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12/09/2011

Deus é Omnipotente?

À primeira vista, parece que Deus não é omnipotente, pois:

1. Com efeito, ser movido e ser passivo é próprio de tudo. Ora, isso não cabe a Deus, pois Ele é imóvel, como já foi dito. Logo, não é omnipotente.
2. Além disso, pecar é um agir. Ora, Deus não pode pecar, nem “renegar-se a si mesmo”, como se diz na segunda Carta a Timóteo (2, 13). Logo, Deus não é omnipotente.
3. Ademais, diz-se de Deus que “mostra sua omnipotência sobretudo perdoando e praticando a misericórdia”. Assim, o máximo que pode a potência divina é o perdão e a misericórdia. Ora, existem coisas muito maiores do que o perdoar e ter misericórdia; por exemplo, criar outro mundo ou algo semelhante. Logo, Deus não é onipotente.
4. Ademais, sobre as palavras da primeira Carta aos Coríntios: “Deus tornou louca a sabedoria do mundo” (1, 20), a Glosa diz: “Mostrando possível o que esta sabedoria julgava impossível”. Parece, pois, que não se deve julgar possível ou impossível segundo as causas inferiores, como julga a sabedoria deste mundo, mas segundo a potência divina. Portanto, se Deus é omnipotente, tudo será possível. Nada haverá que seja impossível. Ora, negado o impossível, nega-se também o necessário, pois o que é necessário ser é impossível que não seja. Não haveria, então, nada necessário nas coisas, se Deus fosse omnipotente. Ora, isso é impossível. Logo, Deus não é omnipotente.
EM SENTIDO CONTRÁRIO, está o que diz o Evangelho de Lucas: “Nenhuma palavra é impossível a Deus” (1, 37).

Em geral, todos confessam que Deus é omnipotente. Mas parece difícil determinar a razão da omnipotência. Pois pairam dúvidas sobre o conteúdo desta afirmação: Deus pode todas as coisas. Mas, bem considerando, já que a potência se refere ao possível, quando se diz: Deus tudo pode, o mais correcto é entender que pode tudo o que é possível e por isso se diz omnipotente.
Ora, segundo o Filósofo, no livro V da Metafísica, o possível tem dupla acepção. Primeira, com relação a alguma potência. Por exemplo, é possível ao homem o que está sujeito a sua potência. Mas não se pode dizer que Deus seja omnipotente porque pode tudo o que é possível à natureza criada, pois a potência divina se estende a muito mais. Mas dizer que Deus pode tudo o que é possível à potência divina é um círculo vicioso. Pois seria dizer que Deus é omnipotente porque pode tudo o que pode. Portanto, deve-se dizer que Deus é chamado omnipotente porque pode absolutamente todo o possível, o que é outra maneira de conceber o possível. Ora, uma coisa é possível ou impossível absolutamente segundo a relação dos termos: possível, porque o predicado é compatível com o sujeito, por exemplo, que Sócrates esteja sentado; o impossível absolutamente significa que o predicado é incompatível com o sujeito, por exemplo, que o homem seja um asno.
Como, no entanto, todo agente produz algo semelhante a si próprio, é preciso considerar que a toda potência activa corresponde um possível como objecto próprio, conforme à razão do ato sobre o qual se funda a potência activa. Por exemplo, a potência de esquentar se refere, como a seu objecto próprio, ao que é susceptível de aquecimento. Ora, o ser divino sobre o qual se funda a razão de potência divina é um ser infinito, e não limitado por qualquer género do ser, pois pré-contém em si a perfeição do todo ser. Por conseguinte, tudo o que pode ter a razão de ente se encontra contido nos possíveis absolutos, em relação aos quais Deus é chamado omnipotente.
Ora, nada se opõe à razão de ente, senão o não-ente. Logo, o que é incompatível com a razão de possível absoluto, sujeito à omnipotência divina, é o que implica em si mesmo simultaneamente o ser e o não-ser. Isto não está sujeito à omnipotência divina, não em razão de uma deficiência dela, mas porque não pode ter a razão de factível nem de possível. Assim,  todas as coisas que não implicam contradição estão compreendidas entre os possíveis em relação às quais Deus é chamado omnipotente. Quanto às coisas que implicam contradição, não estão compreendidas na omnipotência divina, pois não comportam a razão de possíveis. Por conseguinte, convém mais dizer delas que não podem ser feitas, do que dizer:  Deus não pode fazê-las. – Tal doutrina não contradiz a palavra do anjo: “A Deus nenhuma palavra é impossível”. Pois o que implica contradição não pode ser palavra, porque nenhum intelecto pode concebê-la.

Suma Teológica I, 25, 3

Quanto aos argumentos iniciais, portanto, deve-se dizer que:

1. Deus é omnipotente segundo a potência activa, não segundo a passiva, como foi dito. Por conseguinte, que não possa ser movido ou ser passivo não é incompatível com a omnipotência.
2. Pecar é falhar na perfeição do acto; em consequência, poder pecar é poder falhar no agir, o que incompatível com a omnipotência. Por isso Deus não pode pecar, ele que é omnipotente. No entanto, o Filósofo escreve no livro IV dos Tópicos: “Deus e o sábio podem praticar actos maus”. Isto, porém, se deve entender como uma proposição condicional cujo antecedente é impossível; por exemplo quando se diz que Deus pode praticar o mal, se quiser. Nada impede que uma proposição condicional seja verdadeira mesmo que seu antecedente e seu consequente sejam impossíveis; por exemplo, se o homem fosse um burro teria quatro patas. Ou então, quer dizer que Deus pode fazer coisas aparentemente más, que no entanto seriam boas, se as fizesse. Ou então, fala segundo a opinião comum dos gentios, que diziam poderem os homens ser divinizados, como Júpiter ou Mercúrio.
3. A omnipotência de Deus se manifesta sobretudo perdoando e praticando a misericórdia, porque, por essas acções, se mostra que Deus tem o supremo poder: ele perdoa livremente os pecados. Quem está ligado à lei de um superior não pode livremente perdoar os pecados. Ou, então, porque perdoando os homens e praticando a misericórdia, Deus os conduz à participação do bem infinito, que é o efeito supremo do poder divino. Ou ainda porque, como foi dito antes, o efeito da misericórdia divina é o fundamento de todas as obras divinas, pois nada a ninguém é devido a não ser em razão daquilo que lhe foi dado gratuitamente por Deus. Ora, a omnipotência divina se manifesta sobretudo em que a ela pertence a primeira instituição de todos os bens.
4. Não se afirma o possível absoluto nem em relação às causas superiores, nem em relação às inferiores, mas em si mesmo. Ao passo que o que é possível em relação a alguma potência é chamado possível em relação à sua causa próxima. Quando se trata de coisas cuja natureza exige ter a Deus por único autor, como a criação, a justificação, etc., diz-se que são possíveis em relação à causa superior. Ao contrário, das que podem ser realizadas pelas causas inferiores diz-se que são possíveis em relação a estas causas. Pois é segundo a condição da causa próxima que o efeito comporta contingência ou necessidade, como acima foi dito. Declara-se louca a sabedoria do mundo, porque julgava ser impossível ao próprio Deus o que é impossível à natureza. Vemos assim que a omnipotência de Deus não exclui das coisas nem a impossibilidade nem a necessidade.

11/09/2011

Deus ama igualmente a todos?

Parece que Deus ama igualmente todos.

1. Com efeito, diz o livro da Sabedoria: “Ele cuida de todas as coisas igualmente” (6, 8). Ora, a providência de Deus, pela qual cuida das coisas, provém de seu amor para com elas. Logo, ama igualmente a todas.
2. Além disso, o amor de Deus é sua essência. Ora, a essência de Deus não comporta o mais e o menos. Logo, nem seu amor. Então, não ama mais a uns do que a outros.
3. Ademais, o amor de Deus se estende às coisas criadas, tanto quanto sua ciência e sua vontade. Ora, não se diz que Deus conheça uma coisa mais do que outra, nem que a queira mais. Logo, não ama alguns mais do que outros.
EM SENTIDO CONTRÁRIO, Agostinho declara: “Deus ama todas as coisas que fez, entre elas ama mais as criaturas racionais; entre estas ama mais as que são membros de seu Filho unigênito e muito mais ainda seu Filho unigénito”.


Como amar é querer o bem de alguém, pode-se amar mais ou menos num duplo sentido. Primeiramente, em razão do próprio ato da vontade que é mais ou menos intenso. Neste sentido, Deus não ama mais uns do que outros, pois ama a todos com um único e simples ato da vontade e sempre da mesma maneira. Em segundo lugar, em razão do bem que se quer para o amado. Nesse caso, dizemos amar mais aquele para o qual queremos um bem maior, ainda que não seja com vontade mais intensa. Deste modo, devemos necessariamente dizer que Deus ama certas coisas mais do que outras. Pois como o amor de Deus é causa da bondade das coisas, como já foi dito (art. precedente), uma coisa não seria melhor do que outra, se Deus não quisesse um bem maior para ela do que para outra.


Suma Teológica I, q.20 a.3

Quanto às objecções iniciais, portanto, deve-se dizer que:

1. Quando se diz que Deus cuida igualmente de todas as coisas, isto não significa que dispensa, por seus cuidados, bens iguais a todas as coisas, mas que administra todas as coisas com igual sabedoria e igual bondade.
2. Este argumento é válido se se refere à intensidade do amor, por parte da vontade, que é a essência divina. Ora, o bem que Deus quer às criaturas não é a essência divina. Assim, nada impede que cresça ou diminua.
3. Conhecer e querer significam apenas atos; não incluem, em sua significação, objectos cuja diversidade permitiria dizer que Deus sabe ou quer mais ou menos, como foi dito a respeito do amor.

29/06/2011

Tema para breve reflexão

Reflectindo


Amor de Deus - Caminho seguro


Deus é omnipotente, Deus ama-me intensamente, Deus é fiel ás promessas. E é Ele, o Deus das misericórdias, quem acende em mim a confiança; pelo que eu não me sinto sozinho, nem inútil, nem abandonado, mas implicado num destino de salvação que desembocará um dia no Paraíso. 





(joão Paulo II, Alocução, 1978.09.20)

24/06/2011

Tema para breve reflexão

Reflectindo
Amor de Deus - Caminho seguro


Só d’Ele, cada um de nós pode dizer com plena verdade, juntamente com S. Paulo: Amou-me e entregou-se por mim (Gal 2, 20). Daí deve partir a vossa alegria mais profunda, daí há-de vir também a força e o vosso apoio. Se vós, por desgraça, deveis encontrar amarguras, padecer sofrimentos, experimentar incompreensões e até cair em pecado, que rapidamente o vosso pensamento se dirija para Aquele que vos ama sempre e que com o seu amor ilimitado, como Deus, faz superar toda a prova, enche os nossos vazios, perdoa todos os nossos pecados e impele com entusiasmo para um caminho novamente seguro e alegre. 

(João Paulo II, Alocução, 1980.3.01)


19/06/2011

João Paulo II e o Opus Dei

Entrevista com D. Javier Echevarría, prelado do Opus Dei, por ocasião da beatificação de João Paulo II.

- E o Senhor, depois da sua nomeação como Prelado em 1994, teve ocasiões similares de relação com João Paulo II?


- O Papa continuou a ser igualmente paternal e afectuoso. Por exemplo, telefonou-me pessoalmente para me anunciar a nomeação como prelado. Eu, em diversas ocasiões, fui-o informando sobre o desenvolvimento dos apostolados da Obra e pude comprovar a sua alegria. Poucos meses depois da nomeação, quis conferir-me a ordenação episcopal. A partir do ano 2000 o Papa estava já mais doente, mas continuou a ter a delicadeza de me receber em audiência com certa frequência, para ter notícias das actividades apostólicas da Obra em todo o mundo.



Três dias depois da morte do Papa fui com D. Joaquín Alonso rezar diante dos seus restos mortais na Basílica de São Pedro e cumprimentar D. Stanislaw, que nos convidou para rezar na capela privada e em seguida nos encorajou a subir ao terraço do palácio apostólico. Queria mostrar-nos o rio de gente que vinha prestar a última homenagem ao Papa e a quantidade de televisões de todo o mundo que se tinham instalado nos arredores da Praça de São Pedro. Pouco depois, entregou-me uma batina de João Paulo II, para que a conservássemos como relíquia.


michele dolz, Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet, 2011/05/16

2011.06.19

18/06/2011

João Paulo II e o Opus Dei

Entrevista com D. Javier Echevarría, prelado do Opus Dei, por ocasião da beatificação de João Paulo II.

- João Paulo II quis rezar diante dos restos mortais de D. Álvaro no dia da sua morte. Poderia contar algo daqueles momentos?


- Em 11 de Março 1994, no seu 80º aniversário, D. Álvaro recebeu um texto autógrafo de João Paulo II, escrito sobre uma fotografia: “Ao venerado e querido irmão Álvaro del Portillo, que com a alma agradecida ao Senhor, celebra o seu octogésimo aniversário, expressando-lhe o meu vivo apreço pelo seu fiel trabalho ao serviço da Igreja, e implorando abundantes graças celestiais para um ministério ainda longo e rico em frutos, concedo-lhe, do coração, uma especial bênção apostólica, tornando-a extensiva, com afecto, a todos os sacerdotes e leigos da Prelatura”.



Na tarde de 22 de Março de 1994 tínhamos regressado de uma peregrinação à Terra Santa e passadas poucas horas, na madrugada do dia 23, o Senhor chamou a Si o Prelado do Opus Dei. Comuniquei a notícia a D. Stanislaw Dziwisz, secretário particular de João Paulo II, pelas seis e meia da manhã. D. Stanislaw disse-me que a comunicaria ao Santo Padre e que encomendariam a Deus na Missa o eterno descanso do Prelado. Tivemos a amável surpresa de que, por volta das dez horas da manhã, ligou o Perfeito da Casa Pontifícia, Mons. Monduzzi, para informar que o Santo Padre desejava ir à tarde à sede da Cúria Prelatícia, para rezar diante do corpo de D. Álvaro. Não me detenho em pormenores dessa visita, mas quero assinalar o interesse manifestado por João Paulo II. Perguntou-me a que hora e onde tinha celebrado D. Álvaro a sua última Missa, porque sabia que tinha regressado a Roma no dia anterior. Quando lhe respondi que às onze da manhã, na igreja do Cenáculo, surpreendeu-me que o Papa fizesse rapidamente o cálculo entre a hora da Santa Missa e a da sua ida para o Céu. No final agradeci-lhe a visita, tão insólita, mas o Papa atalhou dizendo: “Era um dever, era um dever”.


michele dolz, Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet, 2011/05/16
2011.06.18

17/06/2011

João Paulo II e o Opus Dei

Entrevista com D. Javier Echevarría, prelado do Opus Dei, por ocasião da beatificação de João Paulo II.

- Falou das críticas, que também não faltaram a João Paulo II. Com que espírito enfrentava o Papa essas contradições?


- Era muito sobrenatural e sabia carregar a cruz. Além disso, era muito determinado e continuava em frente procurando o bem da Igreja. Uma vez D. Álvaro participou na oração do Terço com o Papa. Costumava ir sempre um grupo de pessoas e naquela ocasião estava também a Madre Teresa de Calcutá. No final da oração, o Papa apresentou a Madre Teresa a D. Álvaro, que lhe agradeceu porque sacerdotes da Obra tinham atendido muito bem as suas monjas em várias partes do mundo. Então o Papa disse-lhe meio a brincar meio a sério: “Madre, porque é que muitos criticam o Papa e o Opus Dei enquanto todos falam bem da Madre Teresa?”. E ela respondeu com grande sinceridade: “Rezem por mim, para que seja humilde”.


michele dolz, Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet, 2011/05/16
2011.06.17

16/06/2011

João Paulo II e o Opus Dei

Entrevista com D. Javier Echevarría, prelado do Opus Dei, por ocasião da beatificação de João Paulo II.

- Não falámos ainda da beatificação e canonização de São Josemaria, proclamadas por João Paulo II.


- O Papa estava muito contente por elevar aos altares o fundador da Obra. Como se recordará, antes da beatificação em 1992 houve algumas incompreensões que produziram um certo alvoroço. Eram sacudidelas do demónio para impedir aquilo que, como disse João Paulo II imediatamente depois da beatificação, foi “uma grande manifestação de fé”. Ao concluir a cerimónia, o próprio João Paulo II manifestou a sua alegria ao ver aquela multidão em recolhimento e oração, e disse a D. Álvaro, que o acompanhava para a basílica de São Pedro: “Agora entendo porque é que alguns sectários não queriam que acontecesse esta manifestação de fé”. O Papa acrescentou que agradecia ao Senhor que se tivesse realizado aquela cerimónia, em que também tinha beatificado a Madre Bakhita, canosiana, porque tinha podido fazer chegar ao mundo a situação trágica da Igreja no Sudão. Enfim, o que ficou para a história é o bem que a devoção a São Josemaria está a fazer em toda a Igreja. E o Papa tinha consciência disso.



Na canonização, o Papa definiu São Josemaria como “o santo do corrente”, muito em sintonia com aquela sua ideia de evangelizar a sociedade através da vida corrente: na Igreja doméstica que é cada família, no trabalho, no desporto e nas relações sociais.


michele dolz, Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet, 2011/05/16
2011.06.16

15/06/2011

João Paulo II e o Opus Dei

Entrevista com D. Javier Echevarría, prelado do Opus Dei, por ocasião da beatificação de João Paulo II.

- Algumas recordações relacionadas com o atentado de 1981?
- Nesses momentos estávamos reunidos com o Conselho do Prelado para os apostolados com as mulheres. Logo que a notícia foi conhecida, interrompemos a reunião e fomos ao Policlínico Gemelli. D. Álvaro pôde entrar, convidado por Mons. Angelini, para o local em que se encontravam alguns membros da Cúria, enquanto os médicos operavam o Santo Padre.

D. Álvaro pediu imediatamente a toda a Obra que rezássemos pelo Papa. Íamos com frequência ao Gemelli, sabendo, no entanto, que não poderíamos entrar para o visitar; bastava-nos rezar pela sua Pessoa com aquela presença física mais próxima.



Na altura da viagem ao México, D. Álvaro tinha oferecido ao Papa uma cassete com canções mexicanas; são canções de amor que o povo canta também à Virgem de Guadalupe. Pois bem, um dia em que nos deixaram visitar o Santo Padre no policlínico, encontrámo-lo a ouvir num gravador aquelas canções. “Ajudam-me a rezar”, comentou. Nada fazia pressagiar este encontro, mas foi o próprio Papa que deu indicações para que entrássemos no quarto. D. Álvaro pôs filialmente uma mão sobre o braço do Santo Padre, e comprovou que a febre era muito alta. O encontro durou pouco, como é lógico. Mas notava-se que a Igreja rezava por Pedro, como em Jerusalém, e que Pedro oferecia tudo pela Igreja de Jesus Cristo.


michele dolz, Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet, 2011/05/16
2011.06.15

Tema para breve reflexão



Reflectindo
Unidade


A unidade não vem só de ouvir a mesma mensagem evangélica, que, aliás, nos é transmitida pela Igreja; reveste profundidade mística: é ao próprio corpo de Cristo que nós somos agregados, mediante a fé e o Baptismo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo; é o mesmo Espírito que nos justifica e anima a nossa vida cristã: «Há um só Corpo e um só Espírito, como existe uma só esperança no chamamento que recebestes. Há um único Senhor, uma única Fé um único Baptismo (Ef. 4, 4-5) tal é a fonte única que traz e requer, hoje como na aurora da Igreja, «a unidade na doutrina dos Apóstolos, na comunhão fraterna, na fracção do pão e nas orações (lg 13).

(joão Paulo II, Passai um ano comigo, Verbo, pg. 213)

14/06/2011

João Paulo II e o Opus Dei

Entrevista com D. Javier Echevarría, prelado do Opus Dei, por ocasião da beatificação de João Paulo II.

- O Senhor esteve muitas vezes nos aposentos do Papa, convidado para almoçar. De que se falava nesses encontros?

- De muitos temas, num contexto familiar: a situação da Igreja, o apostolado dos fiéis do Opus Dei em diversos países, etc.


Uma dessas vezes o Papa ofereceu a D. Álvaro uma edição pequena do Novo Testamento, que ele utilizou depois durante as viagens, para recordar expressamente o Romano Pontífice. Não a usava nas outras ocasiões porque tinha uma letra muito pequena.


michele dolz, Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet, 2011/05/16
2011.06.14

13/06/2011

João Paulo II e o Opus Dei

Entrevista com D. Javier Echevarría, prelado do Opus Dei, por ocasião da beatificação de João Paulo II.

- O Papa visitou algum centro do Opus Dei?

- No plano de visitas pastorais às paróquias de Roma, esteve também nas três confiadas ao Opus Dei e deteve-se nos centros anexos. 


Talvez o mais singular a este respeito é que, quando se encontrava bem de saúde, passou várias vezes por uma casa de retiros da Obra em Abruzzo, chamada Tor d’Aveia. A quinta está situada na encosta de um monte e a partir dali podem fazer-se bonitas excursões ou, então, praticar esqui. Como é sabido, o Papa necessitava, de vez em quando, de fazer algum descanso e aí podia fazê-lo de forma discreta. Saía do Vaticano em privado, seguido pelo carro da escolta e chegava a Tor d’Aveia – a pouco mais de uma hora de Roma – sem que ninguém o notasse. Era um bom descanso para o Papa. As mulheres da Obra encarregadas da casa puderam ter momentos de tertúlia com ele e com o seu secretário, mas guardaram silêncio para que ninguém incomodasse o Papa. Mesmo D. Álvaro foi lá apenas uma vez para o acolher. De maneira análoga, João Paulo II esteve uma vez noutro centro de conferências que utilizamos em Ovindoli, não muito longe dali, onde há uma estação de esqui.


michele dolz, Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet, 2011/05/16
2011.06.13

12/06/2011

João Paulo II e o Opus Dei

Entrevista com D. Javier Echevarría, prelado do Opus Dei, por ocasião da beatificação de João Paulo II.

Num dos convites que recebemos do Papa para almoçar nos aposentos pontifícios, D. Álvaro falou da necessidade de fomentar as confissões, para facilitar às pessoas o reencontro com o Senhor, sensibilizando os sacerdotes e os leigos para que participassem neste apostolado. Para ilustrar o que dizia, relatou algumas histórias dos bons resultados que se tinham obtido pelo mundo com este modo de ajudar as almas. João Paulo II, com um sorriso de assentimento, comentou: “O Senhor faz-me lembrar os bons párocos zelosos dos meus tempos, que gastavam as suas vidas com esta maneira de atender as almas que amavam com todas as suas forças”. Outras vezes, em conversas semelhantes, o Papa dizia, referindo-se aos fiéis do Opus Dei, leigos e sacerdotes: “Vocês têm o carisma da Confissão”. Sei que o dizia também a outras pessoas, porque nos foi comentado, ao falar da Obra.

michele dolz, Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet, 2011/05/16
2011.06.12

11/06/2011

João Paulo II e o Opus Dei

Entrevista com D. Javier Echevarría, prelado do Opus Dei, por ocasião da beatificação de João Paulo II.

Em várias ocasiões, D. Álvaro sugeriu a João Paulo II que escrevesse uma carta ou uma exortação sobre São José, para fomentar a devoção dos fiéis e para lhe pedir que protegesse a Igreja. Por isso, foi extraordinária a sua alegria quando se publicou a Exortação Apostólica Redemptoris Custos, de 15 de Agosto de 1989.


Recordo outra sugestão relacionada com a piedade. Tínhamos convidado para almoçar em Villa Tevere um sacerdote espanhol do Cabido de São Pedro, Mons. Pedro Altabella. Foi mencionado o bem que fazia às almas a prática da exposição permanente do Santíssimo Sacramento nalgumas igrejas. D. Joaquín Alonso comentou que seria um bem muito grande seguir esse costume em São Pedro e D. Álvaro apoiou-o vivamente. O sacerdote “agarrou” a sugestão e comentou que diligenciaria para a fazer chegar in altissimis. Passado pouco tempo começou esse culto à Eucaristia na basílica vaticana que produziu tão bons frutos. Estávamos em 1981.


michele dolz, Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet, 2011/05/16
2011.06.11

10/06/2011

João Paulo II e o Opus Dei

Entrevista com D. Javier Echevarría, prelado do Opus Dei, por ocasião da beatificação de João Paulo II.

- E D. Álvaro, dava sugestões ao Papa sobre a Igreja?


- Nalgumas ocasiões pedia-lhas o Santo Padre. Em finais de 1978, quando se questionava sobre a oportunidade de fazer a viagem ao México para a reunião do CELAM – era uma situação bastante delicada – o Papa comentou a D. Álvaro, diante de outras pessoas, que tinha ouvido várias opiniões sobre o assunto. Claramente estava a pedir-lhe a sua. Com simplicidade, D. Álvaro sugeriu-lhe que empreendesse a viagem, pois seria um bem muito grande para a Igreja no México, na América Latina e em todo o mundo. O tom da voz de D. Álvaro era comedido; dava a entender que lhe pareceria bem qualquer decisão que o Papa tomasse. A viagem realizou-se com os resultados extraordinários que todos conhecemos. Naturalmente, o Papa deve ter consultado outras pessoas e os organismos da Cúria romana.



Depois da viagem ao México, convidou-nos para um almoço e contou com alegria muitos detalhes da sua visita aquele país. Não falava do seu trabalho, mas da fé e da resposta do povo mexicano ante a presença do sucessor de São Pedro.


michele dolz, Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet, 2011/05/16
2011.06.10

09/06/2011

João Paulo II e o Opus Dei

Entrevista com D. Javier Echevarría, prelado do Opus Dei, por ocasião da beatificação de João Paulo II.

Em diversas audiências, o Papa deu-lhe várias indicações, juntamente com o estímulo para continuar nos trabalhos apostólicos que já se realizavam, por exemplo, a recomendação de que se trabalhasse muito a fundo no apostolado com os intelectuais, especialmente através das pessoas que já se encontram nesses ambientes, procurando alentá-los na sua tarefa, e mostrar-lhes que a fé e a razão não andam por caminhos separados, e muito menos opostos. João Paulo II pensava que os intelectuais eram pessoas chave para a nova evangelização, e preocupava-se de que se lhes prestasse um cuidado pastoral particular. Do mesmo modo considerava prioritária a evangelização das pessoas que desempenham cargos de responsabilidade no âmbito político e económico, porque é a maneira mais eficaz de melhorar a situação de todos, em primeiro lugar dos mais necessitados. Neste sentido, animava os fiéis da Prelatura e muitas outras pessoas que trabalham em escolas de negócios, dizendo: “Se aqueles que estudam estas matérias se tornam cristãos, se se convertem, será mais fácil erradicar a pobreza”.

michele dolz, Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet, 2011/05/16
2011.06.09

08/06/2011

João Paulo II e o Opus Dei

Entrevista com D. Javier Echevarría, prelado do Opus Dei, por ocasião da beatificação de João Paulo II.

A resposta de D. Álvaro, sempre pronta e fiel, estimulava-o também a sugerir iniciativas de apostolado. João Paulo II falava da nova evangelização pelo menos desde 1981, mas foi em 1985 que deu um forte impulso a esta prioridade pastoral, sobretudo nos países da Europa ocidental e América do Norte, onde os sintomas do secularismo iam crescendo de modo alarmante. Uma data simbólica é a de 11 de Outubro de 1985, dia em que o Santo Padre concluiu um Sínodo extraordinário de Bispos, celebrado em Roma, convidando a Igreja para um renovado impulso missionário, desejo que comentou com o Prelado numa conversa. D. Álvaro fez-se imediatamente eco deste programa, e com data de 25 de dezembro do mesmo ano, escreveu uma Carta pastoral aos fiéis da Prelatura, urgindo-os a colaborar com todas as suas forças nesta tarefa, que era particularmente necessária sobretudo nos países da velha Europa, Estados Unidos e Canadá.

O Papa convidou D. Álvaro a começar o trabalho da Obra nos países escandinavos. E, naturalmente, na Polónia. Pormenorizava que era muito importante difundir entre o povo de Deus na Polónia a necessidade da direcção espiritual pessoal e sabia como se praticava assiduamente no Opus Dei. Este alento em continuar a missão evangelizadora com o espírito próprio do Opus Dei, o Papa continuou-o a dar a D. Álvaro – como fez depois comigo – até ao final da sua vida.


michele dolz, Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet, 2011/05/16
2011.06.08

Teologia do Corpo e “Pureza Amadurecida”



Doutrina


João Paulo II acredita que ainda temos, no mais profundo do nosso ser, um potencial para viver de acordo com o sentido esponsal do corpo (49,6). 


Implorou-nos não manter o nosso coração sob uma permanente suspeita, mas a ter confiança em que as graças redentoras de Cristo podem restaurar a pureza nos nossos corações: “Na pureza amadurecida, o homem desfruta da vitória sobre a concupiscência” (58,6). 

Sem a pureza “usaremos” aqueles que desejamos amar: “A pureza é um requerimento do amor. 

É a dimensão da verdade interior do amor no coração do homem” (49,7).

janet e. smith, [i] "Theology of the Body and 'Mature Purity'." National Catholic Register”, 2011.03.09, (trad ama).


[i] janet e. smith lecciona a Cátedra “Father Michael J. McGivney of Life Ethics” no Seminário Maior do Sagrado Coração em Detroit.

07/06/2011

João Paulo II e o Opus Dei

Entrevista com D. Javier Echevarría, prelado do Opus Dei, por ocasião da beatificação de João Paulo II.

-  Em que medida interveio João Paulo II no governo do Opus Dei? Deu indicações?


- O mais importante, claro está, foi a erecção do Opus Dei em Prelatura pessoal, ato com o qual punha esta parte da Igreja formada por leigos e sacerdotes, homens e mulheres de todas as classes e condições, sob a jurisdição de um prelado para que – também com o seu presbitério – servisse melhor a Igreja universal, em comunhão com as igrejas particulares. De resto, sugeria ao Prelado iniciativas apostólicas, já que estava muito convencido da eficácia do apostolado pessoal de cada fiel do Opus Dei e de todos aqueles – pessoas de todos os ambientes da sociedade – que se aproximam do trabalho apostólico da Obra.



Uma petição expressa do Papa, por exemplo, foi a erecção do seminário internacional Sedes Sapientiae, em Roma, com o objectivo de formar sacerdotes que pudessem ser depois formadores em seminários de diversos países, também nos que acabavam de conseguir a liberdade após o período de domínio soviético.


michele dolz, Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet, 2011/05/16
2011.06.07

Teologia do Corpo e “Pureza Amadurecida”

Doutrina

João Paulo II ensina que Cristo não acusava tanto os seres humanos de fazer o mal mas antes fazia um apelo para vivermos no espírito do corpo redimido. 


Cristo veio para nos trazer graças e capacitar-nos para viver de forma moralmente correcta, não somente no que respeita ao nosso comportamento externo, mas também no respeitante aos movimentos interiores do nosso coração.

janet e. smith, [i] "Theology of the Body and 'Mature Purity'." National Catholic Register”, 2011.03.09, (trad ama).


[i] janet e. smith lecciona a Cátedra “Father Michael J. McGivney of Life Ethics” no Seminário Maior do Sagrado Coração em Detroit.