17/09/2011

Evangelho do dia e comentário


Sábado 17 SetembroS. Roberto Belarmino – Doutor da Igreja [i]
Evangelho: Lc 8, 4-15

4 Tendo-se juntado uma grande multidão de povo e, tendo ido ter com Ele de diversas cidades, disse Jesus esta parábola: 5 «Saiu o semeador a semear a sua semente; ao semeá-la, uma parte caiu ao longo do caminho; foi calcada e as aves do céu comeram-na. 6 Outra parte caiu sobre pedregulho; quando nasceu, secou, porque não tinha humidade. 7 A outra parte caiu entre espinhos; logo os espinhos, que nasceram com ela, a sufocaram. 8 Outra parte caiu em terra boa; depois de nascer, deu fruto centuplicado». Dito isto, exclamou: «Quem tem ouvidos para ouvir, oiça!». 9 Os Seus discípulos perguntaram-Lhe o que significava esta parábola. 10 Ele respondeu-lhes: «A vós é concedido conhecer o mistério do reino de Deus, mas aos outros ele é anunciado por parábolas; para que “vendo não vejam, e ouvindo não entendam”. 11 Eis o sentido da parábola: A semente é a palavra de Deus. 12 Os que estão ao longo do caminho, são aqueles que a ouvem, mas depois vem o demónio e tira a palavra do seu coração para que não se salvem crendo. 13 Os que estão sobre pedregulho, são os que, quando a ouvem, recebem com gosto a palavra, mas não têm raízes; por algum tempo acreditam, mas no tempo da tentação voltam atrás. 14 A que caiu entre espinhos, representa aqueles que ouviram a palavra, porém, indo por diante, ficam sufocados pelos cuidados, pelas riquezas e pelos prazeres desta vida, e não dão fruto. 15 Enfim, a que caiu em terra boa, representa aqueles que, ouvindo a palavra com o coração recto e bom, a conservam e dão fruto com a sua perseverança.

Meditação:

Como semeias abundantemente por todos os lugares mesmo naqueles que a Tua sabedoria de Semeador Divino Te diz ser pouco provável haver fruto!

É manifesto o Teu desejo que todos os homens se salvem.

De cem almas interessam-nos cem, dizia São Josemaria.

Que me dedique a todos, que não faça acepção de pessoas, que seja Teu Apóstolo fazendo a Tua vontade e não a minha.

(ama, meditação sobre Lc 8, 4-15, 2010.09.18, Cascais)


[i] São Roberto Belarmino, Ingressou na Sociedade de Jesus  (Companhia de Jesus) em 1560. Tendo estudado em Pádua e em Lovaina, foi ordenado padre em 1570. Ensinou teologia em Lovaina até ser chamado a Roma por Gregório XII em 1576 para fazer parte do Colégio Romano (futura Universidade Gregoriana). Reitor do Colégio foi depois Provincial dos Jesuítas de Nápoles. De novo em Roma como teólogo de Clemente VIII, foi feito cardeal em 1599. Arcebispo de Cápua em 1602, ocupou também lugares na maior parte das congregações da Igreja.
Como Cardeal Inquisidor, função para qual foi nomeado pouco depois de se tornar Cardeal, participou dos julgamentos de Giordano Bruno e Galileu Galilei.
De pequena estatura física, tinha um temperamento alegre e amigável. A sua caridade para com os pobres e os aflitos era proverbial. Polemicista notável, participou nalguns dos maiores debates da época, revelando uma cultura e abertura de espírito notáveis. Foi um dos grandes da Reforma Católica que se seguiu ao Concílio de Trento. Rejeitou a sua eleição como papa no conclave de 1621.
Foi beatificado em 13 de Maio de 1923 e canonizado em 29 de Junho de 1930 pelo Papa Pio XI e declarado Doutor da Igreja em 1931. (fonte: Jesuítas, compilação de ama)

16/09/2011

Evolucionismo

Do Céu à Terra
A evolução do evolucionismo

Evolução e criação são compatíveis?

Se o Universo é um conjunto de seres contingentes – que não têm em si mesmos a sua razão de ser –, necessariamente teve que ser criado. Criar não é transformar algo, mas sim produzir radicalmente esse algo. A evolução, em troca, ocupa-se da mudança de certos seres que previamente existem. Desta forma se vê claro que a criação e a evolução não podem entrar em conflito, porque movem-se em dois planos e em duas cronologias diferentes. Uma certeira comparação de Ernst Jünger aclara esta questão: "A teoria de Darwin não coloca nenhum problema teológico. A evolução transcorre no tempo; a criação, pelo contrário, é o seu pressuposto. Portanto, cria-se um mundo, com o qual se proporciona também a evolução: se estende-se o tapete e este começa a rodar com os seus debuxos.

jose ramón ayllón, trad. ama


Princípios filosóficos do Cristianismo

Caminho e Luz

Princípio de substância (I)

A estrutura do juízo


Ser algo comporta uma identidade consigo mesmo dentro dos limites próprios e por isso uma diferenciação do que está fora dos ditos limites, quer dizer, das outras realidades. A mesma etimologia de algo (aliguid = alud quid) implica um quid (identidade) e um aliud (diferenciação dos outros).
Se diferencia de tudo, incluindo o sujeito preceptor. É portanto uma realidade objectiva (obiectum).
Por o facto de ser algo, uma realidade, não é outras realidades. Outros entes poderão ter a mesma essência, mas ao ser outras realidades já são diferentes. Simplesmente, tudo aquilo que é uma realidade, algo, revela identidade entitativa dentro dos limites próprios e portanto se diferencia de todos os outros seres. Ser algo é uma possessão parcial do ser e portanto se diferencia de todas as outras partes do ser que existem. A limitação e a absolutez que implica são dos aspectos da realidade que conhecemos. Mas não dos co-princípios na composição real.

josé antonio sayés, [i] trad ama,


[i] Sacerdote, doutor em teologia pela Universidade Gregoriana e professor de Teologia fundamental na Faculdade de Teologia do Norte de Espanha.
Escreveu mais de quarenta obras de teologia e filosofia e é um dos Teólogos vivos mais importantes da Igreja Católica. Destacou-se pelas suas prolíferas conferências, a publicação de livros quase anualmente e pelos seus artigos incisivos em defesa da fé verdadeira.

Música e repouso

 Verdi - Norma - Casta diva - Renata Tebaldi 




selecção ALS

Paixão

Reflectindo
Paixão de Cristo

Depois, uma vez que fui condenado pelo juiz à morte infamante da cruz e que carregaram sobre os Meus ombros todo o peso do poder real, fui exposto à vergonha e escarnecido publicamente. Onde quer que pisasse, reconheciam-se pelo sangue as marcas dos Meus pés. À Minha passagem os judeus ululavam até atroar os ares: Suspendei-O já, suspendei esse malvado… Com ladrões criminosos fui conduzido até ao lugar da execução. Ali fui desnudado e estendido sobre a cruz jacente. Ali prenderam com sogas os Meus braços e as Minhas pernas e logo os cravaram cruelmente com cravos no madeiro da cruz, e desta forma Me penduravam, entre o Céu e a Terra, da Cruz levantada.

(benedikt baur, La Confesión frequente, Herder, ISBN 84-254-0033-3, nr. 124, trad ama)

Se a doutrina sagrada é ciência.

Escola de Atenas
Rafael

Suma Teológica: Art. 2 — 
(IIa IIae., q.1, a. 5, ad 2; I Sent., prol., a. 3. qa. 2; De Verit., q. 14 a. 9, ad 3; in Boet., De Trin., q. 2, a. 2)

O segundo discute-se assim — Parece não ser ciência a doutrina sagrada.

1. — Pois toda ciência provém de princípios por si evidentes, ao passo que procede a doutrina sagrada dos artigos da fé, inevidentes em si, por serem não universalmente aceitos;  porque a fé não é de todos, diz a Escritura (2 Ts 3, 2). Logo, não é ciência a doutrina sagrada.

2. — Ademais, do indivíduo não há ciência. Mas a doutrina sagrada trata de fatos individuais, como sejam os feitos de Abraão, Isaac, Jacob e semelhantes. Logo, não é ciência a doutrina sagrada.

Mas,  em contrário, Agostinho: A esta ciência só aquilo se atribui com que se gera, nutre, defende e corrobora a fé salubérrima [i]. Ora, a nenhuma ciência pertence tal, senão à doutrina sagrada. Por onde, é ciência a doutrina sagrada.

SOLUÇÃO. — A doutrina sagrada é ciência. Porém, cumpre saber que há dois géneros de ciências. Umas partem de princípios conhecidos à luz natural do intelecto, como a aritmética, a geometria e semelhantes. Outras provêm de princípios conhecidos por ciência superior; como a perspectiva, de princípios explicados na geometria, e a música, de princípios aritméticos. E deste modo é ciência a doutrina sagrada, pois deriva de princípios conhecidos à luz duma ciência superior, a saber: a de Deus e dos santos. Portanto, como aceita a música os princípios que lhe fornece o aritmético, assim a doutrina sagrada tem fé nos princípios que lhe são por Deus revelados.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. — Os princípios de qualquer ciência, ou são por si mesmos evidentes, ou se reduzem à evidência de alguma ciência superior. E tais são os princípios da doutrina sagrada, como dissemos.

RESPOSTA À SEGUNDA. — Na doutrina sagrada, os factos individuais não são tratados principalmente, senão apenas introduzidos a título de exemplo prático, como nas ciências morais; ou também no intuito de apurar a autoridade dos homens que nos transmitiram a revelação divina, na qual se funda a Sagrada Escritura ou doutrina.


[i] XIV de Trinitate

Textos de São Josemaria Escrivá

“O Grande Amigo, que nunca atraiçoa”

Procuras a companhia de amigos que, com a sua conversa e o seu afecto, com o seu convívio, te tornam mais tolerável o desterro deste mundo..., embora os amigos às vezes atraiçoem. – Não me parece mal. Mas... como é possível que não frequentes cada dia com maior intensidade a companhia, a conversa com o Grande Amigo, que nunca atraiçoa? (Caminho, 88)


A nossa vida é de Deus. Temos de gastá-la ao seu serviço, preocupando-nos generosamente com as almas e demonstrando, com a palavra e com o exemplo, a profundidade das exigências cristãs.

Jesus espera que alimentemos o desejo de adquirir essa ciência, para nos repetir: se alguém tem sede, venha a Mim e beba. E respondemos: ensina-nos a esquecermo-nos de nós mesmos, para pensarmos em Ti e em todas as almas. Deste modo, o Senhor far-nos-á progredir com a sua graça, como quando começávamos a escrever (lembrais-vos daqueles traços que fazíamos, guiados pela mão do professor?) e assim começaremos a saborear a dita de manifestar a nossa fé, que é já de si outra dádiva de Deus, também com traços inequívocos de uma conduta cristã, onde todos possam descobrir as maravilhas divinas.
É Amigo, o Amigo: vos autem dixi amicos, diz-nos Ele. Chama-nos amigos e foi Ele quem deu o primeiro passo, pois amou-nos primeiro. Contudo, não impõe o seu carinho: oferece-o. E prova-o com o sinal mais evidente da amizade: ninguém tem maior amor que o daquele que dá a vida pelos seus amigos. Era amigo de Lázaro e chorou por ele quando o viu morto. E ressuscitou-o. Por isso, se nos vir frios, desalentados, talvez com a rigidez de uma vida interior que se está a extinguir, o seu pranto será vida para nós: Eu te ordeno, meu amigo, levanta-te e anda, deixa essa vida mesquinha, que não é vida! (Cristo que passa, 93)

© Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet

Evangelho do dia e comentário













T. Comum– XXIV Semana




Evangelho: Lc 8, 1-3

1 Em seguida Jesus caminhava pelas cidades e aldeias, pregando e anunciando a boa nova do reino de Deus; andavam com Ele os doze 2 e algumas mulheres que tinham sido livradas de espíritos malignos e de doenças: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demónios, 3 Joana, mulher de Cusa, procurador de Herodes, Susana, e outras muitas, que os serviam com os seus bens.

Meditação:

Lembro ''as mulheres da minha vida'':

A minha Mãe que me deu o ser, me criou, esteve à minha cabeceira nas doenças graves da minha infância, me ensinou a rezar, me levou - tantas vezes - aos pés da Tua Santíssima Mãe dando-me um exemplo de devoção e confiança absolutas. A minha querida Mãe que, agora contempla a Tua face no descanso eterno, é, sem dúvida uma mulher na minha vida.

Tenho, depois aquela que comigo partilha os dias nos últimos 44 anos, luz e sal que ilumina e tempera a minha existência.

As minhas três filhas, causa da minha alegria e consolação por quem tenho um carinho sem medida.

As minhas seis netas, luz dos meus olhos visão do futuro, esperança do amanhã.

Finalmente - mas não em último -, a minha Mãe do Céu que, de modo muito especial em Fátima, invoco com confiança e amor filial, seguro como estou – e abundantes provas -, da sua especial protecção durante toda a minha vida.

(ama, meditação sobre Lc 8, 1-3, convento Monte Real, 2009.09.18)

15/09/2011

Evolucionismo

Do Céu à Terra
A evolução exclui a Deus?

Um exemplo cervantino: se eu pergunto na aula porquê Dom Quixote enlouquece, todos os meus alunos respondem o mesmo: por ler demasiados livros de cavalaria. A resposta é correcta, evidentemente. Mas eu poderia perguntar, em seguida: Dom Quixote fica louco ao ler livros de cavalaria ou porque Cervantes o quer? Está claro que o Universo se explica graças às forças nuclear, electromagnética e gravidade. Mas também está claro que essa explicação não explica a origem dessas leis.

jose ramón ayllón, trad. ama