a
sua mãe: Os meus bens, de que poderias beneficiar, são oferta sagrada’, 6 esse
já não está obrigado a socorrer o pai ou a mãe. E assim, em nome da vossa
tradição, anulastes a palavra de Deus. 7 Hipócritas! Muito bem profetizou
Isaías a vosso respeito, ao dizer: 8 Este povo honra-me com os lábios, mas o
seu coração está longe de mim. 9 vão o culto que me presta, ensinando doutrinas
que são preceitos humanos.» 10 Jesus chamou, depois, a multidão para junto de
si e disse-lhes: «Escutai e tratai de compreender! 11 Não é aquilo que entra pela
boca que torna o homem impuro; o que sai da boca é que torna o homem impuro.»
12 Os discípulos aproximaram-se dele e disseram-lhe: «Sabes que os fariseus
ficaram escandalizados, por te ouvirem falar assim?» 13 Ele respondeu: «Toda a
planta que não tenha sido plantada por meu Pai celeste será arrancada. 14
Deixai-os: são cegos a conduzir outros cegos! Ora, se um cego guiar outro cego,
ambos cairão nalguma cova.» 15 Tomando a palavra, Pedro disse-lhe: «Explica-nos
esta parábola.» 16 Jesus respondeu-lhes: «Também vós não sois ainda capazes de
compreender? 17 Não sabeis que tudo aquilo que entra pela boca passa para o
ventre e é expelido em lugar próprio? 18 Mas o que sai da boca provém do
coração; e é isso que torna o homem impuro. 19 Do coração procedem as más
intenções, os assassínios, os adultérios, as prostituições, os roubos, os
falsos testemunhos e as blasfémias. 20 É isto que torna o homem impuro. Mas
comer com as mãos por lavar não torna o homem impuro.»
Voltemos ao Samaritano.
Sabe-se da animosidade que existia entre
judeus e samaritanos, principalmente por questões de ordem e prática religiosa.
Havia, de facto, uma clivagem pro-funda entre eles. Parece lógico que dos três,
o sa-cerdote, o levita e o samaritano, se esperasse que fosse este a continuar
a viagem sem prestar auxílio ao necessitado.
Mas
não foi, o que traduz um significado profundo, a solidariedade, a compaixão, o
espírito de serviço aos outros vence essas barreiras, ultrapassa essa
difi-culdade.
São os outros dois piores que ele, neste
sentido de serviço e solidariedade?
Provavelmente
sim mas o que, de certeza não têm é atenção ao que os rodeia,aos que encontram
no caminho.
A
sua mente está demasiado ocupada com as suas coi-sas, no coração mal cabem as
preocupações pessoais, não tem lugar para mais nada nem ninguém.
Estes,
estão de facto, sozinhos na vida e não sentem necessidade de estar de outro
modo. Na medida em que os outros possam constituir um problema, uma
preocupação, até um simples incómodo, já não lhes interessa.
Se
a questão é dar de si alguma coisa sem ter uma ra-zoável certeza de um retorno,
uma compensação, um ganho qualquer, nem que seja uma satisfação íntima, então,
nem sequer consideram deter-se, ainda que brevemente, a considerar o assunto.
São tantas as pessoas sós, amargas, cheias de
si que passam incólumes e indiferentes pelos caminhos da vida! Olham sempre em
frente, não aconteça que algo marginal interfira na suamarcha privada e
solitária.
No
final de cada dia recolhem as coisas que julgam ser suas e… nada mais porque
não deram e não receberam nada.
O outro, ao deparar-se com o desgraçado em
mísero estado, não se detém um segundo a avliar a siuação, do que e de quem se
trata. Vê tão-somente, um ser humano que precisa urgentemente de auxílio e,
isso,é para ele motivo suficiente e bastante para que ponha em prática o seu
coração generoso e solidário.
Felizmente há muitos, muitíssimos mesmo,
destes seres humanos, mulheres e homens, jovens e não tão jovens que não só
estão sempre prontos a assistir solidariamente quem precisa mas, até, vão ao
seu encontro nos locais onde possam estar, quer nas noites frias e tempestuosas
de Inverno quer em países distantes cujas carências aterradoras não os detêm.
Estes
estão sempre rodeados de outros seres humanos, são lembrados, fala-se deles,
admira-se a sua postura e comportamento.
Mais,
são, quase sempre, pessoas muito alegres e bem-dispostas.
Lidando
com a miséria, a doença, situações de vida es-tranhas e difíceis nota-se
perfeitamente que esse serviço desinteressado lhes traz uma alegria visível.
Quando
se recolhem para descansar, as suas mãos estão cheias de boas acções, sentem os
seus corações repletos de consolação.
Naquele
momento sabem que muitos se lembram deles e dos bons serviços que lhes
prestaram.
Estão felizes.
(AMA,
Migalhas para o caminho, ISBN 978-989-20.4856-7)
Reflexão
Natal
E… aqui estou, mais uma vez, rendido na contemplação
do Presépio.
Sinto-me criança – sem vergonha nem retraímentos –transportado
como que a um mundo diferente do dia a dia.
Sinto uma paz indizível que deixa de lado as
preocupações, as memórias tristes os momentos menos bons.
Estranhamente na minha memória só me passam como que
em filme, momentos agradáveis, recordações gratíssimas, cenas de paz e
tranquilidade e, sobretudo, AMOR Autêntico, São, Verdadeiro.
E… compreendo que tudo isto me vem daquele Menino
reclinado no Presépio, do Seu sorriso puro de inocente, da Sua mãozinha que
parece abençoar-me.
Ah! Meu Menino Jesus! Quero pegar-Te ao colo,
brincar conTigo, saltar e correr para sentir o Teu contentamento que é a
manifestação de que me dizes que, comigo, Te sentes seguro, protegido.
E, depois, para não “abusar”, entregar-Te no colo da
Tua Santíssima Mãe e, ficar ali contemplando essa cena entranhável.
(AMA, 2020)
Pequena agenda do cristão
Perguntas e respostas
HOMOSSEXUALIDADE
B. HOMOSSEXUALIDADE E
ENFERMIDADE
6. A homossexualidade é
uma doença?
Também aqui há duas
respostas possíveis:
Aqueles que pensam que o
sexo se pode usar de qualquer modo, consideram a homossexualidade como mais uma
prática e não desejam curar-se, nem lhe chamam enfermidade.
Os que vêm que a
homossexualidade é uma tendência anómala, comparam-na ao roubo, ao álcool, ao
jogo… E portanto, consideram um vício, um defeito ou uma doença como a do jogo
patológico ou o alcoolismo.














