07/02/2021

Leitura espiritual Fev 07



Novo Testamento [i]


Evangelho


Mc VIII, 27-36; Mc IX, 1-8

 

A confissão de Pedro

27 Jesus partiu com os discípulos para as aldeias de Cesareia de Filipe. No caminho, fez aos discípulos esta pergunta: «Quem dizem os homens que Eu sou?» 28 Disseram-lhe: «João Baptista; outros, Elias; e outros, que és um dos profetas.» 29 «E vós, quem dizeis que Eu sou?» - perguntou-lhes. Pedro tomou a palavra, e disse: «Tu és o Messias.» 30 Ordenou-lhes, então, que não dissessem isto a ninguém.

 

Jesus prediz a Sua Paixão

31 Começou, depois, a ensinar-lhes que o Filho do Homem tinha de sofrer muito e ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e pelos doutores da Lei, e ser morto e ressuscitar depois de três dias. 32 E dizia claramente estas coisas. Pedro, desviando-se com Ele um pouco, começou a repreendê-lo. 33 Mas Jesus, voltando-se e olhando para os discípulos, repreendeu Pedro, dizendo-lhe: «Vai-te da minha frente, Satanás, porque os teus pensamentos não são os de Deus, mas os dos homens.»

 

Necessidade da abnegação

34 Chamando a si a multidão, juntamente com os discípulos, disse-lhes: «Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. 35 Na verdade, quem quiser salvar a sua vida, há-de perdê-la; mas, quem perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho, há-de salvá-la. 36 Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida? 37 Ou que pode o homem dar em troca da sua vida? 38 Pois quem se envergonhar de mim e das minhas palavras entre esta geração adúltera e pecadora, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai, com os santos anjos.»

XIX 1 Disse-lhes também: «Em verdade vos digo que alguns dos aqui presentes não experimentarão a morte sem terem visto o Reino de Deus chegar em todo o seu poder.»

 

Transfiguração

2 Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e levou-os, só a eles, a um monte elevado. E transfigurou-se diante deles. 3 As suas vestes tornaram-se resplandecentes, de tal brancura que lavadeira alguma da terra as poderia branquear assim. 4 Apareceu-lhes Elias, juntamente com Moisés, e ambos falavam com Ele. 5 Tomando a palavra, Pedro disse a Jesus: «Mestre, bom é estarmos aqui; façamos três tendas: uma para ti, uma para Moisés e uma para Elias.» 6 Não sabia que dizer, pois estavam assombrados. 7 Formou-se, então, uma nuvem que os cobriu com a sua sombra, e da nuvem fez-se ouvir uma voz: «Este é o meu Filho muito amado. Escutai-o.» 8 De repente, olhando em redor, já não viram ninguém, a não ser só Jesus, com eles.


Texto:

 


  Castidade

  Voltemos um pouco atrás para falar de pureza.

  O que tem a ver com a castidade? E com a sexualidade?

  Pois bem, a pureza é uma virtude que define o são critério e juízo da pessoa humana. Daqui que seja uma ajuda preciosa quando considera a sexualidade, a inclinação amorosa, o convívio com os outros e - sumamente importante - o comportamento próprio em qualquer ocasião ou circunstância da vida.

  ‘A mais bela das virtudes’ como foi apelidada tem como que um cortejo de muitas outras que a acompanham porque são atinentes, fruto e consequência.

  Não iremos muito além neste tema já que parece estar fora do âmbito destes escritos. De facto a contenção e moderação da sexualidade, dando-lhe os fins apropriados para que existe, não supõe nem conceitos nem teorias sobre o assunto.

Quem converte este tema em eixo em torno do qual gira a sua vida, submetendo-se às prisões e cadeias que prendem um ser humano aos instintos e impulsos sem nenhuma tentativa de moderação ou, sequer, comando das acções, não está, com certeza, interessado em considerar temas ligados à “Melhoria Pessoal e à Vida Interior”.

  Esta melhoria Pessoal de que vimos falando não é algo intemporal ou mirífico, alguma coisa que se tenha como um ideal mas que se vai deixando relegado para segundas oportunidades já que haverá coisas mais importantes a fazer entretanto.

  Não senhor!

  A melhoria pessoal é o que de mais íntimo o homem poderá ter como desejo de evolução que é, deve ser, inato a todo o ser humano.

Sabemos muito bem, cada um dos seres humanos, aquilo em que podemos melhorar e conseguir melhores resultados.

  Como já dissemos, a alteração das regras iniciais, as estabelecidas pelo Criador, como seja a criação de seres humanos diferentes, homem e mulher, não pode nem deve ser admitida.

  Sendo assim, como indiscutivelmente é, tem forçosamente de ser encarada com muita seriedade e num plano igualmente superior das ideias.

  Olhar a sexualidade humana como algo de extraordinária relevância que, só por si, justifica estudos e investigações de profundíssimo pormenor, não é, de todo, nem necessário nem justificável, mas antes uma característica ou propriedade humana a ser encarada com a mesma naturalidade como outra qualquer, por exemplo, a comoção ou a afectividade.

  Não se retira importância à sexualidade mas atribui-se-lhe aquela que tem e não mais. 

Ora ao legislar sobre este assunto, o poder civil está a intrometer-se em algo que lhe está vedado justamente porque não pode querer elaborar leis que vão contra a ordem natural.

  Hoje, cada vez mais este tema parece alcançar uma relevância que só encontra explicação na falta - ou completa ausência - de moderação e moralização dos costumes e comportamentos humanos, numa declarada ambição de abolir quaisquer barreiras ou regras, numa licenciosidade absoluta em que tudo é permitido porque tudo se justifica como sendo natural.

  O problema é que não o é.

  Ninguém com um mínimo de senso comum pode admitir como natural que o homem tenha como preocupação - e, muitas vezes ocupação - o sexo.

  Temos visto a que conduz esta desviante forma de encarar a sexualidade humana e as situações de abuso, por vezes tão aberrantes que os próprios Tribunais têm enormes dificuldades em apreciá-las.

Se defendemos, com energia, tratar a sexualidade como algo natural e simples, por isso mesmo, devemos reprovar o abuso e uso indiscriminado para promover, em nome ou sob pretexto de proporcionar uma educação completa.

  Como se as raparigas e os rapazes de hoje fossem mais carentes, nesse aspecto, que os de gerações anteriores, ou se estas, por falta dos preciosos ensinamentos actuais, estivessem reduzidos a campos meramente experimentais dos quais nós, seus descendentes, somos simples consequência.

  Isto tudo é um disparate tão grande que resulta difícil aceitar que exista.

  Mas, infelizmente, é uma gritante realidade!

  Os nossos jovens estão a ser sujeitos a pressões inauditas e precisam, como nunca, do apoio sensato e equilibrado dos progenitores e educadores responsáveis.

Sem estes, estarão perdidos e assistiremos à derrocada e progressivo abandono da instituição familiar porque a base da sua constituição, que é o sentimento sublime do amor, está a ser substituída pelo desenfreado impulso sexual.

  A seriedade dos comportamentos de homens e mulheres mede-se pelo respeito que cada um tem por si próprio e pelo outro, enquanto seres diferenciados com capacidades, características e, até, finalidades diferentes.

Mas têm de convir que desempenham papeis complementares uma vez que há acções que só podem ser concretizadas com o concurso de ambos.

Não parece valer muito a pena consumir mais tempo sobre estes assuntos.

  As pessoas bem formadas não têm questões a levantar neste domínio e, às outras, pouco lhes importará o que possamos dizer.

  Ao falarmos da sexualidade humana temos de ter sempre presente o amor já que, só o amor verdadeiro, consciente, puro e simples a consegue regular e conformar com o serviço a que é chamada, com a dignidade que deve ter.

  E dizíamos bem ao afirmar que, sem amor, qualquer sentimento humano por mais virtuoso que possa ser, apresenta-se, sempre, carente do elemento aglutinador que lhe dá consistência e o justifica.

  Mais, o amor carrega consigo uma infinidade de virtudes características e potências fundamentais para que esses mesmos sentimentos se apresentem completos, na sua máxima capacidade.

  A propósito da força e capacidades do amor, vem esta pequena história.

  Há muitíssimos anos, um poderoso senhor da China resolveu dar um grande banquete para o qual foram convidadas muitas jovens da mais alta nobreza para serem objecto da escolha por parte do príncipe seu filho que completava vinte e cinco anos de idade e ainda não tinha noiva.

No meio das numerosas jovens tinha-se insinuado a filha de uma simples empregada do palácio cujo enorme amor pelo príncipe a levara a correr o risco de ser descoberta.

O príncipe entregou a cada jovem um pote de belíssima porcelana e uma semente dizendo que, aquela que dentro de seis meses apresentasse a mais bela flor, seria a sua eleita.

À filha da empregada as coisas correram muito mal porque, não obstante os seus esforços e os de sua mãe, a pequena semente não produziu absolutamente nada.

Passados seis meses todas as jovens voltaram ao palácio e a filha da empregada, também, porque, embora não tivesse flor nenhuma para mostrar, não quis perder a oportunidade - talvez a última - de estar perto do seu amado.

O Príncipe percorreu as filas de jovens, cada qual ostentando no seu pote de porcelana a mais bela e formosa flor e foi deter-se, precisamente, em frente da pobre rapariga que nem ousava levantar os olhos do seu pote que continha a semente encarquilhada de tantas regas e esforços.

Levantando a voz, chamou-a para o centro do grande salão e disse: Tu és a minha escolhida! Tu serás a minha noiva!

  Perante a admiração que a sua escolha provocara, explicou: ‘As sementes que, há seis meses, dei a cada uma, eram absolutamente estéreis, incapazes de produzir o quer que fosse.’

  O amor levou a jovem a arrostar com o perigo de poder ser descoberta a sua intromissão na sala do banquete e, também foi o amor, que a impediu de tentar enganar o seu amado.

  As outras jovens, obviamente, fizeram-no na tentativa de conquistar o almejado lugar de noiva de tão importante príncipe, porque o que sentiam era só desejo e ambição.

 

 


 



[i] Sequencial todos os dias do ano



Reflexão

 

Não há ninguém, que por pouco que reflicta, não encontre em si mesmo poderosos motivos que o obriguem a mostrar-se agradecido a Deus. E especialmente nós, porque nos escolheu para Si e nos guardou para O servir só a Ele.

 

(São Bernardo, Sermão 2, para o VI Domingo depois de Pentecostes, 1)

Sacramentos

 


O Matrimónio

 

Se depois do divórcio se contrai uma nova união, mesmo reconhecida pela lei civil, «o cônjuge casado outra vez encontra-se numa situação de adultério público e permanente» (Catecismo, 2384). Os divorciados novamente casados, embora continuem a pertencer à Igreja, não podem ser admitidos à Comunhão eucarística, porque o seu estado e condição de vida contradizem objectivamente essa união de amor indissolúvel entre Cristo e a Igreja significada e actualizada na Eucaristia. “A reconciliação pelo sacramento da penitência – que abriria o caminho ao sacramento eucarístico – pode ser concedida só àqueles que, arrependidos de ter violado o sinal da Aliança e da fidelidade a Cristo, estão sinceramente dispostos a uma forma de vida não mais em contradição com a indissolubilidade do matrimónio. Isto tem como consequência, concretamente, que quando o homem e a mulher, por motivos sérios – como, por exemplo, a educação dos filhos – não se podem separar, assumem a obrigação de viver em plena continência, isto é, de abster-se dos actos próprios dos cônjuges”.

(São João Paulo II, Ex. ap. Familiaris Consortio , 84. Cf. Bento XVI, Ex. ap. Sacramentum Caritatis, 22-II-2007, 29; Congregação para a Doutrina da Fé, Carta sobre a recepção da Comunhão Eucarística por parte dos fiéis divorciados que voltaram a casar, 14-09-1994; Catecismo , 1650).

Pequena agenda do cristão

  


DOMINGO

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Lembrar-me:
Cultivar a Fé

São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?



[i] Cfr. Lc 1, 38
[ii] AMA, orações pessoais
[iii] AMA, orações pessoais
[iv] AMA, orações pessoais
[v] Btº Álvaro del Portillo (oração pessoal)





























06/02/2021

Santidade




 O preço da santidade

Leitura espiritual Fev 06

 


Novo Testamento [i]


Evangelho


Mc VIII, 10-26

 

Os fariseus pedem um prodígio

10 Subindo logo para o barco com os discípulos, foi para os lados de Dalmanuta. 11 Apareceram os fariseus e começaram a discutir com Ele, pedindo-lhe um sinal do céu para o pôr à prova. 12 Jesus, suspirando profundamente, disse: «Porque pede esta geração um sinal? Em verdade vos digo: sinal algum será concedido a esta geração.» 13 E, deixando-os, embarcou de novo e foi para a outra margem.

 

O fermento dos fariseus

14 Os discípulos tinham-se esquecido de levar pães e só traziam um pão no barco. 15 Jesus começou a avisá-los, dizendo: «Olhai: tomai cuidado com o fermento dos fariseus e com o fermento de Herodes.» 16 E eles discorriam entre si: «Não temos pão.» 17 Mas Ele, percebendo-o, disse: «Porque estais a discorrer que não tendes pão? Ainda não entendestes nem compreendestes? Tendes o vosso coração endurecido? 18 Tendes olhos e não vedes, tendes ouvidos e não ouvis? E não vos lembrais 19 de quantos cestos cheios de pedaços recolhestes, quando parti os cinco pães para aqueles cinco mil?» Responderam: «Doze.» 20 «E quando parti os sete pães para os quatro mil, quantos cestos cheios de bocados recolhestes?» Responderam: «Sete.» 21 Disse-lhes então: «Ainda não compreendeis?»

 

O cego de Betsaida

22 Chegaram a Betsaida e trouxeram-lhe um cego, pedindo-lhe que o tocasse. 23 Jesus tomou-o pela mão e conduziu-o para fora da aldeia. Deitou-lhe saliva nos olhos, impôs-lhe as mãos e perguntou: «Vês alguma coisa?» 24 Ele ergueu os olhos e respondeu: «Vejo os homens; vejo-os como árvores a andar.» 25 Em seguida, Jesus impôs-lhe outra vez as mãos sobre os olhos e ele viu perfeitamente; ficou restabelecido e distinguia tudo com nitidez. 26 Jesus mandou-o para casa, dizendo: «Nem sequer entres na aldeia.»


Texto:

 


  Castidade

  Como já se disse o prazer é sempre efémero por isso a busca de novas sensações e momentos de satisfação torna-se uma verdadeira necessidade e não poucas vezes uma obsessão.

A imaginação joga um papel decisivo e deixá-la “à solta” acaba quase sempre por forçar a atitude.

  Muitas vezes a pessoa dominada por este vício ultrapassa os limites da normalidade - por assim dizer - de uma actuação própria que não existiria se o não tivesse. Chega a cometer autênticos crimes contra si próprio ou contra terceiros. Configura um desprezo ou pelo menos falta de consideração pelo próprio corpo e pelo dos outros.

O respeito pelo corpo é sem dúvida alguma uma característica do carácter bem formado.

A pessoa sabe que o corpo é como que o invólucro da alma e portanto deve ser respeitado na sua integridade e nunca usado como um meio objecto de prazer ou deleite.

A modéstia e o decoro pessoais caracterizam a pessoa consciente desta realidade.

  Ter a noção correcta do que é permitido e que não o é, dos limites onde se deve actuar, faz parte integrante desse carácter bem formado e bem informado.

  Não se deve encarar este tema pela negativa com uma posição redutora do seu âmbito ou da sua importância; pelo contrário, é conveniente ter bem claro que a castidade é uma das mais belas e gratificantes virtudes como, no fim e ao cabo são todas a virtudes que exigem luta, perseverança, vigilância e vontade expressas da sua defesa.

  Quanto maior a luta e mais árduo o esforço maior o prémio e a satisfação pessoal quando se vence.

  Ora bem, como pode estranhar-se que uma virtude exija luta e coragem para se manter e conservar quando o vício também os exige para a sua satisfação?

  Ao discorrer sobre a castidade é fundamental ter uma atitude positiva porque não se trata nem de algo estranho, raro e muito menos impossível.

Ser casto nas palavras, atitudes, comportamentos não é de modo nenhum algo reservado a pessoas com alguma vocação especial.

  Algumas têm a castidade pessoal como uma exigência atinente a essa mesma vocação havendo até nalguns casos compromisso solene de a observar.

O comum das pessoas não têm esse compromisso mas sim esse dever, muito particularmente como dever de estado. Isto é, a pessoa consciente sabe que a castidade pessoal joga forte na sua vida.

Longe de ser um “problema” observar a castidade é uma vitória pessoal sobre as inclinações naturais, um triunfo da vontade, uma escolha gratificante.

  A cedência causa sempre amargura e insatisfação, não ceder, bem ao contrário, traz consigo o doce sabor da vitória.

  Durante muito tempo a direcção espiritual dos jovens centrava-se muito na castidade e não poucas vezes esta forma de proceder causava no jovem um autêntico obstáculo à sua vida interior tornando-se, com o  desenvolvimento pessoal, numa quase obsessão limitando muito o critério, a tranquilidade e a visão correcta e desapaixonada da consideração da sexualidade.

  Algo natural e comum tornava-se assim num problema de proporções por vezes desmedidas num misto de sentimentos de fraqueza, cedências, descontrolo e, evidentemente, de vergonha.

Por causa disso muitos jovens se afastaram da direcção espiritual e da prática dos sacramentos  nomeadamente da confissão sacramental.

Bem se sabe que meses tempos o tema era de difícil abordagem nomeadamente entre filhos e pais. Era como que um tema “tabu” que por costume não se abordava.

A juventude educada na escola oficial era a que mais sofria com esta situação já que  normalmente os  estabelecimentos de ensino não proporcionavam direcção espiritual aos seus alunos deixando assim os jovens como que entregues a si mesmos procurando adrede respostas para as questões que inevitavelmente vão surgindo com o avançar dos anos.

E não poucas vezes não encontrando o  esclarecimento que procuram ou, o que é pior, as respostas vêm daqueles que não têm nem seriedade, nem critério, nem  conhecimentos que lhes permitam responder de uma forma séria e conclusiva, o jovem vai mergulhando num poço ao qual não encontra fundo e ou se deixa ir nesse mergulho sem objectivo, ou se desinteressa completamente por interrogar-se, esclarecer as suas dúvidas e se comporta como se não houvesse nem limites a observar nem regras a ter em conta.

Nestes casos e situações encontram terreno fértil as solicitações próprias da sexualidade juvenil.

  Seria, pois, na minha opinião, muito mais eficaz falar-se de pureza e amor.

  O problema da sexualidade está intimamente ligado a estes dois parâmetros já que a sexualidade tem um âmbito muitíssimo mais abrangente que a mera acção sexual que, se não envolve ou considera o amor como motor e causa, não passa de um acto de mera satisfação pessoal.

  De facto é recorrente chamar-se à acção do acto “fazer amor” o que quer dizer exactamente que se aceita aquele como a expressão física e emocional daquela.

E porque segundo as leis da própria natureza o acto sexual está  intrinsecamente orientado para um fim que é a procriação e a propagação da espécie, não se deve admitir sob outro pretexto  qualquer.

  Posto isto é bem de ver que os dois envolvidos no acto sexual têm  forçosamente de ser de géneros diferentes, ou seja, macho e fêmea.

  Estes, pelas mesmas leis da natureza, elegem-se mutuamente para levarem a cabo essa acção procriadora, quer levados pelos seus instintos apelativos, no caso dos irracionais, quer pelos  sentimentos que os atraírem mutuamente no que se refere ao ser humano e, neste caso, é o amor.

  Claro... também existe a atracção que suscita o desejo mas esta é a acção primária que deve levar àquele. E, a verdade é que, mesmo desvanecidas a atracção e mitigado o desejo com o passar dos anos e o "amortecimento" do libido, o amor permanece cada vez mais forte e seguro, construído passo a passo no dia-a-dia da vida em comum e pode afirmar-se que já não necessita de exercitar o sexo para continuar a existir. 

Se assim não fosse, as pessoas de idade mais avançada não encontrariam o amor mútuo nas suas vidas.

 

 



[i] Sequencial todos os dias do ano

São José

 


EXORTAÇÃO APOSTÓLICA

REDEMPTORIS CUSTOS

DO SUMO PONTÍFICE

JOÃO PAULO II

SOBRE A FIGURA E A MISSÃO

DE SÃO JOSÉ

NA VIDA DE CRISTO E DA IGREJA

 

O CONTEXTO EVANGÉLICO

 

III

 

O HOMEM JUSTO - O ESPOSO

 

17. No decorrer da sua vida, que foi uma peregrinação na fé, José, como Maria, permaneceu fiel até ao fim ao chamamento de Deus. A vida de Maria foi o cumprimento até às últimas consequências daquele primeiro fiat (faça-se) pronunciado no momento da Anunciação; ao passo que José - como já foi dito - não proferiu palavra alguma, aquando da sua «anunciação»: «fez como o anjo do Senhor lhe ordenara» (Mt 1, 24). E este primeiro «fez» tornou-se o princípio da «caminhada de José». Ao longo desta caminhada, os Evangelhos não registram palavra alguma que ele tenha dito. Mas esse silêncio de José tem uma especial eloquência: graças a tal atitude, pode captar-se perfeitamente a verdade contida no juízo que dele nos dá o Evangelho: o «justo» (Mt 1, 19).

 

É necessário saber ler bem esta verdade, porque nela está contido um dos mais importantes testemunhos acerca do homem e da sua vocação. No decurso das gerações a Igreja lê, de maneira cada vez mais atenta e mais cônscia este testemunho, como que tirando do tesouro desta insígne figura «coisas novas e coisas velhas» (Mt 13, 52).

 

18. O homem «justo» de Nazaré possui sobretudo as características bem nítidas do esposo. O Evangelista fala de Maria como de «uma virgem desposada com um homem ... chamado José» (Lc 1, 27). Antes de começar a realizar-se «o mistério escondido desde todos os séculos em Deus» (Ef 3, 9), os Evangelhos põem diante de nós a imagem do esposo e da esposa. Segundo o costume do povo hebraico, o matrimónio constava de duas fases: primeiro, era celebrado o matrimónio legal (verdadeiro matrimónio); e depois, só passado um certo período, é que o esposo introduzia a esposa na própria casa. Antes de viver junto com Maria, portanto, José já era o seu «esposo»; Maria, porém, conservava no seu íntimo o desejo de fazer o dom total de si mesma exclusivamente a Deus. Poder-se-ia perguntar de que modo este desejo se conciliava com as «núpcias». A resposta vem-nos somente do desenrolar dos acontecimentos salvíficos, isto é, da acção especial do próprio Deus. Desde o momento da Anunciação, Maria sabe que deve realizar-se o seu desejo virginal, de entregar-se a Deus de modo exclusivo e total, precisamente tornando-se mãe do Filho de Deus. A maternidade por obra do Espírito Santo é a forma de doação que o próprio Deus espera da Virgem, «desposada» com José. E Maria pronuncia o seu fiat (faça-se).

 

O facto de ela ser «desposada» com José está incluído no mesmo desígnio de Deus. Isso é indicado por ambos os Evangelistas citados, mas de maneira particular por São Mateus. São muito significativas as palavras ditas a José: «Não temas receber contigo Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é obra do Espírito Santo» (Mt 1, 20). Elas explicam o mistério da esposa de José: Maria é virgem na sua maternidade. Nela «o Filho do Altíssimo» assume um corpo humano e torna-se «o Filho do homem».

 

Dirigindo-se a José com as palavras do anjo, Deus dirige-se a ele como sendo esposo da Virgem de Nazaré. Aquilo que nela se realizou por obra do Espírito Santo exprime ao mesmo tempo uma confirmação especial do vínculo esponsal, que já existia antes entre José e Maria. O mensageiro diz claramente a José: «Não temas receber contigo, Maria, tua esposa». Por conseguinte, aquilo que tinha acontecido anteriormente — os seus esponsais com Maria — tinha acontecido por vontade de Deus e, portanto, devia ser conservado. Na sua maternidade divina, Maria deve continuar a viver como «uma virgem, esposa de um esposo» (cf. Lc 1, 27).

Reflexão

 

Na hora da secura, do fastio, inclusive ante o espiritual; na hora do esgotamento da inteligência; e – só no que se refere a nós – na hora da tibieza, voltemos os olhos para Jesus Cristo orante no Horto e saberemos tirar partido dessas situações, recobrando forças – ainda que não desapareçam os sintomas externos – até saltar para for a do sepulcro da apatia.

 

(Javier Echevarria, Getsemani, Planeta, 3ª Ed. Pg. 180)

Filosofia, Religião, Condição Humana

 

A doutrina sagrada é uma ciência?

 

QUANTO AO SEGUNDO ARTIGO, ASSIM SE PROCEDE: Parece não ser ciência a doutrina sagrada.

1. – Pois toda ciência provém de princípios por si evidentes, ao passo que procede a doutrina sagrada dos artigos da fé, inevidentes em si, por serem não universalmente aceitos; porque a fé não é de todos, diz a Escritura (II Ts. 3, 2). Logo, não é ciência a doutrina sagrada.

2. – Ademais, do indivíduo não há ciência. Mas a doutrina sagrada trata de factos individuais, como sejam os feitos de Abraão, Isaac, Jacó e semelhantes. Logo, não é ciência a doutrina sagrada.

EM SENTIDO CONTRÁRIO, diz Agostinho: “A esta ciência pertence apenas aquilo pelo qual a fé, bem salutar, é gerada, alimentada, defendida, corroborada”. Ora, tais funções não pertencem a ciência alguma, a não ser à doutrina sagrada. Logo, a doutrina sagrada é uma ciência.



RESPONDO. A doutrina sagrada é ciência. Porém, cumpre saber que há dois géneros de ciências. Umas partem de princípios conhecidos à luz natural do intelecto, como a aritméctica, a geometria e semelhantes. Outras provém de princípios conhecidos por ciência superior; como a perspectiva, de princípios explicados na geometria, e a música, de princípios aritmécticos. E deste modo é ciência a doutrina sagrada, pois deriva de princípios conhecidos à luz duma ciência superior, a saber: a de Deus e dos santos. Portanto, como aceita a música os princípios que lhe fornece o aritméctico, assim a doutrina sagrada tem fé nos princípios que lhe são revelados por Deus.

QUANTO AO 1º, portanto, deve dizer-se que os princípios de qualquer ciência, ou são por si mesmos evidentes, ou se reduzem à evidência de alguma ciência superior. E tais são os princípios da doutrina sagrada, como dissemos.

QUANTO AO 2º, deve dizer-se que na doutrina sagrada, os factos individuais não são tratados principalmente, senão apenas introduzidos a título de exemplo prático, como nas ciências morais; ou também no intuito de apurar a autoridade dos homens que nos transmitiram a revelação divina, na qual se funda a Sagrada Escritura ou doutrina.

 

São Tomás de Aquino, Summa Theológica

Pequena agenda do cristão

   



SÁBADO

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me:

Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?




Orações sugeridas: