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01/11/2022

Publicações em Novembro 1

 


 

(Nota: Seguindo a recomendação de São Josemaria Escrivá procurarei viver o Evangelho como um personagem mais. Para tal seguirei fielmente os textos pronto a fazer as considerações que me ocorrerem.)

 

Dentro do Evangelho - 1-1

 

Estou absolutamente convicto que São Lucas antes de escritor é um investigador atento e empenhado.

Não seria possível escrever quanto escreve sem ter tido longas conversas com a Santíssima Virgem anotando com rigor quanto esta lhe dizia sobre os primeiros tempos da história da salvação da humanidade.

Só por si este facto confirma toda a credibilidade do que nos conta como tendo de facto acontecido assim tal qual.

Não se trata só de um relato fidedigno mas de toda uma maravilhosa exposição de quadros tão  vivos e reais que nos sentimos transportados a essas realidades.

Eu imagino-me sentado num escabelo na presença dos dois; a “Entrevistada”, a Santíssima Virgem, não se faz rogada nas descrições e nos detalhes, sabe muito bem que ao longo dos tempos os seus filhos terão necessidade de os conhecer para confirmarem a sua fé e acreditarem verdadeiramente no seu Divino Filho.

Eu, curioso como sou, sugeri a Lucas que perguntasse à Santíssima Virgem se na visita a Santa Isabel tinha sido acompanhada pelo seu Esposo José; francamente não considerava que uma jovem, ainda para mais grávida, se aventurasse sozinha pelas inóspitas montanhas de Judá. Mas a minha sugestão não foi aceite e, eu percebi que não deveria ter interesse ou porque talvez, seria como que “abrir uma porta” à inquirição de uma testemunha, algo inadmissível sendo a “declarante” quem era e, realmente, Zacarias como que põe um “sêlo de garantia” com o maravilhoso Hino que entoa.

 

Reflectindo

 

No Mês de Novembro como que nos "assalta" o pensamento da Morte.

A muitos poderá ser como um pesadelo esmagador.

Para mim considero-a algo Libertador!

Porquê?

Em primeiríssimo lugar porque é a única certeza que tenho: a Morte é inevitável.

Em segundo lugar porque se é consentida por Deus Nosso Criador e Senhor só poderá ser algo muito bom.

Daí que aguardo tranquilamente a Morte como e quando Ele quiser.

Só terei de preocupar-me em estar preparado para esse momento.

Entrego-me, acaricio o Escapulário e peço: Mãe, ajuda-me a estar pronto!

 

Perante a realidade da morte de um familiar muito querido, sou, sem querer, levado a considerar: estará no Céu... não estará?

Mas, pensando melhor, concluo que faço mal.

Eu não tenho porque saber tal mas antes rezar para que esteja.

 

Links sugeridos:

 

Opus Dei

Evangelho/Biblia

Santa Sé

Religión en Libertad

 

04/11/2020

Novíssimos

 


Morte

Contemplar o mistério

 

Tudo tem remédio, menos a morte... E a morte remedeia tudo. [1]

 

Diante da morte, sereno! Quero-te assim. Não com o estoicismo frio do pagão, mas com o fervor do filho de Deus, que sabe que a vida muda, mas não acaba. - Morrer?... - Viver! [2]

 

Não faças da morte uma tragédia, porque o não é! Só filhos sem coração não se entusiasmam com o encontro com os pais! [3]

 

O verdadeiro cristão está sempre preparado para comparecer diante de Deus. Porque, se luta por viver como homem de Cristo, está sempre disposto a cumprir o seu dever. [4]

 

"Achei graça ao ouvi-lo falar na 'conta' que lhe pedirá Nosso Senhor. Não, para vós não será Juiz - no sentido austero da palavra - mas simplesmente Jesus". - Esta frase, escrita por um Bispo santo, que consolou mais de um coração atribulado, bem pode consolar o teu. [5]

 



[1] São Josemaria, 878

[2] São Josemaria, 876

[3] São Josemaria, Sulco, 885

[4] São Josemaria, Sulco, 875

[5] São Josemaria, Caminho, 168

03/11/2020

Novíssimos

 


Morte

 

Vamos todos caminhando pela vida e, segundo passam os anos, são cada vez mais numerosos os entes queridos que nos aguardam "do outro lado" da barreira da morte.

Esta converte-se em algo menos temeroso, inclusive em algo alegre, quando vamos sendo capazes de advertir que é a porta da nossa verdadeira "casa" no qual nos aguardam já os "que nos precederam no sinal da fé".

A nossa "casa" comum não é a tumba fria; mas o seio de Deus.  

(C. López-Pardo, Sobre la vida y la muerte, Rialp, Madrid, 1973, nr. 358, trad AMA)

02/11/2020

Novíssimos

 


O que são os Novíssimos?

O céu, a morte, o purgatório...

O CÉU

 

1. O que há depois da morte? Deus julga cada pessoa pela sua vida?

 

O Catecismo da Igreja Católica ensina que «a morte põe termo à vida do homem, enquanto tempo aberto à aceitação ou à rejeição da graça divina, manifestada em Jesus Cristo» «Ao morrer, cada homem recebe na sua alma imortal a retribuição eterna, num juízo particular que põe a sua vida em referência a Cristo, quer através de uma purificação, quer para entrar imediatamente na felicidade do céu, quer para se condenar imediatamente para sempre».

 

Neste sentido São João da Cruz fala do juízo particular de cada um dizendo que «ao entardecer desta vida, examinar-te-ão no amor».

30/07/2019

Temas para reflectir e meditar

Morte


Pensemos bem nisto: enquanto vivemos esta vida terrena, vivemos para morrer ou para viver? 

Se vivemos em Cristo, vivemos para viver, porque em Cristo não há morte, nem Ele nos deixa morrer.


(JMA, comentários sobre os Novíssimos - Morte, 2010.10.26) 

06/11/2018

Meditación de Pablo VI sobre la muerte

 Un alma para el mundo 

por Juan García Inza


            Estamos en el mes de los difuntos. En estos días pasados muchas personas han visitado las sepulturas de sus seres queridos en el Campo Santo. Por otro lado observamos que otros se toman la muerte a chirigota. Se divierten con algo tan serio hasta el punto de hacer el ridículo. Seguramente cuando ellos estén muertos no les hará ninguna gracia esta estupidez. Tratan de disfrazar la muerte para no pensar en ella. Pero la muerte sigue su curso, y hay que rebautizarla constantemente para vivirla en presencia de Dios. En la muerte de Jesucristo no había máscaras.

            El Papa Pablo VI, recientemente canonizado, divisaba desde la fe su muerte no muy lejana. Y nos dejó esta meditación que recomiendo para hacer una sosegada reflexión estos días.


Se impone esta consideración obvia sobre la caducidad de la vida temporal y sobre el acercamiento inevitable y cada vez más próximo de su fin. No es sabia la ceguera ante este destino indefectible. Ante la desastrosa ruina que comporta, ante la misteriosa metamorfosis que está para realizarse en mi ser, ante lo que se avecina.

Veo que la consideración predominante se hace sumamente personal: yo, ¿quién soy?. ¿Qué queda de mí?, ¿adónde voy?, y por eso sumamente moral: ¿qué debo hacer?, ¿cuáles son mis responsabilidades?: y veo también que respecto a la vida presente es vano tener esperanzas; respecto a ella se tienen deberes y expectativas funcionales y momentáneas; las esperanzas son para el más allá.

Y veo que esta consideración suprema no puede desarrollarse en un monólogo subjetivo, en el acostumbrado drama humano que, al aumentar la luz, hace crecer la oscuridad del destino humano; debe desarrollarse en diálogo con la Realidad divina, de donde vengo y adonde ciertamente voy: conforme a la lámpara que Cristo nos pone en la mano para el gran paso. Creo, Señor.

Llega la hora. Desde hace algún tiempo tengo el presentimiento de ello. Más aún que el agotamiento físico, pronto a ceder en cualquier momento, el drama de mis responsabilidades parece sugerir como solución providencial mi éxodo de este mundo, a fin de que la Providencia pueda manifestarse y llevar a la Iglesia a mejores destinos. Sí, la Providencia tiene muchos modos de intervenir en el juego formidable de las circunstancias. que cercan mi pequeñez; pero el de mi llamada a la otra vida parece obvio, para que me sustituya otro más fuerte y no vinculado a las presentes dificultades. «Servus inutilis sum: Soy un siervo inútil». «Ambulate dum lucem habetis: Caminad mientras tenéis luz» (Jn 12. 55).

Ciertamente, me gustaría, al acabar, encontrarme en la luz. De ordinario el fin de la vida temporal, si no está oscurecido por la enfermedad, tiene una peculiar claridad oscura: la de los recuerdos tan bellos, tan atrayentes, tan nostálgicos y tan claros ahora ya para denunciar su pasado irrecuperable y para burlarse de su llamada desesperada. Allí está la luz que descubre la desilusión de una vida fundada sobre bienes efímeros y sobre esperanzas falaces. Allí está la luz de los oscuros y ahora ya ineficaces remordimientos. Allí está la luz de la sabiduría que por fin vislumbra la vanidad de las cosas y el valor de las virtudes que debían caracterizar el curso de la vida: «vanitas vanitatum: vanidad de vanidades». En cuanto a mí, querría tener finalmente una noción compendiosa y sabia del mundo y de la vida: pienso que esta noción debería expresarse en reconocimiento: todo era don, todo era gracia: y qué hermoso era el panorama a través del cual ha pasado; demasiado bello, tanto que nos hemos dejado atraer y encantar. mientras debía aparecer como signo e invitación. Pero, de todos modos, parece que la despedida deba expresarse en un acto grande y sencillo de reconocimiento, más aún de gratitud: esta vida mortal es, a pesar de sus vicisitudes y sus oscuros misterios, sus sufrimientos, su fatal caducidad, un hecho bellísimo, un prodigio siempre original y conmovedor, un acontecimiento digno de ser cantado con gozo y con gloria: ¡la vida, la vida del hombre! Ni menos digno de exaltación y de estupor feliz es el cuadro que circunda la vida del hombre: este mundo inmenso, misterioso, magnífico, este universo de tantas fuerzas, de tantas leyes, de tantas bellezas, de tantas profundidades. Es un panorama encantador. Parece prodigalidad sin medida. Asalta, en esta mirada como retrospectiva, el dolor de no haber admirado bastante este cuadro, de no haber observado cuanto merecían las maravillas de la naturaleza, las riquezas sorprendentes del macrocosmos y del microcosmos.

¿Por qué no he estudiado bastante, explorado, admirado la morada en la que se desarrolla la vida? ¡Qué distracción imperdonable, qué superficialidad reprobable! Sin embargo, al menos in extremis, se debe reconocer que ese mundo «qui per Ipsum factus est: que fue hecho por medio de Él», es estupendo. Te saludo y te celebro en el último instante, sí, con inmensa admiración; y, como decía, con gratitud: todo es don: detrás de la vida. Detrás de la naturaleza, del universo, está la Sabiduría; y después, lo diré en esta despedida luminosa (Tú nos lo has revelado, Cristo Señor) ¡está el Amor! ¡La escena del mundo es un diseño. Todavía hoy incomprensible en su mayor parte, de un Dios Creador, que se llama nuestro Padre que está en los cielos! ¡Gracias, oh Dios, gracias y gloria a ti, oh Padre! En esta última mirada me doy cuenta de que esta escena fascinante y misteriosa es un reverbero: es un reflejo de la primera y única Luz; es una revelación natural de extraordinaria riqueza y belleza. que debía ser una iniciación, un preludio, un anticipo, una invitación a la visión del Sol invisible, «quem nemo vidit unquam: a quien nadie vio jamás» (cf. Jn 1, 18): «Unigenitus Filius, qui est in sinu Patris, Ipse enarravit: el Hijo unigénito que está en el seno del Padre, ése le ha dado a conocer». Así sea, así sea.

Pero ahora, en este ocaso revelador, otro pensamiento, más allá de la última luz vespertina, presagio de la aurora eterna, ocupa mi espíritu: y es el ansia de aprovechar la hora undécima, la prisa de hacer algo importante antes de que sea demasiado tarde. ¿Cómo reparar las acciones mal hechas, cómo recuperar el tiempo perdido, cómo aferrar en esta última posibilidad de opción «el unum necesarium: la única cosa necesaria»?



REL

23/03/2018

Temas para meditar e reflectir

Morte



Oh Morte que dá a vida aos mortos! 

Que coisa mais pura que este Sangue? 

Que ferida mais saudável que esta?



(SANTO AGOSTINHO, Tratado sobre o Evangelho de S. João, 120, 2)





02/04/2016

O que as pessoas sentem ao morrer

Resultado de imagem para morteAs unidades de cuidados paliativos e UTI dos hospitais têm uma íntima relação com a morte, proporcionando numerosas experiências que fogem de qualquer explicação racional: pacientes que intuem o momento exacto em que vão morrer, outros que parecem decidir por si mesmos o dia e a hora, adiantando ou atrasando a sua morte, sonhos premonitórios de familiares ou pressentimentos de terceiras pessoas que, sem sequer saber que alguém está internado ou sofreu um acidente, têm a certeza interior de que faleceram.

Somente os profissionais de saúde que trabalham perto dos pacientes terminais conhecem em primeira pessoa o alcance e variedade destas estranhas experiências. A ciência ainda não foi capaz de oferecer uma resposta a estes fenómenos, razão pela qual costumam ser descritos como paranormais ou sobrenaturais – uma etiqueta “vaga demais para a magnitude destas experiências”, segundo explica a enfermeira britânica penny sartori, que dedicou 20 anos da sua vida a trabalhar na UTI.


A sua trajetória é suficientemente sólida para garantir que ela já viu de tudo, tornando-se capaz de intuir padrões e elaborar hipóteses sobre estes fenómenos. Tanto é assim, que dedicou a sua tese de doutorado a este tema, e cujas principais conclusões compartilha no livro “The Wisdom Of Near-Death Experiences” (Watkins Publishing).


Fonte: ALETEIA



(Revisão da versão portuguesa por ama)

22/09/2015

Temas para meditar - 508

Hora da morte



Voltaire escreveu um dia a Bayle, desconsolado e triste, a lamentar que os seus amigos se desonrassem, quase todos na morte, chamando o padre, confessando-se, comungando, e repudiando, como perigosa e falsa a sua antiga rebeldia anticristã, mais cómoda, ao que parece, para viver, do que para morrer! E é sabido que o mesmo Voltaire se teria desonrado - também, confessando-se e comungando, se lho tivessem consentido d'Alembert e Diderot.
D'Alembert, por seu turno, quando viu que a morte se avizinhava, mandou chamar, para se confessar, o pároco de Saint-Germmain, que Condorcet não deixou entrar, o mesmo sucedendo, a Diderot, que se teria confessado ao pároco de S. Sulpício, o bom Pde. Térsac, se os e amigos o não impedissem de o fazer.


(a. veloso, In BROTÉRIA, Vol. LIV, Fasc. 1, pag 1-2)

25/03/2015

Temas para meditar 403


Morte



A morte virá quando Deus quiser, mas será uma libertação, o principio da Vida com maiúscula. "Vita mutatur, non tolitur" (Prefácio I de Defuntos) A vida muda, não a arrebatam de nós. Começaremos a viver de um modo novo, muito unidos à Santíssima Virgem, para adorar eternamente a Trindade Beatíssima, Pai, Filho e Espírito Santo, que é o prémio que nos está reservado.


(beato álvaro del portillo,  Homilía 15.08.1989, in Romana, nr. 9, 07.12.1989, nr. 243)

26/09/2012

É curto o nosso tempo para amar

                                                             
Textos de S. Josemaria Escrivá

 http://www.opusdei.pt/art.php?p=13979     © Gabinete de Inform. do Opus Dei na Internet

Um filho de Deus não tem medo da vida nem medo da morte, porque o fundamento da sua vida espiritual é o sentido da filiação divina: Deus é meu Pai, pensa, e é o Autor de todo o bem, é toda a Bondade. – Mas tu e eu procedemos, de verdade, como filhos de Deus? (Forja, 987)

Para nós, cristãos, a fugacidade do caminho terreno deve incitar-nos a aproveitar melhor o tempo, não a temer Nosso Senhor, e muito menos a olhar a morte como um final desastroso. Um ano que termina – já foi dito de mil modos, mais ou menos poéticos – com a graça e a misericórdia de Deus, é mais um passo que nos aproxima do Céu, nossa Pátria definitiva.
Ao pensar nesta realidade, compreendo perfeitamente aquela exclamação que S. Paulo escreve aos de Corinto: tempus breve est!, que breve é a nossa passagem pela terra! Para um cristão coerente, estas palavras soam, no mais íntimo do seu coração, como uma censura à falta de generosidade e como um convite constante a ser leal. Realmente é curto o nosso tempo para amar, para dar, para desagravar. Não é justo, portanto, que o malbaratemos, nem que atiremos irresponsavelmente este tesouro pela janela fora. Não podemos desperdiçar esta etapa do mundo que Deus confia a cada um de nós.

(…) Há-de chegar também para nós esse dia, que será o último e não nos causa medo. Confiando firmemente na graça de Deus, estamos dispostos desde este momento, com generosidade, com fortaleza, pondo amor nas pequenas coisas, a acudir a esse encontro com o Senhor, levando as lâmpadas acesas, porque nos espera a grande festa do Céu. (Amigos de Deus, 39–40)

24/03/2012

Morte!

(escrito ontem à noite)

Lá está ela outra vez
Impaciente, de negro,
À espera, anelante
Com um gesto triunfante
De quem já ganhou!
Os trunfos que jogou
Dão-lhe a vitória, assim pensa...
Numa atitude, estudada
De matreirice imensa
Esperou empenhada
No seu destrutivo querer
E mesmo parecendo incrível
Acaba por vencer!

Porto, 2012.03.23

Leva-me a mim!

Leva-me a mim!
Porque não me escolheste?

Assim... grito à que de negro
Se propôe levar o Zézinho.

Não responde, não diz nada
E, ficando calada
Mais me faz gritar:

Leva-me a mim!

Leva-me a mim!
E, meio tonto
De tanto gritar
Oiço-a replicar:
Não... ainda não estás pronto!

Porto, 2012.03.23

29/12/2011

Desejar a morte


Muitas vezes penso que seria uma 

comodidade morrer cedo. Não desejo 

a morte: devemos desejar viver 

muitos anos, e trabalhar. 


(Carta, 1948.10.15, nr. 11)

28/11/2011

Novíssimos: A Morte 12

O dia da Morte
William-Adolphe Bourgerau


O medo à morte e aos tormentos nada tem de culpa, mas antes de pena: é uma aflição das que Cristo veio para padecer e não para escapar. Nem se há-de chamar cobardia ao medo e à tortura e horror diante dos suplícios. Não obstante, fugir por medo à tortura ou à própria morte numa situação em que é necessário lutar, ou também, abandonar toda a esperança de vitória e entregar-se ao inimigo, isto, sem dúvida, é um crime grave na disciplina militar. Além disso, não importa quão perturbado e assustado pelo medo esteja o ânimo de um soldado; se apesar de tudo avança quando o manda o capitão, e marcha e luta e vence o inimigo, nenhum motivo tem para temer que aquele seu primeiro medo possa diminuir o prémio. De facto, deveria receber inclusivamente maior louvor, visto que teve de superar não só o exército inimigo, mas também o seu próprio temor; este último, com frequência, é mais difícil de vencer que o próprio inimigo.

(S. Tomás Moro, A Agonia de Cristo)