Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
03/07/2014
Que em cada um de vós esteja a alma de Maria
–
Minha Mãe! As mães da terra olham com maior predilecção para o filho mais
débil, o mais doente, o menos esperto, o pobre defeituoso... Senhora!, eu sei
que tu és mais Mãe que todas as mães juntas... E como sou teu filho... E como
sou débil, e doente..., e defeituoso..., e feio... (Forja,
234)
As
mães não contabilizam os pormenores de carinho que os seus filhos lhes
demonstram, não pesam nem medem com critérios mesquinhos. Uma pequena
demonstração de amor, saboreiam-na como se fosse mel e acabam por conceder
muito mais do que receberam. Se assim fazem as mães boas da terra, imaginai o
que poderemos esperar da nossa Mãe, Santa Maria!
Agrada-me
voltar, em pensamento, àqueles anos em que Jesus permaneceu junto de sua Mãe e
que abarcam quase toda a vida de Nosso Senhor neste mundo. Vê-lo pequeno quando
Maria cuida d'Ele e o beija e o entretém... Vê-lo crescer diante dos olhos
enamorados de sua Mãe e de José, seu pai na terra... Com quanta ternura e com
quanta delicadeza Maria e o Santo Patriarca se preocupariam com Jesus durante a
sua infância! E, em silêncio, aprenderiam muito e constantemente d'Ele. As suas
almas ir-se-iam afazendo à alma daquele Filho, Homem e Deus. Por isso, a Mãe –
e, depois dela, José – conhece como ninguém os sentimentos do coração de Cristo
e os dois são o caminho melhor, diria até que o único, para chegar ao Salvador.
Que
em cada um de vós, escrevia Santo Ambrósio, esteja a alma de Maria, para louvar
o Senhor; que em cada um esteja o espírito de Maria, para se regozijar em Deus.
(Amigos
de Deus, 280–281)
Pequena agenda do cristão
(Coisas
muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Participar na Santa Missa.
Senhor, vendo-me tal como sou, nada,
absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de
momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do
Universo.
O meu coração
palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em
que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade
que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não
sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a
minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu
mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.
Lembrar-me:
Comunhões espirituais.
Senhor, eu
quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu
Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.
Pequeno exame:
Cumpri
o propósito que me propus ontem?
Temas para meditar - 164
Os quatro Evangelhos, que recolhem o anúncio da Salvação e que são precisamente «boa nova», estão impregnados, por isso, do gozo da Redenção operada por Cristo. Esta nota de alegria pode apreciar-se mais facilmente no Evangelho de São Lucas Com efeito, a sua linguagem tem uma variedade de matizes para indicar o gozo e a alegria muito difíceis de exprimir em português.
Assim por exemplo: um Anjo do Senhor anuncia a Zacarias que terá um filho «e muitos se alegrarão no seu nascimento (Lc. 1, 14); o arcanjo Gabriel, na anunciação a Maria, começa com a saudação «salve», que literalmente significa alegra-te (Lc. 1, 8); e aos discípulos, a quem anuncia as perseguições que hão-de sofrer por amor do Filho do Homem, o Mestre anima-os: «Alegrai-vos naquele dia e regozijai-vos» (Lc. 6, 3). O nascimento do Baptista será alegria e gozo para Zacarias (Lc. 1, 4); o anjo anuncia aos pastores uma grande alegria (Lc. 2, 0); e no Céu há alegria por um pecador convertido (Lc. 15, 7); Isabel proclama que o seu filho saltou de gozo no seu seio (Lc. 1, 44); finalmente, o Evangelho, termina com estas palavras: «E eles, tendo-se prostrado diante d’Ele, voltaram para Jerusalém com grande alegria e estavam continuamente no Templo a bendizer a Deus» (Lc. 24, 52-53)
(s. francisco de sales, Introdução à Vida Devota, Cap. XII)
Reflectindo - 27
Não podem comparar-se?
Sim, comparam-se na santidade.
A justiça
divina talvez tenha atribuído lugares diferentes a cada um pois tal como disse «na casa de meu Pai há muitas moradas» [1]
o que poderá significar uma posição na proximidade de Deus.
Mas, por outro
lado, na vida eterna não há distância nem altura, profundidade ou largura, a
visão beatífica preenche tudo não deixa lugar a mais nada. O que querem então
dizer aquelas palavras de Cristo?
Penso que se referem a uma constatação mais simples: na casa do Pai há lugar para todos e todos O vêm igualmente e gozam igualmente dele.
Penso que se referem a uma constatação mais simples: na casa do Pai há lugar para todos e todos O vêm igualmente e gozam igualmente dele.
De facto, Deus
é tudo absolutamente sem princípio nem fim logo não é possível estar mais
longe ou mais perto dele ou se está com Ele em plenitude ou não se esta de
facto. Esta a conclusão lógica da situação de todos os santos que, de facto,
são todos os que estão no Céu.
A Igreja como que “oficializa” alguns para que sirvam de exemplo aos vivos que ainda estão a caminho, mas, repete-se, todos os vivos que gozam da visão beatífica de Deus na eternidade, são santos. Sendo assim posso perfeitamente imaginar-me na mesma companhia da multidão incontável dos Santos no Céu usufruindo do mesmo gozo usufruindo a mesma felicidade eterna. Assim desejo e pretendo com todas as minhas forças conseguir este objectivo grandioso.
Sei bem que
por mim não conseguirei mas conto com estes dois hoje canonizados para me
ajudarem e com Santa Maria para me guiar pelo caminho certo. Iter para tuto!
Ama, 2014.04.27
Tratado da lei 42
Art.
4 — Se, além dos preceitos morais e cerimoniais, há preceitos judiciais, na lei
antiga.
(Art.
Seq.: q. 103, a. 1; q. 104, a. 1; IIª-IIae, q. 87, a. 1; q. 122, a. 1, as 2;
Quodl. II, q. 4, a. 3; In Math., cap. XXIII).
O quarto discute-se assim. — Parece
que, além dos preceitos morais e cerimoniais, não há nenhum preceito judicial,
na lei antiga.
1. — Pois, diz Agostinho, que, na lei
antiga, há preceitos para dirigir e para significar a vida. Ora, os preceitos
para dirigir a vida são os morais; para significá-la são os cerimoniais. Logo,
além desses dois géneros de preceitos, não se podem descobrir, na lei antiga,
preceitos judiciais.
2. Demais. — segundo a Escritura — Dos
teus juízos não me tenho apartado — diz a Glosa: Isto é, daqueles de que
fizeste a regra de viver. Ora, a regra de viver pertence aos preceitos morais.
Logo, os preceitos judiciais não se devem distinguir dos morais.
3. Demais. — O juízo é um acto de
justiça, segundo a Escritura (Sl 93, 15): Até que a justiça venha a fazer
juízo. Ora, o acto de justiça, como o das demais virtudes morais, pertence aos
preceitos morais. Logo, estes incluem em si os judiciais e, portanto, não devem
se distinguir deles.
Mas, em contrário, diz a Escritura (Dt
6, 1): Estes são os preceitos e as cerimónias e as ordenações. Ora, por
preceitos entendem-se, antonomasticamente, os morais. Logo, além dos preceitos
morais e dos cerimoniais, há também os judiciais.
Como já se disse (a. 2, a.
3), à lei divina pertence ordenar os homens uns para os outros e para Deus.
Ora, ambas essas coisas pertencem, em comum, ao ditame da lei da natureza, à
qual se referem os preceitos morais; mas devem ser determinadas pela lei divina
ou humana, por serem os princípios evidentes comuns tanto à especulação como à
acção. Donde, assim como a determinação do preceito comum sobre o culto divino faz-se
pelos preceitos cerimónias, assim a determinação do preceito comum relativo à
observação da justiça entre os homens é determinada pelos preceitos judiciais.
E a esta luz, é necessário
admitirem-se três espécies de preceitos da lei antiga: os morais, relativos ao
ditame da lei natural; os cerimoniais, que são as determinações do culto
divino; e os judiciais, que são as determinações da justiça a ser observada
entre os homens. Donde, depois de ter dito o Apóstolo, que a lei é santa,
acrescenta: o mandamento é santo, e justo, e bom. Justo, quanto aos preceitos
judiciais; santo, quanto aos cerimoniais, pois santo se chama ao que é
consagrado a Deus; e bom, i. é, honesto, quanto aos preceitos morais.
DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJECÇÃO.
— Tanto os preceitos morais como os judiciais visam à direcção da vida humana. Donde,
uns e outros estão contidos numa das partes expostas por Agostinho, a saber,
nos preceitos para dirigir a vida.
RESPOSTA À SEGUNDA. — Juízo significa
execução da justiça, que se faz pela aplicação da razão a alguns determinados casos
particulares. Por onde, os preceitos judiciais comunicam, por um lado, com os
morais, enquanto derivados da razão; e por outro, com os cerimoniais, enquanto
certas determinações dos preceitos comuns. Por isso, às vezes, os preceitos
judiciais e os morais estão compreendidos, pela Escritura, nos juízos: Ouve, ó
Israel, as cerimónias e ordenações. Outras vezes, os judiciais e os
cerimoniais: Executareis as minhas ordenações e observareis os meus preceitos,
onde, preceitos são os morais; e ordenações, os judiciais e cerimoniais.
RESPOSTA À TERCEIRA. — O acto de
justiça pertence, em geral, aos preceitos morais; mas a sua determinação em
especial, aos preceitos judiciais.
Nota:
Revisão da versão portuguesa por ama.
Evangelho, comentário e Leitura espiritual ( Colab. do homem e da mulher na Igreja e no mundo)
São
Tomé
Evangelho:
Jo 20, 24-29
24
Tomé, um dos doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. 25 Os
outros discípulos disseram-lhe: «Vimos o Senhor!». Mas ele respondeu-lhes: «Se
não vir nas Suas mãos a abertura dos cravos, se não meter a minha mão no Seu
lado, não acreditarei». 26 Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em
casa e Tomé com eles. Veio Jesus, estando as portas fechadas, colocou-Se no
meio deles e disse: «A paz esteja convosco». 27 Em seguida disse a Tomé: «Mete
aqui o teu dedo e vê as Minhas mãos, aproxima também a tua mão e mete-a no Meu
lado; e não sejas incrédulo, mas fiel!». 28 Respondeu-Lhe Tomé: «Meu Senhor e
Meu Deus!». 29 Jesus disse-lhe: «Tu acreditaste, Tomé, porque Me viste; bem-aventurados
os que acreditaram sem terem visto».
Comentário:
Quando
Jesus, num momento crítico da sua vida, decidiu ir a Betânia para ressuscitar
Lázaro, aproximando-se assim perigosamente de Jerusalém (cf. Mc 10, 32),
Tomé disse aos seus condiscípulos: "Vamos nós também, para morrermos com
Ele" (Jo 11, 16). Esta sua determinação em seguir o Mestre é
deveras exemplar e oferece-nos um precioso ensinamento: revela a
disponibilidade total a aderir a Jesus, até identificar o próprio destino com o
d'Ele e querer partilhar com Ele a prova suprema da morte. De facto,... quando
os Evangelhos usam o verbo "seguir" é para significar que para onde
Ele se dirige, para lá deve ir também o seu discípulo. Deste modo, a vida
cristã define-se como uma vida com Jesus Cristo...: morrer juntos, viver
juntos, estar no seu coração como Ele está no nosso.
Uma
segunda intervenção de Tomé está registada na Última Ceia. Naquela ocasião
Jesus, predizendo a sua partida iminente, anuncia que vai preparar um lugar
para os discípulos para que também eles estejam onde Ele estiver; e esclarece:
"E, para onde Eu vou, vós sabeis o caminho" (Jo 14, 4). É
então que Tomé intervém e diz: "Senhor, não sabemos para onde vais, como
podemos nós saber o caminho?" (Jo 14, 5)... Estas suas palavras
fornecem a Jesus a ocasião para pronunciar a célebre definição: "Eu sou o
Caminho, a Verdade e a Vida" (Jo 14, 6). Portanto, Tomé é o
primeiro a quem é feita esta revelação, mas ela é válida também para todos nós
e para sempre...
Ao
mesmo tempo, a sua pergunta confere também a nós o direito, por assim dizer, de
pedir explicações a Jesus. Com frequência nós não o compreendemos. Temos a
coragem para dizer: não te compreendo, Senhor, ouve-me, ajuda-me a compreender.
Desta forma, com esta franqueza que é o verdadeiro modo de rezar, de falar com
Jesus, exprimimos a insuficiência da nossa capacidade de compreender, ao mesmo
tempo colocamo-nos na atitude confiante de quem espera luz e força de quem é
capaz de as doar.
(bento xvi, Audiência geral do dia 2006.09.27)
Leitura espiritual
Documentos do Magistério
CARTA
AOS BISPOS DA IGREJA CATÓLICA
SOBRE
A COLABORAÇÃO DO HOMEM E DA MULHER
NA
IGREJA E NO MUNDO
III.
A ACTUALIDADE DOS VALORES FEMININOS NA VIDA DA SOCIEDADE
13. Entre os valores
fundamentais relacionados com a vida concreta da mulher, existe o que se chama
a sua «capacidade para o outro». Não obstante o facto de um certo discurso
feminista reivindicar as exigências «para ela mesma», a mulher conserva a
intuição profunda de que o melhor da sua vida é feito de actividades orientadas
para o despertar do outro, para o seu crescimento, a sua protecção.
Uma tal intuição é ligada
à sua capacidade física de dar a vida. Vivida ou potencial, essa capacidade é
uma realidade que estrutura em profundidade a personalidade feminina.
Permite-lhe alcançar muito cedo a maturidade, sentido da gravidade da vida e
das responsabilidades que a mesma implica. Desenvolve em si o sentido e o
respeito do concreto, que se opõe às abstracções, muitas vezes mortais para a
existência dos indivíduos e da sociedade. É ela, enfim, que, mesmo nas
situações mais desesperadas — a história passada e presente são testemunho
disso —, possui uma capacidade única de resistir nas adversidades; de tornar a
vida ainda possível, mesmo em situações extremas; de conservar um sentido tenaz
do futuro e, por último, recordar com as lágrimas o preço de cada vida humana.
Embora a maternidade seja
um elemento chave da identidade feminina, isso não autoriza absolutamente a
considerar a mulher apenas sob o perfil da procriação biológica. Pode haver
nesse sentido graves exageros que exaltam uma fecundidade biológica em termos
vitalistas e que frequentemente são acompanhados de um perigoso desprezo da
mulher. A existência da vocação cristã à virgindade, audaciosa em relação à
tradição vetero-testamentária e às exigências de muitas sociedades humanas, é
neste campo de grandíssima importância.17 Nega ela de forma radical toda a
pretensão de fechar as mulheres num destino que seria simplesmente biológico.
Como a virgindade recebe da maternidade física a advertência de que não existe
vocação cristã senão no dom concreto de si ao outro, do mesmo modo a
maternidade física recebe da virgindade o apelo à sua dimensão fundamentalmente
espiritual: não é contentando-se em dar a vida física que se gera
verdadeiramente o outro. Isto quer dizer que a maternidade pode encontrar
formas de realização plena também onde não há geração física. 18
Numa tal perspectiva,
compreende-se o papel insubstituível da mulher em todos os aspectos da vida
familiar e social que envolvam relações humanas e o cuidado do outro. Aqui se
manifesta com clareza o que João Paulo II chamou génio da mulher. 19
Implica isto, antes de mais, que as mulheres estejam presentes, activamente e
até com firmeza, na família, que é «sociedade primordial e, em certo sentido,
“soberana”», 20 porque é nesta que, em primeiro lugar, se plasma o
rosto de um povo; é nesta onde os seus membros adquirem os ensinamentos
fundamentais. Nela aprendem a amar, enquanto são amados gratuitamente; aprendem
o respeito por toda a outra pessoa, enquanto são respeitados; aprendem a
conhecer o rosto de Deus, enquanto recebem a sua primeira revelação de um pai e
de uma mãe cheios de atenção. Todas as vezes que venham a faltar estas experiências
fundantes, é a sociedade no seu conjunto que sofre violência e se torna, por
sua vez, geradora de múltiplas violências. Isso implica também que as mulheres
estejam presentes no mundo do trabalho e da organização social e que tenham
acesso a lugares de responsabilidade, que lhes deem a possibilidade de inspirar
as políticas das nações e promover soluções inovadoras para os problemas económicos
e sociais.
A este respeito, não se
pode, porém, esquecer que a interligação das duas actividades — família e
trabalho — assume, no caso da mulher, características diferentes das do homem.
Põe-se, portanto, o problema de harmonizar a legislação e a organização do
trabalho com as exigências da missão da mulher no seio da família. O problema
não é só jurídico, económico e organizativo; é antes de mais um problema de
mentalidade, de cultura e de respeito. Exige-se, de facto, uma justa
valorização do trabalho realizado pela mulher na família. Assim, as mulheres
que livremente o desejam poderão dedicar a totalidade do seu tempo ao trabalho
doméstico, sem ser socialmente estigmatizadas e economicamente penalizadas. As
que, por usa vez, desejarem realizar também outros trabalhos poderão fazê-lo
com horários adequados, sem serem confrontadas com a alternativa de mortificar
a sua vida familiar ou então arcar com uma situação habitual de stress que não
favorece nem o equilíbrio pessoal nem a harmonia familiar. Como escreve João
Paulo II, «reverterá em honra para a sociedade o tornar possível à mãe — sem
pôr obstáculos à sua liberdade, sem discriminação psicológica ou prática e sem
que ela fique numa situação de desdouro em relação às outras mulheres — cuidar
dos seus filhos e dedicar-se à educação deles, segundo as diferentes necessidades
da sua idade». 21
14. É, em todo o caso,
oportuno lembrar que os valores femininos, a que se acenou, são antes de mais
valores humanos: a condição humana, do homem e da mulher, criados à imagem de
Deus, é una e indivisível. É só por estarem em sintonia mais imediata com estes
valores que as mulheres podem ajudar a lembrá-los ou ser o seu sinal
privilegiado. Mas, em última análise, todo o ser humano, homem e mulher, é
destinado a ser «para o outro». Nessa perspectiva, o que se chama
«feminilidade» é mais do que um simples atributo do sexo feminino. A palavra
designa, com efeito, a capacidade fundamentalmente humana de viver para o outro
e graças ao outro.
Portanto, a promoção da
mulher no seio da sociedade deve ser compreendida e querida como uma
humanização, realizada através daqueles valores que foram redescobertos graças
às mulheres. Qualquer perspectiva que pretenda propor-se como luta dos sexos
não passa de uma ilusão e perigo: desembocaria em situações de segregação e de
competição entre homens e mulheres e promoveria um solipsismo que se nutre de
uma falsa concepção da liberdade.
Sem prejuízo dos esforços
que são feitos na promoção dos direitos que as mulheres podem aspirar na
sociedade e na família, estas observações querem, ao invés, corrigir a
perspectiva que considera os homens inimigos a vencer. A relação homem-mulher
não pode pretender encontrar a sua justa condição numa espécie de contraposição,
desconfiada e defensiva. Tal relação tem de ser vivida na paz e na felicidade
do amor partilhado.
A um nível mais concreto,
as políticas sociais — educativas, familiares, laborais, de acesso aos
serviços, de participação cívica, — se, por um lado, devem combater toda a
discriminação sexual injusta, por outro, devem saber escutar as aspirações e
assinalar as necessidades de cada um. A defesa e promoção da igual dignidade e
dos comuns valores pessoais devem harmonizar-se com o atento reconhecimento da
diferença e da reciprocidade, onde a realização da própria humanidade masculina
e feminina o exija.
IV. A ACTUALIDADE DOS
VALORES FEMININOS NA VIDA DA IGREJA
15. No que diz respeito à
Igreja, o sinal da mulher é eminentemente central e fecundo. Depende da própria
centralidade da Igreja, que o recebe de Deus e acolhe na fé. É esta identidade
«mística», profunda, essencial, que se deve ter presente na reflexão sobre os
papéis próprios do homem e da mulher na Igreja.
Desde as primeiras
gerações cristãs, a Igreja considerou-se uma comunidade, gerada por Cristo e a
Ele ligada por uma relação de amor, de que a experiência nupcial é a melhor
expressão. Daí deriva que o primeiro dever da Igreja é permanecer na presença
desse mistério do amor de Deus, manifestado em Jesus Cristo, contemplá-lo e
celebrá-lo. Nesta matéria, a figura de Maria constitui na Igreja a referência
fundamental. Poderia dizer-se, com uma metáfora, que Maria oferece à Igreja o
espelho em que esta é convidada a descobrir a sua identidade, bem como as
disposições do coração, as atitudes e os gestos que Deus dela espera.
A existência de Maria é um
convite à Igreja para basear o seu ser na escuta e no acolhimento da Palavra de
Deus, porque a fé não é tanto a procura de Deus por parte do ser humano, mas é
sobretudo a aceitação por parte do homem de que Deus vem até ele, visita-o e
fala-lhe. Esta fé, para a qual «nada é impossível a Deus» (cfr Jo 18,14; Lc
1,37), vive e aprofunda-se na obediência humilde e amorosa com que a Igreja
sabe dizer ao Pai: «Faça-se em mim segundo a tua palavra» (Lc 1,38). A fé leva
constantemente a Jesus — «Fazei tudo o que Ele vos disser» (Jo 2,5) — e acompanha-O
no seu caminho até aos pés da cruz. Maria, na hora das trevas mais profundas,
persiste corajosamente na fidelidade, com a única certeza da confiança na
Palavra de Deus.
Sempre em Maria, a Igreja
aprende a conhecer a intimidade de Cristo. Maria, que trouxe nas suas mãos a
pequena criança de Belém, ensina a descobrir a infinita humildade de Deus. Ela,
que recebeu nos seus braços o corpo dilacerado de Jesus deposto da cruz, mostra
à Igreja como pegar em todas as vidas desfiguradas neste mundo pela violência e
pelo pecado. De Maria, a Igreja aprende o sentido do poder do amor, como Deus o
exerce e revela na própria vida do Filho predilecto: «dispersou os soberbos...
exaltou os humildes» (Lc 1,51-52). Sempre de Maria, os discípulos de Cristo
recebem o sentido e o gosto do louvor perante a obra das mãos de Deus: «o
Todo-poderoso fez em mim maravilhas» (Lc 1,49). Aprendem que estão no mundo
para conservar a memória dessas «maravilhas» e vigiar, enquanto aguardam o dia
do Senhor.
16. Olhar para Maria e imitá-la
não significa, todavia, votar a Igreja a uma passividade inspirada numa
concepção superada da feminilidade, e condená-la a uma vulnerabilidade
perigosa, num mundo em que o que conta é sobretudo o domínio e o poder. Na
verdade, o caminho de Cristo não é nem o do domínio (cfr Fil 2,6), nem o do
poder como o entende o mundo (cfr Jo 18,36). Do Filho de Deus pode aprender-se
que esta «passividade» é, na realidade, o caminho do amor; é um poder régio que
derrota toda a violência; é «paixão» que salva o mundo do pecado e da morte e
recria a humanidade. Confiando ao apóstolo João a sua Mãe, o Crucificado
convida a sua Igreja a aprender de Maria o segredo do amor que triunfa.
Muito longe de conferir à
Igreja uma identidade fundada sobre um modelo contingente de feminilidade, a
referência a Maria, com as suas disposições de escuta e acolhimento, de
humildade, de fidelidade, de louvor e espera, coloca a Igreja na continuidade
da história espiritual de Israel. Estas atitudes tornam-se, em Jesus e por meio
d'Ele, a vocação de todo o baptizado. Prescindindo das condições, dos estados
de vida, das diferentes vocações, com ou sem responsabilidades públicas, são
elas que determinam um aspecto essencial da identidade da vida cristã. Embora
sejam atitudes que deveriam ser típicas de todo o baptizado, na realidade é
típico da mulher vivê-las com especial intensidade e naturalidade. Assim, as
mulheres desempenham um papel de máxima importância na vida eclesial, lembrando
essas disposições a todos os baptizados e contribuindo de maneira ímpar para
manifestar o verdadeiro rosto da Igreja, esposa de Cristo e mãe dos crentes.
Numa tal perspectiva,
também se compreende porque o facto de a ordenação sacerdotal ser
exclusivamente reservada aos homens 22 não impede às mulheres de terem
acesso ao coração da vida cristã. Elas são chamadas a ser modelos e testemunhas
insubstituíveis para todos os cristãos de como a Esposa deve responder com amor
ao amor do Esposo.
CONCLUSÃO
17. Em Jesus Cristo todas
as coisas se tornaram novas (cfr Ap 21,5). A renovação na graça porém não é
possível sem a conversão dos corações. Trata-se, olhando para Jesus e
confessando-O como Senhor, de reconhecer o caminho do amor vitorioso sobre o
pecado que Ele propõe aos seus discípulos.
Assim sendo, a relação do
homem com a mulher transforma-se, e a tríplice concupiscência, de que fala a
primeira Carta de João (cfr 1 Jo 16), deixa de ter o predomínio. Deve
acolher-se o testemunho da vida das mulheres como revelação de valores, sem os
quais a humanidade se fecharia na auto-suficiência, nos sonhos de poder e no
drama da violência. Também a mulher, por seu lado, deve deixar-se converter e
reconhecer os singulares valores, fortemente eficazes, do amor pelo outro, de
que a sua feminilidade é portadora. Em ambos os casos, trata-se da conversão da
humanidade a Deus, de modo que, tanto o homem como a mulher, vejam em Deus o
seu «auxílio», o Criador cheio de ternura, o Redentor que «amou tanto o mundo a
ponto de entregar o seu Filho unigénito» (Jo 3,16).
Uma tal conversão não pode
realizar-se sem a oração humilde para receber de Deus a transparência de olhar
que reconhece o próprio pecado e, ao mesmo tempo, a graça que o cura. De modo
especial deve implorar-se a Virgem Maria, mulher segundo o coração de Deus,
«bendita entre as mulheres» (cfr Lc 1,42), escolhida para revelar à humanidade,
homens e mulheres, qual o caminho do amor. Só assim poderá sobressair em cada
homem e em cada mulher, em cada um segundo a sua própria graça, a «imagem de
Deus», que é a santa efígie com que são assinalados (cfr Gen 1,27). Só assim se
poderá reencontrar o caminho da paz e da maravilha, de que dá testemunho a
tradição bíblica através dos versículos do Cântico dos Cânticos, em que corpos
e corações celebram o mesmo júbilo.
A Igreja certamente
conhece a força do pecado que opera nos indivíduos e nas sociedades e que por
vezes leva a perder a esperança na bondade do casal. Ela, porém, pela sua fé em
Cristo crucificado e ressuscitado, conhece ainda mais a força do perdão e do
dom de si. Apesar de toda a ferida e toda a injustiça, a paz e a maravilha que
ela com confiança aponta aos homens e mulheres de hoje são a paz e a maravilha
do jardim da ressurreição, que iluminou o nosso mundo e toda a sua história com
a revelação de que «Deus é amor» (1Jo 4,8.16).
O Sumo Pontífice João
Paulo II, no decurso da Audiência concedida ao abaixo-assinado Cardeal
Prefeito, aprovou a presente Carta, decidida na reunião ordinária desta
Congregação, e mandou que fosse publicada.
Roma,
Sede da Congregação para a Doutrina da Fé, 31 de Maio de 2004, Festa da
Visitação de Nossa Senhora.
+
Joseph Card. Ratzinger
Prefeito
+
Angelo Amato, SDB
Arcebispo
titular de Sila
Secretário
_______________________
Notas:
14A
Tradição exegética antiga vê Maria em Caná como a «figura Synagogae» e a
«inchoatio Ecclesiae».
15O
quarto evangelho aprofunda aqui um dado já presente nos Sinópticos (cfr Mt 9,15
e par.). Sobre o tema de Jesus Esposo, cfr João Paulo II, Carta às famílias (2
de Fevereiro de 1994), 18: AAS 86 (1994), 906-910.
16João
Paulo II, Carta às famílias (2 de Fevereiro de 1994), 19: AAS 86 (1994), 911;
cfr Carta apost. Mulieris dignitatem (15 de Agosto de 1988), 23-25: AAS 80
(1988), 1708-1715.
17Cfr
João Paulo II, Exort. apost. post-sinodal Familiaris consortio (22 de Novembro
de 1981), 16: AAS 74 (1982), 98-99.
18Ibid.,
41: l.c., 132-133; Congregação para a Doutrina da Fé, Instr. Donum vitae (22 de
Fevereiro de 1987), II, 8: AAS 80 (1988), 96-97.
19Cfr
João Paulo II, Carta às mulheres (29 de Junho de 1995), 9-10: AAS 87 (1995),
809-810.
20João
Paulo II, Carta às famílias (2 de Fevereiro de 1994), 17: AAS 86 (1994), 906.
21Carta
enc. Laborem exercens (14 de Setembro de 1981), 19: AAS 73 (1981), 627.
22Cfr
João Paulo II, Carta apost. Ordinatio sacerdotalis (22 de Maio de 1994): AAS 86
(1994), 545-548; Congregação para a Doutrina da Fé, Resposta à dúvida sobre a
doutrina da Carta apostólica Ordinatio sacerdotalis (28 de Outubro de 1995):
AAS 87 (1995), 1114.
02/07/2014
Nada vale a pena se não estamos junto do Senhor
Maria,
tua Mãe, levar-te-á ao Amor de Jesus. E aí estarás "cum gaudio et pace",
com alegria e paz, sempre "levado" – porque sozinho cairias e
encher-te-ias de lodo – pelo caminho fora, para crer, para amar e para sofrer. (Forja,
677)
Maria
e José perguntaram por ele a parentes e conhecidos. E, como não o encontrassem,
voltaram a Jerusalém à sua procura. A Mãe de Deus, que procurou com afã o seu
Filho, perdido sem sua culpa e que sentiu a maior alegria ao encontrá-lo,
ajudar-nos-á a voltar atrás, a rectificar o que for preciso, quando, pelas
nossas leviandades ou pecados, não consigamos descobrir Cristo. Teremos assim a
alegria de o abraçar de novo, para lhe dizer que nunca mais o perderemos.
Maria
é Mãe da ciência, porque com Ela se aprende a lição que mais importa: que nada
vale a pena se não estamos junto do Senhor, que de nada servem todas as
maravilhas da terra, todas as ambições satisfeitas, se no nosso peito não arde
a chama de amor vivo, a luz da santa esperança, que é uma antecipação do amor
interminável, na nossa Pátria definitiva. (Amigos de Deus, 278)
Pequena agenda do cristão
(Coisas
muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Simplicidade e modéstia.
Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha
“importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos,
deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.
Lembrar-me:
Do meu Anjo da Guarda.
Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda,
que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela
por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.
Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência
ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão
mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.
Pequeno exame:
Cumpri
o propósito que me propus ontem?
Temas para meditar - 163
Pode dizer-se, de certo modo, que Deus quer sofrer, por amor. Ele podia eliminar o ser humano, e acabar com esse sofrimento. Mas ama-o demais para isso. Ele podia obrigar-nos a sermos santos, acabando com a nossa liberdade. Também assim acabaria com o sofrimento. Mas também acabaria connosco. Por isso, em resultado do amor, Deus encontra-se na situação paradoxal de depender de nós. Como uma mãe, cuja felicidade depende vitalmente daquele filho que ela gerou.
(joão césar das neves, O Século de Fátima, Principia, 2ª Ed. nr. 125)
Tratado da lei 41
Art.
3 — Se a lei antiga continha preceitos cerimoniais, além dos morais.
(Infra,
a. 4, 5; q. 101, a. 1; q. 103, a. 3. q. 104, a. 1; IIª-IIae, q. 122, a. 1, ad
2; IV Sent., dist. I, q. 1, exposit. Litt.; Quodl. II, q. 4, a. 3; In Matth.,
cap. XXIII).
Parece que a lei antiga não continha
preceitos cerimoniais, além dos morais.
1. — Pois, toda lei é-nos imposta para
ser a regra directiva dos nossos actos humanos. Ora, os actos humanos chamam-se
morais, como já se disse (q. 1, a. 3). Logo, parece que a lei antiga dada aos
homens não devia conter senão preceitos morais.
2. Demais. — Os preceitos chamados
cerimoniais pertencem ao culto divino. Ora, o culto divino é um acto de virtude,
i. é, de religião que, como Túlio diz, à divina natureza rende um culto e
cerimónia. Ora, visando os preceitos morais aos actos das virtudes, como já se
disse (a. 2), parece que os preceitos cerimoniais não se devem distinguir dos
morais.
3. Demais. — Preceitos cerimoniais são
os de significação figurativa. Ora, como diz Agostinho, entre os homens as
palavras são principalmente significativas. Logo, não havia nenhuma necessidade
de a lei conter preceitos cerimoniais sobre alguns actos figurativos.
Mas, em contrário, diz a Escritura (Dt
4, 13-14): As dez palavras que escreveu em duas tábuas de pedra, mandou-me
naquele tempo que vos ensinasse as cerimónias e as ordenações que vós devíeis
guardar. Ora, os dez preceitos da lei são morais. Logo, além dos preceitos
morais, há outros que são cerimoniais.
Como já se disse (a. 2), a
lei divina foi principalmente instituída a fim de ordenar os homens para Deus;
ao passo que a lei humana, a fim de ordená-los principalmente uns para os
outros. Por isso, as leis humanas não cuidaram em instituir nada sobre o culto
divino, senão em ordem ao bem comum humano. E também por isso instituíram
muitas disposições, relativas às coisas divinas, por lhes parecerem
convenientes a informar os costumes humanos, como o demonstra o rito dos
gentios. A lei divina, inversamente, ordenou os homens uns para os outros,
enquanto isso convinha com a ordenação para Deus, que ela principalmente
visava. Ora, o homem ordena-se para Deus, não só pelos actos interiores do
espírito, — crer, esperar e amar — mas também por algumas obras exteriores,
pelas quais confessa a sua dependência, de Deus. E essas obras consideram-se
como pertencentes ao culto de Deus. E esse culto se chama cerimónia, quase
munia, i. é, dons de Ceres, chamada a deusa dos frutos, como alguns dizem;
porque, dos frutos se fizeram as primeiras oblações a Deus. Ou, como refere Valério
Máximo, o nome de cerimónia foi introduzido para significar o culto divino,
entre os latinos, por causa de um lugar fortificado perto de Roma chamado
Caere. Porque, quando Roma foi tomada pelos Gauleses, para ali foram
transferidos os sacrifícios dos Romanos, reverentissimamente feitos. Por onde,
os preceitos da lei, pertencentes ao culto de Deus, chama-se especialmente
cerimoniais.
DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJECÇÃO.
— Os actos humanos entendem também com o culto divino. Por isso, a lei antiga,
dada aos homens, contém preceitos referentes a eles.
RESPOSTA À SEGUNDA. — Como já se disse
(q. 91, a. 3), os preceitos da lei da natureza são comuns e precisam de
determinação. Ora, determinam-se pela lei humana e pela divina. E assim como as
próprias determinações, feitas pela lei humana, não se consideram como de lei
natural, mas de direito positivo; assim também, essas determinações dos
preceitos da lei da natureza, feitas pela lei divina, distinguem-se dos
preceitos morais, pertencentes à lei da natureza. Ora, cultuar a Deus, sendo acto
de virtude, pertence ao preceito moral; mas, a determinação desse preceito, i.
é, que deva ser cultuado com tais vítimas e tais dons, pertence aos preceitos
cerimoniais. Donde, os preceitos cerimoniais distinguem-se dos preceitos
morais.
RESPOSTA À TERCEIRA. — Como diz
Dionísio, as coisas divinas não podem manifestar-se aos homens senão sob certas
semelhanças sensíveis. E estas semelhanças movem mais o ânimo, quando não são
expressas só pela palavra, mas também falam aos sentidos. Por isso, a Divina
Escritura manifesta as coisas divinas, não só por semelhanças expressas
verbalmente, como o mostram as locuções metafóricas; mas também por semelhanças
das coisas propostas à vista, o que pertence aos preceitos cerimoniais.
Nota:
Revisão da versão portuguesa por ama.
Evangelho, comentário e Leitura espiritual (COLAB. DO HOMEM E DA MULHER NA IGREJA E NO MUNDO)
Evangelho:
Mt 8, 28-34
28 Quando
Jesus chegou à outra margem do lago, à região dos gadarenos, vieram-Lhe ao
encontro dois endemoninhados, que saíam dos sepulcros. Eram tão ferozes que
ninguém ousava passar por aquele caminho. 29 E puseram-se a gritar,
dizendo: «Que tens Tu connosco, Filho de Deus? Vieste aqui atormentar-nos antes
do tempo?». 30 Estava não longe deles uma vara de muitos porcos, que
pastavam. 31 Os demónios suplicaram a Jesus: «Se nos expulsas daqui,
manda-nos para aquela vara de porcos». 32 Ele disse-lhes: «Ide».
Eles, saindo, entraram nos porcos, e imediatamente toda a vara se precipitou,
com ímpeto, de um despenhadeiro, no mar e morreram nas águas. 33 Os
pastores fugiram, e indo à cidade, contaram tudo o que se tinha passado com os
possessos do demónio. 34 Então toda a cidade saiu ao encontro de
Jesus e, quando O viram, pediram-Lhe que se retirasse do seu território.
Comentário:
Parece
um pouco estranha esta passagem do Evangelho porque alguns –e talvez seja o
nosso caso – não compreendemos o que terá levado o Senhor a consentir na perda
de tão grande numero de porcos.
Três
considerações:
1ª
- Se os habitantes da cidade criavam porcos está claro que não seriam judeus.
Sendo assim, muito provavelmente ignoravam o que se referia ao Messias esperado
por Israel. Logo, a pessoa de Jesus Cristo não lhes “dizia” nada de especial e,
talvez por este motivo o Senhor quisesse captar a sua atenção.
2ª
– Permitindo ao demónio praticar algo mau - como indiscutivelmente a perda dos
animais foi – Jesus, ao mesmo tempo – impede-o de fazer muito pior que era o
exercer o seu domínio sobre uma pessoa humana.
3ª
– Colocar os gadarenos perante esta realidade: do demónio só se pode esperar o
mal e de Deus o bem.
Foi
pena que os habitantes da cidade não tivessem aproveitado a “lição” e se
ficassem considerando apenas o prejuízo que nem por ser avultado superava o
muito que tinha ganho.
CARTA
AOS BISPOS DA IGREJA CATÓLICA
SOBRE
A COLABORAÇÃO DO HOMEM E DA MULHER
NA
IGREJA E NO MUNDO
INTRODUÇÃO
1. Perita em humanidade, a
Igreja está sempre interessada por tudo o que diz respeito ao homem e à mulher.
Nestes últimos tempos, tem-se reflectido muito sobre a dignidade da mulher,
sobre os seus direitos e deveres nos diversos âmbitos da comunidade civil e eclesial.
Havendo contribuído para o aprofundamento desta temática fundamental, sobretudo
com o ensinamento de João Paulo II, 1 a Igreja sente-se hoje
interpelada por algumas correntes de pensamento, cujas teses muitas vezes não
coincidem com as finalidades genuínas da promoção da mulher.
O presente documento,
depois de uma breve apresentação e apreciação crítica de certas concepções
antropológicas hodiernas, entende propor algumas reflexões inspiradas pelos
dados doutrinais da antropologia bíblica — aliás indispensáveis para a
salvaguarda da identidade da pessoa humana — sobre alguns pressupostos em ordem
a uma recta compreensão da colaboração activa do homem e da mulher na Igreja e
no mundo, a partir dessa sua mesma diferença. Pretendem estas reflexões, ao
mesmo tempo, propor-se como ponto de partida para um caminho de aprofundamento
no seio da Igreja e para instaurar um diálogo com todos os homens e mulheres de
boa vontade, na busca sincera da verdade e no esforço comum de promover
relações cada vez mais autênticas.
I.
O PROBLEMA
2. Nestes últimos anos
têm-se delineado novas tendências na abordagem do tema da mulher. Uma primeira
tendência sublinha fortemente a condição de subordinação da mulher, procurando
criar uma atitude de contestação. A mulher, para ser ela mesma, apresenta-se
como antagónica do homem. Aos abusos de poder, responde com uma estratégia de
busca do poder. Um tal processo leva a uma rivalidade entre os sexos, onde a
identidade e o papel de um são assumidos em prejuízo do outro, com a
consequência de introduzir na antropologia uma perniciosa confusão, que tem o
seu revés mais imediato e nefasto na estrutura da família.
Uma segunda tendência
emerge no sulco da primeira. Para evitar qualquer supremacia de um ou de outro
sexo, tende-se a eliminar as suas diferenças, considerando-as simples efeitos
de um condicionamento histórico-cultural. Neste nivelamento, a diferença
corpórea, chamada sexo, é minimizada, ao passo que a dimensão estritamente
cultural, chamada género, é sublinhada ao máximo e considerada primária. O
obscurecimento da diferença ou dualidade dos sexos é grávido de enormes
consequências a diversos níveis. Uma tal antropologia, que entendia favorecer
perspectivas igualitárias para a mulher, libertando-a de todo o determinismo
biológico, acabou de facto por inspirar ideologias que promovem, por exemplo, o
questionamento da família, por sua índole natural bi-parental, ou seja, composta
de pai e de mãe, a equiparação da homossexualidade à heterossexualidade, um
novo modelo de sexualidade polimórfica.
3. A raiz imediata da
sobredita tendência coloca-se no contexto da questão da mulher, mas a sua
motivação mais profunda deve procurar-se na tentativa da pessoa humana de
libertar-se dos próprios condicionamentos biológicos. 2 De acordo
com tal perspectiva antropológica, a natureza humana não teria em si mesma
características que se imporiam de forma absoluta: cada pessoa poderia e
deveria modelar-se a seu gosto, uma vez que estaria livre de toda a predeterminação
ligada à sua constituição essencial.
Muitas são as
consequências de uma tal perspectiva. Antes de mais, consolida-se a ideia de
que a libertação da mulher comporta uma crítica à Sagrada Escritura, que transmitiria
uma concepção patriarcal de Deus, alimentada por uma cultura essencialmente
machista. Em segundo lugar, semelhante tendência consideraria sem importância e
sem influência o facto de o Filho de Deus ter assumido a natureza humana na sua
forma masculina.
4. Perante tais correntes
de pensamento, a Igreja, iluminada pela fé em Jesus Cristo, fala ao invés de
colaboração activa, precisamente no reconhecimento da própria diferença entre
homem e mulher.
Para melhor compreender o
fundamento, o sentido e as consequências desta resposta, convém voltar, ainda
que brevemente, à Sagrada Escritura, que é rica também de sabedoria humana, e
onde esta resposta se manifestou progressivamente, graças à intervenção de Deus
em favor da humanidade. 3
II.
OS DADOS FUNDAMENTAIS DA ANTROPOLOGIA BÍBLICA
5. Uma primeira série de
textos bíblicos a examinar são os primeiros três capítulos do Génesis.
Colocam-nos eles «no contexto do “princípio” bíblico, no qual a verdade
revelada sobre o homem como “imagem e semelhança de Deus” constitui a base
imutável de toda a antropologia cristã». 4
No primeiro texto (Gen
1,1-2,4) descreve-se o poder criador da Palavra de Deus que estabelece
distinções no caos primigénio. Aparecem a luz e as trevas, o mar e a terra
firme, o dia e a noite, as ervas e as árvores, os peixes e as aves, todos
«segundo a própria espécie». Nasce um mundo ordenado a partir de diferenças
que, por sua vez, são outras tantas promessas de relações. Eis, assim, esboçado
o quadro geral em que se coloca a criação da humanidade. «Disse Deus: Façamos o
homem à nossa imagem e semelhança... Deus criou o ser humano à sua imagem;
criou-o à imagem de Deus; criou-o homem e mulher» (Gen 1, 26-27). A humanidade
aqui é descrita como articulada, desde a sua primeira origem, na relação do
masculino e do feminino. É esta humanidade sexuada que é explicitamente
declarada «imagem de Deus».
6. O segundo relato da
criação (Gen 2,4-25) confirma inequivocamente a importância da diferença
sexual. Uma vez plasmado por Deus e colocado no jardim, de que recebe a gestão,
aquele que é designado ainda com o termo genérico de Adam sente uma solidão que
a presença dos animais não consegue preencher. Precisa de uma ajuda que lhe
seja correspondente. O termo indica, aqui, não um papel subalterno, mas uma
ajuda vital. 5 A finalidade é, efectivamente, a de permitir que a
vida de Adam não se afunde num confronto estéril, e por fim mortal, apenas
consigo mesmo. É necessário que entre em relação com um outro ser que esteja ao
seu nível. Só a mulher, criada da mesma «carne» e envolvida no mesmo mistério,
dá um futuro à vida do homem. Isso dá-se a nível ontológico, no sentido que a
criação da mulher da parte de Deus caracteriza a humanidade como realidade
relacional. Neste encontro brota também a palavra que abre, pela primeira vez,
a boca do homem numa expressão de maravilha: «Esta é realmente carne da minha
carne e osso dos meus ossos» (Gen 2,23).
«A mulher — escreveu o
Santo Padre em referência a este texto do Génesis — é um outro “eu” na comum
humanidade. Desde o início, [o homem e a mulher] aparecem como “unidade dos
dois”, e isto significa a superação da solidão originária, na qual o homem não
encontra “um auxiliar que lhe seja semelhante” (Gen 2,20). Tratar-se-á aqui do
“auxiliar” só na acção, no “dominar a terra”? (cfr Gen 1,28). Certamente se
trata da companheira da vida, com a qual o homem pode unir-se como se une com a
esposa, tornando-se com ela “uma só carne” e abandonando, por isso, o “seu pai
e a sua mãe” (cfr Gen 2,24)». 6
A diferença vital é orientada
à comunhão e é vivida de forma pacífica, expressa no tema da nudez: «Ora ambos
andavam nus, o homem e a sua mulher, e não sentiam vergonha» (Gen 2,25). Assim,
o corpo humano, marcado pelo selo da masculinidade ou da feminilidade,
«comporta “desde o princípio” o atributo “esponsal”, ou seja a capacidade de
exprimir o amor: aquele amor precisamente no qual o homem-pessoa se torna dom e
— mediante esse dom — realiza o próprio sentido do seu ser e existir». 7
Ainda comentando estes versículos do Génesis, o Santo Padre continua: «Nesta
sua particularidade, o corpo é a expressão do espírito, e é chamado, no próprio
mistério da criação, a existir na comunhão das pessoas, “à imagem de Deus”». 8
Na mesma perspectiva
esponsal, compreende-se em que sentido o antigo relato do Génesis dê a entender
como a mulher, no seu ser mais profundo e originário, exista «para o outro»
(cfr 1Cor 11,9): é uma afirmação que, bem longe de evocar alienação, exprime um
aspecto fundamental da semelhança com a Santíssima Trindade, cujas Pessoas, com
a vinda de Cristo, revelam estar em comunhão de amor, umas para as outras. «Na
“unidade dos dois”, o homem e a mulher são chamados, desde o início, não só a
existir “um ao lado do outro” ou “juntos”, mas também a existir reciprocamente “um
para o outro”... O texto de Génesis 2,18-25 indica que o matrimónio é a
primeira e, num certo sentido, a fundamental dimensão desta chamada. Não é,
porém, a única. Toda a história do homem sobre a terra realiza-se no âmbito
desta chamada. Na base do princípio do recíproco ser “para” o outro, na
“comunhão” interpessoal, desenvolve-se nesta história a integração na própria
humanidade, querida por Deus, daquilo que é “masculino” e daquilo que é
“feminino”». 9
A visão pacífica com que
termina o segundo relato da criação ecoa no «muito bom» que, no primeiro
relato, encerrava a criação do primeiro casal humano. É aqui que se encontra o
coração do plano originário de Deus e da verdade mais profunda do homem e da
mulher, como Deus os quis e criou. Por mais perturbadas e obscurecidas que
sejam pelo pecado, tais disposições originárias do Criador jamais poderão ser
anuladas.
7. O pecado original
altera a maneira como o homem e a mulher acolhem e vivem a Palavra de Deus e a
sua relação com o Criador. Logo a seguir à entrega do dom do jardim, Deus dá um
mandamento positivo (cfr Gen 2,16), seguido de outro negativo (cfr Gen 2,17),
em que implicitamente se afirma a diferença essencial entre Deus e a humanidade.
Sob a insinuação da Serpente, essa diferença é contestada pelo homem e pela
mulher. Em consequência, é também alterada a maneira de viver a sua diferença
sexual. O relato do Génesis estabelece assim uma relação de causa e efeito
entre as duas diferenças: quando a humanidade considera Deus como seu inimigo,
a própria relação do homem e da mulher é pervertida. Quando esta última relação
se deteriora, o acesso ao rosto de Deus corre, por sua vez, o perigo de ficar
comprometido.
Nas palavras que Deus
dirige à mulher a seguir ao pecado, é expressa de forma lapidar, mas não menos
impressionante, o tipo de relações que passarão a instaurar-se entre o homem e
a mulher: «Sentir-te-ás atraída para o teu marido e ele te dominará» (Gen
3,16). Será uma relação em que frequentemente se desnaturará o amor na mera
busca de si mesmo, numa relação que ignora e mata o amor, substituindo-o com o
jogo do domínio de um sexo sobre o outro. A história da humanidade reproduz de
facto tais situações, em que se exprime claramente a tríplice concupiscência
que São João recorda, ao falar da concupiscência da carne, da concupiscência
dos olhos e da soberba da vida (cfr 1Jo 2,16). Nesta trágica situação,
perdem-se a igualdade, o respeito e o amor, que no plano originário de Deus a
relação do homem e da mulher exige.
8. Repassar estes textos
fundamentais permite reafirmar alguns dados capitais da antropologia bíblica.
Antes de mais, há que
sublinhar o carácter pessoal do ser humano. «O homem é uma pessoa, em igual
medida o homem e a mulher: os dois, na verdade, foram criados à imagem e
semelhança do Deus pessoal». 10 A igual dignidade das pessoas
realiza-se como complementaridade física, psicológica e ontológica, dando lugar
a uma harmoniosa «unidualidade» relacional, que só o pecado e as “estruturas do
pecado” inscritas na cultura tornaram potencialmente conflituosa. A
antropologia bíblica convida a enfrentar com uma atitude relacional, não
concorrencial nem de desforra, os problemas que, a nível público ou privado,
envolvem a diferença de sexo.
Há que salientar, por outro
lado, a importância e o sentido da diferença dos sexos como realidade
profundamente inscrita no homem e na mulher: «a sexualidade caracteriza o homem
e a mulher, não apenas no plano físico, mas também no psicológico e espiritual,
marcando todas as suas expressões». 11 Não se pode reduzi-la a puro
e insignificante dado biológico, mas é «uma componente fundamental da
personalidade, uma sua maneira de ser, de se manifestar, de comunicar com os
outros, de sentir, exprimir e viver o amor humano». 12 Esta capacidade
de amar, reflexo e imagem de Deus Amor, tem uma sua expressão no carácter
esponsal do corpo, em que se inscreve a masculinidade e a feminilidade da
pessoa.
A dimensão antropológica
da sexualidade é inseparável da teológica. A criatura humana, na sua unidade de
alma e corpo, é desde o princípio qualificada pela relação com o outro-de-si. É
uma relação que se apresenta sempre boa e, ao mesmo tempo, alterada. É boa, de
uma bondade originária declarada por Deus desde o primeiro momento da criação;
mas é também alterada pela desarmonia entre Deus e a humanidade provocada pelo
pecado. Esta alteração não corresponde, porém, nem ao projecto inicial de Deus
sobre o homem e sobre a mulher, nem à verdade da relação dos sexos. Daí que,
portanto, esta relação boa, mas ferida, precise de ser curada.
Quais podem ser os
caminhos dessa cura? Considerar e analisar os problemas inerentes à relação dos
sexos, só a partir de uma situação marcada pelo pecado, levaria necessariamente
o pensamento a regredir aos erros acima acenados. Há portanto que romper esta
lógica de pecado e procurar uma saída que permita extirpá-la do coração do
homem pecador. Uma orientação clara nesse sentido encontra-se na promessa
divina de um Salvador, em que aparecem empenhadas a «mulher» e a sua
«descendência» (cfr Gen 3,15). É uma promessa que, antes de se cumprir, terá
uma longa preparação na história.
(cont.)
_______________________
Notas:
1
Cfr João Paulo II, Exort. apost. post-sinodal Familiaris consortio (22 de
Novembro de 1981): AAS 74 (1982), 81-191; Carta apost. Mulieris dignitatem (15
de Agosto de 1988): AAS 80 (1988), 1653-1729; Carta às famílias (2 de Fevereiro
de 1994): AAS 86 (1994), 868-925; Carta às mulheres (29 de Junho de 1995): AAS
87 (1995), 803-812; Catequese sobre o amor humano (1979-1984): Insegnamenti II
(1979) - VII (1984); Congregação para a Educação Católica, Orientações
educativas sobre o amor humano. Lineamentos de educação sexual (1 de Novembro
de 1983): Ench. Vat. 9, 420-456; Pontifício Conselho para a Família,
Sexualidade humana: verdade e significado. Orientações educativas em família (8
de Dezembro de 1995): Ench. Vat. 14, 2008-2077.
2
Sobre a complexa questão do gender, cfr ainda Pontifício Conselho para a
Família, Família, matrimónio e «união de facto» (26 de Julho de 2000), 8:
Suplemento a L'Osservatore Romano (22 de Novembro de 2000), 4.
3
Cfr João Paulo II, Carta enc. Fides et ratio (14 de Setembro de 1998), 21: AAS
91 (1999), 22: «Esta abertura ao mistério, que provinha da Revelação, acabou por
ser para ele [o homem bíblico] a fonte de um verdadeiro conhecimento, que
permitiu à sua razão aventurar-se em espaços infinitos, recebendo
possibilidades de compreensão, até então impensáveis».
4
João Paulo II, Carta apost. Mulieris dignitatem (15 de Agosto de 1988), 6: AAS
80 (1988), 1662; cfr S. Ireneu, Adversus haereses, 5, 6, 1; 5, 16, 2-3: SC 153,
72-81; 216-221; S. Gregório de Nissa, De hominis opificio, 16: PG 44, 180; In
Canticum homilia, 2: PG 44, 805-808; S. Agostinho, Enarratio in Psalmum, 4, 8:
CCL 38,17.
5
A palavra ebraica ezer, traduzida com ajuda, indica o socorro que só uma pessoa
dá a uma outra pessoa. O termo não comporta nenhuma conotação de inferioridade
ou instrumentalização, se se tem presente que também Deus é por vezes chamado
ezer em relação ao homem (cfr Ex 18,4; Sal 9-10, 35).
6
João Paulo II, Carta apost. Mulieris dignitatem (15 de Agosto de 1988), 6: AAS
80 (1988), 1664.
7
João Paulo II, Catequese O homem-pessoa torna-se dom na liberdade do amor (16
de Janeiro de 1980), 1: Insegnamenti III, 1 (1980), 148.
8
João Paulo II, Catequese a concupiscência do corpo deforma as relações
homem-mulher (23 de Julho de 1980), 1: Insegnamenti III, 2 (1980), 288.
9
João Paulo II, Carta apost. Mulieris dignitatem (15 de Agosto de 1988), 7: AAS
80 (1988), 1666.
10
Ibid., 6: l.c., 1663.
11
Congregação para a Educação Católica, Orientações educativas sobre o amor
humano. Lineamentos de educação sexual (1 de Novembro de 1983), 4: Ench. Vat.
9, 42312Ibid.
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