24/01/2011

Cristo não está dividido

Duc in altum
Queridos irmãos e irmãs!

Nestes dias, de 18 a 25 de Janeiro, realiza-se a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Este ano, tem por tema uma passagem do livro dos Actos dos Apóstolos, que resume em poucas palavras a vida da primeira comunidade cristã de Jerusalém:  “Eles eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fracção do pão e nas orações (Act 2, 42). É muito significativo que este tema tenha sido proposto pelas Igrejas e comunidades cristãs de Jerusalém, reunidas em espírito ecuménico. Sabemos quantas provas devem enfrentar os irmãos e irmãs da Terra Santa e do Oriente Médio. Seu serviço é portanto ainda mais precioso, valorizado por um testemunho que, em certos casos, chegou até o sacrifício da vida. Por isso, enquanto acolhemos com alegria as inspirações para a reflexão oferecidas pelas comunidades que vivem em Jerusalém, unimo-nos em torno delas, e isso se converte para todos em um factor ulterior de comunhão.

Também hoje, para ser no mundo sinal e instrumento de união íntima com Deus e de unidade entre os homens, nós, cristãos, devemos fundar nossa vida nestes quatro “pilares”: a vida fundada na fé dos Apóstolos transmitida na viva Tradição da Igreja, a comunhão fraterna, a Eucaristia e a oração.  Só desta forma, permanecendo firmemente unida a Cristo, a Igreja pode realizar eficazmente sua missão, apesar de todos os limites e das faltas de seus membros, apesar das divisões, que já o apóstolo Paulo teve de enfrentar na comunidade de Corinto, como recorda a segunda leitura bíblica deste domingo, onde diz: “Rogo-vos, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que todos estejais em pleno acordo e que não haja entre vós divisões. Vivei em boa harmonia, no mesmo espírito e no mesmo sentimento” (1, 10). O apóstolo, de facto, soubera que na comunidade cristã de Corinto houvera discórdias e divisões; por isso, com grande firmeza, acrescenta: “Então estaria Cristo dividido?” (1,13). Dizendo isso, ele afirma que toda divisão na Igreja é uma ofensa a Cristo; e, ao mesmo tempo, que é sempre n’Ele, única Cabeça e Senhor, onde podemos voltar a nos encontrar unidos, pela força inesgotável de sua graça.

Daí então o chamamento sempre actual do Evangelho de hoje: “Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo” (Mt 4,17). O sério dever de conversão a Cristo é o caminho que conduz a Igreja, com os tempos que Deus dispõe, à plena unidade visível. Disso são um sinal os encontros ecuménicos que se multiplicam nestes dias em todo o mundo. Aqui em Roma, além de se encontrarem presentes delegações ecuménica, começará amanhã uma sessão de encontro da Comissão do diálogo teológico entre a Igreja Católica e as Antigas Igrejas Orientais. E depois de amanhã concluiremos a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos com a solene celebração das Vésperas na festa da Conversão de São Paulo.

Que nos acompanhe sempre, neste caminho, a Virgem Maria, Mãe da Igreja.

 (bento XVI, Angelus, 2011.01.23)
(ZENIT.org)

Memória: Nossa Senhora da Paz


Duc in altum

Imagem de <i>Santa Maria da Paz</i>
Nossa Senhora da Paz

“Santa Maria é – assim a invoca a Igreja – a Rainha da paz. Por isso, quando se agitar a tua alma, o ambiente familiar ou profissional, a convivência na sociedade ou entre os povos, não cesses de aclamá-la com esse título: «Regina pacis, ora pro nobis!», Rainha da paz, rogai por nós! Experimentaste-o alguma vez, quando perdeste a tranquilidade?... – Surpreender-te-ás com a sua imediata eficácia” 

(São Josemaria Escrivá).

Anti-concepção


Tema para breve reflexão
Do ponto de vista da gravidade do pecado, a prática anticonceptiva vem logo a seguir ao homicídio, porque, se o homicídio destrói o ser humano já existente, a anti-concepção nem sequer permite que nele comece a existir. O resultado é o mesmo, que é, em ultima análise, a destruição da raça humana. Só o modo é diferente. 

(S. Tomás de aquino, Contra Gentes, III, cap. 122)

Evangelho e comentário do dia


Tempo comum - IIII Semana



EvangelhoMc 3, 22-30

22 Os escribas, que tinham descido de Jerusalém, diziam: «Está possesso de Belzebu, e é pelo poder do príncipe dos demónios que expulsa os demónios». 23 Jesus, tendo-os chamado, dizia-lhes em parábolas: «Como pode Satanás expulsar Satanás? 24 Se um reino está dividido contra si mesmo, tal reino não pode subsistir.25 E se uma casa está dividida contra si mesma, tal casa não pode subsistir. 26 Se, pois, Satanás se levanta contra si mesmo, o seu reino está dividido e não poderá subsistir, antes está para acabar. 27 Ninguém pode entrar na casa dum homem forte, para roubar os seus bens, se primeiro não o amarrar. Então saqueará a sua casa. 28 Na verdade vos digo que serão perdoados aos filhos dos homens todos os pecados e todas as blasfémias que proferirem; 29 porém, o que blasfemar contra o Espírito Santo, jamais terá perdão; mas será réu de pecado eterno». 30 Jesus falou assim por terem dito: «Está possesso dum espírito imundo».
Comentário:


Doutrina

«RERUM NOVARUM»

A Igreja e a caridade durante os séculos

16. A Igreja, além disso, provê também directamente à felicidade das classes deserdadas, pela fundação e sustentação de instituições que ela julga próprias para aliviar a sua miséria; e, mesmo neste género de benefícios, ela tem sobressaído de tal modo, que os seus próprios inimigos lhe fizeram o seu elogio. Assim, entre os primeiros cristãos, era tal a virtude da caridade mútua, que não raro se viam os mais ricos despojarem--se do seu património em favor dos pobres. Por isso, a indigência não era conhecida entre eles (Act 4,346); os Após-tolos tinham confiado aos Diáconos, cuja ordem fora especialmente instituída para esse fim, a distribuição quotidiana das esmolas, e o próprio S. Paulo, apesar de absorvido por uma solicitude que abraçava todas as Igrejas, não hesitava em empreender penosas viagens para ir em pessoa levar socorros aos cristãos indigentes. Socorros do mesmo género eram espontaneamente oferecidos pelos fiéis em cada uma das suas assembleias: o que Tertuliano chama os «depósitos da piedade», porque eram empregados «em sustentar e sepultar as pessoas indigentes, os órfãos pobres de ambos os sexos, os domésticos velhos, as vítimas de naufrágio» (Apolog., II, 39).


23/01/2011

Diálogos apostólicos


Decidiste que participar na Santa Missa era muito importante, leste algures que é a raiz e o fundamento da vida interior.

Ora ainda bem que chegaste a essa conclusão. Vais ver os enormes benefícios que vais usufruir!



56

 (ama, 2011.01.23)

José Mourinho: Deus e a carreira de sucesso


OBSERVANDO

“Quando leio a Bíblia não estou propriamente a pedir-Lhe para que me ajude. Eu não peço para que me ajude num jogo. Mas penso que se eu for um bom homem, um bom pai, um bom marido, um bom amigo, se tiver uma vida social compatível com aquilo que são os Seus ideais, penso que tenho mais possibilidade de... É uma coisa que me alimenta na fé”, refere o treinador da equipa de futebol profissional do Real Madrid.

As declarações de José Mourinho foram recolhidas em Madrid,  no âmbito de um projecto editorial sob figuras empreendedoras em Portugal, promovido pelo CLEPUL (Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa) em parceria com o Centro Regional do Porto da Universidade Católica Portuguesa e com a Universidade de Aveiro, a que o Programa «70x7» se associou.

Melhor treinador de futebol do mundo em registo pessoal, no «70x7»
Na emissão deste Domingo, 23 de Janeiro, o «70x7» apresenta José Mourinho num discurso na primeira pessoa.

O homem que recentemente foi eleito o melhor treinador do ano pela FIFA/France Football diz quais as suas convicções, as memórias pessoais que determinaram a sua vida e o que faz dele o “special one”, o especial.

Para José Mourinho, tem sido determinante para o sucesso desportivo o facto de ter tido formação académica, capaz de lhe dar conhecimento para exercer lideranças com qualidade.

“Eu tive formação académica porque quis ter e porque nasci numa família onde havia um certo controlo familiar”, refere, recordando a importância da mãe, professora, no seu percurso formativo, assim como a influência da mulher, que estudou filosofia.

 “Há uma coisa que digo sempre: tenho de tomar decisões mas tenho de ter razões para as minhas decisões” porque, reconhece, “o jogador de futebol não é fácil gerir”.

Nos momentos de tensão, quando toma decisões por intuição e que determinam um jogo e, por vezes, uma época, reconhece também a presença de Deus.

“Eu digo sempre: Ele lá em cima apontou para mim e disse tu vais ser um dos talentosos naquela área. E assim foi”, afirmou Mourinho.

“Sem ser aquele praticante profundo - que não o sou ou por personalidade ou pelo próprio estilo de vida que acabo por ter - acredito muito que ele está e que, da mesma maneira que me escolheu como um dos eleitos, eu tenho também uma missão a cumprir neste mundo”, precisa.

“A minha leitura de duas, três, quatro páginas da Bíblia antes dos jogos é simplesmente um acto de fé e de me sentir bem”, acrescenta.


PR
Fonte: ecclesia

Pensamentos inspirados

À procura de Deus




Quando dou, entrego-me, sou activo, sirvo para alguma coisa.

Quando apenas quero receber, sou passivo, para nada sirvo, a não ser para mim.

jma, 2011 

Pio XII reza o Pai-Nosso

Duc in altum
Pater Noster:


Voltaire na hora da morte




OBSERVANDO
Voltaire escreveu um dia a Bayle, desconsolado e triste, a lamentar que os seus amigos se desonrassem, quase todos na morte, chamando o padre, confessando-se, comungando, e repudiando, como perigosa e falsa a sua antiga rebeldia anticristã, mais cómoda, ao que parece, para viver, do que para morrer! E é sabido que o mesmo Voltaire se teria desonrado - também, confessando-se e comungando, se lho tivessem consentido d'Alembert e Diderot. d’Alembert, por seu turno, quando viu que a morte se avizinhava, mandou chamar, para se confessar, o pároco de Saint-Germmain, que Condorcet não deixou entrar, o mesmo sucedendo, a Diderot, que se teria confessado ao pároco de S. Sulpicio, o bom P.' Térsac, se os e amigos o não impedissem de o fazer.  

(Cfr. A. Veloso, BROTÉRIA, Vol. LVI, Fasc. 4, 1953, pag. 278) 

Duas notas com interesse:

Nunc Dimitis

Nunc Dimittis:


Nunc dimittis servum tuum, Domine, secundum verbum tuum in pace:
Quia viderunt oculi mei salutare tuum
Quod parasti ante faciem omnium populorum:
      Lumen ad revelationem gentium, et gloriam plebis tuae Israel.

Evangelho e comentário do dia


Tempo comum - III Semana



EvangelhoMt 4, 12-23

12 Tendo Jesus ouvido dizer que João fora preso, retirou-Se para a Galileia. 13 Depois, deixando Nazaré, foi habitar em Cafarnaum, situada junto do mar, nos confins de Zabulon e Neftali, 14 cumprindo-se o que tinha sido anunciado pelo profeta Isaías, quando disse: 15 “Terra de Zabulon e terra de Neftali, terra que confina com o mar, país além do Jordão, Galileia dos gentios! 16 Este povo, que jazia nas trevas, viu uma grande luz, e uma luz levantou-se para os que jaziam na sombra da morte”. 17 Desde então, começou Jesus a pregar: «Fazei penitência porque está próximo o Reino dos Céus».
23 Jesus percorria toda a Galileia, ensinando nas sinagogas e pregando o Evangelho do reino de Deus, e curando todas as enfermidades entre o povo.
Comentário:


Doutrina

«RERUM NOVARUM»

A quem quer regenerar uma sociedade qualquer em decadência, se prescreve com razão que a reconduza às suas origens (Também Maquiavel, Discorsi, III, 1, afirma este princípio). Porque a perfeição de toda a sociedade consiste em prosseguir e atingir o fim para o qual foi fundada, de modo que todos os movimentos e todos os actos da vida social nasçam do mesmo princípio de onde nasceu a sociedade. Por isso, afastar-se do fim é caminhar para a morte, e voltar a ele é readquirir a vida. E o que Nós-dizemos de todo o corpo social aplica-se igualmente a essa classe de cidadãos que vivem do seu trabalho e que formam a grandíssima maioria.
Nem se pense que a Igreja se deixa absorver de tal modo pelo cuidado das almas, que põe de parte o que se relaciona com a vida terrestre e mortal. Pelo que em particular diz respeito à classe dos trabalhadores, ela faz todos os esforços para os arrancar à miséria e procurar-lhes uma sorte melhor. E, certamente, não é um fraco apoio que ela dá a esta obra só pelo facto de trabalhar, por palavras e actos, para reconduzir os homens à virtude.
Os costumes cristãos, desde que entram em acção, exercem naturalmente sobre a prosperidade temporal a sua parte de benéfica influência; porque eles atraem o favor de Deus, princípio e fonte de todo o bem; reduzem o desejo excessivo das riquezas e a sede dos prazeres, esses dois flagelos que frequentes vezes lançam a amargura e o desgosto no próprio seio da opulência (1Tm 6,10); contentam-se enfim com uma vida e alimentação frugal, e suprem pela economia a modicidade do rendimento, longe desses vícios que consomem não só as pequenas, mas as grandes fortunas, e dissipam os maiores patrimónios.

As causas do mal

TEMA PARA BREVE REFLEXÃO


As causas do mal não devem procurar-se no exterior do homem, mas, sobretudo, no interior do seu coração. Também o seu remédio parte do coração. Por conseguinte os cristãos, mediante a sinceridade e o seu próprio empenho de conversão, devem rebelar-se contra o achatamento do homem, e proclamar com a sua própria vida a alegria da verdadeira libertação do pecado (...) mediante um arrependimento sincero, de um firme propósito de emenda, e de uma firme confissão das culpas. 

(joão Paulo IIHomília, Roma, 1979.12.23)


22/01/2011

Diálogos apostólicos




Admito, complicaste a tua vida: obrigações, horários...

Mas, diz-me: não tens horas para o emprego, e para almoçar e...
Já vês, toda a tua vida está, como a da maioria das pessoas, espartilhada em horários, a não ser assim, seria uma confusão muito grande.

O que interessa verdadeiramente, não são os horários mas as prioridades.

55

 (ama, 2011.01.22)

Eleições no baralho



OBSERVANDO

Entrei na taberna e mandei vir um copo de tinto.
Reparei que a um canto da mesa estava um baralho de cartas.
Estas, ao que parece, estavam por naipes e em animada conversa.
Apurei o meu ouvido integral, liguei o gravador portátil e fui registando o debate.

O ás de ouros disse:
- Eu e a minha equipa somos a riqueza, a beleza e a segurança do mundo. Sim, porque, sem nós, nada. Nem os altares das catedrais têm dignidade, nem os governos têm caução para emitir e fazer circular moeda, nem os palácios têm nobreza e fidalguia, nem o dinheiro tem valor.
Convençam-se disto: sem nós nada!

O ás de espadas, revoltado, disse:
- Tu e os teus meteis-me nojo; é tudo arrogância e delírio do ter e do parecer. Eu e a minha equipa é que mandamos no mundo e desde o princípio.
Quando vós, os do ouro, ultrapassais os limites da justiça, nós, aí, fazemos a revolução.

"Às armas”, "Às armas”: bradamos; e tudo tem medo!
E não esqueçam que agora o nosso potencial dissuasor é quase ilimitado. Quem nos faz frente?...

Aí entrou o ás de copas com a voz entaramelada e com um sorrisinho trocista:
- Vós não sabeis nada do que é o ser humano ao qual, afinal, todos prestamos vassalagem.
O que ele quer é alegria, mesmo balofa, passageira. E somos nós os "copas" que lha damos.
Uma mesa sem nós não é nada, uma casa sem nós também não.
Faz-se porventura um casamento, uns anos, um banquete de formatura, sem nós.
Somos nós que damos o espírito, a animação e a reinação ao mundo.
Aí tive sede e bebi mais um copo de tinto.

O ás de paus já há muito que queria entrar.
Fez sinal, fez-se silêncio e ele disse:
- Agora sempre me convenci que caminhamos todos para a loucura colectiva. Pois vós não vedes que o pau, a árvore é o que há de mais necessário no mundo?

Será preciso comprová-lo?
Cortem as árvores e digam-nos depois o que fica. Homens sem oxigénio, asfixiados, mortos.
Nós somos o berço, a respiração e o caixão.
Por mais que os custe a ouvir, o certo é que a vida está nas nossas mãos.
É preciso acrescentar mais alguma coisa? Fez-se silêncio total. Terminara o debate. Aí pensei: de certo há hoje eleições no baralho!
Isto é propaganda eleitoral...

Desliguei o ouvido integral e o gravador portátil, paguei o tinto, e, como um rafeiro contente com a sua presa, corri para casa a saborear tão deliciosa e estranha conversa.
Para os devidos efeitos aqui a transcrevo e gostosamente ofereço aos meus prezados leitores e eleitores.

(P. adriano de brito duarte dos santos, Não tenhais medo!, Editorial Missões, Abril de 1994, pg 30-32)

Ut omnes unum sint




Duc in altum





A unidade não vem só de ouvir a mesma mensagem evangélica, que, aliás, nos é transmitida pela Igreja; reveste profundidade mística: é ao próprio corpo de Cristo que nós somos agregados, mediante a fé e o Baptismo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo; é o mesmo Espírito que nos justifica e anima a nossa vida cristã: «Há um só Corpo e um só Espírito, como existe uma só esperança no chamamento que recebestes. Há um único Senhor, uma única Fé um único Baptismo (Ef. 4, 4-5) tal é a fonte única que traz e requer, hoje como na aurora da Igreja, «a unidade na doutrina dos Apóstolos, na comunhão fraterna, na fracção do pão e nas orações (lg 13).

(joão Paulo II, Passai um ano comigo, Verbo, pg. 213)

O polvo da sorte


OBSERVANDO

A superstição e crendice parece não terem limites. 

Algumas manifestações são de tal forma ridículas e absurdas que não se acreditaria que existissem, não fora haver factos concretos, fotografias e notícias de fontes credíveis, que as confirmam.

ESCLARECIMENTO SOBRE A “APOLOGIA DO VOTO INÚTIL”



A recente publicação do texto ”Apologia do voto inútil”, no passado dia 17, obriga-me a prestar o seguinte esclarecimento:

1. Como claramente se afirma neste artigo, bem como no publicado na véspera na “Voz da Verdade”, o voto numa candidatura ideologicamente contrária à doutrina da Igreja - como seriam, por exemplo, o nazismo ou o comunismo - é, para um cristão, ilícita, por uma questão da mais elementar coerência. Mas, a votação numa candidatura que se assuma como representativa de valores compatíveis com o ideário cristão, é moralmente legítima para os católicos.

2. Contudo, a opção dos eleitores não se reduz à escolha de uma candidatura, pois também se pode realizar através de outras formas legítimas de participação cívica. Com efeito, muito embora todos os cidadãos e todos os cristãos estejam chamados a cumprir com o seu dever cívico no próximo dia 23, ninguém está moralmente obrigado a votar num dos candidatos, sobretudo se entender, como é legítimo que entenda, que não estão reunidas as condições para sufragar nenhum dos projectos presidenciais existentes, nomeadamente porque os seus princípios são inaceitáveis, ou a idoneidade moral dos prováveis eleitos não merece a sua confiança política.

3. Contra a lógica do «voto útil», não se deve portanto descartar o voto nulo, branco ou a abstenção. Note-se que não se diz que o recurso a este modo de participação democrática é o único legítimo para um cristão, pois expressamente se afirma que «é moralmente lícita a votação num candidato que, mesmo sendo defectível, é o menos mau dos possíveis ganhadores». Apenas se refere que aquela opção pelo «voto inútil» é a que resta para quem não tem outra, quer por não se rever em nenhuma das candidaturas viáveis, quer por não estar disponível para exercer o voto de conveniência.

4. A argumentação foi desenvolvida apenas e só no plano moral, como se constata pelas expressões usadas para este efeito: «axiomas éticos», «princípios», «discutível moralidade», «verticalidade», «leviandades», «vitória moral», «coerência ética», «moralmente lícita», «idoneidade moral», «princípios e valores permanentes», etc. Pelo contrário, não se nomeia nenhum candidato, nem nenhum partido político, precisamente para que o texto não pudesse ser usado contra ou a favor de nenhuma candidatura, na medida em que esse não era, manifestamente, o propósito que presidiu à sua elaboração.
5. Por último, muito embora todas as afirmações em apreço sejam coerentes com a doutrina da Igreja, que subscrevo na íntegra, e as recomendações dos senhores Bispos, a cuja autoridade gostosamente me submeto, não têm outro valor que não seja o de manifestar, com a liberdade que se supõe existir numa sociedade democrática, a livre opinião do autor, na justa medida em que o consente a sua condição eclesial, enquanto cidadão empenhado na construção de uma sociedade mais justa e solidária.
Gonçalo Portocarrero de Almada