29/11/2020

Leitura espiritual 29 Novembro

 

Evangelho  

 

Jo XX, 1 - 31

 

Jesus aparece a Maria Madalena

 

1 No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo logo de manhã, ainda escuro, e viu retirada a pedra que o tapava. 2 Correndo, foi ter com Simão Pedro e com o outro discípulo, o que Jesus amava, e disse-lhes: «O Senhor foi levado do túmulo e não sabemos onde o puseram.» 3 Pedro saiu com o outro discípulo e foram ao túmulo. 4 Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo correu mais do que Pedro e chegou primeiro ao túmulo. 5 Inclinou-se para observar e reparou que os panos de linho estavam espalmados no chão, mas não entrou. 6 Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira. Entrou no túmulo e ficou admirado ao ver os panos de linho espalmados no chão, 7 ao passo que o lenço que tivera em volta da cabeça não estava espalmado no chão juntamente com os panos de linho, mas de outro modo, enrolado noutra posição. 8 Então, entrou também o outro discípulo, o que tinha chegado primeiro ao túmulo. Viu e começou a crer, 9 pois ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos. 10 A seguir, os discípulos regressaram a casa. 11 Maria estava junto ao túmulo, da parte de fora, a chorar. Sem parar de chorar, debruçou-se para dentro do túmulo, 12 e contemplou dois anjos vestidos de branco, sentados onde tinha estado o corpo de Jesus, um à cabeceira e o outro aos pés. 13 Perguntaram-lhe: «Mulher, porque choras?» E ela respondeu: «Porque levaram o meu Senhor e não sei onde o puseram.» 14 Dito isto, voltou-se para trás e viu Jesus, de pé, mas não se dava conta que era Ele. 15 E Jesus disse-lhe: «Mulher, porque choras? Quem procuras?» Ela, pensando que era o encarregado do horto, disse-lhe: «Senhor, se foste tu que o tiraste, diz-me onde o puseste, que eu vou buscá-lo.» 16 Disse-lhe Jesus: «Maria!» Ela, aproximando-se, exclamou em hebraico: «Rabbuni!» - que quer dizer: «Mestre!» 17 Jesus disse-lhe: «Não me detenhas, pois ainda não subi para o Pai; mas vai ter com os meus irmãos e diz-lhes: ‘Subo para o meu Pai, que é vosso Pai, para o meu Deus, que é vosso Deus.’» 18 Maria Madalena foi e anunciou aos discípulos: «Vi o Senhor!» E contou o que Ele lhe tinha dito.

 

Jesus e o poderde perdoar

 

19 Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, com medo das autoridades judaicas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco!» 20 Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o peito. Os discípulos encheram-se de alegria por verem o Senhor. 21 E Ele voltou a dizer-lhes: «A paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, também Eu vos envio a vós.» 22 Em seguida, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo. 23 Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ficarão retidos.»

 

Incredulidade de Tomé

 

24 Tomé, um dos Doze, a quem chamavam o Gémeo, não estava com eles quando Jesus veio. 25 Diziam-lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor!» Mas ele respondeu-lhes: «Se eu não vir o sinal dos pregos nas suas mãos e não meter o meu dedo nesse sinal dos pregos e a minha mão no seu peito, não acredito.» 26 Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez dentro de casa e Tomé com eles. Estando as portas fechadas, Jesus veio, pôs-se no meio deles e disse: «A paz seja convosco!» 27 Depois, disse a Tomé: «Olha as minhas mãos: chega cá o teu dedo! Estende a tua mão e põe-na no meu peito. E não sejas incrédulo, mas fiel.» 28 Tomé respondeu-lhe: «Meu Senhor e meu Deus!» 29 Disse-lhe Jesus: «Porque me viste, acreditaste. Felizes os que crêem sem terem visto!»

 

Primeiro epílogo

 

30 Muitos outros sinais miraculosos realizou ainda Jesus, na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. 31 Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e, acreditando, terdes a vida nele.




 

DE  CIVITATE DEI

 

LIVRO IX

 

CAPÍTULO VIII

 

Definição, dada pelo platónico Apuleio, dos deuses celestes, demónios aéreos e homens terrestres.

 

Mas quê? Merecerá algum a atenção a definição que ele dá dos demónios (cujos term os a todos se aplicam ) em que diz: Os demónios são — quanto ao género, seres animados; passíveis,

quanto ao ânimo; quanto à mente, racionais; aéreos, quanto ao corpo; quanto ao tempo, eternos .

Nestas cinco propriedades, nada, absolutamente nada, referiu em que os demónios parecessem ter de comum exclusivamente com os homens bons algum a coisa que não tivessem em comum com os maus. Efectivamente, descreve um pouco mais pormenorizadamente, no seu lugar próprio, homens, deles falando como de seres ínfimos e terrestres, depois de ter falado dos deuses do Céu; e, uma vez evocados os dois extremos, inferior e superior, trata em último lugar dos demónios, que ocupam o meio.

Escreve ele: Portanto, os homens, — orgulhosos pela razão, poderosos pela palavra, dotados de alma imortal, de membros votados à morte, de espírito ágil e inquieto, de corpos pesados e

débeis, de costumes dessemelhantes e erros parecidos, de audácia obstinada e de esperança firme, de actividade estéril e de

(daemones esse genere animalia, animo passiva, mente rationalia, corpore aeria, tempore aetema. Apuleio, D e Deo Socratis, IV; ed. Thom as, p. 10.) fortuna instável, individualmente mortais, todos, porém, no seu género, perpétuos porque se sucedem na renovação das gerações, de existência fugitiva, de tardia sabedoria, de morte rápida, de vida lastimosa — , habitam na terra 2 (lgitur homines, ratione gaudetites, oratione pollentes, inmortalibus animis, moribundis membris, levibus et anxiis mentibus, brutis et obnoxiis corporibus, dissimilibus moribus, similibus enoribus, pervicaci audacia, pertinaci spe, casso labore, fortuna caduca, singillatim mortales, cuncti tamen universo genere perpetui, vkissim sufficienda prole mutabiles, volucri tempore, tarda sapientia, cita morte, querula vita terras incolunt. Apuleio, D e Deo Socratis, IV; ed. Thom as, p. 10.) .

Ao mencionar tantas coisas que se referem à maior parte dos homens, acaso se calou acerca desse pormenor que sabia pertencer a um pequeno número — a tardia sabedoria? Se o tivesse omitido, a sua descrição do género humano, apesar de tão atento cuidado, ficaria na verdade incompleta. Pois bem — quando põe em relevo a excelência dos deuses, frisou bem que ela consistia nessa beatitude a que os homens pretendem chegar por meio da sabedoria. Por conseguinte, se a sua intenção fosse a de dar a entender que há bons demónios, teria juntado à sua descrição alguma propriedade donde parecesse que eles possuem, em comum com os deuses, um a certa beatitude, ou, com os homens, algum a sabedoria. Ora ele não lhes pôs em relevo qualquer destas boas qualidades que permitem distinguir os bons dos maus. E, embora se tenha abstido de fazer ressaltar demasiado livremente a sua malícia, fê-lo, não para os não ofender a eles, mas antes para não ofender os seus adoradores, a quem se dirigia. Todavia permitiu que os seus leitores precavidos compreendessem o que deviam pensar desses demónios: assim, aos deuses, no seu entender todos bons e felizes, pô-los absolutamente a salvo das paixões e, com o ele mesm o confessa, das tempestadas que agitam os demónios, e só os relacionou pela eternidade dos corpos; todavia, em relação à alma, declarou abertamente que os demónios se assemelham, não aos deuses, mas aos homens. E, mesmo esta semelhança, respeita não à sabedoria, bem de que os próprios homens podem participar, mas à perturbação das paixões que dominam os insensatos e os maus, que os sábios e os bons dominam, preferindo não as ter, a ter de as vencer.

Se A Puleio quisesse dar a entender que os demónios têm de comum com os deuses, não a eternidade do corpo mas a da alma, não teria de certo excluído os homens deste com um privilégio porque, como platónico que é, pensa sem dúvida que também os homens têm alma imortal.

Por isso é que, ao descrever esta espécie de seres animados, ele diz que os homens são dotados de alma imortal, de membros votados à morte (inmortalibus animis, moribundis membris. Apuleio, D e Deo Socratis, IV; ed. Thom as, p. 10.).

Se, portanto, os homens não partilham da eternidade com os demónios porque têm um corpo mortal, é porque têm um corpo imortal que os demónios a possuem.

 

 

Novíssimos

 



O FINAL DOS TEMPOS

 

Contemplar o mistério

 

Nesta terra, a contemplação das realidades sobrenaturais, a ação da graça nas nossas almas, o amor ao próximo como fruto saboroso do amor a Deus, supõem já uma antecipação do Céu, um começo destinado a crescer dia a dia. Nós, cristãos, não suportamos uma vida dupla: mantemos uma unidade de vida, simples e forte, na qual se fundamentam e compenetram todas as nossas ações. 

 

Tempos diários de oração

 


Se desejas deveras ser alma penitente – penitente e alegre –, deves defender, acima de tudo, os teus tempos diários de oração, de oração íntima, generosa, prolongada, e hás-de procurar que esses tempos não sejam ao acaso, mas a hora fixa, sempre que te for possível. Sê escravo deste culto quotidiano a Deus, e garanto-te que te sentirás constantemente alegre. (Sulco, 994)

 

Como anda a tua vida de oração? Não sentes às vezes, durante o dia, desejos de falar mais devagar com Ele? Não Lhe dizes: logo vou contar-te isto e aquilo; logo vou conversar sobre isso contigo?

Nos momentos dedicados expressamente a esse colóquio com o Senhor o coração expande-se, a vontade fortalece-se, a inteligência – ajudada pela graça – enche a realidade humana com a realidade sobrenatural. E, como fruto, sairão sempre propósitos claros, práticos, de melhorares a tua conduta, de tratares delicadamente, com caridade, todos os homens, de te empenhares a fundo – com o empenho dos bons desportistas – nesta luta cristã de amor e de paz.

A oração torna-se contínua como o bater do coração, como as pulsações. Sem essa presença de Deus não há vida contemplativa. E sem vida contemplativa de pouco vale trabalhar por Cristo, porque em vão se esforçam os que constroem se Deus não sustenta a casa.

Para se santificar, o cristão corrente – que não é um religioso e não se afasta do mundo, porque o mundo é o lugar do seu encontro com Cristo – não precisa de hábito externo nem sinais distintivos. Os seus sinais são internos: a constante presença de Deus e o espírito de mortificação. Na realidade, são uma só coisa, porque a mortificação é apenas a oração dos sentidos. (Cristo que passa, 8–9)

 

Pequena agenda do cristão

    



DOMINGO

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Lembrar-me:
Cultivar a Fé

São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?



SACRAMENTOS

 


O Matrimónio

 

2. A celebração do matrimónio

 

O matrimónio nasce do consentimento pessoal e irrevogável dos esposos (cf. Catecismo, 1626). «O consentimento matrimonial é o acto da vontade, pela qual o homem e a mulher se entregam e aceitam mutuamente em aliança irrevogável para constituir o matrimónio» (CDC, 1057 §2).

 

«Normalmente, a Igreja exige para os seus fiéis a forma eclesiástica da celebração do Matrimónio» (Catecismo , 1631). Por isso, «somente são válidos aqueles casamentos que se contraem perante o Ordinário do lugar ou o pároco, um sacerdote ou diácono delegado por um deles, para que assistam, e perante testemunhas, de acordo com as regras estabelecidas» pelo Código do Direito Canónico (CDC , 1108 §1).

 

Concorrem várias razões para explicar esta determinação: o casamento sacramental é um acto litúrgico ; introduz numa ordo eclesial, criando direitos e deveres na Igreja entre os esposos e para com os filhos. Devido ao matrimónio ser um estado de vida na Igreja, é preciso que sobre ele existam certezas (daí a obrigação da presença de testemunhas); e o carácter público do consentimento protege o “Sim” uma vez dado e ajuda a permanecer-lhe fiel (cf. Catecismo, 1631).

Reflexão

 



Caridade

 

Não é a dificuldade que há em amar o inimigo o que conta para o merecimento, se não for na medida em que se manifesta nela a perfeição do amor, que triunfa da dita dificuldade.

 

Assim, pois, se a caridade fosse tão completa que suprimisse em absoluto a dificuldade, seria então mais meritória.

 

(São Tomás de Aquino, Questões discutidas sobre a caridade, q. 8, ad 17.)

28/11/2020

Leitura espiritual 28 Novembro

 

Evangelho

 

Jo XIX, 25 - 42

 

A mãe junto da Cruz

25 Estavam, de pé, junto à cruz de Jesus, Sua mãe, a irmã de Sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. 26 Jesus, vendo Sua mãe e, junto dela, o discípulo que amava, disse a Sua mãe: «Mulher, eis o teu filho». 27 Depois disse ao discípulo: «Eis a tua mãe». E, desde aquela hora, o discípulo recebeu-a na sua casa. 28 Em seguida, sabendo Jesus que tudo estava consumado, para se cumprir a Escritura, disse: «Tenho sede». 29 Havia ali um vaso cheio de vinagre. Então, os soldados, ensopando no vinagre uma esponja e atando-a a uma cana de hissopo, chegaram-Lha à boca. 30 Jesus, tendo tomado o vinagre, disse: «Tudo está consumado!». Depois, inclinando a cabeça, entregou o espírito.

 

Sepultura de Jesus

31 Os judeus, visto que era o dia da Preparação, para que os corpos não ficassem na cruz no sábado, porque aquele dia de sábado era de grande solenidade, pediram a Pilatos que lhes fossem quebradas as pernas e fossem retirados. 32 Foram, pois, os soldados e quebraram as pernas ao primeiro e ao outro com quem Ele havia sido crucificado. 33 Mas, quando chegaram a Jesus, vendo que já estava morto, não Lhe quebraram as pernas, 34 mas um dos soldados trespassou-Lhe o lado com uma lança e imediatamente saiu sangue e água. 35 Quem foi testemunha deste facto o atesta, e o seu testemunho é digno de fé e ele sabe que diz a verdade, para que também vós acrediteis. 36 Porque estas coisas sucederam para que se cumprisse a Escritura: “Não Lhe quebrarão osso algum”. 37 E também diz outro passo da Escritura: “Hão-de olhar para Aquele a quem trespassaram”. 38 Depois disto, José de Arimateia, que era discípulo de Jesus, ainda que oculto por medo dos judeus, pediu a Pilatos que lhe deixasse levar o corpo de Jesus. Pilatos permitiu-o. Foi, pois, e tomou o corpo de Jesus. 39 Nicodemos, aquele que tinha ido anteriormente de noite ter com Jesus, foi também, levando uma composição de quase cem libras de mirra e aloés. 40 Tomaram o corpo de Jesus e envolveram-n'O em lençóis com perfumes, segundo a maneira de sepultar usada entre os judeus. 41 Ora, no lugar em que Jesus foi crucificado, havia um horto e no horto um sepulcro novo, em que ninguém tinha ainda sido sepultado. 42 Por ser o dia da Preparação dos judeus e o sepulcro estar perto, depositaram ali Jesus.

 



DE  CIVITATE DEI

 

LIVRO IX

 

CAPÍTULO VI

 

Paixões que perturbam os demónios, segundo Apuleio, que afirma ser útil aos homens a sua ajuda junto dos deuses.

 

Por agora, ponhamos de parte a questão dos santos anjos e vejamos com o, segundo os platónicos, os demónios, colocados entre os deuses e os homens, são agitados pelas ferventes ondas das paixões. Se, efectivamente, sofressem tais movimentos, mantendo a liberdade de espírito e dominando-as, (A Puleio) não teria dito dos demónios que, entregues, com o nós, aos movimentos desordenados do coração e às agitações do espírito, flutuam à mercê do fervilhar das ondas do pensamento. E, pois, o seu espírito, isto é, a parte superior da alma, a parteque os toma

racionais, onde a virtude e a sabedoria (se é que alguma têm) com andariam as paixões turbulentas das partes inferiores da alma, para as reger e moderar — é, pois, o seu espírito, digo eu, como confessa este platónico, que é sacudido pelas agitadas ondas das paixões. O seu espírito é, portanto, escravo das paixões torpes, dos medos, das cóleras e de outras que tais. Qual é, então, neles a parte que está livre e na posse da sabedoria pela qual poderão agradar aos deuses e, com o exemplo dos seus bons costumes, estimularos homens, — se o seu espírito, submetido e oprimido por paixões viciosas, aplica tudo o que a natureza lhes concedeu de razão para enganar e seduzir — com tanto maior sanha quanto mais possuído está pela avidez de prejudicar?

 

CAPÍTULO VII

 

Afirmam os platónicos que os deuses foram desacreditados

pelas fantasias dos poetas, que os representam como sujeitos a afeições contrárias, próprias dos demónios e não dos deuses.

Se alguém disser que não se refere a todos mas apenas ao grupo dos maus demónios aos quais os poetas, sem muito se afastarem da verdade, representam como deuses inimigos ou amigos do homem, e que é destes que A Puleio diz que “flutuam à mercê do fervilhar das ondas do seu pensamento” — com o poderemos compreender uma coisa dessas, quando, ao falar assim, ele (A Puleio) descreve o lugar que ocupam entre os deuses e os homens, não apenas os maus mas todos os demónios, devido ao seu corpo aéreo?

Realm ente, diz ele, a ficção dos poetas consiste nisto: em colocarem alguns destes demónios entre os deuses, em darem-lhes nomes de deuses, em lhes distribuírem homens à sua vontade, como amigos ou inimigos, — e tudo graças à liberdade impune da ficção poética. Todavia, apresentam-nos os deuses muito distanciados, devido à sua morada celeste e à opulência da sua felicidade, destes costumes dos demónios. É, pois, uma ficção dos poetas chamar deuses a seres que o não são e, com o nome de deuses, pô-los a brigar entre si por causa dos homens que amam ou odeiam por paixão partidária. Mas esta ficção, diz ele, não está longe da verdade, porque os demónios, chamados deuses [835] sem o serem, são todavia descritos tais quais são. Diz ser o caso dessa Minerva de Homero que intervém em plena assembleia dos Gregos para acalmar a cólera de Aquiles (Quae mediis coetibus Graiutn cohibendo Achiüi intervenit. Apuleio, De Deo Socratis, XI; ed. Thom as, p. 19).

Essa Minerva é para ele uma ficção poética, porque Minerva, considera-a ele como uma deusa e coloca-a, longe de todo o contacto com os mortais, nas altas regiões do éter, entre os deuses, que ele a todos tem por bons e felizes. Mas que certo demónio tenha favorecido os Gregos contra os Troianos e outro tenha protegido os Troianos contra os Gregos (Vénus e Marte, como lhes chama o citado poeta (Homero) — mas que para ele (A Puleio) são deuses por ele colocados nas moradas celestes onde não praticam estas façanhas, e que os demónios tenham lutado entre si a favor dos seus amigos contra os seus inimigos, é nisso que, confessa, os poetas pouco se afastam da verdade. Realmente, contam estes factos de seres semelhantes aos homens nos movimentos do seu coração e que, com o afirma (A Puleio), flutuam à mercê do fervilhar das ondas do seu pensamento, capazes de manifestarem a sua predilecção por uns e o seu ódio por outros, não por amorda justiça mas por paixões partidárias, tal como o público que, no circo, toma partido pelos caçadores ou aurigas da sua preferência. Parece, pois, que o filósofo platónico procurou fazer com que, quando os poetas cantam estes feitos, todos acreditem que eles foram cometidos, não pelos demónios intermediários, mas pelos próprios deuses cujos nomes os poetas introduzem nas suas ficções.

 

 

 

Novíssimos

 



O FINAL DOS TEMPOS

 

Contemplar o mistério

 

O reino dos céus é uma conquista difícil e ninguém tem a certeza de o alcançar, embora o clamor humilde do homem arrependido consiga que se abram as suas portas de par em par. 

A vida matrimonial, um caminhar divino pela Terra

 


Vê quantos motivos para venerar São José e para aprender da sua vida: foi um varão forte na fé...; sustentou a sua família – Jesus e Maria – com o seu trabalho esforçado...; guardou a pureza da Virgem, que era sua Esposa...; e respeitou – amou! – a liberdade de Deus que fez a escolha, não só da Virgem como Mãe, mas também dele como Esposo de Santa Maria. (Forja, 552)

 

Ao pensar nos lares cristãos, gosto de imaginá-los luminosos e alegres, como foi o da Sagrada Família. A mensagem de Natal ressoa com toda a força: Glória a Deus no mais alto dos Céus e paz na terra aos homens de boa vontade. Que a Paz de Cristo triunfe nos vossos corações, escreve o Apóstolo. Paz por nos sabermos amados pelo nosso Pai, Deus, incorporados em Cristo, protegidos pela Virgem Santa Maria, amparados por São José. Esta é a grande luz que ilumina as nossas vidas e que, perante as dificuldades e misérias pessoais, nos impele a seguir animosamente para diante. Cada lar cristão deveria ser um remanso de serenidade, em que se notassem, por cima das pequenas contrariedades diárias, um carinho e uma tranquilidade, profundos e sinceros, fruto de uma fé real e vivida.

Para o cristão o matrimónio não é uma simples instituição social e menos ainda um remédio para as fraquezas humanas: é uma autêntica vocação sobrenatural. Sacramento grande em Cristo e na Igreja, como diz São Paulo, é, ao mesmo tempo e inseparavelmente, contrato que um homem e uma mulher fazem para sempre, pois, quer queiramos quer não, o matrimónio instituído por Jesus Cristo é indissolúvel, sinal sagrado que santifica, acção de Jesus, que invade a alma dos que se casam e os convida a segui-Lo, transformando toda a vida matrimonial num caminhar divino pela Terra. (Cristo que passa, 22–23)

 

Santíssima Virgem

 


Vida de Maria

O nascimento de Jesus

 

A VOZ DO MAGISTÉRIO

2

 

Seguindo, pois, os Santos Padres, todos a uma voz ensinamos que há-de confessar-se  um só e mesmo Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, o mesmo perfeito na divindade e o mesmo perfeito na humanidade, verdadeiramente Deus e o mesmo verdadeiramente homem de alma racional e de corpo, consubstancial com o Pai enquanto à divindade e o mesmo consubstancial connosco enquanto à humanidade,  semelhante em tudo a nós, excepto no pecado [ Hb 4, 15]; gerado do Pai antes dos séculos enquanto à divindade e o mesmo, nos últimos dias, por nós e para nossa salvação, gerado de Maria Virgem, mãe de Deus, enquanto à humanidade; que se há-de reconhecer um só e mesmo Cristo Filho Senhor unigénito em duas naturezas, sem confusão, sem alteração, sem divisão, sem separação; de modo algum apagada a diferença de naturezas por causa da união, mas conservando, antes, cada natureza a sua propriedade e concorrendo numa só pessoa e numa só hipóstasis, não quebrado ou dividido em duas pessoas, mas um só e mesmo Filho unigénito, Deus Verbo Senhor Jesus Cristo, como dos primórdios acerca d’Ele nos ensinaram os profetas e o próprio Jesus Cristo e no-lo transmitiu o Símbolo dos Padres».

 

Concílio Ecuménico de Calcedónia, sessão 5 (22-X-451). Definição das duas naturezas de Cristo (Denz 301-302).

 

FILOSOFIA, RELIGIÃO, VIDA HUMANA.

 


Emoções

 

Sem emoções não podemos fazer brotar no nosso íntimo a capacidade de fecundar a realidade criando novas formas de existência e de vida. A forçada repressão e da expansão,da assimilação e da eliminação, a autocrítica e o autopreço devem desenvolver-se em nós de um modo harmónico. O nosso equilíbrio emocional é um estado dinâmico que é preciso vigiar diariamente e sujeitar com a devida ferequência a um controlo geral.

Esses momentos mais fortes da afectividade quais são os estados emotivos, devem ser descarregados a seu tempo. Esta descarga dá-seem actividades satisfatórias ou em outras almas acolhedoras, sintónicas. Se isto não sucede, a energia emotiva recolhe dentro, recalca-se e quando as emoções são frequentes, como sucede com temperamentos juvenis, ou fortemente afectivos,  donde provêm os mais variados sintomas de anormalidade: fúrias, agressividade, solidão, cansaço da vida, revolta. As relações sociais e profissionais são muito prejudicadas. As pessoas tornam-se duras, intratáveis, e por vezes reagem mal quando vêm diante de si afeições normais e positivas. Os estados emotivos mais vulgares são provocados: pela injustiça (má interpretação das nossas nossas intenções, reprovação ou classificação injusta); compaixão (solidariedade afectiva, ressonância em cadeia dum grupo social); desilusão, fracasso (o não ter conseguido certo objectivo a que se tinha dado alma e sangue); inferioridade (julgar-se uma carga para os outros, objecto de vilipêndio, de ironia); etc.

 

(E. de Vasconcelos, Pessoa e Circunstância, Brotéria, Julho 1969, pg. 31)

Pequena agenda do cristão

    

SÁBADO

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me:

Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?




Orações sugeridas:

Reflexão

 



Perdão

 

A propósito do Perdão lembro aquela exclamação de São Paulo:

Oh felix culpa!

Referia-se à alegria de ser perdoado pela culpa que se reconhece ter.

 

De facto, quem não tem culpa não precisa de perdão.

 

(AMA, 2020)