03/01/2013

Carta do Prelado do Opus Dei por ocasião do Ano da Fé. 14


14. Causava profunda impressão a fé, a piedade e o recolhimento com que S. Josemaria se metia, corpo e alma, no momento da Consagração Eucarística. Maravilhava-se diariamente, com renovado agradecimento e nova devoção, ante o mistério da transubstanciação, ante essa entrega do Filho de Deus ao Pai, com o Espírito Santo, pelas almas. Penso que não exagero ao afirmar que, sabendo-se nesses instantes ipse Christus, daí extraía toda a força da sua eficácia e da sua extensa actuação apostólica. Com idêntica fé ardente o contemplávamos enquanto repetia, antes de dar a Sagrada Comunhão, as palavras de S. João Baptista: ecce Agnus Dei! Exortou todos os católicos, e repetia-o às suas filhas e filhos, aos sacerdotes, que é necessário identificar-se com Cristo, porque Ele assim nos convidou e porque assim atrairemos as almas para o Amor de Deus. Actualizar a nossa fé, como o nosso Padre, precisamente no momento da transubstanciação, é uma ajuda poderosa para fazer de cada dia uma missa.
Esta certeza de que Deus quer contar connosco pode e deve constituir um firme ponto de apoio para renovar diariamente o nosso zelo apostólico; há-de ser um estímulo que nos impulsione, cheios de esperança e optimismo sobrenatural, para o serviço das pessoas que passam ao nosso lado: «havemos de nos inflamar no desejo e na realidade de levar a luz de Cristo, o afã de Cristo, as dores e a salvação de Cristo, a tantas almas de colegas, amigos, parentes, conhecidos, desconhecidos, sejam quais forem as suas opiniões nas coisas da terra, para lhes dar a todos um bom abraço fraterno. Então seremos rubi aceso, e deixaremos de ser este nada, este carvão pobre e miserável, para ser a voz de Deus, luz de Deus, fogo de Pentecostes!» [24].


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Nota: Publicação devidamente autorizada

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Notas:

[24] S. Josemaria, Notas de uma reunião familiar, 2-VI-1974.

Tratado da bem-aventurança 30


Questão 4: Do necessário à bem-aventurança.



Art. 6 — Se a perfeição do corpo é necessária à perfeita bem-aventurança do homem.

(III, q. 15, a. 10, IV Sent., dist. XLIX, q. 4, a. 5, q ª2).

O sexto discute-se assim. — Parece que a perfeição do corpo não é necessária à perfeita bem-aventurança do homem.



02/01/2013

Evangelho do dia e comentário




TEMPO DE NATAL






Oitava do Natal


Evangelho: Jo 1, 19-28

19 Eis o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas a perguntar-lhe: «Quem és tu?». 20 Ele confessou a verdade, não a negou; e confessou: «Eu não sou o Cristo». 21 Eles perguntaram-lhe: «Quem és, pois? És tu Elias?». Ele respondeu: «Não sou». «És tu o profeta?». Respondeu: «Não». 22 Disseram-lhe então: «Quem és, pois, para que possamos dar resposta aos que nos enviaram? Que dizes de ti mesmo?». 23 Disse-lhes então: «”Eu sou a voz do que clama no deserto. Endireitai o caminho do Senhor”, como disse o profeta Isaías». 24 Ora os que tinham sido enviados eram fariseus. 25 Interrogaram-no, dizendo: «Como baptizas, pois, se não és o Cristo, nem Elias, nem o profeta?». 26 João respondeu-lhes: «Eu baptizo em água, mas no meio de vós está Quem vós não conheceis. 27 Esse é O que há-de vir depois de mim, e eu não sou digno de desatar-Lhe as correias das sandálias». 28 Estas coisas passaram-se em Betânia, além Jordão, onde João estava a baptizar.
Comentário:

“O Senhor está próximo, não vos inquieteis com nada" (Fil 4,5-6). No profeta Isaías, Deus Pai fala assim: “Faço aproximar a minha justiça” – isto é o seu Filho; “ele não está longe e a minha salvação não se fará esperar. Darei a Sião a salvação e a minha glória a Israel” (46,13). É o que se diz no evangelho de hoje: “No meio de vós está aquele que não conheceis”. Mediador entre Deus e os homens, um homem (1 Tm 2,5), Jesus Cristo, eleva-se no campo de batalha do mundo para combater o diabo; vencedor, ele liberta o homem e reconcilia-o com Deus Pai. Mas vós não o conheceis.
“Alimentei e criei filhos, mas eles desprezaram-me. O boi conhece o seu dono, o burro conhece o estábulo do seu senhor, mas Israel não me conheceu e o meu povo não me compreendeu” (Is 1,2-3). Como o Senhor está perto de nós! E nós não o conhecemos! Alimentei os meus filhos com o meu sangue, diz-nos ele, como uma mãe alimenta os seus filhos com o seu leite. Elevei acima dos coros dos anjos a natureza humana que tomei, a quem me uni. Poderia dar-vos maior honra? E eles desprezaram-me. Vede se há dor comparável à minha (Lm 1,12).
Então, "não vos inquieteis com nada", uma vez que é a preocupação com as coisas materiais que nos faz esquecer o Senhor.
(Santo António Sermões para os Domingos e festas dos santos)

Uma oração contínua


Padre – comentaste-me –, eu cometo muitos enganos, muitos erros. – Já sei, respondi-te. Mas Deus Nosso Senhor, que também o sabe e conta com isso, só te pede a humildade de o reconheceres e a luta para rectificares, para O servires cada vez melhor, com mais vida interior, com uma oração contínua, com a piedade e com o emprego dos meios adequados para santificares o teu trabalho. (Forja, 379)

Vida interior, em primeiro lugar. Há ainda tão pouca gente que entenda isto! Ao ouvir falar de vida interior, pensa-se logo na obscuridade do templo, quando não no ambiente abafado de algumas sacristias. Estou há mais de um quarto de século a dizer que não se trata disso. Eu falo da vida interior de cristãos normais e correntes, que habitualmente se encontram em plena rua, ao ar livre; e que na rua, no trabalho, na família e nos momentos de diversão estão unidos a Jesus todo o dia. E o que é isto senão vida de oração contínua? Não é verdade que compreendeste a necessidade de ser alma de oração, numa intimidade com Deus que te leva a endeusar-te? Esta é a fé cristã e assim o compreenderam sempre as almas de oração. Torna-se Deus aquele homem, escreve Clemente de Alexandria, porque quer o mesmo que Deus quer.

A princípio custará. É preciso esforçarmo-nos por nos dirigir ao Senhor, por lhe agradecermos a sua piedade paternal e concreta para connosco. Pouco a pouco o amor de Deus torna-se palpável – embora isto não seja coisa de sentimentos – como uma estocada na alma. É Cristo que nos persegue amorosamente: Eis que estou à porta e chamo. (Cristo que passa, 8)

Carta do Prelado do Opus Dei por ocasião do Ano da Fé. 13


Um firme ponto de apoio

13. O Santo Padre Bento XVI, em várias ocasiões, fez notar as contradições do tempo em que vivemos. «Em vastas partes do mundo existe hoje um estranho esquecimento de Deus. Parece que tudo caminha igualmente sem Ele. Mas existe, ao mesmo tempo, também um sentimento de frustração, de insatisfação de tudo e de todos. É espontâneo exclamar: não é possível que esta seja a vida! Deveras, não. E assim, juntamente com o esquecimento de Deus existe um “boom” do religioso. Não quero desacreditar tudo o que existe neste contexto. Pode existir nisto também a alegria sincera da descoberta. Mas para dizer a verdade, não raramente a religião se torna quase um produto de consumo. Escolhe-se aquilo de que se gosta, e alguns sabem até tirar dela um proveito. Mas a religião procurada a seu “bel-prazer” no fim não nos ajuda. É cómoda, mas no momento da crise abandona-nos a nós próprios» [21]. E o Papa conclui com o seguinte convite: «Ajudai os homens a descobrir a verdadeira estrela que nos indica o caminho: Jesus Cristo!» [22].

Apesar do clima de relativismo e permissividade dominante em amplos setores da sociedade, muitas pessoas estão sedentas de eternidade, talvez depois de terem tentado, em vão, saciá-la em coisas perecíveis. Que grande verdade se encerra naquelas conhecidas palavras de Santo Agostinho!: «Fizeste-nos Senhor para ti e o nosso coração está inquieto até que descanse em ti» [23]. Só Deus, com efeito, satisfaz completamente os anseios do espírito humano. Por isso, sejamos mulheres e homens de piedade firme, que recorrem aos diversos modos de orar, o autêntico consolo, com sinceros desejos de ser mais rezadores. Aproximemo-nos da Santa Missa com profunda fé, persuadidos de que nela se faz sacramentalmente presente o Sacrifício do Calvário, o Sacrifício que nos trouxe a salvação e nos revitaliza para a batalha de cada dia para a santidade.

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Nota: Publicação devidamente autorizada

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Notas:

[21] Bento XVI, Homilia, 21-VIII-2005.
[22] Bento XVI, Homilia, 21-VIII-2005.
[23] S. Agostinho, Confissões, I, 1, 3 (CCL 27, 1).

Tratado da bem-aventurança 29


Questão 4: Do necessário à bem-aventurança.



Art. 5 — Se o corpo é necessário à bem-aventurança.

(IV Cont. Gent., cap. LXXIX, XCI, De Pot., q. 5, a. 10, Compemd. Theol., cap. CLI).

O quinto discute-se assim. — Parece que o corpo é necessário à bem-aventurança.




01/01/2013

Evangelho do dia e comentário





TEMPO DE NATAL




Oitava do Natal


Santa Maria, Mãe de Deus

Evangelho: Lc 2, 16-21

16 Foram a toda a pressa, e encontraram Maria, José e o Menino deitado na manjedoura. 17 Vendo isto, conheceram o que lhes tinha sido dito acerca deste Menino. 18 E todos os que ouviram, se admiraram das coisas que os pastores lhes diziam.19 Maria conservava todas estas coisas, meditando-as no seu coração. 20 Os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, conforme lhes tinha sido dito. 21 Depois que se completaram os oito dias para ser circuncidado o Menino, deram-Lhe o nome de Jesus, como Lhe tinha chamado o anjo, antes que fosse concebido no ventre materno.

Comentário:

Que significa proclamar Maria “Mãe de Deus”? Significa reconhecer que Jesus, o fruto do seu seio, é o Filho de Deus, consubstancial ao Pai, que o gerou na eternidade (Credo). Um grande mistério, um mistério de amor! Ele, o Filho único do Pai (Jo 1,14), fez-se um entre nós. Desta forma, “a eternidade entrou no tempo” e a sucessão dos anos, dos séculos, dos milénios, não é uma viagem cega para o desconhecido, mas um caminho para Ele, plenitude do tempo (Ga 4,4) e ponto de chegada da história.
Honrando a Santíssima Virgem como Mãe de Deus, queremos igualmente sublinhar que Jesus, o Verbo eterno feito carne, é o verdadeiro "filho de Maria”. Ela transmitiu-lhe a plena humanidade, foi sua mãe e sua educadora, comunicando-lhe a doçura, a força delicada do seu temperamento e as riquezas da sua sensibilidade. Maravilhosa troca de dons: Maria que, enquanto criatura, é primeiro que tudo uma discípula de Cristo e ao mesmo tempo resgatada por Ele, foi escolhida como sua mãe para modelar a sua humanidade. Na relação entre Maria e Jesus realiza-se assim de maneira exemplar e sentido profundo do Natal: Deus fez-se semelhante a nós, para que nos tornemos, de certa forma, como Ele.

(João Paulo II)

Não deixes de rezar, eu escuto-te


Os santos, anormais?... Chegou a hora de acabar com esse preconceito! Havemos de ensinar, com a naturalidade sobrenatural da ascética cristã, que nem sequer os fenómenos místicos são anormais; têm a naturalidade própria desses fenómenos, tal como outros processos psíquicos ou fisiológicos têm a sua. (Sulco, 559)

Eu falo da vida interior de cristãos normais e correntes, que habitualmente se encontram em plena rua, ao ar livre; e que na rua, no trabalho, na família e nos momentos de diversão estão unidos a Jesus todo o dia. E o que é isto senão vida de oração contínua? Não é verdade que compreendeste a necessidade de ser alma de oração, numa intimidade com Deus que te leva a endeusar-te? (...)

A princípio custará. É preciso esforçarmo-nos por nos dirigir ao Senhor, por lhe agradecermos a sua piedade paternal e concreta para connosco. A pouco e pouco o amor de Deus torna-se palpável – embora isto não seja coisa de sentimentos – como uma estocada na alma. É Cristo que nos persegue amorosamente: Eis que estou à porta e chamo. Como anda a tua vida de oração? Não sentes às vezes, durante o dia, desejos de falar mais devagar com Ele? Não Lhe dizes: logo vou contar-te isto e aquilo; logo vou conversar sobre isso contigo?

Nos momentos dedicados expressamente a esse colóquio com o Senhor o coração expande-se, a vontade fortalece-se, a inteligência – ajudada pela graça – enche a realidade humana com a realidade sobrenatural. E, como fruto, sairão sempre propósitos claros, práticos, de melhorares a tua conduta, de tratares delicadamente, com caridade, todos os homens, de te empenhares a fundo – com o empenho dos bons desportistas – nesta luta cristã de amor e de paz.

A oração torna-se contínua como o bater do coração, como as pulsações. Sem essa presença de Deus não há vida contemplativa. E sem vida contemplativa de pouco vale trabalhar por Cristo, porque em vão se esforçam os que constroem se Deus não sustenta a casa. (Cristo que passa, 8)

PENSAMENTOS INSPIRADOS À PROCURA DE DEUS 294



Interceder a rezar
é viver a amar.

Carta do Prelado do Opus Dei por ocasião do Ano da Fé. 12


É questão de fé

12. Vejo nestas palavras outra consideração, que queria propor-vos, perante a necessidade de nos empenharmos sem tréguas na tarefa da nova evangelização da sociedade. Primeiro que tudo, necessitamos de fé e esperança firmemente assumidas; quer dizer, caminhar em cada momento intimamente convencidos, com uma convicção que vem da intimidade com a Trindade, de que é possível mudar o rumo deste nosso mundo, dirigir todas as aCtividades humanas para a glória do Senhor e para a conversão das almas. Certamente não faltarão a luta, os sofrimentos, mas avançaremos in lætítia, com alegria e confiança, porque nos assiste a promessa divina: Pede-me; dar-te-ei por herança todas as nações; tu possuirás os confins do mundo(Sl 2, 8).

Impressiona, volto a repetir, contemplar como os Apóstolos, sem outros meios que a fé em Cristo e animados por uma esperança segura e alegre, se dispersaram pela terra então conhecida e difundiram a doutrina cristã por toda a parte. S. Josemaria gostava de celebrar as suas festas e as daquelas santas mulheres que acompanharam Jesus durante a sua passagem pela terra! As figuras dos Apóstolos, de Maria Madalena, Lázaro, Marta e Maria, irmãs de Lázaro, entusiasmavam-no. De cada um, de cada uma, podemos aprender a crer mais, plenamente, em Jesus Cristo e a amá-Lo com a intensidade com que O amaram os que com Ele conviveram. Como nós, também eles se veriam com misérias e, apesar do escasso número em comparação com a população das nações conhecidas, espalharam a semente divina com o seu exemplo quotidiano e com a sua palavra reconfortante.

Lembro-me a força com que o nosso Padre, ao falar do apostolado num ambiente difícil, assegurava: «é questão de fé!» Sim, é questão de fé! Essa fé que, como assinala o Senhor no Evangelho, tem a capacidade de mover montanhas do seu lugar (cfr. Mt 17, 20) e de superar qualquer obstáculo; que é como os rios, que abrem caminho para o mar desde os cumes elevados (cfr. Sl 103/104, 10). Por isso pergunto­‑vos e pergunto-me: com que fé nos movemos à hora do apostolado, sabendo que é sempre hora? Estamos verdadeiramente convencidos de que, como escreve S. João, esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé(1 Jo 5, 4)? Actuamos em consequência? Enfrentamos os obstáculos que surgirem com espírito otimista, com moral de vitória? E, para isso, apoiamos cada actividade apostólica concreta com a oração e com o sacrifício? Damos testemunho da nossa fé, sem nos deixarmos atemorizar pelas dificuldades do ambiente?

Repitamos mais frequentemente ao Senhor: Creio! Vem em socorro da minha falta de fé! (Mc 9, 24). Esta petição do pai daquele filho lunático comovia muito profundamente S. Josemaria. Não nos conformemos com os nossos modos de implorar as virtudes teologais ao Senhor. S. Josemaria, consciente de que a fé é um dom sobrenatural que só Deus pode infundir e intensificar na alma, manifestava numa ocasião: «Todos os dias Lho repito, não uma vez, mas muitas (...). Dir-Lhe-ei algo que Lhe pediam os Apóstolos (...): adáuge nobis fidem! (Lc 17, 5), aumenta-nos a fé. E acrescento: spem, caritátem; aumenta-nos a fé, a esperança e a caridade» [20].

Copyright © Prælatura Sanctæ Crucis et Operis Dei
Nota: Publicação devidamente autorizada

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Notas:

[20] S. Josemaria, Notas de uma reunião familiar, 7-IV-1974.

Tratado da bem-aventurança 28


Questão 4: Do necessário à bem-aventurança.



Art. 4 — Se a rectidão da vontade é necessária para a bem-aventurança.

(Infra, q. 5, a. 7, IV Cont. Gent., cap. XCII, Compend. Theol., cap. CLXVI).

O quarto discute-se assim. — Parece que a bem-aventurança não implica a rectidão da vontade.


1. — Pois, como já se disse (1), a bem-aventurança consiste na actividade do intelecto. Ora, para a perfeita operação deste não é necessária a rectidão da vontade, que torna os homens puros. Pois, diz Agostinho: Não aprovo o que disse na oração — Deus, que quiseste que só os puros conhecessem a verdade — porque se pode responder que muitos, embora não puros, conhecem muitas verdades (2). Logo, a bem-aventurança não implica a rectidão da vontade.

2. Demais. — O anterior não depende do posterior. Ora, a operação do intelecto é anterior à da vontade. Logo, a bem-aventurança, operação perfeita do intelecto, não depende da rectidão da vontade.

3. Demais. — O que se ordena a um fim já não é necessário, alcançando o fim, assim a nau, depois que se chegou ao porto. Ora, a rectidão da vontade, causada pela virtude, se ordena como para o fim, à bem-aventurança. Logo, alcançada esta, aquela já não é necessária.

Mas, em contrário, diz a Escritura (Mt 5, 8): Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus, e (Heb 12, 14): Segui a paz com todos, e a santidade, sem a qual ninguém verá o Deus.

A rectidão da vontade é necessária para a bem-aventurança, tanto antecedente como concomitante. — Antecedentemente, por que tal rectidão supõe a ordem devida em relação ao último fim. Ora, o fim está para o que se lhe ordena como a forma, para a matéria. Donde, como esta não pode conseguir aquela, se para ela não estiver disposta de certo modo, assim nada consegue o fim sem estar para ele ordenado de certo modo. E portanto ninguém pode chegar à bem-aventurança sem a rectidão da vontade. — E concomitantemente, porque, como já se disse (3), a bem-aventurança última consiste na visão da essência divina, que é a própria essência da bondade. Assim, à vontade de quem vê a essência de Deus tudo ama, por força, subordinadamente a Deus, como também à vontade de quem não lhe vê a essência tudo ama, necessariamente, sob a noção comum, de bem. Ora, é isto mesmo o que constitui a vontade reta. Donde, é manifesto que a bem-aventurança não pode existir sem tal vontade.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJECÇÃO. — Agostinho se refere ao conhecimento da verdade, que não é a própria essência da bondade.

RESPOSTA À SEGUNDA. — Todo acto da vontade é precedido por algum acto do intelecto. Há porém actos da vontade anteriores a actos do intelecto, pois, a vontade tende para o acto final do intelecto, que é a bem-aventurança. E portanto, a recta inclinação da vontade é pre-exigida para a bem-aventurança, assim como o movimento reto da seta à percussão do alvo.

RESPOSTA À TERCEIRA. — Nem tudo o que é ordenado a um fim cessa, alcançado o fim, mas somente aquilo que se inclui em a noção de imperfeição e de movimento. Donde, os meios conducentes ao movimento não são necessários, uma vez que se chegou ao fim. Mas a ordem devida, em relação ao fim, é necessária.

Nota: Revisão da tradução portuguesa por ama.
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Notas:

1. Q. 3 a. 4.
2. Retract.
3. Q. 3 a. 8.

31/12/2012

Evangelho do dia e comentário



TEMPO DE NATAL







Oitava do Natal


Evangelho: Jo 1, 1-18

1 No princípio existia o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. 2 Estava no princípio com Deus. 3 Todas as coisas foram feitas por Ele; e sem Ele nada foi feito. 4 N'Ele estava a vida, e a vida era a luz dos homens, 5 e a luz resplandeceu nas trevas, mas as trevas não O receberam. 6 Apareceu um homem enviado por Deus que se chamava João. 7 Veio como testemunha para dar testemunho da luz, a fim de que todos cressem por meio dele. 8 Não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz. 9 O Verbo era a luz verdadeira, que vindo a este mundo ilumina todo o homem. 10 Estava no mundo, e o mundo foi feito por Ele, mas o mundo não O conheceu. 11 Veio para o que era Seu, e os Seus não O receberam. 12 Mas a todos os que O receberam, àqueles que crêem no Seu nome, deu poder de se tornarem filhos de Deus; 13 eles que não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. 14 E o Verbo fez-Se carne, e habitou entre nós; e nós vimos a Sua glória, glória como de Filho Unigénito do Pai, cheio de graça e de verdade. 15 João dá testemunho d'Ele e clama: «Este era Aquele de Quem eu disse: O que há-de vir depois de mim é mais do que eu, porque existia antes de mim». 16 Todos nós participamos da Sua plenitude, e recebemos graça sobre graça; 17 porque a Lei foi dada por Moisés, mas a graça e a verdade foram trazidas por Jesus Cristo.18 Ninguém jamais viu a Deus; o Unigénito de Deus, que está no seio do Pai, Ele mesmo é que O deu a conhecer.

Comentário:

Este capítulo de S. João pode ser – é, de facto – uma declaração das principais razões para fazer um profundo acto de fé na Redenção e no Redentor.
Explica-se porque devemos acreditar e, até, as ‘vantagens’ em acreditar no próprio testemunho do Precursor.
Porque acreditar em Jesus Cristo?
Porque, Ele, é: «o Unigénito de Deus, que está no seio do Pai, Ele mesmo é que O deu a conhecer.»
Porque nos convém acreditar?
Porque: «a todos os que O receberam, àqueles que crêm no Seu nome, deu poder de se tornarem filhos de Deus»

(ama, comentário sobre Jo 1, 1-18, 2012.11.27)

Leitura espiritual para 31 Dez 2012


Não abandones a tua leitura espiritual.
A leitura tem feito muitos santos.
(S. josemaria, Caminho 116)


Está aconselhada a leitura espiritual diária de mais ou menos 15 minutos. Além da leitura do novo testamento, (seguiu-se o esquema usado por P. M. Martinez em “NOVO TESTAMENTO” Editorial A. O. - Braga) devem usar-se textos devidamente aprovados. Não deve ser leitura apressada, para “cumprir horário”, mas com vagar, meditando, para que o que lemos seja alimento para a nossa alma.

Para ver, clicar SFF.

A luta contra a soberba há-de ser constante


 “Grande coisa é saber-se nada diante de Deus, porque é assim mesmo” (Sulco, 260).

O outro inimigo, escreve S. João, é a concupiscência dos olhos, uma avareza de fundo que nos leva a valorizar apenas o que se pode tocar. Os olhos ficam como que pegados às coisas terrenas e, por isso mesmo, não sabem descobrir as realidades sobrenaturais. Podemos, portanto, socorrer-nos desta expressão da Sagrada Escritura para nos referirmos à avareza dos bens materiais e, além disso, àquela deformação que nos leva a observar o que nos rodeia - os outros, as circunstâncias da nossa vida e do nosso tempo - só com visão humana.
Os olhos da alma embotam-se; a razão crê-se auto-suficiente para compreender todas as coisas, prescindindo de Deus. É uma tentação subtil, que se apoia na dignidade da inteligência, da inteligência que o nosso Pai, Deus, deu ao homem para que O conheça e O ame livremente. Arrastada por essa tentação, a inteligência humana considera-se o centro do universo, entusiasma-se de novo com a falsa promessa da serpente, sereis como deuses, e, enchendo-se de amor por si mesma, volta as costas ao amor de Deus.

(...) A luta contra a soberba há-de ser constante, pois não se disse já, dum modo tão gráfico, que essa paixão só morre um dia depois da morte da pessoa? É a altivez do fariseu, a quem Deus se mostra renitente em justificar por encontrar nele uma barreira de auto-suficiência. É a arrogância que conduz a desprezar os outros homens, a dominá-los, a maltratá-los, porque, onde houver soberba aí haverá também ofensa e desonra. (Cristo que passa, 6).

Tratado da bem-aventurança 27


Questão 4: Do necessário à bem-aventurança.


Art. 3 — Se a bem-aventurança supõe a compreensão.

(I, q. 12, a. 7. ad I, I Sent., dist. I, q. a . 1, IV, dist. XLIV, q. 4, a. 5, q ª 1).

O terceiro discute-se assim. — Parece que a bem-aventurança não supõe a compreensão.



1. — Pois, diz Agostinho: Alcançar a Deus com a mente é grande bem-aventurança, porém é impossível compreender (1). Logo, sem compreensão há bem-aventurança.

2. Demais. — A bem-aventurança é a perfeição do homem, quanto à parte intelectiva, que não abrange outras potências, senão o intelecto e a vontade, como já se disse na primeira parte (2). Ora, o intelecto aperfeiçoa-se suficientemente pela visão de Deus e a vontade, pelo deleite nele. Logo, não é necessária, como terceiro elemento, a compreensão.

3. Demais. — A bem-aventurança consiste na operação. Ora, as operações determinam-se pelos objectos e os objectos gerais são dois, a verdade e o bem. A verdade porém corresponde à visão e o bem, ao deleite. Logo, não é necessária a compreensão, como terceiro elemento.

Mas, em contrário, dia o Apóstolo (1 Cor 9, 24): Correi de tal maneira que o alcanceis. Ora, a carreira espiritual termina em a bem-aventurança, Donde, diz o mesmo (2 Tm 4, 7): Eu pelejei uma boa peleja, acabei a minha carreira, guardei a fé. Pelo mais me está reservada a coroa da justiça. Logo, a bem-aventurança exige a compreensão.

Consistindo a bem-aventurança na consecução do último fim, o que ela supõe devemos considerá-lo quanto à ordem própria do homem em relação ao fim. Ora, o homem ordena-se a um fim inteligível, em parte, pelo intelecto e, em parte, pela vontade. Pelo intelecto, enquanto nele preexiste um conhecimento imperfeito do fim. Pela vontade, antes de tudo pelo amor, que é o seu movimento primeiro para algum objecto, em segundo lugar, pela relação real entre o amante e o amado, e que pode ser tríplice. Assim, umas vezes o amado, estando presente ao amante, já não é buscado. Outras, não o estando, mas sendo impossível alcança-lo, não é buscado. Outras, enfim, é possível obtê-lo, mas sendo de tal modo superior à faculdade de quem deve alcança-lo, não pode ser obtido imediatamente, donde resulta uma relação entre quem espera e o que é esperado, a única que leva à busca do fim. E a cada uma desta tríplice relação corresponde algo na bem-aventurança. Assim, o conhecimento perfeito corresponde à relação imperfeita, enquanto a presença do fim, sem si, corresponde à relação de esperança, e afinal o deleite no fim já presente resulta do amor, como já se disse (3). Donde, é necessária, para a bem-aventurança, esta tríplice concorrência: a visão, conhecimento perfeito do fim inteligível, a compreensão, que supõe a presença do fim, o deleite ou fruição, que supõe o repouso do amante no amado.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJECÇÃO. — Compreensão tem duplo sentido. Num significa a inclusão do compreendido no compreensor, e assim tudo o que é compreendido pelo finito é finito, e então, Deus não pode ser compreendido por nenhum intelecto criado. Noutro sentido, compreensão não significa mais do que a posse de uma coisa já tida presencialmente, assim, diz-se que quem busca a outrem o compreende quando o possui. E neste sentido a compreensão é necessária à bem-aventurança.

RESPOSTA À SEGUNDA. — Assim como à vontade pertence à esperança e o amor, porque quem ama alguma coisa não adquirida tende para ela, assim também lhe pertence à compreensão e o deleite, porque quem tem alguma coisa nela repousa.

RESPOSTA À TERCEIRA. — A compreensão não é operação diferente da visão, mas relação com o fim já adquirido. Donde, mesmo a visão, em si, ou a coisa vista, enquanto existente presencialmente, é o objecto da compreensão.

Nota: Revisão da tradução portuguesa por ama.
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Notas:

1. Ad Paulinam de Videndo Deum.
2. Q. 79ss.
3. Q. 4, a. 2 ad 3.

Carta do Prelado do Opus Dei por ocasião do Ano da Fé. 11


Exemplo dos primeiros cristãos

11. Insisto em que, com frequência, devemos voltar a considerar a conduta dos Apóstolos e dos nossos primeiros irmãos na fé. Eram poucos, careciam de meios humanos, não contavam nas suas fileiras, assim sucedeu pelo menos durante muito tempo, com grandes pensadores ou pessoas de prestígio público. Viviam num ambiente social de indiferentismo, de carência de valores, semelhante, em muitos aspetos, ao que agora temos de enfrentar. No entanto, não se amedrontaram. «Tiveram uma conversa maravilhosa com todas as pessoas que encontraram, que procuraram, nas suas viagens e peregrinações. Não haveria Igreja, se os Apóstolos não tivessem mantido esse diálogo sobrenatural com todas aquelas almas» [16]. Mulheres e homens, seus contemporâneos, experimentaram uma profunda transformação ao ser tocados pela graça divina. Não aderiram simplesmente a uma nova religião, mais perfeita do que a que eles já conheciam, mas, pela fé, descobriram Jesus Cristo e enamoraram-se d’Ele, do Deus-Homem, que se tinha oferecido em sacrifício por eles e tinha ressuscitado para lhes abrir as portas do Céu. Este facto inaudito penetrou com enorme força nas almas daqueles primeiros, conferindo-lhes uma fortaleza à prova de qualquer sofrimento. «Ninguém acreditou em Sócrates até morrer pela sua doutrina», escrevia com simplicidade S. Justino em meados do século II, «mas por Cristo, até os artesãos e os ignorantes desprezaram não só a opinião do mundo, mas também o medo da morte» [17].

Num mundo que desejava ardentemente a salvação, sem saber onde encontrá-la, a doutrina cristã irrompeu como uma luz acesa no meio da escuridão. Aqueles primeiros souberam, com o seu comportamento, fazer brilhar diante dos seus concidadãos essa claridade salvadora e converteram-se em mensageiros de Cristo, simplesmente, com naturalidade, sem ostentações estridentes, com a coerência entre a sua fé e as suas obras. «Nós não dizemos coisas grandes, mas fazemo-las» [18], escreveu um deles. E mudaram o mundo pagão.

Na Carta apostólica que dirigiu a toda a Igreja, na preparação para o grande jubileu do ano 2000, o beato João Paulo II explicava que «em Cristo a religião já não é um “buscar Deus às apalpadelas” (cfr. Act 17, 27), mas uma resposta de fé a Deus, que se revela: resposta em que o homem fala a Deus como o seu Criador e Pai; resposta tornada possível por aquele único Homem, que é ao mesmo tempo o Verbo consubstancial com o Pai, e por quem Deus fala a cada homem e cada homem é capaz de responder a Deus» [19].

Copyright © Prælatura Sanctæ Crucis et Operis Dei
Nota: Publicação devidamente autorizada

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Notas:

[19] Beato João Paulo II, Carta Apost. Tértio Millénnio adveniénte, 10-XI-1994, n. 6.

30/12/2012

Evangelho do dia e comentário




TEMPO DE NATAL






Oitava do Natal


Evangelho: Lc 2, 41-52

41 Seus pais iam todos os anos a Jerusalém pela festa da Páscoa. 42 Quando chegou aos doze anos, indo eles a Jerusalém segundo o costume daquela festa, 43 acabados os dias que ela durava, quando voltaram, o Menino ficou em Jerusalém, sem que os Seus pais o advertissem. 44 Julgando que Ele fosse na comitiva, caminharam uma jornada, e depois procuraram-no entre os parentes e conhecidos. 45 Não O encontrando, voltaram a Jerusalém à procura d'Ele. 46 Aconteceu que, três dias depois, encontraram-no no templo sentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os. 47 E todos os que O ouviam estavam maravilhados da Sua sabedoria e das Suas respostas. 48 Quando O viram, admiraram-se. E Sua mãe disse-lhe: «Filho, porque procedeste assim connosco? Eis que Teu pai e eu Te procurávamos cheios de aflição». 49 Ele disse-lhes: «Porque Me procuráveis? Não sabíeis que devo ocupar-me nas coisas de Meu Pai?». 50 Eles, porém, não entenderam o que lhes disse. 51 Depois desceu com eles e foi para Nazaré; e era-lhes submisso. A Sua mãe conservava todas estas coisas no seu coração. 52 Jesus crescia em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens.

Comentário:

Parece uma resposta um tanto intempestiva ou, pelo menos, sem considerar a aflição de Sua Mãe e São José.

Jesus tem, assim, a primeira atitude ‘desconcertante’ que os Evangelhos relatam.
Jesus é pouco delicado com a Sua Mãe?

Não me parece, o Evangelista relata este episódio que obviamente lhe foi referido pela própria Virgem, sinal seguro que não ficou nem magoada ou, sequer, surpreendida coma resposta do seu Filho.

Seguramente – e não nos é possível conhecer a entoação das palavras de Jesus – o Filho deseja ir como que preparando a Sua Mãe para muitas outras situações que surgirão nas suas vidas e que, essas sim, serão causa de amargura e inquietação para a Santíssima Virgem.

Como sabemos, a Senhora «conservava todas estas coisas no seu coração» o que quer dizer que as iria compreendendo aos poucos, a seu tempo. 

(ama, comentário sobre Lc 2, 41-51, 2012.12.12)

Leitura espiritual para 30 Dez 2012


Não abandones a tua leitura espiritual.
A leitura tem feito muitos santos.
(S. josemaria, Caminho 116)


Está aconselhada a leitura espiritual diária de mais ou menos 15 minutos. Além da leitura do novo testamento, (seguiu-se o esquema usado por P. M. Martinez em “NOVO TESTAMENTO” Editorial A. O. - Braga) devem usar-se textos devidamente aprovados. Não deve ser leitura apressada, para “cumprir horário”, mas com vagar, meditando, para que o que lemos seja alimento para a nossa alma.

Para ver, clicar SFF.