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24/05/2012

Tratado dos anjos 50

Questão 61: Da produção natural do ser angélico 3

Art. 3 — Se os anjos foram criados antes do mundo corpóreo.

(II Sent., dist. II, q. 1, a. 3; De Pot., q. 3, a. 18; Opusc. XV, De Angelis, cap. XVII, Opusc. XXIII, in Decretal. I)

O terceiro discute-se assim. — Parece que os anjos foram criados antes do mundo corpóreo.

1. — Pois, diz Jerónimo: Ainda se não completaram seis mil dos nossos anos, e quantos tempos, quantas sucessões de séculos devem se computar, durante os quais os Anjos, os Tronos, as Dominações e as outras ordens serviram a Deus! 1 Damasceno também diz: Alguns afirmam que, antes de toda a criação, foram gerados os anjos, como diz o Teólogo Gregório; pois, primeiro, Deus pensou as virtudes angélicas e celestes e o seu pensamento foi criação 2.

2. Demais. — A natureza angélica é média entre a divina e a corpórea. Ora, aquela é eterna; esta, temporal. Logo, a natureza angélica foi feita antes da criação do tempo e depois da eternidade.

3. Demais. — Mais dista a natureza angélica da corpórea do que uma natureza corpórea da outra. Ora, destas, uma foi feita antes de outra, sendo por isso descritos, no princípio do Genesis, os seis dias da criação das coisas. Logo, com maior razão, a natureza angélica foi feita antes de qualquer natureza corpórea.

Mas, em contrário, diz a Escritura (Gn 1, 1): No princípio criou Deus o céu e a terra. Ora, isto não seria verdade se Deus tivesse criado antes algum ser. Logo, os anjos não foram criados antes da natureza corpórea.

Sobre este assunto é dupla a opinião dos santos Doutores, sendo a mais provável a que ensina terem os anjos sido criados simultaneamente com a natureza corpórea. Pois eles fazem parte do universo, não constituindo um, por si, mas concorrendo, com a criatura corpórea, para a constituição do mesmo universo. O que bem se verá considerando a ordem de uma criatura em relação a outra. Pois, a ordem das coisas entre si é o bem do universo. Ora, nenhuma parte é perfeita, separada do todo. Logo, não é provável que Deus, cujas obras são perfeitas, como diz a Escritura (Dt 32, 4), tivesse criado a criatura angélica separadamente, antes das outras criaturas. — Todavia, não se deve reputar por errônea a opinião contrária, sobretudo por causa da opinião de Gregório Nazianzeno, cuja autoridade é tão grande, na doutrina cristã, que ninguém ousaria acusar-lhe de erro os ensinamentos, bem como os ensinamentos de Atanásio, segundo diz Jerónimo 3.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. — Jerónimo se exprime segundo o pensamento dos Doutores gregos, todos concordes em sentir que os anjos foram criados antes do mundo corpóreo.

RESPOSTA À SEGUNDA. — Deus não faz parte do universo, mas está totalmente acima deste, cuja total perfeição pre-encerra em si, de modo mais eminente. O anjo, porém, faz parte do universo. Logo, a razão não é a mesma.

RESPOSTA À TERCEIRA. — Todas as criaturas corpóreas se unificam pela matéria; mas aos anjos não convém, por esta, com tais criaturas. Por onde, criada a matéria das criaturas corpóreas, todas elas foram, de certo modo, criadas; mas, criados os anjos, nem por isso criado estaria o universo.

Se porém se aceitar a opinião em contrário, deve-se expor a passagem (Gn 1, 1) — No princípio criou Deus o céu e a terra — assim: no princípio, ou seja, no Filho ou no princípio do tempo; não no princípio, isto é, antes de qualquer ser existir, salvo se se disser, antes de qualquer ser, no género das criaturas corporais.
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Notas:
1. Super epistolam ad Titum (cap. I).
2. II Orthod. Fidei, cap. III.
3. Vide Rufin, in Or. S. Greg.

25/04/2012

Tratado dos anjos 51

Art. 4 — Se os anjos foram criados no céu empíreo.

O quarto discute-se assim. — Parece que os anjos não foram criados no céu empíreo.

1. — Pois, são substâncias incorpóreas. Ora, a substância incorpórea não depende do corpo pelo seu ser e, por consequência, nem pelo vir-a-ser. Logo, os anjos não foram criados num lugar corpóreo.

2. Demais. — Agostinho diz que os anjos foram criados na parte superior do ar 1. Logo, não no céu empíreo.

3. Demais. — O céu empíreo é chamado o céu supremo. Se, logo, os anjos tivessem sido nele criados, não lhes caberia subir a um céu superior, o que vai contra o que a Escritura diz da pessoa do anjo pecador (Is 14, 13): Subirei ao céu.

Mas, em contrário, diz Estrabão, a propósito do passo — No princípio criou Deus o céu e a terra: Chama aqui, céu, não ao firmamento visível, mas ao empíreo, ou seja, ígneo ou intelectual, assim dito não pelo ardor, mas pelo esplendor e o qual, imediatamente depois de feito, se encheu de anjos.

Como já ficou dito 2, das criaturas corpóreas e espirituais se constitui o universo unido. Assim, foram criados seres espirituais, de certo modo ordenados aos seres corpóreos e que a todos estes presidem. Por onde, foi conveniente que os anjos, devendo presidir a toda natureza corpórea, fossem criados no corpo supremo, quer se dê a este a denominação de empíreo ou qualquer outra. Por isso, Isidoro diz que céu supremo é o dos anjos, comentando a passagem da Escritura (Dt 10, 14): O céu é do Senhor teu Deus, e o céu dos céus.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. — Os anjos não foram criados em lugar corpóreo, como se dependentes do corpo, pelo ser ou pelo vir a ser deles; pois, Deus poderia ter criado os anjos antes de toda criatura corpórea, e muitos santos Doutores assim o pensam. Mas foram feitos em lugar corpóreo para mostrar a relação que tem com a natureza corpórea e que, pela sua virtude, tem contato com corpos.

RESPOSTA À SEGUNDA. — Talvez Agostinho, pela suprema parte do ar entenda a suprema parte do céu, com a qual o ar tem certa conveniência por causa da sua sutileza e diafaneidade. — Ou se refere, não a todos os anjos, mas aos que pecaram e que, segundo alguns, eram das ordens inferiores. Pois, nada impede dizer-se que os anjos superiores, tendo sobre todos os corpos virtude elevada e universal, foram criados no lugar supremo da criatura corpórea; os outros, porém, tendo virtudes mais particulares, foram criados nos corpos inferiores.

RESPOSTA À TERCEIRA. — O passo citado se refere não a algum céu corpóreo, mas ao da santa Trindade, ao qual o anjo pecador quis subir quando quis, de certo modo, equiparar-se a Deus, como a seguir se verá3.
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Notas:
1. III Super Gen. ad litt. (cap. X).
2. Q. 61, a. 3.

14/03/2012

Tratado Dos Anjos 6


Questão 50:

Da substância dos anjos em absoluto



Art. 5 – Se os anjos são incorruptíveis.




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13/03/2012

Tratado Dos Anjos 5

Questão 50:

Da substância dos anjos em absoluto




Art. 4 — Se os anjos diferem pela espécie.

(II Sent., dist. III, q. 1, a. 4; dist. XXXII, q. 2, a. 3; IV, dist. XII, q. 1, a. 1, qª 3; II Cont. Gent., cap. XCII; De Spirit. Creat., a. 8; Qu. De Anima. a. 3; De Ent. et Ess., cap. V).

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12/03/2012

Tratado Dos Anjos 4


Questão 50:

Da substância dos anjos em absoluto

Art. 3 — Se é grande o número dos anjos existentes.

(Infra, q. 112, a. 4, ad 2; II Sent., dist, III, q. 1, a. 3; II Cont. Gent., cap. XCII; De Pot., q. 6, a. 6; Opusc. XV, De Angelis, cap. II)


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11/03/2012

Tratado Dos Anjos 3



Questão 50:


Da substância dos anjos em absoluto


Art. 2 — Se o anjo é composto de matéria e forma.

(I Sent., dist. VIII, a. 5, a. 2; II, dist. III, q. 1, a. 1; II Cont. Gent., cap L, LI; De Spirit. Creat., a. 1; Quodl. III, q. 8, IX, q. 4, a. 1; Compend. Theol., cap. LXXIV; Opusc. XV, De Angelis, cap. V seqq.; cap. XVIII; De Ent. et Ess., cap. V).

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10/03/2012

Tratado Dos Anjos 2



Questão 50: 
Da substância dos anjos em absoluto


Art. 1 — Se o anjo é absolutamente incorpóreo.

(II Cont. Gent.., cap. XLVI, XLXIX; Opusc. XV, De Angelis, cap. XVIII).





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09/03/2012

Tratado Dos Anjos 1

Questão 50: Da substância dos anjos em absoluto.
Questão 51: Da relação dos anjos com os corpos.
Questão 52: Da relação dos anjos com os lugares.
Questão 53: Do movimento local dos anjos.
Questão 54: Do conhecimento angélico.
Questão 55: Dos meios do conhecimento angélico.
Questão 56: Do conhecimento angélico dos seres imateriais.
Questão 57: Do conhecimento angélico em relação às coisas materiais.
Questão 58: Do modo do conhecimento angélico.
Questão 59: Da vontade dos anjos.
Questão 60: Do amor ou da dilecção dos anjos.
Questão 61: Da produção natural do ser angélico.
Questão 62: Da perfeição dos anjos na existência da graça e da glória.
Questão 63: Da malícia dos anjos quanto à culpa.
Questão 64: Da pena dos demónios.
Questão 50: Da substância dos anjos em absoluto.

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