22/05/2016

Os demónios do apostolado 15

A inveja pastoral

O demónio da inveja não é alheio ao apostolado. Trata-se de um demónio universal. Obviamente, a sua ação entre os apóstolos não tem os resultados devastadores que tem na política, na arte ou em outras actividades do “mundo”: as invejas no interior da Igreja são muito menos graves, mas apresentam-se de uma forma subtil.

A tentação expressa-se habitualmente em forma oblíqua. Manifesta-se com a tendência em encontrar e assinalar, à primeira vista, defeitos em todas as iniciativas pastorais e em actividades apostólicas que se destacam e se sobressaem do comum. Despreza-se toda a forma de apostolado que tem algo de diferente, com comentários, piadas, etc. Também no corpo apostólico da Igreja se sofre a tentação do corpo social: defender a mediocridade e derrubar tudo o que se sobressai e que, por isso, questiona. A tentação se manifesta também mediante o cinismo diante de trabalhos, iniciativas ou apóstolos que querem viver radicalmente a sua chamada à evangelização. O cinismo é a expressão mais subtil da inveja; é seu melhor dissolvente.

Agora, em alguns casos, o demónio da inveja apostólica revela-se em forma directa, em formas de rivalidade e de competição latente ou aparente. Esta tentação actua em todos os meios e níveis, normalmente dissimulada pelo “zelo pela verdade”, pelo “serviço do Reino” etc., palavras que escondem, às vezes, inveja pela reputação ou pelo êxito de um companheiro de apostolado.

Este demónio age também entre os teólogos, campo em que nem todo o conflito ou disputa teológica está inspirada na procura da verdade; costuma haver questões pessoais misturadas. Age nos meios pastorais, em todos os níveis. Quantas vezes, apóstolos valiosos, projectos e experiências prometedoras são marginalizados, postergadas sem motivo, ou ignoradas, por questões de rivalidade!

O demónio da inveja pastoral leva a considerar projectos ou actividades de outros, como uma ameaça à própria influência apostólica. Quando se cai nesta tentação, o relacionamento apostólico fica inevitavelmente comprometido.

Fonte: presbíteros

(revisão da versão portuguesa por ama)

Este texto é um extracto do livro do teólogo chileno segundo galilea, Tentación y Discernimiento, Narcea, Madrid 1991, p. 29-67.

Antigo testamento / Êxodo 11

Êxodo 11

A morte dos primogénitos

1 Disse então o Senhor a Moisés: "Enviarei ainda mais uma praga sobre o faraó e sobre o Egipto. Somente depois desta vez ele os deixará sair daqui e até os expulsará totalmente.

2 Diz ao povo, tanto aos homens como às mulheres, que peça aos seus vizinhos objectos de prata e de ouro".

3 O Senhor tornou os egípcios favoráveis ao povo, e o próprio Moisés era tido em alta estima no Egipto pelos conselheiros do faraó e pelo povo.

4 Disse, pois, Moisés ao faraó: "Assim diz o Senhor: 'Por volta da meia-noite, passarei por todo o Egipto.

5 Todos os primogénitos do Egipto morrerão, desde o filho mais velho do faraó, herdeiro do trono, até o filho mais velho da escrava que trabalha no moinho, e também todas as primeiras crias do gado.

6 Haverá grande pranto em todo o Egipto, como nunca houve antes nem jamais haverá.

7 Entre os israelitas, porém, nem sequer um cão latirá contra homem ou animal'. Então vocês saberão que o Senhor faz distinção entre o Egipto e Israel!

8 Todos esses teus conselheiros virão a mim e se ajoelharão diante de mim, suplicando: 'Saiam tu e todo o povo que te segue!' Só então eu sairei". E, com grande ira, Moisés saiu da presença do faraó.

9 O Senhor tinha dito a Moisés: "O faraó não vos dará ouvidos, a fim de que os meus prodígios se multipliquem no Egipto".

10 Moisés e Arão realizaram todos esses prodígios diante do faraó, mas o Senhor lhe endureceu o coração, e ele não quis deixar os israelitas saírem do país.


(Revisão da versão portuguesa por ama)

Maio - Intercessão


Igreja da Lapa

Nesta manhã de Sábado tenho estes momentos para, também na presença do teu Divino Filho, presente no Sacrário, falar contigo, minha Mãe do Céu e dar-te a conhecer de viva voz, a apreensão que me vai na alma.

Tu sabes bem o que me aflige, conheces até em pormenor, todas as vicissitudes da minha vida e as apreensões que, diariamente, me constrangem o coração.

Que posso fazer, Mãe, senão pedir-te a rua intercessão maternal:

Monstra te esse matrem.


ama, 2001

Evangelho, comentário, L. espiritual


Tempo Comum

Evangelho: Jo 16, 12-15

12 Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não as podeis compreender agora. 13 Quando vier, porém, o Espírito da Verdade, Ele vos guiará no caminho da verdade total, porque não falará de Si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e anunciar-vos-á as coisas que estão para vir. 14 Ele Me glorificará, porque receberá do que é Meu e vo-lo anunciará. 15 Tudo quanto o Pai tem é Meu. Por isso Eu vos disse que Ele receberá do que é Meu e vo-lo anunciará.

Comentário:

O Espírito Santo não virá dizer-nos coisas diferentes das que Jesus Cristo nos disse.

Mas, então, porque se dará essa compreensão mas almas que em muitos casos, parece faltar aos que ouvem Jesus?

Porque traz consigo os seus Dons, nomeadamente os de ciência e de entendimento que abrirão as inteligências e ajudarão as almas a compreender e, compreendendo, a acreditar.

(ama, comentário sobre Jo 16, 12-15, 2013.05.26)


Leitura espiritual



INTRODUÇÃO AO CRISTIANISMO

INTRODUÇÃO

“CREIO – AMÉM”

«Creio em Deus Pai, Todo-poderoso, Criador do céu e da terra"

CAPÍTULO TERCEIRO

O Deus da Fé e o Deus dos Filósofos

1.   Opção da Igreja antiga pela filosofia

A opção contida na imagem bíblica de Deus devia ser reiterada nos alvores do cristianismo e da Igreja; aliás deve ser renovada no início de cada situação nova, pois continua sendo simultaneamente tarefa e dádiva. O anúncio proto-cristão e a fé da Igreja primitiva encontravam-se de novo num meio ambiente saturado de deuses e, por isso, diante do problema que coube a Israel resolver na época de sua origem e no seu embate com os poderes do tempo do exílio e pós-exílio. Tratava-se novamente de declarar que espécie de Deus, afinal, era visado pela fé cristã. Sem dúvida a opção da Igreja primitiva tinha a vantagem de poder apelar para toda a luta pretérita, sobretudo para a sua fase derradeira, a obra do Deutero-Isaías e a literatura sapiencial, para o passo dado na versão grega do Antigo Testamento e, afinal, para os escritos do Novo Testamento, principalmente para o Evangelho de S. João. Com a cobertura de toda esta história, a cristandade antiga decidiu a sua escolha e a sua purificação, concretizando-a com audácia, optando pelo Deus dos filósofos contra os deuses das religiões. Surgindo a pergunta: a que Deus correspondia o Deus cristão, quiçá a Júpiter ou Hermes ou Dionísio ou a outro qualquer, a resposta era: a nenhum deles. A nenhuma das divindades às quais fazeis preces, mas única e exclusivamente àquele Deus ao qual não rezais, àquele ser supremo do qual falam os vossos filósofos. A Igreja primitiva recusou decididamente o cosmos inteiro das religiões antigas, considerando-o como ilusão e engano, e expondo a sua fé do seguinte modo: ao proferir a palavra "Deus", não veneramos, nem temos em vista nada de tudo isto, mas exclusivamente o próprio ser, aquilo que os filósofos destacaram como fundamento de todo o ser, como o Deus acima de todas as potências – somente ele é o nosso Deus. Nesse processo estão uma escolha e uma decisão não menos decisivas e duráveis para o futuro do que o foram, no seu tempo, a escolha de El ou iah contra Moloch e Baal e a evolução de ambos para Elohim e Iahvé, na direcção da ideia do ser. A opção assim feita conotava escolha do Logos contra qualquer espécie de mito, ou seja, significava a definitiva demitização do mundo e da religião.

Teria sido certo o caminho da opção em favor do Logos contra o mito? Para encontrar a resposta certa cumpre não perder de vista todas as nossas considerações sobre a evolução interna do conceito bíblico de Deus, através de cujos últimos passos já se encontra confirmada, de facto, neste sentido, a posição do crístico no mundo helénico. Por outro lado é mister considerar que o próprio mundo antigo conhecia, de forma bem distinta, o dilema entre o Deus da fé e o Deus dos filósofos. Entre as divindades míticas das religiões e o conhecimento filosófico de Deus desenvolveu-se, no correr da história, uma tensão sempre mais forte contida na crítica dos mitos, feita pelos filósofos desde Xenófanes até Platão, que se preocupava com a tentativa de abolir o mito homérico clássico, substituindo-o por um mito novo, em consonância com o Logos. A pesquisa actual convence-se sempre mais da existência de um paralelo extraordinário de carácter temporal e real entre a crítica filosófica dos mitos na Grécia e a crítica profética dos deuses em Israel. É certo que ambos partem de hipóteses totalmente diversas, visando metas completamente diferentes. Mas o movimento do Logos contra o mito, tal como se deu na mentalidade grega, no esclarecimento filosófico a ponto de acabar causando a queda dos deuses, está em paralelo intrínseco com o esclarecimento da literatura profética e sapiencial na sua demitização dos poderes idolátricos, em favor do único Deus. Ambos os movimentos convergem no Logos, apesar de todas as antíteses. O esclarecimento filosófico e a sua mentalidade "física" do ser desalojam sempre mais a aparência mítica, mas sem afastar a forma religiosa da veneração dos deuses. Por isso a religião antiga desfez-se totalmente no abismo entre o Deus da fé e o Deus dos filósofos, na diástase total entre razão e piedade. Não se conseguiu reunir ambas as coisas, já que razão e fé se afastaram sempre mais, separando-se o Deus da fé e o Deus dos filósofos: estava aí o descalabro interno da religião antiga. A religião cristã não tinha a esperar outro destino, se concordasse com separação semelhante da razão e com uma correspondente retirada para o terreno puramente religioso, como Schleiermacher defende e como, em certo sentido, se encontra, paradoxalmente, no grande crítico e adversário de Schleiermacher, que foi Karl Barth.

O destino oposto do mito e do Evangelho no mundo antigo, o fim do mito e a vitória do Evangelho, sob o enfoque da história da filosofia, devem ser, essencialmente, explicados a partir da relação antitética criada, em ambos os casos, entre religião e filosofia, entre fé e razão. O paradoxo da filosofia antiga, sob o enfoque religioso-histórico, consiste no facto de ela ter destruído o mito, racionalmente, tentando, ao mesmo tempo, re-legitimá-lo religiosamente – isto é: não foi revolucionária religiosamente, mas, no máximo, evolucionária, tratando a religião como questão do teor de vida e não como questão da verdade. Paulo descreveu muito exactamente este processo na Epístola aos Romanos [1], apoiando-se na literatura sapiencial, usando a linguagem profética (e respectivamente, o estilo antigo-testamentário dos livros sapienciais). Já no livro da Sabedoria [2] encontra-se a alusão a esse destino trágico da religião antiga e ao paradoxo inerente à separação de verdade e piedade (ou fé). Paulo reassume o que ali se disse em poucos versículos, descrevendo a sorte da religião antiga a partir desse divórcio entre Logos e mito: "O que de Deus se pode conhecer... é para eles manifesto, tendo-lho Deus manifestado... Mas, conhecendo embora a Deus, não o honraram como Deus... Trocaram a glória do Deus indefectível pela reprodução em imagens do homem corruptível, de aves, de quadrúpedes e de répteis... " [3].

A religião não segue a senda do Logos, mas persiste no mito compreendido como vazio de qualquer realidade. Com tal era inevitável a sua ruína, consequência do afastamento da verdade, que levou a considerar a religião como mera institutio vitae, simples convenção e forma de vida. Em contraste com semelhante situação, Tertuliano descreveu a posição cristã com muita ênfase, em frase ousada, ao dizer: "Cristo denominou-se a verdade, não o costume". Vejo aí uma das grandes frases da teologia patrística. Está aí condensada de modo único a luta da Igreja antiga e a tarefa permanente imposta à fé cristã, caso queira conservar-se fiel a si mesma. A divinização da consuetudo Romana, da "origem" da cidade de Roma, que transformava os seus costumes em norma auto-suficiente do comportamento contrapõe-se à pretensão exclusivista da verdade. Com tal o cristianismo colocou-se decididamente ao lado da verdade, voltando as costas a uma ideia de religião que se satisfazia em ser figura cerimonial, à qual se podia acrescentar um sentido qualquer na fase da interpretação.

Uma indicação ainda para esclarecer o que foi dito. A antiguidade adaptou, afinal, o dilema da sua religião, da sua separação da verdade do conhecimento filosófico, na ideia de três teologias cuja existência era afirmada: teologia física, política e mítica. Justificou a pendência de mito e Logos com a consideração pelo sentir do povo e pela utilidade do estado na medida em que a teologia mítica possibilitava também uma teologia política. Por outras palavras: de facto colocou a verdade contra o costume, a utilidade contra a verdade. Os representantes da filosofia neo-platónica deram um passo para a frente interpretando o mito ontologicamente, explicando-o como teologia do símbolo, tentando assim colocá-lo como mediador no caminho da exegese da verdade. Mas, cessou realmente de existir o que só pode sobreviver graças à interpretação. O espírito humano, com razão, volta-se para a própria verdade e não para o que ainda se pode declarar como concorde com a verdade por meio do método da interpretação, usando de atalhos, de subterfúgios, muito embora não possua mais nenhuma verdade.

Ambos os processos revelam algo presente no nosso momento histórico, prenhe de preocupações. Numa situação onde a verdade do crístico parece em vias de se desfazer, tornam a delinear-se na luta em torno do cristianismo hodierno exactamente aqueles dois métodos com que outrora o politeísmo antigo travou o seu combate mortal e foi derrotado. De um lado, está a retirada do âmbito da verdade da razão para uma esfera de pura piedade, de pura fé, de simples revelação; retirada que, na realidade, queira-se ou não, concedida ou negada, se assemelha de maneira fatal à retirada da religião antiga frente ao Logos, à fuga face à verdade, para os domínios de lindos costumes ou tradições, e face à física, para o seio da política. Do outro lado está o processo, que eu denominaria resumidamente cristianismo interpretativo. Aqui se desfaz, com o método da interpretação, o escândalo do crístico e, ao tornar-se assim não escandaloso, faz, ao mesmo tempo, da sua própria causa uma frase dispensável, um atalho inútil para dizer o simples que aqui é explicado mediante complicadas artimanhas interpretativas.

Ao contrário disto, a opção cristã original é completamente outra. A fé cristã optou – já o vimos – pelo Deus dos filósofos, isto é, contra o mero mito do costume, optou exclusivamente pela verdade do próprio ser. A objecção contra a Igreja antiga – de que os seus membros eram sequazes do ateísmo – procedia desse processo. Realmente, consequência disto foi que a antiga Igreja repudiou o mundo inteiro da religião antiga, que declarou nada disto aceitável, mas afastou de si tudo isto como sendo costume vazio, que se opõe à verdade. O Deus dos filósofos que foi conservado, não era considerado pela antiguidade como religiosamente importante, mas apenas como uma realidade académica, extra-religiosa. O facto de só deixar este Deus e de somente e exclusivamente declarar-se por ele foi considerado como irreligiosidade, como negação da religião e como ateísmo. Na suspeita de ateísmo com que o cristianismo antigo tinha de lutar, torna-se claramente reconhecível a sua orientação espiritual, a sua opção contra a religião e contra o seu costume vazio de verdade, opção feita unicamente em favor da verdade do ser.

(cont)

joseph ratzinger, Tübingen, verão de 1967.

(Revisão da versão portuguesa por ama)









[1] 1,18-31
[2] cap. 13-15
[3] Rom 1,19-23

Doutrina – 151

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ
SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ
CAPÍTULO PRIMEIRO CREIO EM DEUS PAI

OS SÍMBOLOS DA FÉ

55. Em que consiste a Providência divina?


A Providência divina consiste nas disposições com as quais Deus conduz as suas criaturas para a perfeição última, à qual Ele as chamou. Deus é o autor soberano do seu desígnio. Mas para a realização do mesmo serve-se também da cooperação das suas criaturas. Ao mesmo tempo, dá às criaturas a dignidade de agirem por si mesmas, de serem causas umas das outras.

Pequena agenda do cristão


DOMINGO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Lembrar-me:
Cultivar a Fé

São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?



Amor à Virgem



Temas para meditar - 637

Próximo


Amarás o teu próximo, não quando o mereça, mas porque é o teu próximo.



(georges chevrotLas Bienaventuranzas, Rialp, 8ª ed., Madrid, 1981, nr. 170, trad ama)

21/05/2016

Os demónios do apostolado 14

Carecer de fortaleza ou vigor

Este demónio debilita o apóstolo em algo que é fundamental para exercer um apostolado de envergadura, abnegado e constante, apesar de toda sorte de contradições: a fortaleza.

Este debilitamento e carência adquire formas contrárias às que caracterizam a fortaleza apostólica. Afecta, em primeiro lugar, o vigor físico, que não pode ser o mais relativo no apostolado. Não se pode, por exemplo, menosprezar a saúde das pessoas. Afecta, também, os hábitos alimentares: a gente pode tornar-se exigente em qualidade e quantidade; no horário; apega-se a certos hábitos; chegando à incapacidade de dar um sentido evangélico ao comer pouco ou nada, caso o serviço pastoral o requeira. O mesmo ocorre com o sono e o descanso, que muitas vezes o serviço pede sacrificar. Converte-se numa dificuldade habitual viajar em meios populares, a pé, em transporte colectivo. Procura-se sistematicamente o meio mais rápido e cómodo, com a desculpa da eficácia apostólica, sem discernimento, uma vez que, em muitos casos, a desculpa pode ser válida. Também o cuidado excessivo da saúde e a adopção de todas as formas de prevenção às quais recorrem os mais privilegiados, pode tornar mais aguda esta fase de austeridade e fortaleza. Poder-se-ia aduzir outros exemplos.

A tentação afecta igualmente a fortaleza psicológica, tanto mais necessária que a física para o verdadeiro apostolado. Neste campo, é preciso educar-se num alto grau de resistência psicológica, o que não exclui ser emocionalmente vulnerável como todo ser humano normal. A fortaleza consiste em assimilar os golpes psicológicos, sem desanimar e, muito menos, desestruturar-se. Esta deve ser a atitude diante das críticas injustas ou parciais, diante das calúnias, das acusações… E, logicamente, diante das perseguições e das diversas formas de sofrimento, que podem chegar ao martírio, por causa do Reino. A aspiração de muitos apóstolos à última bem-aventurança – “bem-aventurados os perseguidos por minha causa e a justiça do Reino” -, não se improvisa, e é vã se não for preparada e se não estiver acompanhada pela aceitação das provações e crises psicológicas, com fortaleza evangélica.

A tentação pode ser mais grave se a provação da fortaleza provém do interior da Igreja. Um dos piores sofrimentos do apóstolo é o da “contradição dos bons”, da sua comunidade, dos seus irmãos e companheiros de trabalho, de autoridades da Igreja. Em certos momentos do apostolado, em muitas ocasiões em que se trata de experimentar ou inovar dentro daquilo que é legítimo, o apóstolo precisa aceitar, com coração sadio e atitude evangélica, ser minoria ou simplesmente estar sozinho. Por isso, necessitará fortaleza diante das tensões e conflitos existentes no interior da Igreja, diante das incompreensões, das suspeitas, da falta de confiança e de colaboração.

A fortaleza apostólica purifica, amadurece e prepara para o futuro. O demónio da inércia e da fragilidade mantém o apóstolo na adolescência, numa certa mediocridade rotineira, dificultando-lhe exercer o melhor serviço da Igreja, agora e no futuro.

Fonte: presbíteros

(revisão da versão portuguesa por ama)

Este texto é um extracto do livro do teólogo chileno segundo galilea, Tentación y Discernimiento, Narcea, Madrid 1991, p. 29-67

Antigo testamento / Êxodo 10

Êxodo 10

A praga dos gafanhotos

1 O Senhor disse a Moisés: "Vai ao faraó, pois tornei obstinado o coração dele e o dos seus conselheiros, a fim de realizar estes meus prodígios entre eles, para que possas contar aos teus filhos e netos como zombei dos egípcios e como realizei os meus milagres entre eles. Assim saberão que eu sou o Senhor".

2 Dirigiram-se, pois, Moisés e Arão ao faraó e disseram-lhe: "Assim diz o Senhor, o Deus dos hebreus: 'Até quando te recusarás a humilhares-te perante mim? Deixa ir o meu povo, para que me preste culto.

3 Se não quiseres deixá-lo ir, farei vir gafanhotos sobre o teu território amanhã.

4 Eles cobrirão a face da terra até não se poder enxergar o solo. Devorarão o pouco que ainda lhes restou da tempestade de granizo e todas as árvores que estiverem brotando nos campos.

5 Encherão os teus palácios e as casas de todos os teus conselheiros e de todos os egípcios: algo que os vossos pais e os vossos antepassados jamais viram, desde o dia em que se fixaram nesta terra até o dia de hoje' ". A seguir Moisés virou as costas e saiu da presença do faraó.

6 Os conselheiros do faraó disseram-lhe: "Até quando este homem será uma ameaça para nós? Deixa os homens irem prestar culto ao Senhor, o Deus deles. Não percebes que o Egipto está arruinado?"

7 Então Moisés e Arão foram trazidos de volta à presença do faraó, que lhes disse: "Vão e prestem culto ao Senhor, o vosso Deus. Mas, digam-me, quem irá?"

8 Moisés respondeu: "Temos que levar todos: os jovens e os velhos, os nossos filhos e as nossas filhas, as nossas ovelhas e os nossos bois, porque vamos celebrar uma festa ao Senhor".

9 Disse-lhes o faraó: "Irão mesmo precisar do Senhor quando eu vos deixar ir com as mulheres e crianças! É claro que estais com más intenções.

10 De forma alguma! Só os homens podem ir prestar culto ao Senhor, como vocês têm pedido". E Moisés e Arão foram expulsos da presença do faraó.

11 Mas o Senhor disse a Moisés: "Estende a mão sobre o Egipto para que os gafanhotos venham sobre a terra e devorem toda a vegetação, tudo o que foi deixado pelo granizo".

12 Moisés estendeu a vara sobre o Egipto, e o Senhor fez soprar sobre a terra um vento oriental durante todo aquele dia e toda aquela noite. Pela manhã, o vento tinha trazido os gafanhotos, os quais invadiram todo o Egipto e desceram em grande número sobre toda a sua extensão. Nunca antes houve tantos gafanhotos, nem jamais haverá.

13 Eles cobriram toda a face da terra de tal forma que ela escureceu. Devoraram tudo o que o granizo tinha deixado: toda a vegetação e todos os frutos das árvores. Não restou nada verde nas árvores nem nas plantas do campo, em toda a terra do Egipto.

14 O faraó mandou chamar Moisés e Arão imediatamente e disse-lhes: "Pequei contra o Senhor, o vosso Deus, e contra vós!

15 Agora perdoem ainda esta vez o meu pecado e orem ao Senhor, o vosso Deus, para que leve esta praga mortal para longe de mim".

16 Moisés saiu da presença do faraó e orou ao Senhor.

17 E o Senhor fez soprar com muito mais força o vento ocidental, e este envolveu os gafanhotos e lançou-os no mar Vermelho. Não restou um gafanhoto sequer em toda a extensão do Egipto.

18 Mas o Senhor endureceu o coração do faraó, e ele não deixou que os israelitas saíssem.

A praga das trevas

19 O Senhor disse a Moisés: "Estende a mão para o céu, e trevas cobrirão o Egipto, trevas tais que poderão ser apalpadas".

20 Moisés estendeu a mão para o céu, e por três dias houve densas trevas em todo o Egipto.

21 Ninguém pôde ver ninguém, nem sair do seu lugar durante três dias. Todavia, todos os israelitas tinham luz nos locais em que habitavam.

22 Então o faraó mandou chamar Moisés e disse: "Vão e prestem culto ao Senhor. Deixem somente as ovelhas e os bois; as mulheres e as crianças podem ir".

23 Mas Moisés contestou: "Tu mesmo nos darás os animais para os nossos sacrifícios e holocaustos que ofereceremos ao Senhor.

24 Além disso, os nossos rebanhos também irão connosco; nem um casco de animal será deixado. Temos que escolher alguns deles para prestar culto ao Senhor, o nosso Deus, e, enquanto não chegarmos ao local, não saberemos quais animais sacrificaremos".

25 Mas o Senhor endureceu o coração do faraó, e ele se recusou a deixá-los ir.

26 Disse o faraó a Moisés: "Sai da minha presença! Trata de não aparecer nunca mais diante de mim! No dia em que vir a minha face, morrerás".

27 Respondeu Moisés: "Será como disseste; nunca mais verei a tua face".


(Revisão da versão portuguesa por ama)

Maio - Intercessão


A ti, Mãe, recorro nesta hora de preocupação.

Como em Caná, intervieste em favor dos noivos que, sem terem pedido, obtiveram por teu intermédio uma graça inesperada, diz-lhe, também agora: 

O António não tem!

E como é uma graça que por tua maternal intercessão, solicito, tenho a certeza que a obterei. [1]

ama, 1988




[1] Obtive esta graça passados mais ou menos 40 dias

Evangelho, comentário, L. espiritual


Tempo ComumPáscoa

Evangelho: Mc 10, 13-16

13 Apresentavam-Lhe umas criancinhas para que as tocasse mas os discípulos repreendiam os que as apresentavam. 14 Vendo isto, Jesus ficou muito desgostoso e disse-lhes: «Deixai vir a Mim as crianças, não as estorveis, porque dos que são como elas é o reino de Deus. 15 Em verdade vos digo: quem não receber o reino de Deus como uma criança, não entrará nele». 16 Depois, abraçou-as e, impondo-lhes as mãos, as abençoava.

Comentário:

Rodeado de pessoas que O perseguem pelas Suas palavras e obras, por querer bem e apregoar o Reino de Deus como a última felicidade do homem, Jesus Cristo sente-se muito bem entre as crianças, espelho da inocência que falta aos outros.

É Natural!

Ele próprio é o “Grande Inocente” que se entrega em holocausto sublime por toda a humanidade ferida pelo pecado.


(ama, comentário sobre Mc 10, 13-16, 2014.03.01)


Leitura espiritual



INTRODUÇÃO AO CRISTIANISMO

INTRODUÇÃO

“CREIO – AMÉM”

CAPÍTULO SEGUNDO


PRIMEIRA PARTE

DEUS

«Creio em Deus Pai, Todo-poderoso, Criador do céu e da terra"

CAPÍTULO SEGUNDO

A Fé em Deus na Bíblia

3. Iahvé, Deus dos patriarcas e de Jesus Cristo

Mas, com todas essas considerações só encaramos metade da questão, pois que, em todo caso, Moisés fora autorizado a dizer: "EU SOU mandou-me a vós" [1]. Dispõe de uma resposta, mesmo que seja um enigma. E não se pode, não se deve decifrá-la um pouco mais? A exegese moderna em geral vê nesta palavra a expressão de uma proximidade auxiliadora. Deus não se identifica ali – como na filosofia – pela sua natureza, como é em si, mas revela-se como um Deus para Israel, um Deus para o homem. "Eu sou" é o mesmo que "eu estou aí!", "estou aí para vós"; acentua-se a presença de Deus em função do bem de Israel; seu ser (sua natureza) não é explicado como um ser em si, mas como um ser-para. Aliás, Eissfeldt considera possível não só a versão "ele ajuda", mas também "ele chama para a vida, ele é criador", e até "ele é", e "o existente". O exegeta francês Edmond Jacob acha que o nome "EI" exprime a vida como força, "Iahvé" como duração e presença. Se Deus se chama aqui "eu sou", explicar-se-ia como aquele que "é", como o ser em contraposição ao devir, como o permanente e existente em oposição ao transitório. "Toda a carne é como erva, e toda glória, como flor do campo... A erva seca, a flor fenece, mas a palavra do nosso Deus permanece perene" [2].

Atendendo-se a este texto, torna-se visível um nexo que, até agora, tinha sido pouco ponderado. Para o Deutero-Isaías era uma das ideias básicas da sua mensagem: a caducidade das coisas deste mundo; os homens, por poderosos que aparentem ser, no fim são como as flores que desabrocham um dia e são colhidas e secam no dia seguinte, enquanto, no centro desse gigantesco espetáculo de caducidade, o Deus de Israel "é", não "devém". Ele "é" em todo o devir e perecer. Certamente, este "é" de Deus, a pairar estável por cima da mutabilidade do devir não se acentua sem nexo. Ele é muito mais que, simultaneamente se aprova, se firma; ele está ali para nós e, através do seu "estar", dá-nos firmeza no meio da nossa insegurança. O Deus que "é", simultaneamente é um Deus que está connosco; não é um mero Deus em si, mas o nosso Deus, o Deus dos nossos pais.

E tornamos à pergunta feita no início das considerações sobre a narrativa da sarça: que relação existe entre o Deus da fé bíblica e a ideia platónica de Deus? O Deus que se identifica e que tem um nome, o Deus que auxilia e está presente, seria algo radicalmente diverso do esse subsistens, o ser simplesmente, encantoado no ermo silencioso do pensamento filosófico, ou...? Creio ser necessário olhar ainda um pouco mais de perto para a ideia bíblica de Deus e para a opinião dos filósofos, para tirar a limpo esta questão e compreender o sentido do falar cristão sobre Deus. Primeiramente quanto à Bíblia, é importante não isolar a cena da sarça-ardente. Acabamos de ver que ela deve ser compreendida a partir do ambiente de um mundo saturado de deuses, no qual, relacionando e diferenciando, ela torna visível a fé de Israel e, simultaneamente, impulsiona o seu desenvolvimento, aceitando como elemento racional a ideia do ser, tão rica de cambiantes. O processo interpretativo com o qual deparamos na nossa narrativa não terminou ali, mas foi retomado sempre de novo e desenvolvido no correr da luta bíblica em torno de Deus. Ezequiel e, sobretudo, o Deutero-Isaías bem mereceriam o cognome de teólogos do nome de Iahvé, pois a partir dele desdobraram a sua pregação profética de modo acentuado. O Deutero-Isaías, como se sabe, fala no fim do exílio babilónico, no momento em que Israel começa a encarar o futuro com esperança renovada. O poder babilónico, aparentemente invencível, que tinha escravizado os israelitas, está despedaçado; Israel, tido como morto, ressurge da ruína. Assim para o profeta torna-se ideia central opor o Deus que "é" aos deuses que passam. "Eu, Iahvé, sou o primeiro e estou também entre os últimos" [3]. O último livro do Novo Testamento, o Apocalipse, repetirá o mesmo pensamento visando dificuldades parecidas: diante de todas as potências ele já está, e continua estando atrás e depois delas [4]. Mas, tomemos a Isaías: "Eu sou o primeiro, e depois deste e fora de mim não há Deus" [5]. "Sou eu, eu sou o primeiro, e também serei o último" [6]. O profeta cunhou aí uma fórmula nova na qual se retoma o fio condutor da história da sarça e só a enriquece de acentos novos. A fórmula foi objectivamente reproduzida de modo certo no texto grego: "eu o sou" [7]. Neste simples "eu o sou" coloca-se o Deus de Israel frente aos deuses, e identifica-se como aquele que é, em oposição àqueles que foram destruídos e passaram. O enigmático e tão conciso "eu o sou" torna-se o eixo da pregação do profeta, em que se manifesta a sua luta contra as divindades, contra o desespero de Israel, a sua mensagem de esperança e de certeza. Em oposição ao mesquinho panteão babilónico e aos seus destronados ídolos, ergue-se o poder de Iahvé, simples e sem retoques, na expressão "eu o sou" a acentuar a sua total superioridade acima de todos os poderes divinos e não divinos deste mundo. O nome de Iahvé, cujo sentido assim se torna presente, avança um passo a mais no rumo da ideia daquele que "é" no meio de toda a caducidade das coisas e aparências, às quais não cabe nenhuma duração.

Demos um último passo que nos leve ao Novo Testamento. A linha que coloca, sempre em crescendo, a ideia de Deus sob a luz do conceito do ser, interpretando a Deus com o simples "eu sou", torna a surgir no Evangelho de S. João, ou seja, no derradeiro intérprete bíblico; João traça a síntese da fé em Jesus, fé que, para os cristãos, representa ao mesmo tempo o último passo da auto-interpretação do movimento bíblico. O pensamento de João entrosa-se exactamente com a literatura dos livros sapienciais e o Deutero-Isaías; e somente com este fundo literário é que pode ser compreendido. João eleva o "eu o sou" de Isaías à ideia central da sua fé em Deus, mas fá-lo colocando-o como núcleo da sua cristologia: processo decisivo tanto para a ideia de Deus, como para a imagem de Cristo. A fórmula que, pela primeira vez, se destaca no episódio da sarça; que, no fim do exílio, se transforma em expressão da esperança e da certeza face às divindades em derrocada; e que representa a presença permanente de Iahvé acima de todas estas potências, essa fórmula encontra-se agora no centro da fé em Deus, através do testemunho prestado em Jesus de Nazaré.

A importância desse processo torna-se de uma clareza cristalina, se atendermos ao facto de João ter retomado o núcleo da narração da sarça, como nenhum autor antes dele, a saber, a ideia do nome de Deus. O pensamento de um Deus que se nomeia, que se torna invocável mediante um nome avança até o cerne do seu testemunho prestado pelo "eu o sou". João traça um paralelo entre Cristo e Moisés também neste sentido, descrevendo Cristo como o personagem no qual a história da sarça alcança o seu sentido pleno. Todo o capítulo 17 – a chamada "oração sacerdotal" e, provavelmente, o próprio núcleo do Evangelho em geral – gira em torno da ideia "Jesus, o revelador do nome de Deus", apresentando-se assim como o correlativo da narração da sarça. O tema do nome divino volta, qual ritornello, nos versículos 6, 11, 12, 26. Destaquemos apenas os dois principais: "Manifestei o teu nome aos homens que me deste, separando-os do mundo" [8]. "Eu dei-lhes a conhecer o teu nome e dar-lho-ei a conhecer ainda, para que o amor com que me amaste esteja neles e eu esteja neles" [9]. Cristo surge aqui como sendo a mesma sarça-ardente, da qual brota o nome de Deus para os homens. Mas, na perspectiva do quarto Evangelho, Jesus aplica a si o "eu o sou" de Ex 3 e de Is 43; torna-se claro ser ele próprio o nome, isto é, a invocabilidade de Deus. A ideia do nome entra agora numa fase nova e decisiva. Aqui "nome" não é mais somente uma palavra, mas uma pessoa: o próprio Cristo. A cristologia, e correspondentemente a fé em Cristo, em conjunto, é elevada a uma única interpretação do nome de Deus e do que ele significa. Com isto alcançamos um ponto onde, qual cúpula, se impõe uma questão que interessa o complexo inteiro tratado sobre o nome de Cristo.

4. A ideia do nome

Após estas considerações todas, urge, finalmente, fazer uma pergunta muito geral: que quer dizer, afinal, um nome? E que sentido há em falar no nome de Deus? Não penso em fazer uma análise detalhada desta questão, deslocada neste lugar, mas apenas indicar em poucos traços o que me parece essencial. Primeiramente podemos dizer que existe uma diferença fundamental entre a intenção visada por uma ideia e a intenção incluída em um nome. A ideia quer reconhecer a natureza da coisa como tal, tal como existe. O nome, pelo contrário, não procura a natureza da coisa, tal como existe, independente de mim, mas a ele lhe interessa tornar a coisa nominável, invocável, criar um nexo para com ela. Certamente também o nome deve atingir a própria coisa, mas com a finalidade de colocá-la em relação comigo e, torná-la, assim, acessível. Exemplifiquemos: saber que alguém se enquadra no conceito "homem" ainda não é suficiente para criar uma relação para com ele. Somente o nome o torna nominável; através do nome o outro penetra na estrutura da minha humanidade e pode ser chamado. Portanto o nome cria o entrosamento, a correlação com a estrutura social das relações. Quem é considerado como mero número é rejeitado da estrutura da comunidade. Ora, o nome cria a relação para com os outros. Confere a um ser a invocabilidade que completa a coexistência com o ser nomeado.

Mas é aqui também que se encontra o ponto de encaixe a partir do qual deveria tornar-se claro o que acontece quando João apresenta o Senhor Jesus Cristo como o verdadeiro e vivo nome de Deus. Nele se realiza o que nenhuma palavra estaria em condições de realizar. Nele alcançou a sua meta o sentido do diálogo sobre o nome de Deus e chegou à sua concretização o que sempre havia sido pretendido e intencionado com a ideia do nome. Em Cristo – é o que o Evangelho deseja exprimir com esta ideia – Deus de facto tornou-se o invocável. Com Cristo Deus entrou para sempre na coexistência connosco: o nome não é mais uma simples palavra a que nos apegamos; é carne da nossa carne e osso dos nossos ossos. Deus é um dos nossos. E assim se concretiza realmente o que vinha sendo intencionado com a ideia do nome desde o episódio da sarça, a saber, na pessoa daquele que, como Deus, é homem e, como homem, é Deus. Deus tornou-se um de nós, portanto um portador de nome e uma presença ao nosso lado em coexistência.

(cont)

joseph ratzinger, Tübingen, verão de 1967.

(Revisão da versão portuguesa por ama)








[1] Ex 3,14
[2] Ex 3,14
[3] Is 41,4
[4] Ap 1,4; 1,17; 2,8; 22,13
[5] 44,6
[6] 48,12
[7] γώ εμι
[8] 6
[9] 26