15/09/2011

Pensamentos inspirados à procura de deus


À procura de Deus





Não compreendes?

Guarda no coração, como Maria.


JMA, 2011.09.15

Se, além das ciências filosóficas, é necessária outra doutrina. dia 14

Escola de Atenas
Rafael
Suma Teológica: Art. 1  
(IIa IIae., q. 2, a. 3, 4; I Sent., prol., a. 1; I Cont. Gent., cap. IV, V; De Verit., q. 14, a. 10).

O primeiro discute-se assim — Parece desnecessária outra doutrina além das disciplinas filosóficas.

1. — Pois não se deve esforçar o homem por alcançar objectos que ultrapassem a razão, segundo a Escritura (Ecle. 3, 22): Não procures saber coisas mais dificultosas do que as que cabem na tua capacidade. Ora, o que é da alçada racional ensina-se, com suficiência, nas disciplinas filosóficas; logo, parece escusada outra doutrina além das disciplinas filosóficas.

2. — Ademais, não há doutrina senão do ser, pois nada se sabe, senão o verdadeiro, que no ser se converte. Ora, de todas as partes do ser trata a filosofia, inclusive de Deus; por onde, um ramo filosófico se chama teologia ou ciência divina, como está no Filósofo [i]. Logo, não é preciso que haja outra doutrina além das filosóficas.

Mas,  em contrário, a Escritura (2 Tm 3, 16):  Toda a Escritura divinamente inspirada é útil para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir na justiça. Porém, a Escritura, divinamente revelada, não pertence às disciplinas filosóficas, adquiridas pela razão humana; por onde, é útil haver outra ciência, divinamente revelada, além das filosóficas.

SOLUÇÃO. — Para a salvação do homem, é necessária uma doutrina conforme à revelação divina, além das filosóficas, pesquisadas pela razão humana. Porque, primeiramente, o homem é por Deus ordenado a um fim que lhe excede a compreensão racional, segundo a Escritura (Is 64, 4):  O olho não viu, excepto tu, ó Deus, o que tens preparado para os que te esperam. Ora, o fim deve ser previamente conhecido pelos homens, que para ele têm de ordenar as intenções e actos. De sorte que, para a salvação do homem, foi preciso, por divina revelação, tornarem-se-lhe conhecidas certas verdades superiores à razão.

Mas também naquilo que de Deus pode ser investigado pela razão humana, foi necessário ser o homem instruído pela revelação divina. Porque a verdade sobre Deus, exarada pela razão, chegaria aos homens por meio de poucos, depois de longo tempo e de mistura com muitos erros; se bem do conhecer essa verdade depende toda a salvação humana, que em Deus consiste. Logo, para que mais conveniente e segura adviesse aos homens a salvação, cumpria fossem, por divina revelação, ensinados nas coisas divinas. Donde foi necessária uma doutrina sagrada e revelada, além das filosóficas, racionalmente adquiridas.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. — Embora se não possa inquirir pela razão o que sobrepuja a ciência humana, pode-se entretanto recebê-lo por fé divinamente revelada. Por isso, no lugar citado (Ecle 3, 25), se acrescenta:  Muitas coisas te têm sido patenteadas que excedem o entendimento dos homens. E nisto consiste a sagrada doutrina.

RESPOSTA À SEGUNDA. — O meio de conhecer diverso induz a diversidade das ciências. Assim, o astrónomo e o físico demonstram a mesma conclusão, p. ex., que a terra é redonda; se bem o astrónomo, por meio matemático, abstracto da matéria; e o físico, considerando a mesma. Portanto, nada impede que os mesmos assuntos, tratados nas disciplinas filosóficas, enquanto cognoscíveis pela razão natural, também sejam objecto de outra ciência, enquanto conhecidos pela revelação divina. Donde a teologia, atinente à sagrada doutrina, difere genericamente daquela teologia que faz parte da filosofia.



[i] VI Metaphys, c. 1

Evangelho do dia e comentário

 Nossa Senhora das Dores













T. Comum– XXIV Semana




Evangelho: Lc 2, 33-35 

33 O Seu pai e a Sua mãe estavam admirados das coisas que d'Ele se diziam. 34 Simeão abençoou-os e disse a Maria, Sua mãe: «Eis que este Menino está posto para ruína e ressurreição de muitos em Israel e para ser sinal de contradição. 35 E uma espada trespassará a tua alma. Assim se descobrirão os pensamentos escondidos nos corações de muitos»

Meditação:
Nossa Senhora das Angústias
Ayamonte

Ó Mater dolorosa 
junto da Cruz donde o Filho pendia
Estoicamente participando
No Sacrifício supremo, lacrimosa
Mas orando
Ao Pai que tal consente.
Ó Mater dolorosa
Que te traz aqui, Senhora minha?
Não sabes que Ele morreu?
Esse Filho teu
Teve uma morte gloriosa
Que na Cruz
Nos salvou a todos
Da morte mais horrorosa
A que ao pecado conduz.
Ó Mater Dolorosa
Como é bela a tua dor
Que torna mais preciosa
A morte do Salvador

(ama, meditação sobre Lc 2, 32-15, 2010.09.15, Convento de Monte Real)

14/09/2011

Solidariedade Cristã

Música e oração


   Taizé Song - The Kingdom of God


selecção ALS

Evolucionismo

Do Céu à Terra
Há alternativas ao darwinismo?

Rémy Chauvin sugere a hipótese de dois programas evolutivos coordenados. A curto prazo, o ADN. A longo prazo, o autêntico programa evolutivo em sentido estrito, que não residiria no genoma mas no citoplasma. Pode observar-se este velho programa nas primeiras fases do desenvolvimento embrionário, tão surpreendentemente análogas em todos os animais. Mas "não sejamos hipócritas: tudo programa supõe a existência de um programador, e nenhuma acrobacia dialéctica pode levar-nos a esquivar esta dificuldade. Quem é o programador? Não tenho resposta para esta pergunta, ainda que podemos imaginá-lo".

jose ramón ayllón, trad. ama


Princípios filosóficos do Cristianismo

Caminho e Luz

Princípio de substância (I)

A estrutura do juízo
Vejamos agora o juízo existencial. Comecemos por este juízo: «o homem existe». O que é o que fazemos neste juízo? O que há que dizer em primeiro lugar é que o juízo «o homem existe» é absolutamente equivalente ao juízo «o homem é uma realidade». Este último juízo tem perfeito sentido, o mesmo sentido que o primeiro. A prova é que na conversação normal serve para recalcar a existência dalgo. Se eu digo: «os extraterrestres existem» e provoco perplexidade ou incerteza nos que me escutam, posso recalcar a ideia dizendo: «sim, os extraterrestres são uma realidade».
Ora bem, dizer de uma coisa determinada que é uma realidade, é cometer uma tautologia? Não absolutamente. Quando no juizo existencial afirmo «o homem existe», tomo o sujeito «homem» não como uma realidade mas como uma essência. Sei perfeitamente o que é ser homem: animal racional; mas não sei se existe, não sei se é uma realidade. Então, o que faço no juízo «o homem existe» ou «o homem é uma realidade» é atribuir a realidade a uma essência. Quer dizer, o que faço aqui é o contrário ao que fazia no juízo essencial. No juízo essencial «Pedro é homem» atribuía a essência de homem à realidade de Pedro conhecida só como realidade. Agora, o que faço no juízo existencial é atribuir a realidade a uma essência conhecida como essência. O juízo existencial predica, portanto, a realidade de uma essência. No juízo existencial dá-se também a verdade, no quanto no que nele se adequa à realidade a uma essência.

josé antonio sayés, [i] trad ama,



[i] Sacerdote, doutor em teologia pela Universidade Gregoriana e professor de Teologia fundamental na Faculdade de Teologia do Norte de Espanha.
Escreveu mais de quarenta obras de teologia e filosofia e é um dos Teólogos vivos mais importantes da Igreja Católica. Destacou-se pelas suas prolíferas conferências, a publicação de livros quase anualmente e pelos seus artigos incisivos em defesa da fé verdadeira.

Uma história de amor

Continuo pensando que o que mais ocupa e preocupa o ser humano é o amor. Com diferença e ainda que não creia que saia nas estatísticas.
Manifesta-se de muitas maneiras, mas o que todos queremos é dar-nos, fundir-nos, enamorar-nos. É a vocação por excelência do homem: amar. É esse desejo que não acaba de saciar-se, essa pele e essa alma que procuram a carícia, a ternura e o consolo. O amor é a nossa explicação de homens e o esteio da nossa existência (na existência do outro). Por isso andamos atrás dele toda a vida; daí essas ganas loucas de entregar-nos, de transformar-nos, e esse desassossego, e esses olhares que perscrutam cada instante, cada detalhe. O homem necessita amar porque procura a plenitude e a transcendência, porque o dia-a-dia sem amor é um suplício, uma agonia. Caminhamos pela rua pensando nesse amor, no nosso amor. E o sentido que a tudo se dá porque amamos. E não é só uma questão de afectos, o um corpo (por excelso que seja) ou a fantasia. É que o sentido do mundo e da realidade e do que somos passa por essa pessoa que amamos. O sentido é o amor. A realidade é o amor. O amor é a razão: razão de vida. E o amor remove tudo, inspira tudo. Que outra coisa pode urgir-nos mais que amar e ser amados? Que outra coisa pode importar mais que isso? Nada. Nada é no mundo mais importante, mais crucial, mais núcleo. E cada um de nós é amante. E cada um de nós tenta encontrar a origem desse ardor. E cada um de nós olha as carícias, a pureza, o infinito (porque o amor verdadeiro nunca se conforma com minúcias). Queremos amar mais, queremos amar melhor. Não se trata de amar o evanescente, o difuso. Amamos uma pessoa concreta, amamo-la, tal como é. Assim imperfeita, assim completa.  

guillermo urbizu, trad ama