02/03/2018

Deus não aceita o que é mal feito

É difícil gritar ao ouvido de cada um, com um trabalho silencioso, através do pleno cumprimento das nossas obrigações de cidadãos, para depois exigir os nossos direitos e colocá-los ao serviço da Igreja e da sociedade. É difícil... mas é muito eficaz. (Sulco, 300)


Começar é de muitos; acabar, de poucos. Nós, que procuramos comportar-nos como filhos de Deus, temos de estar entre os segundos. não o esqueçais: só as tarefas terminadas com amor, bem acabadas, merecem aquele aplauso do Senhor, que se lê na Sagrada Escritura: é melhor o fim de uma obra do que o seu princípio.


Muitos cristãos perderam a convicção de que a integridade de Vida, pedida pelo Senhor aos seus filhos, exige um cuidado autêntico ao realizarem as tarefas pessoais, que têm de santificar, sem descurarem inclusivamente os pormenores mais pequenos.


Não podemos oferecer ao Senhor uma coisa que, dentro das pobres limitações humanas, não seja perfeita, sem defeitos e realizada com toda a atenção, mesmo nos aspectos mais insignificantes, porque Deus não aceita o que é mal feito. Não oferecereis nada que tenha defeito, porque não seria aceite favoravelmente, adverte-nos a Escritura Santa. Por isso, o trabalho de cada um de nós, esse trabalho que ocupa as nossas jornadas e as nossas energias, há-de ser uma oferenda digna do Criador, operatio Dei, trabalho de Deus e para Deus. Numa palavra, uma tarefa bem cumprida e impecável.


Se reparardes, entre os muitos elogios que fizeram de Jesus aqueles que puderam contemplar a sua vida, há um que, de certo modo, compreende todos os outros. Refiro-me àquela exclamação, cheia de sinais de assombro e de entusiasmo, que a multidão repetia espontaneamente ao presenciar, atónita, os seus milagres: bene omnia fecit, tudo tem feito admiravelmente bem: os grandes prodígios e as coisas comezinhas, quotidianas, que não deslumbraram ninguém, mas que Cristo realizou com a plenitude de quem é perfectus Deus, perfectus Homo, perfeito Deus e perfeito homem. (Amigos de Deus, 55–56)


Temas para meditar e reflectir

Paixão de Cristo

A morte e ressurreição de Jesus mostram que não existe nada que Deus não possa transformar, não existe túmulo algum de onde não possa surgir vida, nenhuma escuridão que não possa ser iluminada, nenhuma miséria que não possa ser invertida, nenhum desespero que não se possa transformar em esperança.

Devemos reconhecer, na morte e ressurreição de Jesus, que não existe nada que nos possa separar “do amor de Deus que está em Cristo Jesus, Senhor nosso” (Rm 8,39).

Lucas convida-o, prezado leitor, a reencontrar o seu próprio destino no drama da vida de Jesus.
Não lhe fornece qualquer explicação para o seu sofrimento, mas, ao observar a tragédia que o Evangelho lhe apresenta, pretende purificar as suas emoções, transformar a sua tristeza, expulsar o seu desespero e dar-lhe força e coragem para viver uma vida nova.

(ANSELM GRUN, A incompreensível existência de Deus, Paulinas, p. 34)



Evangelho e comentário

Tempo de Quaresma

Evangelho: Mt 21, 33-43. 45-46

23 Em seguida, entrou no templo. Quando estava a ensinar, foram ter com Ele os sumos sacerdotes e os anciãos do povo e disseram-lhe: «Com que autoridade fazes isto? E quem te deu tal poder?» 24 Jesus respondeu-lhes: «Também Eu vou fazer-vos uma pergunta. Se me responderdes, digo-vos com que autoridade faço isto. 25 De onde provinha o baptismo de João: do Céu ou dos homens?» Mas eles começaram a pensar entre si: «Se respondermos: ‘Do Céu’, vai dizer-nos: ‘Porque não lhe destes crédito?’ 26 E, se respondermos: ‘Dos homens’, ficamos com receio da multidão, pois todos têm João por um profeta.» 27 E responderam a Jesus: «Não sabemos.» Disse-lhes Ele, por seu turno: «Também Eu vos não digo com que autoridade faço isto.» 28 «Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, disse-lhe: ‘Filho, vai hoje trabalhar na vinha.’ 29 Mas ele respondeu: ‘Não quero.’ Mais tarde, porém, arrependeu-se e foi. 30 Dirigindo-se ao segundo, falou-lhe do mesmo modo e ele respondeu: ‘Vou sim, senhor.’ Mas não foi. 31 Qual dos dois fez a vontade ao pai?» Responderam eles: «O primeiro.» Jesus disse-lhes: «Em verdade vos digo: Os cobradores de impostos e as meretrizes vão preceder-vos no Reino de Deus. 32 João veio até vós, ensinando-vos o caminho da justiça, e não acreditastes nele; mas os cobradores de impostos e as meretrizes acreditaram nele. E vós, nem depois de verdes isto, vos arrependestes para acreditar nele.» 33 «Escutai outra parábola: Um chefe de família plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar, construiu uma torre, arrendou-a a uns vinhateiros e ausentou-se para longe. 34 Quando chegou a época das vindimas, enviou os seus servos aos vinhateiros, para receberem os frutos que lhe pertenciam. 35 Os vinhateiros, porém, apoderaram-se dos servos, bateram num, mataram outro e apedrejaram o terceiro. 36 Tornou a mandar outros servos, mais numerosos do que os primeiros, e trataram-nos da mesma forma. 37 Finalmente, enviou-lhes o seu próprio filho, dizendo: ‘Hão-de respeitar o meu filho.’ 38 Mas os vinhateiros, vendo o filho, disseram entre si: ‘Este é o herdeiro. Matemo-lo e ficaremos com a sua herança.’ 39 E, agarrando-o, lançaram-no fora da vinha e mataram-no. 40 Ora bem, quando vier o dono da vinha, que fará àqueles vinhateiros?» 41 Eles responderam-lhe: «Dará morte afrontosa aos malvados e arrendará a vinha a outros vinhateiros que lhe entregarão os frutos na altura devida.» 42 Jesus disse-lhes: «Nunca lestes nas Escrituras: A pedra que os construtores rejeitaram transformou-se em pedra angular? Isto é obra do Senhor e é admirável aos nossos olhos? 43 Por isso vos digo: O Reino de Deus ser-vos-á tirado e será confiado a um povo que produzirá os seus frutos.
45 Os sumos sacerdotes e os fariseus, ao ouvirem as suas parábolas, compreenderam que eram eles os visados. 46 Embora procurassem meio de o prender, temeram o povo, que o considerava profeta.

Comentários:

 Os cuidados que o Senhor tem com o Seu povo não tem limites.
Faz tudo, dispõe de tudo para que possam viver como Ele deseja: felizes!

Que o homem seja feliz é o Seu desejo
E a felicidade humana consiste em amar a Deus e fazer a Sua Vontade que é, como bem sabemos, que tenha a vida eterna na Sua companhia, no gozo dos bens que nos tem reservados.

(AMA, comentário sobre MT 21, 43-53, 17.02.2017)


Leitura espiritual

Jesus Cristo o Santo de Deus
CAPÍTULO V

O SUBLIME CONHECIMENTO DE CRISTO


4.O Nome e o Coração de Jesus             

…/2

Existe um meio muito simples, que nos pode ajudar neste esforço para entrarmos em contacto com Jesus e invocar o Seu nome: «Jesus!»
Sabe-se que o nome é, para a Bíblia, o representante mais directo da pessoa e, de certo modo, a própria pessoa.
O nome é uma espécie de porta que permite a entrada no mistério da pessoa.
Não pertence à categoria dos outros títulos, dos conceitos e dos enunciações – como é o próprio título pessoa” – mas é alguma coisa mais e diferente.
Aqueles que são comuns a outros mais, ao passo que o nome é único.
Crer no nome de Jesus, orar e sofrer pelo Seu nome, significa, no Novo Testamento, crer na pessoa de Jesus, sofrer e orar unidos a Ele; sermos baptizados no “nome de Jesus” significa sermos baptizados n’Ele, incorporados n’Ele.

Não ficaram sobre a terra relíquias ou vestígios de Jesus depois de Se ter elevado ao Céu; ficou, porém, o Seu nome e são inumeráveis as almas que, em todos os séculos tanto no Oriente como no Ocidente, conheceram por experiência o poder encerrado neste nome. Israel também não conheceu imagens ou simulacros de Deus, mas em seu lugar, conheceu o nome, como meio santo para entrar em contacto com Ele.
Conheceu a «majestade do nome do Senhor seu Deus» [i].
Ora, essa mesma majestade do nome é condividida também pelo Filho glorificado.
A Igreja, através de S. Bernardo, canta a doçura, a suavidade e a força do nome de Jesus («Jesu dulcis memoria…»).
S. Bernadino de Sena renovou-lhe a devoção e promoveu a sua festividade despertando com este nome, a fé adormecida de cidades inteiras.
A espiritualidade ortodoxa fez do nome de Jesus o veículo privilegiado para trazer Deus no coração e para alcançar a pureza de coração.
Todos aqueles que aprendem com simplicidade a pronunciar o nome de Jesus, experimentam mais cedo ou mais tarde alguma coisa que vai para além de todas as explicações,
Eles, então, começam a estimar este nome como um tesouro, e a preferi-lo a todos os outros títulos de Cristo que Lhe designam a natureza ou a função.
Não têm sequer necessidade de dizer “Jesus de Nazaré”, como O designam habitualmente os historiadores e os estudiosos, porque a eles basta-lhes dizer “Jesus”.
Dizer “Jesus!” significa chamá-Lo, estabelecer um contacto pessoal com Ele, como sucede       Undo, no meio de uma multidão, se chama uma pessoa pelo nome e ela olha ao seu redor, procurando quem a chamou.

Quantas coisas se conseguem exprimir com o simples nome de Jesus!
Consoante a necessidade ou a Graça particular do momento e do tom com que o mesmo se pronuncia, proclama-se com ele que Jesus é o Senhor, isto é, “afirma-se” Jesus contra todos os poderes do mal e contra todas as angústias; com esse nome se rejubila, se geme, se implora, se bate à porta, se dá graças ao Pai, de adora, se intercede…

Um outro maio para cultivar este conhecimento “pessoal” de Jesus juntamente com a devoção do Seu nome, é a devoção de Se sacratíssimo coração.
No Antigo Testamento, especialmente nos Salmos, quando maior se torna a inspiração e mais forte o desejo de união com Deus, recorre-se sempre a um símbolo: o rosto.
Buscai o Seu rosto; o Teu rosto, Senhor, eu buscarei.
Não apartes de mim o Teu Rosto [ii].

«A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo: Quando entrarei e verei o rosto de Deus?» [iii].
O “rosto” significa, aqui, a presença viva de Javé; não só o Seu “aspecto”, mas também, no sentido activo, o Seu “olhar” que se cruza com o da criatura e a tranquiliza, a ilumina e a alivia.
Significa a própria pessoa de Deus, tanto é verdade que o termo “pessoa” tem a sua origem precisamente neste significado bíblico de fze, rosto (prosopon).

(cont)
rainiero cantalamessa, Pregador da Casa Pontifícia.





[i]Mq 5,3
[ii] Sl 27,8-9
[iii] Sl 42, 3

Doutrina – 406

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ
SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ
CAPÍTULO TERCEIRO

CREIO NA SANTA IGREJA CATÓLICA

Os fiéis: hierarquia, leigos, vida consagrada

184. Como é que os Bispos exercem a sua missão de ensinar?


Os Bispos, em comunhão com o Papa, têm o dever de anunciar o Evangelho a todos, fielmente e com autoridade, como autênticas testemunhas da fé apostólica e revestidos da autoridade de Cristo.

Mediante o sentido sobrenatural da fé, o Povo de Deus, adere indefectivelmente à fé, sob a condução do Magistério vivo da Igreja.

Pequena agenda do cristão

Sexta-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Contenção; alguma privação; ser humilde.


Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.

Lembrar-me:
Filiação divina.

Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





01/03/2018

Dispostos a uma nova rectificação

Os teus parentes, os teus colegas, os teus amigos, vão notando a diferença, e reparam que a tua mudança não é uma mudança passageira; que já não és o mesmo. Não te preocupes. Para a frente! Cumpre o "vivit vero in me Christus" – agora é Cristo quem vive em ti! (Sulco, 424)


Qui habitat in adiutorio Altissimi in protectione Dei coeli commorabitur – Habitar sob a protecção de Deus, viver com Deus: eis a arriscada segurança do cristão. É necessário convencermo-nos de que Deus nos ouve, de que está sempre solícito por nós, e assim se encherá de paz o nosso coração. Mas viver com Deus é indubitavelmente correr um risco, porque o Senhor não Se contenta compartilhando; quer tudo. E aproximar-se d'Ele um pouco mais significa estar disposto a uma nova rectificação, a escutar mais atentamente as suas inspirações, os santos desejos que faz brotar na nossa alma, e a pô-los em prática.

Desde a nossa primeira decisão consciente de viver integralmente a doutrina de Cristo, é certo que avançámos muito pelo caminho da fidelidade à sua Palavra. Mas não é verdade que restam ainda tantas coisas por fazer? Não é verdade que resta, sobretudo, tanta soberba? É precisa, sem dúvida, uma outra mudança, uma lealdade maior, uma humildade mais profunda, de modo, que, diminuindo o nosso egoísmo, cresça em nós Cristo, pois illum oportet crescere, me autem minui, é preciso que Ele cresça e que eu diminua.


Não é possível deixar-se ficar imóvel. É necessário avançar para a meta que S. Paulo apontava: não sou eu quem vive; é Cristo que vive em mim. A ambição é alta e nobilíssima: a identificação com Cristo, a santidade. Mas não há outro caminho, se se deseja ser coerente com a vida divina que, pelo Baptismo, Deus fez nascer nas nossas almas. O avanço é o progresso na santidade; o retrocesso é negar-se ao desenvolvimento normal da vida cristã. Porque o fogo do amor de Deus precisa de ser alimentado, de aumentar todos os dias arreigando-se na alma; e o fogo mantém-se vivo queimando novas coisas. Por isso, se não aumenta, está a caminho de se extinguir. (Cristo que Passa, 58)

Temas para meditar e reflectir

Quaresma

A nossa oração durante a Quaresma vai dirigida ao despertar da consciência, a sensibilizá-la à voz de Deus.


Não endureçais o coração, diz o salmista.


Com efeito, a morte da consciência, a sua indiferença nem relação ao bem e ao mal, os seus desvios são uma grande ameaça para o homem.

Indirectamente são também uma ameaça para a sociedade porque, em última instância, da consciência humana depende o nível de moralidade da sociedade.



(SÃO JOÃO PAULO II, Angelus, 1981.03.15)





Evangelho e comentário

Tempo de Quaresma

Evangelho: Lc 16, 19-31

19 «Havia um homem rico que se vestia de púrpura e linho fino e fazia todos os dias esplêndidos banquetes. 20 Um pobre, chamado Lázaro, jazia ao seu portão, coberto de chagas. 21 Bem desejava ele saciar-se com o que caía da mesa do rico; mas eram os cães que vinham lamber-lhe as chagas. 22 Ora, o pobre morreu e foi levado pelos anjos ao seio de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado. 23 Na morada dos mortos, achando-se em tormentos, ergueu os olhos e viu, de longe, Abraão e também Lázaro no seu seio. 24 Então, ergueu a voz e disse: ‘Pai Abraão, tem misericórdia de mim e envia Lázaro para molhar em água a ponta de um dedo e refrescar-me a língua, porque estou atormentado nestas chamas.’ 25 Abraão respondeu-lhe: ‘Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em vida, enquanto Lázaro recebeu somente males. Agora, ele é consolado, enquanto tu és atormentado. 26 Além disso, entre nós e vós há um grande abismo, de modo que, se alguém pretendesse passar daqui para junto de vós, não poderia fazê-lo, nem tão-pouco vir daí para junto de nós.’ 27 O rico insistiu: ‘Peço-te, pai Abraão, que envies Lázaro à casa do meu pai, pois tenho cinco irmãos; 28 que os previna, a fim de que não venham também para este lugar de tormento.’ 29 Disse-lhe Abraão: ‘Têm Moisés e os Profetas; que os oiçam!’ 30 Replicou-lhe ele: ‘Não, pai Abraão; se algum dos mortos for ter com eles, hão-de arrepender-se.’ 31 Abraão respondeu-lhe: ‘Se não dão ouvidos a Moisés e aos Profetas, tão-pouco se deixarão convencer, se alguém ressuscitar dentre os mortos.’»

Comentário:

 Aí está o fosso entre o Paraíso e o Inferno impossível de transpor por toda a eternidade!


A exclamação aplica-se porque é tão séria e grave esta constatação que não admite distracções dos vivos – enquanto têm tempo – para corrigir o rumo da sua vida. E não valem a pena lamentações, tudo é definitivo.


Convém, portanto, ter bem presente esta realidade: existe castigo eterno como, de facto, existe ventura eterna e, uma ou outra, só dependem de nós e do nosso comportamento enquanto vivos.

(AMA, comentário sobre Lc 16, 19-31, Cascais, 26.09.2010)

Leitura espiritual

Jesus Cristo o Santo de Deus
CAPÍTULO V

O SUBLIME CONHECIMENTO DE CRISTO

3.   «A fé termina nas coisas»
…/2

Devemos passar da atenção à essência da pessoa, para a atenção à existência da pessoa de Cristo.
Eis como um filósofo contemporâneo descreveu aquilo que produz a descoberta improvisada da existência das coisas:
«Eu estava – escreve ele – num jardim público. As raízes do castanheiro aprofundavam-se na terra, mesmo debaixo do meu assento. Não me lembrava já que eram raízes.
As palavras tinham desaparecido e, com elas, o significado das coisas, os modos do seu uso, os ténues sinais de distinção que os homens gravaram sobre a sua superfície.
Estava sentado, um pouco curvado, com a cabeça inclinada para o chão, sozinho diante daquela massa enorme, nodosa e tão feia que me causava medo. E depois aquele lampejo de iluminação. Fiquei sem respiração.
Nunca, até então, eu tinha pressentido o significa “existir”, afinal era como os outros, como aqueles que passeavam na praia do mar, vestidos de festa.
Também eu dizia como eles:
«O mar é verde; aquele ponto branco acolá é uma gaivota»; mas eu não sentia que isso existia, que a gaivota era uma gaivota existente»; habitualmente a existência esconde-se.
Mas ela está aqui, junto de nós, não se podem dizer duas palavras sem falar dela e, afinal, não a apalpamos.
Quando eu julgava que pensava nela, evidentemente não pensava em nada, tinha a cabeça vazia, ou tinha na cabeça somente uma palavra, apalavra “existir”…E depois, de repente, eis que estava ali, límpida coo o dia: a existência tinha-se improvisadamente revelado» [i]

Para se conhecer Cristo em pessoa, Ele mesmo, “em carne e osso”, é preciso passar por uma experiência semelhante.
Temos que nos aperceber que Ele existe.
Isto, de facto, não é possível somente em relação às raízes de um castanheiro, ou seja, com qualquer coisa que se vê e se apalpa, mas, pela fé, também com as coisas que não se vêm e com o próprio Deus.
Foi assim que numa noite o crente B. Pascal descobriu o Deus vivo de Abraão e O recordou, com breves e inflamadas frases de exclamação:
«Deus de Abraão, Deus de Isaac, Deus de Jacob, não dos filósofos e dos eruditos.
Ele não Se encontra senão através do Evangelho.
Certeza. Sentimento. Alegria. Paz.
Esquecimento do mundo e de tudo, excepto de Deus» [ii]

Naquela noite, Deus tinha-Se tornado para ele “realidade activa”.
Uma pessoa “que respira”, como lhe chama P. Claudel.

4.   O Nome e o Coração de Jesus            

Como é possível fazer uma experiência deste tipo?

Depois de, durante muito tempo e com todos os métodos, ter procurado atingir o ser das coisas e de lhes arrancar, por assim dizer, o seu mistério, uma corrente de filosofia existencial teve que se render e reconhecer (aproximando-se assim sem o saber do conceito cristão de graça) que a única maneira, para que tal possa acontecer, é que o próprio ser se revele e venha por sua iniciativa, ao encontro do homem.
E o lugar onde isto pode acontecer é na linguagem, que é uma espécie de “casa do ser”.
Ora, isto é verdade certamente, se, por “ser”, entendemos dizer o Ser (Deus, ou Cristo ressuscitado) e por “linguagem” entendemos dizer a palavra ou o kerigma.
Cristo ressuscitado em pessoa revela-Se-nos e nós podemos encontrá-Lo pessoalmente na Sua palavra.
Esta é verdadeiramente a Sua “casa”, cuja porta é aberta pelo Espírito Santo aos que a ela batem.

No Apocalipse, Ele vai ao encontro da Igreja, dizendo:
«Eu sou o Primeiro e o Último e o que vive. Eu estive morto, mas agora estou vivo» [iii] .
Ressoam também agora, depois que morreu e ressuscitou, aquelas palavras de Cristo:
«Eu Sou!»
Quando Deus Se a presentou a Moisés com estas palavras, o seu significado parece ter sido: «Eu estou», ou seja, existo para vós; não sou mais um dos muitos deuses ou ídolos que têm boca, mas não falam, que têm olhos, mas não vêm. Eu existo verdadeiramente.
Jesus Cristo diz o mesmo agora.

Pudéssemos nós aperceber-nos disto e fazer esta experiência como afez S. Paulo:
«Quem és Tu, Senhor? Eu sou Jesus»!
Então a nossa fé mudaria e tornar-se-ia contagiosa.
Descalçaríamos as sandálias, como fez Moisés naquele dia, e diríamos como Job:
«Eu conhecia-te por ter ouvido falar de Ti, mas agora os meus olhos vêm-Te» [iv].
Também nós ficaríamos sem respiração!

Tudo isto é possível
Não se trata de exaltação mística já que se fundamenta sobre um dado objectivo que é a promessa de Cristo:
«Ainda um pouco – dizia Jesus aos discípulos na Última Ceia – e o mundo não Me verá mais. Vós, porém, ver-me-eis, porque Eu vivo e vós vivereis» [v].
Depois da Sua ressurreição e ascensão ao Céu – porque é a este tempo que Jesus Se refere – os discípulos verão Jesus com uma visão nova, espiritual e interior, mediante a fé, mas de tal modo real que Jesus pôde dizer simplesmente:
«Vós ver-Me-eis».
E a explicação de tudo isto é que Ele «vive».


(cont)
rainiero cantalamessa, Pregador da Casa Pontifícia.





[i] J. P. Sartre, A náusea
[ii] B. Pascal, «Memorial», in Pensamentos, Apêndice
[iii] Ap1,18
[iv] Job 42,5
[v] Jo14,19

Devoción a la Virgen


Prometieron a la Virgen volver si ganaban el Mundial, ganaron pero no volvieron: 32 años después repararán su error

Pequena agenda do cristão

Quinta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Participar na Santa Missa.


Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.


Lembrar-me:
Comunhões espirituais.


Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?






28/02/2018

Há mil maneiras de rezar

Católico sem oração?... É como um soldado sem armas. (Sulco, 453)

Eu aconselho-te a que, na tua oração, intervenhas nas passagens do Evangelho, como um personagem mais. Primeiro, imaginas a cena ou o mistério, que te servirá para te recolheres e meditares. Depois, aplicas o entendimento, para considerar aquele rasgo da vida do Mestre: o seu Coração enternecido, a sua humildade, a sua pureza, o seu cumprimento da Vontade do Pai. Conta-lhe então o que te costuma suceder nestes assuntos, o que se passa contigo, o que te está a acontecer. Mantém-te atento, porque talvez Ele queira indicar-te alguma coisa: surgirão essas moções interiores, o caíres em ti, as admoestações.

(…) Há mil maneiras de rezar, digo-vos de novo. Os filhos de Deus não precisam de um método, quadriculado e artificial, para se dirigirem ao seu Pai. O amor é inventivo, industrioso; se amamos, saberemos descobrir caminhos pessoais, íntimos, que nos levam a este diálogo contínuo com o Senhor. (…)


Se fraquejarmos, recorreremos ao amor de Santa Maria, Mestra de oração; e a S. José, Pai e Senhor nosso, a quem tanto veneramos, que é quem mais intimamente privou neste mundo com a Mãe de Deus e – depois de Santa Maria – com o seu Filho Divino. E eles apresentarão a nossa debilidade a Jesus, para que Ele a converta em fortaleza. (Amigos de Deus, nn. 253. 255)

Visita ao SSSS




Eis-me aqui Oh bom e dulcíssimo Jesus, prostrado de joelhos diante da Vossa divina presença. Vos peço e suplico com o mais ardente fervor que imprimais no meu coração vivos sentimentos de fé, esperança e caridade e um verdadeiro arrependimento dos meus pecados, com vontade firmíssima de os emendar enquanto eu, com grande afecto e dor de alma, considero e medito nas Vossas Cinco Chagas, tendo diante dos olhos o que já o Santo Profeta David dizia de Vós, oh bom Jesus: "Trespassaram as minhas mãos e os meus pés e contaram todos os meus ossos".

Graças, Vos dou meu Deus e meu Senhor, por esta oportunidade de Vos render graças e poder dirigir-me a Vós na Vossa presença viva no Santíssimo Sacramento.
Peço-Vos, Senhor, que me acompanheis durante o resto deste dia e não me deixeis cair em tentação.
Dá-me, Senhor, fortaleza para resistir, perseverança para continuar, coragem para vencer, as minhas próprias fraquezas, suprir as minhas debilidades e ultrapassar os obstáculos.
Que este dia, Senhor, seja motivo de Glória e Louvor para Vós e um passo seguro no meu caminhar para a Vida Eterna. Ámen. 1993



Evangelho e comentário

Tempo de Quaresma

Evangelho: Mt 10, 27-28

27 O que vos digo às escuras, dizei-o à luz do dia; e o que escutais ao ouvido, proclamai-o sobre os terraços. 28 Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma. Temei antes aquele que pode fazer perecer na Geena o corpo e a alma.

Comentários:

Audácia e confiança! É o que o Senhor nos pede a todos os cristãos.

A história da humanidade está repleta de exemplo – que continuam um pouco por toda a parte ainda nos ias de hoje – desses muitos milhares e pessoas que escolheram não ter medo, nem receio, nem respeitos humanos, antes foram por toda a parte anunciando o Evangelho cumprindo o mandato recebido de Cristo.

A Sua Igreja, continuamente regada pelo sangue destes mártires, é Santa e imperecível.

A todos, nós cristãos de hoje, devemos muito, muitíssimo, a estes autênticos heróis da cristandade.

(AMA, comentário sobre Mt 10, 27-28,19.10.2017)