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| Card. Antonio Cañizares |
Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
27/09/2019
Leitura espiritual
11
Esta
Igreja Católica é romana.
Eu
saboreio esta palavra: romana!
Sinto-me
romano, porque romano quer dizer universal, católico; porque me leva a amar
carinhosamente o Papa, il dolce Cristo in
terra, como gostava de repetir Santa Catarina de Sena, a quem tenho como
amiga amadíssima.
Desde
este centro católico romano - sublinhou Paulo VI no discurso de encerramento do
Concílio Vaticano II - ninguém é, em teoria, inalcançável; todos podem e devem
ser alcançados.
Para
a Igreja Católica ninguém é estranho, ninguém está excluído, ninguém se
considera afastado.
Venero
com todas as minhas forças a Roma de Pedro e de Paulo, banhada pelo sangue dos
mártires, centro donde tantos saíram para propagar por todo o mundo a palavra
salvadora de Cristo.
Ser
romano não implica nenhum particularismo, mas ecumenismo autêntico.
Representa
o desejo de dilatar o coração, de abri-lo a todos com as ânsias redentoras de
Cristo, que a todos procura e a todos acolhe, porque a todos amou primeiro.
Santo
Ambrósio escreveu umas breves palavras, que compõem uma espécie de cântico de
alegria: onde está Pedro, aí está a Igreja, e onde está a Igreja não reina a morte,
mas a vida eterna.
Porque
onde estão Pedro e a Igreja está Cristo, e Ele é a salvação, o único caminho.
12
A Igreja é Apostólica
Nosso
Senhor funda a sua Igreja sobre a debilidade - mas também sobre a fidelidade -
de alguns homens, os Apóstolos, aos quais promete a assistência constante do
Espírito Santo.
Leiamos
outra vez o texto conhecido, que é sempre novo e actual: Foi-me dado todo o
poder no céu e na terra.
Ide,
pois, ensinai todas as gentes, baptizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do
Espírito Santo, ensinando-as a observar todas as coisas que vos mandei, e eis
que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos.
A
pregação do Evangelho não surge na Palestina pela iniciativa pessoal de umas
tantas pessoas fervorosas.
Que
podiam fazer os Apóstolos?
Não
valiam absolutamente nada no seu tempo; não eram ricos, nem cultos, nem heróis
do ponto de vista humano.
Jesus
lança sobre os ombros deste punhado de discípulos uma tarefa imensa, divina.
Não
fostes vós que me escolhesses, mas fui eu que vos escolhi a vós, e que vos
destinei para que vades e deis fruto, e para que o vosso fruto permaneça, a fim
de que tudo o que pedirdes a meu Pai em meu nome, ele vo-lo conceda.
Através
de dois mil anos de história, conserva-se na Igreja a sucessão apostólica.
Os
bispos, declara o Concilio de Trento, sucederam no lugar dos Apóstolos e estão
colocados, como diz o próprio Apóstolo (Paulo), pelo Espírito Santo para reger
a Igreja de Deus [i].
E,
entre os Apóstolos, o próprio Cristo tornou Simão objecto duma escolha
especial:
Tu
és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja. Eu roguei por ti, também
acrescenta, para que a tua fé não pereça; e tu, uma vez convertido, confirma os
teus irmãos.
Pedro
muda-se para Roma e fixa ali a sede do primado, do Vigário de Cristo.
Por
isso, é em Roma onde melhor se adverte a sucessão apostólica, e por isso é
chamada a Sé apostólica por excelência.
Proclamou o Concilio Vaticano II, com palavras
de um Concilio anterior, o de Florença, que todos os fiéis de Cristo devem crer
que a Santa Sé Apostólica e o Romano Pontífice possuem o primado sobre todo o
orbe, e que o próprio Romano Pontífice é sucessor do bem-aventurado Pedro,
príncipe dos Apóstolos, verdadeiro vigário de Jesus Cristo, cabeça de toda a
Igreja e pai e mestre de todos os cristãos.
A
ele foi entregue por Nosso Senhor Jesus Cristo, na pessoa do bem-aventurado
Pedro, plena potestade de apascentar, reger e governar a Igreja universal.
13
A
suprema potestade do Romano Pontífice e a sua infalibilidade, quando fala ex cathedra, não são uma invenção
humana, pois baseiam-se na explícita vontade fundacional de Cristo.
Que
pouco sentido tem enfrentar o governo do Papa com o dos bispos, ou reduzir a
validade do Magistério pontifício ao consentimento dos fiéis!
Nada
mais alheio à Igreja do que o equilíbrio de poderes; não nos servem esquemas
humanos, por mais atractivos ou funcionais que sejam.
Ninguém
na Igreja goza por si mesmo de potestade absoluta, enquanto homem; na Igreja
não há outro chefe além de Cristo; e Cristo quis constituir um Vigário seu - o
Romano Pontífice - para a sua Esposa peregrina nesta terra.
A
Igreja é Apostólica por constituição: a que verdadeiramente é e se chama Católica,
deve ao mesmo tempo brilhar pela prerrogativa da unidade, santidade e sucessão
apostólica.
Assim,
a Igreja é Una, com unidade esclarecida e perfeita de toda a terra e de todas
as nações, com aquela unidade da qual é princípio, raiz e origem indefectível a
suprema autoridade e mais excelente primazia do bem-aventurado Pedro, príncipe
dos Apóstolos, e dos seus sucessores na cátedra romana.
E
não existe outra Igreja Católica, senão aquela que, edificada sobre o único
Pedro, se levanta pela unidade da fé e pela caridade num único corpo conexo e
compacto.
Contribuímos
para tornar mais evidente essa apostolicidade aos olhos de todos, manifestando
com requintada fidelidade a união com o Papa, que é união com Pedro.
O
amor ao Romano Pontífice há-de ser em nós uma formosa paixão, porque nele vemos
a Cristo.
Se
tivermos intimidade com o Senhor na nossa oração, caminharemos com um olhar
desanuviado que nos permitirá distinguir, mesmo nos acontecimentos que às vezes
não compreendemos ou que nos causam pranto ou dor, a acção do Espírito Santo.
SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
(cont)
Temas para reflectir e meditar
Mesmo
o pecado mortal, que converte a alma num repugnante cadáver da Graça, é menos
perigoso do que o desalento que acaba por minar a alegria do recomeçar
constante nos nossos passos da vida interior.
O
pecado para os filhos de Deus, para as almas que habitualmente vivem em graça,
é um passo em falso, uma queda que as faz levantar com presteza para continuar
o caminho da santidade. Pelo contrário, o desalento é um inimigo formidável,
que paralisa toda a vibração.
É
característico dos espíritos velhos, desses homens «experientes», que em nada
vêm o remédio, nem para a sua vida, nem para a do mundo. Temperamentos
adocicados e brandos, que necessitam de uma mão férrea que os empurre na
ascensão da vida.
Começaram-na
porventura com brio; mas uma queda, e outra, e outra...apagaram a luz que os
guiava. Na sua vida, só contam experiências negativas, impotência,
esterilidade, pequenos fracassos, tentações, descorçoamento. Em tudo vêm
impossíveis.
Falta-Lhes
a visão cristã da vida: a fé e o sacrifício; e, por isso, todo o trabalho
heróico se lhes torna impossível de realizar.
O
desalento introduz-se na vida interior quando as almas, levadas ao começo pela
consolação do sentimentalismo, sentem que se apaga a chama da devoção sensível
sem falsas apreciações, erros funestos da inteligência o que impede progresso
interior. A suavidade de que se cercava a presença de Deus nos começos -
pequenos presentes que Deus faz a quem Lhe apraz e porque Lhe apraz, e que nada
revelam acerca do progresso de uma alma - dever tornar-se uma «presença» de
vontade, que pede esforços e estratagemas humanos para se ter Cristo diante dos
olhos.
E
não sabem fazer isso por erro de formação.
Abomina
tu essas devoçõezinhas sentimentalóides, pela falsidade que encerram. Doutro
modo, expões-te a avançar muito lentamente nessa vida cristã, viril, que deves percorrer
a ritmo acelerado. Olha que na vida interior não é possível estagnar: ou se
avança ou se retrocede o Amor não admite equilíbrios.
Não
podes cansar-te! O desalento da tua alma deve-se a que manténs na tua vida
interior a mesma frivolidade que te consome nas obras humanas. Não andes só à
superfície; penetra, aprofunda na tua alma com a oração e com o sacrifício, e
esquece os sentimentalismos.
Toda
a noite se tinham afadigado os companheiros de Pedro, tentando pescar nas águas
de Genesaré, e nada tinham conseguido. Mas logo que chegam a terra, antes de
serem vencidos pelo cansaço e pelo desânimo, começam a lavar e a remendar
aquelas redes vazias, preparando a pesca da noite seguinte. Assim são os homens
da Esperança.
Remam
com esforço contra a corrente, bendizendo a Deus quando o Céu os favorece, e
sem se desalentarem quando se encapelam as ondas do mar.
Que
pena ver tantas almas generosas com sede e nostalgia das alturas, mas
descoroçoadas e abatidas pelo desalento!
Nessas
inteligências falta um valor divino que nas coisas humanas é absolutamente
necessário: a vida de fé, uma fé sacrificada.
Se
falta a fé, em quem poderemos confiar?
Vive
a virtude da firmeza, que é a seiva e a vitalidade de todos os teus actos, e
curar-se-á a anemia do teu espírito.
Arranca
da terra a tua alma - com confiança na bondade divina - esse espantalho, esse
fantasma que te assusta e te detém, esse desalento pessimista que te faz levar
uma vida de animal burguês.
Com
insistência sussurra ele aos teus ouvidos: não vês que não podes? Que isso não
é para ti? Não ouves falar de santidade e de heroísmo? De ambição e de guerras?
Sê
viril na tua reacção. Olha para Cristo e escuta João e Tiago: «Possumus!» E
pela primeira vez, sentirás que em ti reverdeje outra virtude luminosa: a
juventude.
(JESUS URTEAGA, O Valor Divino do
Humano, Éfeso, 1ª ed., Lisboa 1988, nr. 126)
Pequena agenda do cristão
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Contenção; alguma privação; ser humilde.
Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.
Lembrar-me:
Filiação divina.
Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
Evangelho e comentário
Evangelho: Lc 9, 18-22
Um dia, Jesus orava sozinho, estando
com Ele apenas os discípulos. Então perguntou-lhes: «Quem dizem as multidões
que Eu sou?». Eles responderam: «Uns, João Baptista; outros, que és Elias; e
outros, que és um dos antigos profetas que ressuscitou». Disse-lhes Jesus: «E
vós, quem dizeis que Eu sou?». Pedro tomou a palavra e respondeu: «És o Messias
de Deus». Ele, porém, proibiu-lhes severamente de o dizerem fosse a quem fosse
e acrescentou: «O Filho do homem tem de sofrer muito, ser rejeitado pelos
anciãos, pelos príncipes dos sacerdotes e pelos escribas; tem de ser morto e
ressuscitar ao terceiro dia».
Comentário:
A
pergunta de Jesus destina-se claramente a provocar uma resposta de Pedro que,
como chefe dos discípulos, tem como que a incumbência de dar uma resposta
concludente e conclusiva.
E
assim sucede, inspirado pelo Espírito Santo, Pedro declara inequivocamente que
Jesus Cristo é o Messias.
Mas,
esta revelação, destina-se, por enquanto, só aos discípulos que seguem Jesus,
virá o momento em que Ele achará conveniente tornar pública essa declaração de
Pedro.
Compreende-se,
há, em primeiro lugar, que fortalecer a fé e confiança daqueles que terão como
principal encargo anunciar o Reino de Deus e, aí sim, declarar sem rebuços a
divindade de Jesus Cristo.
(AMA,
comentário sobre Lc 9, 18-22, 27.06.2019)
Senhor, tantas almas longe de Ti!
Vejo
a tua Cruz, meu Jesus, e alegro-me com a tua graça, porque o prémio do teu
Calvário foi para nós o Espírito Santo... E dás-te a mim, cada dia, amoroso –
louco! – na Hóstia Santíssima... E fizeste-me filho de Deus e deste-me a tua
Mãe! Não me basta a acção de graças; vai-se-me o pensamento: – Senhor, Senhor,
tantas almas longe de Ti! Fomenta na tua vida as ânsias de apostolado, para que
o conheçam..., e o amem..., e se sintam amados! (Forja,
27)
Que
respeito, que veneração, que carinho temos de sentir por uma só alma, ante a
realidade de que Deus a ama como algo seu! (Forja,
34)
Ante
a aparente esterilidade do apostolado, assaltam-te as cristas de uma onda de
desalento, que a tua fé repele com firmeza... Mas reparas que necessitas de
mais fé, humilde, viva e operativa.
–
Tu, que desejas a salvação das almas, grita como o pai daquele rapaz doente,
possesso: "Domine, adiuva incredulitatem
meam!" – Senhor, ajuda a minha incredulidade!
Não
duvides: o milagre repetir-se-á. (Forja,
257)
26/09/2019
Leitura espiritual
9
A Igreja é católica
Deus
quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade.
Porque
há um só Deus, e há um só mediador entre Deus e os homens, que é Jesus Cristo
Homem, o qual se deu a si mesmo em resgate de todos e para testemunho no tempo
oportuno.
Jesus
Cristo institui uma única Igreja, a sua Igreja; por isso, a Esposa de Cristo é
Una e Católica:
universal,
para todos os homens.
Desde
há séculos que a Igreja está estendida por todo o mundo, contando com pessoas
de todas as raças e condições sociais.
Mas
a catolicidade da Igreja não depende da extensão geográfica, mesmo que isto
seja um sinal visível e um motivo de credibilidade.
A
Igreja era Católica já no Pentecostes; nasce Católica no Coração chagado de
Jesus, como um fogo que o Espírito Santo inflama.
No
século II, os cristãos definiam como Católica a Igreja, para a distinguir das
seitas que, utilizando o nome de Cristo, traíam nalgum ponto a sua doutrina.
Chamamos-lhe
Católica, escreve São Cirilo, quer porque se encontra difundida por todo o orbe
da Terra, dum confim ao outro, quer porque ensina de modo universal e sem
defeito todos os dogmas que os homens devem conhecer, do visível e do
invisível, do celestial e do terreno.
Também
porque submete ao recto culto todo o tipo de homens, governantes e cidadãos,
doutos e ignorantes.
E,
finalmente, porque cura e sana todo o género de pecados, da alma, ou do corpo,
possuindo além disso - seja qual for o nome com que se designe - todas as
formas de virtude, em factos, em palavras e em toda a espécie de dons
espirituais.
A
catolicidade da Igreja não depende de que os não católicos a aclamem ou tenham
consideração por Ela.
Nem
se relaciona com o facto de que, em assuntos não espirituais, as opiniões de
algumas pessoas, dotadas de autoridade na Igreja, sejam consideradas - e às
vezes instrumentalizadas - por meios de opinião pública de correntes afins ao
seu pensamento.
Acontecerá
frequentemente que a parte de verdade que se defende em qualquer ideologia
humana, encontre no ensino perene da Igreja algum eco ou algum fundamento; isto
é, em certa medida, um sinal da divindade da Revelação que esse Magistério
guarda.
Mas
a Esposa de Cristo é Católica mesmo quando for deliberadamente ignorada por
muitos, e inclusivamente ultrajada e perseguida, como acontece hoje por
desgraça em tantos sítios.
10
A
Igreja não é um partido político, nem uma ideologia social, nem uma organização
mundial de concórdia ou de progresso material, mesmo reconhecendo a nobreza
dessas e doutras actividades.
A
Igreja realizou sempre e continua a realizar um imenso trabalho em benefício
dos necessitados, dos que sofrem e de todos aqueles que, de alguma maneira,
padecem as consequências do único e verdadeiro mal, que é o pecado.
E
a todos - aos que são de qualquer forma indigentes e aos que julgam gozar da
plenitude dos bens da terra - a Igreja vem confirmar uma única coisa essencial,
definitiva: que o nosso destino é eterno e sobrenatural; que só em Jesus Cristo
nos salvamos para sempre; e que só n'Ele alcançamos, já nesta vida, de algum
modo, a paz e a felicidade verdadeiras.
Pedi
agora comigo a Deus Nosso Senhor que nós, os católicos, nunca nos esqueçamos
destas verdades e que nos decidamos a pô-las em prática.
A
Igreja Católica não precisa do "visto bom" dos homens, porque é obra
de Deus.
Católicos
nos mostraremos pelos frutos de santidade que dermos, visto que a santidade não
admite fronteiras nem é património de nenhum particularismo humano.
Católicos
nos mostraremos se rezarmos, se continuamente procurarmos dirigir-nos a Deus,
se nos esforçarmos, sempre e em tudo, por ser justos - no mais amplo alcance do
termo justiça, não raramente utilizado nestes tempos com um matiz materialista
e erróneo -, se amarmos e defendermos a liberdade pessoal dos outros homens.
Lembro-vos
também outro sinal claro da catolicidade da Igreja: a fiei conservação e
administração dos Sacramentos como foram instituídos por Jesus Cristo, sem
tergiversações humanas nem más tentativas de os condicionar psicológica ou
sociologicamente.
Pois
ninguém pode determinar o que está sob a potestade de outrem, a não ser aquilo
que está em seu poder.
E
como a santificação do homem está sob a potestade de Deus santificante, não
compete ao homem estabelecer, segundo o seu critério, quais as coisas que o
hão-de santificar, mas isto há-de ser determinado por instituição divina.
Essas
tentativas de tirar a universalidade à essência dos Sacramentos, poderiam ter
talvez uma justificação se se tratasse apenas de sinais, de símbolos, que
actuassem por leis naturais de compreensão e entendimento.
Mas,
os Sacramentos da Nova Lei são ao mesmo tempo causas e sinais.
Por
isso comummente se ensina que causam o que significam. Daí que conservem
perfeitamente a razão de Sacramento, enquanto se ordenam a algo sagrado, não só
como sinal, mas também como causas.
SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
(cont)
Temas para reflectir e meditar
Cremos
na vida eterna.
Cremos
que as almas de todos aqueles que morrem na graça de Cristo - tanto as que
devem ser purificadas pelo fogo do Purgatório como as que imediatamente depois
de se separarem do corpo, como o bom ladrão, são recebidas por Jesus no Paraíso
- constituem o Povo de Deus depois da morte, a qual será destruída totalmente
no dia da Ressurreição em que estas almas se unirão aos seus corpos.
(SÃO PAULO VI, Somlenis Professio
fidei, Roma, 1968.06.30, nr. 28)
Evangelho e comentário
Evangelho: Lc 9, 7-9
Naquele tempo, o tetrarca Herodes
ouviu dizer tudo o que Jesus fazia e andava perplexo, porque alguns diziam: «É
João Baptista que ressuscitou dos mortos». Outros diziam: «E Elias que
reapareceu». E outros diziam ainda: «É um dos antigos profetas que
ressuscitou». Mas Herodes disse: «A João mandei-o eu decapitar. Mas quem é este
homem, de quem oiço dizer tais coisas?». E procurava ver Jesus.
Comentário:
Na actual sociedade não parece
ser muito credível que alguém diga nunca ter ouvido falar de Jesus. De uma
forma ou outra a Sua Pessoa ou a Sua Doutrina terão chegado aos ouvidos de
todos.
Só que, ouvir não quer
dizer guardar nem reter na memória e também não é seguro que possa despertar a
curiosidade.
Por isso mesmo, quem se
dedica ao apostolado – que devem ser todos os cristãos – deve fazer o possível
para informar, esclarecer o mais amplamente que possa e saiba quem não tem esse
conhecimento.
O importante é despertar
em todos os homens com quem nos cruzamos nos caminhos da vida, um desejo, uma
vontade forte de ver, conhecer a Pessoa de Cristo.
Com tal estamos a fazer o
que o Senhor nos mandou no Mandamento do Amor porque a maior prova de amor que
podemos dar a alguém é levá-la a Cristo.
(AMA,
comentário sobre Lc 9, 7-9, 27.06.2019)
Pequena agenda do cristão
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Participar na Santa Missa.
Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.
Lembrar-me:
Comunhões espirituais.
Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
Sê santo… agora!
Começa agora, seriamente, gozosamente,
alegremente, através das tuas obrigações, do teu trabalho, da vida quotidiana...
Não esperes pela velhice para ser santo,
porque, além de ser um grande erro – insisto –, não sabes se chegará para ti. (Forja, 113)
25/09/2019
Leitura espiritual
6
Gens Sancta,
povo santo, composto por criaturas com misérias.
Esta
aparente contradição marca um aspecto do mistério da Igreja.
A
Igreja, que é divina, é também humana, porque está formada por homens e os
homens têm defeitos:
omnes homines terra et
Cinis, todos somos pó e cinza.
Nosso
Senhor Jesus Cristo, que funda a Santa Igreja, espera que os membros deste povo
se empenhem continuamente em adquirir a santidade.
Nem
todos respondem com lealdade à sua chamada.
Por
isso, na Esposa de Cristo pode encontrar-se, ao mesmo tempo, a maravilha do
caminho de salvação e as misérias daqueles que o percorrem.
O
Divino Redentor dispôs que a comunidade por Ele fundada, fosse uma sociedade
perfeita no seu género e dotada de todos os elementos jurídicos e sociais, para
perpetuar neste mundo a obra da Redenção...
Se
na Igreja se descobre alguma coisa que manifeste a debilidade da nossa condição
humana, não deve atribuir-se à sua constituição jurídica, mas antes à
deplorável inclinação dos indivíduos para o mal; inclinação que o seu Divino
Fundador permite mesmo nos mais altos membros do Corpo Místico, para que seja
provada a virtude das ovelhas e dos pastores, e para que em todos aumentem os
méritos da fé cristã.
Essa
é a realidade da Igreja, agora e aqui.
Por
isso, é compatível a santidade da Esposa de Cristo com a existência de pessoas
com defeitos no seu seio.
Cristo
não excluiu os pecadores da sociedade por Ele fundada.
Se,
portanto, alguns membros se encontram achacados com doenças espirituais, nem
por isso deve diminuir o nosso amor à Igreja.
Pelo
contrário, há-de até aumentar a nossa compaixão pelos seus membros.
7
Demonstraria
pouca maturidade aquele que, na presença de defeitos e misérias que encontrasse
em alguma pessoa pertencente à Igreja - por mais alto que estivesse colocada em
virtude da sua função -, sentisse diminuir a sua fé na Igreja e em Cristo.
A
Igreja não é governada por Pedro, João ou Paulo; é governada pelo Espírito
Santo e o Senhor prometeu que permanecerá a seu lado todos os dias, até à
consumação dos séculos.
Escutai
o que diz São Tomás, que tanto se debruçou sobre este ponto, a respeito da recepção
dos Sacramentos, que são causa e sinal da graça santificante: o que se abeira
dos Sacramentos, recebe-os certamente do ministro da Igreja, não enquanto é tal
pessoa, mas enquanto ministro da Igreja.
Por
isso, enquanto a Igreja lhe permitir exercer o seu ministério, o que receber
das suas mãos o Sacramento, não participa do pecado do ministro indigno, mas
comunica com a Igreja, que o tem por ministro.
Quando
o Senhor permitir que a fraqueza humana apareça, a nossa reacção há-de ser a
mesma que teríamos se víssemos a nossa mãe doente ou tratada com frieza.
Amá-la
mais, ter para com ela mais manifestações externas e internas de carinho.
Se
amamos a Igreja, nunca aparecerá em nós o interesse mórbido de pôr à mostra,
como culpa da Mãe, as misérias de alguns dos seus filhos.
A
Igreja, Esposa de Cristo, não tem por que entoar nenhum mea culpa.
Nós
sim: mea culpa, mea culpa, mea maxima
culpa!
Este
é o verdadeiro meaculpismo, o pessoal, e não o que ataca a Igreja, apontando e
exagerando os defeitos humanos, que, na Mãe Santa, são uma consequência da
acção n'Ela exercida pelos homens.
Acção
que, aliás, só vai até onde os homens podem, porque nunca chegarão a destruir -
nem sequer a tocar - aquilo a que chamávamos a santidade original e
constitutiva da Igreja.
Por
isso, Deus Nosso Senhor comparou, com toda a propriedade, a Igreja à eira onde
se amontoa a palha e o trigo, de que sairá o pão para a mesa e para o altar;
comparou-a também a uma rede varredeira ex
omni genere piscium congreganti, capaz de apanhar peixes bons e maus que
depois serão separados.
8
O
mistério da santidade da Igreja - essa luz original, que pode ficar oculta pela
sombra das baixezas humanas - exclui todo e qualquer pensamento de suspeita ou
de dúvida sobre a beleza da nossa Mãe. Nem se pode tolerar, sem protesto, que
outros a insultem.
Não
procuremos na Igreja os lados vulneráveis para a crítica, como alguns que não
demonstram ter fé nem ter amor.
Não
posso conceber como é possível ter um carinho verdadeiro pela nossa mãe e falar
dela com frieza.
A
nossa Mãe é Santa, porque nasceu pura e continuará sem mácula por toda a
eternidade.
Se,
por vezes, não soubermos descobrir o seu rosto formoso, limpemos nós os olhos;
se notamos que a sua voz não nos agrada, tiremos dos nossos ouvidos a dureza
que nos impede de ouvir, no seu tom, os assobios do Pastor amoroso.
A
nossa Mãe é Santa, com a santidade de Cristo, à qual está unida no corpo - que
somos todos nós - e no espírito, que é o Espírito Santo, assente também no
coração de cada um de nós, se nos conservamos na graça de Deus.
Santa,
Santa, Santa! ousamos cantar à Igreja, evocando o hino em honra da Santíssima
Trindade.
Tu
és Santa, Igreja, minha Mãe, porque foste fundada pelo Filho de Deus, Santo; és
Santa, porque assim o dispôs o Pai, fonte de toda a santidade; és Santa, porque
te assiste o Espírito Santo que mora na alma dos fiéis, a fim de reunir os
filhos do Pai, que hão-de habitar na Igreja do Céu, a Jerusalém eterna.
SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
(cont)
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