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02/03/2012

Olha-me com os Seus Olhos! 3

Sou consciente da minha pequenez e da minha fragilidade. Também, leitor, da tua pequenez e da tua fragilidade. Essa descoberta mudou o meu olhar. Não esqueço de pedir ao Pai que me permita ver através dos Seus olhos, sobretudo quando alguém me produz uma especial antipatia. Não falha. Consigo sempre ver mais além e, ainda que me custe, termino por olhar essa pessoa de forma mais amorosa. Quando não o consigo, sei que o problema é meu e não do outro. Então, observo-me, analiso-me, até encontrar a causa que me impede olhar com olhos limpos. O importante é a atitude.

Querido leitor, olhemos os outros com esse olhar divino, peçamos a Jesus que nos permita olhar, como Ele, para essa pessoa que tanta rejeição ou antipatia nos produz. Pratiquemos pois esse olhar. Ele nos ajudará. Fá-lo sempre.

guillermo urbizu, [1], trad ama


[1] O escritor e poeta Guillermo Urbizu, é um leigo comprometido, estudou Letras na Universidad de Zaragoza e é membro supranumerário da prelatura do Opus Dei. Trabalha no Colegio Mayor Universitario Miraflores de Zaragoza. Entre as suas obras literárias destacam-se: «Almateria», «Ser algo más» e «Entre dos infinitos», assim como «Vía crucis para niños (e non tan niños)».

01/03/2012

Olha-me com os Seus Olhos! 2

Na realidade, basta observar como olhamos os que amamos de verdade. Queremos-lhes tal e como são. Não esperamos que mudem, aceitamos as suas limitações (ainda que por vezes nos aborreçam) porque sabemos que também estas os definem. Não nos custa perdoar (e ainda que nos custe, em algum momento acabamos por o fazer) porque sabemos e compreendemos.

Agora penso no Senhor. Ele, que é AMOR, que sabe tudo a nosso respeito, e portanto, tudo compreende, como irá olhar-nos senão com um imenso amor? Mas claro, querido leitor, eu não sei tudo a respeito de ti, e tu não sabes nada de mim. Então, como olhar-te com os Seus olhos? Não julgo que seja tão difícil, e de facto não é. 
Trata-se de olhar a pessoa que temos à nossa frente como se fossemos nós próprios. 
Porque todos, homens e mulheres, estamos cheios de limitações. 

guillermo urbizu, [1], trad ama


[1] O escritor e poeta Guillermo Urbizu, é um leigo comprometido, estudou Letras na Universidad de Zaragoza e é membro supranumerário da prelatura do Opus Dei. Trabalha no Colegio Mayor Universitario Miraflores de Zaragoza. Entre as suas obras literárias destacam-se: «Almateria», «Ser algo más» e «Entre dos infinitos», assim como «Vía crucis para niños (e não tan niños)».

29/02/2012

Olha-me com os Seus Olhos! 1

Há algum tempo que me prolongo ver os outros com os olhos do Senhor. Ao princípio, custava-me um pouco, reconheço-o, mas, como tudo, é questão de amor e de empenho. O melhor é pedir a Jesus que nos esvazie de nós mesmos e nos encha dele que faça dos nossos olhos os seus, e que nos ensine a olhar como Ele o faz.

Porque o olhar do Senhor é espectacular, fascinante. Eu sei como me olha, conheço bem a carícia para alma que esse olhar supõe E, ainda que tenha demorado tempo em acreditar nisso, sei que se fixa muitíssimo mais nas minhas qualidades que nos meus defeitos, no bom e no mau. De facto, sinto amiúde que os ditos defeitos lhe produzem una enorme ternura, e que não é raro que se ria com misericórdia dos meus erros. Olha-me com imenso carinho, como qualquer bom pai o faz com os seus filhos, como um irmão mais velho pendente do mais novo da família, como esse Amigo fiel, sempre amoroso, compreensivo e leal. Sim, eu noto as carícias do seu Olhar, e sei que se não fosse assim considerar-me-ia por um ser humano inútil e sem valor. (Quando esqueço como me olha, é assim como me sinto).

guillermo urbizu, [1], trad ama


[1] O escritor e poeta Guillermo Urbizu, é um leigo comprometido, estudou Letras na Universidad de Zaragoza e é membro supranumerário da prelatura do Opus Dei. Trabalha no Colegio Mayor Universitario Miraflores de Zaragoza. Entre as suas obras literárias destacam-se: «Almateria», «Ser algo más» e «Entre dos infinitos», assim como «Vía crucis para niños (e não tan niños)».

14/09/2011

Uma história de amor

Continuo pensando que o que mais ocupa e preocupa o ser humano é o amor. Com diferença e ainda que não creia que saia nas estatísticas.
Manifesta-se de muitas maneiras, mas o que todos queremos é dar-nos, fundir-nos, enamorar-nos. É a vocação por excelência do homem: amar. É esse desejo que não acaba de saciar-se, essa pele e essa alma que procuram a carícia, a ternura e o consolo. O amor é a nossa explicação de homens e o esteio da nossa existência (na existência do outro). Por isso andamos atrás dele toda a vida; daí essas ganas loucas de entregar-nos, de transformar-nos, e esse desassossego, e esses olhares que perscrutam cada instante, cada detalhe. O homem necessita amar porque procura a plenitude e a transcendência, porque o dia-a-dia sem amor é um suplício, uma agonia. Caminhamos pela rua pensando nesse amor, no nosso amor. E o sentido que a tudo se dá porque amamos. E não é só uma questão de afectos, o um corpo (por excelso que seja) ou a fantasia. É que o sentido do mundo e da realidade e do que somos passa por essa pessoa que amamos. O sentido é o amor. A realidade é o amor. O amor é a razão: razão de vida. E o amor remove tudo, inspira tudo. Que outra coisa pode urgir-nos mais que amar e ser amados? Que outra coisa pode importar mais que isso? Nada. Nada é no mundo mais importante, mais crucial, mais núcleo. E cada um de nós é amante. E cada um de nós tenta encontrar a origem desse ardor. E cada um de nós olha as carícias, a pureza, o infinito (porque o amor verdadeiro nunca se conforma com minúcias). Queremos amar mais, queremos amar melhor. Não se trata de amar o evanescente, o difuso. Amamos uma pessoa concreta, amamo-la, tal como é. Assim imperfeita, assim completa.  

guillermo urbizu, trad ama

29/06/2011

Palabras para Dios

Dios. Te escribo para ponerme en tu presencia,
para fijarme mejor en que estás a mi lado. Dios.
Y paso un buen rato mirando esa palabra que te nombra,
con la que te amo
pese a que esté pensando en otra cosa.
Dios. Imagino tu potencia de misericordia, tu paciencia, tu justicia,
tu amor. Imagino
tu mirada infinita de tan concreta.
Tu mirada en mí, que tengo el poder de nombrarte,
de escribirte aquí, a primera hora de la mañana. Dios.
Y vienes. O ya estabas.
Siempre estás. Aunque te mancille con mis obras.
Sobre mi escritorio deletreo tu intimidad trina.
Y te enseño la mesa, los libros, el alma rota.
Ven, Dios mío, ven conmigo. Asómate a mi vida
y restaura toda esta infinidad de cascotes y ruinas.
Te quiero, pero me derrumbo. Sin voluntad para casi nada
dejo pasar los días sin amarte.
Digo que te quiero (es más: lo escribo), pero es mentira,
debe serlo. ¿Cómo te voy a querer si malquiero tu gracia?
¿Cómo te voy a querer si no hablo contigo?
¿Ves estos libros? Los prefiero.
Paso más tiempo con ellos, y a ti de hecho te olvido.
¡Dios, Dios! Pero a pesar de todo te quiero.
Pese a que las evidencias demuestren lo contrario.
Necio y todo, y torpe, te escribo
ahora, en esta hermosa mañana de mayo.
Dios, estás aquí, conmigo. Abrázame los pecados.

guillermo urbizu