15/03/2016

Doutrina - 85

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA
 
Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ
PRIMEIRA SECÇÃO: «EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

CAPÍTULO PRIMEIRO: O HOMEM É «CAPAZ» DE DEUS

«És grande, Senhor, e digno de todo o louvor [...]. Fizeste-nos para Ti e o nosso coração não descansa enquanto não repousar em Ti» [1].

2. Porque é que no homem existe o desejo de Deus?

Ao criar o homem à sua imagem, o próprio Deus inscreveu no coração humano o desejo de O ver. Mesmo que, muitas vezes, tal desejo seja ignorado, Deus não cessa de atrair o homem a Si, para que viva e encontre n’Ele aquela plenitude de verdade e de felicidade, que ele procura sem descanso. Por natureza e por vocação, o homem é um ser religioso, capaz de entrar em comunhão com Deus. É este vínculo íntimo e vital com Deus que confere ao homem a sua dignidade fundamental.



[1] S. Agostinho

Antigo testamento / Salmos

Salmo 134






1 Venham! Bendigam o Senhor todos vós, servos do Senhor, vós, os que servem de noite na casa do Senhor.
2 Levantem as mãos na direcção do santuário e bendigam o Senhor!

3 De Sião os abençoe o Senhor, que fez os céus e a terra!

Sê o apoio da minha debilidade

Quando o receberes, diz-lhe: - Senhor, espero em Ti; adoro-te, amo-te, aumenta-me a fé. Sê o apoio da minha debilidade, Tu, que ficaste na Eucaristia, inerme, para remediar a fraqueza das criaturas. (Forja, 832)

Creio que não vou dizer nada de novo, se afirmar que alguns cristãos têm uma visão muito pobre da Santa Missa e que ela é para muitos um mero rito exterior, quando não um convencionalismo social. Isto acontece, porque os nossos corações, de si tão mesquinhos, são capazes de viver com rotina a maior doação de Deus aos homens.

Na Santa Missa, nesta Missa que agora celebramos, intervém de um modo especial, repito, a Trindade Santíssima. Para corresponder a tanto amor, é preciso que haja da nossa parte uma entrega total do corpo e da alma, pois vamos ouvir Deus, falar com Ele, vê-Lo, saboreá-Lo. E se as palavras não forem suficientes, poderemos cantar, incitando a nossa língua – Pange, lingua! – a que proclame, na presença de toda a Humanidade, as grandezas do Senhor.


Viver a Santa Missa é manter-se em oração contínua, convencermo-nos de que, para cada um de nós, este é um encontro pessoal com Deus, em que O adoramos, O louvamos, Lhe pedimos, Lhe damos graças, reparamos os nossos pecados, nos purificamos e nos sentimos uma só coisa em Cristo com todos os cristãos. (Cristo que passa, nn. 87-88)

Temas para meditar - 598

Egoísmo

Muitas vezes o nosso egoísmo leva-nos a tratar o Senhor com extraordinária inconsciência, como se fosse um servo às ordens, incumbido exclusivamente de resolver os problemas levantados por nós mesmos ou de nos tirar de becos sem saída em que nos metemos totalmente.

Não temos demasiado interesse em pedir pelos outros, em esquecer-nos de nós mesmos em proveito dos mais necessitados; reduzimos frequentemente a nossa oração de súplica à resolução de minúsculas questões puramente terrenas, como se disso dependesse a nossa vida, e desinteressamo-nos facilmente da única coisa verdadeiramente importante.


(federico suarez, A Virgem Nossa Senhora, Éfeso, 4ª Ed. nr. 246)

As famílias que não puderam ter filhos

AMOR HUMANO

O segredo da família

As famílias que não puderam ter filhos


E qual deveria ser o sentido a dar ao seu matrimónio os esposos cristãos que não tenham descendência?
A esta pergunta, São Josemaria respondia que, antes de mais, deveriam pedir a Deus que os abençoe com filhos, se for essa a Sua Vontade, como abençoou os Patriarcas do Antigo Testamento; e depois que recorram a um bom médico.

“Se apesar de tudo, o Senhor não lhes dá filhos, não hão-de ver nisso nenhuma frustração: hão-de estar contentes, descobrindo nesse mesmo facto a Vontade de Deus para eles.
Muitas vezes o Senhor não concede filhos porque pede mais. Pede que se tenha o mesmo esforço e a mesma delicada entrega, ajudando o próximo, sem a alegria humana de ter tido filhos: não há, pois, motivo para se sentirem fracassados nem para dar lugar à tristeza”.

E acrescentava:

"Se os esposos têm vida interior, compreenderão que Deus os urge, impulsionando-os a fazer da sua vida um serviço cristão generoso, um apostolado diverso do que realizariam nos seus filhos, mas igualmente maravilhoso.
Que olhem à sua volta e descobrirão de imediato pessoas que necessitam de ajuda, caridade e carinho.
Além disso, há muitos trabalhos apostólicos em que podem trabalhar. E se sabem pôr o coração nessa tarefa, se sabem dar-se generosamente aos outros, esquecendo-se de si próprios, terão uma fecundidade esplêndida, uma paternidade espiritual que encherá a sua alma de verdadeira paz" [i].

Em todo caso, São Josemaria gostava de se referir às famílias dos primeiros cristãos:

“Aquelas famílias que viveram de Cristo e que O deram a conhecer. Pequenas comunidades cristãs, que foram como centros de irradiação da mensagem evangélica.
Lares iguais aos outros lares daqueles tempos, mas animados de um espírito novo, que contagiava quem os conhecia e os tratava.
Assim foram os primeiros cristãos, e assim temos que ser os cristãos de hoje:

Semeadores de paz e de alegria, da paz e da alegria que Jesus nos trouxe” [ii].

r. pellitero

(Revisão da versão portuguesa por ama)




[i] S. Josemaria, Temas actuais do cristianismo, n. 96
[ii] S. Josemaria, Temas actuais do cristianismo, n. 96

Tratado da vida de Cristo 85

Questão 43: Dos milagres feitos por Cristo em geral

Art. 2 — Se Cristo fez milagres por poder divino.

O segundo discute-se assim. — Parece que Cristo não fez milagres por poder divino.

1. — Pois, a virtude divina é omnipotente. Ora, parece que Cristo não foi omnipotente nos seus milagres; assim, como diz o Evangelho, não podia ali, isto é, na sua pátria, fazer milagre algum. Logo, parece que não fez milagres por poder divino.

2. Demais. — Não é próprio de Deus orar. Ora, Cristo às vezes orou na ocasião de fazer milagres, como o demonstra a ressurreição de Lázaro e a multiplicação dos pães. Logo, parece que não fez milagres por poder divino.

3. Demais. — O que o poder divino faz não o pode fazer nenhuma criatura. Ora, o que Cristo fazia também qualquer criatura podia fazer; por isso os fariseus diziam, que expelia os demónios em virtude de Belzebu, príncipe dos demónios. Logo, parece que Cristo não fez milagres por poder divino.

Mas, em contrário, diz o Senhor: O Pai, que está em mim, esse é o que faz as obras.

Como estabelecemos na Primeira Parte, só o poder divino pode fazer verdadeiros milagres; pois, só Deus pode mudar a ordem da natureza, o que constitui o milagre. Por isso Leão Papa diz, que tendo Cristo duas naturezas, uma delas — a divina, refulge pelos seus milagres; a outra — a humana, é a que sucumbe ao sofrimento. E, contudo uma delas age pela comunicação da outra, isto é, enquanto a natureza humana é instrumento da acção divina, e a acção humana recebe a sua virtude da natureza divina, como estabelecemos.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJECÇÃO. — O dito do Evangelho — não podia ali jazer milagre algum — não se refere ao poder absoluto, mas ao que Cristo fazia por conveniência. Assim, não era conveniente que operasse milagres entre incrédulos; por isso o evangelista acrescenta: E admirava-se da incredulidade deles. E neste sentido a Escritura diz: Acaso poderei eu ocultar a Abraão o que estou para fazer? E ainda: Não poderei fazer nada enquanto tu lá não tiveres entrado.

RESPOSTA À SEGUNDA. — Comentando aquele lugar do Evangelho — Tomando os cinco pães e os dois peixes, com os olhos no céu abençoou e partiu os pães — diz Crisóstomo: Era necessário crer que Cristo vinha do Pai, de quem era o igual. Por isso, a fim de manifestar uma e outra causa, ora faz milagres pelo seu próprio poder, outras vezes depois de ter orado. Assim, quando se trata de milagres menores, como a da multiplicação dos pães, levanta os olhos para o céu; mas, em se tratando dos milagres maiores, como o de perdoar os pecados ou ressuscitar os mortos, que só Deus pode fazer, então age por poder próprio. — Quanto ao dito do Evangelho, que na ressurreição de Lázaro, levantou os olhos ao céu, não para implorar um socorro celeste, mas para dar exemplo, assim procedeu. Por isso diz: Falei assim por atender a este povo, que está à roda de mim, para que eles creiam que tu me enviaste.

RESPOSTA À TERCEIRA. — Cristo expelia os demónios por uma virtude diferente daquela com que os demónios o fazem. Pois, pelo poder dos demónios superiores os demónios são expulsos do corpo humano, continuando porém a ter domínio sobre a alma; porque o diabo não age contra o seu próprio reino. Ao passo que Cristo expulsava os demónios não só do corpo, mas sobretudo da alma. Por isso o Senhor reprovou a blasfémia dos fariseus que diziam que ele expulsava os demónios com o poder destes. E reprovou, primeiro, porque Satanás não entra em divisão consigo mesmo; segundo, para exemplo dos outros, que expulsavam os demónios pelo Espírito de Deus; terceiro, porque não poderia expulsar o demónio se não o tivesse vencido pelo seu poder divino; quarto, porque nada de comum tinha com Satanás, nem pelas suas obras nem pelo efeito delas; pois, Satanás procurava dispersar aqueles que Cristo unia.

Nota: Revisão da versão portuguesa por ama.



Jesus Cristo e a Igreja – 106

Celibato eclesiástico: História e fundamentos teológicos
III. Desenvolvimento do tema da continência na Igreja latina

Evolução da questão nos séculos seguintes

Nesta base, deduzida da prática da Igreja primitiva, podemos acompanhar o desenvolvimento do celibato eclesiástico nos séculos seguintes.
Primeiro, vamos referir-nos ao Ocidente.

Tal como nos primeiros tempos, também nas épocas posteriores muitos dos ministros sagrados eram, sem dúvida, escolhidos entre os homens casados.
Esta situação é demonstrada pelo facto de que muitos Concílios da Espanha e da Gália insistirem repetidamente (e sem interrupção) na obrigação da continência desses ministros.

As sanções foram atenuadas em algumas ocasiões, como, por exemplo, no Concílio de Tours, no ano 461, onde já não se pune com a e excomunhão para toda a vida, mas apenas com a exclusão do serviço eclesiástico.

Além disso, é cada vez mais enfatizada a preocupação da Igreja para dispor de candidatos às ordens maiores que sejam celibatários e para reduzir o número dos candidatos casados, já que a experiência mostrava o perigo permanente da debilidade humana ante as obrigações assumidas por estes candidatos.

(cont)

alfons m. stickler, Cardeal Diácono de São Giorgio in Velabro

(Revisão da versão portuguesa por ama)

14/03/2016

Índice de publicações em Mar 14

nunc coepi – Índice de publicações em Mar 14

São Josemaria – Textos

AMA - Reflectindo - Conhecer-se

AMA - Comentários ao Evangelho Jo 8 1-11, Confissões - Santo Agostinho

JMA – Quaresma

CIC – Compêndio

Catolicismo

Matrimónio, Ramiro Pellitero Iglesias

AT - Salmos – 133


Agenda Segunda-Feira

Reflexões quaresmais


Aqueles homens queriam apedrejar aquela mulher adúltera!

E eu, quantas vezes apedrejo o meu irmão, quando faço julgamentos errados sobre ele?
E eu, quantas vezes apedrejo o meu irmão, quando o condeno pelas suas faltas ou fraquezas?
E eu, quantas vezes apedrejo o meu irmão, quando ouço a má-língua sobre ele?
E eu, quantas vezes apedrejo o meu irmão, quando falo mal dele?
E eu, quantas vezes apedrejo o meu irmão, quando tenho inveja dele?
E eu, quantas vezes apedrejo o meu irmão, quando me acho superior a ele?
E eu, quantas vezes apedrejo o meu irmão, quando sou incapaz de perdoar as suas ofensas?
E eu, quantas vezes apedrejo o meu irmão, quando guardo rancor ou ressentimento dele?
E eu, quantas vezes apedrejo o meu irmão, quando o ofendo seja de que maneira for?
E eu, quantas vezes apedrejo o meu irmão, quando o desprezo e finjo que o não vejo?
E eu, quantas vezes apedrejo o meu irmão, quando não o ajudo na necessidade?

Olhas-me, Senhor, com olhar de compaixão, e dizes-me:
«Eu não te condeno. Agora vai e não voltes a pecar.»


joaquim mexia alves, Marinha Grande, 13 de Março de 2016





Aumenta o número de católicos em todo o mundo


El número de católicos en el mundo creció un 14,1% en la última década

Evangelho, comentário, L. espiritual


Quaresma

Semana V

Evangelho: Jo 8, 1-11

1 Jesus foi para o monte das Oliveiras. 2 Ao romper da manhã, voltou para o templo e todo o povo foi ter com Ele, e Ele, sentado, os ensinava. 3 Então os escribas e os fariseus trouxeram-Lhe uma mulher apanhada em adultério; puseram-na no meio, 4 e disseram-Lhe: «Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante delito de adultério. 5 Ora Moisés, na Lei, mandou-nos apedrejar tais mulheres. E Tu que dizes?». 6 Diziam isto para Lhe armarem uma cilada, a fim de O poderem acusar. Porém, Jesus, inclinando-Se, pôs-Se a escrever com o dedo na terra. 7 Continuando, porém, eles a interrogá-l'O, levantou-Se e disse-lhes: «Aquele de vós que estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire uma pedra». 8 Depois, tornando a inclinar-Se, escrevia na terra. 9 Mas eles, ouvindo isto, foram-se retirando, um após outro, começando pelos mais velhos; e ficou só Jesus com a mulher diante d'Ele. 10 Então, levantando-Se, disse-lhe: «Mulher, onde estão os que te acusavam? Ninguém te condenou?». 11 Ela respondeu: «Ninguém, Senhor». Então Jesus disse: «Nem Eu te condeno; vai e doravante não peques mais».

Comentário:

A Liturgia repete dois dias seguidos o mesmo Trecho do Evangelho de São João e, parece-me, com uma intenção: marcar bem a postura de Jesus Cristo face à mulher e à sua dignidade como pessoa humana.
Há, de facto, tentativas ao longo dos tempos – também hoje em dia – para que a sociedade reconheça à mulher os direitos que lhe são exclusivos como pessoa humana – direitos e dignidade, bem-entendido -.
Tal não tem nada a ver com outras - não poucas - iniciativas que tentam considerar a mulher igual ao homem o que é profundamente errado.

O homem e a mulher são dois seres humanos com direitos, responsabilidades e deveres comuns, mas, em muitos variados aspectos, com dignidades e “lugares” diferentes na sociedade.
Desde logo só à mulher é reservado o papel da maternidade, a capacidade de gerar um novo ser e, considerando apenas esta particularidade, a mulher tem desde logo um papel de colaboradora activa com Deus.

Deus Nosso Senhor quis expressamente que a Sua humanidade santíssima fosse gerada num seio feminino, numa Mãe terrena, que embora revestida e enormíssimas prerrogativas e privilégios era e tudo igual a qualquer mulher.

Talvez que a palavra mais doce e que move mais corações seja a palavra MÂE, exactamente porque nos lembra – a todos – essa que nos deu a vida, velou por nós nos primeiros dias da nossa existência e, não poucas vezes, nos colocou em primeiríssimo lugar das suas preocupações diárias.

(ama, comentário sobre Jo 8 1-11, 2016.01.15)


Leitura espiritual



SANTO AGOSTINHO - CONFISSÕES

LIVRO QUINTO

CAPÍTULO I

Oração

Recebe, Senhor, o sacrifício das minhas Confissões por meio da minha língua, que tu formaste e impeliste a confessar o teu nome. Cura todos os meus ossos, e que eles proclamem: Senhor, quem haverá semelhante a ti? Na verdade, quem se dirige a ti, nada te informa do que ocorre em si, porque não há coração fechado que se possa subtrair ao teu olhar, nem dureza de homem que possa repelir a tua mão. Ao contrário, a abrandas quando queres, ou para compadecer-te, ou para castigar; não há quem se esconda do teu calor. Mas, que minha alma te louve para que te ame, a confesse as tuas misericórdias para que te louve. Toda a criação não cala os teus contínuos louvores, nem os espíritos todos, com a sua boca voltada para ti, nem os animais e coisas corporais, pela boca dos que os contemplam. Assim, apoiando-se na tua criação, a nossa alma levanta-se da sua franqueza, e chega a ti, seu admirável criador, onde encontrará rejuvenescimento e verdadeira fortaleza.

CAPÍTULO II

Os que fogem de Deus

Afastem-se e fujam de ti os irrequietos e os pecadores. Tu os vês e distingues as suas sombras. E eis que, apesar deles, todas continuam belas; somente eles são feios. E que damos te poderiam causar? Ou em que poderia desonrar o teu império, justo e íntegro desde os céus até as coisas mais ínfimas? E para onde fugiram, ao fugir da tua presença? E em que lugar não os encontrarás? Fugiram, sim, para não te ver a ti, que os estás vendo, mas deparam contigo, que não abandonas nada do que criaste; tropeçaram contigo, injustos, e justamente são castigados; subtraindo-se á tua brandura, ofenderam a tua santidade, e caíram sob os teus rigores.

Evidentemente eles ignoram que estás em toda parte, que nenhum lugar te limita, e que só tu estás presente mesmo nos que se afastam de ti.

Que se convertam, pois, e te busquem, porque não abandonas a tua criatura, como elas abandonaram o seu Criador. Que se convertam, e logo estarás nos seus corações, nos corações dos que te confessam, dos que se lançam em ti, dos que choram no teu regaço depois de percorrerem penosos caminhos. E tu, bondoso, enxugarás as suas lágrimas; e chorarão ainda mais, mas serão felizes por chorar, porque és tu, Senhor, e nenhum homem de carne e sangue, tu, Senhor, que os criaste, que os consolas e robusteces.

E onde estava eu quando te buscava? Certamente, estavas diante de mim, mas eu tinha-me afastado de mim mesmo, e não me encontrava, e muito menos de ti!

CAPÍTULO III

Fausto e o maniqueísmo

Falarei, na presença do meu Deus, do ano vigésimo-nono da minha vida. Já havia chegado a Cartago um dos bispos maniqueus, chamado Fausto, grande laço do demónio, no qual caíam muitos pelo encanto sedutor da sua eloquência. Apesar de ser exaltada por mim, eu a sabia contudo discernir das verdades que desejava conhecer. Não era o prato do estilo que eu considerava, mas o alimento doutrinal que nele me era servido por aquele famoso Fausto, tão reputado entre os seus.

Antecedera-o a fama de homem erudito em toda espécie de ciência, e particularmente instruído nas artes liberais. E como eu tinha lido muitas teorias dos filósofos, e as guardava na memória, quis comparar algumas destas com as grandes fábulas do maniqueísmo. Pareciam-me mais prováveis as doutrinas daqueles que chegaram a conhecer a ordem do mundo, embora não tivessem encontrado o seu Criador. Porque tu és grande, Senhor, e pondes os olhos nas coisas humildes, e as elevadas conhece-las de longe, e não te aproximas senão dos contritos de coração. Nem és encontrado pelos soberbos, ainda que a sua curiosa perícia seja capaz de contar as estrelas do céu e as areias do mar; seja capaz de medir as regiões do céu e de investigar o curso dos astros.

Com a inteligência e o engenho que lhes deste investigam os segredos do mundo, e descobriram muitos deles; predisseram com muitos anos de antecedência os eclipses do sol e da lua, no dia e hora em que hão-de suceder, sem que nunca lhes falhasse o cálculo, acontecendo sempre tal e como haviam anunciado. Deixaram ainda por escrito as leis por eles descobertas, as quais ainda hoje se leem, e de acordo com elas se prediz em que ano, e em que mês do ano, e em que dia do mês, e em que hora do dia, e em que parte da sua luz se hão-de eclipsar o sol e a lua; e tudo acontece como está predito.

Admiram-se disto os ignorantes, e pasmam. Os sábios gloriam-se disso, e desvanecem-se, e com ímpia soberba afastam-se e eclipsam-se da tua luz. E, prevendo com exactidão o eclipse vindouro do sol, não veem o seu, que já está presente. Não procuram religiosamente saber de onde lhes vem o talento com que investigam essas coisas e, achando que tu as criaste, não se entregam a ti, para que conserves o que lhes deste, nem se te oferecem em sacrifício, como se se tivessem feito a si mesmos; nem dão morte às suas soberbas, que alçam voo como aves do céu; nem às suas insaciáveis curiosidades que, como peixes do mar, passeiam pelas secretas sendas do abismo; nem às suas luxúrias, que os igualam aos animais do campo, a fim de que tu, ó Deus, fogo devorador, destruas estas suas preocupações de morte, e os tornes a criar para uma vida imortal.

Mas não conheceram o caminho, o teu Verbo, por quem fizeste as coisas que numeram, e a eles próprios que as numeram, e os sentidos com que percebem as coisas que numeram, e a mente graças à qual as numeram. Tua sabedoria escapa aos números. Teu Filho Unigénito se fez para nós sabedoria, justiça e santificação, e foi contado entre nós, e pagou tributo a César. Não conheceram este caminho, por onde desceriam do seu orgulho até ele, e por ele subiriam até ele; não conheceram, digo, este caminho, e julgaram-se mais elevados e resplandecentes que as estrelas, e assim vieram a rolar por terra, e seu coração insensato se obscureceu.

Dizem muitas coisas verdadeiras acerca das criaturas; mas, como não procuram piedosamente a Verdade, isto é, o autor da Criação, não o encontram; e, se o encontram reconhecendo-o por Deus, não o honram como a Deus, nem lhe dão graças. Antes, se desvanecem nos seus pensamentos, e se dizem sábios, atribuindo a si próprios o que é teu.

Atribuem a ti, com perversa cegueira, as suas mentiras, a ti, que és a própria Verdade; alteram a glória de um Deus incorruptível, concebendo-a à semelhança e imagem do homem corruptível, das aves, dos quadrúpedes, das serpentes. E convertem a tua verdade em mentira, e adoram e servem antes à criatura do que ao Criador.

Eu porém guardava muitas das suas opiniões verdadeiras acerca das criaturas, cuja explicação encontrava nos números, na ordem dos tempos e no testemunho visível dos astros; comparava-as com os ensinamentos de Manés, que escreveu sobre essas matérias numerosas e delirantes loucuras, sem achar nenhuma explicação para os solstícios e equinócios, os eclipses do sol e da lua, e para outras coisas, enfim, das quais tomara conhecimento pelos livros da sabedoria profana.

Contudo, exigia-me que acreditasse nessas doutrinas, embora não concordassem absolutamente com os meus cálculos e com o que os meus olhos testemunhavam.

CAPÍTULO IV

Ciência e ignorância

Senhor, Deus da verdade, acaso te agradará quem conhecer essas coisas? Infeliz do homem que, conhecendo-a todas, te ignora ti; mas feliz de quem te conhece, embora as ignore!

Quanto ao que conhece a ti e a elas, este não é mais bem-aventurado por causa do seu saber, mas só é feliz por ti, se, conhecendo-te, glorifica-te como Deus, e dá-te graças, e não se desvanece em seus pensamentos.

É melhor aquele que reconhece estar na posse de uma árvore e te dá graças pela sua utilidade, embora ignore quantos côvados tem de altura e de largura, que o que a mede, e conta todos os seus ramos, mas não a possui, nem conhece, nem ama o seu Criador. Assim o homem fiel, a quem pertencem todas as riquezas do mundo, e que, nada possuindo, possui tudo, por estar unido a ti, a quem servem todas as coisas – embora desconheça até o curso das estrelas da Ursa – e seria insensatez duvidar – é certamente melhor do que o que mede os céus, conta as estrelas e pesa os elementos, mas despreza-te a ti, que dispuseste todas as coisas em número, peso e medida.

(cont)


(Revisão de versão portuguesa por ama)

Pequena agenda do cristão


SeGUNDa-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça ‘boa cara’, que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.

Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.

Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.

Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?




Doutrina - 84

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ

PRIMEIRA SECÇÃO: «EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

1. Qual é o desígnio de Deus acerca do homem?


Deus, infinitamente perfeito e bem-aventurado em si mesmo, num desígnio de pura bondade, criou livremente o homem para o tornar participante da sua vida bem-aventurada. Na plenitude dos tempos, Deus Pai enviou o seu Filho, como Redentor e Salvador dos homens caídos no pecado, convocando-os à sua Igreja e tornando-os filhos adoptivos por obra do Espírito Santo e herdeiros da sua eterna bem-aventurança.

Antigo testamento / Salmos

Salmo 133






1 Como é bom e agradável quando os irmãos convivem em união!
2 É como óleo precioso derramado sobre a cabeça, que desce pela barba, a barba de Arão, até à gola das suas vestes.

3 É como o orvalho do Hermom quando desce sobre os montes de Sião. Ali o Senhor concede a bênção da vida para sempre.