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08/05/2016

Caminho divino de santidade

AMOR HUMANO

…/3

O segredo da família

Com efeito, Cristo fez do matrimónio um caminho divino de santidade, para encontrar Deus no meio das ocupações diárias, da família e do trabalho, para situar a amizade, as alegrias e as penas – porque não há cristianismo sem Cruz – e as mil pequenas coisas do lar ao nível eterno do amor.
Eis o segredo do matrimónio e da família.
Assim se antecipa a contemplação e o gozo do céu, onde encontraremos a felicidade completa e definitiva.

No quadro desse “caminho divino” de amor matrimonial, São Josemaria falava do significado cristão, profundo e belo, da relação conjugal:

“Noutros sacramentos a matéria é o pão, é o vinho, é a água… Aqui são os vossos corpos. (…). Vejo o leito conjugal como um altar; está ali a matéria do sacramento” [i].

A expressão altar não deixa de ser surpreendente e ao, mesmo tempo, é consequência lógica de uma leitura profunda do matrimónio, que tem na una caro [ii] – a união completa dos corpos humanos, criados à imagem e semelhança de Deus – o seu núcleo.

(Cont)

r. pellitero

(Revisão da versão portuguesa por ama)




[i] S. Josemaria, Apontamentos tomados de uma reunião familiar (1967), recolhido em Diccionario de San Josemaria, Burgos 2013, p. 490.
[ii] Cf. Gn 2, 24; Mc 10, 8.

15/03/2016

As famílias que não puderam ter filhos

AMOR HUMANO

O segredo da família

As famílias que não puderam ter filhos


E qual deveria ser o sentido a dar ao seu matrimónio os esposos cristãos que não tenham descendência?
A esta pergunta, São Josemaria respondia que, antes de mais, deveriam pedir a Deus que os abençoe com filhos, se for essa a Sua Vontade, como abençoou os Patriarcas do Antigo Testamento; e depois que recorram a um bom médico.

“Se apesar de tudo, o Senhor não lhes dá filhos, não hão-de ver nisso nenhuma frustração: hão-de estar contentes, descobrindo nesse mesmo facto a Vontade de Deus para eles.
Muitas vezes o Senhor não concede filhos porque pede mais. Pede que se tenha o mesmo esforço e a mesma delicada entrega, ajudando o próximo, sem a alegria humana de ter tido filhos: não há, pois, motivo para se sentirem fracassados nem para dar lugar à tristeza”.

E acrescentava:

"Se os esposos têm vida interior, compreenderão que Deus os urge, impulsionando-os a fazer da sua vida um serviço cristão generoso, um apostolado diverso do que realizariam nos seus filhos, mas igualmente maravilhoso.
Que olhem à sua volta e descobrirão de imediato pessoas que necessitam de ajuda, caridade e carinho.
Além disso, há muitos trabalhos apostólicos em que podem trabalhar. E se sabem pôr o coração nessa tarefa, se sabem dar-se generosamente aos outros, esquecendo-se de si próprios, terão uma fecundidade esplêndida, uma paternidade espiritual que encherá a sua alma de verdadeira paz" [i].

Em todo caso, São Josemaria gostava de se referir às famílias dos primeiros cristãos:

“Aquelas famílias que viveram de Cristo e que O deram a conhecer. Pequenas comunidades cristãs, que foram como centros de irradiação da mensagem evangélica.
Lares iguais aos outros lares daqueles tempos, mas animados de um espírito novo, que contagiava quem os conhecia e os tratava.
Assim foram os primeiros cristãos, e assim temos que ser os cristãos de hoje:

Semeadores de paz e de alegria, da paz e da alegria que Jesus nos trouxe” [ii].

r. pellitero

(Revisão da versão portuguesa por ama)




[i] S. Josemaria, Temas actuais do cristianismo, n. 96
[ii] S. Josemaria, Temas actuais do cristianismo, n. 96

14/03/2016

Futuro da humanidade

AMOR HUMANO

…/7

O segredo da família

Cimento do futuro da humanidade

A vida matrimonial e familiar não é instalar-se numa existência segura e cómoda, mas antes dedicar-se um ao outro e dedicar generosamente tempo aos restantes membros da família, começando pela educação dos filhos – o que inclui facilitar a aprendizagem das virtudes e a iniciação na vida cristã – para abrir-se continuamente aos amigos, a outras famílias e, especialmente, aos mais necessitados.
Deste modo, mediante a coerência da fé vivida em família, se comunica a boa nova – o Evangelho – de que Cristo continua presente e nos convida a segui-lo.

CADA FILHO É, ANTES DE MAIS, UM FILHO DE DEUS ÚNICO E IRREPETÍVEL COM QUE DEUS SONHOU PRIMEIRO.

Para os filhos, Jesus revela-se através do pai e da mãe; pois para ambos, cada filho é, antes de mais, um filho de Deus, único e irrepetível, com o qual Deus sonhou primeiro.
Por isso, podia afirmar João Paulo II que “o futuro da humanidade assenta na família” [i].

(Cont)

r. pellitero

(Revisão da versão portuguesa por ama)




[i] S. João Paulo II, Familiaris consortio, n. 86.

13/03/2016

O segredo da família

AMOR HUMANO

…/6

O segredo da família

Os filhos são sempre o melhor “investimento”, e a família a “empresa” mais sólida, a maior e a mais fascinante aventura.
Todos contribuem com o seu papel, mas a novela resultante é muito mais interessante do que a soma das histórias singulares, porque Deus atua e faz maravilhas.

Daí a importância de saber compreender – os esposos entre si e os filhos – de aprender a pedir desculpa, de amar – como ensinava São Josemaria – todos os defeitos mútuos, sempre que não sejam ofensa a Deus [i].

“Quantas dificuldades na vida do casal se solucionam se arranjamos um espaço de sonho. Se nos detemos e pensamos no cônjuge, na cônjuge. E sonhamos com as bondades que tem, as coisas boas que tem. Por isso é muito importante recuperar o amor através do entusiasmo de todos os dias. Nunca deixem de ser noivos!” [ii].

Parafraseando o Papa, poder-se-ia acrescentar: que os esposos nunca deixem de se sentar para compartilhar e recordar os momentos belos e as dificuldades que atravessaram juntos, para considerar as circunstâncias que provocaram êxitos ou fracassos, ou para recobrar um pouco de alento, ou para que os dois pensem na educação dos filhos.


r. pellitero

(Revisão da versão portuguesa por ama)




[i] Cf. São Josemaria, Apontamentos tomados de uma reunião familiar, 7-VII-1974.
[ii] Papa Francisco, Discurso no Encontro com as famílias, Manila, Filipinas, 16-01-2015.

12/03/2016

Matrimónio

AMOR HUMANO

…/5

O segredo da família

O vínculo que surge a partir do consentimento matrimonial fica selado e é enriquecido pelas relações íntimas entre os esposos.
A graça de Deus que receberam desde o Baptismo, encontra um novo canal que não se justapõe ao amor humano, antes o assume.
O sacramento do matrimónio não supõe um acrescento externo ao matrimónio natural; a graça sacramental específica informa os cônjuges a partir de dentro e ajuda-os a viver a sua relação com exclusividade, fidelidade e fecundidade:

“É importante que os esposos adquiram o sentido claro da dignidade da sua vocação, que saibam que foram chamados por Deus a chegar ao amor divino também através do amor humano; que foram eleitos, desde a eternidade, para cooperar com o poder criador de Deus na procriação e depois na educação dos filhos; que o Senhor lhes pede que façam, do seu lar e da sua vida familiar inteira, um testemunho de todas as virtudes cristãs” [i].



r. pellitero

(Revisão da versão portuguesa por ama)



[i] S. Josemaria, Temas actuais do cristianismo, n. 93.

11/03/2016

O segredo da família

AMOR HUMANO

…/4

O segredo da família

"Vejo o leito conjugal como um altar; está ali a matéria do sacramento” [i]

Nesta perspectiva entende-se que os esposos cristãos expressem, na linguagem da corporalidade, o próprio do sacramento do matrimónio: com a sua entrega mútua, louvam a Deus e dão-Lhe glória, anunciam e atualizam o amor entre Cristo e a Igreja, secundando a obra do Espírito Santo nos seus corações. E daí vem, para os esposos, para a sua família e para o mundo, uma corrente de graça, de força e de vida divina que tudo rejuvenesce.

Isto requer uma preparação e uma formação contínua, uma luta positiva e constante:

“Os símbolos fortes do corpo – observa o Papa Francisco – têm as chaves da alma: não podemos tratar os laços da carne com ligeireza, sem abrir uma ferida duradoura no espírito” [ii].



(Cont)

r. pellitero

(Revisão da versão portuguesa por ama)



[i] São Josemaria
[ii] Papa Francisco, Audiência geral, 27-05-2015.

09/03/2016

Sonhar

AMOR HUMANO

…/2

Sonhar

Esta capacidade de sonhar tem a ver com a “ilusão” – no sentido castelhano do termo – que pomos nos nossos horizontes e esperanças, sobretudo na relação com as pessoas, ou seja, os bens ou êxitos que lhes desejamos, as esperanças que temos a seu respeito.
A capacidade de sonhar equivale à capacidade de projectar o sentido da nossa vida naqueles que amamos.
Por isso é, efectivamente, algo representativo de cada família.

Desde muito cedo, São Josemaria contribuiu para recordar, no quadro dos ensinamentos da Igreja, que o matrimónio – gérmen da família – é, no pleno sentido da palavra, uma chamada específica à santidade dentro da comum vocação cristã: um caminho vocacional, diferente mas complementar ao do celibato – seja sacerdotal ou laical – ou para a vida religiosa.

“O amor, que conduz ao matrimónio e à família, pode também ser um caminho divino, vocacional, maravilhoso, via para uma completa dedicação ao nosso Deus” [i].

Por outro lado, esta chamada de Deus no matrimónio não significa de modo algum diminuir os requisitos que supõe seguir Jesus.
Pois, se “tudo contribui para o bem dos que amam a Deus” [ii], os esposos cristãos encontram na vida matrimonial e familiar a matéria da sua santificação pessoal, quer dizer, da sua pessoal identificação com Jesus Cristo: sacrifícios e alegrias, gozos e renúncias, o trabalho no lar e fora dele, são os elementos com que, à luz da fé, constroem o edifício da Igreja.

Sonhar, para um cristão, com a esposa ou com o esposo, é olhá-lo com os olhos de Deus.
É contemplar, prolongado no tempo, a realização do projecto que o Senhor tem pensado e quer, para cada um, e para os dois na sua concreta relação matrimonial.
É desejar que esses planos divinos se façam realidade na família, nos filhos – se Deus os manda – nos avós e nos amigos que a providência vá colocando para os acompanhar na viajem da vida.
É, afinal, ver cada um o outro como o seu particular caminho para o Céu.



r. pellitero

(Revisão da versão portuguesa por ama)




[i] Cfr. S. Josemaria, Homilia “Amar o mundo apaixonadamente”, em Temas actuais do cristianismo, n. 121; cfr. “O matrimónio, vocação cristã”, em Amigos de Deus
[ii] Ro 8, 28.

08/03/2016

Vocação matrimonial

AMOR HUMANO

…/1

O matrimónio: uma vocação e um caminho divino
Deram a volta ao mundo umas palavras do Papa Francisco, no encontro com as famílias que teve lugar em Manila:

“Não é possível uma família sem sonhar.
Quando numa família se perde a capacidade de sonhar, de amar, essa energia de sonhar perde-se, por isso lhes recomendo que à noite, quando façam o exame de consciência, também se coloquem esta pergunta: hoje sonhei com o futuro dos meus filhos, hoje sonhei com o amor do meu esposo ou esposa, sonhei com a história dos meus avós?” [i].

(Cont)

r. pellitero

(Revisão da versão portuguesa por ama)




[i] Papa Francisco, Discurso no Encontro com as famílias, Manila, Filipinas, 16-01-2015.

03/06/2011

O valor educativo da Confissão

Doutrina

Sem dúvida por causa da situação actual de «emergência (urgência) educativa», Bento XVI quis assinalar o valor pedagógico da Confissão sacramental. Fê-lo numa alocução aos participantes num curso promovido pela Penitenciaria Apostólica (25-III-2011). Citou vários exemplos de confessores (São João Maria Vianney, São João Bosco, São Josemaria Escrivá, São Pio de Pietrelcina, São Giuseppe Cafasso e São Leopoldo Mandić) como testemunhas da misericórdia divina, que se manifesta sempre nesse encontro pessoal com Jesus Cristo que é o sacramento da Confissão.
Cabe recordar que o Sacramento da Penitencia o da Reconciliação, ou simplesmente «a Confissão», é um dos sacramentos «de cura», pois da mesma forma que a vida humana pode adoecer, tal sucede também com a vida espiritual. Impulsionado por João Paulo II, o VI Sínodo dos Bispos ocupou-se de «A Reconciliação e a Penitencia na missão da Igreja (1983). Seguiu-se uma magnífica exortação sobre o mesmo tema. Nela se analisava a perda do «sentido do pecado» no nosso tempo. Os principais meios para a formação neste âmbito são a educação na fé com o seu fundamento bíblico (ver a respeito a Exortação Verbum Domini, 30-IX-2010), a formação da consciência dos fiéis e uma praxis dos sacramentos atenta e renovada.
Todo isto se oferece em nossos dias como um re-descobrimento para os cristãos e um motivo de interesse para muitas outras pessoas.

ramiro pellitero iglesias, conioZe, trad ama, 2011.04.29

02/06/2011

O valor educativo da Confissão

Doutrina

Valor pedagógico para os penitentes


E qual é o valor pedagógico deste sacramento para os penitentes? Trata-se agora de lições sobre a acção de Deus e da sua bondade, a própria liberdade e fragilidade, a necessidade de formar a consciência, e os modos, concretos e pessoais, de crescer na fé, na esperança e no amor.
Tudo isto dependente da acção da Graça e dos efeitos objectivos do sacramento. Na confissão expressa-se particularmente a liberdade pessoal e da consciência. Por isso, «o exame de consciência tem um valor pedagógico importante: educa a olhar com sinceridade a própria existência, a confrontá-la com a verdade do Evangelho e a valorizá-la com parâmetros não só humanos, mas também tomados da Revelação divina. A confrontação com os Mandamentos, com as Bem-aventuranças e, sobre tudo, com o Mandamento do amor, constitui a primeira grande ‘escola penitencial’».
Continuando, «no nosso tempo, caracterizado pelo ruído, pela distracção e pela solidão, o colóquio do penitente com o confessor pode representar uma das poucas ocasiões, por não dizer a única, para ser escutados de verdade e em profundidade». Bento XVI anima os sacerdotes a dedicar tempo a este ministério porque «ser acolhidos e escutados constitui também um sinal humano do acolhimento e da bondade de Deus para com os seus filhos». Juntamente com isto, «a confissão íntegra dos pecados educa o penitente na humildade, no reconhecimento da sua própria fragilidade e, ao mesmo tempo, na consciência da necessidade do perdão de Deus e na confiança em que a Graça divina pode transformar a vida».
Ainda assim «a escuta das admoestações e de os conselhos do confessor é importante para o juízo sobre os actos, para o caminho espiritual e para a cura interior do penitente». E acrescenta o Papa: «Não esqueçamos quantas conversões e quantas existências realmente santas começaram num confessionário».
Por último, «o acolhimento da penitência», que o sacerdote prescreve, «e a escuta das palavras ‘Eu te absolvo dos teus pecados’ representam uma verdadeira escola de amor e de esperança, que guia à plena confiança no Deus Amor revelado em Jesus Cristo, à responsabilidade e ao compromisso da conversão contínua».
No final o Papa dá aos sacerdotes um conselho de ouro, pois a experiencia pessoal como penitente é também uma grande escola: cuidar a própria confissão, também para aprender a confessar cada vez melhor, ao serviço de Deus e das pessoas.

ramiro pellitero iglesias, conioZe, trad ama, 2011.04.29

01/06/2011

O valor educativo da Confissão

Doutrina

Valor pedagógico para o sacerdote


Venhamos já ao recente discurso de Bento XVI. A Confissão tem um grande valor pedagógico, primeiro para o sacerdote, até ao ponto de que o confessionário «pode ser um ‘lugar’ real de santificação». Da administração do Sacramento da Penitencia o sacerdote pode extrair lições de fé, de humildade e também sobre a consciência da sua própria identidade.
Primeiro, o sacerdote reforça a sua própria fé, ao contemplar a «profissão de fé» que supõe ele facto de confessar-se. O confessor tem a oportunidade de «palpar os efeitos salvadores da cruz e da ressurreição de Cristo, em todo o tempo e para todo o homem». Com frequência encontra-se «ante autênticos dramas existenciais e espirituais, que não encontram resposta nas palavras dos homens, mas que são abraçados e assumidos pelo Amor divino, que perdoa e transforma». É verdade que conhecer os aspectos obscuros do coração do homem pode pôr à prova a sua humanidade e a sua fé. Mas isto, por outro lado, «alimenta nele a certeza de que a última palavra sobre o mal do homem e da historia é de Deus, é de sua misericórdia, capaz de fazer tudo de novo».
Exclama o Papa: «Quanto pode aprender o sacerdote de penitentes exemplares pela sua vida espiritual, pela seriedade com que fazem o exame de consciência, pela transparência com que reconhecem o seu pecado e pela docilidade aos ensinamentos da Igreja e às indicações do confessor!». Um valor pedagógico que se estende também «à verdade e pobreza da sua pessoa, e alimenta nele a consciência da identidade sacramental». E é que o sacerdote não escuta os seus irmãos unicamente como homem: «Se se aproximam a nós é só porque somos sacerdotes, configurados com Cristo sumo e eterno Sacerdote, e fomos capacitados para actuar em seu nome e em sua pessoa, para fazer realmente presente a Deus que perdoa, renova e transforma».

ramiro pellitero iglesias, conioZe, trad ama, 2011.04.29