05/03/2012

Resumos sobre a Fé Cristã

Cultivar a Fé



5. Agnosticismo e a indiferença religiosa

O agnosticismo, difundido especialmente nos ambientes intelectuais, defende que a razão humana nada pode concluir sobre Deus e a sua existência. Com frequência, os seus defensores empenham-se na vida pessoal e social, mas sem nenhuma referência a um fim último, procurando assim viver um humanismo sem Deus. A posição agnóstica acaba, com frequência, por se identificar com o ateísmo prático. De resto, quem pretendesse orientar os fins parciais do próprio viver quotidiano sem nenhum tipo de compromisso para que tende naturalmente o fim último dos próprios actos, na realidade teria que dizer-se que, no fundo, já elegeu um fim, de carácter imanente, para a própria vida. A posição agnóstica merece, de qualquer modo, respeito, se bem que os seus defensores devem ser ajudados a demonstrar a rectidão da sua não-negação de Deus, mantendo uma abertura à possibilidade de reconhecer a Sua existência e revelação na história.

A indiferença religiosa – também chamada “irreligiosidade” – representa hoje a principal manifestação de incredulidade e como tal, recebeu uma crescente atenção por parte do Magistério da Igreja [1]. O tema de Deus não se toma a sério, ou não se toma em absoluta consideração porque é sufocado, na prática, por uma vida orientada para os bens materiais. A indiferença religiosa coexiste com uma certa simpatia pelo sagrado, e talvez pelo pseudo-religioso, desfrutados de um modo moralmente descuidado, como se fossem bens de consumo. Para manter por longo tempo uma posição de indiferença religiosa, o ser humano necessita de contínuas distracções e, assim, não se deter nos problemas existenciais mais importantes, afastando-os quer da própria vida quotidiana quer da própria consciência: o sentido da vida e da morte, o valor moral das próprias acções, etc. Mas, como na vida de uma pessoa há sempre acontecimentos que “marcam a diferença” (paixões, paternidade e maternidade, mortes prematuras, dores e alegrias, etc.), a posição de “indiferentismo” religioso não é sustentável ao longo de toda a vida, porque não se pode evitar interrogar-se sobre Deus, pelo menos, alguma vez. Partindo de tais eventos existencialmente significativos, é necessário ajudar o indiferente a abrir-se com seriedade à procura e afirmação de Deus.

giuseppe tanzella-nitti

Bibliografia básica

Catecismo da Igreja Católica, 27-49
Concílio Vaticano II, Const. Gaudium et Spes, 4-22
João Paulo II, Enc. Fides et Ratio, 14-IX-1998, 16-35.
Bento XVI, Enc. Spe Salvi, 30-XI-2007, 4-12.

© Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet
http://www.opusdei.pt/art.php?p=13979



[1] Cf. João Paulo II, Ex. Ap. Christifideles laici, 30-XII-1988, 34; Enc. Fides et Ratio,5.

Fortaleza

Reflectindo

Em situações ambientais prejudiciais a uma melhoria pessoal, resiste às influências nocivas, suporta os sofrimentos, e entrega-se com valentia no caso de poder influir positivamente para vencer as dificuldades e acometer empresas grandes. [i]


[i] Definição do Dom de Fortaleza

New York

New York  New York - Liza Minelli & Pavarotti


Tratado sobre a Obra dos Seis Dias 37

Questão 48: Da distinção das coisas em especial

Art. 4 – Se há um mundo só ou vários.

(De Pot., q. 3, a. 16, ad 1: XII Metaphys., lect. X; I De Cael. et Mund., lect. XVI sqq.).

O terceiro discute-se assim. – Parece que não há só um mundo, mas vários.

1. – Pois, como diz Agostinho, é inconve­niente dizer que Deus criou as coisas sem razão [1]. Mas, pela mesma razão por que criou um mundo podia criar muitos, por não estar o seu poder limitado à criação de um só, e ser infinito, como antes se demonstrou [2]. Logo, Deus criou vários mundos.

2. Demais. – A natureza faz o que é melhor, e, com maioria de razão, Deus. Ora, melhor é haver vários mundos que um só, porque melhor é haver muitos do que um só. Logo vários mundos foram feitos por Deus.

3. Demais. – Tudo o que teve uma forma numa matéria pode ser numericamente multiplicado, permanecendo a espécie a mesma, por­que a multiplicação numérica vem da matéria. Ora, o mundo tem uma forma material. Pois, assim como dizendo homem exprimo a forma, e dizendo este homem exprimo a forma na ma­téria; assim, dizendo mundo exprimo a forma, e dizendo este mundo exprimo a forma na matéria. Logo, nada impede haja diversos mundos.

Mas, em contrário, diz a Escritura (Jo 1, 10): O mundo foi feito por ele; falando do mundo no singular, como se só existisse um.

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Evangelho do dia e comentário


Quaresma -  II Semana


Evangelho: Lc 6, 36-38

36 Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso. 37 Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados; 38 dai e dar-se-vos-á. Uma medida boa, cheia, recalcada e a transbordar vos será lançada nas dobras do vosso vestido. Porque, com a mesma medida com que medirdes para os outros, será medido para vós».

Comentário:

A medida que o Senhor usa para connosco é infinitamente desproporcional à que usamos para com os outros e, até, para com Ele.

Não admira que seja assim a nossa é uma medida humana, a de Deus é divina; a nossa é limitada pelas nossas fraquezas, calculismo e pouca generosidade, a de Deus não tem limites; a que temos usamo-la na terra, a de Deus é "fabricada" no Céu.

A medida de Deus e a medida dos homens!

Ainda bem que o Senhor é generoso porque se, de facto e - como diz - usasse para connosco a medida que usamos não nos chegariam senão uma ínfima parte das graças que tem para nos dar.

(ama, comentário sobre Lc 6, 36-38, 2011.03.21)

04/03/2012

Leitura espiritual para 04 de Março de 2012



Está aconselhada a leitura espiritual diária de mais ou menos 15 minutos. Além da leitura do novo testamento, (seguiu-se o esquema usado por P. M. Martinez em “NOVO TESTAMENTO” Editorial A. O. - Braga) devem usar-se textos devidamente aprovados. Não deve ser leitura apressada, para “cumprir horário”, mas com vagar, meditando, para que o que lemos seja alimento para a nossa alma.


Para ver, clicar SFF.

Sobre o casamento 4

S. Josemaria responde a dez perguntas sobre o matrimónio, o amor, o namoro, a fidelidade, a educação dos filhos, os principais valores para conseguir a unidade familiar, o que acontece quando não se têm filhos…


Que conselhos daria para que, com o passar do tempo, a vida matrimonial continue feliz, sem cedências à monotonia? Pode parecer uma questão pouco importante, mas recebem-se muitas cartas sobre este tema.

A mim parece-me que, com efeito, é um assunto importante, e por isso o são também as possíveis soluções, apesar da sua aparência modesta. Para que no matrimónio se conserve o encanto do começo, a mulher deve procurar conquistar o seu marido em cada dia, e o mesmo teria que dizer ao marido em relação à mulher. O amor deve ser renovado em cada novo dia, e o amor ganha-se com o sacrifício, com sorrisos e com arte também. Se o marido chega a casa cansado de trabalhar e a mulher começa a falar sem medida, contando-lhe tudo o que lhe parece que correu mal, pode-se surpreender que o marido acabe por perder a paciência? Essas coisas menos agradáveis podem-se deixar para um momento mais oportuno, quando o marido esteja menos cansado, mais bem disposto.

Outro pormenor: o arranjo pessoal. Se outro sacerdote vos dissesse o contrário, penso que seria um mau conselho. À medida que uma pessoa, que deve viver no mundo, vai avançando em idade, mais necessário se torna melhorar não só a vida interior como - precisamente por isso - procurar estar apresentável. Evidentemente, sempre em conformidade com a idade e as circunstâncias. Costumo dizer, por brincadeira, que as fachadas, quanto mais envelhecidas, mais necessidade têm de reparação. É um conselho sacerdotal. Um velho refrão castelhano diz que la mujer compuesta saca al hombre de otra puerta, a mulher arranjada tira o homem de outra porta.

Por isso atrevo-me a afirmar que as mulheres têm a culpa de oitenta por cento das infidelidades dos maridos, porque não sabem conquistá-los em cada dia, não sabem ter pequenas amabilidades e delicadezas. A atenção da mulher casada deve-se centrar no marido e nos filhos. Assim como a do marido se deve centrar na mulher e nos filhos. E para fazer isto bem é preciso tempo e vontade. Tudo o que torne impossível esta tarefa é mau, não está bem.

Não há desculpa para não cumprir esse amável dever. Para já, não é desculpa o trabalho fora do lar, nem sequer a própria vida de piedade, a qual, se não é compatível com as obrigações de cada dia, não é boa, Deus não a quer. A mulher casada tem que se ocupar primeiro do lar. Recordo uma antiga da minha terra, que diz: La mujer que, por la iglesia, / deja el puchero quemar, / tiene la mitad de ángel, / de diablo la otra mitad. - A mulher que, pela igreja, / deixa esturrar a comida, / tem metade de anjo, / de diabo a outra metade. A mim parece-me inteiramente um diabo.

(s. josemaria, Temas actuais do cristianismo, 107)

Quatro dogmas (demonstráveis?) nos quais até os ateus acreditam. 2

Crença 1 - O princípio de não contradição

Um objecto A não pode ser A e não-A ao mesmo tempo e no mesmo sentido. Não podemos dizer que certo animal é um gato, mas que não o é, se estamos chamando "gato" à mesma coisa, usando a palavra no mesmo sentido. Ou é, ou não é. Cair na contradição, dizemos, é um disparate. Alguns filósofos antigos (e alguns adolescentes modernos, alguns de idade avançada) asseguram que toda proposição é simultaneamente verdadeira e falsa. Mas Aristóteles observou que esses mesmos filósofos não eram coerentes com os seus postulados teóricos e ao rejeitar esta lei estavam sugerindo, simultaneamente, a sua validade.

(j. cadarso / p. j. ginés, trad ama)

Criação de amor

Reflectindo






Deus Pai criou-nos por amor e para nos fazer participar dele e com Ele sem medida, e nisto encontra as suas delícias. [i]


[i] Francisco Fernández carvajal & Pedro Betteta lópez, Filhos de Deus, DIEL, ISBN 972-8040-08-03, nr. 19

Pensamentos inspirados à procura de Deus

À procura de Deus

A Igreja,

é maior do que o templo.

Aliás,

é maior do que o mundo.

jma

O Magnum Mysterium

Choir of Wells Cathedral


selecção ALS

Tratado sobre a Obra dos Seis Dias 36

Questão 48: Da distinção das coisas em especial



Art. 3 – Se nas criaturas há uma ordem dos agentes.
O terceiro discute-se assim. – Parece que, nas criaturas não há ordem dos agentes.

1. – Pois, o agente que age sem interme­diário é mais perfeito que o agente por intermediário. Ora, Deus é agente potentíssimo. Logo, não age por intermediário e, assim, uma criatura não age sobre outra.

2. Demais. – Um agente faz, por natureza, outro ser semelhante a si. Ora, aquilo à seme­lhança do que alguma coisa se faz é o exemplar. Se, pois, uma criatura é causa agente em relação a outra, segue-se que os seres mais dignos são os exemplares dos inferiores; opinião reprovada por Dionísio [1].

3. Demais. – Agente e fim incidem na mesma espécie, como diz Aristóteles [2]. Se, pois, uma criatura é causa activa de outra, será também uma a causa final da outra. O que vai con­tra a Escritura (Pr 16, 4): Tudo fez o Senhor por causa de si mesmo.

Mas, em contrário, diz o Apóstolo (Rm 13, 1): Todo homem esteja sujeito aos poderes superiores. E Dionísio diz que a lei da Divindade é reduzir a si os seres inferiores por meio dos superiores [3]. Logo, uma criatura age sobre outra.

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Evangelho do dia e comentário


Quaresma -  II Semana


Evangelho: Mc 9, 2-10

2 Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, e conduziu-os sós, à parte, a um monte alto, e transfigurou-Se diante deles. 3 As Suas vestes tornaram-se resplandecentes, de uma brancura tal, que nenhum lavadeiro sobre a terra os poderia tornar tão brancos. 4 Depois apareceu-lhes Elias com Moisés, que estavam a falar com Jesus. 5 Pedro tomando a palavra disse a Jesus: «Rabi, que bom é nós estarmos aqui; façamos três tendas: uma para Ti, uma para Moisés e outra para Elias». 6 Não sabia o que dizia, pois estavam atónitos de medo. 7 E formou-se uma nuvem que os cobriu com a sua sombra, e da nuvem saíu uma voz que dizia: «Este é o meu Filho muito amado, ouvi-O». 8 Olhando logo à volta de si, não viram mais ninguém com eles senão Jesus. 9 Ao descerem do monte, ordenou-lhes que a ninguém contassem o que tinham visto, senão depois de o Filho do Homem ter ressuscitado dos mortos. 10 Observaram esta ordem, mas perguntavam-se o que queria dizer “quando tiver ressuscitado dos mortos”.

Meditação:

Como anseio ver o Teu rosto, Senhor!

Nesta turbulência que é a minha vida, como anseio a paz junto de Ti, último bem!

Imprime na minha alma a Tua imagem divina de forma tão clara e brilhante que eu não possa deixar de a ver permanentemente, assim, não só não Te ofenderei mais com as minhas faltas e omissões, como terei uma antevisão do que me está reservado quando um dia me chamares para o pé de Ti.

Quero, Senhor, ver o Teu rosto, mas, só, quando Tu quiseres.
Entretanto, ajuda-me a conseguir o equilíbrio de vida que me é necessário para me preparar para esse encontro. 

Vultum Tuum, Domine, requiram!

(ama, Meditação sobre Mc 9, 2-13, Quaresma 2000)

03/03/2012

Leitura espiritual para 03 de Março de 2012



Está aconselhada a leitura espiritual diária de mais ou menos 15 minutos. Além da leitura do novo testamento, (seguiu-se o esquema usado por P. M. Martinez em “NOVO TESTAMENTO” Editorial A. O. - Braga) devem usar-se textos devidamente aprovados. Não deve ser leitura apressada, para “cumprir horário”, mas com vagar, meditando, para que o que lemos seja alimento para a nossa alma.


Para ver, clicar SFF.

Sobre o casamento 3

S. Josemaria responde a dez perguntas sobre o matrimónio, o amor, o namoro, a fidelidade, a educação dos filhos, os principais valores para conseguir a unidade familiar, o que acontece quando não se têm filhos…


Há hoje em dia pessoas que afirmam que o amor justifica tudo, e concluem que o namoro é como que um casamento à experiência. Não seguir o que consideram imperativos do amor, pensam que é inautêntico, retrógrado. Que pensa desta atitude?

O noivado deve ser uma ocasião de aprofundar o afecto e o conhecimento mútuo. E, como toda a escola de amor, deve ser inspirado não pela ânsia de posse, mas por espírito de entrega, de compreensão, de respeito, de delicadeza. Por isso, há pouco mais de um ano quis oferecer à Universidade de Navarra uma imagem de Santa Maria, Mãe do Amor Formoso, para que os rapazes e raparigas que frequentam aquelas Faculdades aprendessem d'Ela a nobreza do amor - do amor humano também.

Matrimónio à experiência? Que pouco sabe de amor quem fala assim! O amor é uma realidade mais segura, mais real, mais humana. Algo que não se pode tratar como um produto comercial, que se experimenta e depois se aceita ou se deita fora, segundo o capricho, a comodidade ou o interesse.

Essa falta de critério é tão lamentável, que nem sequer parece necessário condenar quem pensa ou procede assim porque eles mesmo se condenam à infecundidade, à tristeza, a um isolamento desolador, que sofrerão mal passem alguns anos. Não posso deixar de rezar muito por eles, amá-los com toda a minha alma e tratar de lhes fazer compreender que continuam a ter aberto o caminho de regresso a Jesus Cristo, e que, se se empenharem a sério, poderão ser santos, cristãos íntegros, porque não lhes faltará nem o perdão nem a graça do Senhor. Só então compreenderão bem o que é o amor: o Amor divino e também o amor humano nobre; e saberão o que é a paz, a alegria, a fecundidade.

(s. josemaria, Temas actuais do cristianismo, 105)

Quatro dogmas (demonstráveis?) nos quais até os ateus acreditam. 1

Quase toda a gente aceita estes quatro princípios, ainda que num mundo pós-moderno haja auto nomeados racionalistas que negam a casualidade, a não contradição, a fiabilidade da percepção e inclusive a noção de auto consciência.

Muitos dos grandes descobrimentos científicos a história não poderiam ter-se dado sem que os cientistas, independentemente da sua opção religiosa (ou não religiosa), acreditassem nuns primeiros princípios que, cientificamente, são indemonstráveis.

Para que tal chegue a dar-se é necessário que crentes e não crentes aceitem quatro dogmas básicos, quatro “crenças” indemonstráveis mas nas quais crêem até os cépticos mais cépticos.

(j. cadarso / p. j. ginés, trad ama)

Quaresma: Práticas penitenciais

Reflectindo
Entre as práticas penitenciais sugeridas pela Igreja, sobretudo em tempo de Quaresma, está o jejum. Ele comporta uma sobriedade especial na recepção do alimento exceptuando a necessidade do organismo. Trata-se de uma forma tradicional de penitência que não perdeu o seu significado; pelo contrário, talvez se deva redescobrir, especialmente nos locais do mundo e naqueles ambientes nos quais não só abunda o alimento, como por vezes se adquirem doenças devido à sobrealimentação.
Obviamente, o jejum penitencial é algo muito diferente das dietas terapêuticas, Mas, a seu modo, pode considerar-se uma terapia da alma. Com efeito, praticado como sinal de conversão, facilita o compromisso interior de pôr-se à escuta de Deus.

Btº. joão Paulo II,  Mensagem para a Quaresma de 1994

My fair laidy

Errol Garner - 1964

Tratado sobre a Obra dos Seis Dias 35

Questão 48: Da distinção das coisas em especial

Art. 2 – Se a desigualdade das coisas provém de Deus.

(Infra, q. 65. a. 2; II Cont. Gent., cap. XLIV, XLV; III, cap. XCVII; De Pot., q. 3, a. 16; De Anima, a. 7; Compend. Theol., cap. LXXIII, c. II; De Div. Nom., cap. IV. lect. XVI).

O segundo discute-se assim. – Parece não provir de Deus a desigualdade das coisas.

1. – Quem é óptimo produz coisas óptimas. Ora, entre coisas óptimas, uma não o é mais que outra. Logo Deus, que é óptimo, deve fazer todas as coisas iguais.

2. Demais. – A igualdade é efeito da unidade, como diz Aristóteles [1]. Ora, Deus é um. Logo, fez todas as coisas iguais.

3. Demais. – A justiça consiste em dar a indivíduos desiguais coisas desiguais. Ora, Deus é justo em todas as suas obras. Como, porém, a sua operação, pela qual comunica o ser às coisas, não pressupõe nelas nenhuma desigual­dade, resulta que as fez todas iguais.

Mas, em contrário, a Escritura (Eccle 33, 7-8): Porque é que um dia é preferido a outro dia, uma luz a outra luz, e um ano a outro ano, provindo todos do mesmo sol? Foi a ciência do Senhor que os diferenciou.

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Evangelho do dia e comentário


Quaresma -  I Semana

Evangelho: Mt 5, 43-48

43 «Ouvistes que foi dito: “Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo”. 44 Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem. 45 Deste modo sereis filhos do vosso Pai que está nos céus, o qual faz nascer o sol sobre maus e bons, e manda a chuva sobre justos e injustos. 46 Porque, se amais somente os que vos amam, que recompensa haveis de ter? Não fazem os publicanos também o mesmo? 4 7 E se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de especial? Não fazem também assim os próprios gentios?  48 Sede, pois, perfeitos, como vosso Pai celestial é perfeito.

Comentário:

Uma e outra vez a Igreja conduz-nos para o grande tema da Quaresma: o perdão e o amor aos outros.

O próximo e o samaritano, o próximo e o levita, o próximo e o sacerdote, o próximo e… nós!

Qual daqueles três personagens encarnamos?
Qual é o nosso exemplo?

Acaba a primeira semana da Quaresma e já estamos bem cientes do que nos é pedido, o que temos de fazer. Talvez um ‘revolução’ interna na nossa maneira de pensar, de ver os outros de nos relacionarmos com os demais?

Com a certeza que o que realmente importa é que cheguemos ao  fim desta Quaresma com uma postura diferente mais de acordo com os desejos de Cristo, comecemos agora, já – NUN COEPI – sem perder mais tempo ou esperar por uma ocasião mais propícia que nunca surgirá.

(ama, comentário sobre Mt 5, 43-48, 2012.02.03)