29/11/2012

Evangelho do dia e comentário



   



T. Comum – XXXIV Semana






Evangelho: Lc 21, 20-28

20 «Mas quando virdes que Jerusalém é sitiada por exércitos, então sabei que está próxima a sua desolação. 21 Os que então estiverem na Judeia, fujam para os montes; os que estiverem no meio da cidade, retirem-se; os que estiverem nos campos, não entrem nela; 22 porque estes são dias de vingança, para que se cumpram todas as coisas que estão escritas. 23 Ai das mulheres grávidas, e das que amamentarem naqueles dias!, porque haverá grande angústia sobre a terra e ira contra este povo. 24 Cairão ao fio da espada, serão levados cativos a todas as nações e Jerusalém será calcada pelos gentios, até se completarem os tempos dos gentios. 25 «Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra haverá consternação dos povos pela confusão do bramido do mar e das ondas, 26 morrendo os homens de susto, na expectativa do que virá sobre toda a terra, porque as próprias forças celestes serão abaladas. 27 Então verão o Filho do Homem vir sobre uma nuvem com grande poder e majestade. 28 Quando começarem, pois, a suceder estas coisas, erguei-vos e levantai as vossas cabeças, porque está próxima a vossa libertação».

Comentário:

Ao longo dos tempos, muitos ‘iluminados’ têm visto estas palavras de Cristo como um vaticínio, uma profecia.
E não são! Antes, são uma descrição, sumária e representativa, dos últimos dias de cada homem.
Retirando as palavras do contexto é relativamente fácil construir teorias sobre o chamado ‘fim do mundo’.

O último momento de vida de cada ser humano é que é ‘esse fim do mundo’, quando tudo acaba nesta terra e tudo começa na eternidade.
E não é uma catástrofe a menos que, não estando devidamente preparado, o homem se perca irremediavelmente.

(ama, comentário sobre Lc 21, 20-28, 2012.10.29)

CULTIVAR A FÉ 9


Uma pedagogia da fé na família - a propósito de alguns ensinamentos de S. Josemaria …/4

Educação para a santidade.

Recordávamos antes a admiração de S. Josemaria pelo standard formativo dos primeiros cristãos, que tinha como objectivo a santidade, a plena identificação com Cristo. S. Paulo assinala dois pólos entre os quais se desenvolve qualquer formação cristã autêntica. Na Carta aos Romanos, falando da constrição da lei e da liberdade que Cristo nos ganhou, diz: “se o que eu não quero é que faço (…) não sou eu que o realizo, mas o pecado que habita em mim. Sim, eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita coisa boa; pois o querer está ao meu alcance, mas realizar o bem, isso não”
[i]. É o drama da natureza caída e da impossibilidade de acções santas sem a graça. Sob o ponto de vista formativo recorda o absurdo (e os danos) de toda a educação moral que não tenha em conta a debilidade que temos para fazer o bem – debilidade causada pelo pecado –, e prescinda da graça [ii]. Encontramos o outro pólo na célebre passagem da Carta aos Gálatas, insistentemente citado por S. Josemaria: “Já não sou que vivo, mas é Cristo que vive em mim. E a vida que vivo agora na carne vivo-a na fé do Filho de Deus” [iii]. É a vida de Cristo no fiel, na qual a actuação moral é a consequência.

A carta aos Gálatas pode ler-se, na minha opinião, como carta magna dos educadores cristãos. Conceitos como a “a vida em Cristo”, “ser filhos de Deus pela fé em Jesus Cristo”, “estar chamados à liberdade”, vão muito mais além do simples cumprimento de preceitos ou códigos morais, e recordam aos formadores que o cristianismo não é uma moral nem uma filosofia de vida, mas uma vida, a vida de Cristo em nós. Por isto Paulo exclama na mesma epístola: “meus filhos, por quem sinto outra vez dores de parto, até que Cristo se forme entre vós!”
[iv]. Nisto consiste a santidade. E pelo mesmo motivo Paulo adverte contra a tentação de uma orientação formativa empequenecida e, no fundo, mundana: “Não vos enganeis: de Deus não se zomba. Pois o que um homem semear, também o há-de colher: quem semear na própria carne, da carne colherá a corrupção; quem semear no Espírito, do Espírito colherá a vida eterna” [v]. A redução das expectativas na educação familiar (consequência da lógica do “semear na carne”) é o que S. Josemaria costumava chamar “o fracasso de Cristo nas famílias cristãs”, famílias que não sabem reconhecer nem aceitar os dons de Deus, por exemplo a vocação dos filhos para uma missão na Igreja (como o chamamento ao sacerdócio ministerial) ou simplesmente o convite divino a assumir coerentemente a vocação à santidade e ao apostolado recebido no baptismo.

michele dolz, publicado em Romana, n. 32 (2001), 2011.09.12

Nota: Revisão gráfica por ama.



[i] Rm 7, 16-18.
[ii] Cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 407.
[iii] Gal 2, 20.
[iv] Gal 4, 19.
[v] Gal 6, 7-8.

Tratado sobre a conservação e o governo das coisas 68




Questão 117: Do que respeita à acção do homem

Art. 4 — Se a alma humana separada pode mover os corpos, ao menos localmente.


(De Malo, q. 16, a. 10, ad 2).

O quarto discute-se assim. — Parece que a alma humana separada pode mover os corpos, ao menos localmente.



Música - 2010

agrad ALS

Sendo rico fez-se pobre


Demónio 20

Demónio, Exorcismo e Oração de Libertação: Questão 20

Qual a utilidade e eficácia de uma oração de libertação?

É eficaz como qualquer outra oração de petição a Deus [i]. Deve ser feita com as devidas disposições [ii] e estar de acordo com o plano divino de amor e salvação para cada um de nós [iii]. Concretamente, alcançam a graça que pedem, ou seja, a efectiva libertação do domínio diabólico e de todos os males causados pelos demónios. Além disso, ajudam a discernir eventuais casos de possessão, obsessão, vexação e infestação diabólica.

(Estas breves questões foram preparadas pelo P. Duarte Sousa Lara (www.santidade.net), exorcista e doutor em teologia. NUNC COEPI agradece ao P. Nuno Serras Pereira)



[i] Cf. Jo 16,24: «pedi e recebereis»; Mt 7,7-8: «Pedi, e vos será dado; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Porque todo aquele que pede, recebe, e quem busca, encontra; e a quem bate, abrir-se-á».
[ii] Feita em nome de Jesus (cf. Jo 16,23: «se pedirdes a Meu Pai alguma coisa em Meu nome, Ele vo-la dará»), com fé (Mt 21,22: «tudo o que pedirdes com fé na oração alcançá-lo-eis»; Tg 1,6: «peça-a com fé, sem nada hesitar»), com humildade (Lc 18,10-14; Catecismo da Igreja Católica, n. 2559: «A humildade é o fundamento da oração»), perseverança (cf. Rom 12,12: «perseverantes na oração») e de preferência em grupo (cf. Mt 18,19: «se dois de vós se unirem entre si sobre a terra a pedir qualquer coisa, esta lhes será concedida por Meu Pai que está nos céus»).
[iii] Cf. Lc 22,42: «Pai, se quiseres, afasta de Mim este cálice; não se faça, contudo, a Minha vontade, mas a Tua»; 2Cor 12,8-9: «roguei três vezes ao Senhor que o apartasse de mim, mas Ele disse-me: “Basta-te a Minha graça, porque é na fraqueza que o Meu poder se manifesta por completo”».

28/11/2012

Leitura espiritual para 28 Nov 2012


Não abandones a tua leitura espiritual.
A leitura tem feito muitos santos.
(S. josemariaCaminho 116)


Está aconselhada a leitura espiritual diária de mais ou menos 15 minutos. Além da leitura do novo testamento, (seguiu-se o esquema usado por P. M. Martinez em “NOVO TESTAMENTO” Editorial A. O. - Braga) devem usar-se textos devidamente aprovados. Não deve ser leitura apressada, para “cumprir horário”, mas com vagar, meditando, para que o que lemos seja alimento para a nossa alma.


Para ver, clicar SFF.

Evangelho do dia e comentário



   



T. Comum – XXXIV Semana





Evangelho: Lc 21, 12-19

12 Mas antes de tudo isto, lançar-vos-ão as mãos e vos perseguirão, entregando-vos às sinagogas e às prisões e vos levarão à presença dos reis e dos governadores por causa do Meu nome. 13 Isto vos será ocasião de dardes testemunho. 14 Gravai, pois, nos vossos corações o não premeditar como vos haveis de defender, 15 porque Eu vos darei uma linguagem e uma sabedoria à qual não poderão resistir, nem contradizer, todos os vossos inimigos. 16 Sereis entregues por vossos pais, irmãos, parentes e amigos, e farão morrer muitos de vós; 17 e sereis odiados de todos por causa do Meu nome; 18 mas não se perderá um só cabelo da vossa cabeça. 19 Pela vossa perseverança salvareis as vossas almas.

Comentário:

Na verdade… impressiona que Cristo pudesse esperar ter seguidores com tais prenúncios.

Mas, a verdade, é que, desde o início, os tem e, o anunciado, foi – e continua sendo – real e, até, muito mais duro e agressivo.

A ‘têmpera’ em que se forjam os cristãos pode ser duríssima e difícil de suportar mas, os que aceitam esse transe têm lugar assegurado na glória celeste.

Por isso, por este ‘prémio’ vale a pena suportar com ânimo e confiança tudo quanto ocorrer.

Ânimo, porque O Senhor dará a força para suportar o quer que seja;

Confiança, porque nunca deixará de estar presente, sobretudo nos momentos mais difíceis, para levar, por nós, a parte mais pesada da Cruz que nos couber levar.

(ama, comentário sobre Lc 21, 12-19, 2012.10.31)

Que tal andas de presença de Deus?


Falta-te vida interior, porque não levas à oração as preocupações dos teus e o proselitismo; porque não te esforças por ver claro, por fazer propósitos concretos e por cumpri-los; porque não tens visão sobrenatural no estudo, no trabalho, nas tuas conversas, na tua relação com os outros... – Que tal andas de presença de Deus, consequência e manifestação da tua oração? (Sulco, 447)

Tenho muita pena sempre que sei que um católico – um filho de Deus que, pelo Baptismo, é chamado a ser outro Cristo – tranquiliza a consciência com uma simples piedade formalista, com uma religiosidade que o leva a rezar de vez em quando (só se acha que lhe convém!); a assistir à Santa Missa nos dias de preceito – e nem sequer em todos –, ao passo que se preocupa pontualmente por acalmar o estômago, com refeições a horas fixas; a ceder na fé, a trocá-la por um prato de lentilhas, desde que não renuncie à sua posição... E depois, com descaramento ou com espalhafato, utiliza a etiqueta de cristão para subir. Não! Não nos conformemos com as etiquetas: quero que sejam cristãos de corpo inteiro, íntegros; e, para o conseguirem, têm que procurar decididamente o alimento espiritual adequado.

Vocês sabem por experiência pessoal – e têm-me ouvido repetir com frequência, para evitar desânimos – que a vida interior consiste em começar e recomeçar todos os dias; e notam no vosso coração, como eu noto no meu, que precisamos de lutar continuamente. Terão observado no vosso exame – a mim acontece-me o mesmo: desculpem que faça referências a mim próprio, mas enquanto falo convosco vou pensando com Nosso Senhor nas necessidades da minha alma – que sofrem repetidamente pequenos reveses, que às vezes parecem descomunais, porque revelam uma evidente falta de amor, de entrega, de espírito de sacrifício, de delicadeza. Fomentem as ânsias de reparação, com uma contrição sincera, mas não percam a paz.

(...) Agora insisto em que se deixem ajudar e guiar por um director de almas, a quem confiem todos os entusiasmos santos, os problemas diários que afectarem a vida interior, as derrotas que sofrerem e as vitórias. (Amigos de Deus, nn. 13–15)

CULTIVAR A FÉ 8


Uma pedagogia da fé na família - a propósito de alguns ensinamentos de S. Josemaria…/4

A família nos planos de Deus.

Aqui fala o pastor, não o pedagogo, e fala com a segurança de uma vida interior santa e de uma vastíssima experiência de almas. E, no entanto, a sua intuição concorda com as investigações da psicologia infantil que marcou a pedagogia do século XX. Baldwin atribuía à imitação dos pais a formação do próprio eu. Bovet formulou a noção de “respeito” como atitude de submissão e de afecto que se dá principalmente em relação aos pais e que permite à criança a assimilação das orientações morais. Depois foi Piaget que demonstrou a dependência afectiva dos pais na aprendizagem dos valores [i].

A criança capta o que se lhe oferece através do inimitável laço afectivo com os pais. É experiência comum. Como é também conhecida a escassa eficácia das instituições alternativas à família, mesmo que estejam motivadas pelas melhores intenções. Há que erguer um louvor a tantos institutos de beneficência que, com caridade cristã, educaram, também na fé, a crianças sem pais; nesses ambientes Deus suscitou inclusive grandes santos. Mas, em geral, são precisamente eles os que demonstram como são imprescindíveis uns pais cristãos. Mais ainda, a multisecular história da educação cristã é testemunho bem fiável de que dificilmente germina a semente da vida sobrenatural se não encontra a colaboração dos pais. Pelo contrário, a sinergia família-escola (ou família e educadores cristãos em geral) é de uma eficácia globalizante. Aqui está outra intuição pastoral de S. Josemaria que hoje é prática difundida em todo o mundo e que representa uma novidade no campo educativo: a promoção de centros educativos que se coloquem em continuidade com a acção formativa dos pais e nos quais continuam a exercer o papel de principais educadores.

Aprofundando e aplicando o princípio do primado educativo dos pais, S. Josemaria dava-lhes uma indicação aparentemente metodológica: tornarem-se amigos dos seus filhos, quer dizer, estabelecer com eles uma relação de confidência, de confiança, de verdadeira participação. O pedagogo Víctor García Hoz, que conhecia S. Josemaria Escrivá desde os anos trinta, pôs em evidência a importância deste conselho, recordando que, ao fim e ao cabo, qualquer educação verdadeira se baseia na relação de amizade entre educador e educando
[ii]. Disse “aparentemente metodológica”, porque a amizade e o amor cristão são caridade e esta não se reduz a técnicas, mas constitui a própria substanciada vida nova em Cristo.

michele dolz, publicado em Romana, n. 32 (2001), 2011.09.12

Nota: Revisão gráfica por ama.



[i] Uma excelente reflexão filosófica sobre o amor como alma da educação, amplamente inspirada nos ensinamentos de S. Josemaria Escrivá, desenvolve-a C. Cardona em Ética del quehacer educativo, Rialp, Madrid 1990
[ii] Cfr. V. García Hoz, La pedagogia in Mons. Escrivá de Balaguer, em “Studi Cattolici” 182-183 (1976), pp. 260-266. Cfr. também T. Alvira, ¿Como ayudar a nuestros hijos?, Palabra, Madrid 1983.