13/11/2018

Apoiar-vos-eis uns aos outros


Se souberes querer aos outros e difundir, entre todos, esse carinho – caridade de Cristo, fina, delicada –, apoiar-vos-eis uns aos outros, e o que for a cair sentir-se-á amparado – e urgido – com essa fortaleza fraterna, para ser fiel a Deus. (Forja, 148)


Chega a plenitude dos tempos e, para cumprir essa missão, não aparece um génio filosófico, como Sócrates ou Platão; não se instala na terra um conquistador poderoso, como Alexandre Magno. Nasce um Menino em Belém. É o Redentor do mundo; mas, antes de começar a falar, demonstra o seu amor com obras. Não é portador de nenhuma fórmula mágica, porque sabe que a salvação que nos traz há-de passar pelo coração do homem. As suas primeiras acções são risos e choros de criança, o sono inerme de um Deus humanado; para que fiquemos tomados de amor, para que saibamos acolhê-Lo nos nossos braços.


Uma vez mais consciencializamos que isto é que é o Cristianismo. Se o cristão não ama com obras, fracassa como cristão, o que significa fracassar também como pessoa. Não podes pensar nos outros homens como se fossem números, ou degraus para tu subires; como se fossem massa, para ser exaltada ou humilhada, adulada ou desprezada, conforme os casos. Tens de pensar nos outros – antes de mais, nos que estão ao teu lado – vendo neles o que na verdade são: filhos de Deus, com toda a dignidade que esse título maravilhoso lhes confere.


Com os filhos de Deus, temos de comportar-nos como filhos de Deus: o nosso amor há-de ser abnegado, diário, tecido de mil e um pormenores de compreensão, de sacrifício calado, de entrega silenciosa. Este é o bonus odor Christi que arrancava uma exclamação aos que conviviam com os primeiros cristãos: Vede como se amam! (Cristo que passa, 36)

Leitura espiritual

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Vida de São Francisco de Assis)

ALGUNS MILAGRES REALIZADOS APÔS A MORTE DE SÃO FRANCISCO
O PODER DOS ESTIGMAS

CAPÍTULO I

6. Em Potenza, na Apúlia, havia um clérigo de nome Rogério, homem respeitável e cónego da igreja maior.
Encontrando-se aflito por causa de uma enfermidade, e tendo certo dia entrado na igreja na qual existia um quadro do seráfico Pai, representado com as sagradas chagas, começou a duvidar daquele estupendo milagre, como de coisa praticamente impossível pelo seu carácter extraordinário, quando, de repente, ao discorrer em seu espírito sobre essas dúvidas, sentiu como se alguém o ferisse gravemente na palma da mão esquerda que tinha coberta com uma luva, ouvindo ao mesmo tempo o ruído do golpe, semelhante ao que produz a seta ao sair da balista.
Estava atónito ao ouvir o som e sentiu a mão doer. Tirou a luva para ver com seus próprios olhos o que ele havia percebido pelo ouvido e pelo tato. Não havia nem sequer sinal de ferimento na sua mão anteriormente, mas no meio da palma da mão viu uma ferida como se tivesse sido feita por uma seta.
A dor era tão intensa, que ele pensou que ia desfalecer. E o estranho é que não se via sinal algum de ferida na luva.
A dor de uma ferida que lhe tinha sido infligida sem deixar sinal era o castigo pela ferida oculta da dúvida que ele nutria no seu coração. Aguilhoado pela terrível dor, passou dois dias gritando e dizendo às pessoas o quanto tinha sido descrente.
Firmou a sua fé nos sagrados estigmas de Francisco e jurou não haver mais nem sombra de dúvida na alma. E humildemente rogou ao santo que o ajudasse por suas santas chagas, acompanhando sua oração com abundantes lá grimas. E tendo ele renunciado à sua incredulidade, seguiu-se a saúde interior do espírito a cura definitiva da mão.
Desapareceu a dor, não mais lhe ardeu a palma da mão e já não havia mais sinal sequer do ferimento.
Por providência divina o mal oculto na sua alma estava curado, havendo-se-lhe cauterizado visivelmente a carne, e uma vez curada a alma, também curado estava o corpo.
Dessa forma aquele cónego tornou-se mais humilde, consagrou-se mais intensamente ao Senhor e cresceu nele o amor a Francisco juntamente com a intima familiaridade e benevolência para com os Irmãos.
Esse milagre tão estupendo foi testemunhado por muitas pessoas sob juramento e o seu bispo fala em carta selada com o seu sinete episcopal.
Não tem lugar, portanto, a menor dúvida acerca das sagradas chagas; ninguém as considere tampouco com prevenção culposa, pois Deus é infinitamente bom, nem se julgue que a realização de semelhante prodígio não esteja em conformidade com sua bondade.
Muitos membros do corpo de Cristo unem-se à sua cabeça com o mesmo amor seráfico que Francisco e por isso são dignos de usar a mesma armadura na batalha e serão elevados à mesma glória no céu.
Nenhum desses membros deixaria de reconhecer que tais milagres se deram para honra e glória de Cristo.

CAPÍTULO II

Alguns mortos que ressuscitaram

1. Em monte Marano, perto de Benevento, morrera uma senhora muito devota de São Francisco.
À noite veio o clero celebrar-lhe as exéquias e cantar o ofício dos mortos, quando, de repente, à vista de todos os presentes, levantou-se a senhora do leito e chamou um dos sacerdotes, que era seu padrinho, e disse-lhe: “Padre, desejo confessar-me: ouve os meus pecados.
Depois da minha morte devia ser encerrada num cárcere tenebroso, porque nunca havia confessado o pecado que te vou contar; mas tendo o bem-aventurado Francisco orado por mim, pois eu era muito devota dele em vida, me foi concedido que a alma voltasse a unir-se ao corpo, a fim de que, manifestado em confissão o pecado, mereça eu alcançar a vida eterna; e por isso, depois de confessar minha falta à vista de todos vós, irei ao descanso prometido”.
O sacerdote amedrontado recebeu a confissão contrita daquela senhora, que, depois de absolvida, se estendeu novamente no seu leito e adormeceu na paz do Senhor.

2. Na aldeia de Pomarico, nas montanhas da Apúlia, um pai e uma Mãe tinham uma filha bastante nova a quem amavam extremamente. Caiu ela de cama muito doente e faleceu. Seus pais, que não tinham nenhuma esperança de terem outro filho, julgavam que iriam morrer com ela. Reuniram-se seus amigos e parentes para realizar os funerais tão dignos de pranto. Mas a Mãe infeliz, cheia de indizível dor e mergulhada numa tristeza infinita, parecia estar fora de si.
No entanto, São Francisco, em companhia de um só Irmão, dignou-se visitar com uma visão a desolada senhora, que bem conhecia como sua devota. E falou-lhe amavelmente: “Não chores, pois a luz de tua vida, que lamentas como perdida, ser restituída por minha intercessão”.
Levantou-se então a senhora imediatamente e contando a todos o que o santo lhe dissera, proibiu que se realizasse o sepultamento da falecida; em seguida, invocando com grande fé o nome de São Francisco, tomou a mão da filha morta e a fez levantar viva, sã e salva, para grande espanto de todos.

3. Certa vez os Irmãos de Nocera (émbria) precisavam de uma carroça e pediram-na emprestada por algum tempo a um certo Pedro. Mas este insultou-os e blasfemou contra o santo, em vez de atender ao pedido de uma esmola feita em nome de Francisco.
Logo se arrependeu o homem do que fizera, porque Deus lhe fez sentir em seu coração o medo de sua vingança, que, aliàs, não tardou a vir.
De facto, o seu filho mais velho adoeceu de repente e em pouco tempo morreu.
Revolvia-se no chão o infeliz pai e não cessava de invocar a São Francisco, o santo de Deus, gritando e chorando: “Eu é que pequei, eu é que falei tão impiamente: deverias punir-me directamente, na minha própria pessoa.
O santo, agora que estou arrependido, restitui-me o que me levaste, quando eu blasfemava como ímpio! Consagro-me a ti, submeto-me para sempre a teu serviço e sempre oferecerei a Cristo um devoto sacrifício de louvor para honra do teu nome!”
A essas palavras, levantou-se o menino e havendo acalmado o pranto do pai, contou que ao separar-se sua alma do corpo, foi acolhida pelo bem-aventurado Francisco e devolvida ao corpo.

4. O filho de sete anos de um notário em Roma desejava seguir a Mãe, que estava indo à igreja de São Marcos; mas, obrigado pela Mãe a ficar em casa, atirou-se pela janela na rua. Quebrou a cabeça e morreu no local.
Ainda não se encontrava a muita distância a Mãe, quando, ao ouvir o baque do corpo do filho que caíra, voltou às pressas, encontrando-o morto. Começou então a recriminar-se e com seu comovido pranto movia à compaixão a todos os vizinhos.
Ao mesmo tempo chegou à cidade para pregar um Irmão chamado Raho, da Ordem dos Frades Menores.
Este aproximou-se do menino e perguntou confidencialmente ao pai: “Acreditas que São Francisco possa ressuscitar teu filho pelo amor que ele tinha a Cristo que restituiu a vida aos homens por sua cruz?”
O pai respondeu que ele acreditava e estava disposto a confessar esta fé e consagrar-se para sempre ao serviço do santo, se por sua intercessão chegasse a alcançar um favor tão extraordinário. O Irmão e o seu companheiro puseram-se em oração exortando aos circunstantes que fizessem o mesmo.
Terminada a oração, notou-se algum movimento no cadáver; o menino abriu os olhos, levantou os braços, sentou-se no leito e, saindo daí, começou a andar em presença de todos com perfeita saúde em virtude do poder milagroso do santo.

(cont

São Boaventura
Revisão da versão portuguesa por AMA

Em que devemos esperar?


Ante um panorama de homens sem fé e sem esperança; ante cérebros que se agitam, à beira da angústia, buscando uma razão de ser para a vida, tu encontraste uma meta: Ele! E esta descoberta injectará permanentemente na tua existência uma alegria nova, transformar-te-á e apresentar-te-á uma imensidão diária de coisas formosas que te eram desconhecidas, e que mostram a jubilosa amplidão desse caminho amplo que te conduz a Deus. (Sulco, 83)

Dado que o mundo oferece muitos bens, apetecíveis para este nosso coração, que reclama felicidade e busca ansiosamente o amor, talvez alguns perguntem: nós, os cristãos, em que devemos esperar? Além disso, queremos semear a paz e a alegria às mãos cheias, não ficamos satisfeitos com a consecução da prosperidade pessoal e procuramos que estejam contentes todos os que nos rodeiam.
Por desgraça, alguns, com uma visão digna mas rasteira, com ideais exclusivamente caducos e fugazes, esquecem que os anelos do cristão se hão-de orientar para cumes mais elevados: infinitos. O que nos interessa é o próprio Amor de Deus, é gozá-lo plenamente, com um júbilo sem fim. Temos comprovado, de muitas maneiras, que as coisas da terra hão-de passar para todos, quando este mundo acabar; e já antes, para cada um, com a morte, porque nem as riquezas nem as honras acompanham ninguém ao sepulcro. Por isso, com as asas da esperança, que anima os nossos corações a levantarem-se para Deus, aprendemos a rezar: in te Domine speravi, non confundar in æternum, espero em Ti, Senhor, para que me dirijas com as tuas mãos agora e em todos os momentos pelos séculos dos séculos. (Amigos de Deus, 209)

Evangelho e comentário


Tempo comum



Evangelho: Lc 17, 7-10

7 «Qual de vós, tendo um servo a lavrar ou a apascentar gado, lhe dirá, quando ele regressar do campo: ‘Vem cá depressa e senta-te à mesa’? 8 Não lhe dirá antes: ‘Prepara-me o jantar e cinge-te para me servires, enquanto eu como e bebo; depois, comerás e beberás tu’? 9 Deve estar grato ao servo por ter feito o que lhe mandou? 10 Assim, também vós, quando tiverdes feito tudo o que vos foi ordenado, dizei: ‘Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer.’»

Comentário:

Quem faz o que deve fazer – seja qual for a razão – é por isso digno de louvor?

Mas… o que se espera de alguém não exactamente que cumpra o que lhe compete?

Visto de outra forma se não fazemos o que devemos fazer alguém terá de o fazer por nós e, se assim é, eximimo-nos a um dever o que reprovável.

Mas o Senhor com entranhas de misericórdia “resolveu” premiar os que fazem o que devem, isto é, a sua Vontade soberana, nas coisas importantes como nas de escasso relevo.

Mais: nunca nos incumbirá de fazer o que for que esteja além das nossas capacidades.

E, já agora, que poderemos nós fazer que vá além da Vontade de Deus?

(AMA, comentário sobre Lc 17, 7-10, 01.10.2018)




Temas para reflectir e meditar


Formação humana e cristã – 107



Solidão

Parece e talvez seja, de facto, um estulto atrevimento ou pretensão, o título escolhido para esta reflexão.

A solidão o que é?
Resposta à primeira questão:

A solidão é a ausência de solidariedade!

Primeira objecção:
Quem é o responsável por essa ausência de solidariedade? O próprio ou outros?
Como definiu essa responsabilidade?
Tem a certeza que a Sua conclusão é justa?

Resposta à primeira objecção:
Se fez um exame sério e desapaixonado então poderá ter a certeza que a sua resposta é justa.

Segunda objecção:
Está absolutamente seguro do que realmente quer dizer e implica SOLIDARIEDADE?

Resposta
Parece que as duas palavras têm a mesma raiz e, sendo assim, significam o mesmo, ou seja viver em solidão é ser solidário, o que é um contrassenso.
Se é assim então solidariedade e solidão não podem coexistir.

AMA, reflexões.

Pequena agenda do cristão


TeRÇa-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Aplicação no trabalho.

Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.

Lembrar-me:
Os que estão sem trabalho.

Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





12/11/2018

Pequena agenda do cristão

SeGUNDa-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça "boa cara" que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.

Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.

Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.

Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?







El reto del amor


Hoy el reto del amor es que des la vuelta a esa persona con la que te cuesta estar.




por El Reto Del Amor

Leitura espiritual

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LEGENDA MAIOR 
Vida de São Francisco de Assis)

TERCEIRA PARTE

ALGUNS MILAGRES REALIZADOS APÔS A MORTE DE SÃO FRANCISCO

O PODER DOS ESTIGMAS

CAPÍTULO I

1. Cabendo-me narrar, para honra e glória de Deus omnipotente e do bem-aventurado Pai Francisco, alguns dos milagres aprovados, que sucederam após a sua glorificação no céu, julguei necessário principiar com aquele que mais do que qualquer outro revela o poder da cruz de Cristo e renova a sua glória.    
Homem novo e celestial, brilhou Francisco com um milagre novo e estupendo, ao ser distinguido com um privilégio jamais concedido a criatura humana antes dele: a impressão dos sagrados estigmas que conformava o seu corpo mortal ao do Crucificado.
Tudo o que se possa dizer com a língua de um mortal a respeito desse prodígio estará sempre aquém daquilo que exige o mérito do seu louvor.
Todo o esforço do santo, em público como em particular, era pensar na cruz do Senhor.
E a fim de marcar exteriormente o seu corpo com o sinal da cruz, que desde o principio da sua entrega total ao Senhor levava impressa no coração, quis encerrar-se na própria cruz, vestindo-se com o hábito de penitência feito em forma de cruz, para que, assim como em seu espírito ele se havia revestido interiormente de Cristo, assim também o seu corpo se fortificasse com as armas da cruz, e para que o exército de Francisco iniciasse sob aquela gloriosa insígnia com que o invicto chefe Cristo havia triunfado sobre os poderes infernais.
Com efeito, desde aquele primeiro instante em que o santo decidiu militar sob o estandarte do Crucificado, começaram a realizar-se nele os grandes mistérios da cruz, como claramente pode compreender todo aquele que considere com atenção toda a sua vida em que foi mudando completamente os seus pensamentos, acções e afectos e, por impulso do seu amor ser fico, se transformou em imagem perfeita do Crucificado por força das repetidas aparições da cruz.
A misericórdia divina condescendeu, pois, com o seu servo Francisco, tal como faz com os demais que de facto o amam, e imprimiu no corpo do santo o sinal da cruz, para que aquele que havia sido prevenido com amor tão intenso ... cruz também se tornasse admirável pela honra maravilhosa que a própria cruz havia de proporcionar.

2. A fim de afastar qualquer sombra de dúvida e comprovar a autenticidade desse milagre estupendo e incontestável, aí estão não só os testemunhos absolutamente dignos de fé daqueles que viram e tocaram as chagas do santo, mas também as admiráveis aparições e prodígios, ocorridos depois da sua morte.
O Papa Gregório IX, de feliz memória, a quem o santo profetizara a eleição ... cátedra de São Pedro, nutria no seu coração, antes de canonizar o porta-estandarte da cruz, algumas dúvidas a respeito da chaga do lado.
Uma noite, porém, como ele mesmo referia entre lágrimas, apareceu-me em sonhos o bem-aventurado Francisco, mostrando na fisionomia certa amargura e repreendendo-o por causa da dúvida que alimentava no seu coração, levantou o braço direito, descobriu a chaga e pediu-lhe que chegasse com uma taça para nela receber o sangue que dela brotava.
O papa aproximou da chaga a taça, a qual parecia encher-se até às bordas de sangue que corria em abundância.
Desde então nutriu tal devoção a esse extraordinário milagre e sentiu tanto zelo por ele, que de nenhum modo podia consentir que alguém se atrevesse a impugnar com temerária ousadia aquelas chagas benditas sem repreendê-lo com grande severidade.

3. Certo Irmão, menor pela profissão, pregador por ofício e eminentíssimo pelas famas das suas virtudes, acreditava firmemente na realidade dos estigmas.
Mas procurando em si uma explicação para esse milagre segundo a lógica humana, sentiu nascer em si uns vislumbres de dúvida.
Sentindo-se abatido por muitos dias com essa luta e incerteza por ter a sensualidade aumentado, apareceu-lhe em sonho o bem-aventurado Francisco com os pés enlameados, humilde e severo, paciente e irado. E disse-lhe:
“Que incertezas São essas que te afligem e que dúvidas São estas que te molestam? Vê minhas mãos e meus pés”.
Mas, embora visse as mãos chagadas, não podia ver as chagas dos pés por causa do lodo que as cobria.
Então disse-lhe o seráfico Pai: “Tira o lodo de meus pés e poderás contemplar a ferida produzida pelos cravos”.
O Irmão tomou em suas mãos os pés e parecia-lhe que realmente estava separando deles a lama e que estava tocando com as próprias mãos os cravos.
Logo que despertou daquele sonho, começou a chorar amargamente e purificou, não só com as suas lágrimas copiosas mas também com a confissão pública de suas dúvidas, os primeiros afectos da sua alma, de certa forma prejudicados pelo lodo da incredulidade.

4. Havia na cidade de Roma uma senhora, nobre pela pureza do seus costumes e pelas suas raízes ancestrais.
Ela escolhera São Francisco como seu advogado e tinha um quadro dele no seu quarto, onde orava a Deus em segredo.
Certo dia ao orar, olhou ela com atenção a imagem do santo e não viu nenhum sinal dos estigmas.
Ficou surpreendida e contrariada.
Na verdade não havia motivo nenhum para ficar surpresa, pois o artista havia omitido as chagas.
Por alguns dias esteve ela ponderando qual teria sido a razão daquela omissão.
Um dia, porém, os estigmas apareceram de repente no quadro, tal como aparecem em outras pinturas do santo.
Ficou atemorizada e imediatamente chamou a filha, que também era muito religiosa, e perguntou-lhe se os estigmas realmente estavam no quadro anteriormente.
Ela respondeu que não e jurou que os estigmas tinham sido omitidos e que agora aí estavam.
No entanto, muitas vezes acontece que o coração humano arma uma cilada para si mesmo, pondo em dúvida a verdade.
E foi o que lhe aconteceu a ela: começou com incertezas e vacilações, duvidando se a imagem já não estaria com as chagas desde o início.
Mas o poder de Deus acrescentou mais um milagre, para que não ficasse desprezado o primeiro.
De repente desapareceram aquelas chagas, ficando o quadro desprovido de tão singular privilégio, para que pelo prodígio seguinte ficasse o anterior perfeitamente confirmado.

5. Aconteceu também na cidade de Lérida, na Catalunha, que certo homem chamado João, muito devoto de São Francisco, andava por um caminho ao anoitecer, quando lhe saíram ao encontro uns homens com intenção de matá-lo, não precisamente a ele, que não tinha inimigos, mas a um outro que lhe era muito parecido e costumava andar em sua companhia.
Aproximando-se um dos homens que estavam ocultos, pensando ser seu inimigo, causou-lhe tão graves ferimentos, que o deixou sem esperança alguma de recuperar a saúde, pois ao primeiro golpe que lhe deu, quase lhe cortou o braço pela altura do ombro, e o outro golpe lhe causou tão profunda ferida no peito, que o ar que por ali escapava bastou para apagar a luz de seis velas que ardiam juntas.
Os médicos estavam convencidos de que ele não poderia salvar-se porque, tendo gangrenado, a ferida exalava um mau cheiro tão intolerável, que a própria esposa mal aguentava.
Nem havia remédio humano que pudesse aliviar-lhe a dor.
Então recorreu a São Francisco pedindo a sua intercessão tão fervorosamente quanto pôde.
E mesmo quando atacado, recomendara-se a ele e ... Santíssima Virgem.
Enquanto estava deitado sozinho no seu leito de dor, perfeitamente consciente e repetindo o nome de Francisco continuamente, entrou pela janela um homem vestido do hábito franciscano e se pôs a seu lado.
Assim lhe pareceu. A visão lhe falou, chamando-o pelo nome:
“Tiveste confiança em mim e por isso Deus te há-de curar”.
Quando o homem lhe perguntou quem era ele, disse que era Francisco e logo se inclinou para ele e desatou-lhe as feridas.
Em seguida, parecia untá-las com unguento.
Logo que sentiu o suave contacto daquelas mãos, que por virtude das chagas do Senhor tinham força para restituir a saúde, desapareceu a gangrena, sua carne ficou sã e cicatrizaram-se as feridas, voltando ao estado de perfeita saúde de que anteriormente gozava.
Depois disso desapareceu São Francisco.
Ao perceber que tinha sido curado, João chamou a esposa e prorrompeu alegre em louvores a Deus e a seu santo servo Francisco.
Ela veio correndo e ao ver de pé seu marido, que supunha ter que enterrar no dia seguinte, ficou amedrontada, e com os seus clamores chamou a atenção de toda a vizinhança.
Quando as pessoas da família chegaram, tentaram reconduzir João para a cama, pensando que estivesse louco, mas ele não quis ouvir a ninguém; procurando explicar-lhes que estava curado. Tão grande foi o pavor que os dominou, que ficaram como fora de si, parecendo-lhes estar vendo um fantasma, pois aquele a quem há pouco haviam contemplado cheio de chagas e mais ou menos já corrompido, apresentava-se a eles agora alegre e completamente restabelecido. “Não temais”, disse-lhes. “Não penseis que estais vendo fantasma. São Francisco acaba de sair daqui e foi ele quem curou todas as minhas chagas com o contacto de suas santas mãos”.
Divulgada a fama desse milagre, reuniu-se todo o povoado e, reconhecendo nesse estupendo prodígio a virtude das santas chagas de Francisco, ficaram todos cheios de admiração e alegria e com grandes manifestações aclamavam e bendiziam o porta-estandarte de Cristo.
Francisco levou os estigmas de Cristo, que por nós morreu em sua grande misericórdia e ressuscitou milagrosamente dos mortos e pelo poder de suas chagas curou o género humano que tinha sido ferido e estava semimorto.
Era justo, portanto, que aquele que morrera para este mundo e vivia com Cristo curasse um homem ferido aparecendo-lhe milagrosamente e tocando-o com suas mãos.

(cont)

São Boaventura

Revisão da versão portuguesa por AMA

Tu, sempre tu, sempre o que é ‘teu’


Egoísta! – Tu, sempre tu, sempre o que é "teu". – Pareces incapaz de sentir a fraternidade de Cristo: nos outros, não vês irmãos; vês "degraus". Pressinto o teu rotundo fracasso. – E, quando te tiveres afundado, quererás que tenham para contigo a caridade que agora não queres ter. (Caminho, 31)

Repito-vos com S. Paulo: ainda que eu falasse as línguas dos homens e a linguagem dos anjos, se não tiver caridade, sou como o bronze que ressoa ou como o címbalo que tine. E ainda que eu tivesse o dom da profecia e conhecesse todos os mistérios e possuísse toda a ciência, e tivesse toda a fé, de modo a mover montanhas, se não tiver caridade, não sou nada. E ainda que distribuísse todos os meus bens para sustento dos pobres e entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade, nada me aproveita.

Perante estas palavras do Apóstolo dos gentios, não faltam os que se assemelham àqueles discípulos de Cristo, que, ao anunciar-lhes Nosso Senhor o Sacramento da sua Carne e do seu Sangue, comentaram: – É dura esta doutrina; quem a pode escutar? É dura, sim. Porque a caridade que o Apóstolo descreve não se limita à filantropia, ao humanitarismo ou à natural comiseração pelo sofrimento alheio; exige a prática da virtude teologal do amor a Deus e do amor, por Deus, aos outros. (Amigos de Deus, 235)

Evangelho e comentário


Tempo comum


Evangelho: Lc 17, 1-6

1 Disse, depois, aos discípulos: «É inevitável que haja escândalos; mas ai daquele que os causa! 2 Melhor seria para ele que lhe atassem ao pescoço uma pedra de moinho e o lançassem ao mar, do que escandalizar um só destes pequeninos. 3 Tende cuidado convosco! Se o teu irmão te ofender, repreende-o; e, se ele se arrepender, perdoa-lhe. 4 Se te ofender sete vezes ao dia e sete vezes te vier dizer: ‘Arrependo-me’, perdoa-lhe.» 5 Os Apóstolos disseram ao Senhor: «Aumenta a nossa fé.» 6 O Senhor respondeu: «Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a essa amoreira: ‘Arranca-te daí e planta-te no mar’, e ela havia de obedecer-vos.»

Comentário:

Entendemos, por este trecho de S. Lucas, que a fé tem graus, dimensões.

Pouca fé; muita fé; fé suficiente?

Admite-se considerar as duas primeiras já a terceira não tem cabimento, nem vale a pena apreciá-la.

Sabemos que a fé é um dom de Deus e, como tal, é Ele quem no-la concede conforme – estou convencido – a nossa vontade e desejo.

Porque desejamos uma fé forte e sólida?

Porque, evidentemente, sentimos que nos coloca ao abrigo de dúvidas e tentações e nos faz ver e entender os desígnios de Deus nas nossas vidas.
Tem um preço? Um custo? Uma condição?
Evidentemente: fazer, em tudo a vontade de Deus.

Não será possível – nunca – ter esta fé se não estivermos dispostos a cumprir a vontade de Deus, porque, ao fazê-lo, declaramos sem margem para dúvidas que acreditamos que é o melhor e mais conveniente.

(AMA, comentário sobre, Lc 17, 1-6, 13.11.2017)




Temas para reflectir e meditar


Formação humana e cristã – 106



O Santo Rosário que nos esforçamos por recitar diariamente, é essa "coroa de rosas" com que ornamos a sua fronte.
Que belíssima oferta!

Por exemplo, podemos pedir-lhe que nos mostre, torne claro para nós o que é que Ele quer que façamos em cada momento, e, evidentemente, que nos ajude nessa tarefa.

AMA, reflexões.

11/11/2018

Leitura espiritual

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LEGENDA MAIOR 

Vida de São Francisco de Assis)

SEGUNDA PARTE

CAPITULO 15

Sua canonização e trasladação de seus restos mortais

1. Por uma ascensão contínua e com a ajuda da graça divina, chegara Francisco, amigo e servo do Altíssimo, às maiores culminâncias de sua existência: fundador e chefe da Ordem dos Frades Menores, propagador da pobreza, modelo de penitência, pregador da verdade, espelho de santidade e exemplo acabado da mais alta perfeição evangélica.
O Senhor que havia dado uma glória magnífica ainda em vida a este homem admirável, riquíssimo na pobreza, sublime na humildade, portentoso na mortificação, prudente na simplicidade e extraordinário na honestidade de todo seu comportamento, tornou-o incomparavelmente mais resplandecente de glória depois da sua morte.
Efectivamente, ao deixar este mundo aquele homem santo e ao entrar seu espírito seráfico na mansão ditosa da eternidade, para aí se inebriar suavemente na fonte inesgotável da vida, a sua alma deixava neste mundo, impressas em seu corpo, provas evidentes da glória que o aguardava: a carne santíssima, que ele havia crucificado com todos os seus vícios, tinha-se transformado em nova criatura já nesta vida e oferecia a todos, por um privilégio singular, uma imagem da paixão de Cristo e uma prefiguração da ressurreição.

2. Nas mãos e pés do santo, podiam ver-se os cravos milagrosamente trabalhados em sua carne pelo poder de Deus e tão aderentes a ela que, quando se apertavam suavemente por um de seus lados, sobressaíam pelo lado oposto, como se fossem feitos de uma só peça.
No seu lado também se viu uma chaga semelhante em tudo à do lado do Salvador, a qual não lhe foi feita nem causada por artifício humano, como símbolo daquela que no próprio Redentor foi causa da salvação e regeneração dos homens.
Os cravos tinham cor negra, semelhante ao ferro; mas a chaga do lado parecia vermelha, formando, com a contracção da carne, uma espécie de círculo.
Dava a impressão de uma rosa belíssima.
O restante do corpo, que, pelas enfermidades e por sua própria natureza, aparentava uma cor morena, apareceu iluminado de uma brancura própria dos corpos glorificados.

3. Os seus membros, flexíveis e brandos aos que os tocavam, pareciam ter encontrado a frescura da infância p e não poucos viram nisso um sinal de sua inocência.
Os cravos destacavam-se em sua cor escura sobre aquela pele clara, ao passo que a chaga do lado, com a sua cor vermelha, parecia rosa na primavera: compreendem-se pois a alegria e admiração de todos os que podiam contemplar esse espectáculo de beleza tão diversa e tão maravilhosa.
Os irmãos lamentavam a perda de um Pai tão amável, mas não deixavam de se alegrar ao beijarem sobre ele as armas do, Grande Rei.
Um milagre tão inaudito transformava o luto em júbilo. A inteligência humana por mais que investigasse, não chegava a compreender esses factos, mas caía num profundo êxtase.
Para as testemunhas, esse espectáculo estranho e notável era um convite a crer e a amar ainda mais, e para aqueles que recebiam a notícia representava um motivo de admiração e um apelo a vir contemplá-lo.

4. Logo que ficou público o passamento do bem-aventurado Pai e se divulgou a fama dos milagres que o acompanharam, o povo acorreu em grande número ao lugar onde jazia o santo, para contemplar com os próprios olhos aquele portento, dissipando-se assim toda dúvida da inteligência e transformando-se em gozo o pesar que a morte lhes havia causado.
Muitos cidadãos de Assis puderam examinar com os seus próprios olhos as sagradas chagas e nelas imprimir o ósculo de seu amor.
Um desses cidadãos, cavaleiro instruído e prudente, chamado Jerónimo, homem muito famoso, duvidando da realidade das sagradas chagas e mostrando-se muito incrédulo, como Tomé, com maior resolução e atrevimento que os demais, começou a tocar, diante dos irmãos e dos seus concidadãos, as mãos e os cravos do santo, e a tocar com suas próprias mãos os pés e a chaga do lado direito, como se quisesse com aquele toque nas verdadeiras marcas das chagas de Cristo arrancar do seu coração e de todos os presentes as raízes mais profundas de qualquer dúvida ou ansiedade.
Esse homem tornou-se a seguir uma das testemunhas mais convictas de uma verdade que ele havia adquirido de modo tão irrefragável, dando testemunho da verdade e jurando sobre os santos Evangelhos.

5. Também os irmãos haviam sido chamados ao passamento do Pai: juntaram-se à multidão e na noite que seguiu à morte do bem-aventurado confessor de Cristo tantos louvores se deram a Deus, que parecia mais uma liturgia celebrada entre os anjos do que uma vigília funerária.
De manhã cedo a multidão, munida de ramos e velas, trasladou o sagrado corpo à cidade de Assis, e ao passar em frente da igreja de São Damião, onde morava então, com outras irmãs, a gloriosa virgem Clara, que já goza triunfante no céu, pararam um pouco para proporcionar àquelas sagradas virgens oportunidade de ver e beijar o venerável corpo, adornado de preciosas e celestiais pérolas.
Chegados, por fim, à cidade, depositaram, cheios de júbilo e com grande reverência, na igreja de São Jorge, o precioso tesouro que levavam.
E fizeram isso em atenção ao facto de que, naquele mesmo lugar, Francisco havia aprendido, em criança, as primeiras letras; aí pregou depois pela primeira vez e aí por fim encontrou, depois de morto, o primeiro lugar de seu descanso.

6. Partiu deste mundo o seráfico Pai São Francisco no ano da encarnação do Senhor de 1226, ao anoitecer do Sábado 3 de Outubro, sendo sepultado no Domingo seguinte.
Logo começou o bem-aventurado Pai, já reinando na eterna glória, a resplandecer por seus muitos e estupendos milagres, fazendo o Senhor que a sublime santidade com que Francisco sobressaíra no mundo, como exemplo de santos costumes e perfeita justiça, recebesse um testemunho irrecusável do céu com os prodígios que operava, quando já reinava com Cristo na pátria celeste.
Logo se espalharam pelo mundo os milagres do santo; e os extraordinários benefícios que por sua intercessão se alcançavam acenderam em muitos o fogo do amor divino e os estimularam à devoção e ao culto do santo, a quem aclamavam com as palavras e as obras.
Por outro lado, também não demoraram a chegar aos ouvidos do Papa Gregório IX as grandes maravilhas que Deus operava por intercessão do servo de Deus.

7. O pastor da Igreja que nenhuma dúvida tinha sobre a sua admirável santidade, depois de todos os milagres a ele referidos desde a morte do santo e de todos aqueles prodígios de que fora testemunha durante a vida, tendo visto com os seus olhos e tocado com as suas mãos, por assim dizer, esses factos, não duvidando da glória que o Senhor já lhe reservara no céu, decidiu, para pautar a sua conduta com a de Cristo de quem ele era vigário, glorificá-lo também na terra propondo-o à veneração de todos.
A fim de dar ao mundo inteiro plena certeza sobre a glorificação do santo, mandou examinar pelos cardeais menos favoráveis à causa todos os milagres relatados e atestados por testemunhas fidedignas: foram cuidadosamente verificados, reconhecido seu valor, e uma vez obtida a unanimidade de julgamento e aprovação entre todos os seus irmãos e de todos os prelados presentes à Cúria, o papa decidiu canonizar Francisco.
Foi pessoalmente a Assis no ano de 1228 da encarnação do Senhor e, no dia 16 de Julho, que era um Domingo, durante solenidades que seria por demais longo descrever aqui, inscreveu o bem-aventurado Pai no rol dos santos.
8. No ano do Senhor de 1230, dia 25 de Maio, durante o capítulo geral reunido em Assis, os irmãos transportaram para a basílica construída em sua honra o corpo do santo consagrado ao Senhor.
Durante a trasladação desse tesouro sagrado marcado com o selo do Grande Rei, aquele cujas marcas ele trazia dignou-se, por seu intermédio, realizar numerosos milagres para que, ao odor suavíssimo que desprendia, fossem os fiéis atraídos a correr em seguimento de Cristo.
Efectivamente, era muito justo que aquele a quem Deus havia trasladado, como em outro tempo a Enoque (cf. Gn 5,24), ao paraíso da mais sublime contemplação, por ter sido durante a vida tão fiel ao amado, e a quem havia arrebatado ao céu num carro de fogo, por seu ardente zelo de caridade, como a outro Elias (cf. 4Rs 2,11), era muito justo que aqueles ossos benditos de Francisco, que haviam de germinar maravilhosamente, espalhassem agradabilíssimo perfume desde seu sepulcro, como flores de primavera plantadas nos jardins do céu.

9. Brilhara ele em vida por suas virtudes; e após sua morte resplandece de milagres, para a glória de Deus, em todos os cantos da terra. Cegos, surdos, mudos, coxos, hidrópicos, paralíticos, possessos e leprosos, náufragos e prisioneiros encontram, por seus méritos, um remédio para seus males.
Não existe doença, perigo ou necessidade às quais ele não acuda com seu auxílio, para não falar dos defuntos que ele ressuscitou milagrosamente. Dessa forma, a glória concedida a um santo manifesta a grandeza e o poder do Altíssimo, a quem pertencem a honra e a glória por infinitos séculos dos séculos.
Amém.

(cont)

São Boaventura

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