27/02/2021

Leitura espiritual Fev 27

 


Novo Testamento [i]


Evangelho


Lc I, 29-56


 
Maria visita Isabel

39 Por aqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se à pressa para a montanha, a uma cidade da Judeia. 40 Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. 41 Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino saltou-lhe de alegria no seio e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. 42 Então, erguendo a voz, exclamou: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. 43 E donde me é dado que venha ter comigo a mãe do meu Senhor? 44 Pois, logo que chegou aos meus ouvidos a tua saudação, o menino saltou de alegria no meu seio. 45 Feliz de ti que acreditaste, porque se vai cumprir tudo o que te foi dito da parte do Senhor.»

 

Magnificat

46 Maria disse, então: «A minha alma glorifica o Senhor 47 e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador. 48Porque pôs os olhos na humildade da sua serva. De hoje em diante, me chamarão bem-aventurada todas as gerações. 49 O Todo-poderoso fez em mim maravilhas. Santo é o seu nome. 50 A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que o temem. 51 Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos. 52 Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. 53 Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. 54 Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, 55 como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência, para sempre.» 56 Maria ficou com Isabel cerca de três meses. Depois regressou a sua casa.

Textos



  Cobardia

  No primeiro pensamento de Deus está o homem e quanto lhe respeita, porque o amor de Deus pela criatura é de tal dimensão, que só se satisfaz quando esta é absolutamente feliz.

  Talvez que este respeito do Criador pela liberdade que deu à criatura, seja um dos pontos mais difíceis de entender.

  De facto, Deus criou o homem perfeitamente ordenado para ser feliz, e esta felicidade consistia, exactamente, como de resto consiste, em a criatura viver de acordo e harmonia com o Criador.

  O que, afinal, por ser absolutamente lógico, não apresenta qualquer problema.

Falando na linguagem humana - que é a nossa - podemos aduzir que o Criador cometeu uma temeridade ao consentir à criatura a capacidade de opção, de querer ou não, de escolher entre uma e outra coisa.

  Mas, é claro, temos de convir que, sendo Deus perfeito, o objectivo do Seu acto criador só pode ter a perfeição como fim donde que, sem mais lucubrações, há que convir que a criatura saída das mãos de Deus é uma obra o mais perfeita possível.

  Ou, considerando outro ponto de vista, uma criatura sem liberdade não passaria de uma manipulação divina cujos actos por natureza, intrinsecamente bons, não teriam qualquer mérito já que seriam como que uma emanação inevitável da sua condição.

E o interessante é verificar que tal não se aplica somente à criatura humana já que, na criação das criaturas superiores, os anjos, Deus procede exactamente da mesma forma.

  Se tivermos em conta que. sendo Deus a plenitude, Se completa e basta a Si mesmo, de forma absolutamente eficiente e total, ou seja, não tem nenhuma necessidade de outra coisa qualquer, seja um espírito como um anjo ou uma criatura humana.

Criá-los não foi, portanto, uma decisão de autossatisfação, como que um narcisismo divino de dispor de uma criação que correspondesse ao desejo de ser venerado, desejado ou obedecido.

  Então... foi o quê?

  Só se pode concluir que foi a consequência natural da própria essência divina e que é o Amor.

  A criação do homem terá sido como que a sequência natural da criação dos espíritos puros, os anjos.

  Dotados, também de liberdade porque o amor de Deus Criador não se sobrepõe - nem prescinde - à Sua Justiça, estes de alguma forma defraudaram a Criação quando alguns se rebelaram contra Deus, rebelião que se baseia na inveja e na insidiosa pretensão de prescindir d’Ele.

  Talvez fossem “puros demais” ou as suas capacidades fossem excessivas.

Uma criatura mais simples, com muito menos capacidades, talvez fosse mais estável e imune a pretensões desse tipo.

Mas, esta criatura não pode - o imenso amor de Deus - não o permite - aparecer, assim, de qualquer forma, num ambiente amorfo ou abstracto.

E então, Deus dá-se à tarefa de criar, antes, um ambiente fabuloso, ordenado e disposto de tal forma que, desde que o homem tomou dele conhecimento, não deixou de se surpreender com a maravilhosa arquitectura e, mais, todos dias descobrir coisas novas.

  Data/hora: Sexta-Feira Santa, 6 de Abril de 2012 - 14:21

  Hoje será, talvez, o único dia em que o meu orgulho não só não é pecado como, até, justificando-se, é uma virtude.

Estranha ilacção assim, posta, sem mais, e até incompreensível para quem, como eu, sabe que o orgulho é uns dos pecados mais terríveis da humanidade e, frequentemente, a origem de muitas faltas graves e de terríveis consequências.

  Mas… atente-se na data/hora em que escrevo já se perceberá a minha “razão”.

Neste momento, Jesus Cristo agonizava na Cruz, esperando a graça da morte, por mim!

Mais: este momento estava planeado desde o princípio dos tempos - antes de haver tempo - como se eu fora o único ser humano existente à face da terra!

  Fora eu o único homem à face da terra e Cristo teria morrido por mim!

  Então… esta enormidade não é motivo de orgulho, de alegria, de vitória?

  Orgulho… pois recebo algo de tão desmesuradas dimensão e amplitude que me faz sentir grande, cheio de valor, de uma importância ímpar!

  Alegria… porque percebo, com meridiana clareza, que as minhas faltas e fraquezas, os meus defeitos e debilidades, a minha pequenez, se esbatem e desaparecem na grandeza da Cruz!

  Vitória… porque o medo, a tristeza, o tédio, a vergonha, o apoucamento, a ansiedade, o merecimento ficam, definitivamente desgarrados pela Misericórdia do Gólgota!

  Daqui a poucos minutos, o meu Senhor entregará o Seu espírito ao Pai e, o que me consola e alegra é que Quem o recebe é o Pai Comum porque, pela Graça desta Morte, eu António, mereci ser, também, Filho de Deus![1]



[1] ama, meditação em Sexta-feira Santa, 2012.



[i] Sequencial todos os dias do ano

Ano de São José

 


EXORTAÇÃO APOSTÓLICA REDEMPTORIS CUSTOS

do SUMO PONTÍFICE JOÃO PAULO II sobre a figura e a missão de SÃO JOSÉ na vida de CRISTO e da IGREJA

 

O CONTEXTO EVANGÉLICO

 

IV

 

O TRABALHO EXPRESSÃO DO AMOR

 

22. A expressão quotidiana deste amor na vida da Família de Nazaré é o trabalho. O texto evangélico especifica o tipo de trabalho, mediante o qual José procurava garantir o sustento da Família: o trabalho de carpinteiro. Esta simples palavra envolve toda a extensão da vida de José. Para Jesus este período abrange os anos da vida oculta, de que fala o Evangelista, a seguir ao episódio que sucedeu no templo: «Depois, desceu com eles para Nazaré e era-lhes submisso» (Lc 2, 51). Esta «submissão, ou seja, a obediência de Jesus na casa de Nazaré é entendida também como participação no trabalho de José. Aquele que era designado como o «filho do carpinteiro», tinha aprendido o ofício de Seu «pai» putativo. Se a Família de Nazaré, na ordem da salvação e da santidade, é exemplo e modelo para as famílias humanas, é-o analogamente também o trabalho de Jesus ao lado de José carpinteiro. Na nossa época, a Igreja pôs em realce isto mesmo, também com a memória litúrgica de São José Operário, fixada no primeiro de Maio. O trabalho humano, em particular o trabalho manual, tem no Evangelho um acento especial. Juntamente com a humanidade do Filho de Deus ele foi acolhido no mistério da Encarnação, como também foi redimido de maneira particular. Graças ao seu banco de trabalho, junto do qual exercitava o próprio ofício juntamente com Jesus, José aproximou o trabalho humano do mistério da Redenção.

23. No crescimento humano de Jesus «em sabedoria, em estatura e em graça» teve uma parte notável a virtude da laboriosidade, dado que “o trabalho é um bem do homem”, que “transforma a natureza” e torna o homem, “em certo sentido, mais homem”. (Cf. Carta Enc. Laborem exercens (14 de Setembro de 1981), n. 9: AAS 73 (1981), pp. 599-600)

A importância do trabalho na vida do homem exige que se conheçam e assimilem todos os seus conteúdos, “para ajudar os demais homens a aproximarem-se através dele de Deus, Criador e Redentor, e a participarem nos seus desígnios salvíficos quanto ao homem e quanto ao mundo; e ainda, a aprofundarem na sua vida e amizade com Cristo, tendo, mediante a fé vivida, uma participação no seu tríplice múnus: de Sacerdote, de Profeta e de Rei”. (Ibid., n. 24: l.c., p. 638. Os Sumos Pontífices, nos tempos mais recentes, têm apresentado constantemente S. José como « modelo » dos operários e dos trabalhadores em geral, cf., por exemplo, Leão XIII, Carta Enc. Quamquam pluries (15 de Agosto de 1889): l.c., p. 180; Bento XV, Motu proprio Bonum sane (25 de Julho de 1920): l.c., pp. 314-316; Pio XII, Alocução (11 de Março de 1945), n. 4: AAS 37 (1945), p. 72; Alocução (1 de Maio de 1955): AAS 47 (1955), p. 406; João XXIII, Radiomensagem (1 de Maio de 1960): AAS 52 (1960), p. 398)

24. Trata-se, em última análise, da santificação da vida

quotidiana, no que cada pessoa deve empenhar-se, segundo o próprio estado, e que pode ser proposta  apontando para um modelo acessível a todos: São José é o modelo dos humildes, que o Cristianismo  enaltece para grandes destinos; ... é a prova de que para ser bons e autênticos seguidores de Cristo não se necessitam “grandes coisas», mas requerem-se somente virtudes comuns, humanas, simples e autênticas”. (Paulo VI, Alocução (19 de Março de 1969): Insegnamenti, VII (1969), p. 1268)

Reflexão

 

Desejar


Faz parte da condição humana, logo, é comum, natural e legítimo.

Mas, o desejo em si mesmo, é volúvel e altera-se, diminui ou extinge-se, se o tempo passa sem se o satisfazer ou, naturalmente, deixa de ter razão de existir.
Logo, o desejo é um sentimento.

Marxismo

 

         Filosofia e Religião, Vida Humana

O marxismo

  O segundo conceito erróneo de democracia é o que nos vem do sistema marxista. Concedendo igualmente, como o faz o capitalismo, o primado ao factor económico, apregoa a socialização dos bens como único processo de libertação de todas as “alienações”. A sociedade, segundo os seus princípios, está dividida em duas classes: os exploradores e os explorados. A daqueles constituem-na s detentores dos bens de produção; a destes, as classes trabalhadoras.

 O falso pressuposto baseia-se na teoria da “mais valia” de Marx. Segundo Carlos Marx, o trabalhador produz mais do que gasta. Pagando o empresário apenas o que o trabalhador gasta, apropria-se indevidamente da mais valia do trabalho “não pago”. Segundo ele, assim se formaa o “capital”. Logicamente a partir deste princípio, o marxismo nega a legitimidade da propriedade privada, pois ela não viria a ser mais do que um roubo praticado contra os trabalhadores.

  Para realizar os seus intentos, propõe-se o marxismo a conquista revolucionária do poder e a instauração da ditadura do proletariado. Dentro da sua lógica, o sistema marxista levaria ao desaparecimento das restantes alienações, entre as quais se contam a do estado e da religião.

  Neste conceito de democracia, afirma-se realmente que o poder vem do povo, mas entende-se por povo apenas as massas trabalhadoras. Delas emergem os militantes e os quadros do partido. Conscientes do sentido fatal da história, estão dispostos a realizá-lo integralmente empenhando-se para isso na activação da luta de classes. O marxismo torna-se assim uma verdadeira ditadura de pertido único que é fonte e aparelho de todo o poder. A estruturação faz-se principalmente, a partir da células de base. Por um processo selectivo ascendente, vão-ze promovendo os mais representativos e que são tidos como os que melhor encarnam a ideologia.. Segundo tal princípio, os que se encontram em níveis superiores são os que melhor servem a pressuposta causa do povo. A eles se deve, pois, uma obediência incondicional.

  Mais opressor que o primeiro, tal sistema merece um juízo mais rigoroso. Como escreve Paulo VI, o materialismo ateu, a maneira como absorve a liberdade individual na sociedade, despersonalizando o homem, negando toda e qualquer transcedência a si mesmo e às leis da história fazem com que o sistemaseja uma tomada de posição que se opões radicalmente, ou pelo menos contradiz os ponstos fundamentais da fé dos cristãos e da concepção filosófica do homem. (cf. O. A. 26)

  Quanto aos socialismos, porém, que hoje nos podem bater à porta, nem todos estão dominados por estas ideologias inaceitáveis. Um discernimento se torna necessário em cada caso concreto. Só então será possível ver o grau de adesão e compromisso permitido aos cristãos. Sê-lo-á, na medida em que se encontrarem salvaguardados os valores da liberdade, responsabilidades pessoasi e abertura espiritual, que permitam o desabrochar integral do homem (cf. O. A. 31).

 

(A Ferraz, Cristãos e liberdades democráticas, BROTÈRIA, Vol. 99, 1974)

26/02/2021

Pequena agenda do cristão

     

Sexta-Feira

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:

Contenção; alguma privação; ser humilde.


Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.

Lembrar-me:
Filiação divina.

Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

São Josemaria - Textos

 

Se os cristãos soubessem servir!

Quando te falo do "bom exemplo", quero indicar-te também que hás-de compreender e desculpar, que hás-de encher o mundo de paz e de amor. (Forja, 560)

Se os cristãos soubessem servir! Vamos confiar ao Senhor a nossa decisão de aprender a realizar esta tarefa de serviço, porque só servindo é que poderemos conhecer e amar Cristo e dá-Lo a conhecer e conseguir que os outros O amem mais. Como o mostraremos às almas? Com o exemplo: que sejamos testemunho seu, com a nossa voluntária servidão a Jesus Cristo em todas as nossas actividades, porque é o Senhor de todas as realidades da nossa vida, porque é a única e a última razão da nossa existência. Depois, quando já tivermos prestado esse testemunho do exemplo, seremos capazes de instruir com a palavra, com a doutrina. Assim procedeu Cristo: coepit facere et docere, primeiro ensinou com obras, e só depois com a sua pregação divina. (Cristo que passa, 182)

Leitura espiritual Fev 26



Novo Testamento [i]

 

Evangelho

 

Lc I, 21-28

 

Promessa e concepção do Percursor

21 O povo, entretanto, aguardava Zacarias e admirava-se por ele se demorar no santuário. 22 Quando saiu, não lhes podia falar e eles compreenderam que tinha tido uma visão no santuário. Fazia-lhes sinais e continuava mudo. 23 Terminados os dias do seu serviço, regressou a casa. 24 Passados esses dias, sua esposa Isabel concebeu e, durante cinco meses, permaneceu oculta. 25 Dizia ela: «O Senhor procedeu assim para comigo, nos dias em que viu a minha ignomínia e a eliminou perante os homens.»

 

Anunciação de Maria e Encarnação do Verbo

26 Ao sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, 27 a uma virgem desposada com um homem chamado José, da casa de David; e o nome da virgem era Maria. 28 Ao entrar em casa dela, o anjo disse-lhe: «Salve, ó cheia de graça, o Senhor está contigo.» 29 Ao ouvir estas palavras, ela perturbou-se e inquiria de si própria o que significava tal saudação. 30 Disse-lhe o anjo: «Maria, não temas, pois achaste graça diante de Deus. 31 Hás-de conceber no teu seio e dar à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. 32 Será grande e vai chamar-se Filho do Altíssimo. O Senhor Deus vai dar-lhe o trono de seu pai David, 33 reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim.» 34 Maria disse ao anjo: «Como será isso, se eu não conheço homem?» 35 O anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo estenderá sobre ti a sua sombra. Por isso, aquele que vai nascer é Santo e será chamado Filho de Deus. 36 Também a tua parente Isabel concebeu um filho na sua velhice e já está no sexto mês, ela, a quem chamavam estéril, 37 porque nada é impossível a Deus.» 38 Maria disse, então: «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra.» E o anjo retirou-se de junto dela.

Textos



Educação

  Os pais sabem muito bem que os filhos não são iguais uns aos outros nem nos defeitos nem nas qualidades, nos gostos ou inclinações de carácter e, consequentemente, nos “quereres”. O que a um pode parecer de vital importância pode perfeitamente não interessar minimamente a outro. Por isso, o que devem é procurar construir aquilo que poderíamos chamar a identidade da família, isto é, aquelas bases, alicerces ou travejamento que sendo comuns, pertencem a todos e deles todos beneficiam e, mais, para eles acarretam contribuição pessoal.

  Mas como na construção de uma casa não se começa pelo telhado ou pela pintura das paredes, assim na construção da família, tudo deve principiar pela metódica progressiva arquitectura da relação do casal.

  Evidentemente que o namoro e, depois, o noivado, são etapas importantíssimas para o conhecimento de um pelo outro e ir encontrando os pontos em que os desejos, objectivos e quereres podem convergir e, fundamental, os caminhos que, juntos, querem seguir para os realizar.

  É fundamentalmente errado desejar que ambos - o homem e a mulher - pensem exactamente da mesma forma a este respeito.

  Cada um tem o seu carácter, a sua idiossincrasia que além de, naturalmente, ser respeitado pelo outro sem nunca tentar impor os seus pontos de vistaem detrimento dos do outro, deve ser aproveitado para de um e de outro porem de pé algo comum.

  Aqui é, obviamente, necessário o amor começando pelo sentimento que deverá durar toda a vida: O respeito mútuo.

  Sem respeito não há amor verdadeiro e, muito menos, relação que perdure.

  Entenda-se que o respeito deve ser algo tão vasto que abarque todas as incidências da vida do casal e que a sua base assenta no respeito próprio.

  Sim... respeito próprio, por si mesmo como criatura excelente criada à imagem e semelhança de Deus.

Agir e viver com moderação, equilibradamente, com uma postura de intocável honestidade, estas são manifestações de respeito.

  Tudo quanto seja exageros, destempero na conduta, adições ou vícios a que se sujeita deixa a pessoa à mercê de perigos reais de destruição de carácter.

  Outra forma de manifestar respeito é viver a virtude da temperança.

Em primeiro lugar, respeito por si próprio não consentindo excessos na comida ou na bebida, procurar o conforto ou bem-estar a qualquer preço.

Mas, também, pelos demais já que estes comportamentos, de uma forma ou outra, também os afectam.

  A temperança vai de “mãos dadas” com a modéstia e o pudor. Não se trata de “apagar-se” mas de se assumir como aquilo que na realidade se é e não o que se presume ser.

  Uma das formas eficazes de darmos conta disto é ter bem presente que todos somos filhos de Deus e que Cristo morreu na Cruz por cada um.

  Assim, nivelados num mesmo plano, de que vale outorgar-se uma categoria superior - seja no que for - ou, talvez, uma proeminência desajustada da realidade?

  Sim, porque a realidade é esta: O que temos, o que sabemos, o que somos capazes não passam de graças ou bens recebidos do uso dos quais teremos de prestar estreitas contas.

  Cobardia

  Mas quem sou eu para ir, agora, fazer “esse tal apostolado” que me urgem?

  Esta pergunta, infelizmente tão frequente é, antes, a resposta cobarde e tíbia dos que não querem dar-se incómodos ou correr o risco de serem considerados importunos.

  O Senhor deu o Seu mandato a todos os baptizados sem excepção, a uns poucos, doze, encarregou-os de instruir e pregar, aos outros que se empenhassem em dar o que recebem daqueles.

  Mas, se persiste a dúvida sobre as capacidades ou conhecimentos pessoais para a tarefa, mesmo assim, o encargo mantém-se já que o apostolado se faz primeira e principalmente, pelo exemplo de vida que se leva e das obras que se praticam. [1]

A cobardia não se reduz ao cristão, evidentemente, mas este, pelo facto de ser baptizado, tem uma responsabilidade acrescida que os outros não têm:

Pertencem a uma família divina com especial referência a um Irmão, Jesus Cristo, que não Se poupou a nada, inclusive a morte e morte de cruz, para nos redimir e salvar.

E podia tê-lo feito de mil maneiras diferentes - a Deus nada é impossível - mas manteve o Seu desígnio até ao fim.

  Mesmo depois da tremenda agonia em Getsémani, onde viu tudo quanto viria a acontecer pouco depois, mesmo então, decide que o caminho é aceitar e fazer a Vontade do Pai, não por ser indiscutível em si, mas por o ser, devido à sua qualidade intrínseca:

Absolutamente necessária para a salvação humana.

 

 



[1] AMA, comentário sobre Mt 13, 54-58, 2012.08.03



[i] Sequencial todos os dias do ano

Reflexão na Quaresma

 

No tempo de Quaresma que estamos a viver, o cristão é convidado a preparar-se para a Páscoa da Ressurreição de Jesus Cristo, vivendo de forma algo diferente do habitual nomeadamente na contenção dos divertimentos e exageros, fazendo alguns actos de mortificação voluntária que ajudarão a melhor corresponder a esse convite procurando imitar o Salvador ao retirar-se para o deserto durante quarenta dias.

Para concretizar, NUNC COEPI sugere que, pelo menos nos dias de Sexta-Feira, se abstenha ou, pelo menos modere o visionamento da televisão.

Perguntas e respostas

 

O ESPIRITISMO

2. Nas reuniões espiritistas fala-se com alguém?

Em muitos casos só se trata da imaginação humana e habilidade do promotor.

Em ocasiões más, perigosas, podem intervir os demónios procurando o mal dos homens.

25/02/2021

São Josemaria - Textos

 

A única medida é amar sem medida 

Cumpres um plano de vida exigente: madrugas, fazes oração, frequentas os Sacramentos, trabalhas ou estudas muito, és sóbrio, mortificas-te..., mas notas que te falta alguma coisa! Leva ao teu diálogo com Deus esta consideração: como a santidade (a luta por atingi-la) é a plenitude da caridade, tens de rever o teu amor a Deus e, por Ele, aos outros. Talvez descubras então, escondidos na tua alma, grandes defeitos contra os quais nem sequer lutavas: não és bom filho, bom irmão, bom companheiro, bom amigo, bom colega; e, como amas desordenadamente "a tua santidade", és invejoso. "Sacrificas-te" em muitos pormenores "pessoais"; e por isso estás apegado ao teu eu, à tua pessoa e, no fundo, não vives para Deus nem para os outros; só para ti. (Sulco, 739)

Leitura espiritual Fev 25

 


Novo Testamento [i]

 

Evangelho

 

Lc I, 1-20

 

Prólogo

1 Visto que muitos empreenderam compor uma narração dos factos que entre nós se consumaram, 2 como no-los transmitiram os que desde o princípio foram testemunhas oculares e se tornaram "Servidores da Palavra", 3 resolvi eu também, depois de tudo ter investigado cuidadosamente desde a origem, expô-los a ti por escrito e pela sua ordem, caríssimo Teófilo, 4 a fim de reconheceres a solidez da doutrina em que foste instruído.

Promessa e concepção do Percursor

5 No tempo de Herodes, rei da Judeia, havia um sacerdote chamado Zacarias, da classe de Abias, cuja esposa era da descendência de Aarão e se chamava Isabel. 6 Ambos eram justos diante de Deus, cumprindo irrepreensivelmente todos os mandamentos e preceitos do Senhor. 7 Não tinham filhos, pois Isabel era estéril, e os dois eram de idade avançada. 8 Ora, estando Zacarias no exercício das funções sacerdotais diante de Deus, na ordem da sua classe, 9 coube-lhe, segundo o costume sacerdotal, entrar no santuário do Senhor para queimar o incenso. 10 Todo o povo estava da parte de fora em oração, à hora do incenso. 11 Então, apareceu-lhe o anjo do Senhor, de pé, à direita do altar do incenso. 12 Ao vê-lo, Zacarias ficou perturbado e encheu-se de temor. 13 Mas o anjo disse-lhe: «Não temas, Zacarias: a tua súplica foi atendida. Isabel, tua esposa, vai dar-te um filho e tu vais chamar-lhe João. 14 Será para ti motivo de regozijo e de júbilo, e muitos se alegrarão com o seu nascimento. 15 Pois ele será grande diante do Senhor e não beberá vinho nem bebida alcoólica; será cheio do Espírito Santo já desde o ventre da sua mãe 16 e reconduzirá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus. 17 Irá à frente, diante do Senhor, com o espírito e o poder de Elias, para fazer voltar os corações dos pais a seus filhos e os rebeldes à sabedoria dos justos, a fim de proporcionar ao Senhor um povo com boas disposições.» 18 Zacarias disse ao anjo: «Como hei-de verificar isso, se estou velho e a minha esposa é de idade avançada?» 19 O anjo respondeu: «Eu sou Gabriel, aquele que está diante de Deus, e fui enviado para te falar e anunciar esta Boa-Nova. 20 Vais ficar mudo, sem poder falar, até ao dia em que tudo isto acontecer, por não teres acreditado nas minhas palavras, que se cumprirão na altura própria.»

 

TEXTOS



Depressão

  A depressão pode caracterizar-se como a doença dos tempos modernos?

  Não creio que esta apreciação corresponda à realidade porque, haveria que começar por convir o que são os tempos modernos.

Em boa verdade, os tempos modernos são aqueles em que se vive, em relação aos que já se viveram.

  Sendo assim, em finais do século XVI, por exemplo, os tempos antigos eram os anos 1480/1490 porque as pessoas tendem a encontrar responsáveis para o facto de não entenderem determinadas coisas ou para os fracassos na aplicação das últimas novidades.

  Talvez que o verdadeiro peso da informação seja, para alguns, insuportável, produzindo-se como que um bloqueio da mente a nova informação.

A partir daqui, a pessoa pode sentir-se perdida e incapaz de ter uma acção coerente.

Não sabe ou receia deslocar-se, evita mudar de ambiente, não quer tomar consciência do que a rodeia.

  O foro psiquiátrico da medicina tem muito a fazer no sentido de prevenir e tentar evitar o aprofundamento das crises e a sua frequência.

 

A experiência pessoal sugere uma enorme paciência e controlo em lidar com estes doentes.

Estando cerebralmente pouco activas, dificilmente reagem a estímulos e talvez que, proceder normalmente como se nada se passasse, seja a melhor forma de relacionamento.

  A pessoa em estado depressivo não está incapaz de raciocinar, portanto não vale tratá-la como alguém com uma deficiência - atraso - mental, porque a reacção pode ser ainda mais negativa e reservada.

  Dizia que o proceder normalmente pode ser uma boa prática já que, uma boa parte das vezes, a depressão desaparece tal como surgiu, isto é, inopinadamente sem uma causa claramente definida.

  Alguém uma vez definiu que a depressão é a “noite na alma”.

  Esta apreciação tão forte pode parecer radical, só que foi de facto, escrita por alguém que precisamente vivia um estado de profunda depressão.

  Vê-se, assim, que a pessoa não fica incapaz de raciocínio analítico, percebe e tem consciência do que se passa consigo, e estas circunstâncias só agudizam o sofrimento.

  Sem dúvida, os técnicos e especialistas terão um número apreciável de teorias devidamente apoiadas em estudos e experiências mas a maioria de nós temos de limitar a nossa observação com as baias da falta técnica e sapiencial.

Encontramos, assim, aquilo que conseguimos compreender e, até, descobrir o padrão que nos leva a agir da forma mais conveniente a essas situações.

  Já se disse: Não há dois seres humanos iguais e, sendo assim, o os acontecimentos, circunstâncias ou conhecimento não afectam duas pessoas da mesma forma.

  É o que explica, por exemplo, as reacções diferenciadas de dois indivíduos perante um mesmo estímulo.

 

  Educação

  Estas observações aplicam-se, de modo muito particular, no ensino que nunca deve ser, como que esquematizado de forma universal.

Evidentemente que tal é o modus operandi da escola, do sistema educativo oficial.

Se ficar por aqui, o estudante poderá assimilar, de forma automaticamente progressiva, os conhecimentos necessários ao seu desenvolvimento; mas fará sempre parte de uma massa, mais ou menos amorfa, de pessoas que, com o mesmo nível de conhecimentos, só se diferenciarão pelas capacidades peculiares de os aplicar.

  Se, pelo contrário, e como é altamente desejável, a família completar esse ensino universal com o ensino personalizado que é, no fim e ao cabo, a transmissão de conhecimento feito de forma directa, pessoal de tu a tu.

  Mas, então, terá de haver na família alguém com conhecimento ou capacidades para o transmitir?

  De modo nenhum.

  Parece ser verdade que nas famílias numerosas se vive com maior independência pessoal, o que parece um contrassenso, mas que se explica, exactamente porque o querer individual tem sempre presente o querer colectivo e, por isso mesmo, além de ser menos exigente é mais moderado e, por isso mesmo, mais facilmente satisfeito.

  O mesmo, de certa forma se dá nas chamadas famílias monoparentais em que, seja qual for a razão, só existe presencialmente um dos pais.

  Compreende-se que se as decisões a respeito dos “quereres” que deveriam ser considerados a dois caiem apenas sobre os ombros de um - seja o pai ou a mãe - se tornam muito mais difíceis de gerir

  Isto não implica que o casal esteja de acordo ou em sintonia em tudo mas sim que, sob a influência do amor que une um e outro e ambos aos filhos, podem encontrar com maior facilidade um consenso, um ponto comum de entendimento que, obviamente, contribui, de forma decisiva, para o bem-estar emocional da família.

 

 



[i] Sequencial todos os dias do ano

A Santa Missa

 

Reflexão


Já foste à Missa hoje, houve-se perguntar, às vezes, aos Domingos.

Claro que, a intenção subjacente na pergunta é muito específica. Como quem dissesse ‘Já cumpriste a tua obrigação de Cristão?”

Cumprir uma obrigação? Está bem, pelo menos… isso!

Mas fazer o que seja por obrigação, porque “tem de ser” tem um mérito muito relativo.

O mérito reside no desejo de dar exemplo, de vencer a vontade de fazer outra coisa…

Mas…quem faz o que deve não terá mérito?

Claro que tem, mas, terá um mérito incomensuravelmente maior seofizer por convicção e amor,sobretudo amor.

O amor tempera os actos e as intenções, qualifica as obras, o que se faz.