14/06/2016

Leitura espiritual

Leitura Espiritual


INTRODUÇÃO AO CRISTIANISMO

"Creio em Deus" – Hoje

SEGUNDA PARTE

JESUS CRISTO

CAPÍTULO SEGUNDO

Desenvolvimento da Fé em Cristo nos Artigos Cristológicos do Símbolo

4. Ressurgiu dos mortos

A ressurreição de Jesus Cristo representa para o cristão garantia da certeza da veracidade da palavra que antes pareceria um belo sonho: "Forte como a morte é o amor" (Ct 8,6). No Antigo Testamento este verso está emoldurado em uma exaltação da força do eros. Isto não quer dizer que podemos deixá-lo de lado como exagero poético. Na ilimitada pretensão do eros, em seus aparentes excessos e exageros, de facto revela-se um problema básico, aliás o problema por excelência da existência humana, porquanto a essência e o paradoxo interno do amor se traem pelo seguinte: o amor exige o infinito, o indestrutível, amor é como que um grito pelo ilimitado. Com isto, porém, coexiste o facto de ser irrealizável um tal clamor; de o amor querer o infinito, mas sem poder conferi-lo; de o amor fazer questão do ilimitado; estando, porém, de facto, preso ao mundo da morte, à sua solidão e ao seu poder destrutivo. Nesta perspectiva pode-se compreender o que vem a ser "ressurreição". Ela é a superioridade do amor sobre a morte.

Ao mesmo tempo, o amor é a prova do que só a imortalidade é capaz de realizar: existir num outro, que continuará quando eu tiver desaparecido. O homem é um ente incapaz de viver eternamente por si, sendo necessariamente presa da morte. Continuar vivendo, ele, que em si mesmo não tem apoio nem chance, só se torna possível, para falar de modo humano, mediante a sua continuação num outro. Desta perspectiva é que se devem encarar as declarações da Escritura sobre morte e pecado. Porquanto, aqui se torna claro que a tentativa humana de "ser como Deus", o seu empenho para conquistar poder, para poder firmar-se a si mesmo e em si mesmo significa a sua morte, porque facto é que o homem não é capaz de manter-se em si. Não reconhecendo os seus limites e, apesar disto, fazendo questão de afirmar-se, tornando-se totalmente "autárquico" – em que consiste a verdadeira essência do pecado – o homem entrega-se, exactamente por isso, à morte.

Naturalmente, chegado a este ponto, o homem compreende que a sua vida não se conserva sozinha e que se lhe impõe estar nos outros, a fim de, através deles, permanecer entre os vivos. Foram dois os principais caminhos tentados para se alcançar esta meta. Primeiro, a sobrevivência na própria prole: daí o facto de os povos primitivos considerarem uma maldição o celibato e a infecundidade que denotam o naufrágio sem esperança, a morte definitiva. Ao inverso, o maior número possível de filhos dá hipóteses de sobrevivência, esperança de imortalidade e, assim, a bênção que o homem pode esperar. Um outro caminho se abre quando o homem descobre ser muito relativa e problemática a sobrevivência nos filhos, desejando que de si reste algo mais. Portanto refugia-se na ideia da glória que o fará realmente imortal, conferindo-lhe a sobrevivência na memória dos outros. Mas também a imortalidade pela permanência nos outros fracassa não menos do que a primeira tentativa: o que resta não é o "eu", mas apenas um eco, uma sombra. Portanto a imortalidade auto-criada torna-se um simples hades, um scheol: antes um não-ser do que um ser. A insuficiência dos dois caminhos provém do facto de não ser eu mesmo, mas apenas um eco de mim o que o outro é capaz de conservar de mim, após a minha morte; e ainda mais, baseia-se na circunstância de o outro, ao qual como que confiei o meu espólio, não permanecer para sempre: também ele há de ruir.

Isto conduz-nos ao próximo passo. Até agora vimos que o homem não tem nenhum ponto de apoio para si mesmo, consequentemente podendo subsistir somente no outro; no outro, porém, ele só se revê como sombra e não definitivamente porque também o outro se esvai. Sendo assim, só existe um capaz de conferir a conservação, a permanência , aquele que "é", que não devém nem se esvai, mas que se conserva na torrente do devir e da passagem: o Deus dos vivos, que não conserva apenas a sombra e o eco do meu ser, o Deus, cujos pensamentos não são meras imitações da realidade. Eu mesmo sou o seu pensamento, o qual, por assim dizer, me ergue antes mesmo de eu ser; o seu pensamento não é a sombra posterior, mas a força original da minha existência. Nele não só me é facultado existir como sombra, mas nele posso existir em verdade, mais perto de mim do que tentando existir só por mim.

Antes de retornar à ressurreição, tentemos encarar este mesmo tema ainda sob um ângulo diferente. Podemos voltar à ideia de amor e ao tema morte e dizer: só onde o valor do amor ultrapassa o da morte, isto é, onde alguém está disposto a colocar a vida atrás do amor e por causa do amor, somente ali o amor será capaz de ser mais forte do que a morte. Para ser mais forte do que a morte, o amor há-de ser primeiramente mais do que a vida. Se conseguisse isto não só pela vontade, mas de facto, significaria que a força do amor se teria elevado acima da capacidade biológica, colocando-a a seu serviço. Falando-se em termos de Teilhard de Chardin: onde tal coisa se desse, teria lugar a decisiva "complexidade" e "complexão"; ali também o bios (a vida) estaria envolvido e incluído no poder do amor. Ali o amor ultrapassaria a sua fronteira – a morte – gerando união onde a morte cria separação. Se a força do amor ao outro fosse forte a ponto de estar capacitada a conservar viva não só a sua memória, a sombra do seu "eu", mas o próprio outro, teria sido alcançado um novo degrau de vida, que deixaria para trás a esfera das mutações e evoluções biológicas, conotando o salto a uma esfera totalmente nova, na qual o amor não estaria mais sujeito ao bios, mas dele se haveria de servir. Um tal derradeiro grau de "mutação" e de "evolução" não seria mais um grau biológico, mas denotaria a fuga ao monodomínio do bios, que é, ao mesmo tempo, domínio da morte; abriria aquele espaço, chamado zoe na Bíblia grega, isto é, vida definitiva que deixou para trás o regime da morte. O último degrau da evolução, de que o mundo está necessitado para alcançar a sua meta, não teria sido realizado dentro do biológico, mas pelo espírito, pela liberdade, pelo amor. Não seria mais evolução, mas opção e dádiva em um.

Mas, que é que tudo isto tem de comum com a ressurreição de Jesus? Ora, até aqui consideramos o problema da imortalidade do homem de dois lados que, aliás, se revelam agora como facetas de um único e idêntico estado de coisas. Dado que o homem por si mesmo não dispõe de meios para subsistir, afirmamos que a sua sobrevivência somente poderá originar-se através da sua continuação em vida, num outro. E dissemos a respeito deste "outro" que somente o amor que admite o amado no seu íntimo estaria em condições de possibilitar essa existência num outro. Ao meu ver, os dois aspectos complementares espelham-se nas duas formas de apresentar a ressurreição do Senhor no Novo Testamento: "Jesus ressurgiu" e "Deus (Pai) ressuscitou a Jesus". As duas fórmulas coincidem no facto de o amor total de Jesus aos homens, amor que o levou à cruz, se completar na sua total transferência para o Pai, tornando-se assim mais forte do que a morte, por ser, ao mesmo tempo, totalmente sustentado por ele.

Daqui se segue um outro passo. Podemos afirmar que o amor serve sempre de fundamento para alguma espécie de imortalidade; inclusive nas suas gradações sub-humanas o amor aponta para esta direcção, em forma de conservação das espécies. Aliás, servir de base para a imortalidade não é algo de acidental ao amor, algo que o amor eventualmente fizesse ao lado de outras coisas, mas constitui a sua verdadeira natureza. Esta afirmação pode ser invertida, significando então que a imortalidade sempre nasce do amor, jamais da autarquia de quem julga bastar-se a si próprio. Podemos até atrever-nos a afirmar que esta constatação, bem compreendida, vale mesmo em relação a Deus, tal como o vê a fé cristã. Também Deus é puro estar e subsistir, face a todo o contingente, por ser relação das três Pessoas entre si, por ser abismar-se na reciprocidade do amor, por ser amor vivo exclusivamente da mútua correlação. Não é divina aquela autarquia que a ninguém conhece senão a si, afirmamos anteriormente. A revolução na imagem cristã do mundo e de Deus, em relação ao mundo antigo, encontramo-la no facto de ela ensinar a compreender o "absoluto" como absoluta "relatividade", como relatio subsistens.

Voltemos ao assunto. Amor fundamenta imortalidade e imortalidade nasce exclusivamente de amor. Esta constatação a que agora chegamos significa que aquele que amor por todos, também fundou imortalidade para todos. Este é o sentido exacto da afirmação bíblica de que a sua ressurreição é a nossa vida. O argumento de S. Paulo na Primeira Carta aos Coríntios, tão estranho à nossa mentalidade, torna-se compreensível dentro desta perspectiva: se Cristo ressurgiu, também nós, pois neste caso o amor é mais forte do que a morte; se não ressurgiu, nós também não, porquanto a morte continua estando com a última palavra (cfr. 1Cor 15,16 s). Trata-se de um assunto fundamental, por isto tornamos a tecer outra série de considerações em torno do pensamento paulino: amor ou é ou não é mais forte do que a morte. Se o amor se tornou mais forte do que a morte, deve-o ao facto de ser amor pelos outros. O que, naturalmente, significa que o nosso próprio amor isolado não basta para vencer a morte, mas, considerado em si, deveria continuar como um apelo não completado. Isto quer dizer que unicamente o seu amor, coincidente com o divino poder de vida e de amor, é capaz de servir de base para a nossa imortalidade. Apesar disto, continua válido que a maneira da nossa imortalidade há de depender da maneira do nosso amor. Teremos de tornar ao assunto quando tratarmos do julgamento.

Ainda outra conclusão pode ser tirada do que foi exposto. É evidente que a vida do ressuscitado não será uma repetição do bios, da forma biológica da nossa vida mortal intra-histórica, mas será zoe, vida nova, outra, definitiva; vida que ultrapassou o espaço mortal da história da vida, ultrapassado aí por um poder maior. Os relatos do Novo Testamento sobre a ressurreição permitem reconhecer muito claramente que a vida do Ressuscitado não se situa dentro da bios-história, mas fora e acima da mesma. Naturalmente, essa nova vida comprovou-se e devia comprovar-se na história, porquanto ela existe para a história, e anúncio cristão, no fundo, nada mais é do que passar adiante o testemunho de que o amor conseguiu atravessar a morte, transformando assim fundamentalmente a situação de todos. Com tais suposições não é difícil encontrar a hermenêutica certa para a penosa tarefa de interpretar os textos bíblicos sobre a ressurreição, isto é, a de conseguir clareza sobre o sentido em que eles devem ser correctamente compreendidos. Evidentemente não podemos tentar aqui um debate sobre os diversos aspectos deste assunto, que se apresentam, hoje mais do que nunca, muito complexos, principalmente pelo facto de declarações históricas – em geral insuficientemente amadurecidas – e filosóficas irem formando um novelo mais intrincado e, não poucas vezes, a exegese criar, para seu uso, a sua própria filosofia, que ao não iniciado há-de causar a impressão de uma elevação do facto bíblico ao mais alto grau. Sempre ficará muita coisa discutível em concreto, a respeito deste assunto; contudo, não se pode deixar de reconhecer um limite básico entre interpretação que é interpretação e adaptações pessoais.


joseph ratzinger, Tübingen, verão de 1967.

(Revisão da versão portuguesa por ama)






Pequena agenda do cristão


TeRÇa-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Aplicação no trabalho.

Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.

Lembrar-me:
Os que estão sem trabalho.

Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





Doutrina – 174

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ
SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ
CAPÍTULO PRIMEIRO CREIO EM DEUS PAI

A queda

78. Depois do primeiro pecado, o que fez Deus?


Após o primeiro pecado, o mundo foi inundado por pecados, mas Deus não abandonou o homem ao poder da morte. Pelo contrário, pré-anunciou de modo misterioso – no «Proto-evangelho» (Gn 3,15) – que o mal seria vencido e o homem levantado da queda. É o primeiro anúncio do Messias redentor. Por isso a queda será mesmo chamada feliz culpa, porque «mereceu um tal e tão grande Redentor» (Liturgia da Vigília pascal).

Evangelho e comentário


Tempo Comum

Evangelho: Mt 5, 43-48

43 «Ouvistes que foi dito: “Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo”. 44 Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem. 45 Deste modo sereis filhos do vosso Pai que está nos céus, o qual faz nascer o sol sobre maus e bons, e manda a chuva sobre justos e injustos. 46 Porque, se amais somente os que vos amam, que recompensa haveis de ter? Não fazem os publicanos também o mesmo? 4 7 E se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de especial? Não fazem também assim os próprios gentios? 48 Sede, pois, perfeitos, como vosso Pai celestial é perfeito.

Comentário:

Não obstante poder ser considerada “revolucionária”, pelo menos para a época, esta recomendação de Jesus Cristo tem toda a lógica.

Assim, se Deus é Pai de todos os homens e a todos quer por igual que sentido pode fazer se, nós, escolhemos amar uns e outros não?

Afinal somos da família de Deus e os membros de uma família amam-se pelo que são e não pelo que fazem.

(ama, comentário sobre Mt 5, 43-48 2016.04.13)





Um encontro pessoal com Deus

Quando o receberes, diz-lhe: – Senhor, espero em Ti; adoro-te, amo-te, aumenta-me a fé. Sê o apoio da minha debilidade, Tu, que ficaste na Eucaristia, inerme, para remediar a fraqueza das criaturas. (Forja, 832)

Creio que não vou dizer nada de novo, se afirmar que alguns cristãos têm uma visão muito pobre da Santa Missa e que ela é para muitos um mero rito exterior, quando não um convencionalismo social. Isto acontece, porque os nossos corações, de si tão mesquinhos, são capazes de viver com rotina a maior doação de Deus aos homens. Na Santa Missa, nesta Missa que agora celebramos, intervém de um modo especial, repito, a Trindade Santíssima. Para corresponder a tanto amor, é preciso que haja da nossa parte uma entrega total do corpo e da alma, pois vamos ouvir Deus, falar com Ele, vê-Lo, saboreá-Lo. E se as palavras não forem suficientes, poderemos cantar, incitando a nossa língua – Pange, lingua! – a que proclame, na presença de toda a Humanidade, as grandezas do Senhor.


Viver a Santa Missa é manter-se em oração contínua, convencermo-nos de que, para cada um de nós, este é um encontro pessoal com Deus, em que O adoramos, O louvamos, Lhe pedimos, Lhe damos graças, reparamos os nossos pecados, nos purificamos e nos sentimos uma só coisa em Cristo com todos os cristãos. (Cristo que passa, nn. 87–88)

Jesus Cristo e a Igreja – 119

Celibato eclesiástico: História e fundamentos teológicos


IV. O CELIBATO NA DISCIPLINA DAS IGREJAS ORIENTAIS

Foi dirigida contra a Igreja Latina a crítica de que contra uma suposta atitude mais liberal no início, foi evoluindo a posições cada vez mais severas na sua disciplina celibatária. Como prova desta afirmação se apela para a prática da Igreja Oriental, que teria mantido a original disciplina da Igreja primitiva. Por esta razão, se diz, a Igreja Latina deveria retornar à disciplina original, especialmente por causa do grave peso que o celibato é hoje para a situação pastoral da Igreja universal.

A resposta a esta declaração e às correspondentes propostas depende da verdade ou não dessa condição da Igreja primitiva. O resultado da análise histórica que temos feito sobre a prática real celibatária no Ocidente, suscita sérias dúvidas sobre a suposta exatidão de tal parecer. Devemos, portanto, procurar uma clarificação do verdadeiro desenvolvimento do celibato na Igreja Oriental. E é isso que tentamos fazer nesta quarta parte da nossa exposição.


(Revisão da versão portuguesa por ama)

Tratado da vida de Cristo 109

Questão 47: Da causa eficiente da paixão de Cristo

Art. 2 — Se Cristo morreu por obediência.

O segundo discute-se assim. — Parece que Cristo não morreu por obediência

1. — Pois, a obediência implica um preceito: Ora, não lemos na Escritura fosse preceituado que Cristo houvesse de sofrer. Logo, não sofreu por obediência.

2. Demais. — Dizemos que age por obediência quem age em virtude da necessidade de um preceito. Ora, Cristo não sofreu necessária, mas voluntariamente. Logo, não sofreu por obediência.

3. Demais. — A caridade é virtude mais excelente que a obediência. Ora, o Apóstolo diz, que Cristo sofreu pela caridade: Andai em caridade, assim como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós outros. Logo, a Paixão de Cristo deve ser atribuída, antes à caridade que à obediência.

Mas, em contrário, o Apóstolo: Feito obediente ao Pai até à morte.

Foi convenientíssimo que Cristo sofresse por obediência. — Primeiro, porque isso convinha à justificação humana; pois, assim como pela desobediência de um só homem muitos foram feitos pecadores, assim também pela obediência de um só muitos se tornaram justos, como diz o Apóstolo. — Segundo, foi conveniente, para reconciliar os homens com Deus, segundo o Apóstolo: Fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho; isto é, enquanto a própria morte de Cristo foi um sacrifício muito aceite de Deus, como o diz o Apóstolo: E se entregou a si mesmo por nós outros como oferenda e hóstia a Deus em odor de suavidade. Ora, a obediência se antepõe a todos os sacrifícios, segundo a Escritura: A obediência é melhor que as vítimas. Por isso foi conveniente que o sacrifício da Paixão e da morte de Cristo procedesse da obediência. - Terceiro, foi conveniente à vitória pela qual triunfou da morte e do seu autor. Pois, um soldado não pode vencer sem obedecer ao general. E assim Cristo alcançou a vitória por ter sido obediente a Deus, segundo a Escritura: O homem obediente cantará a vitória.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJECÇÃO. — Cristo recebeu do Pai o preceito de sofrer. Assim, diz o Evangelho: Tenho o poder de pôr a minha vida e tenho o poder de reassumir este mandamento recebi de meu Pai, isto é, o de pôr e reassumir a vida. Pelo que, como ensina Crisóstomo, não se deve entender, que primeiro tivesse que ouvir esse preceito, com a necessidade de aprendê-lo; mas mostrou que agia voluntariamente, desfazendo toda suspeita de oposição entre ele e o Pai. Mas, na morte de Cristo consumou-se a lei antiga, conforme as próprias palavras que disse ao espirar: Tudo está cumprido. Por isso podemos entender que, sofrendo, cumpriu todos os preceitos da lei antiga. — Os preceitos morais, porém, fundados no da caridade ele os cumpriu, sofrendo por amor de seu Pai, segundo o lugar do Evangelho: Para que conheça o mundo que amo ao Pai e que faço como ele me ordenou; levantai-vos, vamo-nos daqui, a saber, para o lugar da Paixão. E sofreu também por amor do próximo, segundo o Apóstolo: Amou-me e se entregou a si mesmo por amor de mim. — Quanto aos preceitos cerimoniais da lei, ordenados sobretudo os sacrifícios e às oblacções, Cristo cumpriu-os na sua Paixão, porque todos os sacrifícios antigos foram figuras desse verdadeiro sacrifício que Cristo sofreu morrendo por nós. Donde o dizer o Apóstolo: Ninguém vos julgue pelo comer ou pelo beber nem por causa dos dias de festa, ou das luas novas ou dos sábados, que são sombra das coisas vindouras; mas o corpo é em Cristo; e isso porque Cristo está para esses sacrifícios como o corpo para a sombra. — Quanto aos preceitos judiciais da lei, sobretudo ordenados à satisfação das injúrias sofridas, Cristo cumpriu-os na sua Paixão. Pois, como diz a Escritura, pagou então o que não tinha roubado, deixando-se pregar no madeiro, pela fruta que o homem roubara da árvore, contra o mandado de Deus.

RESPOSTA À SEGUNDA. — A obediência, embora implique obrigação relativamente ao que foi mandado, contudo supõe a vontade de cumprir a ordem. E tal foi à obediência de Cristo. Pois, a própria Paixão e a morte, em si considerada repugnavam à vontade natural. Contudo Cristo queria que a vontade de Deus se cumprisse nessa matéria, segundo a Escritura: Para fazer a tua vontade, Deus meu, eu o quis. Por isso dizia: Se este cálice não pode passar sem que eu o beba, faça-se a tua vontade.

RESPOSTA À TERCEIRA. — Pela mesma razão Cristo sofreu por obediência e caridade. Porque só por obediência cumpriu os preceitos da caridade e foi obediente por amor para com o Pai, que lhe mandava.

Nota: Revisão da versão portuguesa por ama.


Bento XVI – Pensamentos espirituais 95

Irmãos de Jesus


No Menino de Belém, a pequenez de Deus feito homem revela-nos a grandeza do homem e a nossa dignidade de filhos de Deus e de irmãos de Jesus.



Discurso aos jovens da Acção Católica, (19.Dez.05)

 (in “Bento XVI, Pensamentos Espirituais”, Lucerna 2006)

13/06/2016

Leitura espiritual

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INTRODUÇÃO AO CRISTIANISMO

"Creio em Deus" – Hoje

SEGUNDA PARTE

JESUS CRISTO

CAPÍTULO SEGUNDO

Desenvolvimento da Fé em Cristo nos Artigos Cristológicos do Símbolo

3. "Desceu aos infernos"

Talvez nenhum artigo do Credo esteja mais longe de nossa consciência actual do que este. Ao lado dos artigos do nascimento de Jesus da Virgem Maria e da ascensão do Senhor, este artigo é o que mais aguça o apetite para a "desmitificação", que aqui parece poder processar-se sem perigo e sem escândalo. Os poucos textos em que a Escritura parece falar algo a respeito (1Pdr 3,19 s; 4,6; Ef 4,9; Rom 10,7; Mt 12,40, At 2,27. 31) são tão difíceis de compreender, que facilmente se pode interpretá-los em muitos sentidos. Se, de acordo com isto, o artigo for totalmente eliminado, parece ter-se a vantagem de ficar livre de um assunto que dificilmente se enquadra na nossa mentalidade sem que se tenha tornado culpado de alguma infidelidade especial. Mas, haverá realmente algum proveito nisto? Ou apenas se tenta sair do caminho, diante da dificuldade e do mistério da realidade? Pode tentar-se superar problemas ou negando-os sem mais, ou enfrentando-os. O primeiro caminho é mais cómodo, mas somente o segundo conduz para a frente. Portanto, em vez de eliminar o problema, não seria o caso de aprender a compreender que este artigo ao qual se subordina, no correr do ano litúrgico, o Sábado Santo, nos está particularmente próximo, constituindo de maneira toda especial a experiência do nosso século? Na Sexta-Feira da Paixão, de qualquer maneira, o olhar permanece cravado no Crucificado, enquanto o Sábado Santo é o dia da "morte de Deus", o dia que exprime e preconiza a inaudita experiência do nosso tempo: Deus está simplesmente ausente, o túmulo encobre-o, Deus não acorda mais, não fala mais, de modo que não é mais preciso nem mesmo contestá-lo, bastando apenas ignorá-lo. "Deus está morto e nós o matámos": esta frase de Nietzsche pertence verbalmente à tradição da devoção à paixão do Senhor; exprime o conteúdo do Sábado Santo, o "desceu aos infernos".

Em nexo com este artigo acorrem-me duas cenas bíblicas. Primeiro, a cruel história do Antigo Testamento em que Elias desafia os sacerdotes de Baal a impetrar da sua divindade o fogo para o sacrifício. Fazem-no e, logicamente, nada acontece. Elias escarnece deles, exactamente como um espírito iluminado zomba do homem piedoso, julgando-o ridículo, quando nada acontece em resposta à sua prece. Elias anima-os; talvez não tenham rezado bastante alto: "Gritai mais alto; pois sendo um deus, terá preocupações, ou ter-se-á retirado, ou estará viajando; é possível que esteja dormindo e é mister despertá-lo!" (1Rs 18,27). Lendo hoje estes motejos dirigidos aos devotos de Baal, alguém pode sentir-se um tanto inseguro; pode-se ter a sensação de sermos nós os que se acham naquela situação, cabendo-nos a nós os escárneos. Nenhum clamor parece capaz de despertar Deus. O racionalista pode dizer-nos calmamente: Rezai mais alto; talvez então o vosso Deus desperte. "Desceu aos infernos": quão realisticamente se retrata aí a verdade da hora presente, a descida de Deus ao silêncio, ao lúgubre calar-se de quem não mais está presente.

Mas, ao lado da história de Elias e da página análoga no Novo Testamento, na narrativa sobre o Senhor a dormir no meio da borrasca (Mc 4,35-41 e par), também a história dos discípulos de Emaús encontra aqui o seu lugar (Lc 24,13-35). Os discípulos perturbados falam da morte da sua esperança. Para eles sucedeu algo assim como a morte de Deus: extinguiu-se o ponto onde Deus finalmente parecia ter falado. O mensageiro de Deus está morto, o vazio é total. Nada mais responde. Mas, enquanto assim falam da morte da sua esperança, incapazes de ver a Deus, não percebem que no seu meio se encontra precisamente esta esperança. Que "Deus" ou antes aquela imagem que fizeram da sua promessa, devia morrer, para viver tanto maior. Devia ser destruída a imagem que fizeram de Deus, e a cuja camisa de forças teimavam em forçá-lo, para que, quase como por sobre os escombros da casa destruída, pudessem reencontrar o horizonte e a ele mesmo que permanece o infinitamente maior. Eichendorff formulou-o no estilo sentimental e quase ingénuo do seu século:

"Tu és, ó Deus sereno,
Quem, lá do alto trono,
Destrói o que eu ponho,
A fim de que, sem choro,
O céu, mais claro, eu veja".

Portanto, o artigo da descida do Senhor aos infernos lembra-nos que à revelação cristã pertence não somente o falar de Deus, mas também o seu silêncio. Deus não é apenas a palavra compreensível que nos vem ao encontro; ele é igualmente o abismo calado e inacessível, incompreendido e incompreensível, que nos foge. Certamente, no Cristianismo há um primado do Logos, da palavra a anteceder o silêncio: Deus falou. Deus é palavra. Apesar disto, não podemos esquecer o ocultamento de Deus que jamais termina. Somente experimentando-o como silêncio, podemos esperar ouvir também a sua voz que clama no silêncio. Através da cruz a cristologia oferece o momento da palpabilidade do divino amor, até para além das fronteiras da morte, no meio do silêncio e do obscurecimento de Deus. Será de admirar se a Igreja, se a vida de cada um é conduzida continuamente para essa hora de silêncio, para o esquecido e desprezado artigo "desceu aos infernos"?

Ponderando isto, resolve-se automaticamente a questão sobre a "prova escriturística" para ele; pelo menos no grito de morte de Jesus: "Meu Deus, por que me abandonaste?" torna-se visível, qual deslumbrante resplendor de um relâmpago em noite escura, a descida de Jesus aos infernos. Não esqueçamos ser esta palavra do Crucificado o verso inicial de uma oração de Israel (Sl 22 [21],2), que resume tremendamente a miséria e a esperança desse povo eleito e aparentemente tão abandonado por Deus. Esta prece, brotada da miséria mais profunda da treva de Deus, termina com um louvor à divina grandeza. Também este elemento está presente no grito de agonia de Jesus, grito que Ernst Käsemann, há pouco, descreveu como uma súplica a subir do inferno, como a elevação do primeiro mandamento no deserto da aparente ausência de Deus. "O Filho ainda conserva a fé, quando ela parece ter-se tornado sem sentido, revelando a realidade do Deus ausente, do qual não é em vão que falam o mau ladrão e a multidão motejante. O seu clamor não se refere à vida nem ao além-vida, não se refere a ele, mas ao Pai. O seu grito ergue-se contra a realidade do mundo inteiro". Será preciso ainda perguntar pelo sentido da adoração nesta hora de treva? A adoração pode ser outra coisa que não o grito das profundezas, junto com o Senhor que "desceu aos infernos", e que estabeleceu a proximidade de Deus no coração da ausência de Deus?

Tentemos outra consideração para penetrar neste complexo mistério, impossível de ser esclarecido por apenas um lado. Primeiramente voltemos a socorrer-nos de um facto exegético. Afirma-se que a palavra "inferno" não passa de reprodução errónea de scheol (grego: hades), com que os hebreus designam a condição após a morte, representada confusamente como uma espécie de existência sonambúlica, mais não-ser do que ser. De acordo com isto, o artigo denotaria que Jesus entrou no scheol, isto é, morreu. Pode ser. Mas continua a pergunta: com isto simplificou-se o assunto, tornou-se menos misterioso? Creio que, exactamente agora, é que se apresenta o problema da morte. O que vem a ser morte, que acontece quando alguém morre, tombando sob o destino da morte? Todos temos de reconhecer o nosso embaraço diante deste problema. Ninguém sabe a resposta com exactidão, porque todos vivemos aquém da morte, não tendo ainda provado o seu amargor. Talvez, porém, se possa tentar uma aproximação a partir, novamente, do grito de Jesus na cruz, grito no qual identificamos a essência do que vem a ser descida de Jesus, participação no destino da morte dos homens. Porquanto, nesta derradeira prece, do mesmo modo como na cena da agonia no Horto das Oliveiras, revela-se, qual elemento mais profundo da sua paixão, não uma dor física qualquer, mas a solidão radical, o completo abandono. Ora, nisto manifesta-se afinal o abismo da solidão humana em geral, do homem que, em seu âmago, está sozinho. Essa solidão, a maior parte das vezes camuflada, sem deixar de constituir a verdadeira situação do homem, denota simultaneamente o paradoxo mais profundo em relação à natureza do homem, que não pode estar sozinho, mas carece de companhia. Por esta razão a solidão é a causa do medo, fundada na fragilidade do ser, destinado a existir e, não obstante, condenado ao que lhe é impossível.

Tentemos exemplificá-lo ainda. Uma criança obrigada a atravessar sozinha uma floresta numa noite escura tem medo mesmo se lhe provarem de modo convincente que nada existe capaz de provocar o temor. No momento em que se vê no meio da treva, sentindo a solidão de modo radical, eis que surge o medo, o medo essencialmente humano, que não é temor de alguma coisa, mas medo em si. O receio de algo concreto é inócuo em si, podendo ser superado pelo afastamento da sua causa. O medo de um cachorro bravo, por exemplo, elimina-se prendendo o cão. Agora, porém, deparamos com algo muito mais profundo: cercado da solidão última, o homem teme não uma coisa determinada; muito mais, sente receio da solidão, experimenta o horror e a fragilidade do seu próprio ser, impossíveis de serem vencidos racionalmente. Ainda outro exemplo: sozinho, à noite, a fazer guarda a um defunto, o homem sentirá, de algum modo sinistro a sua situação, mesmo estando em condições e esforçando-se em convencer-se racionalmente de que os seus sentimentos carecem de base. Sabe perfeitamente que o morto nada lhe poderá fazer e que a sua situação talvez fosse muito mais perigosa, se ele ainda estivesse vivo. O que desperta aqui é uma uma outra espécie de medo; não medo de alguma coisa, mas da lúgubre solidão em si, da fragilidade da existência, face a face com a solidão da morte.

Mas, sendo totalmente inoperante o argumento da falta de objecto, como poderá ser superado um tal medo? Pois bem, a criança perderá o medo no momento em que sua mão sentir o aconchego de outra mão amiga, em que soar outra voz falando com ela; ou seja, no instante em que experimentar a presença de uma pessoa bondosa. O que se encontra a sós com um defunto, também sentirá desaparecer o receio, se houver alguém na sua companhia, e sentir a proximidade de um "tu". Esta superação do medo revela simultaneamente a sua natureza, a saber, que se trata de medo de estar só, de temor de um ser que somente pode viver com outros. O medo propriamente dito não pode ser vencido pela razão, mas exclusivamente pela presença de um ente amoroso.

Mas, cumpre levar mais longe ainda a nossa pergunta: Na hipótese de existir uma solidão onde palavra alguma de outrem consiga penetrar, transformando-a; na suposição de uma solidão tão profunda que nenhum "tu" a alcance, estaríamos diante da solidão e do horror total, daquilo a que o teólogo denomina "inferno". Desta perspectiva é possível definir exactamente o inferno: ele denota uma solidão onde a palavra do amor não tem mais lugar, conotando com isto a fragilidade essencial da existência. Neste contexto, a quem não acorreria a opinião de poetas e filósofos hodiernos, segundo a qual todos os encontros entre homens se conservam na superfície, não estando aberta a homem nenhum a entrada ao âmago do outro? Portanto, ninguém pode realmente alcançar o íntimo do outro; qualquer encontro, por lindo que seja, serve apenas para narcotizar a incurável ferida da solidão. Deste modo, no mais fundo do nosso ser, habitaria o inferno, o desespero – a solidão tão inevitável quão terrível. Sartre, como se sabe, construiu a sua antropologia a partir desta ideia. Mas também um poeta tão conciliador e otimista como Hermann Hesse deixa transparecer, em última análise, os mesmos pensamentos:
"Estranho, andar na névoa!
Viver é solidão;
Ninguém conhece ninguém,
O só está só..."

De facto, uma coisa é certa: existe uma noite, em cujo ermo voz alguma ecoa; há uma porta pela qual só podemos passar sozinhos: a porta da morte. Todo o medo do mundo finalmente nada mais é do que medo diante desta solidão. Daqui compreende-se porque o Antigo Testamento conhece uma palavra apenas para conotar inferno e morte, a palavra scheol: porque ambas as coisas são idênticas para o Antigo Testamento. A morte é a solidão simplesmente. Mas, a solidão à qual não pode chegar o amor é o inferno.

Voltamos assim ao nosso ponto de partida, ao artigo da descida aos infernos. Ele declara que Cristo atravessou as portas da nossa solidão derradeira; que na sua paixão desceu ao abismo do nosso abandono. Onde voz alguma está em condições de alcançar-nos, ali ele se encontra. Com isto o inferno foi vencido, ou mais exactamente: a morte, que antes era o inferno, não o é mais. Ambas as coisas não são mais o mesmo, porque no seu centro está a vida, porque no seu meio habita o amor. Só o excluir, o fechar-se voluntário é inferno, ou, no dizer da Bíblia, é morte segunda (por exemplo Ap 20,14). Mas a morte não mais é um caminho para o seio desta solidão, as portas do scheol estão abertas. Creio que, neste enfoque, poderão ser bem compreendidas as metáforas patrísticas de sabor tão mitológico, que falam da libertação dos mortos, da abertura das portas. Também tornar-se-á compreensível o texto de Mateus, de aparência tão mítica, sobre os túmulos que se abriram e os corpos dos santos que ressurgiram por ocasião da morte de Jesus (Mt 27,52). As portas da morte estão abertas, desde que na morte reside a vida: reside o amor.


joseph ratzinger, Tübingen, verão de 1967.

(Revisão da versão portuguesa por ama)





Pequena agenda do cristão


SeGUNDa-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça ‘boa cara’, que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.

Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.

Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.

Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?




Doutrina – 173

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ
SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ
CAPÍTULO PRIMEIRO CREIO EM DEUS PAI

A queda

77. Que outras consequências provoca o pecado original?


Em consequência do pecado original, a natureza humana, sem ser totalmente corrompida, fica ferida nas suas forças naturais, submetida à ignorância, ao sofrimento, ao poder da morte, e inclinada ao pecado. Tal inclinação é chamada concupiscência.

Evangelho e comentário


Tempo Comum
Santo António de Lisboa

Evangelho: Mt 5, 13-19

13 «Vós sois o sal da terra. Porém, se o sal perder a sua força, com que será ele salgado? Para nada mais serve senão para ser lançado fora e ser calcado pelos homens. 14 Vós sois a luz do mundo. Não pode esconder-se uma cidade situada sobre um monte; 15 nem se acende uma candeia para a colocar debaixo do alqueire, mas no candelabro, a fim de que dê luz a todos os que estão em casa. 16 Assim brilhe a vossa luz diante dos homens para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos céus. 17 «Não julgueis que vim abolir a Lei ou os Profetas; não vim para os abolir, mas sim para cumprir. 18 Porque em verdade vos digo: antes passarão o céu e a terra, que passe uma só letra ou um só traço da Lei, sem que tudo seja cumprido. 19 Aquele, pois, que violar um destes mandamentos mesmo dos mais pequenos, e ensinar assim aos homens, será considerado o mais pequeno no Reino dos Céus. Mas o que os guardar e ensinar, esse será considerado grande no Reino dos Céus.

Comentário:

As palavras de Jesus Cristo cumprem-se sempre.

Em mais de dois séculos de história a Igreja que Ele fundou e de que é a Cabeça não alterou, absolutamente, nenhum princípio básico das leis que a regem.

Houve tempos, é verdade, que foi dirigida por homens de pouca virtude ou, até, de muito má conduta e, no entanto, nem estes o fizeram.

Mesmo que alguém o quisesse fazer tal não seria possível porque o Senhor não o consentiria.

Tudo quanto o Magistério faz, comanda, sugere ou impõe fá-lo sob a luz e inspiração do Espírito Santo.

(ama, comentário sobre Mt 5, 13-16 2015.06.13)






Estou com Ele no tempo da adversidade

Ainda que tudo se vá abaixo e se acabe; ainda que os acontecimentos se sucedam ao contrário do previsto, com tremenda adversidade; nada se ganha perturbando-se. Além disso, recorda a oração confiante do profeta: "O Senhor é o nosso Juiz; o Senhor é o nosso Legislador; o Senhor é o nosso Rei; Ele é quem nos há-de salvar". Reza-a devotamente, todos os dias, para acomodar a tua conduta aos desígnios da Providência, que nos governa para nosso bem. (Forja, 855)

E quando a tentação do desânimo, dos contrastes, da luta, da tribulação, de uma nova noite da alma nos ataca – violenta –, o salmista põe-nos nos lábios e na inteligência aquelas palavras: estou com Ele no tempo da adversidade. Jesus, perante a Tua Cruz, que vale a minha; perante as Tuas feridas, os meus arranhões? Perante o Teu Amor imenso, puro e infinito, que vale o minúsculo fardo que Tu colocaste sobre os meus ombros? E os vossos corações e o meu enchem-se de uma santa avidez, confessando-Lhe – com obras – que morremos de Amor.

Nasce uma sede de Deus, uma ânsia de compreender as Suas lágrimas; de ver o Seu sorriso, o Seu rosto... Julgo que o melhor modo de o exprimir é voltar a repetir, com a Escritura: como o veado deseja a fonte das águas, assim a minha alma te anela, ó meu Deus! E a alma avança, metida em Deus, endeusada: o cristão tornou-se um viajante sedento, que abre a boca às águas da fonte.

Com esta entrega, o zelo apostólico ateia-se, aumenta dia-a-dia – pegando esta ânsia aos outros – porque o bem é difusivo. Não é possível que a nossa pobre natureza, tão perto de Deus, não arda em desejos de semear no mundo inteiro a alegria e a paz, de regar tudo com as águas redentoras que brotam do lado aberto de Cristo, de começar e acabar todas as tarefas por Amor.


Falava antes de dores, de sofrimentos, de lágrimas. E não me contradigo se afirmo que, para um discípulo que procura amorosamente o Mestre, é muito diferente o sabor das tristezas, das penas, das aflições: desaparecem imediatamente, quando aceitamos deveras a Vontade de Deus, quando cumprimos com gosto os Seus desígnios, como filhos fiéis, ainda que os nervos pareçam rebentar e o suplício pareça insuportável. (Amigos de Deus, nn. 310–311)

Diálogos apostólicos

 Diálogos apostólicos II Parte
11- [1]

Pondo a questão de outra forma, podemos fazer o bem ou fazer o mal com livre arbítrio pessoal?


Respondo:

É verdade, podemos. Mas o conceito de bem e mal encerra em si mesmo uma questão séria porque, basicamente, depende do conhecimento próprio do que é bem e do que é mal. O que hoje em dia é considerado uma monstruosidade reprovável em todos os sentidos, pode não o ter sido, para alguns, que a praticaram em tempo.
Não darei exemplos porque me parece evidente que o comportamento humano difere na sua, digamos, justificação conforme a época, a circunstância e o motivo.
«Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem» Jesus diz isto porque sabe que os Seus verdugos, não conhecem Quem sujeitam à tortura e à crucifixão. São meros executores de ordens, na época, comuns. Não é da sua competência julgar ou não da licitude do que fazem.
Num outro plano podemos considerar que a prática do bem, isto é, fazer coisas naturalmente boas, para o próprio e para os outros, é uma atitude louvável e merecedora de recompensa.
O contrário, o mal praticado com plena consciência, merece reprovação e, eventualmente, castigo.




[1] Nota: Normalmente, estes “Diálogos apostólicos”, são publicados sob a forma de resumos e excertos de conversas semanais. Hoje, porém, dado o assunto, pareceu-me de interesse publicar quase na íntegra.

12/06/2016

Verdades que o egoísmo esconde - 6

Resultado de imagem para egoísmo

Não podemos desejar ter o mesmo sucesso dos outros sem esforço nenhum, porque as conquistas pessoais precisam ser alcançadas mediante um saudável desejo de superação de si mesmo.


Fonte: REVISTA SER PERSONA

(Revisão da versão portuguesa por ama)