Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
03/07/2017
Diálogos apostólicos
Pergunto:
Na
última conversa abordávamos o assunto Juízo Particular.
Sobre o
que seremos julgados?
Respondo:
2. Deus nosso Senhor nos julgar-nos-á sobre:
As coisas boas que tivermos feito, incluídos os bons desejos.
As coisas boas que deixámos de fazer (omissões).
As coisas más que tenhamos feito, incluídos os maus
pensamentos.
As consequências dos nossos actos.
Fátima: Centenário - Oração diária
Senhora de Fátima:
Neste ano do Centenário da tua vinda ao nosso País, cheios de confiança vimos pedir-te que continues a olhar com maternal cuidado por todos os portugueses.
No íntimo dos nossos corações instala-se alguma apreensão e incerteza em relação a este nosso País.
Sabes bem que nos referimos às diferenças de opinião que se transformam em desavenças, desunião e afastamento; aos casais desfeitos com todas as graves consequências; à falta de fé e de prática da fé; ao excessivo apego a coisas passageiras deixando de lado o essencial; aos respeitos humanos que se traduzem em indiferença e falta de coragem para arrepiar caminho; às doenças graves que se arrastam e causam tanto sofrimento.
Faz com que todos, sem excepção, nos comportemos como autênticos filhos teus e com a sinceridade, o espírito de compreensão e a humildade necessárias para, com respeito de uns pelos outros, sermos, de facto, unidos na Fé, santos e exemplo para o mundo.
Que nenhum de nós se perca para a salvação eterna.
Como Paulo VI, aqui mesmo em 1967, te repetimos:
“Monstra te esse Matrem”, Mostra que és Mãe.
Isto te pedimos, invocando, uma vez mais, ao teu Dulcíssimo Coração, a tua protecção e amparo.
AMA, Fevereiro, 2017
Evangelho e Comentário
São Tomé - Apóstolo
Evangelho:
Jo 20, 24-29
24Tomé, um dos Doze, a quem chamavam o
Gémeo, não estava com eles quando Jesus veio. 25Diziam-lhe os outros
discípulos: «Vimos o Senhor!» Mas ele respondeu-lhes: «Se eu não vir o sinal
dos pregos nas suas mãos e não meter o meu dedo nesse sinal dos pregos e a
minha mão no seu peito, não acredito.» 26Oito dias depois, estavam os
discípulos outra vez dentro de casa e Tomé com eles. Estando as portas
fechadas, Jesus veio, pôs-se no meio deles e disse: «A paz seja convosco!»
27Depois, disse a Tomé: «Olha as minhas mãos: chega cá o teu dedo! Estende a
tua mão e põe-na no meu peito. E não sejas incrédulo, mas fiel.» 28Tomé
respondeu-lhe: «Meu Senhor e meu Deus!» 29Disse-lhe Jesus: «Porque me viste,
acreditaste. Felizes os que crêem sem terem visto!»
Comentário:
A Igreja Celebra hoje a
festa do Apóstolo São Tomé e retemos deste trecho de São João o que se passou
depois da Ressurreição de Jesus.
Fica bem patente a fortaleza
de carácter deste homem, simples e algo rude, sem dúvida, mas sincero e
pragmático.
Não acredita no que não vê,
mas, quando vê não só acredita como faz uma espontânea e profunda profissão de
Fé: Meu Senhor e meu Deus!
A nós, serve-nos de exemplo
magnifico e, ao mesmo tempo, enche-nos de uma alegria profunda porque o Senhor
nos considera felizes, porque, sem vermos, acreditamos.
(AMA,
comentário sobre Jo 20, 24-29, 13.03.2017)
Vazio de todo o meu eu, enche-o de Ti
Pede ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, e à tua Mãe, que te
façam conhecer-te e chorar por esse montão de coisas sujas que passaram por ti,
deixando – ai! – tanto depósito... E ao mesmo tempo, sem quereres afastar-te
dessa consideração, diz-lhe: – Dá-me, Jesus, um Amor como fogueira de
purificação, onde a minha pobre carne, o meu pobre coração, a minha pobre alma,
o meu pobre corpo se consumam, limpando-se de todas as misérias terrenas... E,
já vazio de todo o meu eu, enche-o de Ti: que não...
...e apegue a nada daqui de baixo; que sempre me sustente o Amor. (Forja, 41)
É a hora de clamar: lembra-Te das promessas que me fizeste, para
me encher de esperança; isto consola-me no meu nada e enche o meu viver de
fortaleza. Nosso Senhor quer que contemos com Ele para tudo: vemos com
evidência que sem Ele nada podemos e que com Ele podemos tudo. E confirma-se a
nossa decisão de andar sempre na Sua presença.
Com a claridade de Deus no entendimento, que parece inactivo,
torna-se-nos indubitável que, se o Criador cuida de todos – mesmo dos inimigos
–, quanto mais cuidará dos amigos! Convencemo-nos que não há mal nem
contradição que não venham por bem: assim assentam com mais firmeza, no nosso
espírito, a alegria e a paz que nenhum motivo humano poderá arrancar-nos,
porque estas visitas deixam sempre em nós algo de Seu, algo divino. Louvaremos
o Senhor Nosso Deus que efectuou em nós coisas admiráveis e compreenderemos que
fomos criados com capacidade de possuir um tesouro infinito.
Tínhamos começado com orações vocais, simples, encantadoras, que
aprendemos na nossa meninice e que gostaríamos de não perder jamais. A oração,
que começou com essa ingenuidade pueril, desenvolve-se agora em caudal largo,
manso e seguro, porque acompanha a nossa amizade com Aquele que afirmou: Eu sou
o caminho. Se amarmos Cristo assim, se com divino atrevimento nos refugiarmos
na abertura que a lança deixou no Seu peito, cumprir-se-á a promessa do Mestre:
qualquer que me ame observará a minha doutrina e meu Pai o amará e viremos a
ele e nele faremos morada. (Amigos
de Deus, nn. 305–306)
Reflectindo - Sinais
No dia, 7 de Dezembro de 2016, faleceu uma grande
amiga nossa. Fui à Igreja onde estava o corpo para cumprimentar o Marido. Era o
meu dever.
Ver o seu cadáver teve um efeito devastador.
A memória de uma situação similar por mim vivida provocou tal desassossego e abatimento que estive até de madrugada com um nó no peito num choro incontrolável... enfim, um sofrimento indizível.
Para mais, no dia Oito seria o cinquentenário do meu casamento.
De madrugada, olhando para a televisão - sem de facto ver - algo me chamou a atenção.
Tratava-se de um filme policial em que um homem desesperado e completamente devastado pela perda da esposa na explosão das Torres Gémeas, em Nova Iorque, tinha sequestrado várias pessoas exigindo uma reparação que no seu perturbado espírito seria a "devolução" da esposa perdida.
Um agente do FBI tinha conseguido introduzir-se no ambiente e aos poucos convencido o pobre homem a libertar todos os reféns.
Estavam os dois sozinhos.
Depois de troca de argumentos o agente diz-lhe:
‘Você pensa que é o único que perdeu alguém nesse
fatídico acontecimento em que pereceram centenas de pessoas?’
(Foi aqui que comecei a prestar atenção).
‘Quantos casais não perderam um dos cônjuges, pais que ficaram sem filhos, filhos sem pais etc., etc.? O que o torna a si tão especial?’
O homem caiu em si e pouco depois tudo acabava sem mais complicações.
Um filme como tantos outros...
Porém, esta parte final foi o "sinal " que
eu precisava. Também eu caí em mim considerando que o meu sofrimento não é
exclusivo, que não sou ninguém "especial", que devo lembrar-me de
tantos que não têm ninguém com quem desabafar, que lhes faça companhia, que
estão absolutamente sós!
Então, envergonhado, pedi perdão, fiquei tranquilo e fui deitar-me.
Deus Nosso Senhor envia-nos sinais como quer e
entende, até mesmo num vulgar filme na televisão.
(ama, Reflexões, 201512.10)
Pequena agenda do cristão
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.
Senhor que eu faça ‘boa cara’, que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.
Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.
Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.
Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.
Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.
Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
Fátima: Centenário - Vida de Maria - 14
A
VOZ DOS SANTOS
«Este é um mistério de amor.
A razão humana não o consegue compreender. Só a fé pode explicar como é que uma
criatura foi elevada a tão grande dignidade, até se tornar o centro amoroso em
que convergem as complacências da Trindade. Sabemos que é um segredo divino.
Mas, por se tratar da nossa Mãe, sentimo-nos capazes de o compreender melhor –
se é possível falar assim – do que outras verdades da fé.»
«Os teólogos formularam com
frequência um argumento para tentar compreender de algum modo o significado
desse cúmulo de graças de que Maria se encontra revestida, e que culmina com a
Assunção aos Céus. Dizem: convinha; Deus podia fazê-lo; e por isso o fez. É a
explicação mais clara das razões que levaram Cristo a conceder a sua Mãe todos
os privilégios, desde o primeiro instante da sua Imaculada Conceição. Ficou
livre do poder de Satanás; é formosa – tota
pulchra! – limpa, pura na alma e no corpo».
(São
Josemaria, Cristo que passa, n. 171)
«Como gostam os homens de
que lhes recordem o seu parentesco com personagens da literatura, da política,
do exército, da Igreja!... - Canta diante da Virgem Imaculada, recordando-Lhe:
Ave, Maria, Filha de Deus Pai; Ave, Maria, Mãe de Deus Filho; Ave, Maria,
Esposa de Deus Espírito Santo... Mais do que tu, só Deus!
(São
Josemaria, Caminho, n. 496)
«Talvez agora algum de vós
possa pensar que o dia normal, o habitual ir e vir da nossa vida, não se presta
muito para manter o coração numa criatura tão pura como Nossa Senhora.
Convidar-vos-ia a reflectir um pouco. Que procuramos sempre, mesmo sem dar
especial atenção, em tudo o que fazemos? Quando nos move o amor de Deus e
trabalhamos com rectidão de intenção, procuramos o que é bom, o que é limpo, o
que dá paz à consciência e felicidade à alma. Também cometemos muitos erros?
Sim, mas precisamente reconhecer esses erros é descobrir com maior clareza que
a nossa meta é esta: uma felicidade que não seja passageira, mas sim profunda,
serena, humana e sobrenatural.
Existe uma criatura que
conseguiu nesta terra essa felicidade, porque é a obra-prima de Deus: a Nossa
Mãe Santíssima, Maria. Ela vive e protege-nos; está junto do Pai e do Filho e
do Espírito Santo, em corpo e alma. É a mesma que nasceu na Palestina, que se
entregou ao Senhor desde menina, que recebeu a anunciação do Arcanjo Gabriel,
que deu à luz o Nosso Salvador, que esteve junto d'Ele ao pé da Cruz.
N'Ela tornam-se realidade
todos os ideais, mas não devemos concluir que a sua sublimidade e a sua
grandeza a apresentem para nós inacessível e distante. É a cheia de graça, a
soma de todas as perfeições: e é Mãe. Com o seu poder diante de Deus
alcançar-nos-á o que lhe pedirmos; como Mãe, quer-no-lo conceder. E, também
como Mãe, entende e compreende as nossas fraquezas, anima-nos, desculpa-nos,
facilita o caminho, tem sempre o remédio preparado, mesmo quando parece que já
nada é possível».
(São
Josemaria, Amigos de Deus, n. 292)
02/07/2017
Imagem Fátima: Centenário - Oração jubilar de consagração
Salve, Mãe do Senhor,
Virgem Maria, Rainha do Rosário de Fátima!
Bendita entre todas as mulheres,
és a imagem da Igreja vestida da luz pascal,
és a honra do nosso povo,
és o triunfo sobre a marca do mal.
Profecia do Amor misericordioso do Pai,
Mestra do Anúncio da Boa-Nova do Filho,
Sinal do Fogo ardente do Espírito Santo,
ensina-nos, neste vale de alegrias e dores,
as verdades eternas que o Pai revela aos pequeninos.
Mostra-nos a força do teu manto protector.
No teu Imaculado Coração,
sê o refúgio dos pecadores
e o caminho que conduz até Deus.
Unido/a aos meus irmãos,
na Fé, na Esperança e no Amor,
a ti me entrego.
Unido/a aos meus irmãos, por ti, a Deus me consagro,
ó Virgem do Rosário de Fátima.
E, enfim, envolvido/a na Luz que das tuas mãos nos vem,
darei glória ao Senhor pelos séculos dos séculos.
Ámen.
Tratado da vida de Cristo 167
Art.
3 — Se Cristo, depois da ressurreição devia conviver continuamente com os
discípulos.
O terceiro discute-se assim. —
Parece que Cristo, depois da ressurreição, devia conviver continuamente com os
discípulos.
1. — Pois, apareceu aos discípulos
depois da ressurreição para lhes dar a certeza dela e consolá-los na sua
perturbação, segundo o Evangelho: Alegraram-se
os discípulos de terem visto o Senhor. Ora, mais se teriam certificado e
consolado se se tivesse logo manifestado a eles. Logo, parece que devia
conviver continuamente com eles.
2. Demais. — Cristo ressuscitado dos
mortos não subiu logo ao céu, só depois de quarenta dias, como se lê na Escritura.
Ora, no tempo intermediário em nenhum outro lugar podia mais convenientemente
estar que onde os seus discípulos estavam todos congregados. Logo, parece que
devia conviver continuamente com eles.
3. Demais. — No domingo mesmo da
Ressurreição Cristo apareceu cinco vezes, como lemos no Evangelho e o adverte
Agostinho com as palavras seguintes. Primeiro,
às mulheres no sepulcro; segundo, ainda a elas quando voltavam do sepulcro;
terceiro, a Pedro; quarto, aos dois discípulos que iam a uma aldeia; quinto, a
vários em Jerusalém, entre os quais não estava Tomás. Logo, parece que
também nos outros dias, antes da sua ascensão, devia lhes aparecer, ao menos
várias vezes por dia.
4. Demais. — O Senhor, antes da Paixão,
disse aos discípulos. Depois que eu ressuscitar
irei adiante de vós para a Galileia. O que também o anjo e o próprio Senhor
disse às mulheres depois da ressurreição. E, contudo, foi antes visto por eles
em Jerusalém; e no dia mesmo da ressurreição, como se disse; e também no oitavo
dia como lemos no Evangelho. Logo, parece que não conviveu com os discípulos,
de modo conveniente, depois da ressurreição.
Mas, em contrário, o Evangelho, diz que
depois de oito dias é que Cristo apareceu aos discípulos. Logo, não conviveu
com eles continuamente.
Duas coisas deviam ser
manifestas aos discípulos concernentes à ressurreição de Cristo: a verdade
da ressurreição e a glória do ressuscitado. Ora, para manifestar a verdade da
ressurreição bastava que lhes aparecesse várias vezes falasse com eles
familiarmente, comesse, bebesse e lhes oferecesse o corpo a tocar. Quanto à
manifestar a sua glória de ressuscitado, não quis conviver com eles
continuamente, como fizera antes, a fim de que não parecesse ter ressuscitado
para a mesma vida que vivia antes. Por isso lhes disse: Isto é o que queriam dizer as palavras que eu vos dizia quando ainda
estava convosco. Ora, então estava presente corporalmente; ao passo que
antes estava presente não só corporalmente, mas ainda sob a aparência de um
corpo mortal. Por isso Beda, expondo as palavras suprarreferidas diz: Quando
ainda estava convosco, isto é, quando ainda tinha um corpo mortal, como o que
ainda tendes. É verdade que então ressuscitou com a mesma carne, mas já não
tinha a mesma mortalidade que eles.
DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJECÇÃO. —
As frequentes aparições de Cristo bastavam para certificar os discípulos da
verdade da ressurreição. Mas o conviver continuadamente com eles podia induzi-los
em erro, se acreditassem ele ter ressuscitado para uma vida semelhante à que
antes vivera. Quanto à consolação com a sua contínua presença, prometeu que a teriam
na outra vida, consoante o Evangelho: Eu
hei-de ver-vos de novo e o vosso coração ficará cheio de gozo; e o vosso gozo
ninguém vo-lo tirará.
RESPOSTA À SEGUNDA. — Se Cristo não
conviveu continuamente com os discípulos não é porque pensasse que fosse mais
conveniente estar alhures. Mas porque julgava mais conveniente para a instrução
deles, não conviver continuamente com eles, pela razão já dada. Ignoramos,
porém, em que lugares lhes apareceu corporalmente, nesse meio tempo, pois não
no-lo refere a Escritura; demais, em todo lugar é o seu senhorio na mesma
frase.
RESPOSTA À TERCEIRA. — Se no primeiro
dia apareceu mais frequentemente, foi porque os Apóstolos deviam ser advertidos
por meio de sinais, de modo que desde o princípio tivessem fé na
ressurreição. — Mas depois de a terem recebido, não era preciso que,
já certificados, fossem instruídos com tão frequentes aparições. Por isso não lemos
no Evangelho que lhes aparecesse depois do primeiro dia, senão cinco vezes.
Pois, como diz Agostinho, depois das
primeiras cincos aparições, apareceu-lhes pela sexta vez quando Tomás o viu;
pela sétima, no mar de Tiberíades, na captura dos peixes; pela oitava, no monte da Galileia segundo Mateus;
pela nona, como relata Marcos, numa
última ceia, porque já não haveriam de conviver com ele na terra; pela
décima, no próprio dia em que, não já na terra, mas elevado nas nuvens, quando
subiu ao céu. Mas nem tudo o que fez está
escrito, como o confessa João. Assim, pois, conviveu frequentemente com
eles antes de ter subido aos céus. E isto tudo para a consolação deles. Por
isso o Apóstolo diz: Foi visto por mais
de quinhentos irmãos estando juntos; depois foi visto por Tiago. Mas dessas
aparições não faz menção o Evangelho.
RESPOSTA À QUARTA. — Crisóstomo, expõe assim
aquilo do Evangelho — Depois
que eu ressuscitar irei adiante de vós para a Galileia. Não vai, diz, a
nenhuma região longínqua para se lhes manifestar; mas aparece-lhes mesmo no
meio da sua nação e nos próprios lugares onde sempre convivera com eles. De
modo que, assim, cressem que o crucificado foi o mesmo que ressuscitou. E diz
que iria para a Galileia para se libertarem do temor dos judeus. Assim,
pois, como diz Ambrósio, o Senhor
anunciou aos discípulos que o veriam na Galileia, mas como o tremor os retinha
encerrados no cenáculo, foi aí que primeiro se lhes mostrou. Nem por isso
faltou ao cumprimento da promessa ao contrário, foi um cumprimento prematuro e
misericordioso dela. Mas depois, quando já tinha a alma confortada,
dirigiram-se para a Galileia. Podemos porem dizer igualmente que, tendo-se revelado
a poucos no cenáculo, quis mostrar-se a muitos, na montanha. Pois, como adverte
Eusébio, os dois evangelistas, Lucas e João, escrevem que Cristo apareceu em
Jerusalém só aos onze. Mas os outros dois nos referem que ele foi para a
Galileia: para se manifestar, não somente aos onze, mas ainda a todos os
discípulos e irmãos, como o tinha ordenado o Anjo e o Salvador. O que também
Paulo menciona, quando diz: Depois
apareceu simultaneamente a mais de quinhentos irmãos. Mas a solução mais
verdadeira é que primeiro foi visto uma ou duas vezes dos que estavam
escondidos em Jerusalém, para consolação deles. Ao passo que na Galileia, não
as oculta nem uma ou duas vezes se manifestou, mas ostentando toda a grandeza
do seu poder, mostrando-se-lhes vivo, depois da Paixão, por muitos milagres,
como o atesta Lucas nos Actos, ou, como quer Agostinho, o dito do anjo e do
Senhor, que haveria de ir adiante deles para a Galileia deve ser tomado em
sentido profético. Pois, essa espécie de transmigração, representada pela Galileia;
dava-lhes a entender que os Apóstolos passariam a pregar do povo de Israel para
os gentios. Aos quais não teriam ousado ensinar o Evangelho se o próprio Senhor
não lhes tivesse preparado o caminho no coração dos homens. Tal o sentido das
palavras do Evangelho: Eu irei adiante de
vós para a Galileia; mas a palavra Galileia também significa revelação; e
neste sentido podemos entender que Cristo não teria mais a forma de servo, mas
a que o torna igual ao Pai e da qual prometem aos seus amigos fieis a participação.
E que partiu para um lugar donde não se afastaria, vindo ter connosco, e
partindo para o qual, não nos abandonaria.
Nota: Revisão da versão portuguesa por ama.
Fátima: Centenário - Oração diária
Senhora de Fátima:
Neste ano do Centenário da tua vinda ao nosso País, cheios de confiança vimos pedir-te que continues a olhar com maternal cuidado por todos os portugueses.
No íntimo dos nossos corações instala-se alguma apreensão e incerteza em relação a este nosso País.
Sabes bem que nos referimos às diferenças de opinião que se transformam em desavenças, desunião e afastamento; aos casais desfeitos com todas as graves consequências; à falta de fé e de prática da fé; ao excessivo apego a coisas passageiras deixando de lado o essencial; aos respeitos humanos que se traduzem em indiferença e falta de coragem para arrepiar caminho; às doenças graves que se arrastam e causam tanto sofrimento.
Faz com que todos, sem excepção, nos comportemos como autênticos filhos teus e com a sinceridade, o espírito de compreensão e a humildade necessárias para, com respeito de uns pelos outros, sermos, de facto, unidos na Fé, santos e exemplo para o mundo.
Que nenhum de nós se perca para a salvação eterna.
Como Paulo VI, aqui mesmo em 1967, te repetimos:
“Monstra te esse Matrem”, Mostra que és Mãe.
Isto te pedimos, invocando, uma vez mais, ao teu Dulcíssimo Coração, a tua protecção e amparo.
AMA, Fevereiro, 2017
Evangelho e Comentário
Evangelho:
Mt 10, 37-42
34 Não penseis que vim trazer a paz à
terra; não vim trazer a paz, mas a espada. 35 Porque vim separar o filho do seu
pai, a filha da sua mãe e a nora da sua sogra; 36 de tal modo que os inimigos do
homem serão os seus familiares. 37 Quem amar o pai ou a mãe mais do que a mim,
não é digno de mim. Quem amar o filho ou filha mais do que a mim, não é digno
de mim. 38 Quem não tomar a sua cruz para me seguir, não é digno de mim.
39 Aquele que conservar a vida para si, há-de perdê-la; aquele que perder a sua
vida por causa de mim, há-de salvá-la.» 40 «Quem vos recebe, a mim recebe; e
quem me recebe, recebe aquele que me enviou. 41 Quem recebe um profeta por ele
ser profeta, receberá recompensa de profeta; e quem recebe um justo, por ele
ser justo, receberá recompensa de justo. 42 E quem der de beber a um destes
pequeninos, ainda que seja somente um copo de água fresca, por ser meu
discípulo, em verdade vos digo: não perderá a sua recompensa.»
Comentário:
O grande tema deste trecho de
São Mateus é o amor.
Porquê?
Porque, na verdade, se trata
de ordenar convenientemente o nosso amor.
Se bem que todos os amores
sadios, honestos, sinceros sejam de cultivar e ter em conta é fundamental ter
muito claro as prioridades.
Em primeiro lugar amar a
Deus sem limites ou condições e, em consequência, amar o próximo. Estes dois
“amores” encerram em si mesmos toda a Lei e garantem a felicidade eterna.
É fácil amar a Deus?
Não é, o próprio Jesus
Cristo o infere nas palavras deste texto, mas, por isso mesmo, a recompensa –
que na verdade não tinha porque nos dar – é de tal forma grandiosa e
extraordinária que vale bem o esforço da vontade em consegui-lo.
(AMA,
comentário sobre Mt 10, 37-42)
Anda, voa!
Vejo-me como um pobre passarinho que, acostumado a voar apenas de
árvore em árvore ou, quando muito, até à varanda de um terceiro andar..., um
dia, na sua vida, meteu-se em brios para chegar até ao telhado de certa casa
modesta, que não era propriamente um arranha-céus... Mas eis que o nosso
pássaro é arrebatado por uma águia – que o julgou erradamente uma cria da sua
raça – e, entre as suas garras poderosas, o passarinho sobe, sobe muito alto,
por cima das montanhas da terra e dos cumes nevado...
..., por cima das nuvens brancas e azuis e cor-de-rosa, mais acima
ainda, até olhar o sol de frente... E então a águia, soltando o passarinho,
diz-lhe: anda, voa!... – Senhor, que eu não volte a voar pegado à terra, que
esteja sempre iluminado pelos raios do divino Sol – Cristo – na Eucaristia, que
o meu voo não se interrompa até encontrar o descanso do teu Coração! (Forja, 39)
O coração sente então a necessidade de distinguir e adorar cada
uma das pessoas divinas. De certo modo, é uma descoberta que a alma faz na vida
sobrenatural, como as de uma criancinha que vai abrindo os olhos à existência.
E entretém-se amorosamente com o Pai e com o Filho e com o Espírito Santo; e
submete-se facilmente à actividade do Paráclito vivificador, que se nos entrega
sem o merecermos: os dons e as virtudes sobrenaturais!
Corremos como o veado que anseia pelas fontes da água; com sede, a
boca gretada pela secura. Queremos beber nesse manancial de água viva. Sem
atitudes extravagantes, mergulhamos ao longo do dia nesse caudal abundante e
claro de águas frescas que saltam até à vida eterna. As palavras tornam-se
supérfluas, porque a língua não consegue expressar-se; o entendimento
aquieta-se. Não se discorre, olha-se! E a alma rompe outra vez a cantar um
cântico novo, porque se sente e se sabe também olhada amorosamente por Deus a
toda a hora.
Não me refiro a situações extraordinárias. São, podem muito bem
ser, fenómenos ordinários da nossa alma: uma loucura de amor que, sem
espectáculo, sem extravagâncias, nos ensina a sofrer e a viver, porque Deus nos
concede a Sabedoria. Que serenidade, que paz então, metidos no caminho estreito
que conduz à vida! (Amigos
de Deus, nn. 306–307)
Fátima: Centenário - Vida de Maria - 13
Centenário das aparições da Santíssima
Virgem em Fátima
Virgem em Fátima
A
VOZ DOS PADRES
«Exulte hoje toda a criação
e estremeça de gozo a natureza. Alegre-se o céu nas alturas e as nuvens
derramem a justiça. Destilem os montes doçura de mel e júbilo as colinas,
porque o Senhor teve misericórdia do Seu povo e nos suscitou um poderoso
Salvador na casa de David Seu servo, ou seja, nesta imaculadíssima e puríssima
Virgem, através de quem chega a saúde e a expectativa dos povos».
«Que as almas boas e
agradecidas entoem um cântico de alegria; que a natureza convoque todas as
criaturas para lhes anunciar a boa nova da sua renovação e o início da sua
reforma. Saltem as mães de alegria, pois a que carecia de descendência (Santa
Ana) gerou uma Mãe virgem e imaculada. Alegrem-se as virgens, pois uma terra
não semeada pelo homem trará como fruto Aquele que procede do Pai sem
separação, segundo um modo mais admirável de quanto se possa imaginar. Aplaudam
as mulheres, pois se noutros tempos uma mulher foi ocasião imprudente de
pecado, também agora uma mulher nos traz as primícias da salvação; e a que
antes foi ré, manifesta-se agora aprovada pelo juízo divino: Mãe que não
conhece varão, escolhida pelo Seu Criador, restauradora do género humano».
«Que todas as coisas criadas
cantem e dancem de alegria e contribuam adequadamente para este dia gozoso. Que
hoje seja una e comum a celebração do Céu e da terra e que tudo o que há neste
mundo e no outro faça festa de comum acordo. Porque hoje foi criado e erigido o
santuário puríssimo do Criador de todas as coisas e a criatura preparou para o
seu Autor uma hospedagem nova e apropriada».
«Hoje a natureza,
antigamente desterrada do paraíso, recebe a divindade e corre com passo alegre
para o cume supremo da glória. Hoje Adão oferece Maria a Deus em nosso nome,
como as primícias da nossa natureza; e estas primícias, que não foram
misturadas com o resto da massa, são transformadas em pão para a reparação do
género humano.
«Hoje a humanidade, em todo
o resplendor da sua nobreza imaculada, recebe o dom da sua primeira formação
pelas mãos divinas e reencontra a sua antiga beleza. As vergonhas do pecado
tinham obscurecido o esplendor e os encantos da natureza humana; mas nasce a
Mãe do Formoso por excelência e esta natureza retoma n’Ela os seus antigos
privilégios e é modelada seguindo um modelo perfeito e verdadeiramente digno de
Deus. E esta formação é uma perfeita restauração; e esta restauração uma
divinização; e esta, uma assimilação ao estado primitivo».
«Hoje apareceu o brilho da
púrpura divina e a miserável natureza humana revestiu-se da dignidade real.
Hoje, de acordo com a profecia, floresceu o ceptro de David, o ramo sempre
verde de Aarão, que para nós produziu Cristo, ramo da força. Hoje, de Judá e de
David saiu uma jovem virgem, com a marca do reino e do sacerdócio d’Aquele que,
segundo a ordem de Melquisedec, recebeu o sacerdócio de Aarão. Hoje a graça,
purificando o éfode místico do divino sacerdócio, teceu — à maneira de símbolo
— a veste da semente levítica e Deus tingiu com púrpura real o sangue de
David».
«Dizendo tudo numa palavra:
hoje começa a reforma da nossa natureza e o mundo envelhecido, submetido agora
a uma transformação totalmente divina, recebe as primícias da segunda criação»
Santo
André de Creta, Homilia 1 na Natividade da Santíssima Mãe de Deus.
Fátima: Centenário - Oração Jubilar de Consagração
Salve, Mãe do Senhor,
Virgem Maria, Rainha do Rosário de Fátima!
Bendita entre todas as mulheres,
és a imagem da Igreja vestida da luz pascal,
és a honra do nosso povo,
és o triunfo sobre a marca do mal.
Profecia do Amor misericordioso do Pai,
Mestra do Anúncio da Boa-Nova do Filho,
Sinal do Fogo ardente do Espírito Santo,
ensina-nos, neste vale de alegrias e dores,
as verdades eternas que o Pai revela aos pequeninos.
Mostra-nos a força do teu manto protector.
No teu Imaculado Coração,
sê o refúgio dos pecadores
e o caminho que conduz até Deus.
Unido/a aos meus irmãos,
na Fé, na Esperança e no Amor,
a ti me entrego.
Unido/a aos meus irmãos, por ti, a Deus me consagro,
ó Virgem do Rosário de Fátima.
E, enfim, envolvido/a na Luz que das tuas mãos nos vem,
darei glória ao Senhor pelos séculos dos séculos.
Ámen.
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