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30/03/2013

Sábado Santo



Espero estas trinta e seis horas
Sem saber o que fazer nem que pensar…
Estás aí, eu bem o sei, a repousar
O Teu corpo, a alma, não!
Essa anda como prometido
A visitar os que tinham adormecido
No seio de Abraão.

Ah! E o tempo que anda tão devagar
E eu com tanta pressa de Te ver voltar!

E essa pedra tão grande que não a posso rolar!

E os soldados que não me deixam aproximar!

Tenho esta sublime missão:
Estar aqui a assegurar
Que ninguém Te vai roubar!

Estas trinta e seis horas
Fico aqui a guardar-te
Até à Tua Ressurreição.

ama, Sábado Santo, 2013.03.30

29/03/2013

Sexta-Feira Santa




De um lado para o outro absorto
No meu triste pensamento
Mal dou pelo que te diz o ladrão
A Ti meu Senhor quase morto.

Aproveitando o último momento
Consegue roubar o Teu coração
Já sem uma gota de sangue.

E Tu, da Cruz donde pendes exangue
Dás-lhe como prémio o Paraíso!

Como és bom e justíssimo Juiz!

Aviva-se em mim um sonho antigo:

Que quando me submeteres a juízo
Me sentencies a ir ter contigo!

ama, Sexta-Feira Santa, 2013.03.29

28/03/2013

Quinta-Feira Santa



Fico das Tuas palavras pendente
Surpreendido e esmagado:

É o Teu Corpo, esse pão!

É o Teu Sangue, esse vinho!

Depois… compreendo de repente
Todo o fantástico significado:

És Tu, meu Deus e meu Senhor
Quem a mim se dá de bom grado
(Dádiva de supremo e último Amor).

Ah! Quero que haja no meu coração
Sempre o mesmo entusiasmo e alegria
Como me lembro Te recebi naquele dia
Em que fiz a Primeira Comunhão.

ama, Quinta-Feira Santa, 2013.03.28-

27/03/2013

Quarta-Feira Santa


«Porventura sou eu, Mestre?»

E esta pergunta que faço minha,
Atormenta-me a alma.
Enraíza-se como erva daninha,
Tira-me a paz e a calma
Fico distante e absorto!

Serei eu, Senhor?

Esse que Te trai todos os dias
Fazendo mal que não quero
Não fazendo o bem que devo?

Serei eu, Senhor?

E… quase me atrevo
E sendo, por uma vez, sincero,
Dir-te-ei:

Ah! Se não me ajudas,
Como Judas,
Trair-te-ei!

ama, Quarta-Feira Santa, 2013.03.27

07/12/2012

Aniversário


Quarenta e sete anos!

1965.12.08 - Alpiarça
Do tempo que correu,
Tão rápido pelas nossas vidas,
Ficaram todos os dias… todos
(Dezassete Mil Quinhentos e Cinquenta e Cinco)
Como se fosse só hoje!

Envelhecer a teu lado é privilégio,
Graça de Deus que nem sei!

Como pudeste aturar-me?
Continuar a amar-me?
Sempre… no dia a dia!

Espanto-me na minha alegria,
No agradecimento que proclamo,
Na certeza mais concreta,
Que te AMO!!!

Porto, 2012

Nota: Só se publica para que, amanhã, - rezando por nós - me ajudem a dar graças a Deus. 

16/10/2012

Abraço

P o e m a s  d a  m i n h a  v i d a


Tenho-te aqui

Num abraço eterno
Carvide 2008.03.23

De irmão querido.


Tenho, com certeza,

Uma saudade enorme

Por teres partido.

Depois… com meridiana clareza

Vejo que não estou sozinho


Nem tu estás ausente.

Pelo contrário, estás mais presente

Zézinho!


Porto, 2012 no dia em que farias 69 anos.

03/09/2012

Luto carregado

P o e m a s  d a  m i n h a  v i d a

Ando de luto carregado
De há uns dias para cá
Carrego o luto pesado
Que mais pesado não há.
Foi a minha irmã que morreu
Há uns dias para cá
Com esta dor fiquei eu
Que mais aguda não há.
Tenho o coração partido
Há uns dias para cá
De morte está bem ferido
Que ferida mais funda não há.

Porto, 2012.07.23









01/08/2012

Toque de finados

P o e m a s  d a  m i n h a  v i d a
O coração é como um sino
Que dobra a finados:
. Três toques para o homem
. Quatro se for mulher
Ficamos a assim informados
Se quem morreu e partiu,
Foi um homem
Ou uma mulher.

(Desde pequeno que sei
Quem acaba de morrer
Quatro toques: foi mulher.)

Se for homem, são três toques
É assim na minha torre.

Ah! quando alguém morre
Lá toca o coração
Como um sino em cantochão.

E a alma corre, corre
Num desenfreado latir.

Quem acaba de partir?
Até posso nem saber
Mas… quatro toques… foi mulher!

Porto, 2012.07.18











27/07/2012

Escrito para o Céu


Mena:

Escrevo-te na noite em que velei o teu corpo morto. 

De repente, pus-me a pensar:
Não voltarás a esta casa que te viu nascer
E não sei o que contar
Ou escrever.

(Tu gostavas do que eu escrevia
E dizias sempre:
'O menino dê-me uma cópia!')

E agora?

Como te escrevo para o Céu?

Vou pedir a Nossa Senhora
Que seja a portadora
Deste escrito.

Não é grande coisa,
Bem sei...
Mas fica dito
O que te queria dizer:

Havemos de nos encontrar
Aí onde agora estás...

Mena: Guarda-me aí um lugar.

2012.07.18 Carvide

18/06/2012

Céu Particular

Há pouco no Céu particular,
Que no silêncio contemplo
Descortinei amargurado,
Uma estrela com um cintilar
Para o qual não estava preparado.

Estrela nova, muito recente
De que nunca vi exemplo,
Com um brilho tão desusado,
Das outras estrelas tão diferente
Que parecia brilhar sozinha
Fazendo-me lembrar o brilho
Dos doces olhos da Belinha.



Porto, 18 de Junho de 2001 (in memoriam; à minha querida irmã Belinha)

26/12/2011

Verso de Natal

Dei por mim a pensar:

Este Natal, não escrevi nem um verso!

Grande coisa!… achei…

O que é um verso no Natal?

Não sei!

Mas sinto-me mal
Se não escrever
E, está-se a ver,
Tem MESMO de ser!

Bom… comecemos:

“Recebi um presente
Que muito gostei
Mas não me admirei
Por o ter recebido.

Fiquei contente
E agradecido.

Não fiquei indiferente,
Digo-o sem temor,
Pois o que recebi

Foi o AMOR!

E, o Marido, Pai e Avô
Chorou!”

Porto, Natal de 2011