10/06/2010

Textos de Reflexão para 10 de Junho

Evangelho: Lc 15, 3-7

3 Então propôs-lhes esta parábola: 4 «Qual de vós, tendo cem ovelhas, se perde uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto, para ir procurar a que se tinha perdido, até que a encontre? 5 E, tendo-a encontrado, a põe sobre os ombros todo contente 6 e, indo para casa, chama os seus amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha que se tinha perdido. 7 Digo-vos que, do mesmo modo, haverá maior alegria no céu por um pecador que fizer penitência que por noventa e nove justos que não têm necessidade de penitência».

Meditação:

De facto o Senhor pôs sobre os Seus ombros todos os meus pecados quando carregou o madeiro da Cruz a caminho do Calvário. Não obstante eu, de vez em quando perco-me do rebanho e, depois, pela infinita misericórdia do Pastor, regresso uma e outra vez. E sinto uma alegria enorme com esta certeza absoluta, que o Senhor não descansa enquanto eu não estiver junto dele, no meio dos Seus. (ama, meditação sobre Lc 15, 3-7, 2010.04.25)

Tema: Alegria cristã

Alegria não porque o mundo possa preencher todas as nossas aspirações, mas sim ao contrário. Não estamos onde devemos permanecer: estamos em caminho. Tínhamos perdido a direcção e Alguém nos veio buscar e nos levou de volta ao lar paterno. É alegria não porque tudo o que nos sucede esteja bem - não é assim -, mas porque Alguém sabe aproveitá-lo para nosso bem. A alegria cristã é consequência de saber enfrentar-se com o único facto realmente triste da vida, que é o pecado: e de saber contrapô-lo com um facto gozoso ainda mais real e mais forte que o pecado: o amor e a misericórdia de Deus. 

(c. burke, Autoridad y Libertad en La Iglesia, nr. 223) (citação e trad. ama)

A CRUZ TRIUNFO DO AMOR SOBRE O MAL - 3

3 - Toda a desumanidade do homem nas relações com o homem se manifestaria de modos ainda mais horrendos, e não haveria fim para o círculo maléfico da violência. Apenas a cruz lhe impõe um fim. Enquanto nenhum poder terreno pode nos salvar das consequências de nosso pecado e nenhuma potência terrena é capaz de vencer a injustiça desde as suas origens, a intervenção salvadora de nosso Deus misericordioso transformou a realidade do pecado e da morte em seu oposto. É isto o que celebramos quando damos glória à cruz do Redentor.

(bento XVI, Missa em Nicósia, 2010.06.05) Fonte: zenit.org

09/06/2010

A CRUZ TRIUNFO DO AMOR SOBRE O MAL

2 - O mundo necessita da cruz: esta não é simplesmente um símbolo privado de devoção, não é um distintivo que indica pertencer a um grupo qualquer na sociedade, e seu significado mais profundo nada tem a ver com alguma imposição forçada de um credo ou de uma filosofia. 
Ela fala de esperança, fala de amor, fala da vitória da não-violência sobre a opressão, fala de Deus que eleva os humildes, dá força aos fracos, faz superar as divisões e vencer o ódio com o amor. Um mundo sem cruz seria um mundo sem esperança, um mundo em que a tortura e a brutalidade continuariam desenfreadas, o fraco seria explorado e a ganância teria a última palavra.

(bento XVI, Missa em Nicósia, 2010.06.05) Fonte: zenit.org

Textos de Reflexão para 10 de Junho

Evangelho: Lc 2, 8-14

8 Naquela mesma região, havia uns pastores que velavam e faziam de noite a guarda ao seu rebanho. 9 Apareceu-lhes um anjo do Senhor e a glória do Senhor os envolveu com a sua luz e tiveram grande temor. 10 Porém, o anjo disse-lhes: «Não temais, porque vos anuncio uma boa nova, que será de grande alegria para todo o povo: 11 Nasceu-vos hoje na cidade de David um Salvador, que é o Cristo, o Senhor. 12 Eis o que vos servirá de sinal: Encontrareis um Menino envolto em panos e deitado numa manjedoura». 13 E subitamente apareceu com o anjo uma multidão da milícia celeste louvando a Deus e dizendo: 14 «Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens, objecto da boa vontade de Deus».

Meditação:

Como seria de esperar, o Salvador da humanidade teve como berço uma simples manjedoura, porque, o Rei dos Reis nasce num estábulo.
É portanto lógico que os primeiros a saber de tão extraordinário acontecimento sejam uns simples pastores. Porquê? Porque sendo pessoas simples recebem e aceitam uma notícia desta magnitude com naturalidade, ao passo que, outros, talvez mais cultos ou proeminentes na sociedade, começariam por duvidar e, logo, levantar toda a espécie de dúvidas e questões.
Esta singularidade continuará por toda a vida de Jesus: as pessoas simples seguem-no devotadamente, os outros…
Como eu desejo, Senhor, ter a simplicidade dos pastores de Belém para Te poder seguir sem duvidar um momento que seja que, Tu, és o Filho de Deus. 

(ama, meditação sobre Lc 2, 8-14, 2010.04.22)

Tema: Simplicidade no apostolado

Não permitas Senhor, que me envaideça com os talentos que me deste. São Teus. Eu, "não tenho nada, não valho nada, não sei nada, sou nada!" Dá-me antes, dom de línguas, desperta a minha inteligência e capacidade de comunicar, para que aqueles que foram postos por Ti para que eu seja seu guia, ajudante ou simples comunicador da Tua Doutrina, possam santificar-se. Não para minha satisfação ou crédito, mas para Tua única e exclusiva glória. 

(ama, Diário, 2003.02.27)

A CRUZ TRIUNFO DO AMOR SOBRE O MAL


1 - Muitos poderiam sentir-se tentados a perguntar por que nós, cristãos, celebramos um instrumento de tortura, um símbolo de sofrimento, de derrota e de fracasso. É verdade que a cruz exprime todos estes significados. E, todavia, por causa daquele que foi suspenso na cruz pela nossa salvação, representa também o definitivo triunfo do amor de Deus sobre todos os males do mundo.

(bento XVI, Missa em Nicósia, 2010.06.05) Fonte: zenit.org

Textos de Reflexão 09 de Junho

Evangelho: Mt 5, 17-19

17 «Não julgueis que vim abolir a Lei ou os Profetas; não vim para os abolir, mas sim para cumprir.18 Porque em verdade vos digo: antes passarão o céu e a terra, que passe uma só letra ou um só traço da Lei, sem que tudo seja cumprido.19 Aquele, pois, que violar um destes mandamentos mesmo dos mais pequenos, e ensinar assim aos homens, será considerado o mais pequeno no Reino dos Céus. Mas o que os guardar e ensinar, esse será considerado grande no Reino dos Céus.

Comentário:

A responsabilidade dos que têm por missão educar ou conduzir outros é enorme. E isto envolve todos os que, pelo munus ou trabalho que desenvolvem podem, de qualquer modo, influir na educação, conceito ou opinião de outros.
Penso, neste momento, nos que desenvolvem o seu trabalho nos meios de comunicação e nas “contas” que inevitavelmente lhes serão pedidas quando se apresentarem perante o Juiz Supremo. (ama, comentário sobre Mt 5, 17-19, 2010.04.24)

Tema: Educar: A televisão

Os controlos estão baixando. A média de tempo que uma criança passa diante da televisão é de 4 a 6 horas por dia. Essa mesma criança passa só, em média, um quarto de hora com seu pai.
Actualmente, um rapaz antes de chegar à universidade passou mais tempo diante da televisão que diante do professor. O que significa isso? Que a televisão é «o grande educador» da sociedade.
É importante que os pais controlem a televisão pelos baixos valores que ensina aos seus filhos.



(Brent Bozell[i], 2006.03.17) (citação ama)


[i] Brent Bozell, 49 anos, é professor, colunista, comentarista de televisão, empresário, publicitário, pai de cinco filhos, fundador e presidente do Conselho de Pais para a Televisão dos Estados Unidos, uma organização radicada em Hollywood que promove a responsabilidade na indústria do entretenimento.

O CAJADO

QUARTA-FEIRA, JUNHO 09, 2010

QUE CAJADO É ESTE, SENHOR?

.
.



Que cajado é este,
Senhor,
que Tu me dás para caminhar?
Ampara-me quando caio,
e ajuda-me a levantar.
Mas não torna o caminho mais fácil,
não endireita as curvas,
não afasta as pedras,
não remove os obstáculos,
nem aplana as subidas,
mas torna muito mais fácil,
seguir a direito e curvar,
caminhar sobre as pedras,
sem sequer me magoar,
ultrapassar os obstáculos,
sem neles ficar retido,
escalar o monte mais íngreme,
com vontade de continuar.
E mesmo que esteja ferido,
porque alguém me quis ferir,
o Teu cajado conforta,
cura e faz sarar,
dá ânimo e nova força,
para que a alegria retorne,
e eu volte de novo a sorrir.
Que cajado é este,
Senhor,
que Tu me dás para caminhar?
Coloca-lo na minha mão,
mas dizes muito baixinho,
cheio de ternura e carinho:
«olha que este cajado,
que te dou para toda a vida,
pode estar na tua mão,
mas é extensão do coração.»
Agarro-me a ele com força,
sem ele já não sei viver,
faz parte de mim,
do meu todo,
só com ele eu posso ser.
É ele que me dá sentido,
ao caminho a percorrer,
é ele que faz em mim,
tudo o que eu não sei fazer,
é ele que me transforma,
numa vontade que é Tua,
é ele que me faz falar,
de Ti,
aos outros,
a todos,
na rua.
Que cajado é este,
Senhor
que Tu me dás para caminhar?
Um cajado que não tem fim,
que não se esgota no uso,
e não se esgota no tempo,
que pode ser frio e calor,
quer de noite, quer de dia,
a dormir ou acordado,
que transmite confiança,
e faz viver a esperança,
de saber que o tenho comigo,
sempre que eu quiser.
Que cajado é este,
Senhor,
que Tu me dás para caminhar?
Este cajado tão forte,
tão eterno e tão presente,
sei-o agora,
Senhor
porque Tu mo queres mostrar.
Vem do Teu Coração,
como fonte a jorrar!
Este cajado,
Senhor,
que a mim e a todos dás,
é a vida,
é a paz,
é o Teu eterno Amor.


Monte Real, 9 de Junho de 2010 (Joaquim Mexia Alves)

08/06/2010

Textos de Reflexão para 08 de Junho

Evangelho: Mt 5, 13-16

13 «Vós sois o sal da terra. Porém, se o sal perder a sua força, com que será ele salgado? Para nada mais serve senão para ser lançado fora e ser calcado pelos homens. 14 Vós sois a luz do mundo. Não pode esconder-se uma cidade situada sobre um monte; 15 nem se acende uma candeia para a colocar debaixo do alqueire, mas no candelabro, a fim de que dê luz a todos os que estão em casa. 16 Assim brilhe a vossa luz diante dos homens para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos céus.
Meditação:

Como posso, Senhor, ser sal da terra se tão mal consigo ‘temperar’ a minha própria vida? Olho para mim, nas minhas misérias e pouca coisa, e pasmo com a Tua confiança ao entregar-me almas para guiar! Não quero Senhor, ser guia cego que conduza outros ao precipício. Quero cumprir cabalmente a minha missão, seja ela qual for e quando for. Como é a Tua Vontade, quero, desejo ardentemente cumprir esse papel de guia. Ajuda-me, Senhor, que, eu, por mim, como muito bem sabes, nada posso. Que eu nunca me envaideça com os poucos ou muitos “êxitos” que a minha actuação possa alcançar, bem pelo contrário, que me convença – sempre – que é uma demonstração de que Tu te serves dos instrumentos mais débeis e estranhos. É a Tua Vontade. Serviam!

(ama, meditação sobre Mt 5, 13-16, Porto, 2008)

Tema: Ser sal da terra

Devemos ter uma iniciativa especial para promover esses pontos vitais de uma sociedade verdadeiramente humana: a família, o ensino, o respeito pela vida, a preocupação com obras com os mais débeis e necessitados... (…) Os católicos prestam um grande serviço à sociedade quando promovem, com uma iniciativa multiforme, uma cultura de raiz cristã que informe desde as leis até ao último costume popular.

(D. álvaro del portillo, carta, 1990) (citação ama)

FREI ANTÓNIO DAS CHAGAS

Frei António das Chagas ao encontro da alma russa

Poemas traduzidos em russo e editados na revista literária e artística

Acabam de ser editados em São Petersburgo, no volume XXI da revista literária e artística “Sfinx” (Esfinge), 13 poemas de Frei António das Chagas, poeta português do século XVII, traduzidos em Russo.
As traduções foram realizadas por Andrei Rodosski, poeta, filólogo e tradutor, professor da Faculdade de História e da Faculdade de Filologia da Universidade Estatal de São Petersburgo. Foi académico correspondente estrangeiro da extinta Academia Internacional da Cultura Portuguesa. Andrei Rodosski é especialista em poesia portuguesa do século XIX, tendo traduzido figuras tão essenciais da nossa cultura como Almeida Garrett e João de Deus. O seu interesse não se limita no entanto a essa época. Traduziu poesia de trovadores medievais galaico-portugueses, e autores do século XX e contemporâneos como Mário de Sá-Carneiro, Egito Gonçalves, Alexandre O´Neill, Fernando Guimarães, Pedro Tamen, Manuel Alegre, Vasco Graça Moura e Joaquim Pessoa, entre outros.
Frei António das Chagas, cujo nome secular era António da Fonseca Soares, foi uma figura extremamente contraditória, a um tempo militar, poeta e eclesiástico. Nascido na Vidigueira, no Alentejo, em 1631, no seio de uma família fidalga, não concluiu os estudos devido à morte do pai e ingressou no exército aos 18 anos, tendo combatido na Guerra da Restauração. Sabe-se que foi neste período que despertou para a poesia. Existe informação que permite descrever o soldado-poeta como homem dado a excessos de vária ordem, levando uma vida desregrada, sendo que, aos 22 anos, foi obrigado a fugir para o  Brasil para escapar à justiça, em virtude de, num duelo, ter causado a morte de um rival. Regressou a Portugal três anos depois e retomou a carreira das armas, tendo sido promovido a capitão em Setúbal, sinal de reconhecimento do seu valor. Contudo, aos 31 anos, abandonou a vida militar e tornou-se monge da Ordem de São Francisco em Évora, e dedicou o resto da sua vida à pregação da Fé e à penitência pelas faltas cometidas enquanto homem mundano. Foi um pregador ardente, apaixonado e empenhado, tendo viajado em pregação por todo o país e também à corte. Em 1680 passou a viver no Convento do Varatojo (Torres Vedras) que, por sua iniciativa, passou a Seminário Apostólico das Missões da Ordem dos Franciscanos. Em 1682, Frei António das Chagas fundou o Convento de Nossa Senhora dos Anjos de Brancanes, em Setúbal, vindo a falecer nesse mesmo ano, no Varatojo.
Frei António das Chagas escreveu nos mais diversos estilos: romances, sonetos, glosas, madrigais, décimas e poemas heróicos, e também, na segunda fase da sua vida, sermões, elegias, cartas e cânticos espirituais, entre outros. Existe indicação de que, nesta segunda fase, desejava destruir os sonetos, romances e outra poesia da sua juventude. Podendo ser entendida como paradigma da sua época - século XVII, época do Barroco, período de ambiguidade entre fé e razão – a vida de Frei António das Chagas reflecte-se nas várias formas de que se reveste e nos temas de que é composta a sua obra. Os poemas escolhidos por Andrei Rodosski permitem aos leitores russos apreciar esta variedade formal e temática. Encontramos assim nesta selecção, por exemplo, a temática do desencanto com as coisas do mundo (soneto “À vaidade do mundo”), a dúvida e a devoção e exaltação religiosas (sonetos “Se sois riqueza, como estais despido?...”, “A Santa Maria Madalena”), a exortação à bondade (soneto “Et petrae scissae sunt”), assuntos de circunstância tratados de forma estilisticamente requintada (soneto “Ao cavalo do Conde do Sabugal, que fazia grandes curvetas”, em que os movimentos do cavalo são descritos recorrendo a referências musicais e sonoras, exemplo precursor da sinestesia interseccionista de Pessoa e Sá-Carneiro), a incessante procura (“Ao loureiro de João de Saldanha de Sousa, que está com as raízes fora da terra, sobre uma fonte”), a exaltação sensual da beleza feminina (“Romance de uma freira indo às Caldas”) e o conflito entre o espírito e os prazeres sensuais a que o poeta renunciara (romance “Ah, Francisca, vida minha!...”).
Famoso como poeta e também como pregador, Frei António das Chagas fascinou os homens do seu tempo e é capaz de fascinar hoje também – basta (re)descobri-lo. (A. L. Simões Gamboa, em São Petersburgo) (fonte: ECCLESIA)

 "Deus pede estrita conta de meu tempo.
 E eu vou do meu tempo, dar-lhe conta.
 Mas, como dar, sem tempo, tanta conta.
 Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo?
 Para dar minha conta feita a tempo,
 O tempo me foi dado, e não fiz conta.
 Não quis, sobrando tempo, fazer conta.
 Hoje, quero acertar conta, e não há tempo.
 Oh, vós, que tendes tempo sem ter conta,
 Não gasteis vosso tempo em passatempo.
 Cuidai, enquanto é tempo, em vossa conta!
 Pois, aqueles que, sem conta, gastam tempo,
 Quando o tempo chegar, de prestar conta
 Chorarão, como eu, o não ter tempo..."
 
 "Frei António das Chagas" (Pelo século XVII (?!?)

07/06/2010

MEDITAÇÕES: AS BEM-AVENTURANÇAS



Bem-aventurados… diz o Senhor no Evangelho da Missa de hoje.


Todos os que O escutam no Sermão da Montanha, sentem a esperança renascer no coração e a confiança instalar-se na alma.

Quem o diz é nem mais nem menos, que Jesus Cristo: Bem-aventurados!

Quero fazer parte dos que enumeras mas, sobretudo, dá-me Senhor, um coração puro para que possa ver-te conforme prometes. 

Contemplar o Teu Rosto é o meu desejo e a minha felicidade.

Vultum Tuum, Domine, requiram. 

(ama, Meditação sobre Mt 5, 1-12, 2009.06.08)

06/06/2010

DEFEITOS - LUTA

A dificuldade não está em não furtar os bens alheios; mas sim em não os desejar. É fácil em tribunal não levantar falso testemunho, mas difícil será em não mentir nas conversas. Com facilidade nos afastaremos da embriaguez, mas com maior dificuldade viveremos a sobriedade.

(S. Francisco de Sales, Introdução à Vida devota, IV, 8)

Textos de Reflexão para 07 de Junho

Evangelho: Mt 5, 1-12

1 Vendo Jesus aquelas multidões, subiu a um monte e, tendo-Se sentado, aproximaram-se d'Ele os discípulos. 2 E pôs-Se a falar e ensinava-os, dizendo: 3 «Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus. 4 «Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. 5 «Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra. 6 «Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. 7 «Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. 8 «Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. 9 «Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus.10 «Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o Reino dos Céus.11 «Bem-aventurados sereis, quando vos insultarem, vos perseguirem, e disserem falsamente toda a espécie de mal contra vós por causa de Mim.12 Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois também assim perseguiram os profetas que viveram antes de vós.

Comentário:

Não podemos, no breve tempo de que dispomos, deter-nos, como deviríamos, nesta passagem do Evangelho. Todos a conhecemos - mais ou menos – bem. Propositadamente, disse – mais ou menos – porque, embora quando começamos a ouvir o Evangelho, dizemos – ou pensamos – logo: já sei… é o discurso das bem-aventuranças! Mas será que, na verdade, conhecemos o seu conteúdo, ou temos apenas ‘uma ideia’ do mesmo, ideia que fomos construindo ao longo dos anos em que, uma e outra vez, ouvimos estas mesmas palavras de Jesus?
A minha proposta de hoje, é, pois, que nos dediquemos durante este tempo que vai meditar entre este encontro e o próximo, a pensar, meditar, melhor dizendo, neste trecho do Evangelho. Se o fizermos com boas disposições interiores, pedindo luzes ao Espírito Santo, para melhor entender e assimilar os ensinamentos que nele se contém, haveremos de verificar que, um mês não é tempo demasiado. Com efeito, de tal forma rica e profunda a dissertação de Jesus contida neste Evangelho, que podemos encontrar nele todo um programa de vida, a súmula de objectivos e metas que nos devemos propor para alcançar a vida eterna.
São tão consoladoras as palavras de Cristo! As afirmações que faz! As certeza que nos dá? Como, por exemplo: «Os puros de coração verão a Deus».
Por isso eu dizia: programa de vida e metas a alcançar… Pensemos nisto. 

(ama, Palestra, CC Vila do Conde, 09.06.2008)

05/06/2010

MONSTRA TE ESSE REGINA

A Deus Todo-Poderoso confio a sociedade portuguesa inteira, sobre todos invocando a abundância dos favores celestes por intercessão de Nossa Senhora da Conceição, que Portugal, há 350 anos, no santuário de Vila Viçosa e pela voz da sua máxima autoridade civil com explícita adesão dos Representantes da Nação, escolheu servir e honrar como Padroeira e Rainha. 

Deus abençoe e proteja Portugal. 

(joão Paulo II, saudação ao novo embaixador de Portugal na Santa Sé, L'Osservatore Romano, 1996.02.24, nr. 8) (citação ama)

MEDITAÇÕES: OS OUTROS

Sabes Senhor, qual é, talvez a minha maior fraqueza? 

É pensar em demasiado mim, nos meus problemas, nas minhas tristezas, naquilo que me acontece e no que gostaria me acontecesse. Nas voltas e reviravoltas que dou sobre mim mesmo, sobre minha vida.

E os outros? 
Sim, os outros que rezam por mim, que se interessam por mim, que têm paciência para comigo, que me desculpam as minhas faltas e as minhas fraquezas, que estão sempre prontos a ouvir-me a atender-me, que não se importam de esperar que eu os compense pelo bem que me fazem, que não me pressionam para que pague o que me emprestam, que não me criticam nem julgam com a severidade que mereço.

Ajuda-me Senhor, a ser, pelo menos reconhecido e a devolver o bem que recebo e, além disso a não julgar, a não emitir opinião, crítica ou conceito, vendo nos outros, a maior parte das vezes os defeitos e fraquezas que eu próprio possuo.
(ama, meditação, 2002.09.02) 

04/06/2010

VIRTUDES - LABORIOSIDADE

Cumpre diligentemente as actividades necessárias para alcançar a sua própria maturidade natural e sobrenatural e ajuda os outros a fazer o mesmo, no trabalho e no cumprimento dos outros deveres.

(ama, compilação sobre definição de laboriosidade)

CORPO DE DEUS

QUINTA-FEIRA, JUNHO 03, 2010


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Fico-me assim, espantado, olhando para aquele “pedaço de Pão”, imaculado, o coração aberto, mais do que a boca escancarada.
És Tu que ali estás Senhor, mas não Te vejo com os olhos do corpo, (impedidos de Te verem), mas com o amor do coração, (que Tu lá colocaste, Senhor).
Quero ver-Te, Senhor, quero acreditar-Te, Senhor, quero adorar-Te, Senhor, mas pobre humanidade minha que me quer negar o que o espírito me diz: Tu estás ali, Senhor, vivo e presente, todo entregue, todo amor!
Deixo-me seduzir por Ti, abrem-se os meus olhos á «fracção do Pão», e o espírito vai-se fazendo, (por Tua graça), um com o corpo, e assim já é toda a minha humanidade que Te vê, que Te acredita, que Te adora.
Digo baixinho, para dentro de mim, «eu não sou digno», mas Tu respondes-me firme no amor, «és digno sim, porque sou Eu quem te dá a dignidade»!
Como posso eu, Senhor, não aceitar essa dignidade que Tu me dás para Te poder receber e seres o meu alimento de vida?
Retorno á minha frase inicial, Senhor, para perceber que para Te receber é muito mais preciso o coração aberto do que a boca escancarada!
E Tu vais guiando e dizendo ao meu pobre coração admirado: «Abre-te coração, mas para Te abrires a Mim, tens de te abrir a todos».
Que Mistério, que loucura, Aquele que é Deus, faz-se «pedaço de Pão», entrega-se como alimento e vai dizendo a cada um: «Não Me podes receber, se não receberes os outros!»
Assim tão simples, tão humilde, a colocares-Te tão igual a cada um, a fazeres-Te tão presença em cada um, porque «queres ser Um em todos, para que todos sejam um em Ti».
Queres assim, Senhor, que cada um seja sacramento para os outros, porque o Sacramento é a Tua presença viva no meio de nós.
Fico-me assim, Senhor, exaltado em adoração, perante o Teu Mistério e peço-Te humildemente: «Fica connosco, pois a noite vai caindo e o dia já está no ocaso.» (Lc 24, 29).

Joaquim Mexia Alves, Marinha Grande, 3 de Junho de 2010

02/06/2010

Textos de Reflexão para 06 de Junho

Evangelho: Lc 7, 11-17

11 No dia seguinte foi para uma cidade, chamada Naim. Iam com Ele os Seus discípulos e muito povo .12 Quando chegou perto da porta da cidade, eis que era levado a sepultar um defunto, filho único de uma viúva; e ia com ela muita gente da cidade. 13 Tendo-a visto, o Senhor, movido de compaixão para com ela, disse-lhe: «Não chores».14 Aproximou-Se, tocou no caixão, e os que o levavam pararam. Então disse: «Jovem, Eu te ordeno, levanta-te». 15 E o que tinha estado morto sentou-se, e começou a falar. Depois, Jesus, entregou-o à sua mãe. 16 Todos ficaram possuídos de temor e glorificavam a Deus, dizendo: «Um grande profeta apareceu entre nós, e Deus visitou o Seu povo». 17 Esta opinião a respeito d'Ele espalhou-se por toda a Judeia e por toda a região circunvizinha.

Meditação:

Surpreendentemente, Jesus faz um portentoso milagre sem que tivesse havido alguma solicitação para o fazer. Fá-lo, de facto, movido apenas pelo Seu coração sensível ao sofrimento de uma pobre mulher desamparada.
Não há dúvida, Ele, sabe sempre o que se passa connosco, o que precisamos, o que nos faz falta e está pronto a concedê-lo mesmo sem mérito da nossa parte.
Esta misteriosa solicitude divina, não a podemos entender e ainda bem porque, assim, mais me convenço que estou inteiramente nas Suas mãos e certo que em nenhum outro lugar poderia estar melhor.

(ama, meditação sobre Lc 7, 11-17, Convento de Cristo Rei, Monte Real, 2009.09.15)

Textos de Reflexão para 05 de Junho

Evangelho: Mc 12, 38-44

38 Dizia-lhes ainda nos Seus ensinamentos: «Guardai-vos dos escribas, que gostam de andar com roupas largas, de serem saudados nas praças39 e de ocuparem as primeiras cadeiras nas sinagogas e os primeiros lugares nos banquetes, 40 que devoram as casas das viúvas, sob o pretexto de longas orações. Serão julgados com maior rigor». 41 Estando Jesus sentado defronte do cofre das esmolas, observava como o povo deitava ali dinheiro. Muitos ricos deitavam em abundância.42 Tendo chegado uma pobre viúva, lançou duas pequenas moedas, que valem um quarto de um asse.43 Chamando os Seus discípulos, disse-lhes: «Em verdade vos digo que esta pobre viúva deu mais que todos os outros que deitaram no cofre, 44 porque todos os outros deitaram do que lhes sobrava, ela porém deitou do seu necessário tudo o que possuía, tudo o que tinha para viver».
Meditação:

Aquelas duas moedas que a pobre viúva deitou no gazofilácio...!
Quantas vezes tenho hesitado em dar as minhas duas moedas a quem precisa mais delas que eu; fico "agarrado" a elas como se delas dependesse a minha vida!
E, as duas moedas que não tenho e que...tanto gostaria de ter!
Não estou já, também, "agarrado" a elas?
Desprendimento, desprendimento! Tão longe, cada vez mais longe!
Preso às coisas, às pessoas, às ideias, ao passado, ao futuro, ao que fui, ao que gostaria de ter sido, ao que, eventualmente ainda posso vir a a ser!
Preso a mim mesmo, às "minhas coisas", aos meus projectos, às quiméricas façanhas que hei-de, um dia, praticar...sim...no fim de tudo...eu...eu...eu!
Senhor, ajuda-me a pensar nos outros em vez de estar aqui, mergulhado nos meus problemas, girando à volta de mim mesmo, concentrado apenas no que me diz respeito. Os outros! Todos os outros. Os que conheço, de quem sou amigo ou familiar e aqueles que me são desconhecidos. Todos são Teus filhos como eu, logo, todos são meus irmãos. Se somos irmãos somos também herdeiros, convém portanto que me preocupe com aqueles que vão partilhar a herança comigo.

(AMA, meditação sobre, Mc 12, 38-44, 2006)

Textos de Reflexão para 04 de Junho

Evangelho: Mc 12, 35-37

35 Continuando a ensinar no templo, Jesus tomou a palavra e disse: «Como dizem os escribas que o Cristo é filho de David? 36 O mesmo David inspirado pelo Espírito Santo diz: “Disse o Senhor ao Meu Senhor: Senta-Te à Minha direita, até que Eu ponha os Teus inimigos debaixo dos Teus pés”.37 O própio David, portanto, chama-Lhe Senhor; como é Ele, pois, seu filho?». A numerosa multidão ouvia-O com gosto.

Meditação:

Senhor, como Te dou graças pela instrução e doutrina que tenho recebido. E também a Fé! As primeiras têm-me ajudado a compreender os mistérios da salvação redentora e a forma como a levaste a cabo. A segunda supre o que falta às outras: acredito mesmo sem entender, porque sei que Tu és a própria essência da Verdade. Nem umas nem outras podem estar isoladas, têm de coexistir. Saber doutrina para poder partilhar, ensinar, distribuir de graça o que de graça recebi. Fé, sólida, para informar tudo quanto sei e compreendo, e o que sei e não entendo, porque não me é dado entender os mistérios. Tu sabes mais, dar-me-ás sempre o que necessitar para mim e para os outros.

(AMA, Meditação Mc 12, 35-37, Porto, Junho, 2008)