01/01/2021

LEITURA ESPIRITUAL Janeiro 1

 Evangelho

 

Mt XIX 16 - 30

 

O perigo das riquezas

16 Aproximou-se dele um jovem e disse-lhe: «Mestre, que hei-de fazer de bom, para alcançar a vida eterna?» 17 Jesus respondeu-lhe: «Porque me interrogas sobre o que é bom? Bom é um só. Mas, se queres entrar na vida eterna, cumpre os mandamentos.» 18 «Quais?» - perguntou ele. Retorquiu Jesus: Não matarás, não cometerás adultério, não roubarás, não levantarás falso testemunho, 19 honra teu pai e tua mãe; e ainda: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. 20 Disse-lhe o jovem: «Tenho cumprido tudo isto; que me falta ainda?» 21 Jesus respondeu: «Se queres ser perfeito, vai, vende o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no Céu; depois, vem e segue-me.» 22 Ao ouvir isto, o jovem retirou-se contristado, porque possuía muitos bens. 23 Jesus disse, então, aos discípulos: «Em verdade vos digo que dificilmente um rico entrará no Reino do Céu. 24 Repito-vos: É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que um rico entrar no Reino do Céu.» 25 Ao ouvir isto, os discípulos ficaram estupefactos e disseram: «Então, quem pode salvar-se?» 26 Fixando neles o olhar, Jesus disse-lhes: «Aos homens é impossível, mas a Deus tudo é possível.»

 

Recompensa dos que seguem Jesus

 

27 Tomando a palavra, Pedro disse-lhe: «Nós deixámos tudo e seguimos-te. Qual será a nossa recompensa?» 28 Jesus respondeu-lhes: «Em verdade vos digo: No dia da regeneração de todas as coisas, quando o Filho do Homem se sentar no seu trono de glória, vós, que me seguistes, haveis de sentar-vos em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel. 29 E todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos ou campos por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e terá por herança a vida eterna. 30 Muitos dos primeiros serão os últimos, e muitos dos últimos serão os primeiros.»

 


Paciência

 

  A paciência é a virtude pela qual suportamos com ânimo os males.

Não seja que por perder a serenidade da alma abandonemos bens que nos hão-de levar a outros maiores. [1]

 

  O que é a paciência?

Quem pode responder melhor a esta pergunta que o impaciente?

Sim, há várias coisas que sabe.

 

Por exemplo:

  A sua falta traz-lhe sofrimento porque, habitualmente faz sofrer outros;

  Quer, agora, o que só estará disponível mais tarde;

  Esgota num ápice o que deveria durar algum tempo;

  Responde mesmo antes da pergunta estar completamente elaborada;

  Adianta-se quando deveria esperar;

  Começa sem ter acabado o que antes começou;

  Agita o que estava tranquilo;

  Desconfia do evidente;

  Pretende o que não lhe compete;

  Julga sem analisar;

  Precipita a conclusão;

         Não espera pelo resultado.

 

E, sofre ainda mais porque se dá conta que:

 

  É desagradável no trato;

  Cai com frequência no destempero de atitudes e linguagem;

  Dá-se conta do afastamento dos outros.

 

Continua a sofrer porque:

 

Perde oportunidades;

  Não presta a atenção que os outros merecem;

  Não tem uma trajectória recta;

  Ziguezagueia de emoções em emoções;

  Troca coisas importantes por ninharias;

  Muda de verdades essenciais para hipóteses efémeras.

  Na verdade, o impaciente, sofre muitíssimo porque não dando felicidade aos outros não a consegue para si próprio.

  Assim temos, exactamente, o que a paciência não é.

 

 

 



[1] Santo Agostinho, sobre a paciência, 2

Reflexão

          Querer e poder

 

Quero... então Posso…

Bartimeu respondeu à pergunta Jesus: «Se quiseres podes curar-me».

É uma afirmação de completa e profunda Fé.

«Se posso? A quem acredita tudo é possível», respondeu Jesus.

 

Parece pois claríssimo: Se acredito... posso.

 

(AMA, 2020)

Festas

 


Perguntas e respostas

HOMOSSEXUALIDADE

B. HOMOSSEXUALIDADE E ENFERMIDADE

7. Como é melhor considerar a homossexualidade?

 

Vejamos três possibilidades.

Considerá-la uma enfermidade tem a vantagem de permitir procurar um modo de cura. De facto, há psiquiatras que conseguem bons resultados.

Considerá-la um defeito ou uma anomalia tem a vantagem de se procurar corrigir e evitar o seu exercício.

Considerá-la boa não resolve o problema.

Pequena agenda do cristão

                          Sexta-Feira


Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:

Contenção; alguma privação; ser humilde.


Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.

Lembrar-me:
Filiação divina.

Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

31/12/2020

Pequena agenda do cristão

   


Quinta-Feira

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Participar na Santa Missa.


Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.


Lembrar-me:
Comunhões espirituais.


Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

LEITURA ESPIRITUAL Dez 31

 

Evangelho

 

Mt IX 1 - 15

 

Jesus deixa a Galileia

 

1 Quando acabou de dizer estas palavras, Jesus partiu da Galileia e veio para a região da Judeia, na outra margem do Jordão. 2 Era seguido por grandes multidões e curou ali os seus doentes.

 

Matrimónio, divórcio e virgindade

 

3 Alguns fariseus, para o experimentarem, aproximaram-se dele e disseram-lhe: «É permitido a um homem divorciar-se da sua mulher por qualquer motivo?» 4 Ele respondeu: «Não lestes que o Criador, desde o princípio, fê-los homem e mulher, 5 e disse: Por isso, o homem deixará o pai e a mãe e se unirá à sua mulher, e serão os dois um só? 6 Portanto, já não são dois, mas um só. Pois bem, o que Deus uniu não o separe o homem.» 7 Eles, porém, objectaram: «Então, porque é que Moisés preceituou dar-lhe carta de divórcio, ao repudiá-la?» 8 Respondeu Jesus: «Por causa da dureza do vosso coração, Moisés permitiu que repudiásseis as vossas mulheres; mas, ao princípio, não foi assim. 9 Ora Eu digo-vos: Se alguém se divorciar da sua mulher - excepto em caso de união ilegal - e casar com outra, comete adultério.» 10 Os discípulos disseram-lhe: «Se é essa a situação do homem perante a mulher, não é conveniente casar-se!» 11 Respondeu-lhes Jesus: «Nem todos compreendem esta linguagem, mas apenas aqueles a quem isso é dado. 12 Há eunucos que nasceram assim do seio materno, há os que se tornaram eunucos pela interferência dos homens e há aqueles que se fizeram eunucos a si mesmos, por amor do Reino do Céu. Quem puder compreender, compreenda.»

 

Bênção das crianças

 

13 Apresentaram-lhe, então, umas crianças, para que lhes impusesse as mãos e orasse por elas, mas os discípulos repreenderam-nos. 14 Jesus disse-lhes: «Deixai as crianças e não as impeçais de vir ter comigo, pois delas é o Reino do Céu.» 15 E, depois de lhes ter imposto as mãos, prosseguiu o seu caminho.

 



Temperança

 

  Disse-se que, entre outras características, a temperança assegura o domínio da vontade. Por isso mesmo é uma virtude cardeal, isto é, de primeira importância.

  O domínio da vontade não é nem fácil nem rápido.

É algo que depende exclusivamente do próprio e que, por norma, leva muito tempo a adquirir, às vezes, uma vida inteira não chega para se conseguir esta virtude.

  Porque é tão importante para o homem ter controlo sobre a sua vontade?

  Parece óbvio que fazendo o que se quer, como se quer e quando se quer, se chega a um distúrbio grave do comportamento e um péssimo hábito de agir sob estímulos ou impulsos sem considerar se os mesmos são bons, maus, valem ou não a pena levar a cabo.

Se se considerar que a vontade é ”cega”, chegamos à consideração que o que temos a fazer é dar-lhe “olhos” para ver em cada momento o que convém ao próprio e aos outros e, muitas vezes estas duas formas de ver podem estar em conflito: O que quero para mim pode não ser conveniente para o outro e, se assim for, não me convém.

  Quero, por exemplo, afirmar-me como crítico de determinada acção praticada por alguém.

Mas porquê? Devemos questionar.

O que é que eu vejo nesse acto que mereça crítica – não interessa se favorável ou não - e que capacidade tenho para a fazer?

Estou a ver bem, a apreciar devidamente?

  A temperança aconselha-me moderação, isto é, rigoroso exame da matéria em causa, para que a minha vontade seja esclarecida, informada quanto à bondade do que me é sugerido fazer.

  É muito provavelmente a principal característica do ser humano completo, nenhum outro ser possui esta virtude ou tem acesso a ela.

Quando muito, um cão tem um instinto que o conduz a fazer algo e, esse instinto é suficiente e bastante para que o faça a menos que o treino a que tenha sido submetido o impeça de o fazer. Não tem, portanto, capacidade de escolha nem possibilidade de eleição.

Logo, parece lógico que agindo sem controlo da sua vontade, o homem se coloca a mesmo nível do cão e as consequências deste comportamento serão sempre graves porque se demite de uma prerrogativa excelente que lhe foi dada por Deus.

  Como a vontade se vai desenvolvendo com o crescimento do indivíduo, esse desenvolvimento tem de ser acompanhado pela temperança que vai, por assim dizer, formatando a vontade para aquilo que convém.

Aqui exercem um papel predominantemente crucial, os formadores, em primeiro lugar os pais, o ambiente familiar, os educadores e o meio em que se desenvolve a formação da pessoa.

  A formação rabínica recebida por São Paulo, uma vez convertido ao cristianismo estava bem patente quando declarava: “Não faço o bem que quero, mas o mal que não quero”. [1]

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



[1] Rm 7, 15-25

Reflexão

 



Ameaças à Igreja - Relativismo


  O relativismo, que justifica tudo e qualifica tudo como de igual valor, atenta o carácter absoluto dos princípios cristãos.

 

(São Paulo VI, encíclica Ecclesiam Suam nº 18).

Oração pelos Sacerdotes

                                         

                                           



Meu Senhor Jesus Cristo:

Dai à Vossa Igreja Sacerdotes Santos que se entreguem ao serviço exclusivo da Igreja e das almas, ao anúncio fiel da palavra de Deus, à administração dos Sacramentos, em especial da Eucaristia e da Penitência, obedientes ao Magistério da Igreja e observando amorosamente a Sagrada Liturgia, para exemplo e guia seguro do Povo de Deus.

(AMA, 2009)




Com autorização eclesiástica

Um novo ano: recomeçar

 


*“A vida cristã é um constante começar e recomeçar, uma renovação em cada dia.” (São Josemaria, “Cristo que passa”, 114).

 

*Qui habitat in adiutorio Altissimi in protectione Dei coeli commorabitur – Habitar sob a protecção de Deus, viver com Deus: eis a arriscada segurança do cristão. É necessário convencermo-nos de que Deus nos ouve, de que está sempre solícito por nós, e assim se encherá de paz o nosso coração. Mas viver com Deus é indubitavelmente correr um risco, porque o Senhor não Se contenta compartilhando; quer tudo. E aproximar-se d'Ele um pouco mais significa estar disposto a uma nova rectificação, a escutar mais atentamente as suas inspirações, os santos desejos que faz brotar na nossa alma, e a pô-los em prática.

Desde a nossa primeira decisão consciente de viver integralmente a doutrina de Cristo, é certo que avançámos muito pelo caminho da fidelidade à sua Palavra. Mas não é verdade que restam ainda tantas coisas por fazer? Não é verdade que resta, sobretudo, tanta soberba? É precisa, sem dúvida, uma outra mudança, uma lealdade maior, uma humildade mais profunda, de modo, que, diminuindo o nosso egoísmo, cresça em nós Cristo, pois illum oportet crescere, me autem minui, é preciso que Ele cresça e que eu diminua.

Não é possível deixar-se ficar imóvel. É necessário avançar para a meta que São Paulo apontava: não sou eu quem vive; é Cristo que vive em mim. A ambição é alta e nobilíssima: a identificação com Cristo, a santidade. Mas não há outro caminho, se se deseja ser coerente com a vida divina que, pelo Baptismo, Deus fez nascer nas nossas almas. O avanço é o progresso na santidade; o retrocesso é negar-se ao desenvolvimento normal da vida cristã. Porque o fogo do amor de Deus precisa de ser alimentado, de aumentar todos os dias arreigando-se na alma; e o fogo mantém-se vivo queimando novas coisas. Por isso, se não aumenta, está a caminho de se extinguir. (Cristo que Passa, 58)

30/12/2020

LEITURA ESPIRITUAL Dez 30

 

Evangelho

 

Mt XVII XVIII 12 – 35

 

A ovelha perdida

 

12 Que vos parece? Se um homem tiver cem ovelhas e uma delas se tresmalhar, não deixará as noventa e nove no monte, para ir à procura da tresmalhada? 13 E, se chegar a encontrá-la, em verdade vos digo: alegra-se mais com ela do que com as noventa e nove que não se tresmalharam. 14 Assim também é da vontade de vosso Pai que está no Céu que não se perca um só destes pequeninos.»

 

Correcção fraterna

 

15 «Se o teu irmão pecar, vai ter com ele e repreende-o a sós. Se te der ouvidos, terás ganho o teu irmão. 16 Se não te der ouvidos, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão fique resolvida pela palavra de duas ou três testemunhas. 17 Se ele se recusar a ouvi-las, comunica-o à Igreja; e, se ele se recusar a atender à própria Igreja, seja para ti como um pagão ou um cobrador de impostos. 18 Em verdade vos digo: Tudo o que ligardes na Terra será ligado no Céu, e tudo o que desligardes na Terra será desligado no Céu.»

 

Poder da oração em união

 

19 «Digo-vos ainda: Se dois de entre vós se unirem, na Terra, para pedir qualquer coisa, hão-de obtê-la de meu Pai que está no Céu. 20 Pois, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles.»

 

Perdão das ofensas

 

21 Então, Pedro aproximou-se e perguntou-lhe: «Senhor, se o meu irmão me ofender, quantas vezes lhe deverei perdoar? Até sete vezes?» 22 Jesus respondeu: «Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.

 

Parábola dos servos devedores

 

23 Por isso, o Reino do Céu é comparável a um rei que quis ajustar contas com os seus servos. 24 Logo ao princípio, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos. 25 Não tendo com que pagar, o senhor ordenou que fosse vendido com a mulher, os filhos e todos os seus bens, a fim de pagar a dívida. 26 O servo lançou-se, então, aos seus pés, dizendo: ‘Concede-me um prazo e tudo te pagarei.’ 27 Levado pela compaixão, o senhor daquele servo mandou-o em liberdade e perdoou-lhe a dívida. 28 Ao sair, o servo encontrou um dos seus companheiros que lhe devia cem denários. Segurando-o, apertou-lhe o pescoço e sufocava-o, dizendo: ‘Paga o que me deves!’ 29 O seu companheiro caiu a seus pés, suplicando: ‘Concede-me um prazo que eu te pagarei.’ 30 Mas ele não concordou e mandou-o prender, até que pagasse tudo quanto lhe devia. 31 Ao verem o que tinha acontecido, os outros companheiros, contristados, foram contá-lo ao seu senhor. 32 O senhor mandou-o, então, chamar e disse-lhe: ‘Servo mau, perdoei-te tudo o que me devias, porque assim mo suplicaste; 33 não devias também ter piedade do teu companheiro, como eu tive de ti?’ 34 E o senhor, indignado, entregou-o aos verdugos até que pagasse tudo o que devia. 35 Assim procederá convosco meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar ao seu irmão do íntimo do coração.»

 

 


  Fortaleza

 

  Pode pensar-se que a fortaleza e a coragem são a mesma coisa mas não são.

  A coragem é uma qualidade e simultaneamente uma virtude.

  A fortaleza é uma virtude e um dom.

  A coragem tem a ver com a atitude que se tem relativamente ao exterior.

  A fortaleza é antes uma emanação do íntimo.

  É claro que, normalmente, quem tem fortaleza tem necessidade da coragem para levar a cabo os actos que a fortaleza lhe sugere ou solicita.

Vejamos um exemplo simples:

A fortaleza sugere que a frequência de determinado ambiente é prejudicial mas necessita da coragem as acções necessárias para, de facto, o fazer.

  Como sugeria São Josemaria Escrivá: ‘Não tenhas a cobardia de ser “valente”; foge!’[1] ou seja, és forte porque sabes que tens de fugir dessa situação e corajoso porque o fazes.

  Talvez que uma das melhores ilustrações do que atrás se descreve seja a cena que o Evangelho de São João[2] nos descreve a propósito das negações de Pedro no átrio da casa de Caifás onde Jesus está a ser interrogado logo a seguir à Sua prisão.

A fortaleza do carácter de Pedro leva-o a constatar a enorme falta que acaba de cometer.

Por três vezes negar conhecer Jesus e, uma delas, com juramento e que, na situação em que se encontra, corre o risco de voltar a fazê-lo.

A seguir tem a coragem necessária para sair dali, sem deixar de avaliar as consequências que tal atitude lhe poderia acarretar.

Teve coragem de corrigir algo que a fortaleza lhe sugeria ser mau e perigoso: a continuar no mesmo local estaria sujeito a novas traições.

  Experimentar o que não se conhece bem talvez envolva correr riscos desnecessários, ou, por outras palavras, pôr à prova a nossa fortaleza não parece ser uma boa prática.

Não se trata de ter medo ou receio, mas, simplesmente, evitar situações, ambientes ou reacções que podem conduzir a um fim inconveniente.

  (Não sei se morro ao atirar-me da janela de um sétimo andar para a rua, mas não estou disposto a experimentar. Isto não é falta de fortaleza mas bom senso.)

  Dissemos que a fortaleza se pode classificar como uma virtude mas que, realmente, é um dom.

Porquê?

Porque necessidade uma decisiva acção do Espírito Santo para que possa ser adquirida.

É que se trata de uma disposição íntima da própria vontade, que actua principalmente no foro íntimo das escolhas, decisões e atitudes.

Claro que a fortaleza se apoia na fidelidade, na justiça e no respeito.

 



[1] São Josemaria, Caminho, 132

[2] Cfr. Jo 18, 17, 19,25-27

Reflexão

 


Tentações “teológicas”.

7

Seres celestes

  As Potestades, os Querubins, os Serafins, enfim a multidão de seres celestes, têm todos as mesmas capacidades e virtudes?

  Como saber? O que podemos inferir é que se trata de seres perfeitos já que estão permanentemente na presença de Deus, a Suma Perfeição. Logicamente, tal confere-lhes capacidades e virtudes muito além das vulgares criaturas humanas. Uns “maiores” que outros? Talvez que seja mais de considerar que terão “missões ou encargos” diferentes.

Pequena agenda do cristão

 


Quarta-Feira

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)






Propósito:

Simplicidade e modéstia.


Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.


Lembrar-me:
Do meu Anjo da Guarda.


Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.

Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?