29/03/2013

Resumos sobre a Fé cristã 66


1. Creio no Espírito Santo

1.1. A Terceira Pessoa da Santíssima Trindade

Na Sagrada Escritura, o Espírito Santo é chamado com diversos nomes: Dom, Senhor, Espírito de Deus, Espírito de Verdade e Paráclito, entre outros. Cada uma destas palavras indica-nos alguma coisa da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade. É “Dom”, porque o Pai e o Filho no-lo envia gratuitamente: o Espírito veio habitar nos nossos corações (cf. Gl 4,6); Ele veio para ficar sempre com os homens. Além disso, d’Ele procedem todas as graças e dons, dos quais o maior é a vida eterna, juntamente com as outras Pessoas divinas: n’Ele temos acesso ao Pai pelo Filho.

O Espírito é “Senhor” e “Espírito de Deus”, que na Sagrada Escritura são nomes que se atribuem apenas a Deus, porque é Deus com o Pai e o Filho. É “Espírito de Verdade” porque nos ensina de modo completo tudo o que Cristo nos revelou, e guia e mantém a Igreja na verdade (cf. Jo 15, 26; 16, 13-14). É o “outro” Paráclito (Consolador, Advogado) prometido por Cristo, que é o primeiro Paráclito (o texto grego fala de “outro” Paráclito e não de um paráclito “distinto” para assinalar a comunhão e continuidade entre Cristo e o Espírito).

No Símbolo Niceno-Constantinopolitano rezamos «Et in Spiritum Sanctum, Dominum et vivificantem: qui ex Patre [Filioque] procedit. Qui cum Patre et Filio simul adoratur, et conglorificatur: qui locutus est per Prophetas». (Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai e do Filho; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado: Ele que falou pelos Profetas.) Nesta frase, os Padres do Concílio de Constantinopla (ano 381) quiseram utilizar algumas das expressões bíblicas com que se nomeava o Espírito. Ao dizer que é “dador de vida” referiam-se ao dom da vida divina dado ao homem. Por ser Senhor e dador de vida, é Deus com o Pai e o Filho, e recebe, portanto, a mesma adoração que as outras duas Pessoas divinas. Finalmente, também quiseram assinalar a missão que o Espírito realiza entre os homens: falou pelos Profetas. Os Profetas são aqueles que falaram em nome de Deus, movidos pelo Espírito para mover à conversão do seu povo. A obra reveladora do Espírito nas profecias do Antigo Testamento encontra a sua plenitude no mistério de Jesus Cristo, a Palavra definitiva de Deus.

São numerosos os símbolos com que se representa o Espírito Santo: «a água viva, que brota do coração trespassado de Cristo e dessedenta os baptizados; a unção com o óleo, que é sinal sacramental da Confirmação; o fogo, que transforma o que toca; a nuvem, obscura e luminosa, na qual se revela a glória divina; a imposição de mãos, mediante a qual é dado o Espírito; a pomba, que desce sobre Cristo e permanece sobre Ele no baptismo» (Compêndio, 139).

Miguel de Salis Amaral

Bibliografia:

Catecismo da Igreja Católica, 683-688; 731-741.
Compêndio do Catecismo de la Igreja Católica, 136-146.
João Palo II, Enc. Dominum et Vivificantem, 18-V-1986, 3-26.
João Paulo II, Catequese sobre o Espírito Santo, 8-XII-1989.
São Josemaria, Homilia «O Grande Desconhecido», em Cristo que Passa, 127-138.

Leituras recomendadas:

Catecismo da Igreja Católica, 748-945.
Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, 147-193.
São Josemaria, Homilia «Lealdade à Igreja», em Amar a Igreja, Rei dos Livros, Lisboa 1986.

28/03/2013

Evangelho do dia e comentário





Tempo Quaresma 
SEMANA SANTA




Quinta-Feira Santa - Instituição da Eucaristia


Evangelho: Jo 13, 1-15 (missa à tarde)

1 Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que tinha chegado a Sua hora de passar deste mundo ao Pai, tendo amado os Seus que estavam no mundo, amou-os até ao extremo. 2 Durante a ceia, tendo já o demónio posto no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, a determinação de O entregar, 3 Jesus, sabendo que o Pai tinha posto nas Suas mãos todas as coisas, que saíra de Deus e voltava para Deus, 4 levantou-Se da mesa, depôs as vestes e, pegando numa toalha, cingiu-Se com ela. 5 Depois deitou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos, e a enxugá-los com a toalha com que estava cingido. 6 Chegou, pois, a Simão Pedro. Pedro disse-Lhe: «Senhor, Tu lavares-Me os pés?». 7 Jesus respondeu-lhe: «O que Eu faço, tu não o compreendes agora, mas compreendê-lo-ás depois». 8 Pedro disse-Lhe: «Jamais me lavarás os pés!». Jesus respondeu-lhe: «Se Eu não te lavar não terás parte comigo». 9 Simão Pedro disse-Lhe: «Senhor, não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça». 10 Jesus disse-lhe: «Aquele que tomou banho não tem necessidade de se lavar, pois todo ele está limpo. Vós estais limpos, mas não todos». 11 Ele sabia quem era o que O ia entregar, por isso disse: «Nem todos estais limpos». 12 Depois que lhes lavou os pés e que retomou as Suas vestes, tendo tornado a pôr-Se à mesa disse-lhes: «Compreendeis o que vos fiz? 13 Chamais-Me Mestre e Senhor, e dizeis bem porque o sou. 14 Se Eu, pois, sendo vosso Senhor e Mestre, vos lavei os pés também vós deveis lavar os pés uns aos outros. 15 Dei-vos o exemplo para que, como Eu vos fiz, assim façais vós também.

Comentário:

Jesus Cristo não nos manda fazer nada que, Ele próprio, não tenha feito primeiro.

Manda-nos servir e foi servo!
Manda-nos ser humildes e foi humilíssimo!
Manda-nos amar e amou-nos até ao fim!

O exemplo vem sempre ‘de cima’ e, quem manda ou aconselha tem necessariamente que praticar o que ordena e fazer o que propõe.

(ama, comentário sobre Jo 13, 1-15, 2013.02.19)

Quinta-Feira Santa



Fico das Tuas palavras pendente
Surpreendido e esmagado:

É o Teu Corpo, esse pão!

É o Teu Sangue, esse vinho!

Depois… compreendo de repente
Todo o fantástico significado:

És Tu, meu Deus e meu Senhor
Quem a mim se dá de bom grado
(Dádiva de supremo e último Amor).

Ah! Quero que haja no meu coração
Sempre o mesmo entusiasmo e alegria
Como me lembro Te recebi naquele dia
Em que fiz a Primeira Comunhão.

ama, Quinta-Feira Santa, 2013.03.28-

Leitura espiritual para 28 Mar

Não abandones a tua leitura espiritual.
A leitura tem feito muitos santos.
(S. josemariaCaminho 116)


Está aconselhada a leitura espiritual diária de mais ou menos 15 minutos. Além da leitura do novo testamento, (seguiu-se o esquema usado por P. M. Martinez em “NOVO TESTAMENTO” Editorial A. O. - Braga) devem usar-se textos devidamente aprovados. Não deve ser leitura apressada, para “cumprir horário”, mas com vagar, meditando, para que o que lemos seja alimento para a nossa alma.

Para ver, clicar SFF.

Tratado dos actos humanos 73


Questão 18: Da bondade e da malícia dos actos humanos em geral.

Art. 9 ― Se um acto individualmente considerado pode ser indiferente.



(I Sent., dist. I, q. 3, ad 3, II, dist. XL, a . 5, IV, dist. XXVI, q. 1, a. 4, De Malo, q. 2, a. 5).

O nono discute-se assim. ― Parece que um acto individualmente considerado pode ser indiferente.



El “lugar” de Judas 8


Ernesto Juliá Diaz

Judas conoce la plenitud de vida de y en Cristo. Contemplando a Cristo solamente como Redentor –como ofrecedor de redención-  todavía podía hablar de “buen ejemplo”, de “hombre excepcional”, de “servidor fiel”, y hasta de “amigo”, y cabrían, quizá, otras interpretaciones de su actuar, por no decir otros modelos a los que paragonar sus conductas.

            Sabiendo que Cristo es Redención, es la Redención, es “el camino, la verdad y la vida”, Judas corta toda relación con Él; desaparece toda posibilidad de diálogo.  Se va “a su lugar”; se “encierra en su lugar”; se “encarcela en su lugar”; bien consciente de que la Verdad es la que establece Dios. Judas no pretende “ser su propia verdad”, ni se le pasa por la cabeza siquiera establecer “una verdad”. En esto Judas nunca será del agrado del agnóstico, o del ateo, que pretenda verse a sí mismo como “verdad” para sí mismo.

            No estar presente en la promulgación del “mandamiento nuevo”, e irse a “su lugar”, lleva consigo la señal clara de “no conversión”. Nadie se puede convertir a Cristo mientras persista en “su lugar”. Judas no se convierte; y podemos incluso decir que no se convierte a Cristo. No acepta la Redención. Judas, como ya hemos apuntado, es una manifestación de que Dios permite que su actuar con y en el hombre pueda quedar limitado por el mismo hombre.

Ernesto Juliá Diaz, [1] Julio 15, 2009



[1] Ernesto Juliá Díaz (Ferrol, 1934). Abogado y ordenado sacerdote en 1962, su labor pastoral le ha llevado a distintos países del mundo: Italia, donde ha residido desde 1956 hasta 1992, Australia, Filipinas, Taiwan, Kenya, Nigeria, Estados Unidos, Puerto Rico, Inglaterra, Francia, Bélgica, Holanda, Portugal, Suiza. Ha escrito en medios de comunicación italianos y españoles. Colaboró semanalmente en ABC durante ocho años. Ha publicado varios coleccionables en “Mundo Cristiano”. Ha participado en congresos y reuniones de espiritualidad, con profesores de la talla de Giovanni Colombo, Ignacio de la Potterie; Hans Urs von Baltasar, Inos Biffi, José Luis Illanes, Eugenio Corecco, etc. Tiene entre otros libros: Un anhelo de vida y El renacer de cada día. Ensayos y relatos breves además de varios libros de espiritualidad: Reflexiones sobre la Navidad, Cuatro encuentros con Cristo, Con Cristo resucitado. Y algunas ediciones de bolsillo como Josemaría Escrivá: vivencias y recuerdos, Conversiones de un santo, Porque casarse en la Iglesia y Letanías de la Virgen. En el año 2008 publicó también, Confesiones de Judas y La Biblia. Una lectura para cada día del año. En Cobel Ediciones ha publicado recientemente "Anotaciones de un converso. Cronica de un re-encuentro con Dios Padre". "El santo de lo ordinario (san Josemaría Escrivá), "La cita del amanecer. Anotaciones de un cristiano ingenuo". "Pararse a pensar no da dolor de cabeza".

Tens de conviver, tens de compreender


Tens de conviver, tens de compreender, tens de ser irmão dos homens teus irmãos, tens de pôr amor – como diz o místico castelhano – onde não há amor, para colher amor. (Forja, 457)

Jesus Cristo, que veio salvar todos os povos e deseja associar os cristãos à sua obra redentora, quis ensinar aos seus discípulos – a ti e a mim – uma caridade grande, sincera, mais nobre e valiosa: devemos amar-nos mutuamente como Cristo nos ama a cada um de nós. Só desta maneira, isto é, imitando o exemplo divino – dentro da nossa rudeza pessoal – conseguiremos abrir o nosso coração a todos os homens, amar de um modo mais elevado, inteiramente novo.

Que bem puseram os primeiros cristãos em prática esta caridade ardente, caridade que sobressaía e transbordava dos limites da simples solidariedade humana ou da benignidade de carácter. Amavam-se uns aos outros de modo afectuoso e forte, através do Coração de Cristo. Um escritor do século II, Tertuliano, transmitiu-nos o comentário dos pagãos, comovidos ao presenciarem o comportamento dos fiéis de então, tão cheio de atractivo sobrenatural e humano: Vede como se amam, repetiam.

Se notas que não mereces esse louvor agora ou em tantas ocasiões do dia-a-dia; que o teu coração não reage como devia às exigências divinas, pensa também que chegou o momento de rectificares.

O principal apostolado que nós, os cristãos, temos de realizar no mundo, o melhor testemunho de fé é contribuir para que dentro da Igreja se respire o clima de autêntica caridade. Quando não nos amamos verdadeiramente, quando há ataques, calúnias e inimizades, quem se sentirá atraído pelos que afirmam que pregam a Boa Nova do Evangelho? (Amigos de Deus, nn. 225–226)

Resumos sobre a Fé cristã 65

Jesus Cristo. Deus e Homem verdadeiro. 4

4. A Humanidade Santíssima de Jesus Cristo

«Na Encarnação “a natureza humana foi assumida, não absorvida” (GS 22, 2)» (Catecismo, 470). Por isso a Igreja ensinou «a plena realidade da alma humana, com as suas operações de inteligência e vontade, e do corpo humano de Cristo. Mas, paralelamente, a mesma Igreja teve de lembrar repetidamente que a natureza humana de Cristo pertence, como própria, à pessoa divina do Filho de Deus que a assumiu. Tudo o que Ele fez e faz nela, depende de “um da Trindade”. Portanto, o Filho de Deus comunica à sua humanidade, o seu próprio modo de existir pessoal na Santíssima Trindade. E assim, tanto na sua alma, como no seu corpo, Cristo exprime humanamente os costumes divinos da Trindade (cf. Jo 14, 9-10» (Catecismo, 470).

A alma humana de Cristo é dotada de um verdadeiro conhecimento humano. A doutrina católica ensinou tradicionalmente que Cristo, enquanto homem, possuía um conhecimento adquirido, uma ciência infusa e a ciência beata própria dos bem-aventurados no Céu. O conhecimento adquirido de Cristo não podia ser, por si mesmo, ilimitado: «por isso o Filho de Deus, fazendo-Se homem, pôde aceitar “crescer em sabedoria, estatura e graça” (Lc 2, 52) e também teve de Se informar sobre o que, na condição humana, deve aprender-se de modo experimental (cf. Mc 6, 38; 8, 27; Jo 11, 34)» (Catecismo, 472). Cristo, em quem repousa a plenitude do Espírito Santo com os Seus dons (cf. Is 11, 1-3), possuiu também a ciência infusa, quer dizer, aquele conhecimento que não se adquire directamente pelo trabalho da razão, mas é infundido directamente por Deus na inteligência humana. Com efeito, «o Filho também mostrava, no seu conhecimento humano, a clarividência divina que tinha dos pensamentos secretos do coração dos homens (cf. Mc 2, 8; Jo 2, 25; 6, 61» (Catecismo, 473). Cristo possuía também a ciência própria dos beatos: «Pela sua união com a Sabedoria divina na pessoa do Verbo Encarnado, o conhecimento humano de Cristo gozava, em plenitude, da ciência dos desígnios eternos que tinha vindo revelar (cf. Mc 8, 31; 9, 31; 10, 33-34; 14, 18-20, 26-30» (Catecismo, 474). Por tudo isto deve afirmar-se que Cristo, enquanto homem, é infalível: admitir o erro n’Ele seria admiti-lo no Verbo, única pessoa existente em Cristo. No que se refere a uma eventual ignorância propriamente dita, é preciso ter presente que «o que neste domínio reconhece ignorar (cf. Mc 13, 32) declara, noutro ponto não ter a missão de o revelar (cf. Act 1, 7)» (Catecismo, 474). Entende-se que Cristo era humanamente consciente de ser o Verbo e da sua missão salvífica 13. Por outro lado, a teologia católica, ao pensar que Cristo possuía já na terra a visão imediata de Deus, negou sempre a existência em Cristo da virtude da fé 14.

Frente às heresias monoenergeta e monotelista que, em lógica continuidade com o monofisismo precedente, afirmavam que em Cristo há uma só operação ou uma só vontade, a Igreja confessou no III Concílio ecuménico de Constantinopla, no ano 681, que «Cristo possui duas vontades e duas operações naturais, divinas e humanas, não opostas mas cooperantes, de forma que o Verbo feito carne quis humanamente, em obediência ao Pai, tudo quanto decidiu divinamente com o Pai e o Espírito Santo para a nossa salvação (cf. DS 556-559). A vontade humana de Cristo “segue a sua vontade divina sem fazer resistência nem oposição em relação a ela, antes estando subordinada a essa vontade omnipotente” (DS 556)» (Catecismo, 475). Trata-se de uma questão fundamental pois está directamente relacionada com o ser de Cristo e com a nossa salvação. São Máximo, o Confessor, distinguiu-se neste esforço doutrinal de clarificação e serviu-se, com grande eficácia, da conhecida passagem da oração de Jesus no Horto, em que aparece o acordo da vontade humana de Cristo com a vontade do Pai (cf. Mt 26, 39).

Consequência da dualidade de naturezas é também a dualidade de operações. Em Cristo há duas operações, as divinas, procedentes da sua natureza divina e as humanas, que procedem da natureza humana. Fala-se também de operações teândricas para referir aquelas em que a operação humana actua como instrumento da divina: é o caso dos milagres realizados por Cristo.

O realismo da Encarnação do Verbo manifestou-se também na última grande controvérsia cristológica da época patrística: a disputa sobre as imagens. O costume de representar Cristo, em frescos, ícones, baixos-relevos, etc., é antiquíssima e existem testemunhos que remontam, pelo menos, ao século segundo. A crise iconoclasta produziu-se em Constantinopla no início do século VIII e teve origem numa decisão do Imperador. Já antes tinha havido teólogos que se tinham mostrado, ao longo dos séculos, partidários ou contrários ao uso das imagens, mas ambas as tendências tinham coexistido pacificamente. Os opositores costumavam aduzir que Deus não tem limites e não pode, portanto, encerrar-se no interior dumas linhas, duns traços, não se pode circunscrever. No entanto, como assinalou São João Damasceno é a própria Encarnação que circunscreve o Verbo que não se pode circunscrever «Uma vez que o Verbo se fez carne, assumindo uma verdadeira natureza humana, o corpo de Cristo era circunscrito. Portanto, o rosto humano de Jesus pode ser “pintado” (Gl 3, 2)» (Catecismo, 476). No II Concílio ecuménico de Niceia, do ano 787, «a Igreja reconheceu como legítimo que Ele fosse representado em santas imagens» (Catecismo, 476). Com efeito, «as particularidades individuais do corpo de Cristo exprimem a pessoa divina do Filho de Deus. Este fez seus, os traços do seu corpo humano de tal modo que, pintados numa imagem sagrada, podem ser venerados porque o crente que venera a Sua imagem, venera nela a pessoa nela representada» 15.

A alma de Cristo, ao não ser divina por essência mas humana, foi aperfeiçoada, como as almas dos outros homens, mediante a graça habitual, que é «um dom habitual, uma disposição estável e sobrenatural que aperfeiçoa a alma, mesmo para a tornar capaz de viver com Deus e de agir por seu amor» (Catecismo, 2000). Cristo é santo, como anunciou o arcanjo S. Gabriel a S. Santa Maria na Anunciação (Lc 1, 35). A humanidade de Cristo é radicalmente santa, fonte e paradigma de santidade de todos os homens. Pela Encarnação, a natureza humana de Cristo foi elevada à maior união com a divindade – com a Pessoa do Verbo – à qual criatura alguma pode ser elevada. Do ponto de vista da humanidade do Senhor, a união hipostática é o maior dom que jamais se tenha podido receber, e costuma conhecer-se com o nome de graça de união. Pela graça habitual a alma de Cristo foi divinizada com essa transformação que eleva a natureza e as operações da alma ao plano da vida íntima de Deus, proporcionando às suas operações sobrenaturais uma conaturalidade que, de outro modo, não teria. A sua plenitude de graça implica também a existência das virtudes infusas e dos dons do Espírito Santo. Desta plenitude de graça de Cristo, «todos recebemos, graça sobre graça» (Jo 1, 16). A graça e os dons foram outorgados a Cristo não só em atenção à sua dignidade de Filho, mas também em atenção à sua missão de novo Adão e Cabeça da Igreja. Por isso, fala-se duma graça capital em Cristo, que não é uma graça distinta da graça pessoal do Senhor, mas um aspecto dessa mesma graça que sublinha a sua acção santificadora sobre os membros da Igreja. A Igreja, com efeito, «é o Corpo de Cristo» (Catecismo, 805), um Corpo «cuja cabeça é Cristo: ela vive d’Ele, n’Ele e para Ele; e Ele vive com ela e nela» (Catecismo, 807).

O Coração do Verbo encarnado. «Jesus, conheceu-nos e amou-nos, a todos e a cada um, durante a Sua vida, a Sua agonia e a Sua paixão, entregando-Se por cada um de nós: “O Filho de Deus amou-me e entregou-Se por mim”. Amou-nos a todos com um coração humano» (Catecismo, 478). Por este motivo, o Sagrado Coração de Jesus «é considerado sinal e símbolo, por excelência daquele amor com que o divino Redentor ama, sem cessar, o eterno Pai e todos os homens» (cf. ibidem).

josé antonio riestra

Bibliografia básica:

Catecismo da Igreja Católica, 422-483.
Bento XVI-Joseph Ratzinger, Jesus de Nazaré, Esfera dos Livros, Lisboa 2007, pp. 395-435.

Leituras recomendadas:

A. Amato, Jesús el Señor, BAC, Madrid 1998.
F. Ocáriz – L.F. Mateo Seco – J.A. Riestra, El misterio de Jesucristo, 3ª ed., EUNSA, Pamplona 2004.

(Resumos da Fé cristã: © 2013, Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet)

_______________________
Notas:
13 Cf. Comissão Teológica Internacional, La conciencia que Jesús tenía de Sí mismo y de su misión (1985), em ID., Documentos 1969-1996, 2ª ed., BAC, Madrid 2000, 377-391.
14 Cf. Congregação para a Doutrina da Fé, Notificação, n. V, 26-XI-2006.
15 Concílio de Niceia II, DS 601.

Dominicae Cenae



CARTA 
DOMINICAE CENAE
DO SANTO PADRE JOÃO PAULO II
A TODOS OS BISPOS DA IGREJA
SOBRE O MISTÉRIO E O CULTO
DA SANTÍSSIMA EUCARISTIA






27/03/2013

Evangelho do dia e comentário





Tempo Quaresma 
SEMANA SANTA




Evangelho: Mt 26, 14-25

14 Então um dos doze, que se chamava Judas Iscariotes, foi ter com os príncipes dos sacerdotes, 15 e disse-lhes: «Que me quereis dar e eu vo-l'O entregarei?». Eles prometeram-lhe trinta moedas de prata.16 E desde então buscava oportunidade para O entregar. 17 No primeiro dia dos ázimos, aproximaram-se de Jesus os discípulos, dizendo: «Onde queres que Te preparemos o que é necessário para comer a Páscoa?». 18 Jesus disse-lhes: «Ide à cidade, a casa de um tal, e dizei-lhe: “O Mestre manda dizer: O Meu tempo está próximo, quero celebrar a Páscoa em tua casa com os Meus discípulos”». 19 Os discípulos fizeram como Jesus tinha ordenado e prepararam a Páscoa. 20 Ao entardecer, pôs-se Jesus à mesa com os doze. 21 Enquanto comiam, disse-lhes: «Em verdade vos digo que um de vós Me há-de 22 Eles, muito tristes, cada um começou a dizer: «Porventura sou eu, Senhor?» 23 Ele respondeu: «O que mete comigo a mão no prato, esse é que Me há-de trair. 24 O Filho do Homem vai certamente, como está escrito d'Ele, mas ai daquele homem por quem será entregue o Filho do Homem! Melhor fora a tal homem não ter nascido». 25 Judas, o traidor, tomou a palavra e disse: «Porventura, sou eu, Mestre?». Jesus respondeu-lhe: «Tu o disseste».

Comentário:

Na verdade, Judas é muito necessário à história da Salvação.
Tal como a traição de Pedro e as dúvidas de Tomé ou a deserção, na hora do Gólgota, de todos com excepção de João.

Era precisa a confirmação que qualquer homem pode seguir Jesus; por mais fraca que possa ser a sua vontade, débil o seu carácter ou frágil a sua lealdade.

Se todos os Apóstolos fossem perfeitos, perseverantes, leais, com uma confiança inabalável em Jesus, como poderiam servir-nos de exemplo, a nós, pobres criaturas cheios de defeitos, fraquezas e debilidades?

O único que nunca abandonou o Senhor foi João e... sabemos porquê: porque amava, verdadeiramente Jesus e, o amor é incompatível com a deslealdade e, muito menos, com a traição.

É o Amor que nos faz santos!
Segue-se Cristo não porque se é santo mas para o ser.

(ama, comentário sobre Mt 26, 14-25, 2011.04.20)

Quarta-Feira Santa


«Porventura sou eu, Mestre?»

E esta pergunta que faço minha,
Atormenta-me a alma.
Enraíza-se como erva daninha,
Tira-me a paz e a calma
Fico distante e absorto!

Serei eu, Senhor?

Esse que Te trai todos os dias
Fazendo mal que não quero
Não fazendo o bem que devo?

Serei eu, Senhor?

E… quase me atrevo
E sendo, por uma vez, sincero,
Dir-te-ei:

Ah! Se não me ajudas,
Como Judas,
Trair-te-ei!

ama, Quarta-Feira Santa, 2013.03.27

Leitura espiritual para 27 Mar

Não abandones a tua leitura espiritual.
A leitura tem feito muitos santos.
(S. josemariaCaminho 116)


Está aconselhada a leitura espiritual diária de mais ou menos 15 minutos. Além da leitura do novo testamento, (seguiu-se o esquema usado por P. M. Martinez em “NOVO TESTAMENTO” Editorial A. O. - Braga) devem usar-se textos devidamente aprovados. Não deve ser leitura apressada, para “cumprir horário”, mas com vagar, meditando, para que o que lemos seja alimento para a nossa alma.

Para ver, clicar SFF.

Tratado dos actos humanos 72


Questão 18: Da bondade e da malícia dos actos humanos em geral.

Art. 8 – Se há actos especificamente indiferentes.




(II Sent., dist. XL, a . 5: De Malo, 1. 2, a . 5).

O oitavo discute-se assim. ― Parece que não há actos especificamente indiferentes.


El “lugar” de Judas 7

Ernesto Juliá Diaz


            De las causas y motivaciones del actuar de Judas, el autor deja al propio Judas explicarse en primera persona. A mi me toca solamente reflexionar para tratar de desentrañar el misterio del “irse a su lugar”, a la vez que me permito señalar al lector el Apéndice IV, de “La muerte del Mesias”, estudio bíblico de Raymond E. Brown, dedicado por entero a la figura de Judas.


            Volvamos ahora  al “mandamiento nuevo”, y su relación con el Iscariote.
El “mandamiento nuevo” viene a ser la indicación para poner en marcha todo el plan de redención de Cristo. Cristo, no lo olvidemos, es la Redención, no sólo el Redentor.
            Como Redentor, Judas podía todavía entablar un diálogo con el Señor para intentar sonsacarlo. Sin embargo, en cuanto ve la plenitud de la Redención en la persona de Cristo, lo rechaza. No cabe diálogo. Sabe muy bien que aceptar el “mandamiento nuevo” es aceptar a Cristo.

Ernesto Juliá Diaz, [1] Julio 15, 2009



[1] Ernesto Juliá Díaz (Ferrol, 1934). Abogado y ordenado sacerdote en 1962, su labor pastoral le ha llevado a distintos países del mundo: Italia, donde ha residido desde 1956 hasta 1992, Australia, Filipinas, Taiwan, Kenya, Nigeria, Estados Unidos, Puerto Rico, Inglaterra, Francia, Bélgica, Holanda, Portugal, Suiza. Ha escrito en medios de comunicación italianos y españoles. Colaboró semanalmente en ABC durante ocho años. Ha publicado varios coleccionables en “Mundo Cristiano”. Ha participado en congresos y reuniones de espiritualidad, con profesores de la talla de Giovanni Colombo, Ignacio de la Potterie; Hans Urs von Baltasar, Inos Biffi, José Luis Illanes, Eugenio Corecco, etc. Tiene entre otros libros: Un anhelo de vida y El renacer de cada día. Ensayos y relatos breves además de varios libros de espiritualidad: Reflexiones sobre la Navidad, Cuatro encuentros con Cristo, Con Cristo resucitado. Y algunas ediciones de bolsillo como Josemaría Escrivá: vivencias y recuerdos, Conversiones de un santo, Porque casarse en la Iglesia y Letanías de la Virgen. En el año 2008 publicó también, Confesiones de Judas y La Biblia. Una lectura para cada día del año. En Cobel Ediciones ha publicado recientemente "Anotaciones de un converso. Cronica de un re-encuentro con Dios Padre". "El santo de lo ordinario (san Josemaría Escrivá), "La cita del amanecer. Anotaciones de un cristiano ingenuo". "Pararse a pensar no da dolor de cabeza".

Meu Pai do Céu, ajuda-me


A ti, que desmoralizas, repetir-te-ei uma coisa muito consoladora: a quem faz o que pode, Deus não lhe nega a Sua graça. Nosso Senhor é Pai, e se um filho lhe diz na quietude do seu coração: Meu Pai do Céu, aqui estou, ajuda-me... Se recorre à Mãe de Deus, que é Mãe nossa, vai para a frente. Mas Deus é exigente. Pede amor de verdade; não quer traidores. É preciso ser fiel a essa luta sobrenatural, que é ser feliz na terra à força de sacrifício. (Via Sacra, 10ª Estação, n. 3)

Recorrei semanalmente – e sempre que o necessiteis, sem dar lugar aos escrúpulos – ao santo Sacramento da Penitência, ao sacramento do perdão divino. Revestidos da graça, caminharemos por entre os montes e subiremos a encosta do cumprimento do dever cristão, sem nos determos. Utilizando estes recursos com boa vontade e rogando ao Senhor que nos conceda uma esperança cada dia maior, possuiremos a alegria contagiosa dos que se sabem filhos de Deus: Se Deus está connosco, quem nos poderá derrotar? Optimismo, portanto. Incitados pela força da esperança, lutaremos para apagar a mancha viscosa que espalham os semeadores do ódio e redescobriremos o mundo com uma perspectiva jubilosa, porque saiu formoso e limpo das mãos de Deus, e restituir-lho-emos assim belo, se aprendermos a arrepender-nos.

Cresçamos na esperança, que deste modo nos consolidaremos na fé, verdadeiro fundamento das coisas que se esperam e prova das que não se vêem . Cresçamos nesta virtude, que é suplicar ao Senhor que aumente a sua caridade em nós, porque só se confia verdadeiramente no que se ama com todas as forças. E vale a pena amar o Senhor. Vós haveis experimentado, como eu, que a pessoa enamorada se entrega confiante, com uma sintonia maravilhosa, em que os corações batem num mesmo querer. E que será o Amor de Deus? Não sabeis que Cristo morreu por cada um de nós? Sim, por este nosso coração pobre, pequeno, se consumou o sacrifício redentor de Jesus.

Frequentemente, o Senhor fala-nos do prémio que nos ganhou com a sua Morte e Ressurreição. Vou preparar um lugar para vós. Depois que eu tiver ido e vos tiver preparado o lugar, virei novamente e tomar-vos-ei comigo para que, onde eu estou, estejais Vós também. O Céu é a meta do nosso caminho terreno. Jesus Cristo precedeu-nos e ali, na companhia da Virgem e de S. José – a quem tanto venero – dos Anjos e dos Santos, aguarda a nossa chegada.. (Amigos de Deus, nn. 219–220)

Resumos sobre a Fé cristã 64


Jesus Cristo. Deus e Homem verdadeiro. 3

3. A união hipostática

No princípio do século quinto, após as controvérsias precedentes, era clara a necessidade de defender firmemente a integridade das duas naturezas humana e divina na Pessoa do Verbo; de modo que a unidade pessoal de Cristo começa a constituir o centro da atenção da cristologia e da soteriologia patrística. Para este novo aprofundamento contribuíram novas discussões.

A primeira grande controvérsia teve a sua origem nalgumas afirmações de Nestório, patriarca de Constantinopla, que utilizava uma linguagem em que dava a entender que em Cristo há dois sujeitos: o sujeito divino e o sujeito humano, unidos entre si por um vínculo moral, mas não fisicamente. É neste erro cristológico que tem origem a recusa do título de Mãe de Deus, Theotókos, aplicado a Santa Maria. Maria seria Mãe de Cristo mas não Mãe de Deus. Opondo-se a esta heresia, São Cirilo de Alexandria e o Concílio de Éfeso de 431 recordaram que «a humanidade de Cristo não tem outro sujeito senão a pessoa divina do Filho de Deus, que a assumiu e a fez sua desde que foi concebida. Por isso, o Concílio de Éfeso proclamou, em 431, que Maria se tornou, com toda a verdade, Mãe de Deus por ter concebido humanamente o Filho de Deus em Seu seio» (Catecismo, 466; cf. DS 250 y 251).

Anos mais tarde surgiu a heresia monofisita. Esta heresia tem os seus antecedentes no apolinarismo e numa má compreensão por parte de Eutiques (ancião arquimandrita de um mosteiro de Constantinopla), da doutrina e da linguagem empregue por São Cirilo. Eutiques afirmava, entre outras coisas, que Cristo é uma Pessoa que subsiste numa só natureza, pois a natureza humana teria sido absorvida na divina. Este erro foi condenado pelo Papa São Leão Magno, no seu Tomus ad Flavianum 7 – autêntica jóia da teologia latina – e pelo Concílio ecuménico de Calcedónia do ano 451, ponto de referência obrigatório para a cristologia. Ensina assim: «há que confessar um só mesmo Filho e Senhor nosso Jesus Cristo: perfeito na divindade e perfeito na humanidade» 8, e acrescenta que a união das duas naturezas é «sem confusão, sem alteração, sem divisão, sem separação» 9.

A doutrina de Calcedónia foi confirmada e aclarada pelo II Concílio de Constantinopla do ano 553, que faz uma interpretação autêntica do Concílio anterior. Depois de sublinhar várias vezes a unidade de Cristo 10, afirma que a união das duas naturezas de Cristo tem lugar segundo a hipóstase 11, superando, assim, a possibilidade de equívocos da fórmula ciriliana que falava de unidade segundo a “fisis”. Nesta linha, o II Concílio de Constantinopla indicou também o sentido em que deveria entender-se a conhecida fórmula ciriliana de «uma natureza do Verbo de Deus encarnada» 12, frase que São Cirilo pensava ser de Santo Atanásio, tratando-se, na realidade, de uma falsificação apolinarista.

Nestas definições conciliares, que tinham como finalidade aclarar alguns erros concretos e não expor o mistério de Cristo na sua totalidade, os Padres conciliares utilizaram a linguagem do seu tempo. Da mesma maneira que Niceia empregou o termo consubstancial, Calcedónia utiliza termos como natureza, pessoa, hipóstase, etc., de acordo com o significado habitual que tinham na linguagem comum e na teologia da sua época. Isto não significa, como afirmaram alguns, que a mensagem evangélica se helenizasse. Na realidade, os que se mostraram rigidamente helenizantes foram precisamente aqueles que propunham as doutrinas heréticas, como Arrio ou Nestório, que não souberam ver as limitações que tinha a linguagem filosófica do seu tempo face ao mistério de Deus e de Cristo.


josé antonio riestra

Bibliografia básica:

Catecismo da Igreja Católica, 422-483.
Bento XVI-Joseph Ratzinger, Jesus de Nazaré, Esfera dos Livros, Lisboa 2007, pp. 395-435.

Leituras recomendadas:

A. Amato, Jesús el Señor, BAC, Madrid 1998.
F. Ocáriz – L.F. Mateo Seco – J.A. Riestra, El misterio de Jesucristo, 3ª ed., EUNSA, Pamplona 2004.

(Resumos da Fé cristã: © 2013, Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet)

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Notas:
7 Cf. Ibidem, 290-295.
8 Cf. Ibidem, 301; Catecismo, 467.
9 Cf. Idem.
10 Cf. Ibidem, 423.
11 Cf. Ibidem, 425.
12 Cf. Ibidem, 429.