
Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
10/09/2018
Pequena agenda do cristão
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.
Senhor que eu faça "boa cara" que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.
Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.
Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.
Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.
Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.
Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
Temas para reflectir e meditar
Perda de tempo
Neste
corrupio da vida mal nos sobra tempo para reflectir.
Isto
tenho eu ouvido muitas vezes a pessoas bem intencionadas mas com uma desordem
interior que se manifesta desta forma: não ter tempo!
A
afirmação pretende também servir de desculpa para uma omissão de palavra ou
acto.
Penso
que na verdade ninguém tem uma noção exacta do tempo, o que é, concretamente.
Tem
evidentemente pelo menos uma dimensão, mas que não é nem certa nem constante.
Tempo
é existência passada, presente ou futura.
Maça-me
falar deste tema. E talvez seja uma perda de tempo.
(AMA,
reflexões, 24.04.2018)
Evangelho e comentário
Evangelho: Lc 6, 6-11
6
Num outro sábado, entrou na sinagoga e começou a ensinar. Encontrava-se ali um
homem cuja mão direita estava paralisada. 7 Os doutores da Lei e os fariseus
observavam-no, a ver se iria curá-lo ao sábado, para terem um motivo de
acusação contra Ele. 8 Conhecendo os seus pensamentos, Jesus disse ao homem da
mão paralisada: «Levanta-te e põe-te de pé, aí no meio.» Ele levantou-se e
ficou de pé. 9 Disse-lhes Jesus: «Vou fazer-vos uma pergunta: O que é preferível,
ao sábado: fazer bem ou fazer mal, salvar uma vida ou perdê-la?» 10 Então,
olhando-os a todos em volta, disse ao homem: «Estende a tua mão.» Ele
estendeu-a, e a mão ficou sã. 11 Os outros encheram-se de furor e falavam entre
si do que poderiam fazer contra Jesus.
Comentário:
Quando Ele me diz; insinua
na minha alma: ‘vá… faz isto…’; eu faço ou fico-me a pensar que talvez não
tenha percebido bem, que, talvez, o Senhor quisesse dizer-me outra coisa
qualquer?
Sim… porque eu… não posso
nada…. Estou paralisado, de pés e mãos atados ao pouco – ao nada - que sou!
Isto é o que penso na
minha pretensão de humildade!
Enormíssimo erro, crassa
modéstia!
O Senhor, que me conhece
muito melhor que eu me conheço a mim próprio, se me manda fazer – seja o que
for – é porque sabe que, eu, sou capaz e – mais – espera que eu o faça.
E, assim, estendo a minha
mão absolutamente confiante que, Ele, sabe mais.
(AMA,
comentário sobre Lc 6, 6-11, 11.09.2017)
Descobrir a misericórdia divina
Outra
queda... e que queda!... Desesperar-te?... Não; humilhar-te e recorrer, por
Maria, tua Mãe, ao Amor Misericordioso de Jesus. — Um «miserere» e coração ao
alto! — A começar de novo. (São Josemaria,
Caminho, 711).
Se
lerdes as Santas Escrituras, descobrireis constantemente a presença da
misericórdia de Deus: enche a terra, estende-se a todos os seus filhos, super omnem carnem; cerca-nos,
antecede-nos, multiplica-se para nos ajudar e foi continuamente confirmada.
Deus tem-nos presente na sua misericórdia, ao ocupar-se de nós como Pai
amoroso. É uma misericórdia suave, agradável, como a nuvem que se desfaz em
chuva no tempo da seca.
Jesus
Cristo resume e compendia toda a história da misericórdia divina:
Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. E, noutra
ocasião: Sede pois misericordiosos como também vosso Pai é misericordioso.
Ficaram também muito gravadas em nós, entre muitas outras cenas do Evangelho, a
clemência com a mulher adúltera, a parábola do filho pródigo, a da ovelha perdida,
a do devedor perdoado, a ressurreição do filho da viúva de Naim. Quantas razões
de justiça para explicar este grande prodígio! Era o filho único daquela pobre
viúva; era ele quem dava sentido à sua vida; só ele poderia ajudá-la na sua
velhice! Mas Cristo não faz o milagre por justiça; fá-lo por compaixão, porque
interiormente se comove perante a dor humana.
Que
segurança deve produzir-nos a comiseração do Senhor! Se ele clamar por mim,
ouvi-lo-ei, porque sou misericordioso. É um convite, uma promessa que não
deixará de cumprir. Aproximemo-nos, pois, confiadamente do trono da graça a fim
de alcançar misericórdia e o auxílio da graça, no tempo oportuno. Os inimigos
da nossa santificação nada poderão, porque essa misericórdia de Deus nos
defende. E se caímos por nossa culpa e da nossa fraqueza, o Senhor socorre-nos
e levanta-nos. Tinhas aprendido a afastar a negligência, a afastar de ti a
arrogância, a adquirir piedade, a não ser prisioneiro das questões mundanas, a
não preferir o caduco ao eterno. Mas, como a debilidade humana não pode manter
o passo decidido num mundo resvaladiço, o bom médico indicou-te também os
remédios contra a desorientação e o juiz misericordioso não te negou a
esperança do perdão. (Cristo que passa,
7)
Repara
que entranhas de misericórdia tem a justiça de Deus! - Porque, nos julgamentos
humanos, castiga-se quem confessa a culpa; e, no divino, perdoa-se.
Bendito
seja o santo Sacramento da Penitência! (Caminho,
309)
-
Sim, tens razão: que profundidade a da tua miséria! Por ti, onde estarias
agora, até onde terias chegado?...
"Somente
um Amor cheio de misericórdia pode continuar a amar-me" – reconhecias.
Consola-te:
Ele não te negará nem o seu Amor nem a sua Misericórdia, se O procurares. (Forja, 897)
(...)
É preciso pedir incessantemente à Santíssima Trindade que tenha compaixão de
todos. Ao falar destas coisas fico perturbado se recorro à justiça de Deus.
Apelo para a sua misericórdia, para a sua compaixão, a fim de que não olhe para
os nossos pecados, mas para os méritos de Cristo e de sua Santa Mãe, e que é
também nossa Mãe, para os do Patriarca S. José, que Lhe serviu de Pai, para os
dos Santos. (Cristo que passa, 82)
Leitura espiritual
São Josemaria Escrivá
Cristo que passa
60
Após este protesto de
amor, é necessário comportarmo-nos como amigos de Deus.
In omnibus exhibeamus
nosmetipsos sicut Dei ministros; comportemo-nos em tudo como servidores do
Senhor.
Se te dás como Ele quer, a
acção divina manifestar-se-á na tua conduta profissional, no trabalho, num
empenho por fazer divinamente as coisas humanas, grandes ou pequenas, pois pelo
Amor todas adquirem uma nova dimensão.
Mas nesta Quaresma não
podemos esquecer que querer ser servidores de Deus não é fácil.
Continuemos a seguir o
texto de S. Paulo que a Epístola deste Domingo recolhe, para recordarmos as
dificuldades: Como servidores de Deus - escreve o Apóstolo - com muita
paciência nas tribulações, nas necessidades, nas angústias, nos açoites, nos
cárceres, nas sedições, no trabalhos, nas vigílias, nos jejuns; com pureza, com
doutrina, com longanimidade, com mansidão, com o Espírito Santo, com caridade
sincera, com palavras de verdade, com fortaleza de Deus.
Nos mais diferentes
momentos da vida, em todas as situações., havemos de comportarmo-nos como
servidores de Deus, sabendo que o Senhor está connosco, que somos seus filhos.
É preciso sermos
conscientes dessa raiz divina, que está enxertada na nossa vida, e actuar em
conformidade.
Estas palavras do Apóstolo
deve encher-vos de alegria, porque são como que uma canonização da vossa
vocação de cristãos correntes, vivendo no meio do mundo, compartilhando com os
demais homens, vossos iguais, ideais, trabalhos e alegrias. Tudo isso é caminho
divino.
O que o Senhor vos pede é
que a todo o momento actueis como filhos e servidores seus.
Mas estas circunstâncias
ordinárias da vida só serão caminho divino se realmente nos convertermos, se
nos entregarmos.
S. Paulo, na verdade, usa
uma linguagem dura.
Promete ao cristão uma
vida difícil, arriscada, em perpétua tensão. Como se tem desfigurado o
Cristianismo quando se tem pretendido fazer dele um caminho cómodo!
Mas também é uma
desfiguração da verdade pensar que essa vida profunda e séria, que conhece
vivamente todos os obstáculos da existência humana, é uma vida de angústia, de
opressão ou de medo.
O cristão é realista, de
um realismo sobrenatural e humano, sensível a todos os matizes da vida: a dor e
a alegria, o sofrimento próprio e alheio, a certeza e a perplexidade, a
generosidade e a tendência para o egoísmo...
O cristão conhece tudo e
com tudo se enfrenta, cheio de inteireza humana e de fortaleza recebida de
Deus.
61
As tentações de Cristo
A Quaresma comemora os
quarenta dias que Jesus passou no deserto, como preparação para os anos de
pregação que culminam na Cruz e na glória da Páscoa.
Quarenta dias de oração e
de penitência, no fim dos quais teve lugar o episódio que a liturgia de hoje
oferece à nossa consideração no Evangelho da Missa: as tentações de Cristo.
É uma cena cheia de
mistério, que o homem em vão pretende entender - Deus que Se submete à
tentação, que deixa actuar o Maligno... - mas que pode ser meditada, pedindo ao
Senhor que nos faça compreender a lição nela contida.
Jesus Cristo tentado!
A Tradição esclarece este
episódio considerando que Nosso Senhor quis sofrer a tentação para nos dar
exemplo em tudo.
Assim é, porque Cristo foi
perfeito homem, igual a nós, salvo no pecado.
Após quarenta dias de
jejum, com o simples alimento, possivelmente, de ervas e de raízes e de um
pouco de água, Jesus sente fome - fome autêntica, como a de qualquer criatura.
E quando o Demónio lhe
propõe que transforme em pão as pedras, Nosso Senhor não só rejeita o alimento
que o corpo lhe pedia, mas afasta de Si uma incitação maior: a de usar o poder
divino para remediar, digamos assim, um problema pessoal.
Tereis notado isso ao
longo dos Evangelhos: Jesus não faz milagres em proveito próprio.
Converte a água em vinho
para os noivos de Caná; multiplica os pães e os peixes para dar de comer a uma
multidão faminta; mas Ele ganha o seu pão, durante muitos anos, com o seu
próprio trabalho.
E mais tarde, durante o
tempo em que peregrina por terras de Israel, vive com a ajuda daqueles que O
seguem
Relata S. João que, depois
de uma longa caminhada, chegando Jesus ao poço de Sicar, manda os seus
discípulos à cidade para comprarem alimentos; e ao ver aproximar-se a
Samaritana pede-lhe água, porque Ele não tinha com que tirá-la.
O seu corpo fatigado pela
longa caminhada sofre o cansaço e, outras vezes, para refazer energias, recorre
ao sono.
Generosidade do Senhor que
Se humilhou, que aceitou plenamente a condição humana, que não Se serve do seu
poder divino para fugir das dificuldades ou do esforço!
E assim nos ensina a ser
fortes, a amar o trabalho, a nobreza humana e divina de saborear as
consequências da entrega, da doação.
Na segunda investida,
quando o Demónio Lhe propõe que Se lance do pináculo do Templo, Jesus rejeita
de novo a tentação de querer servir-Se do seu poder divino.
Cristo não busca a
vangloria, o aparato, a comédia humana que procura utilizar Deus como pano de
fundo da nossa própria excelência. Jesus Cristo quer cumprir a vontade do Pai
sem adiantar os tempos nem antecipar a hora dos milagres, percorrendo passo a
passo a dura senda dos homens, o amável caminho da cruz.
Algo muito parecido vemos
na terceira tentação: são-lhe oferecidos reinos, poder, glória.
O Demónio pretende
estender a ambições humanas uma atitude que se deve reservar só a Deus: promete
uma vida fácil a quem se prostrar diante dele, diante dos ídolos.
Nosso Senhor reconduz a
adoração ao seu único e verdadeiro fim - Deus - e reafirma a sua vontade de
servir: Afasta-te, Satanás; porque está escrito: adorarás o Senhor teu Deus e
só a Ele servirás.
62
Aprendamos desta atitude
de Jesus: durante a sua vida na Terra, não quis sequer a glória que Lhe
pertencia, pois, tendo direito a ser tratado como Deus, assumiu a forma de
servo, de escravo.
O cristão sabe, portanto,
que toda a glória é para Deus e que não pode servir-se da sublimidade e
grandeza do Evangelho como instrumento de interesses e de ambições humanas.
Aprendamos de Jesus: a sua
atitude, ao opor-se a toda a glória humana, está em perfeita correlação com a
grandeza de uma única missão - a de Filho predilecto de Deus, que encarna para
salvar os homens.
Missão que o amor do Pai
rodeou cheia de ternura: Filius meus es, ego hodie genui te. Postula a me et
dabo tibi gentes hereditatem tuam. - Tu és meu filho, Eu hoje Te gerei. Pede-Me
e Eu Te darei as nações em herança...
O cristão que, seguindo
Cristo, vive nessa atitude de completa adoração do Pai, recebe também do Senhor
palavras de amoroso desvelo: Porque espera em Mim, Eu o livrarei;
protegê-lo-ei, porque conhece o meu nome.
63
Jesus disse que não ao
Demónio, ao príncipe das trevas.
E imediatamente se
manifesta a luz: Então o Diabo deixou-O e chegaram os Anjos e serviram-no.
Jesus suportou a prova,
uma prova verdadeira, porque, comenta Santo Ambrósio, não procedeu como Deus,
usando do seu poder (se não, de que nos serviria o seu exemplo?) mas, como
homem, serviu-Se dos auxílios que tem em comum connosco.
O Demónio, com retorcida
intenção, citou o Antigo Testamento: Deus enviará os seus Anjos para que
protejam o Justo em todos os seus caminhos.
Mas Jesus, recusando-se a
tentar seu Pai, devolve a essa passagem bíblica o seu verdadeiro sentido.
E, como prémio da sua
fidelidade, chegado o tempo, apresentam-se os mensageiros de Deus Pai para O
servirem.
Vale a pena reparar no
modo de proceder de Satanás com Jesus Cristo: argumenta com textos dos Livros
Sagrados, retorcendo, desfigurando de forma blasfema o seu sentido.
Mas Jesus não se deixa
enganar: o Verbo feito carne bem conhece a Palavra divina, escrita para
salvação dos homens e não para confusão e condenação.
Quem está unido a Jesus
Cristo pelo Amor - tal é a conclusão que devemos tirar - nunca se deixará
enganar por manejos fraudulentos da Sagrada Escritura, porque sabe que é obra
típica do Demónio procurar confundir a consciência cristã utilizando com dolo
os mesmos termos usados pela eterna Sabedoria, tentando fazer da luz trevas.
Contemplemos um pouco esta
intervenção dos Anjos na vida de Jesus, pois assim entenderemos melhor o seu
papel - a missão angélica - em toda a vida humana.
A tradição cristã
apresenta os Anjos da Guarda como grandes amigos, colocados por Deus junto de
cada homem para o acompanharem nos seus caminhos.
E por isso convida-nos a
ganhar intimidade com eles e a recorrer a eles.
A Igreja, fazendo-nos
meditar nestas passagens da vida de Cristo, recorda-nos que, em tempo de
Quaresma, em que nos reconhecemos pecadores, cheios de misérias, necessitados
de purificação, também tem cabimento a alegria.
É que a Quaresma é
simultaneamente um tempo de fortaleza e de júbilo: devemos encher-nos de ânimo,
visto que a graça do Senhor não nos faltará, pois Deus estará a nosso lado e
enviar-nos-á os seus Anjos, para que sejam nossos companheiros de viagem,
nossos prudentes conselheiros ao longo do caminho, nossos colaboradores em
todos os empreendimentos.
In manibus portabunt te,
ne forte offendas ad lapidem pedem tuum, diz o salmo: Os Anjos levar-te-ão nas
suas mãos, para que não tropeces em nenhuma pedra.
É preciso saber tratar com
intimidade os anjos.
Recorre a eles agora, diz
ao teu Anjo da Guarda que estas águas sobrenaturais da Quaresma não deslizaram
em vão sobre a tua alma, mas nela penetraram até ao fundo, porque tens um
coração contrito. Pede-lhes que levem ao Senhor a boa vontade que a graça fez
germinar na nossa miséria, como um lírio nascido numa esterqueira. Sancti
Angeli Custodes nostri: defendite nos in proelio, ut non pereamus in tremendo
judicio - Santos Anjos da Guarda: defendei-nos na batalha, para que não
pereçamos no terrível juízo.
64
Como se explica esta
oração confiante, esta certeza de que não pereceremos na batalha?
É um convencimento que
parte de uma realidade que nunca me cansarei de admirar: a nossa filiação
divina.
O Senhor, que nesta
Quaresma pede a nossa conversão, não é um dominador tirânico, nem um juiz
rígido e implacável; é nosso Pai. Fala-nos dos nossos pecados, dos nossos
erros, da nossa falta de generosidade, mas é para nos livrar deles e nos
prometer a sua amizade e o seu amor.
A consciência da nossa
filiação divina dá alegria à nossa conversão; diz-nos que estamos a voltar à
casa do Pai.
A filiação divina é o
fundamento do espírito do Opus Dei.
Todos os homens são filhos
de Deus, mas um filho pode reagir de muitos modos diante do seu pai.
Temos de esforçar-nos por
ser filhos que procuram lembrar-se de que o Senhor, querendo-nos como filhos,
fez com que vivamos em sua casa no meio deste mundo; que sejamos da sua
família; que o que é seu seja nosso e o nosso seu; que tenhamos com Ele a mesma
familiaridade e confiança com que um menino é capaz de pedir a própria Lua!
Um filho de Deus trata o
Senhor como Pai.
Não servilmente, nem com
uma reverência formal, de mera cortesia, mas cheio de sinceridade e de confiança.
Deus não se escandaliza
com os homens.
Deus não Se cansa das
nossas infidelidades.
O nosso Pai do Céu perdoa
qualquer ofensa quando o filho volta de novo até Ele, quando se arrepende e
pede perdão.
Nosso Senhor é tão
verdadeiramente pai, que prevê os nossos desejos de sermos perdoados e se
adianta com a sua graça, abrindo-nos amorosamente os braços.
Reparai que não estou a
inventar nada.
Recordai a parábola que o
Filho de Deus nos contou para que entendêssemos o amor do Pai que está nos
Céus: a parábola do filho pródigo.
Ainda estava longe - diz a
Escritura - quando o pai o viu e, enchendo-se de compaixão, correu a
lançar-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos.
Estas são as palavras do
livro sagrado: cobrindo-o de beijos!
Pode falar-se mais humanamente?
Pode descrever-se com mais
viveza o amor paternal de Deus para com os homens?
Perante um Deus que corre
para nós, não podemos calar-nos e dir-Lhe-emos com S. Paulo: Abba, Pater! Pai!
Meu Pai!
Pois, sendo Ele o criador
do universo, não dá importância a títulos altissonantes, nem sente falta da
justa confissão do seu poderio. Quer que Lhe chamemos Pai, que saboreemos essa
palavra, enchendo a alma de alegria.
De certo modo, a vida
humana é um constante voltar à casa do nosso Pai, um regresso mediante a
contrição, a conversão do coração que significa o desejo de mudar, a decisão
firme de melhorar a nossa vida e que, portanto, se manifesta em obras de
sacrifício e de doação; regresso a casa do Pai, por meio do sacramento do
perdão, em que, ao confessar os nossos pecados, nos revestimos de Cristo e nos
tornamos assim seus irmãos, membros da família de Deus.
Deus espera-nos como o pai
da parábola, estendendo para nós os braços, embora não o mereçamos.
Não importa o que lhe
devemos.
Como no caso do filho
pródigo, o que é preciso é que lhe abramos o coração, que tenhamos saudades do
lar paterno, que nos maravilhemos e nos alegremos perante o dom que Deus nos
faz de nos podermos chamar e sermos realmente, apesar de tanta falta de
correspondência da nossa parte, seus filhos.
(cont)
09/09/2018
Pequena agenda do cristão
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Viver a família.
Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.
Lembrar-me:
Cultivar a Fé
São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
Temas para reflectir e meditar
Quando tinha quinze anos
cheguei a casa radiante pois tinha um "presente de Natal" para o meu
Pai.
Entreguei-lho orgulhoso:
'Aqui tem, Pai, a
caderneta com as minhas notas deste período: terceiro classificado na classe
com média de dezoito valores!
O meu Querido Pai recebeu
a caderneta, conferiu e disse-me:
Muito bem!
Mas, continuou, se bem
entendo, houve, pelo menos dois colegas teus que tiveram médias de dezanove e
vinte e que foram os segundo e primeiro classificados!
Isto, claro, era
absolutamente verdade, mas eu fiquei chocado e desiludido.
Fui para o meu quarto
pensando na tremenda injustiça com que fora tratado.
Durante as férias não se
falou mais no assunto.
A verdade é que chegadas
as férias da Páscoa a caderneta que ofereci ao meu Pai atestava uma média de
vinte valores e o Primeiro lugar na minha turma.
O meu Pai dando-me um
enorme beijo só me disse:
Vês como eu tinha razão?
Tu podes e, se podes tens
de alcançar!
E, claro, uma vez mais, o
meu Pai tinha inteira razão.
AMA,
reflexões, 29.05.2018
Evangelho e comentário
Evangelho: Mc 7, 31-37
31 Tornando a sair da região de Tiro,
veio por Sídon para o mar da Galileia, atravessando o território da Decápole.
32 Trouxeram-lhe um surdo tartamudo e rogaram-lhe que impusesse as mãos sobre
ele. 33 Afastando-se com ele da multidão, Jesus meteu-lhe os dedos nos ouvidos
e fez saliva com que lhe tocou a língua. 34 Erguendo depois os olhos ao céu,
suspirou dizendo: «Effathá», que quer dizer «abre-te.» 35 Logo os ouvidos se
lhe abriram, soltou-se a prisão da língua e falava correctamente. 36 Jesus
mandou-lhes que a ninguém revelassem o sucedido; mas quanto mais lho
recomendava, mais eles o apregoavam. 37 No auge do assombro, diziam: «Faz tudo
bem feito: faz ouvir os surdos e falar os mudos.»
Comentário:
«Effathá», abre-te! E, a estas palavras, abriram-se os ouvidos do
surdo!
Muitas vezes esperamos por
algo semelhante, a exclamação que nos desperte da nossa modorra, um gesto que
nos urja a levantarmo-nos do nosso torpor e a seguir o caminho, enfim, algo que
nos entusiasme, nos anime e faça decidir a continuar o caminho traçado.
E, algumas vezes, nada
disto acontece, ou melhor, não nos damos conta que aconteça, de tal forma
estamos absorvidos com os nossos próprios problemas e as soluções que procuramos
para os mesmos. Entregamo-nos com ardor e pertinácia na busca dessas soluções,
desses remédios e descuramos o que está mesmo à nossa frente, ao nosso alcance.
Ele que nos diz, «Effathá», não nos deixa nunca, não se
afasta e, quando nos afastamos – porque somos nós que nos afastamos – espera
pacientemente que retrocedamos sobre os nossos passos e nos deixemos curar pela
Sua ciência de Médico Divino.
(ama, comentário sobre Mc 7, 31-37, V.
Moura, 2012.09.19)
Tens de ir ao passo de Deus; não ao teu
Dizes-me
que sim, que estás firmemente decidido a seguir Cristo. – Então tens de ir ao
passo de Deus; não ao teu! (Forja, 531)
–
Qual é o fundamento da nossa fidelidade?
–
Dir-te-ia, a traços largos, que se baseia no amor de Deus, que faz vencer todos
os obstáculos: o egoísmo, a soberba, o cansaço, a impaciência...
Um
homem que ama calca-se a si próprio; sabe que, até amando com toda a sua alma,
ainda não sabe amar bastante. (Forja, 532)
Na
vida interior, como no amor humano, é preciso ser perseverante.
Sim,
hás-de meditar muitas vezes os mesmos assuntos, insistindo até descobrir um
novo aspecto.
–
E como é que não tinha visto isto antes, assim tão claramente? –
perguntar-te-ás surpreendido. – Simplesmente, porque às vezes somos como as
pedras, que deixam resvalar a água, sem absorver nem uma gota.
Por
isso é necessário voltar a discorrer sobre o mesmo, que não é o mesmo!, para
nos embebermos das bênçãos de Deus. (Forja,
540)
Deus
não se deixa ganhar em generosidade e – podes ter a certeza! – concede a
fidelidade a quem se lhe rende. (Forja,
623)
Leitura espiritual
São Josemaria Escrivá
Cristo que passa
56
José foi, no aspecto
humano, mestre de Jesus; conviveu com Ele diariamente, com carinho delicado, e
cuidou dele com abnegação alegre. Não será esta uma boa razão para
considerarmos este varão justo, este Santo Patriarca, no qual culmina a Fé da
Antiga Aliança, Mestre de vida interior?
A vida interior não é
outra coisa senão o convívio assíduo e intimo com Cristo, para nos
identificarmos com Ele.
E José saberá dizer-nos
muitas coisas sobre Jesus.
Por isso, não deixeis
nunca de conviver com ele; ite ad Joseph, como diz a tradição cristã com uma
frase tomada do Antigo Testamento.
Mestre da vida interior,
trabalhador empenhado no seu trabalho, servidor fiel de Deus em relação
contínua com Jesus: este é José.
Ite
ad Joseph.
Com S. José o cristão
aprende o que é ser Deus e estar plenamente entre os homens, santificando o
mundo.
Ide a José e encontrareis
Jesus. Ide a José e encontrareis Maria, que encheu sempre de paz a amável
oficina de Nazaré.
57
Entramos no tempo da
Quaresma: tempo de penitência, de purificação, de conversão.
Não é fácil tarefa.
O cristianismo não é um
caminho cómodo; não basta estar na Igreja e deixar que os anos passem.
Na nossa vida, na vida dos
cristãos, a primeira conversão - esse momento único, que cada um de nós
recorda, em que advertimos claramente tudo o que o Senhor nos pede - é
importante; mas ainda mais importantes e mais difíceis são as conversões
sucessivas.
É preciso manter a alma
jovem, invocar o Senhor, saber ouvir, descobrir o que corre mal, pedir perdão,
para facilitarmos o trabalho da graça divina nessas sucessivas conversões.
Invocabit me et ego
exaudiam eum, lemos na liturgia deste Domingo: Se me chamardes, Eu vos
escutarei, diz o Senhor.
Reparai nesta maravilha
que é o cuidado que Deus tem por nós, sempre disposto a ouvir-nos, atento em
cada momento à palavra do homem.
Em qualquer altura - mas
agora de modo especial, porque o nosso coração está bem disposto, decidido a
purificar-se - Ele nos ouve e não deixará de atender ao que Lhe pede um coração
contrito e humilhado.
O Senhor ouve-nos para
intervir, para Se meter na nossa vida, para nos livrar do mal e encher-nos de
bem: eripiam eum et glorificabo eum, Eu o livrarei e o glorificarei, diz do
homem.
Portanto: esperança do
Céu.
E aqui temos, como doutras
vezes, o começo desse movimento interior que é a vida espiritual.
A esperança da
glorificação acentua a nossa fé e estimula a nossa caridade. E, deste modo, as
três virtudes teologais - virtudes divinas que nos assemelham ao nosso Pai,
Deus - põem-se em movimento.
Haverá melhor maneira de
começar a Quaresma?
Renovamos a Fé, a
Esperança, a Caridade. Esta é a fonte do espírito de penitência, do desejo de
purificação.
A Quaresma não é apenas
uma ocasião de intensificar as nossas práticas externas de mortificação; se
pensássemos que era isso apenas, escapar-nos-ia o seu sentido profundo na vida
cristã, porque esses actos externos são, repito, fruto da Fé, da Esperança e do
Amor.
58
A arriscada segurança do
Cristão
Qui habitat in adiutorio
Altissimi in protectione Dei coelí commorabitur - Habitar sob a protecção de
Deus, viver com Deus: eis a arriscada segurança do cristão.
É necessário
convencermo-nos de que Deus nos ouve, de que está sempre solícito por nós, e
assim se encherá de paz o nosso coração. Mas viver com Deus é indubitavelmente
correr um risco, porque o Senhor não Se contenta compartilhando; quer tudo.
E aproximar-se d'Ele um
pouco mais significa estar disposto a uma nova rectificação, a escutar mais
atentamente as suas inspirações, os santos desejos que faz brotar na nossa
alma, e a pô-los em prática.
Desde a nossa primeira
decisão consciente de viver integralmente a doutrina de Cristo, é certo que
avançámos muito pelo caminho da fidelidade à sua Palavra.
Mas não é verdade que
restam ainda tantas coisas por fazer?
Não é verdade que resta,
sobretudo, tanta soberba?
É precisa, sem dúvida, uma
outra mudança, uma lealdade maior, uma humildade mais profunda, de modo, que,
diminuindo o nosso egoísmo, cresça em nós Cristo, pois illum oportet crescere,
me autem minui, é preciso que Ele cresça e que eu diminua.
Não é possível deixar-se
ficar imóvel.
É necessário avançar para
a meta que S. Paulo apontava: não sou eu quem vive; é Cristo que vive em mim.
A ambição é alta e
nobilíssima: a identificação com Cristo, a santidade. Mas não há outro caminho,
se se deseja ser coerente com a vida divina que, pelo Baptismo, Deus fez nascer
nas nossas almas. O avanço é o progresso na santidade; o retrocesso é negar-se
ao desenvolvimento normal da vida cristã.
Porque o fogo do amor de
Deus precisa de ser alimentado, de aumentar todos os dias arreigando-se na
alma; e o fogo mantém-se vivo queimando novas coisas.
Por isso, se não aumenta,
está a caminho de se extinguir.
Recordai as palavras de
Santo Agostinho: Se disseres basta, estás perdido. Procura sempre mais, caminha
sempre, progride sempre. Não permaneças no mesmo sítio, não retrocedas, não te
desvies.
A Quaresma coloca-nos
agora perante estas perguntas fundamentais: Avanço na minha fidelidade a
Cristo?
Em desejos de santidade?
Em generosidade apostólica
na minha vida diária, no meu trabalho quotidiano entre os meus companheiros de
profissão?
Cada um que responda a
estas. perguntas, sem ruído de palavras, e verá como é necessária uma nova
transformação para que Cristo viva em nós, para que a sua imagem se reflicta
limpidamente na nossa conduta.
Se alguém quer vir atrás
de Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz de cada dia, e siga-Me.
Cristo repete-o a cada um
de nós, ao ouvido, intimamente: a Cruz de cada dia.
Não só - escreve S.
Jerónimo - em tempo de perseguição, ou quando se apresenta a possibilidade do
martírio, mas em todas as situações, em todas as actividades, em todos os
pensamentos, em todas as palavras, neguemos aquilo que antes éramos e
confessemos o que agora somos, visto que renascemos em Cristo.
Estas considerações não
são, afinal, senão o eco das do Apóstolo: Outrora éreis trevas, mas agora sois
luz no Senhor. Comportai-vos como filhos da luz, porque o fruto da luz consiste
na bondade, na justiça e na verdade. Procurai o que é agradável ao Senhor.
A conversão é coisa de um
instante; a santificação é tarefa para toda a vida.
A semente divina da
caridade, que Deus pôs nas nossas almas, aspira a crescer, a manifestar-se em
obras, a dar frutos que correspondam em cada momento ao que é agradável ao
Senhor.
Por isso, é indispensável
estarmos dispostos a recomeçar, a reencontrar - nas novas situações da nossa
vida - a luz, o impulso da primeira conversão.
E essa é a razão pela qual
havemos de nos preparar com um exame profundo, pedindo ajuda ao Senhor para
podermos conhecê-Lo melhor e conhecer-nos melhor a nós mesmos.
Não há outro caminho para
nos convertermos de novo.
(Continua)
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