23/01/2011

Evangelho e comentário do dia


Tempo comum - III Semana



EvangelhoMt 4, 12-23

12 Tendo Jesus ouvido dizer que João fora preso, retirou-Se para a Galileia. 13 Depois, deixando Nazaré, foi habitar em Cafarnaum, situada junto do mar, nos confins de Zabulon e Neftali, 14 cumprindo-se o que tinha sido anunciado pelo profeta Isaías, quando disse: 15 “Terra de Zabulon e terra de Neftali, terra que confina com o mar, país além do Jordão, Galileia dos gentios! 16 Este povo, que jazia nas trevas, viu uma grande luz, e uma luz levantou-se para os que jaziam na sombra da morte”. 17 Desde então, começou Jesus a pregar: «Fazei penitência porque está próximo o Reino dos Céus».
23 Jesus percorria toda a Galileia, ensinando nas sinagogas e pregando o Evangelho do reino de Deus, e curando todas as enfermidades entre o povo.
Comentário:


Doutrina

«RERUM NOVARUM»

A quem quer regenerar uma sociedade qualquer em decadência, se prescreve com razão que a reconduza às suas origens (Também Maquiavel, Discorsi, III, 1, afirma este princípio). Porque a perfeição de toda a sociedade consiste em prosseguir e atingir o fim para o qual foi fundada, de modo que todos os movimentos e todos os actos da vida social nasçam do mesmo princípio de onde nasceu a sociedade. Por isso, afastar-se do fim é caminhar para a morte, e voltar a ele é readquirir a vida. E o que Nós-dizemos de todo o corpo social aplica-se igualmente a essa classe de cidadãos que vivem do seu trabalho e que formam a grandíssima maioria.
Nem se pense que a Igreja se deixa absorver de tal modo pelo cuidado das almas, que põe de parte o que se relaciona com a vida terrestre e mortal. Pelo que em particular diz respeito à classe dos trabalhadores, ela faz todos os esforços para os arrancar à miséria e procurar-lhes uma sorte melhor. E, certamente, não é um fraco apoio que ela dá a esta obra só pelo facto de trabalhar, por palavras e actos, para reconduzir os homens à virtude.
Os costumes cristãos, desde que entram em acção, exercem naturalmente sobre a prosperidade temporal a sua parte de benéfica influência; porque eles atraem o favor de Deus, princípio e fonte de todo o bem; reduzem o desejo excessivo das riquezas e a sede dos prazeres, esses dois flagelos que frequentes vezes lançam a amargura e o desgosto no próprio seio da opulência (1Tm 6,10); contentam-se enfim com uma vida e alimentação frugal, e suprem pela economia a modicidade do rendimento, longe desses vícios que consomem não só as pequenas, mas as grandes fortunas, e dissipam os maiores patrimónios.

As causas do mal

TEMA PARA BREVE REFLEXÃO


As causas do mal não devem procurar-se no exterior do homem, mas, sobretudo, no interior do seu coração. Também o seu remédio parte do coração. Por conseguinte os cristãos, mediante a sinceridade e o seu próprio empenho de conversão, devem rebelar-se contra o achatamento do homem, e proclamar com a sua própria vida a alegria da verdadeira libertação do pecado (...) mediante um arrependimento sincero, de um firme propósito de emenda, e de uma firme confissão das culpas. 

(joão Paulo IIHomília, Roma, 1979.12.23)


22/01/2011

Diálogos apostólicos




Admito, complicaste a tua vida: obrigações, horários...

Mas, diz-me: não tens horas para o emprego, e para almoçar e...
Já vês, toda a tua vida está, como a da maioria das pessoas, espartilhada em horários, a não ser assim, seria uma confusão muito grande.

O que interessa verdadeiramente, não são os horários mas as prioridades.

55

 (ama, 2011.01.22)

Eleições no baralho



OBSERVANDO

Entrei na taberna e mandei vir um copo de tinto.
Reparei que a um canto da mesa estava um baralho de cartas.
Estas, ao que parece, estavam por naipes e em animada conversa.
Apurei o meu ouvido integral, liguei o gravador portátil e fui registando o debate.

O ás de ouros disse:
- Eu e a minha equipa somos a riqueza, a beleza e a segurança do mundo. Sim, porque, sem nós, nada. Nem os altares das catedrais têm dignidade, nem os governos têm caução para emitir e fazer circular moeda, nem os palácios têm nobreza e fidalguia, nem o dinheiro tem valor.
Convençam-se disto: sem nós nada!

O ás de espadas, revoltado, disse:
- Tu e os teus meteis-me nojo; é tudo arrogância e delírio do ter e do parecer. Eu e a minha equipa é que mandamos no mundo e desde o princípio.
Quando vós, os do ouro, ultrapassais os limites da justiça, nós, aí, fazemos a revolução.

"Às armas”, "Às armas”: bradamos; e tudo tem medo!
E não esqueçam que agora o nosso potencial dissuasor é quase ilimitado. Quem nos faz frente?...

Aí entrou o ás de copas com a voz entaramelada e com um sorrisinho trocista:
- Vós não sabeis nada do que é o ser humano ao qual, afinal, todos prestamos vassalagem.
O que ele quer é alegria, mesmo balofa, passageira. E somos nós os "copas" que lha damos.
Uma mesa sem nós não é nada, uma casa sem nós também não.
Faz-se porventura um casamento, uns anos, um banquete de formatura, sem nós.
Somos nós que damos o espírito, a animação e a reinação ao mundo.
Aí tive sede e bebi mais um copo de tinto.

O ás de paus já há muito que queria entrar.
Fez sinal, fez-se silêncio e ele disse:
- Agora sempre me convenci que caminhamos todos para a loucura colectiva. Pois vós não vedes que o pau, a árvore é o que há de mais necessário no mundo?

Será preciso comprová-lo?
Cortem as árvores e digam-nos depois o que fica. Homens sem oxigénio, asfixiados, mortos.
Nós somos o berço, a respiração e o caixão.
Por mais que os custe a ouvir, o certo é que a vida está nas nossas mãos.
É preciso acrescentar mais alguma coisa? Fez-se silêncio total. Terminara o debate. Aí pensei: de certo há hoje eleições no baralho!
Isto é propaganda eleitoral...

Desliguei o ouvido integral e o gravador portátil, paguei o tinto, e, como um rafeiro contente com a sua presa, corri para casa a saborear tão deliciosa e estranha conversa.
Para os devidos efeitos aqui a transcrevo e gostosamente ofereço aos meus prezados leitores e eleitores.

(P. adriano de brito duarte dos santos, Não tenhais medo!, Editorial Missões, Abril de 1994, pg 30-32)

Ut omnes unum sint




Duc in altum





A unidade não vem só de ouvir a mesma mensagem evangélica, que, aliás, nos é transmitida pela Igreja; reveste profundidade mística: é ao próprio corpo de Cristo que nós somos agregados, mediante a fé e o Baptismo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo; é o mesmo Espírito que nos justifica e anima a nossa vida cristã: «Há um só Corpo e um só Espírito, como existe uma só esperança no chamamento que recebestes. Há um único Senhor, uma única Fé um único Baptismo (Ef. 4, 4-5) tal é a fonte única que traz e requer, hoje como na aurora da Igreja, «a unidade na doutrina dos Apóstolos, na comunhão fraterna, na fracção do pão e nas orações (lg 13).

(joão Paulo II, Passai um ano comigo, Verbo, pg. 213)

O polvo da sorte


OBSERVANDO

A superstição e crendice parece não terem limites. 

Algumas manifestações são de tal forma ridículas e absurdas que não se acreditaria que existissem, não fora haver factos concretos, fotografias e notícias de fontes credíveis, que as confirmam.

ESCLARECIMENTO SOBRE A “APOLOGIA DO VOTO INÚTIL”



A recente publicação do texto ”Apologia do voto inútil”, no passado dia 17, obriga-me a prestar o seguinte esclarecimento:

1. Como claramente se afirma neste artigo, bem como no publicado na véspera na “Voz da Verdade”, o voto numa candidatura ideologicamente contrária à doutrina da Igreja - como seriam, por exemplo, o nazismo ou o comunismo - é, para um cristão, ilícita, por uma questão da mais elementar coerência. Mas, a votação numa candidatura que se assuma como representativa de valores compatíveis com o ideário cristão, é moralmente legítima para os católicos.

2. Contudo, a opção dos eleitores não se reduz à escolha de uma candidatura, pois também se pode realizar através de outras formas legítimas de participação cívica. Com efeito, muito embora todos os cidadãos e todos os cristãos estejam chamados a cumprir com o seu dever cívico no próximo dia 23, ninguém está moralmente obrigado a votar num dos candidatos, sobretudo se entender, como é legítimo que entenda, que não estão reunidas as condições para sufragar nenhum dos projectos presidenciais existentes, nomeadamente porque os seus princípios são inaceitáveis, ou a idoneidade moral dos prováveis eleitos não merece a sua confiança política.

3. Contra a lógica do «voto útil», não se deve portanto descartar o voto nulo, branco ou a abstenção. Note-se que não se diz que o recurso a este modo de participação democrática é o único legítimo para um cristão, pois expressamente se afirma que «é moralmente lícita a votação num candidato que, mesmo sendo defectível, é o menos mau dos possíveis ganhadores». Apenas se refere que aquela opção pelo «voto inútil» é a que resta para quem não tem outra, quer por não se rever em nenhuma das candidaturas viáveis, quer por não estar disponível para exercer o voto de conveniência.

4. A argumentação foi desenvolvida apenas e só no plano moral, como se constata pelas expressões usadas para este efeito: «axiomas éticos», «princípios», «discutível moralidade», «verticalidade», «leviandades», «vitória moral», «coerência ética», «moralmente lícita», «idoneidade moral», «princípios e valores permanentes», etc. Pelo contrário, não se nomeia nenhum candidato, nem nenhum partido político, precisamente para que o texto não pudesse ser usado contra ou a favor de nenhuma candidatura, na medida em que esse não era, manifestamente, o propósito que presidiu à sua elaboração.
5. Por último, muito embora todas as afirmações em apreço sejam coerentes com a doutrina da Igreja, que subscrevo na íntegra, e as recomendações dos senhores Bispos, a cuja autoridade gostosamente me submeto, não têm outro valor que não seja o de manifestar, com a liberdade que se supõe existir numa sociedade democrática, a livre opinião do autor, na justa medida em que o consente a sua condição eclesial, enquanto cidadão empenhado na construção de uma sociedade mais justa e solidária.
Gonçalo Portocarrero de Almada

Alegria e Dor

Duc in altum






Um testemunho impressionante! Uma lição de uma grande alma!




Evangelho e comentário do dia


Tempo comum - II Semana

Evangelho: Mc 3, 20-21

20 Depois, foi para casa e de novo acorreu tanta gente, que nem sequer podiam tomar alimento. 21 Quando os Seus parentes ouviram isto, foram para tomar conta d'Ele; porque diziam: «Está louco».
Comentário:


Doutrina

 «RERUM NOVARUM»

Exemplo e magistério da Igreja

15. Entretanto, a Igreja não se contenta com indicar o caminho que leva à salvação; ela conduz a esta e com a sua própria mão aplica ao mal o conveniente remédio. Ela dedica-se toda a instruir e a educar os homens segundo os seus princípios e a sua doutrina, cujas águas vivificantes ela tem o cuidado de espalhar, tão longe e tão largamente quanto lhe é possível, pelo ministério dos Bispos e do Clero. Depois, esforça-se por penetrar nas almas e por obter das vontades que se deixem conduzir e governar pela regra dos preceitos divinos. Este ponto é capital e de grandíssima importância, porque encerra como que o resumo de todos os interesses que estão em litígio, e aqui a acção da Igreja é soberana. Os instrumentos de que ela dispõe para tocar as almas, recebeu-os, para este fim, de Jesus Cristo, e trazem em si a eficácia duma virtude divina. São os únicos aptos para penetrar até às profundezas do coração humano, que são capazes de levar o homem a obedecer às imposições do dever, a dominar as suas paixões, a amar a Deus e ao seu próximo com uma caridade sem limites, a ultrapassar corajosamente todos os obstáculos que dificultam o seu caminho na estrada da virtude.

Neste ponto, basta passar ligeiramente em revista pelo pensamento os exemplos da antiguidade. As coisas e factos que vamos lembrar estão isentos de controvérsia. Assim, não é duvidoso que a sociedade civil foi essencialmente renovada pelas instituições cristãs, que esta renovação teve por efeito elevar o nível do género humano, ou, para melhor dizer, chamá-lo da morte à vida, e guindá-lo a um alto grau de perfeição, como se não viu semelhante nem antes nem depois, e não se verá jamais em todo o decurso dos séculos. Que, enfim, destes benefícios foi Jesus Cristo o princípio e deve ser o seu fim: porque, assim como tudo partiu d'Ele, assim também tudo Lhe deve ser referido. Quando, pois, o Evangelho raiou no mundo, quando os povos tiveram conhecimento do grande mistério da encarnação do Verbo e da redenção dos homens, a vida de Jesus Cristo, Deus e homem, invadiu as sociedades e impregnou-as inteiramente com a Sua fé, com as Suas máximas e com as Suas leis. E por isso que, se a sociedade humana deve ser curada, não o será senão pelo regresso à vida e às instituições do cristianismo.

21/01/2011

Diálogos apostólicos




Endireita-te, apruma-te, não esmoreças na luta homem, o que lá vai lá vai.

Falhanços qualquer um tem mas vitórias são apenas os lutadores que não esmorecem que as conquistam.

54

 (ama, 2011.01.21)

Os jogos/vídeo causam depressão nos adolescentes?



OBSERVANDO


FÉ E ESPÍRITO MISSIONÁRIO: ESSÊNCIA DA SANTIDADE DE JOÃO PAULO II


MAIS ALTO


Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos comenta a beatificação

Disso está convencido o cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, que, em entrevista ao L'Osservatore Romano, comentou a beatificação do Pontífice polaco, marcada para o dia 1º de Maio.

Segundo o cardeal, a primeira atitude de João Paulo II é "uma fé forte na presença de Deus na história, porque a encarnação é séria, eficaz, vence o mal: a graça da presença eucarística do Senhor supera todas as barreiras e os regimes desumanos" disse ele, lembrando que o saudoso Pontífice "viveu os regimes nazista e comunista, e viu a implosão e a destruição de ambos".

"A segunda atitude é o seu grande espírito missionário. As viagens do Papa eram uma verdadeira actividade missionária, propriamente dita. Ele viajou até aos confins da terra para proclamar o Evangelho de Cristo."

Sobre a análise do milagre - a cura da freira francesa Marie Simon Pierre Normand, que sofria do Mal de Parkinson -, o cardeal Amato disse que o fato "foi estudado com muito cuidado, inclusive com meticulosidade, eu diria, porque houve uma grande pressão da média sobre este processo".

"Além disso, nestes dois últimos séculos, tivemos uma série de Bispos de Roma nos quais a santidade foi reconhecida em vários graus: Pio X, Pio XII, João XXIII, Paulo VI, João Paulo I", afirmou.

Interpelado sobre alguma lembrança pessoal de João Paulo II, o cardeal Amato disse que tinha "um grande sentido de amizade, de respeito".

"Ele me escolheu como secretário da Congregação para a Doutrina da Fé. Ordenou-me bispo em 6 Janeiro de 2003: nós éramos 12, os últimos a receber a ordenação episcopal do Papa Wojtyla. Tínhamos uma reunião mensal, como secretário da Doutrina da Fé, solicitada pelo então cardeal Ratzinger, que foi meu superior directo. E João Paulo II escutava muito, sempre escutava."

"O que mais me chamava a atenção era essa capacidade de escutar. Nós falávamos, ele ouvia. E só depois, quando estávamos no almoço, é que ele fazia seus comentários -concluiu o cardeal. Era evidente a sua vontade de compreender."

Fonte: zenit.org 2011.01.20

Pensamentos inspirados

À procura de Deus






No amor entre nós, homens e mulheres, modificamo-nos muitas vezes para agradarmos a quem amamos.

E com Deus, fazemos de igual modo?

jma, 2011 

Vultos da Igreja que eu conheci



OBSERVANDO

João da Silva Campos Neves (1978 -1971)

D. João da Silva Campos Neves, nasceu no lugar e freguesia dos Cepos, concelho de Arganil, em 1889.07.31 e faleceu em 1980.03.02.

  • Ordenado Sacerdote em 1911.12.23
  • Sagrado Bispo Titular Auxiliar de Lisboa com o Título de Bispo de Vatarba e em 1931.05.27
  • Nomeado Bispo de Lamego em 1948.10.29

Frequentava a casa de meus Pais, em Monte Real, onde passava umas duas semanas todos os anos.


Em 1938 benzeu a nova Capela das Termas de Monte Real.

Nesta capela, em 1949, administrou o Sagrado Crisma à minha irmã Belinha e a mim.
Lembro-me que antes me disse mais ou menos: 

“Vou dar-te um estalo mas é a fingir”.

Recordo um episódio deveras singular passado em casa dos meus Pais onde estava, como de costume, hospedado. 

Um dia levantando-se de madrugada e não encontrando a chave da porta tentou saltar por uma janela que dava para o alpendre. Só que as vestes episcopais se emaranharam nas pernas tendo caído com estrondo em cima de um móvel. 


O meu Pai acordou e foi encontrar o Senhor D. João, estatelado, rindo a bom rir da aventura.

Era a pessoa mais simpática e afável que imaginar se possa, aliás, o seu rosto irradiava essa simpatia e afabilidade.



O Demónio e a sua acção


Tema para breve reflexão




Sabeis qual é a primeira tentação que o demónio apresenta a uma pessoa que começou a servir melhor a Deus?


É o respeito humano. 

(S. João Maria Vianey, Sermões escolhidos)


Evangelho e comentário do dia


Tempo comum - II Semana



Evangelho: Mc 3, 13-19

13 Tendo subido a um monte, chamou a Si os que quis, e aproximaram-se d'Ele. 14 Escolheu doze para que andassem com Ele e para os enviar a pregar, 15 com poder de expulsar os demónios: 16 Simão, a quem pôs o nome de Pedro; 17 Tiago, filho de Zebedeu, e João, irmão de Tiago, aos quais pôs o nome de Boanerges, que quer dizer “filhos do trovão”; 18 e André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Tadeu, Simão, o Cananeu, 19 e Judas Iscariotes, que foi quem O entregou

Comentário:

Este «poder de expulsar os demónios» é a prova, dada pelo próprio Jesus Cristo, de que o Demónio existe e pode dominar as pessoas através do seu poder como espírito superior, portanto, à criatura humana. Muitos põem em causa esta realidade como se fosse uma fantasia ou uma forma mais ou menos imaginária de se referir o mal, o pecado. Fazem mal em considerar desta forma esta matéria. 


A Igreja não se cansa de avisar que a existência do Demónio é real e concreta e que a sua “missão” é corromper o homem através da mentira e da apresentação mirífica de prazeres e bens duradouros. Sendo o próprio Mal, o Demónio age sempre para contrariar a Vontade de Deus e impedir que os homens a cumpram. 


(ama, comentário sobre Mc 3, 13-19, 2010.12.24)


Doutrina

«RERUM NOVARUM»

Comunhão de bens de natureza e de graça

14. Mas é ainda demasiado pouco a simples amizade: se se obedecer aos preceitos do cristianismo, será no amor fraterno que a união se operará. Duma parte e doutra se saberá e compreenderá que os homens são todos absolutamente nascidos de Deus, seu Pai comum; que Deus é o seu único e comum fim, que só Ele é capaz de comunicar aos anjos e aos homens uma felicidade perfeita e absoluta; que todos eles foram igualmente resgatados por Jesus Cristo e restabelecidos por Ele na sua dignidade de filhos de Deus, e que assim um verdadeiro laço de fraternidade os une, - quer entre si, quer a Cristo, seu Senhor, que é «o primogénito de muitos irmãos» (Rm 8,29). Eles saberão, enfim, que todos os bens da natureza, todos os tesouros da graça, pertencem em comum e indistintamente a todo o género humano e que só os indignos é que são deserdados dos bens celestes: «Se vós sois filhos, sois também herdeiros, herdeiros de Deus, co-herdeiros de Jesus Cristo» (Rm VIII, 17) .
Tal é a economia dos direitos e dos deveres que ensina a filosofia cristã. Não se veria em breve prazo estabelecer-se a pacificação, se estes ensinamentos pudessem vir a prevalecer nas sociedades?