Mostrar mensagens com a etiqueta São Boaventura. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta São Boaventura. Mostrar todas as mensagens

20/11/2018

Leitura espiritual

Resultado de imagem para são francisco de assis
LEGENDA MAIOR 

Vida de São Francisco de Assis

ALGUNS MILAGRES REALIZADOS APÓS A MORTE DE SÃO FRANCISCO

ACRÉSCIMO POSTERIOR

CAPÍTULO VIII

Enfermos curados de várias doenças

1. Em Città della Pieve, havia um jovem mendigo, surdo-mudo de nascença, com uma língua tão curta e delgada, que parecia cortada na raiz, como puderam verificar muitas pessoas que o examinaram. Vendo-o nessa miséria, um homem caridoso, chamado Marcos, recolheu o por caridade em sua casa e, constatando que com isso Deus o favorecia, resolveu mantê-lo sempre consigo. Certa noite, ao cear com sua mulher, disse na presença do pobre:
“Reconheceria ser um grande milagre se o bem-aventurado Francisco se dignasse devolver a fala e a audição a este homem. E em seguida acrescentou:
“Prometo a Deus nosso Senhor que, se São Francisco fizer esse milagre, consignarei por amor dele ao nosso pobre, de meus bens, a pensa-o necessária para viver”.
No mesmo instante cresceu a língua daquele pobre e falou claramente, dizendo:
“Glória seja a Deus e a seu servo Francisco por haver-me devolvido a fala e a audição!”

2. Frei Tiago de Iseo, enquanto menino e morando em casa de seu pai, contraiu uma forma muito grave de hérnia.
Seguindo a inspiração de Deus, embora fosse jovem e enfermo, consagrou-se a Deus entrando na Ordem de São Francisco, não revelando a ninguém o mal que o afligia.
 No tempo da trasladação do corpo do ser fico Pai ao lugar onde se venera o precioso tesouro de suas santas relíquias, esse Irmão assistiu também às festas celebradas por motivo da trasladação, para prestar a devida honra ao corpo santíssimo do ser fico Pai, já glorificado no céu.
Aproximando-se da caixa onde se guardavam as sagradas relíquias, abraçou, movido de fervor de espírito, o féretro, e de repente voltaram a seu lugar milagrosamente os órgãos lesados, sentindo-se inteiramente são. Por isso lançou fora o suspensório, sem voltar a sentir mais tarde a mínima dor.
Também se curaram de enfermidades semelhantes, milagrosamente, pela misericórdia divina e pelos méritos de São Francisco, os Irmãos Bartolomeu de Gúbio, Ângelo de Todi, Nicolau de Ceccano, João de Sora, um homem de Pisa e outro de Cisterna, Pedro da Sicília e um homem de Spello perto de Assis, juntamente com outros.

3. Urna mulher de Marítima padeceu por espaço de cinco anos de alienação mental, ficando além disso privada da visão e da audição. Destruía a roupa com os dentes, não tinha medo de cair no fogo ou na água e chegou a sofrer frequentes e terríveis ataques de epilepsia. Compadeceu-se dela a misericórdia divina, e uma noite ela viu, cheia de luz celestial e divina, ao bem-aventurado Francisco, sentado num trono sublime, diante do qual ela pedia de joelhos e com grande instância a saúde.
Vendo que o santo não parecia propício a suas fervorosas orações, a mulher fez solene promessa de jamais negar enquanto possível, farta esmola a quantos lhe pedissem por amor de Deus e de Francisco. Nessa generosa promessa, logo reconheceu Francisco a que em outros tempos ele mesmo fizera ao Senhor e traçando sobre a enferma o sinal-da-cruz, restituiu-lhe a saúde integralmente.
Além disso, sabe-se, por testemunho fidedigno, que São Francisco livrou milagrosamente de enfermidades parecidas a uma menina de Núrsia, ao filho de uma pessoa nobre e a outros mais.

4. Pedro de Foligno um dia foi visitar em peregrinação uma ermida de São Miguel, não porém em espírito e fervor convenientes; mas depois de haver bebido água de uma fonte, ficou possesso dos demónios que o atormentaram por três anos, rasgando com fúria o corpo, pronunciando palavras escandalosas e praticando verdadeiros horrores. Mas, como em meio a tudo isso gozava de intervalos de lucidez e como, por outro lado, sabia da eficácia da protecção de São Francisco contra todos os poderes infernais, implorou humildemente a intervenção do santo. Foi visitar o sepulcro de São Francisco e logo que o tocou com a mão ficou livre dos espíritos malignos que o atormentavam.
De modo semelhante socorreu o misericordioso Francisco a uma mulher de Narni, possessa do demónio, e a outros muitos, cujos tormentos e curas milagrosas seria impossível enumerar.

5. Um leproso chamado Bonomo de Pano, que estava paralítico, foi levado à igreja de São Francisco por seus pais e ficou completamente curado de ambas as moléstias.
Um jovem chamado Ato de São Severino, que estava coberto de lepra, ficou curado pelos méritos de São Francisco, ao fazer promessa e ser levado ao sepulcro do santo.
O santo teve uma virtude especial para curar esse tipo de enfermidade, porque, movido por seu amor à humildade e à compaixão , se consagrara totalmente ao serviço dos leprosos.

6. Uma mulher nobre, chamada Rogada, natural do bispado de Sora, sofria já por vinte e três anos de fluxo de sangue, tendo passado por inúmeros tratamentos dolorosos. As dores eram tão fortes, que muitas vezes parecia que a mulher ia expirar, e se por vezes se podia conter o fluxo, todo o corpo inchava monstruosamente. Mas, ouvindo um mesmo cantar na língua local os milagres que Deus havia operado por mediação de Francisco, cheia de grande dor, começou a chorar amargamente.
Em seu interior dizia com toda fé: “O bem-aventurado São Francisco, que realizas tantos milagres! Se te dignares livrar-me desta doença, alcançar s muito maior glória, pois até agora ainda hão fizeste um milagre tão estupendo!”
Que efeito tiveram estas palavras? A enferma ficou instantaneamente curada pelos méritos do ser fico Patriarca. Um filho desta senhora, chamado M rio, que tinha um braço paralítico, fez uma promessa a São Francisco e por sua intercessão ficou inteiramente São. Também curou o servo de Deus a uma mulher da Sicília, que por espaço de sete anos padecia de uma doença muito incómoda.

7. Havia em Roma uma senhora de nome Praxedes muito conhecida por sua vida devota, a qual vivera quase quarenta anos num cárcere estreito por amor a seu Esposo eterno e recebera favor especial de São Francisco. Com efeito, certo dia ela subiu ao ponto mais alto do seu cárcere, ... procura de coisas necessárias, quando teve um mal súbito, caiu ao solo, fracturando o pé e a rótula, além de deslocar o ombro. Apareceu-lhe então São Francisco, vestido de glória e falando-lhe com inefável suavidade: “Levanta-te, amada filha, levanta-te e não temas”. Tomou-a pela mão e, levantando-a da terra, desapareceu. Praxedes, no entanto, caminhava de um lado para outro no cárcere pois imaginava ser um sonho aquilo que estava vendo. Começou então a gritar, de modo que alguns acudiram com luz, e vendo-se ela completamente sã por virtude dos méritos de São Francisco, relatou tudo aos presentes a respeito do milagre.

(cont

São Boaventura

Revisão da versão portuguesa por AMA

19/11/2018

Leitura espiritual

Resultado de imagem para são francisco de assis
LEGENDA MAIOR 

Vida de São Francisco de Assis

ALGUNS MILAGRES REALIZADOS APÔS A MORTE DE SÃO FRANCISCO

CAPÍTULO VII

CEGOS QUE RECOBRARAM A VISTA

1. No convento dos franciscanos de Nápoles, havia um Irmão chamado Roberto, que por muitos anos viveu cego.
Em seus olhos haviam-se formado umas excrescências carnosas que impediam o uso e o movimento das pálpebras.
Muitos Irmãos por lá costumavam passar como hóspedes ao se dirigirem a diversas partes do mundo, quando aconteceu que o bem-aventurado Francisco, espelho de perfeita obediência, a fim de animar os Irmãos em seus empreendimentos por meio de um milagre, curou em presença de todos aquele Irmão cego, da seguinte maneira:
Frei Roberto, às portas da morte, jazia em sua cama e já se lhe havia feito a encomendação da alma, quando se aproximou o seráfico Pai com três outros Irmãos, homens de grande santidade: Santo António, Frei Agostinho e Frei Tiago de Assis, que assim como o tinham seguido perfeitamente durante a vida, assim também o acompanharam alegres após a morte.
São Francisco tomou uma faca e cortou ao enfermo toda a carne supérflua dos olhos, restituiu-lhe a saúde junto com a vista, livrou-o da morte e lhe disse:
“Roberto, meu filho, esta graça que te concedi para servir de sinal para nossos Irmãos que partem para regiões distantes onde os precederei e dirigirei todos os seus passos.
Irão, pois, felizes, e cumprirão com ânimo alegre o mandamento da santa obediência”.

2. Em Tebas, cidade da Grécia, havia uma mulher cega, que costumava jejuar a pão e água na vigília de São Francisco.
Ao amanhecer de um desses dias festivos, foi ela conduzida por seu marido à igreja dos Irmãos menores.
Ouvia ela a missa, e à hora da elevação do corpo de Cristo, abriu os olhos e o viu com toda clareza, fez um acto de profunda adoração, e disse em voz alta: “Graças sejam dadas a Deus e a seu servo Francisco, pois tenho a felicidade de ver a hóstia consagrada”.
A essas palavras os presentes prorromperam em exclamações de alegria. Terminada a missa, voltou a mulher para sua casa com imenso júbilo na alma e claríssima luz nos olhos.
A felicidade daquela senhora era enorme não só por haver recuperado a vista corporal, mas também porque mediante a intercessão de São Francisco e ajudada por sua fé merecera contemplar acima de tudo aquele augusto e divino sacramento, que encerra em si aquele que é a Luz verdadeira e inextinguível das almas.

3. Um menino de catorze anos de Pofi, na Campania, por um trauma repentino, ficou totalmente cego do olho esquerdo.
Pela violência da dor, saíra-lhe o olho da órbita, pendendo oito dias sobre a face na largura de um dedo, por causa do afrouxamento do nervo. Não havia outro remédio senão operar, na opinião dos cirurgiões.
Vendo isso, o pai do menino apegou-se confiante à protecção de São Francisco, que não deixou de atender às súplicas do seu devoto, advogado que é sempre dos necessitados. Com um prodígio extraordinário, recolocou em seu lugar o olho enfermo, restituindo-lhe a visão perfeita.

4. Naquela mesma região, em Castro dei Volsci, uma viga muito pesada desprendeu-se de uma altura e caiu sobre a cabeça de um sacerdote, cegando-lhe o olho esquerdo.
Caído no chão, o paciente começou a chamar em alta voz e angustiado a São Francisco: “Socorro, Pai santíssimo, para que eu possa ir ... tua festa, como prometi aos teus Irmãos!”
Deu-se isso na vigília da festa do santo, e o sacerdote levantou-se inteiramente são, dando gritos de alegria e acção de graças, causando grande surpresa e júbilo a todos os presentes que se haviam compadecido de sua miséria.
Assistiu à festa do santo, narrando a todos a estupenda maravilha que com ele havia realizado.

5. Certo homem de Monte Gargano trabalhava em sua vinha e, ao cortar uma acha de madeira, feriu-se na vista, de modo que esta se partiu ao meio, ficando uma parte pendente.
Perdeu a esperança de curar o seu mal por meios humanos, e prometeu solenemente a São Francisco jejuar em sua festividade caso o socorresse.
Fez a promessa e logo ficou curado: o olho se recompôs em seu devido lugar, adquiriu perfeita visão e nenhum sinal ficou de lesão.

6. O filho de um nobre, cego de nascença, conseguiu a visão tão desejada pelos méritos de São Francisco.
E por haver conseguido assim a visão, deram-lhe o nome de Iluminado.
Ao chegar mais tarde à idade competente, e muito grato pelo benefício recebido, vestiu o hábito da Ordem de São Francisco e adiantou-se tanto em luz de graça e virtudes, que com razão parecia filho da própria Luz.
Enfim, pelos méritos de Francisco, aquele princípio tão santo teve um fim ainda mais santo.

7. Em Zancato, perto de Anagni, um cavaleiro de nome Geraldo perdera totalmente a vista. Dois Irmãos menores que acabavam de chegar de além-mar foram à casa daquele cavaleiro pedir hospedagem. Toda a família os recebeu com devoção e com grande afabilidade foram tratados por amor a São Francisco.
Depois de dar graças ao Senhor e a seus bons hóspedes, foram ao convento mais próximo.
Algum tempo depois, São Francisco apareceu certa noite em sonho a um daqueles Irmãos, dizendo-lhe: “Levanta-te e vai depressa à casa de nosso hóspede que na vossa pessoa nos recebeu a Cristo e a mim, pois quero cumprir com ele os deveres da piedade.
Sabei que ficou cego por suas culpas, que não procurou expiar com a confissão sacramental”. Desapareceu São Francisco e o Irmão, sem perda de tempo, se levantou para cumprir junto com seu companheiro a ordem recebida.
Chegados à casa do hóspede, referiram todos os detalhes do sonho que um deles havia tido. O homem ficou admirado, confirmando ser verdade tudo o que lhe referia o Irmão, e, derramando copiosas lágrimas, confessou-se com viva dor de suas culpas.
Por fim, prometeu emendar-se e mudar de vida, e no mesmo instante recobrou a vista.
Espalhou-se por toda parte a fama deste milagre.
Muito cresceu a devoção a São Francisco e grande número de pessoas sentiu-se estimulado à humilde e sincera confissão de seus pecados.

ACRÉSCIMO POSTERIOR

7. Em Assis, um homem acusado falsamente de furto foi condenado à cegueira total por decreto do juiz de Assis, Otaviano; a sentença foi executada pelo cavaleiro Otão e oficiais de justiça.
Estes forçaram ao condenado os olhos para fora das órbitas e amputaram-lhe os nervos oculares com uma faca.
A seguir o pobre homem foi levado diante do altar de São Francisco a quem o infeliz pediu que o socorresse.
Disse que era inocente e pela intercessão do santo recebeu novos olhos dentro de três dias.
Eram menores, mas a visão era a mesma de sempre.
O cavaleiro Otão prestou juramento acerca do estupendo milagre diante de Tiago, abade de São Clemente, que estava fazendo investigações a respeito por autoridade do bispo Tiago de Tivoli.
Também prestou depoimento Frei Guilherme Romano, ao qual Frei Jerónimo, ministro geral da ordem, ordenou por obediência e sob pena de excomunhão que referisse veridicamente tudo quanto sabia a respeito.
Obrigado a um juramento assim tão solene, em presença de muitos ministros provinciais e de outros Irmãos que gozavam de autoridade, afirmou o que segue:
Quando ainda era leigo, conheceu o homem em questão e verificou que ele tinha os dois olhos. Assistiu em seguida à operação com que o cegaram; e até mesmo, por curiosidade, chegou a revirar com um bastão aqueles olhos lançados no chão.
Depois viu o mesmo homem dotado de novos olhos, que ele recebera por graça da misericórdia divina e com os quais via muito bem.

(cont

São Boaventura
Revisão da versão portuguesa por AMA

18/11/2018

Leitura espiritual

Resultado de imagem para são francisco de assis
LEGENDA MAIOR 

Vida de São Francisco de Assis

ALGUNS MILAGRES REALIZADOS APÔS A MORTE DE SÃO FRANCISCO

CAPÍTULO IV

MULHERES SOCORRIDAS NA HORA DO PARTO

1. Havia na Eslavônia certa condessa, ilustre por sua nobreza, muito devota de São Francisco e afeiçoada à Ordem franciscana.
Veio a hora de ela dar à luz e sentia tantas dores e angústias, que o nascimento da criança prenunciava já a morte da Mãe. Não era possível que a criança nascesse viva, salvando-se a Mãe. Era mais um perecer do que aparecer aquele parto.
Vieram-lhe então à memória e mais ainda ao coração a fama, a virtude e a glória de São Francisco.
Cresceu a sua confiança e aumentou a sua devoção. Recorreu ao auxilio eficaz, ao amigo fiel, ao consolo de seus devotos, ao refúgio dos aflitos e disse: “Glorioso São Francisco, à tua piedade recorro com todas as veras da alma e não consigo explicar o que desejo prometer-te”.
E com extraordinária prontidão, às últimas palavras daquela mulher, cessaram as dores e foram o princípio de um parto feliz. No mesmo instante acabaram-se as angústias e deu à luz sem nenhum sofrimento.
Mandou construir uma linda igreja com seu dinheiro e depois de construída cedeu-a aos Irmãos para honrar o santo.

2. Uma senhora chamada Beatriz que vivia perto de Roma estava às portas do esperado parto, mas a criança morrera no ventre materno havia alguns dias. Por isso se viu a infeliz atormentada por angústias mortais e dores intoleráveis.
O feto morto provocava a morte; sem ter visto a luz do dia, punha em risco a vida da Mãe.
Recorreu a vários médicos, mas não se encontrava remédio humano para ela. A infeliz mulher arcava com uma maldição pesada demais, devida ao pecado original: transformada em sepultura de seu filho, ela mesma estava certa de em breve parar na sepultura.
Por fim, pondo toda a sua esperança nos Irmãos menores, mandou pedir deles, com toda fé e humildade, uma relíquia de São Francisco. Conseguiram encontrar um pedacinho de corda que o santo durante certo tempo usou como cíngulo.
Mal colocaram sobre o corpo aquele pedacinho de corda, a mulher em trabalho de parto sentiu desaparecer toda dor, expeliu com extrema facilidade o feto morto e causa de morte, e recuperou a saúde.

3. A esposa de um cavaleiro de Calvi, chamada Juliana, vivia sempre triste e desconsolada ao ver que não conseguia nenhum filho, pois todos eles morriam pouco depois de nascidos.
Como estivesse já no quarto mês de gestação, começou a temer, pela experiência dos casos anteriores, que o seu futuro parto seria antes a morte e não o nascimento de um filho; mas com grande confiança suplicava a São Francisco pela vida daquela criança que ainda não nascera.
Sucedeu, porém, que estando dormindo certa noite, apareceu-lhe em sonhos uma mulher que trazia em suas mãos um menino muito lindo e o oferecia a ela com grandes mostras de prazer. Mas como ela se negasse a recebê-lo, por medo de perdê-lo logo, aquela mulher lhe acrescentou:
“Recebe-o sem medo porque, compadecido de tuas lágrimas, é o próprio São Francisco quem te envia este, e tem plena certeza que viver e gozar de perfeita saúde”.
Acordou Juliana naquele instante e pela visão celeste compreendeu que o bem-aventurado Francisco viera em seu auxílio.
Desde então, repleta de extraordinária alegria, multiplicou as suas orações e promessas pelo filho que esperava ter.
Chegou enfim o tempo do parto, e ela deu à luz um menino, que a seguir cresceu, cheio de força e juventude vigorosa, como se São Francisco lhe houvesse dado um reforço de saúde e foi para os pais motivo de devoção ainda mais sentida para com Cristo e o santo.
Prodígio análogo realizou São Francisco na cidade de Tivoli.
Uma mulher, Mãe de muitas filhas, era atormentada pelo desejo de ter um filho homem.
Voltou-se a São Francisco com orações e votos e obteve a graça, superior a todas as suas esperanças, de dar à luz dois gémeos.

4. Uma mulher de Viterbo, aproximando-se a hora do parto, estava para morrer, atormentada de dores nas vísceras, além de angustiada com o trabalho normal do parto.
Baldados todos os recursos da medicina, por causa de sua debilidade, invocou com grande fervor a São Francisco.
 No mesmo instante ficou livre de suas dores e deu à luz com felicidade.
Obteve a graça, mas esqueceu-se de agradecer, entregando-se no dia seguinte, festa do santo, a trabalhos servis.
De repente, o braço direito da mulher ficou rido e tolhido e ao tentar colocá-lo em movimento com o esquerdo também este ficou inflexível.
Atemorizada a mulher com esse castigo, repetiu o seu voto e pela segunda vez se consagrou ao misericordioso e humilde santo, obtendo, pelos méritos dele, recuperar o uso dos membros, que havia perdido pela ingratidão e irreverência.

5. Uma senhora de Arezzo durante sete dias se encontrava nas dores de um parto perigoso, e todos a supunham desenganada, pois o corpo já estava completamente negro.
Fez promessa a São Francisco e, estando para morrer, começou a invocar o nome do santo.
Assim que fez a sua promessa, adormeceu e viu em sonho ao bem-aventurado Francisco que lhe falava suavemente. Perguntava-lhe o santo se lhe reconhecia a fisionomia e se sabia recitar a salve-rainha. Respondeu-lhe a senhora que o reconhecia e sabia aquela oração. E o santo lhe disse:
“Começa a oração e, antes de terminá-la, terás dado à luz sem dificuldades. Enquanto suplicava “esses olhos misericordiosos a nós volvei” e mencionava “bendito fruto do vosso ventre”, a mulher, livre de toda angústia, deu à luz um menino.
Deu então graças à “Rainha, Mãe de misericórdia”, que pelos méritos de São Francisco tivera misericórdia com ela.

(cont

São Boaventura
Revisão da versão portuguesa por AMA

17/11/2018

Leitura espiritual

Resultado de imagem para são francisco de assis
LEGENDA MAIOR 
Vida de São Francisco de Assis

ALGUNS MILAGRES REALIZADOS APÔS A MORTE DE SÃO FRANCISCO

CAPÍTULO V

PRISIONEIROS E ENCARCERADOS POSTOS EM LIBERDADE

1. Na Grécia, aconteceu que o servo de um senhor foi falsamente acusado de roubo.
O senhor  acorrentou-o e o pôs em duro cárcere. Mas a senhora da casa teve piedade dele. Estava convencida de que ele era inocente da acusação feita contra ele e rogou ao marido que o soltasse. Ele, porém, obstinadamente recusava-se a libertá-lo.
Então aquela senhora recorreu a São Francisco e recomendou o homem inocente à sua intercessão.
Francisco, protector dos pobres, respondeu imediatamente e foi visitar o prisioneiro. Soltou-lhe as correntes que o prendiam e abriu as portas da prisão. Em seguida, conduzindo-o pela mão, levou-o para fora e lhe disse: “Sou Francisco. A tua senhora confiou-te à minha intercessão”.
O prisioneiro ficou amedrontado. Como tivesse que fazer a volta pelo lado de um rochedo muito alto, repentinamente se encontrou, por auxílio do seu libertador, em terra plana.
Voltou à casa de sua senhora e referiu a ela, alegre e minuciosamente os pormenores do milagre, de sorte que ela se tornou mais devota ainda no seu amor a Cristo e a São Francisco.

2. Em Massa de São Pedro, um homem pobre devia a um cavaleiro uma certa quantia de dinheiro.
Na sua pobreza, não tinha recursos para lhe pagar a dívida. O credor então mandou prendê-lo. O pobre rogava-lhe que tivesse compaixão dele e lhe desse outra oportunidade, por amor a São Francisco.
O nobre, no entanto, cheio de orgulho, fazia-se surdo às súplicas do outro, desprezando como ridículo o amor do santo. E respondeu-lhe desdenhosamente: “Vou colocar-te num cárcere tão oculto e seguro, que nem esse Francisco nem outro qualquer poderão socorrer-te”. E fazendo o que ameaçara, procurou um cárcere escuro, e lá encerrou o desgraçado, carregado de pesadas cadeias.
Pouco depois, apareceu-lhe São Francisco, livrou-o daqueles ferros, abriu-lhe as portas e o deixou ir livre para sua casa.
O senhor orgulhoso ficou humilhado pela virtude poderosa de Francisco, que libertou o preso que se lhe havia recomendado e trocou, por verdadeiro milagre, a petulância daquele cavaleiro em mansidão exemplar.

3. Alberto de Arezzo foi lançado na prisão por dívidas que ele jamais contraiu; encomendou-se a São Francisco na sua inocência com toda humildade; era muito afeiçoado à Ordem e tinha veneração especial ao santo de Assis acima de qualquer outro.
O credor blasfemo afirmou que ninguém nem Deus nem São Francisco seriam capazes de livrá-lo das suas mãos.
Alberto, no entanto, na vigília da festa do santo, fez um jejum rigoroso e deu sua ração de comida a um mendigo por amor a São Francisco.
Naquela noite, enquanto vigiava, apareceu-lhe o santo. Assim que ele entrou na cela, caíram as
cadeias das mãos e dos pés do prisioneiro, as portas se abriram por si mesmas e as tábuas do tecto saltaram.
Libertou-se então aquele homem e voltou para casa. Cumpriu desde então a promessa que fez de sempre jejuar na véspera da festa de São Francisco e, como testemunho do seu crescente amor ao santo, a cada ano que passava acrescentava uma onça ao volume do círio que acendia em sua honra.

4. Quando o Papa Gregório IX pontificava, certo homem chamado Pedro, natural da cidade de Alife, acusado de heresia, foi preso em Roma por ordem do papa e levado ao bispo de Tivoli para ser custodiado.
Recebeu-o o bispo e, para não perder o bispado, mandou pôr-lhe cadeias e prendeu-o num cárcere escuro para não escapar, dando-lhe um pouco de pão e um pouco de água para sobreviver.
Vendo-se o prisioneiro em situação tão penosa, começou a invocar entre lá grimas e suspiros a protecção de São Francisco para que o socorresse, tanto mais porque ouvira que era a véspera da festa do santo.
E como a pureza de sua fé vencera a contumácia dos seus erros e se unira a Francisco com todas as veras de sua alma, mereceu ser ouvido por Deus pelos méritos de seu advogado Francisco.
Efectivamente, aproximando-se a noite da festa, e quando a luz do crepúsculo começava a desvanecer-se, apareceu ao prisioneiro no cárcere o seráfico Patriarca com semblante misericordioso, chamou-o por seu próprio nome e mandou-lhe que se levantasse imediatamente.
Atemorizado, perguntou quem era, e a aparição lhe disse que era Francisco.
Percebendo que estava livre das cadeias e que as portas do cárcere estavam abertas para sair, ficou tão perturbado, que não conseguia acertar o caminho de saída, e dando gritos diante da porta, fez correr os guardas que, às pressas, foram participar ao bispo que o preso estava livre das cadeias.
Logo chegou a notícia aos ouvidos do bispo, o qual, movido por sua devoção, foi até ao cárcere e, inteirado do acontecido, só teve que reconhecer a mão de Deus, adorando-o com acção de graças pelo prodígio.
As cadeias que haviam prendido aquele homem foram apresentadas ao Senhor Papa e aos cardeais que, vendo o sucedido, ficaram muito admirados e deram graças ao Senhor.

5. Guidolotto de São Geminiano foi acusado falsamente de ter envenenado um homem e de ter a intenção de exterminar do mesmo modo o filho dele e toda a família.
O magistrado decretou a sua prisão e mandou acorrentá-lo num cárcere escuro.
Ele, porém, entregou-se a Deus, encomendando-se à intercessão de São Francisco, seguro de sua inocência.
Entretanto, o magistrado reflectia de que modo poderia melhor arrancar ao suposto culpado a confissão do crime, por meio de torturas, e a que género de morte o condenaria assim que ele confessasse o crime.
Estava já determinado que no dia seguinte o réu seria levado ao lugar do suplício; mas naquela mesma noite foi visitado por São Francisco, que iluminou a prisão com uma luz esplêndida durante toda a noite; encheu-o de gozo e confiança e deu-lhe segurança para se evadir.
Pela manhã chegaram os carrascos, os quais tiraram o prisioneiro do cárcere e o suspenderam no cavalete, agravando os seus tormentos com grandes ferros. Várias vezes o faziam baixar e subir para que, revezando-se as penas, se visse obrigado a confessar o crime.
Mas a convicção de sua inocência se reflectia alegremente no seu rosto, sem deixar transparecer sombra alguma de tristeza em meio de suas penas.
Depois fizeram uma grande fogueira debaixo do condenado e não conseguiram queimar-lhe um só cabelo, apesar de ter a cabeça voltada para o chão.
Por fim, lançaram-lhe óleo fervente em grande quantidade, mas ele superou todos esses tormentos, ajudado por Francisco, a quem havia confiado sua defesa.
Com isso ficou livre de tudo e se foi São e salvo.

(cont

São Boaventura
Revisão da versão portuguesa por AMA

16/11/2018

Leitura espiritual

Resultado de imagem para são francisco de assis
LEGENDA MAIOR 

Vida de São Francisco de Assis)

ALGUNS MILAGRES REALIZADOS APÔS A MORTE DE SÃO FRANCISCO



CAPÍTULO III

ALGUNS QUE SÃO FRANCISCO SALVOU DO PERIGO DA MORTE

9. Certo dia, um homem chamado Nicolau, de Ceprano, caiu nas mãos dos seus inimigos.
Estes crivaram-no de ferimentos de tal forma que lhes parecia bem morto.
Mas Nicolau, ao receber o primeiro golpe, exclamara em alta voz: “São Francisco, socorro! São Francisco, socorro!”
Ouviram estas palavras muitos que estavam à distancia, mas não puderam socorrê-lo.
Levado por fim à sua casa e todo ensanguentado, afirmava cheio de confiança que não morreria em consequência daquelas feridas e que no momento não sofria nada porque São Francisco lhe estava prestando socorro e havia conseguido de Deus a vida para fazer penitência.
Confirmou-se tudo isso em breve, pois uma vez que lhe lavaram aquele sangue, levantou-se ele completamente curado, contra toda expectativa dos presentes.



10. Em São Geminiano, havia um nobre que tinha um filho tão gravemente enfermo que, perdida toda a esperança, parecia nos últimos momentos de vida. Saía de seus olhos um fio de sangue, como acontece quando se abre uma veia no braço, e em todo o corpo apareceram os sinais que prenunciam a morte.
Ao vê-lo sem movimento, sem uso dos sentidos e mesmo da respiração, todos o consideravam morto. Os parentes e amigos Já se haviam reunido para prantear o morto e dar-lhe sepultura.
Mas o pai do jovem, cheio de confiança no Senhor, foi apressadamente à igreja de São Francisco, edificada no mesmo povoado, e com o cíngulo no pescoço, prostrou-se em terra com toda humildade.
E nessa atitude longamente orou, multiplicando as suas promessas e obtendo pelas suas lágrimas e suspiros ter São Francisco como seu advogado diante de Deus.
Voltou ao lugar onde se encontrava o filho e, encontrando inteiramente curado, trocou as lágrimas pela alegria.


11. Prodígio semelhante operou Deus pelos méritos de São Francisco numa menina natural de Tamarit, na Catalunha, e com outra dos arredores de Ancona, as quais encontravam-se tão gravemente enfermas, que quase já haviam entrado na fase da agonia.
Mas tendo os pais invocado a protecção do bem-aventurado Francisco, ficaram repentinamente curadas.

12. Em Alba, havia um clérigo, chamado Mateus, que tendo bebido um veneno mortífero, ficou tão doente, que, não podendo falar de modo algum, só lhe restava exalar o último suspiro.
Um sacerdote aconselhou-o que se confessasse.
Mas não conseguiu pronunciar uma só palavra. Contudo, orava o enfermo com todo fervor a Deus no íntimo de seu coração, pedindo-lhe se dignasse livrá-lo da morte por intermédio de seu servo Francisco.
No mesmo instante, confortado pelo Senhor, pronunciou com grande devoção diante de todos os presentes o nome de Francisco, expeliu o veneno e deu graças ao seu libertador.

CAPÍTULO IV


Náufragos socorridos

1. Certos marinheiros, surpreendidos por uma violenta tempestade a dez milhas do porto de Barletta, viram-se em grave perigo e, já sem esperança de sobreviver, lançaram âncoras.
Os ventos, porém, enfureceram-se ainda mais levantando ondas enormes, que acabaram rompendo as amarras deixando a embarcação sem âncora e ao léu das correntes do mar revolto.
Serenado enfim o mar por disposição divina, esforçaram-se os marinheiros por recuperar as âncoras, cujos cabos flutuavam sobre o mar. E como não podiam conseguir seu intento por próprias forças, invocaram a protecção de vários santos.
Apesar de tudo e dos esforços ingentes, não conseguiram em todo um dia recolher nenhuma das âncoras.
Entre os navegantes havia um chamado Perfeito, mas que estava muito distante ainda de o ser nas atitudes.
Este, em tom chistoso, disse aos companheiros: “Vede, camaradas! Invocastes o auxílio de todos os santos e, como percebeis, nenhum deles nos socorre.
Que tal invocarmos um certo Francisco, um santo bem novo. Quem sabe se ele não dá um mergulho nas águas e nos traz de volta as âncoras perdidas?”
Concordaram os companheiros, não jocosamente, mas aceitando de verdade a proposta de Perfeito, e repreendendo-o pelas suas palavras desrespeitosas, fizeram todos uma promessa ao santo.
No mesmo instante, sem que os marinheiros fizessem qualquer coisa, viram flutuar as âncoras, como se a natureza pesada do ferro se houvesse transformado na leveza da madeira.

2. Certo peregrino, extremamente debilitado por causa de uma febre muito forte, da qual apenas estava se recuperando, seguia viagem a bordo de um navio procedente de além-mar.
Era muito devoto de São Francisco e o havia escolhido como advogado ante o Rei celeste. E como ainda não se livrara da enfermidade, sentia-se abrasado de uma sede ardente, quando, faltando água para se refrigerar, começou a exclamar: “Ide, marinheiros, tende confiança; trazei-me água a beber, porque o bem-aventurado Francisco encheu de água meu vaso”.
Foram os marinheiros e efectivamente encontraram cheio de água até às bordas o vaso que pouco antes haviam deixado inteiramente vazio.
Outro dia, tendo-se levantado uma tempestade violenta, as ondas enfurecidas ameaçavam afundar o navio, e todos temiam o naufrágio. Mas aquele mesmo enfermo começou repentinamente a gritar: “Levantai-vos todos e ide ao encontro de Francisco. Eis que ele vem nos salvar!”
E assim falando, caiu em terra, com grandes clamores e lágrimas, para venerá-lo.
No mesmo instante, com a aparição do santo, o enfermo ficou São e o mar serenou.

3. Frei Tiago de Rieti, depois de atravessar um rio numa pequena barca, e deixando na margem os companheiros, dispunha se a desembarcar. A barca, porém, virou, salvando-se a nado o que a dirigia, enquanto. Frei Tiago ia ao fundo.
Entretanto, os Irmãos, postos de joelhos na margem, invocavam com grande fervor o seráfico Patriarca, pedindo-lhe entre lá grimas se dignasse socorrer aquele que era seu filho. Da mesma forma, Frei Tiago, submerso nas profundezas das água, implorava em seu coração, já que não podia com os lábios, o auxílio de seu piedosíssimo Pai.
Então, protegido pela presença de São Francisco, caminhava no fundo como se fora por um caminho real e, entrando na embarcação, chegou de novo à margem.
O seu hábito, por incrível que pareça, não estava molhado. Nem uma gota de água atingira a sua túnica.

4. Um Irmão chamado Boaventura estava atravessando com outros dois homens um lago, quando a pequena embarcação se partiu por causa da força da corrente, indo ao fundo a barca e seus tripulantes. Do fundo daquele lago de miséria, invocavam com grande confiança o misericordioso Pai São Francisco, e subitamente apareceu o santo conduzindo-a sobre a água, e felizmente chegou ao porto com seus tripulantes. Semelhantemente ficou livre por intercessão de São Francisco um Irmão de Ascoli que caíra no lugar mais fundo de um rio.
Aconteceu também no lago de Rieti que, encontrando-se vários homens e mulheres em semelhante perigo, invocaram o nome de Francisco e ficaram felizmente livres de um iminente naufrágio.

5. Alguns marinheiros de Ancona, surpreendidos por uma tremenda tempestade, encontravam-se em perigo de afundar-se.
Desesperados, suplicaram humildemente a São Francisco. Apareceu então sobre a nau uma grande luz e com ela a bonança, como a indicar que o homem de Deus possuí o estupendo poder de ordenar aos ventos e ao mar.
Parece-me impossível narrar um a um os grandes prodígios que operou e ainda opera no mar nosso bem-aventurado Pai, como também as muitíssimas vezes que salvou milagrosamente aos que estavam para naufragar. E não admira que se tenha concedido poder sobre as águas àquele que reina no céu, quando sabemos que a ele mesmo, enquanto vivia neste mundo, lhe serviam as criaturas como faziam com o primeiro homem nos felizes dias da inocência.

(cont

São Boaventura
Revisão da versão portuguesa por AMA

15/11/2018

Leitura espiritual

Resultado de imagem para são francisco de assis
LEGENDA MAIOR 

Vida de São Francisco de Assis

ALGUNS MILAGRES REALIZADOS APÔS A MORTE DE SÃO FRANCISCO

O PODER DOS ESTIGMAS

CAPÍTULO III

ALGUNS QUE SÃO FRANCISCO SALVOU DO PERIGO DA MORTE

3. Alguns jovens de Celano tinham ido cortar pasto num campo, onde havia um velho poço cuja boca estava coberta de mato abundante. Tinha mais ou menos quatro metros de profundidade.
Andavam trabalhando separadamente pelo campo, quando um deles repentinamente caiu no poço.
Mas enquanto seu corpo descia àquelas profundezas, o seu espírito subia invocando a protecção de São Francisco. E já ao sair gritava: “São Francisco, socorro!”
Todos os outros, não o vendo mais, começaram a procurá-lo por toda parte, gritando e chorando. Quando descobriram que ele havia caído no poço, correram a comunicar o acidente e pedir socorro. E voltaram com muita gente.
Um homem desceu ao fundo do poço atado com uma corda e viu o jovem sentado tranquilamente sobre as águas, sem o menor ferimento.
Tirado com grande facilidade daquele lugar, disse aos circunstantes: “Quando caí tão inesperadamente, invoquei o auxilio de São Francisco, o qual logo me apareceu em pessoa e, estendendo a mão, tomou-me com grande cuidado e não me abandonou até que juntamente convosco me tirou do poço”.

4. Na igreja de São Francisco de Assis, enquanto o bispo de Óstia, que seria mais tarde Alexandre IV, estava pregando diante da Cúria Romana, uma grande pedra, deixada por descuido no púlpito que era muito alto, desprendeu-se repentinamente e caiu em cima da cabeça de uma senhora.
Julgando os presentes que ela estava morta por causa da violência da pancada e que tinha a cabeça esmagada, cobriram-na com o manto que ela levava, dispostos a levar para fora da igreja aquele cadáver, logo que terminasse o sermão.
Entretanto, ela se encomendava a São Francisco, diante de cujo altar se encontrava. E quando terminou a pregação, a mulher levantou-se em presença de todos sã e salva, não se encontrando nela nenhum sinal de lesão física.
E o mais curioso é que as dores de cabeça contínuas de que sofria até então cessaram definitivamente, como ela mais tarde atestou.

5. Em Corneto, estavam reunidas diversas pessoas devotas num lugar próximo ao convento dos Irmãos para presenciar a fundição de um sino, e um menino de oito anos, chamado Bartolomeu, ocupava-se em levar material aos Irmãos que trabalhavam.
Levantou-se um furacão que fez tremer a casa e arremessou com tanta força uma das pesadas portas sobre a criança que, vendo-a debaixo daquele enorme peso, todos a julgavam morta, pois não aparecia dela nenhuma parte do corpo oculto atrás daquela carga pesadíssima.
Acorreram todos para socorrê-la, invocando ao mesmo tempo a poderosa intercessão de São Francisco.
O próprio pai da criança, que por ter os membros tolhidos não podia mover-se por causa da dor, oferecia em altas vozes o seu filho a São Francisco, fazendo-lhe várias promessas.
Removeram, por fim, não sem grande labuta, a pesada porta que esmagava o menino E para admiração de todos, lá estava o pequeno, muito alegre, como se houvesse despertado de um suave sono, sem apresentar nó corpo a menor lesão.
Aos catorze anos, o menino miraculado entrou na Ordem e foi homem de grande saber e pregador eloquente.

6. Em Lentino, alguns homens cortaram no monte uma grande pedra que devia ser colocada sobre o altar de uma igreja dedicada a São Francisco e que em breve seria consagrada.
Uns quarenta homens procuraram colocar a pesada pedra numa carroça para transportá-la ao lugar apropriado. Infelizmente, depois de tantos esforços, caiu a pedra sobre um dos homens que ficou debaixo daquele enorme peso.
Perplexos e totalmente confusos, não sabiam os trabalhadores o que fazer.
E a maior parte fugiu desesperada.
Só dez tiveram coragem de ali permanecer e com voz lastimosa invocaram a protecção de Francisco, rogando-lhe que se compadecesse da desgraça daquele homem que trabalhava para honra dele.
Animados e confiantes, removeram com tanta facilidade a pedra, que logo se percebeu que ali interviera a virtude milagrosa do santo.
Logo se levantou aquele homem sem nenhum dano físico. Aliás, até mesmo recuperou uma das vistas, que antes estava quase cega.
Manifestou-se assim claramente que a intercessão de São Francisco é eficaz ainda mesmo nos casos mais desesperados.

7. Em São Severino, povoado da Marca de ocorreu prodígio semelhante.
Levavam muitos homens uma grande pedra trazida de Constantinopla para a basílica de São Francisco, com grande esforço físico, quando ela caiu sobre um dos homens.
Tão violento foi o golpe, que os companheiros pensaram que ele tivesse sido esmagado e morto.
Mas, por favor do bem-aventurado Francisco, que o livrou daquele enorme peso, saiu são e sem a mínima lesão corporal.

8. Bartolomeu, cidadão de Gaeta, trabalhava com multo empenho na construção de uma igreja em honra de São Francisco, quando desgraçadamente lhe caiu no pescoço uma grande viga mal colocada; esmagando-o e deixando-o gravemente ferido.
Sabendo estar iminente a morte e sendo homem fiel e de grande piedade, pediu a um Irmão que lhe administrasse o santo viático.
Mas, parecendo ao Irmão que a urgência do caso não dava tempo para isso, pois pensava estar bem perto a morte, aproximou-se do enfermo e lhe sugeriu estas palavras de Santo Agostinho: “Crê e já comungaste”.
Essa noite, apareceu-lhe São Francisco com outros Irmãos, trazendo um cordeirinho nos braços.
Colocou-o junto ao doente, chamou-o pelo seu nome dizendo: “Bartolomeu, não temas, porque não poder prevalecer contra ti o inimigo que pretendia inutilizar-te em meu serviço. Este é o Cordeiro que pedias e recebes pelo teu bom desejo e que por sua virtude te concede a saúde do corpo e a da alma”. E tomando o ferido com suas mãos chagadas, o conduziu são e salvo ao trabalho onde antes estava ocupado.
Bartolomeu levantou-se muito cedo e aparecendo alegre e são aos que pouco antes o haviam visto meio morto, encheu-os de espanto e admiração, inflamando os seus corações em reverência e amor ao seráfico Pai, não só com seu exemplo, mas também com o milagre do santo que acabavam de presenciar.

(cont

São Boaventura
Revisão da versão portuguesa por AMA