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02/01/2021

FILOSOFIA, RELIGIÃO, VIDA HUMANA.

 

Emoções

 

Uma das fases mais significativas da pessoa no tempo é a fase emocional. A emoção é um sentimento em força ou mesmo em violência. As emoções não devem determinar resoluções. As mudanças de orientação resolvidas emocionalmente estão sujeitas a fracassar. O mesmo se diga das ordens, avisos ou repreensões. Porque a emoção cria um clima de irrealidade. A emoção despista reacções de agressividade, autodefesa, desalento que podem apossar-se dos comandos da vida, absolutizando certos aspectos impressionantes das pessoas e dos factos. A emoção é como um farol de máximos na noite: encandeia. Tudo o mais desaparece no negro.

Há emoções positivas e negativas. As primeiras têm por objecto uma qualidade, uma obra, um facto, de conteúdo estimulante e agradável para a pessoa, As emoções negativas têm por objecto defeitos, fracassos, as pirações não satisfeitas. A paixão é a fixação permanente da emoção em certo objecto.

 

(E. de Vasconcelos, Pessoa e Circunstância, Brotéria, Julho 1969, pg. 31)

28/11/2020

FILOSOFIA, RELIGIÃO, VIDA HUMANA.

 


Emoções

 

Sem emoções não podemos fazer brotar no nosso íntimo a capacidade de fecundar a realidade criando novas formas de existência e de vida. A forçada repressão e da expansão,da assimilação e da eliminação, a autocrítica e o autopreço devem desenvolver-se em nós de um modo harmónico. O nosso equilíbrio emocional é um estado dinâmico que é preciso vigiar diariamente e sujeitar com a devida ferequência a um controlo geral.

Esses momentos mais fortes da afectividade quais são os estados emotivos, devem ser descarregados a seu tempo. Esta descarga dá-seem actividades satisfatórias ou em outras almas acolhedoras, sintónicas. Se isto não sucede, a energia emotiva recolhe dentro, recalca-se e quando as emoções são frequentes, como sucede com temperamentos juvenis, ou fortemente afectivos,  donde provêm os mais variados sintomas de anormalidade: fúrias, agressividade, solidão, cansaço da vida, revolta. As relações sociais e profissionais são muito prejudicadas. As pessoas tornam-se duras, intratáveis, e por vezes reagem mal quando vêm diante de si afeições normais e positivas. Os estados emotivos mais vulgares são provocados: pela injustiça (má interpretação das nossas nossas intenções, reprovação ou classificação injusta); compaixão (solidariedade afectiva, ressonância em cadeia dum grupo social); desilusão, fracasso (o não ter conseguido certo objectivo a que se tinha dado alma e sangue); inferioridade (julgar-se uma carga para os outros, objecto de vilipêndio, de ironia); etc.

 

(E. de Vasconcelos, Pessoa e Circunstância, Brotéria, Julho 1969, pg. 31)

14/11/2020

FILOSOFIA, RELIGIÃO, VIDA HUMANA.

 


Emoções

 

Sensibilidade afectiva

 

Muitos perigos reais vêm da má formação ou mutilação da sensibilidade. Se não é alimentada, a fome de afecto vai-se acumulando e recalcando, e a sensibilidade torna-se vulnerável. E assim, pretendendo resguardá-la e defendê-la, estamos a prepará-la para graves desordens.

A afectividade só amadurece convenientemente quando desde a infância  cresce normalmente num ambiente que lhe fornece os objectos de que vai precisando e a rodeia um clima caloroso e pacificante. A pessoa que sobe para a vida, vai ganhando amor à vida ao sentir-se amada, isto é, ao sentir que a sua existência é desejada por  alguém: desejada, útil, necessária, imprescindível mesmo. O amor e o apreço por nós, a consciência do nosso valor – sentimentos-base de toda a personalidade – procedem em primeiro lugar daq uelesque nos rodeiam nos primeiros anos de vida e até certo ponto em todo o decurso da vida.

A afectividade não amadurecida fica atrasada com características infantis ou adolescente, ou, então, bloqueia-se na dureza reduzindo ao mínimo as suas funções. Sente-se então desamparada perante objectos tentadores e a sua inexperiência leva-a a fazer construções fantásticas sobre indícios banais.

 

(E. de Vasconcelos, Pessoa e Circunstância, Brotéria, Julho 1969, pg. 31)