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14/06/2016

Evangelho e comentário


Tempo Comum

Evangelho: Mt 5, 43-48

43 «Ouvistes que foi dito: “Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo”. 44 Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem. 45 Deste modo sereis filhos do vosso Pai que está nos céus, o qual faz nascer o sol sobre maus e bons, e manda a chuva sobre justos e injustos. 46 Porque, se amais somente os que vos amam, que recompensa haveis de ter? Não fazem os publicanos também o mesmo? 4 7 E se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de especial? Não fazem também assim os próprios gentios? 48 Sede, pois, perfeitos, como vosso Pai celestial é perfeito.

Comentário:

Não obstante poder ser considerada “revolucionária”, pelo menos para a época, esta recomendação de Jesus Cristo tem toda a lógica.

Assim, se Deus é Pai de todos os homens e a todos quer por igual que sentido pode fazer se, nós, escolhemos amar uns e outros não?

Afinal somos da família de Deus e os membros de uma família amam-se pelo que são e não pelo que fazem.

(ama, comentário sobre Mt 5, 43-48 2016.04.13)





20/02/2016

Evangelho, comentário, L. espiritual


Quaresma
Semana I

Beatos Francisco e Jacinta Marto

Evangelho: Mt 5, 43-48

43 «Ouvistes que foi dito: “Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo”. 44 Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem. 45 Deste modo sereis filhos do vosso Pai que está nos céus, o qual faz nascer o sol sobre maus e bons, e manda a chuva sobre justos e injustos. 46 Porque, se amais somente os que vos amam, que recompensa haveis de ter? Não fazem os publicanos também o mesmo? 4 7 E se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de especial? Não fazem também assim os próprios gentios? 48 Sede, pois, perfeitos, como vosso Pai celestial é perfeito.

Comentário:

Os caminhos de Deus não são fáceis?

Como responder?

Parece óbvio que não são e no entanto foi os que Jesus Cristo indicou.

Sendo assim podem não ser fáceis mas, decerto não serão impossíveis porque Ele jamais nos pediria algo que não estivesse ao nosso alcance obter.

O "segredo" está ajuda da Graça de Deus, na assistência do Espírito Santo que, se as solicitar-mos com Fé e Confiança nos conduzirão por onde, sozinhos, por nós próprios, só com as nossas forças e capacidades nada conseguiremos.

(ama, comentário sobre Mt 5, 43-48 2015.06.16)


Leitura espiritual


Ano Santo da Misericórdia

Textos de São Josemaria


Implora a misericórdia divina”

Realmente, a cada um de nós, como a Lázaro, foi um "veni foras", sai para fora, que nos pôs em movimento. Que pena dão aqueles que ainda estão mortos, e não conhecem o poder da misericórdia de Deus! Renova a tua alegria santa porque, face ao homem que se desintegra sem Cristo, se levanta o homem que ressuscitou com Ele. (Forja, 476)
É bom que tenhamos considerado as insídias destes inimigos da alma: a desordem da sensualidade e a leviandade; o desatino da razão que se opõe ao Senhor; a presunção altaneira, esterilizadora do amor a Deus e às criaturas.

Todas estas disposições de ânimo são obstáculos certos e o seu poder perturbador é grande. Por isso a liturgia faz-nos implorar a misericórdia divina: a ti elevo a minha alma, Senhor, meu Deus. E em ti confio; não seja eu confundido! Não riam de mim os meus inimigos, rezamos no intróito. E na antífona do ofertório iremos repetir: espero em ti,; que eu não seja confundido!

Agora que se aproxima o tempo da salvação, dá gosto ouvir dos lábios de S. Paulo: depois de Deus, Nosso Salvador, ter manifestado a sua benignidade e o seu amor para com os homens, libertou-nos, não pelas obras de justiça que tivéssemos feito, mas por sua misericórdia.

Se lerdes as Santas Escrituras, descobrireis constantemente a presença da misericórdia de Deus: enche a terra, estende-se a todos os seus filhos, super omnem carnem; cerca-nos, antecede-nos, multiplica-se para nos ajudar e foi continuamente confirmada. Deus tem-nos presente na sua misericórdia, ao ocupar-se de nós como Pai amoroso. É uma misericórdia suave, agradável, como a nuvem que se desfaz em chuva no tempo da seca.

Jesus Cristo resume e compendia toda a história da misericórdia divina: Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. E, noutra ocasião: Sede pois misericordiosos como também vosso Pai é misericordioso. (Cristo que passa, 7)


Descobrir a misericórdia divina


Outra queda... e que queda!... Desesperar-te?... Não; humilhar-te e recorrer, por Maria, tua Mãe, ao Amor Misericordioso de Jesus. — Um «miserere» e coração ao alto! — A começar de novo. (Caminho, 711)

Se lerdes as Santas Escrituras, descobrireis constantemente a presença da misericórdia de Deus: enche a terra, estende-se a todos os seus filhos, super omnem carnem; cerca-nos, antecede-nos, multiplica-se para nos ajudar e foi continuamente confirmada. Deus tem-nos presente na sua misericórdia, ao ocupar-se de nós como Pai amoroso. É uma misericórdia suave, agradável, como a nuvem que se desfaz em chuva no tempo da seca.

Jesus Cristo resume e compendia toda a história da misericórdia divina: Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. E, noutra ocasião: Sede pois misericordiosos como também vosso Pai é misericordioso. Ficaram também muito gravadas em nós, entre muitas outras cenas do Evangelho, a clemência com a mulher adúltera, a parábola do filho pródigo, a da ovelha perdida, a do devedor perdoado, a ressurreição do filho da viúva de Naim. Quantas razões de justiça para explicar este grande prodígio! Era o filho único daquela pobre viúva; era ele quem dava sentido à sua vida; só ele poderia ajudá-la na sua velhice! Mas Cristo não faz o milagre por justiça; fá-lo por compaixão, porque interiormente se comove perante a dor humana.

Que segurança deve produzir-nos a comiseração do Senhor! Se ele clamar por mim, ouvi-lo-ei, porque sou misericordioso. É um convite, uma promessa que não deixará de cumprir. Aproximemo-nos, pois, confiadamente do trono da graça a fim de alcançar misericórdia e o auxílio da graça, no tempo oportuno. Os inimigos da nossa santificação nada poderão, porque essa misericórdia de Deus nos defende. E se caímos por nossa culpa e da nossa fraqueza, o Senhor socorre-nos e levanta-nos. Tinhas aprendido a afastar a negligência, a afastar de ti a arrogância, a adquirir piedade, a não ser prisioneiro das questões mundanas, a não preferir o caduco ao eterno. Mas, como a debilidade humana não pode manter o passo decidido num mundo resvaladiço, o bom médico indicou-te também os remédios contra a desorientação e o juiz misericordioso não te negou a esperança do perdão. (Cristo que passa, 7)

Repara que entranhas de misericórdia tem a justiça de Deus! - Porque, nos julgamentos humanos, castiga-se quem confessa a culpa; e, no divino, perdoa-se.

Bendito seja o santo Sacramento da Penitência! (Caminho, 309)

- Sim, tens razão: que profundidade a da tua miséria! Por ti, onde estarias agora, até onde terias chegado?...

"Somente um Amor cheio de misericórdia pode continuar a amar-me" – reconhecias.

 – Consola-te: Ele não te negará nem o seu Amor nem a sua Misericórdia, se O procurares. (Forja, 897)

(...) É preciso pedir incessantemente à Santíssima Trindade que tenha compaixão de todos. Ao falar destas coisas fico perturbado se recorro à justiça de Deus. Apelo para a sua misericórdia, para a sua compaixão, a fim de que não olhe para os nossos pecados, mas para os méritos de Cristo e de sua Santa Mãe, e que é também nossa Mãe, para os do Patriarca S. José, que Lhe serviu de Pai, para os dos Santos. (Cristo que passa, 82)


Manifestações do amor


Agrada-me citar umas palavras que o Espírito Santo nos comunica pela boca do profeta Isaías: discite benefacere, aprendei a fazer o bem. Costumo aplicar este conselho aos diferentes aspectos da nossa luta interior, pois a vida cristã nunca se dá por terminada, visto que o crescimento nas virtudes se obtém como consequência de um empenho efectivo e quotidiano pela santidade.

Como aprendemos nós a realizar qualquer trabalho na sociedade? Primeiro examinamos o fim desejado e os meios para o alcançar. Depois perseveramos no uso desses recursos repetidamente até criarmos um hábito arraigado e firme. Quando aprendemos alguma coisa, descobrimos outras que ignorávamos e constituem um estímulo para continuarmos esse trabalho, sem nunca dizermos "basta".

A caridade para com o próximo é uma manifestação do amor a Deus. Por isso, ao esforçarmo-nos por melhorar nesta virtude, não podemos fixar nenhum limite. Com o Senhor, a única medida é amar sem medida, pois, por um lado jamais chegaremos a agradecer suficientemente o que Ele tem feito por nós e, por outro, assim se revela o mesmo amor de Deus às suas criaturas: com excesso, sem cálculo, sem fronteiras.

A todos os que estamos dispostos a abrir-lhe os ouvidos da alma, Jesus Cristo ensina no Sermão da Montanha o mandato divino da caridade. E, ao terminar, como resumo, explica: amai os vossos inimigos, fazei bem e emprestai sem esperardes nada em troca, e será grande a vossa recompensa e sereis filhos do Altíssimo, porque Ele é bom, mesmo com os ingratos e os maus. Sede, pois, misericordiosos como também o vosso Pai é misericordioso.

A misericórdia não se limita a uma simples atitude de compaixão; a misericórdia identifica-se com a superabundância da caridade que, ao mesmo tempo, traz consigo a superabundância da justiça. Misericórdia significa manter o coração em carne viva, humana e divinamente repassado por um amor rijo, sacrificado e generoso. Assim glosa S. Paulo a caridade no seu canto a esta virtude: A caridade é paciente, é benéfica; a caridade não é invejosa, não actua precipitadamente; não se ensoberbece, não é ambiciosa, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não pensa mal dos outros, não folga com a injustiça, mas compraz-se na verdade; tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo sofre. (Amigos de Deus, 232)


16/06/2015

Evangelho, comentário, L. Espiritual




Tempo comum XI Semana


Evangelho: Mt 5, 43-48

43 «Ouvistes que foi dito: “Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo”. 44 Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem. 45 Deste modo sereis filhos do vosso Pai que está nos céus, o qual faz nascer o sol sobre maus e bons, e manda a chuva sobre justos e injustos. 46 Porque, se amais somente os que vos amam, que recompensa haveis de ter? Não fazem os publicanos também o mesmo? 4 7 E se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de especial? Não fazem também assim os próprios gentios? 48 Sede, pois, perfeitos, como vosso Pai celestial é perfeito.

Comentário:

Perfeito!?
Consciente do nada que sou e posso, das minhas misérias e defeitos fico-me abismado com esta recomendação do Senhor:

Perfeito!

Refreando o meu impulsivo coração que me levava, quase, a responder: ‘Senhor, não sabes o que me pedes!’, caio em mim reflectindo:

‘O Senhor não Se engana nem pode enganar, logo, se Ele assim manda, o que há a fazer é empenhar-me, a sério, para satisfazer a Sua Vontade.

O que me faltar - e será muito - Ele providenciará’.

(ama, meditação sobre Mt 5, 43-48, 2010.06.15)


Leitura espiritual



Misericordiae Vultus

BULA DE PROCLAMAÇÃO 
DO JUBILEU EXTRAORDINÁRIO DA MISERICÓRDIA
FRANCISCO
BISPO DE ROMA
SERVO DOS SERVOS DE DEUS
A QUANTOS LEREM ESTA CARTA
GRAÇA, MISERICÓRDIA E PAZ


1.   Jesus Cristo é o rosto da misericórdia do Pai.

O mistério da fé cristã parece encontrar nestas palavras a sua síntese.
Tal misericórdia tornou-se viva, visível e atingiu o seu clímax em Jesus de Nazaré.

O Pai, «rico em misericórdia»[1], depois de ter revelado o seu nome a Moisés como «Deus misericordioso e clemente, vagaroso na ira, cheio de bondade e fidelidade» [2], não cessou de dar a conhecer, de vários modos e em muitos momentos da história, a sua natureza divina.

Na «plenitude do tempo» [3], quando tudo estava pronto segundo o seu plano de salvação, mandou o seu Filho, nascido da Virgem Maria, para nos revelar, de modo definitivo, o seu amor.
Quem O vê, vê o Pai [4].
Com a sua palavra, os seus gestos e toda a sua pessoa, [5] Jesus de Nazaré revela a misericórdia de Deus.

Precisamos sempre de contemplar o mistério da misericórdia. É fonte de alegria, serenidade e paz.
É condição da nossa salvação. Misericórdia: é a palavra que revela o mistério da Santíssima Trindade.
Misericórdia: é o acto último e supremo pelo qual Deus vem ao nosso encontro. Misericórdia: é a lei fundamental que mora no coração de cada pessoa, quando vê com olhos sinceros o irmão que encontra no caminho da vida.
Misericórdia: é o caminho que une Deus e o homem, porque nos abre o coração à esperança de sermos amados para sempre, apesar da limitação do nosso pecado.

3. Há momentos em que somos chamados, de maneira ainda mais intensa, a fixar o olhar na misericórdia, para nos tornarmos nós mesmos sinal eficaz do agir do Pai.
Foi por isso que proclamei um Jubileu Extraordinário da Misericórdia como tempo favorável para a Igreja, a fim de se tornar mais forte e eficaz o testemunho dos crentes.

O Ano Santo abrir-se-á no dia 8 de Dezembro de 2015, solenidade da Imaculada Conceição.
Esta festa litúrgica indica o modo de agir de Deus desde os primórdios da nossa história.
Depois do pecado de Adão e Eva, Deus não quis deixar a humanidade sozinha e à mercê do mal.
Por isso, pensou e quis Maria santa e imaculada no amor [6], para que Se tornasse a Mãe do Redentor do homem.
Perante a gravidade do pecado, Deus responde com a plenitude do perdão.
A misericórdia será sempre maior do que qualquer pecado, e ninguém pode colocar um limite ao amor de Deus que perdoa.
Na festa da Imaculada Conceição, terei a alegria de abrir a Porta Santa.
Será então uma Porta da Misericórdia, onde qualquer pessoa que entre poderá experimentar o amor de Deus que consola, perdoa e dá esperança.

No domingo seguinte, o Terceiro Domingo de Advento, abrir-se-á a Porta Santa na Catedral de Roma, a Basílica de São João de Latrão.
E em seguida será aberta a Porta Santa nas outras Basílicas Papais. Estabeleço que no mesmo domingo, em cada Igreja particular – na Catedral, que é a Igreja-Mãe para todos os fiéis, ou na Concatedral ou então numa Igreja de significado especial – se abra igualmente, durante todo o Ano Santo, uma Porta da Misericórdia.
Por opção do Ordinário, a mesma poderá ser aberta também nos Santuários, meta de muitos peregrinos que frequentemente, nestes lugares sagrados, se sentem tocados no coração pela graça e encontram o caminho da conversão.
Assim, cada Igreja particular estará directamente envolvida na vivência deste Ano Santo como um momento extraordinário de graça e renovação espiritual.
Portanto o Jubileu será celebrado, quer em Roma quer nas Igrejas particulares, como sinal visível da comunhão da Igreja inteira.

4. Escolhi a data de 8 de Dezembro, porque é cheia de significado na história recente da Igreja.
Com efeito, abrirei a Porta Santa no cinquentenário da conclusão do Concílio Ecuménico Vaticano II.
A Igreja sente a necessidade de manter vivo aquele acontecimento. Começava então, para ela, um percurso novo da sua história.
Os Padres, reunidos no Concílio, tinham sentido forte, como um verdadeiro sopro do Espírito, a exigência de falar de Deus aos homens do seu tempo de modo mais compreensível.
Derrubadas as muralhas que, por demasiado tempo, tinham encerrado a Igreja numa cidadela privilegiada, chegara o tempo de anunciar o Evangelho de maneira nova.
Uma nova etapa na evangelização de sempre.
Um novo compromisso para todos os cristãos de testemunharem, com mais entusiasmo e convicção, a sua fé. A Igreja sentia a responsabilidade de ser, no mundo, o sinal vivo do amor do Pai.

Voltam à mente aquelas palavras, cheias de significado, que São João XXIII pronunciou na abertura do Concílio para indicar a senda a seguir:
«Nos nossos dias, a Esposa de Cristo prefere usar mais o remédio da misericórdia que o da severidade. (…)
A Igreja Católica, levantando por meio deste Concílio Ecuménico o facho da verdade religiosa, deseja mostrar-se mãe amorosa de todos, benigna, paciente, cheia de misericórdia e bondade com os filhos dela separados»[7]. 
E, no mesmo horizonte, havia de colocar-se o Beato Paulo VI, que assim falou na conclusão do Concílio:
«Desejamos notar que a religião do nosso Concílio foi, antes de mais, a caridade. (...)
Aquela antiga história do bom samaritano foi exemplo e norma segundo os quais se orientou o nosso Concílio. (…)
Uma corrente de interesse e admiração saiu do Concílio sobre o mundo actual.
Rejeitaram-se os erros, como a própria caridade e verdade exigiam, mas os homens, salvaguardado sempre o preceito do respeito e do amor, foram apenas advertidos do erro.
Assim se fez, para que, em vez de diagnósticos desalentadores, se dessem remédios cheios de esperança; para que o Concílio falasse ao mundo actual não com presságios funestos mas com mensagens de esperança e palavras de confiança.
Não só respeitou mas também honrou os valores humanos, apoiou todas as suas iniciativas e, depois de os purificar, aprovou todos os seus esforços. (…)
Uma outra coisa, julgamos digna de consideração.
Toda esta riqueza doutrinal orienta-se apenas a isto: servir o homem, em todas as circunstâncias da sua vida, em todas as suas fraquezas, em todas as suas necessidades»[8].

Com estes sentimentos de gratidão pelo que a Igreja recebeu e de responsabilidade quanto à tarefa que nos espera, atravessaremos a Porta Santa com plena confiança de ser acompanhados pela força do Senhor Ressuscitado, que continua a sustentar a nossa peregrinação.
O Espírito Santo, que conduz os passos dos crentes de forma a cooperarem para a obra de salvação realizada por Cristo, seja guia e apoio do povo de Deus a fim de o ajudar a contemplar o rosto da misericórdia [9].

5. O Ano Jubilar terminará na solenidade litúrgica de Jesus Cristo, Rei do Universo, 20 de Novembro de 2016.
Naquele dia, ao fechar a Porta Santa, animar-nos-ão, antes de tudo, sentimentos de gratidão e agradecimento à Santíssima Trindade por nos ter concedido este tempo extraordinário de graça.
Confiaremos a vida da Igreja, a humanidade inteira e o universo imenso à Realeza de Cristo, para que derrame a sua misericórdia, como o orvalho da manhã, para a construção duma história fecunda com o compromisso de todos no futuro próximo.
Quanto desejo que os anos futuros sejam permeados de misericórdia para ir ao encontro de todas as pessoas levando-lhes a bondade e a ternura de Deus!
A todos, crentes e afastados, possa chegar o bálsamo da misericórdia como sinal do Reino de Deus já presente no meio de nós.

6. «É próprio de Deus usar de misericórdia e, nisto, se manifesta de modo especial a sua omnipotência»[10]. 
Estas palavras de São Tomás de Aquino mostram como a misericórdia divina não seja, de modo algum, um sinal de fraqueza, mas antes a qualidade da omnipotência de Deus.
É por isso que a liturgia, numa das suas colectas mais antigas, convida a rezar assim:
«Senhor, que dais a maior prova do vosso poder quando perdoais e Vos compadeceis…»[11] 
Deus permanecerá para sempre na história da humanidade como Aquele que está presente, Aquele que é próximo, providente, santo e misericordioso.

«Paciente e misericordioso» é o binómio que aparece, frequentemente, no Antigo Testamento para descrever a natureza de Deus. O facto de Ele ser misericordioso encontra um reflexo concreto em muitas acções da história da salvação, onde a sua bondade prevalece sobre o castigo e a destruição.
Os Salmos, em particular, fazem sobressair esta grandeza do agir divino:
«É Ele quem perdoa as tuas culpas e cura todas as tuas enfermidades. É Ele quem resgata a tua vida do túmulo e te enche de graça e ternura»[12].
E outro Salmo atesta, de forma ainda mais explícita, os sinais concretos da misericórdia:
«O Senhor liberta os prisioneiros. O Senhor dá vista aos cegos, o Senhor levanta os abatidos, o Senhor ama o homem justo. O Senhor protege os que vivem em terra estranha e ampara o órfão e a viúva, mas entrava o caminho aos pecadores»[13].
E, para terminar, aqui estão outras expressões do Salmista:
«[O Senhor] cura os de coração atribulado e trata-lhes as feridas. (...) O Senhor ampara os humildes, mas abate os malfeitores até ao chão»[14].

Em suma, a misericórdia de Deus não é uma ideia abstracta mas uma realidade concreta, pela qual Ele revela o seu amor como o de um pai e de uma mãe que se comovem pelo próprio filho até ao mais íntimo das suas vísceras.
É verdadeiramente caso para dizer que se trata de um amor «visceral». Provém do íntimo como um sentimento profundo, natural, feito de ternura e compaixão, de indulgência e perdão.

7. «Eterna é a sua misericórdia»: tal é o refrão que aparece em cada versículo do Salmo 136, ao mesmo tempo que se narra a história da revelação de Deus.
Em virtude da misericórdia, todos os acontecimentos do Antigo Testamento aparecem cheios dum valor salvífico profundo.
A misericórdia torna a história de Deus com Israel uma história da salvação.
O facto de repetir continuamente «eterna é a sua misericórdia», como faz o Salmo, parece querer romper o círculo do espaço e do tempo para inserir tudo no mistério eterno do amor. É como se se quisesse dizer que o homem, não só na história mas também pela eternidade, estará sempre sob o olhar misericordioso do Pai. Não é por acaso que o povo de Israel tenha querido inserir este Salmo – o «grande hallel», como lhe chamam – nas festas litúrgicas mais importantes.

Antes da Paixão, Jesus rezou ao Pai com este Salmo da misericórdia. Assim o atesta o evangelista Mateus quando afirma que «depois de cantarem os salmos»[15], Jesus e os discípulos saíram para o Monte das Oliveiras.
Enquanto instituía a Eucaristia, como memorial perpétuo d’Ele e da sua Páscoa, Jesus colocava simbolicamente este acto supremo da Revelação sob a luz da misericórdia.
No mesmo horizonte da misericórdia, Ele viveu a sua paixão e morte, ciente do grande mistério de amor que se realizaria na cruz.
O facto de saber que o próprio Jesus rezou com este Salmo torna-o, para nós cristãos, ainda mais importante e compromete-nos a assumir o refrão na nossa oração de louvor diária: «eterna é a sua misericórdia».

8. Com o olhar fixo em Jesus e no seu rosto misericordioso, podemos individuar o amor da Santíssima Trindade.
A missão, que Jesus recebeu do Pai, foi a de revelar o mistério do amor divino na sua plenitude.
«Deus é amor»[16]: afirma-o, pela primeira e única vez em toda a Escritura, o evangelista João.
Agora este amor tornou-se visível e palpável em toda a vida de Jesus.

(cont)
Revisão da versão portuguesa por ama)





[1] Ef 2, 4,
[2] Ex34, 6
[3] Gl 4, 4
[4] cf. Jo 14, 9
[5] Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. Dei Verbum, 4.
[6] cf. Ef 1, 4
[7] Discurso de abertura do Concílio Ecuménico Vaticano II, Gaudet Mater Ecclesia 11 de Outubro de 1962, 2-3.
[9] Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. Lumen gentium, 16; Const. past. Gaudium et spes, 15.
[10] Tomás de Aquino, Summa theologiae, II-II, q. 30, a. 4.
[11] Domingo XXVI do Tempo Comum. Esta colecta já aparece, no séc. VIII, entre os textos eucológios do Sacramentário Gelasiano 1198.
[12] 103/102, 3-4
[13] 146/145, 7-9
[14] 147/146, 3.6
[15] 26, 30
[16] 1 Jo 4, 8.16

28/02/2015

Evangelho, coment. L espirit. (Santíssima Virgem)

Quaresma I Semana

Evangelho: Mt 5 43-48

43 «Ouvistes que foi dito: “Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo”. 44 Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem. 45 Deste modo sereis filhos do vosso Pai que está nos céus, o qual faz nascer o sol sobre maus e bons, e manda a chuva sobre justos e injustos. 46 Porque, se amais somente os que vos amam, que recompensa haveis de ter? Não fazem os publicanos também o mesmo? 4 7 E se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de especial? Não fazem também assim os próprios gentios? 48 Sede, pois, perfeitos, como vosso Pai celestial é perfeito.

Comentário:

O próprio Jesus Cristo define o que é e perfeição: Deus é a perfeição!

Este mandato que em princípio parece excessivo porque inatingível para o ser humano, é, afinal, exequível porque o Senhor nunca nos mandaria fazer algo superior às nossas forças.

Assim, em vez de pormos de lado objectivo tão sublime esforcemo-nos antes por alcançá-lo com todas as capacidades e potências de que dispomos e com as que o Espírito Santo nos há-de dar se lhas pedirmos.

(ama comentário sobre Mt 5, 43-48, 2014.03.15)


Leitura espiritual


Santíssima Virgem
Santo Rosário

Gozosos Visitação de Nossa Senhora a Santa Isabel Gozoso [i]

2

Porque o Anjo te disse que tua prima Isabel – aquela quem consideravam estéril - estava esperando um filho, não pensaste em mais nada e puseste-te a caminho para a visitar.
Porque era necessário acompanhá-la nos últimos tempos da gravidez. Isabel já não era jovem e seria bem-vinda a presença de uma jovem dedicada para auxiliar nas complicações de uma gravidez fora de tempo.
Porque era necessário estares presente em tão extraordinário acontecimento noticiado por um Anjo do Senhor.
O mesmo Anjo que te tinha anunciado que serias Mãe do Salvador.
Porque talvez conviesse o sacrifício e incómodos de uma viagem longa, para pensar mais profundamente em todas as maravilhas que te tinham acontecido. Sentias já o teu Filho no teu seio e isto era indubitavelmente obra misteriosa e magnifica de Deus.
Talvez quisesses falar com o teu primo Zacarias que, sendo sacerdote, poderia aclarar um pouco todo o misterioso futuro que se descrevia nas Escrituras.
Talvez por restes motivos todos mas, estou certo, que não pensaste me mais nada senão em ser útil e prestável a uma família que precisava dos teus préstimos.
E tudo se desvaneceu perante a recepção de Isabel. As palavras que te dirigiu. O estremecimento de João no seio de sua mãe.
Tudo se torna claríssimo como água. A Vontade de Deus é agora mais nítida mais transparente.
E rompes num canto maravilhoso de acção de graças e louvor, de humildade e entrega.

Não pedes nada, não desejas nada.
Sabes perfeitamente que não precisarás de coisa alguma, nunca, porque Deus proverá tudo quanto precisares.
E o senhor ouve da tua boca o Magnificat esplendoroso que para sempre ficará gravado na história do povo de Deus e será repetidamente cantado pela legião enorme dos Seus filhos.
Só tu, Virgem Maria, poderias ter reunido com tanta simplicidade e candura um hino de louvor e submissão ao Criador.
Um hino onde se espelham as certezas todas, todos os caminhos que Deus manda trilhar para que a Sua Vontade seja cumprida.
Que coração poderia albergar tais sentimentos?
Que alma saberia elevar-se de tal forma?
Que ser humano poderia alguma vez, louvar e enaltecer o seu Criador de forma tão perfeita?
Sabendo, Senhora, que já eras a Mãe do próprio Deus, sabendo tu, Senhora, que o salvador, Rei dos Reis, habitava já no teu seio, não te exaltas nem envaideces, antes te envaideces exaltas por o Senhor fazer o que quer, como, quando e com quem quer.
Quando dizes que serás aclamada por todas as gerações não o dizes por ti, mas porque sabes que, ao fazê-lo, essas gerações aclamarão a Mãe de Deus.
Dás a Deus o que seria legítimo, humanamente falando, julgar teu.
Sabes que Jesus é realmente o Filho de Deus e que foste apenas o instrumento de que Deus Se serviu para dar corpo substancial à Sua Vontade.
Não te ocorre um momento que tens o mais pequeno mérito em tal maravilha, ou que não o mereces. Não passa tudo da Vontade do Senhor e não te compete saber ou indagar, porquê tu, Maria.
Ah!, minha Senhora, como tua prima deve ter gozado com a tua visita, como devem ter sido extraordinariamente leves os tempos que ali passaste.

Ajuda-me também a mim a compreender que não tenho que pensar ou discutir ou indagara a Vontade do Senhor. Que sou um instrumento muito rudimentar de que Deus se serve, apenas para ser servido e, ao fazê-lo, saiba eu também louvar e enaltecer o Deus que me criou e me governa, porque a Sua Vontade é a única vontade que reconheço e a minha felicidade será dar-lhe cumprimento total. [ii]

Nossa Senhora ao conhecer pela revelação do anjo a necessidade em que se achava a sua prima santa Isabel, próxima já do parto, apressa-se a prestar-lhe ajuda, movida pela caridade.
A Santíssima Virgem não repara em dificuldades (...) o trajecto desde Nazaré até à montanha da Judeia supunha na antiguidade uma viagem de quatro dias.
Este facto da vida da Santíssima Virgem tem um claro ensinamento para os cristãos: devemos aprender dEla a solicitude pelos outros. [iii]
(Isabel bendiz Maria) Para que se veja que deve ser honrada pelos anjos e pelos homens e que com razão se deve antepor a todas as mulheres. [iv]
Isabel ao chamar a Maria «mãe do meu Senhor», movida pelo Espirito Santo, manifesta que a Santíssima Virgem é Mãe de Deus. [v]
O Magnificat é, ao mesmo tempo o cântico da Mãe de Deus e o da Igreja, cântico da filha de Sião e do Povo de Deus, cântico de acção de graças pela plenitude de graças derramadas na economia da salvação, cântico dos «pobres» cuja esperança foi realizada com o cumprimento das promessas feitas a nossos pais em favor de «Abraão e da sua descendência para sempre» [vi]
Maria é a que conhece mais a fundo o mistério da misericórdia divina. Sabe o seu preço e sabe quão alto é.
Neste sentido a chamamos Mãe da misericórdia: Virgem da misericórdia ou Mãe da divina misericórdia; em cada um destes títulos se encerra um profundo significado teológico, porque expressam a preparação particular da sua alma, de toda a sua personalidade, sabendo ver primeiramente através dos complicados acontecimentos de Israel, e de todo o homem e da humanidade inteira depois, aquela misericórdia de que por todas as gerações nos tornamos participantes segundo o eterno desígnio da santíssima Trindade. [vii]
Adorar a Deus é, como Maria no Magnificat, louvá-Lo, exaltá-Lo e humilhar-se, confessando com gratidão que Ele fez grandes coisas e que o Seu Nome é santo. [viii]
(...) As palavras usadas por Maria, no limiar da casa de Isabel, constituem uma profissão inspirada desta sua fé, na qual se exprime a resposta à palavra da revelação, com a elevação religiosa e poética de todo o seu ser no sentido de Deus. Nessas palavras sublimes, ao mesmo tempo muito simples e totalmente inspiradas nos textos sagrados do povo de Israel, transparece a experiência pessoal de Maria, o êxtase do seu coração. Resplandece nelas um clarão do mistério de Deus, a glória da sua inefável santidade, o amor eterno que, como dom irrevogável, entra na história do homem.
Maria é a primeira a participar nesta nova revelação de Deus e, mediante ela, nesta nova «auto-doação» de Deus. (...)
As suas palavras reflectem a alegria de espirito, difícil de exprimir: «O meu espírito exulta em Deus, meu salvador». Porque «a verdade profunda, tanto a respeito de Deus como a respeito da salvação dos homens, manifesta-se-nos... em Cristo, que é, simultaneamente, o mediador e a plenitude de toda a revelação»
No arroubo do seu coração, Maria confessa ter-se encontrado no próprio âmago desta plenitude de Cristo. Ten consciência de que em si está a cumprir-se a promessa feita aos pais e, em primeiro lugar, em favor de «Abraão e da sua descendência para sempre»: que em si, portanto, como mãe de Cristo, converge toda a economia salvífica, na qual «de geração em geração» se manifesta Aquele que, como Deus da Aliança, «recorda-se da sua misericórdia». [ix]
A Igreja, que desde o inicio modela a sua caminhada terrena pela caminhada da Mãe de Deus, repete constantemente, em continuidade com ela, as palavras do Magnificat. (...) «escora-se» na força da verdade sobre Deus, proclamada então com tão extraordinária simplicidade; e, ao mesmo tempo, deseja iluminar com esta mesma verdade sobre Deus os difíceis e por vezes intricados caminhos da existência terrena dos homens. [x]
Com desejos de imitar Nossa Senhora, nós, os cristãos podemos repetir com frequência o Magnificat. E, como ela, devemos confessar abertamente que, à nossa medida, também fez em nós grandes coisas o Todo-Poderoso.
Não podemos, não devemos, ocultá-lo com o pretexto de uma falsa humildade.
Reconhecer que somos devedores de uma grande soma mover-nos-á a corresponder e a levar uma vida de acção de graças.  [xi]
Esta cena da Visitação apresenta-nos uma faceta da vida interior de Maria: a sua atitude de serviço humilde e de amor desinteressado para quem se encontra em necessidade.
Este sucesso (...) convida-nos à entrega pronta, alegre e simples àqueles que nos rodeiam. Muitas vezes o serviço que prestaremos será consequência, como no caso de Maria, do gozo interior, fruto do trato com Jesus Cristo, que transborda e chega aos outros. [xii]
A Anunciação, é portanto, a revelação do mistério da Incarnação exactamente no inicio da sua realização terrena. [xiii]

Isabel saudou-a: «Feliz aquela que acreditou no cumprimento de quanto lhe foi dito da parte do Senhor» [xiv]
É em virtude desta fé que todas as gerações a hão-de proclamar bem-aventurada. [xv] - [xvi]
Maria chegou a casa de Isabel e saudou-a.
Que virtude prodigiosa haveria naquela voz?
Porque a velha Isabel ficou como que petrificada, e estremeceram os seus cabelos brancos, e o rosto enrugado cobriu-se de cor de cera pálida, e limitou-se a cruzar as mãos e inclinar a cabeça, e a deixar escapar um grito inarticulado em que se misturavam a adoração, o assombro, o respeito e o amor.
O Espirito Santo enchera-a, a voz de Maria fora para ela um divino amanhecer; num repente adivinhara tudo. Revelam-no as primeiras palavras que conseguiu pronunciar:
«Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre. Como pude eu merecer que viesse ter comigo a mãe do meu Senhor?» [xvii]

A minha alma glorifica o Senhor;
E o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador;
Porque pôs os olhos na humildade da sua serva;
De hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações.
O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas,
Santo é o seu nome.
A sua misericórdia se estende de geração em geração
Sobre aqueles que O temem.
Manifestou o poder do seu braço
E dispersou os soberbos.
Derrubou os poderosos dos seus tronos
E exaltou os humildes.
Aos famintos encheu de bens
E aos ricos despediu de mãos vazias.
Acolheu Israel seu servo,
Lembrado da sua misericórdia,
Como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência para sempre. [xviii]

O Magnificat é a explosão lírica de uma alma que se sente como vida pela gratidão e pela admiração; é um solilóquio sublime, inspirado pela mais profunda emoção (...)
Tudo são contrastes nas suas palavras; humildade e grandeza, pequenez exaltada e orgulho abatido, fome saciada e saciedade faminta. E o mais desconcertante é a segurança absoluta com que aquela jovem sem bens de fortuna, inteiramente desconhecida, sem qualquer título de nobreza, anuncia que todos os séculos se hão-de inclinar perante ela. Reconhece que é pobre e pequena como uma escrava, mas sabe que todos os povos hão-de bendizer o seu nome.
E as suas palavras cumpriram-se. [xix]

Foi a partir desta singular cooperação de Maria com a acção do Espírito Santo que as Igrejas desenvolveram a oração à santa Mãe de Deus, centrando-a na pessoa de Cristo manifestada nos seus mistérios. 
Nos inúmeros hinos e antífonas em que esta oração se exprime, alternam habitualmente dois movimentos: um «magnífica» o Senhor pelas «grandes coisas» que fez pela sua humilde serva e, através d'Ela, por todos os seres humanos; o outro confia à Mãe de Jesus as súplicas e louvores dos filhos de Deus, pois Ela agora conhece a humanidade que n'Ela foi desposada pelo Filho de Deus. [xx]

(ama, meditações sobre o Santo Rosário – 1999)









[i] Lc 2, 25-35
[ii] AMA 2000
[iii] Bíblia Sagrada, anotada pela Fac. de Teologia da Univ. de Navarra, Comentário Lc 1, 39
[iv] S. Beda, In Lucae Evangelium expositio, ad loc.
[v] Bíblia Sagrada, anotada pela Fac. de Teologia da Univ. de Navarra, Comentário Lc 1, 43
[vi] cfr. Catecismo da Igreja Católica nr 2619
[vii] cfr. João Paulo II, Enc. Dives in misericordia, 30-11-1990, nr. 9
[viii] cfr. Catecismo da Igreja Católica Nr 2097
[ix] cfr. João Paulo II, Enc. Redemptoris Mater, nr 36
[x] cfr. João Paulo II,  Enc. Redemptoris Mater, nr 37
[xi]  Francisco Fernandez Carvajal, Vida de Jesus, Barbosa & Xavier, Lda - Artes Gráficas, pg.. 60 nota 10
[xii] .Francisco Fernandez Carvajal, Vida de Jesus, Barbosa & Xavier, Lda - Artes Gráficas, pg.. 57 nota 5
[xiii] cfr. Enc. Redemptoris Mater, nr 9
[xiv] Lc 1, 45
[xv] cfr. Lc 2,35
[xvi] Catecismo da Igreja Católica, nr 148
[xvii] Perez de Urbel, Vida de Cristo, Éfeso, 1955, pg. 31
[xviii] cfr Catecismo da Igreja Católica nr. 2619
[xix] Perez de Urbel, Vida de Cristo, Éfeso, 1955, pg. 32-33
[xx] Catecismo da Igreja Católica, nr. 2675